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quinta-feira, 10 de março de 2011

III Festival Alagoano das Palavras Pretas





III Festival Alagoano das Palavras Pretas acontece em 21 de março.*
Arísia Barros


A 3ª edição do Festival Alagoano das Palavras Pretas acontece no Dia Internacional de Luta Contra o Racismo, o 21 de março, como um prosseguimento da experiência de plantar espaços mais amplos e democráticos, para a palavra despir-se da roupagem convencional, invadindo continentes alheios ao nosso conhecimento cotidiano, criando sinergias, articulando as muitas e diversas gentes que gostam de gostar da emoção do encontro com poesia.
Será mais uma noite especialmente poética de uma segunda-feira, 21 de março, com o cheiro e sabor das palavras despindo as amarras: “minha-mãe-não-deixa-não”, rasgando alguns silêncios sociais.
III Festival Alagoano das Palavras Pretas conta com o “apadrinhamento artístico” do ator e militante do movimento negro, Milton Gonçalves e experimenta algo novo.
O novo assusta?
O Festival tem a intenção de criar uma maior intimidade com os diversos mundos existentes na palavra-poesia. Mundos que quebram barreiras,promovem a abolição de códigos caducos, racistas e sexistas, renovam a arte de poetar.
Mundos que propõem formas alternativas de “pensar” o racismo brasileiro, potencializando a diversidade de poemas africanos e afro-brasileiros ou de gente que escreve sobre a questão afro alagoana ou brasileira.
Quantos poemas africanos ou afro-brasileiros você conhece?
Ficou na dúvida? Pois é, está aí um momento ímpar para conhecê-los.
Como estamos em março o III Festival Alagoano das Palavras Pretas terá o sugestivo título de “Palavras com Cor e Gênero” e nesta noite a grande protagonista é a mulher que cerze o verbo, bordando histórias de determinação, possibilidades, oportunidades, continuidade...
Poetisas que em seu lugar e tempo, são marcos de referência.
Você escreve sobre a temática?
Manda seu poema para gente divulgar no Festival, ou caso não, venha participar da oportunidade de raptar a palavra do papel dando-lhe voz e vida.
O palco do III Festival das Palavras Pretas: Palavras com Cor e Gênero é o Teatro Abelardo Lopes/SESI- Galeria Arte Center. Av. Antonio Gouveia, 1113, Pajuçara.Ah! nessa terceira versão teremos um olhar especial para os poemas estrategicamente espalhados ao longo do Teatro para serem colhidos por você. É que no II Festival eles simplesmente sumiram.
Após uns dias de encucação-o-que-foi-que-aconteceu?-uma senhora nos ligou agradecendo pelo convite, teceu elogios e afirmou que graças ao II Festival ela agora tinha um “monte” de poemas africanos e afrobrasileiros colados em um caderno.
Como um livro!
Que bom!
Para inscrever-se basta enviar um e-mail para raizesdeafricas@gmail.com dizendo:quero-participar-do-III-festival-das-palavras-pretas, com os seguintes dados: nome, instituição, celular, endereço.
Até lá!

* Contribuição enviada por Marize Conceição de Jesus para este blog em  09/03/2011.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Mais do que um jogo: o esporte e o continente africano - lançamento livro RJ


Lançamento do livro Mais do que um jogo: o esporte e o continente africano (Editora Apicuri), organizado por Victor Andrade de Melo, Marcelo Bittencourt e Augusto Nascimento, dia 10 de dezembro, a partir das 18h30, na livraria Folha Seca, à Rua do Ouvidor, n.37, Rio de Janeiro


Fonte: e-mail gentilmente enviado pela Profa. Luana Antunes Costa em 08 de dezembro de 2010.

sábado, 4 de dezembro de 2010

CADERNOS NEGROS VOLUME 33 - POEMAS AFRO-BRASILEIROS

CADERNOS NEGROS VOLUME 33
POEMAS AFRO-BRASILEIROS

DIA 17 DE DEZEMBRO DE 2010 (sexta-feira) - às 19h
Na sala Olido - Av. São João, 473 – (293 lugares) entrada franca.

Para maior conforto de todos os que quiserem participar, solicitamos fazer o cadastramento no link abaixo:
http://www.quilombhoje.com.br/cadastrocn33.html

Autores do livro: Adilson Augusto, Akins Kinte, Ana Celia, Claudia Walleska, Cristiane Sobral, Cuti, Décio Vieira, Edson Robson, Elio Ferreira, Elizandra Souza, Esmeralda Ribeiro, Flávia Martins, Jairo Pinto,Jamu Minka, Lepê Correia, Luís Carlos de Oliveira ‘Aseokaýnha’, Márcio Barbosa, Mel Adún, Miriam Alves, Ruth Saleme, Serafina Machado, Sidney de Paula Oliveira, Thyko de Souza.

Haverá o seguinte bate-papo:
*Cadernos Negros e Literatura Periférica
ÉRICA PEÇANHA (Antropóloga e Pesquisadora - SP)

*Identidade Étnico-Racial na Poesia de Cadernos Negros
PROF. DR. CUTI (Luiz Silva) (Escritor - SP)

E as intervenções poéticas e musicais com o ator e atrizes:
ANDRÉ PERSAN - (Novela "Água na Boca" - TV Bandeirantes).
LUCÉLIA SERGIO - (Os Crespos).
NARUNA COSTA - (Novela "Tempos Modernos" - TV Globo).
e as cantoras e músicos:
CAROL ANICETO - Cantora (A Quatro Vozes e Ilú Obá De Min).
COSME ALVES (Djambé).
GIOVANNI DI GANZÁ (Instrumentista do Duo Abanã).
LIAH JONNES (Cantora e Atriz).
Direção: EDUARDO SILVA - Ator de teatro, novela e cinema (Novela "Uma Rosa com Amor" - SBT e ganhador de dois prêmios como melhor ator nos Festivais Nacional e Internacional de Belém e Salvador).
Assistente de direção: FERNANDO FAGERSTON.
Stand Up - HELTON FESAN (Escritor)

Música e Dança Afro:
BLOCO AFRO ILU OBÁ DE MIN – Percussão Feminina
Apresentação: MC Levy e MC Mafalda Pequenino

Apoios:
Cone/Sala e Galeria Olido(PMSP)
Deputados Estaduais: José Cândido / Vicente Cândido
Vereadores: Juliana Cardoso / Netinho de Paula / Italo Cardoso / Jamil Murad Coletivo de Negros do Sindicato dos Bancários
Sindicato dos Quimícos
Secretaria da Diversidade do Sindicato dos Comércios
ANID - Ação Negra de Integração e Desenvolvimento - Barueri
Gold Feet Podologia.

Cadernos Negros é uma série que, criada em 1978, vem proporcionando a autores e leitores uma nova experiência em termos de literatura e informação. Este volume 33 denota um amadurecimento de ideias, ao mesmo tempo em que temas e estilos mantêm a vitalidade de sempre. Vários novos autores participam do livro, assim com há a volta de poetas que há algum tempo não publicavam. É de se notar que poemas românticos e sensuais (eróticos até) encontram espaço nesta edição, além dos textos que refletem sobre a existência afro-brasileira contemporânea.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Abraão Vicente lança "O Trampolim" na Cidade da Praia


O artista plástico, cronista e agora escritor Abraão Vicente lança a sua primeira aventura literária intitulada  “O Trampolim” na livraria Nhô Eugénio, Cidade da Praia, Ilha de Santiago/Cabo Verde, no dia 2 de Dezembro, a partir das 18h30. O autor informa que a apresentação terá a participação especial do músico e compositor Princezito que fará uma leitura dramatizado de um texto, para além de leituras encenadas de alguns diálogos do livro pelos actores Dulce Sequeira, José Pedro Bettencourt, Paulo Silva e Raquel Monteiro.


Sobre o Livro:

“O Trampolim” é um livro feito de estória que não chegam a ser contos, muito menos um romance. Estórias que são antes conversas de um miúdo de várias idades: 5,6,7 ou 8, se calhar até 9 anos. Conversas de um miúdo, que se chama Zé, com o seu amigo imaginário (ou se calhar seu alter ego) também de nome Zé. Por se repetir demasiadas vezes o nome Zé fica-se sem saber quem é a personagem real e quem é a fictícia. Falam da infância e de coisas sérias: Deus, amor, tecnologia, morte, emigração, racismo, dominação, arte. Coisas sérias faladas a brincar. Usam a linguagem da rua, o português mal falado, uma tradução quase literal do crioulo para o português. O livro está escrito em português mas também poderia ter sido em crioulo pela cadência, pelo ritmo e pelo imaginário. Um vocabulário muitas vezes inventado, recriado, enrolado, se calhar um livro para se ler em voz alta.

Como é que dois miúdos, ou se calhar apenas um, sabem tanto do mundo e dos seus mistérios? Não se sabe bem. Mas também não é se para entender. Linha da estória? Se houver uma, é a estória do miúdo que quer aprender a voar e pede ao amigo imaginário (ou será o contrário?) para lhe construir um trampolim. Enquanto esperam que o Trampolim seja construído os dois vão tecendo lembranças.

Este livro foi escrito em 2003 na Assomada. É lançado sob a chancela da editora Kankan Stúdio que, tal como as personagens deste livro, também ela é imaginária.
 
Fonte: e-mail de divulgação para a imprensa enviado pelo autor em 29 de novembro de 2010.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Mostra Brasilidade - CCJF/RJ

Programação CENTRO CULTURAL JUSTIÇA FEDERAL/RIO DE JANEIRO
Endereço: Av. Rio Branco, 241 – Centro
cep:20040-009 – Rio de Janeiro- RJ
Até 01 de dezembro.
Fonte: http://mostrabrasilidade.wordpress.com/centro-cultural-justica-federal/programacao/
CURADORIAS: PROGRAMADORA BRASIL, DOC TV CPLP, DOCTV BRASIL.
E CHAMADA PÚBLICA CPLP (filmes brasileiros e estrangeiros inscritos na chamada pública)
Modalidade: SESSÕES DE FILMES & DEBATES

Terça-feira, 23 de novembro

14h – O Judeu (Brasil)
16h – Eugênio Tavares, Coração Crioulo (Cabo Verde)
O Rio da Verdade (Guiné-Bissau)
18h – DEBATE com realizadores do DOC TV CPLP
20h – Tchiloli – Identidade de Um Povo (São Tomé e Príncipe)
21h – Timbila Marimba Chope (Moçambique)

Quarta-feira, 24 de novembro
14h – Língua – Vidas em português (Brasil)
16h – Timbila Marimba Chope (Moçambique)
Nos Trilhos Culturais da Angola Contemporânea (Angola)
18h – DEBATE com realizadores do DOC TV CPLP
Victor Lopes (Brasil)
20h – Tchiloli – Identidade de Um Povo (São Tomé e Príncipe)
21h – Timbila Marimba Chope ((Moçambique)

Quinta-feira, 25 de novembro
14h – Li Ké Terra (Portugal)
O Restaurante (Macau)
16h – DEBATE com realizadores do DOC TV CPLP
18h – Exterior (Brasil)
Uma Lulik (Timor Leste)
20h – Morro do Céu (Brasil / RS)
21h – O Rei do Carimã (Brasil / SP)

Sexta-feira, 26 de novembro
14h – Estado de Seca (Brasil)
Mais que a terra (Brasil)
16h – Segunda Feira (Brasil)
A Grande Feira (Brasil)
18h – O Crime da Imagem (Brasil)
Cinema, Aspirina e Urubus (Brasil)
20h – Avenida Brasília Formosa (Brasil / PE)
21h – HU (Brasil / RJ)

Sábado, 27 de novembro
14h – Macunaíma (Brasil)
16h – Almoço Executivo (Brasil)
A Marvada Carne (Brasil)
18h – Um Dia na Rampa (Brasil)
Bahia de Todos os Santos (Brasil)
20h – Negros (Brasil / BA)
21h – Álbum de Família (Brasil / BA)

Domingo, 28 de Novembro
14h – Iracema, uma transa amazônica (Brasil)
16h – Especial Vídeo nas Aldeias (Brasil)
Cineastas Indígenas
Mokoi Tekoá Petei Jeguatá – Duas Aldeias, Uma Caminhada
18h – DEBATE com realizadores do Vídeo Nas Aldeias
20h – Carta Sonora (Brasil / SP)
21h – Jesus no Mundo Maravilha (Brasil)

Terça-feira, 30 de novembro
14h – Carmem Miranda
Carmen Miranda: Bananas is My business
16h – Os Anos JK – Uma Trajetória Política
18h – Divina Previdência
Cronicamente Inviável
20h – Periferia.com (Brasil / SP)
21h – Bagatela (Brasil / SP)

Quarta-feira, 01 de dezembro
14h – Segunda Feira
A Grande Feira
16h – Carolina
A Negação do Brasil
18h – Serras da Desordem
20h – DEBATE A Brasilidade no Cinema Brasileiro

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Éle Semog lança Tudo que está solto na Funemac/Macaé, dia 18/11, 18h (participação Ricardo Riso)

O escritor afrobrasileiro Éle Semog lançará TUDO QUE ESTÁ SOLTO (Rio de Janeiro: Letra Capital, 2010), seu recente livro de poesia na FUNEMAC/Macaé no dia 18 de novembro, a partir das 18h. Além do escritor, a mesa será composta pela Profa. Dra. Sonia Santos e por mim.

Abraços,
Ricardo Riso

Alguns poemas do livro de Éle Semog.

VOLTANDO DE GRAMACHO PELA LINHA VERMELHA
A cidade cresceu ao meu redor
e agora me devora pra fora,
como acontece com um botão
na casa de uma camisa...
Mas sou um negro insurreto,
que não se dobra aos infernos
que me oferecem.
Estou cercado por deveres,
obrigações, tensões urbanas
e municipalistas,
que sufocam a minha lógica tribal.
Mesmo vivendo isto,
com essas coisas tão naturais
não consigo ser cidadão.
Às vezes me respingam
manchas de sangue, noutras,
multas, e impostos, e juros,
e crianças mortas
na lama dessa democracia.
Enchentes, roubos, gente caô,
e filhos aspirados por essa
ideologia global.
Ainda assim, dia desses,
peguei um por do sol com uma lua tão linda,
ali pelos lados da ponte Rio Niterói,
que até Deus se assombrou
com a emoção que expressei,
só com esse restinho de gente
guardado dentro de mim,
que não sabia que estar viva.
Eu sou um desses homens
que cuida da casa, das crianças e da mulher.
Já sei me libertar, só não preciso saber
para que ser livre.
(p. 70-71)


A CHAVE DA COR BRASILEIRA
Todos os dias, a vida inteira
uma razão interior, harmoniosa,
que herdei de gente da minha gente,
e veio por séculos a fio da meada,
me conduz e anuncia,
sem ser oráculo ou magia,
que sou vida porque sou negro,
que sou pleno porque sou negro,
que sou feliz porque sou negro.
Em toda a minha volta,
na versão dos outros,
na exclusão, no sofrimento,
no preconceito esplêndido
nada de mim pode Ser
além do branco, o possível.
E todos os dias me espreitando,
esperando chegar alguma dor,
ou ruptura no fio da meada,
uma outra razão turva e pesada,
insinuosa e despudorada
oferece uma das chaves
que abre o mundo dos brancos...
É para eu entrar, mas sozinho
e lá poderei ser pitoresco e faceiro,
desde que deixe os meus no caminho
e tranque para sempre o negro
que também sou, fora de mim.
(p. 110-111)

Macaé Odara - dia 19/11, 13h, Centro Macaé de Cultura


Fonte: e-mail gentilmente enviado pela Profa. Dra. Sonia Santos, coordenadora da CORAFRO.

domingo, 7 de novembro de 2010

IV ENCONTRO INTERNACIONAL DE PROFESSORES DE LITERATURAS AFRICANAS

Prezados, estarei no IV ENCONTRO INTERNACIONAL DE PROFESSORES DE LITERATURAS AFRICANAS, de 8 a 11 de novembro, na UFOP/MG, apresentando a comunicação Memória, pan-africanismo e revisão crítica da história no poema “Australidades”, de José Luis Hopffer C. Almada, no dia 10 de novembro, a partir das 18h no IFAC - sala 1, ao lado dos colegas LETÍCIA NUNES GOMES (UFRG) – Ilha e Ilhéu: fusão do espaço-personagem, em A louca de Serrano, de Dina Salústio; KLEYTON R. W. PEREIRA (FAFIRE) – Identidade, gênero e diáspora – uma análise das personagens femininas nos contos de Lília Momplé, Maria Margarida Mascarenha e Orlanda Amarilis; RUBENS PEREIRA SANTOS (UNESP/Assis) – A novíssima poesia caboverdiana: a poética de José Luis Tavares.
Uma mesa que muito me atrai por apresentar a produção contemporânea de Cabo Verde, a partir das obras de J L Tavares, Dina Salústio (felizmente não será Mornas eram as noites) e José Luis Hopffer Almada.
Até lá!
Abraços,
Ricardo Riso

domingo, 24 de outubro de 2010

João Tala lança "Forno Feminino" no Rio de Janeiro - 26/10/2010


POEMAS DE JOÃO TALA



TROMPAS UTERINAS / BRAÇOS DO MUNDO

ouço o recomeço acostumada seara
de grãos rompidos

ainda. as grandes mãos do mundo
fixam sementes, algarismos

palavras cervicais
húmus sobre terra húmida,

é esse o caminho que atinge ovários
pela boca da labareda.
(TALA, João. Forno Feminino. Luanda: Kilombelombe, 2009. p. 27)



Poema ébrio não é mais tua raiva
apago tua escrita dorida de raivas.
Bombeiro da inquietação
leitor das cartas imóveis
o engenho da tua caligrafia
eu, teu empenho a cumprir-te
quanto te conversas e precisas extinguir
o ruído da palavra que nem gritas.
(TALA, João. Forno Feminino. Luanda: Kilombelombe, 2009. p. 72)


Boa-noite. Venho de lume à
brisa de terra.
Trouxe o frasco de hormônio
achei-o na farmácia do tempo.

Boa-noite pedacinho. Outro desejo e
dois sorvos. Avivarei mulher em ti
com fogo novo. Noitinha, senhora
súbita alegria de doer onde salgava
o útero. Mais um sorvo e saltam tuas rosas
outro sorvo pode extinguir a angústia
reunida nos teus ovários.
(TALA, João. Forno Feminino. Luanda: Kilombelombe, 2009. p. 44)


palavras bonitas como a palavra mágica.
nascente uma palavra moça, recorrente.

palavra menstrual, rosada.
a rigor o mês assiste o vocabulário
da permuta,

a palavra volúpia teu sexo repleto de pássaros
notas mágicas de teus olhos cheios de plan(e)tas
muitas palavras por dizer ou rasgar
quando comes os frutos ensopados;

quando do fruto tens palavra sentir: formas e dores;
e caber na forma palavra nutrir.
(TALA, João. Forno Feminino. Luanda: Kilombelombe, 2009. p. 55)


São estas diferenças que partilho:
eclesiástica palavra tu és uma igreja

nutrida uma palavra
espiga outra palavra

levantas-me escolástica o nervo
com a tua dor;
aurora com o teu lume,

álgebra inquieta não somarias
o tempo que não partilho.
(TALA, João. Forno Feminino. Luanda: Kilombelombe, 2009. p. 41)


Os rumores edificaram o medo
cantamos a urgência dos lugares.
Encheram-nos as pupilas de palavras
amendrontadas;
Edificaram-nos também os passos
com as botas sobre a Aldeia.
Agora um país tem as têmporas a arder
de nossos medos
mas é apenas a memória dos tumultos.
(TALA, João. A vitória é uma ilusão de filósofos e loucos. Luanda: União dos Escritores Angolanos, 2005. p. 27)


recolho da época devastada agora uma aura
cheguei dos rumores para o paraíso húmido
o meu catecismo é a bruma onde a língua
explode de paixões
cheguei, homem da festa, carrego orvalhos
onde findaram as explosões.
(TALA, João. A vitória é uma ilusão de filósofos e loucos. Luanda: União dos Escritores Angolanos, 2005. p. 20)


A VIDA É UM VÍCIO ALÍRICO
Um lápis traçará caminhos e parábolas fecundas;
um lápis vigia-se pelos escombros;
as letras do pensamento são do olvido pessoas
[paradas e fatigadas.
têm secretas mensagens com as mãos na
notícia. pega um lápis ensina a sofrer.
toca a escrever poemas.
com as mãos na notícia.
não pode haver outra noite impedida
de nos encher a boca.
(onde é que a intimidade tacteava o chão?)
toca a escrever poemas, minha gente,
há que encher o bairro.
com as mãos na notícia.
Senão a vida será um vício alírico.
(TALA, João. Lugar Assim. Luanda: União dos Escritores Angolanos, 2004. p. 24)


As mesmas palavras largadas ao chão cheias de
[caminhos.
As mesmas palavras esquecidas largadas nos
[caminhos.
Palavras boçais repletas de tempestades.
Palavras insatisfeitas repetidas nos comícios
febris palavras convulsivas palavras complicadas
palavras vazias destemperadas incertezas;
o tédio das palavras muitas palavras!
Todas essas palavras como nos ofuscaram
ninguém mais se lembra. Esquecemo-las nos
[comícios.
Nunca mais lhe daremos o valor da palavra
[humana
com nossas vidas lidas nos comícios. Nunca mais.
(TALA, João. Lugar Assim. Luanda: União dos Escritores Angolanos, 2004. p. 29)

sábado, 23 de outubro de 2010

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

João Tala lança "Forno Feminino" no Rio de Janeiro


(clique na imagem para ampliá-la)

O prestigiado escritor angolano João Tala lançará Forno Feminino, seu recente livro de poesia, na Kitabu - Livraria Negra, dia 26 de outubro de 2010, às 18h30, à rua Joaquim Silva, 17 - Lapa - Rio de Janeiro.

Kitabu - Livraria Negra
Rua Joaquim Silva, 17 - Lapa - Rio de Janeiro
Tel: (21) 2252-0533
htpp://kitabulivraria.wordpress.com
Twitter: @kitabulivros

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Miriam Alves - BRASILAFRO AUTORREVELADO: Literatura Brasileira Contemporânea (lançamento RJ)

A Kitabu Livraria Negra e a Nandyala Editora convidam para a noite de autógrafos do livro


BRASILAFRO AUTORREVELADO:

Literatura Brasileira Contemporânea

De Miriam Alves*

Iniciaremos o projeto Palavra Preta**, com um sarau com a autora.

Serviço:
Local: Kitabu Livraria Negra
Endereço: Rua Joaquim Silva, N. 17 – Loja – Lapa – RJ
Data: 14 de outubro, próxima 5ª feira.
Horário: 18:30
Tel: 2252-0533

* Mirian Alves é escritora e pesquisadora da literatura afro-brasileira, tem importante participação nos Cadernos Negros com seus contos e poesias.


** Palavra Preta é novo projeto da Kitabu Livraria Negra, para aproximar escritores e pesquisadores de seu público leitor, sendo um espaço destinado ao debate, à reflexão e à confraternização. Sua periodicidade será mensal, contamos com a sua presença.
 

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Palestra Literatura Afro-Brasileira, com Miriam Alves e Ricardo Riso - Colégio Pedro II/Centro - 14/10

Pedro II de Portas Abertas
Dias 13 e 14 de Outubro de 2010
FESTA LITERÁRIA

Prezados(as),
A escritora e pesquisadora Miriam Alves e eu comporemos a mesa Literatura Afro-Brasileira na Festa Literária do Colégio Pedro II - Unidade Centro, dia 14 de outubro, às 15h. Na ocasião Miriam Alves lançará o livro Brasilafro autorrevelado – Literatura brasileira contemporânea. A mesa terá a mediação do Prof. Tarcísio Motta de Carvalho.
Quem puder comparecer e ajudar na divulgação, desde já agradeço.
Abraços,
Ricardo Riso


DIA 13/10 - 4ª FEIRA


8:00h : ABERTURA
Leitura dramatizada de O Santo e a Porca (8º ano) - Profª Rita Codá - Biblioteca

8h30min: Recital Rosas de Piéria (8º ano) - Profª Rita Codá - Biblioteca

9:00h: Declamação de um excerto da obra Aulularia de Plauto, em latim (Alunos do Curso de Latim) - Profª Rita Codá - Biblioteca

10:00h Ferreira Gullar: homenagem aos 80 anos do poeta e lançamento do seu mais novo livro Alguma parte alguma. Convidada especial: Adriana Calcanhoto; Participação do Coral de Alunos da Unidade Centro

12:00h Sopa de Letras – sarau literário com apresentação de alunos de séries variadas e Convidados - Profa Dilma Mesquita – Pátio Central

13h:30min – 14h:30min – ALMOÇO

14h:30min – Dramatização de Os saltimbancos (7ºano) Profª Marina Mansur – Biblioteca

15:00h – Café com autores. Convidados: Rosa Amanda Strausz, George Campista e Luiza Martins. Sala 03

15h:30min: Literatura e Entretenimento - Felipe Pena e Luís Eduardo Matta. Mediadora: Rosa Amanda Strausz. Salão Nobre

17:00h: Literatura e Música: Legião Urbana. Henrique Rodrigues e Angélica Castilho. Mediadora: Profa Elaine Barbosa. Participação do aluno Wesley Guimarães ao violão.

19h:30min: Jantar Poético: sarau de poesia com alunos do PROEJA. Poeta convidada: Celi Luz e amigos

DIA 14/10 5ª FEIRA

9:00h : Exibição de vídeo e relato de experiências – oficina de cinema. (9º ano). Profª Dilma Mesquita. Auditório novo

10:00h: Leitura dramatizada de O auto da Compadecida (9º ano). Profª Dilma Mesquita.Salão Nobre

13h:30min – 14h:30min ALMOÇO

14h:30min – Contação de histórias de suspense: Edgard Allan Poe (aberto a todas as séries). Profª Teresa Ventura (SCI). Sala 3

15:00h – Literatura Afro-brasileira. Miriam Alves e Ricardo Riso. Lançamento do livro Brasilafro autorrevelado – Literatura brasileira contemporânea. Mediador: Prof Tarcísio Motta de Carvalho

16:00h – Literatura e o Samba: Noel, o poeta da Vila. Prof. Antonio Martins de Araújo (UFRJ). Danilo Garcia e Raoni Ventapane compositores de sambas-enredo da Vila Isabel. Participação do grupo de samba dos alunos da Unidade. Mediador: Prof. Marcos

17h:30min – Conversa com o cantor e compositor Pedro Luís e uma homenagem ao Prof. Fernando Lemos, mestre que o incentivou a gostar de Literatura. Mediadora: Profª Marina Mansur

“A literatura é necessária porque a vida não basta.” (Ferreira Gullar)

Celebrando o prazer da leitura, o valor da literatura e suas relações com todas as manifestações culturais.

O evento terá participações de:
• Sebos da região e exposição de livros;
• Editoras e autores;
• Mesas, saraus, lançamento de livros;
• Lançamentos de livros;

Colégio Pedro II − Unidade Centro
End.: Rua Marechal Floriano nº 80 - Centro – RJ
Tel: (21) 3213-3101
FAX: (21) 2253-8340
Site: http://www.cp2centro.net/

sábado, 2 de outubro de 2010

I Encontro de Literatura e de Estudos Multiculturais - 14 e 16/10/2010

I Encontro de Literatura e de Estudos Multiculturais

O curso de Especialização em Literatura da Universidade de Taubaté,em parceria com o Departamento de Ciências Sociais e Letras, realizará, entre os dias 14 e 16 de outubro de 2010, o I Encontro de Literatura e de Estudos Multiculturais. O ELEM pretende se constituir em um espaço para discussão e reflexão sobre a literatura e outros saberes, por meio da realização de mesas-redondas e de palestras proferidas por pesquisadores e escritores renomados. De âmbito internacional, o evento contará este ano com a presença do escritor angolano Ondjaki, recentemente galardoado com o Prêmio Jabuti.

 
Fonte: e-mail gentilmente enviado pela Profa. Ms. Isabelita Crosariol

Ruy Duarte de Carvalho e apresentação do Buala - Bienal SP


Homenagem a Ruy Duarte de Carvalho e apresentação do Buala

Na ocasião , as jornalistas Marta Lança e Marta Mestre apresentarão o portal BUALA (http://www.buala.org/), sobre cultura africana contemporânea, e a professora Rita Chaves falará sobre o livro Desmedida, de Ruy Duarte de Carvalho. Haverá ainda projeção de fotografias da viagem que inspirou o livro (fotos da historiadora Daniela Moreau)
 
Convidam: o Buala, a Casa das Áfricas e a Ed. Língua Geral

Dia 4 de outubro, segunda-feira, das 17h às 19h.
 
Fonte: e-mail da Casa das Áfricas do dia 2 de outubro de 2010.

domingo, 26 de setembro de 2010

Éle Semog - Tudo que está solto (livro)

Lançamento do novo livro de Éle Semog, “Tudo que está solto” (editora Letra Capital), no Centro Afrocarioca de Cinema, à rua Joaquim Silva, 40 – Lapa – Rio de Janeiro. Dia 27 de setembro de 2010, a partir das 18h30.


A respeito do conteúdo do livro, Nelson Olokofá Inocencio frisa que “o movimento negro adverte: muito cuidado ao abrir este livro, pois ele contém substâncias altamente inflamáveis, compostas de consciência e indignação que podem causar danos irreparáveis àquelas mentes retrógadas. Caso ocorra alguma reação alérgica não suspenda o uso, todo tratamento exige uma boa dose de esforço da pessoa enferma. Persistindo os sintomas procure o autor e seus comparsas. A eles pertence a fórmula que produz tanta inquietação."



COISAS DESSA GENTE QUE SOU

Pertenço a uma História que existe
na memória dos tempos,
suturada no útero desse povo,
ao modo de ferro e fogo,
que o próprio tempo pariu.
E pelo tempo que há de vir
se expandirá sem fronteira
tal qual a gênese de um orixá.
Não me curvo ao silêncio
dessa versão perversa e lúcida,
que torna invisível tudo que estou,
como se o que penso pudesse ser
desconstruído, pela expressão estúpida
desses alcoviteiros cheios de estórias,
que roubam detalhes, fingem fatos,
e inumanos desfiguram vidas e verdades.
Busco no tempo um tempo
maior que ele mesmo,
que se abra em inevitável caos,
e deixe fluir toda a insurreição do silêncio
como uma eufórica sangria na memória.
Pertenço a uma História
feita pelo meu povo
e penso como o meu povo,
que pertence e perturba
a estória dos donos e seus danos,
e que por isso está muito além
de seu próprio construir-se.
Sou um negro como tantos outros
negros e negras que esbanjam respeito
mas que também atiçam o seu medo.
E é melhor assim.

(Éle Semog)

domingo, 19 de setembro de 2010

Oficina de Contos Africanos e Contação de Histórias - CCJF/RJ

Oficina de Contos Africanos e Contação de Histórias


Com quem? Silvia Carvalho e Alyxandra Gomes – Karingana Ua Karingana*
Onde? Centro Cultural da Justiça Federal – RJ
Horário? 18 às 21 horas
Quando? Dias 1, 8, 15, 22 de outubro e 05 de novembro.
Valor? 120,00
Contato? 21-87171780
E-mail: karinganauakaringana@yahoo.com.br
Blog: http://www.karinganauakaringana.blogspot.com/

Temas: - A literatura africana; - O conto africano; - O conto afro brasileiro; - O ofício do contador de histórias; - Pesquisa de repertório; - Exercícios de interpretação; - Leitura, literatura e lei 10.639/03; - Video sobre contadores; - Roda de contação no encerramento

* Alyxandra Gomes é Professora, doutoranda em Estudos Étnicos e Africanos no Centro de Estudos Afro Orientais em Salvador & Silvia Carvalho é Psicóloga, Especialista em Literatura Africana, ambas coordenam o Karingana Ua Karingana desde 2005.

Fonte: E-mail gentilmente enviado pela colega Silvia Carvalho em 16 de setembro de 2010.

sábado, 11 de setembro de 2010

II Fórum Nacional de Crítica Cultural - 18 a 21/11/2010 (UNEB)


Nos dias 18 a 21 de novembro, acontece, na Universidade Estadual da Bahia (UNEB), o II Fórum Nacional de Crítica Cultural.

São 12 eixos temáticos dentro dos quais podem submeter os trabalhos:

1 – Representações do cotidiano escolar em obras de arte; 2 – Segmentos artísticos marginais e seus modos de produção; 3 – O lugar da cultura local em livros e materiais didáticos; 4 – Literatura e mídias: agenciamentos e entre-lugares nas configurações de gênero e sexualidades; 5 – Cultura escrita, diversidade linguística e poder; 6 – Educação literária afrodescendente: usos e sentidos; 7 – Raça/gênero, sexualidades e formação de professores/as; 8 – Letramento e novas tecnologias em contextos minoritários; 9 – Educação, patrimônio imaterial e memória; 10 – Cultura, história e tradição; 11 – Educação, narrativas e poéticas afrobrasileiras; 12 – Educação, narrativas e saberes indígenas.

O evento conta com mesas-redondas, oficinas, comunicação oral, minicursos, exposição áudio-visual, atos estéticos políticos e pontos estético-culturais. Também conta com participação de professores da instituição, como o Prof. Dr. Henrique Freitas (Instituto de Letras - ILUFBA), Prof. Dr. Djalma Thürler (Instituto de Humanidades, Artes e Ciências – IHAC/UFBA) e Prof. Dr. Ubiratan Castro de Araujo (História Social –UFBA), ministrando mesas redondas.

Já tem confirmadas duas mesas redondas na área das africanidades e afrobrasilidades: “Educação literária afrodescendente: usos e sentidos”, coordenada pelo Prof. Dr. Murilo Ferreira (Pós-Crítica/UNEB), e tem como uma das convidadas, a Profa. Vanda Machado, com a palestra intitulada “Escola no Terreiro da Mãe Estela em Salvador-Ba”, também a mesa: “Educação, narrativas e poéticas afrobrasileiras”, coordenada pelo Prof. Dr. Sílvio Roberto dos Santos Oliveira (Pós-Crítica/UNEB), contando com a participação da Profa. Dra. Maria Anória de Jesus Oliveira (UNEB/UFPB), com a palestra intitulada: “Relações étnico-raciais e seu material didático”. Também alguns mini-cursos já foram confirmados: “Relações étnico-raciais e seu material didático” , proferido pela Profa. Dra. Maria Anória de Jesus Oliveira (DEDC XIII-UNEB/Itaberaba/UFPB) e “Democracia e multiculturalismo na África Ocidental”, ministrado pelo Prof. Dr. Detoubab Ndiaye (Campus II/UNEB – Alagoinhas/ IFCH – UFBA).

As inscrições com apresentação de trabalho vão até o dia 25 de setembro de 2010.

Para maiores informações sobre o evento, acesse o site: http://forumdecriticacultural.com/Index.html
 
Fonte: e-mail gentilmente enviado pela Profa. Isabel Lima em 8 de setembro de 2010.

domingo, 15 de agosto de 2010

João Melo, João Maimona e Marta Santos na UFRJ

MESA-REDONDA COM POETAS E ESCRITORES DE ANGOLA

JOÃO MAIMONA,

JOÃO MELO,

MARTA SANTOS (nova escritora de literatura infanto-juvenil)


Dia 19 de agosto (quinta-feira), das 10 horas às 12:30,
Faculdade de Letras/UFRJ- Fundão, sala D220.

Fonte: e-mail enviado pela colega Iara A. Rodrigues em 15 de agosto de 2010.