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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Mia Couto - Espaços ficcionais, de Maria Nazareth Soares Fonseca, Maria Zilda Ferreira Cury (Orgs.)

Mia Couto - Espaços ficcionais
Maria Nazareth Soares Fonseca, Maria Zilda Ferreira Cury (Orgs.)

Sinopse
“Vejo este material principalmente como suporte da transmissão de conhecimento sobre a África, pura e simplesmente, o que não é coisa pouca, mas ainda como material usado para contrariar o processo de interiorização de uma série de lugares-comuns sobre a África e, consequente, sobre a construção de um sistema hierarquizante de valores culturais. Por isso, este livro pressupõe que se esteja atento a uma perspectiva ocidentalocêntrica, que tem plasmado, mesmo que inconscientemente, os estudos sobre a África feito por cientistas sociais das diversas áreas do saber.
O que não posso deixar de referir é que este livro, da autoria de Maria Nazareth Soares Fonseca e Maria Zilda Ferreira Cury, cumpre esta dupla função: por um lado, a de fornecer instrumentos para o estudo interno das literaturas como sistemas autónomos – o que não significa o seu isolamento, o seu fechamento em relação a outro qualquer sistema. Por outro, consolidar o seu reconhecimento como área de estudo eminente.”
Inocência Mata
Lisboa, Março/Abril de 2008

Sobre os autores
Maria Nazareth Soares Fonseca

Doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal de Minas Gerais, é professora do Programa de Pós-graduação em Letras da PUCMinas e professora aposentada da UFMG. Responsável pela área de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa.

Maria Zilda Ferreira Cury

Possui graduação em Letras (Português, Inglês e Alemão) pela Universidade de São Paulo, mestrado em Estudos Literários: Literatura Brasileira, pela Universidade Federal de Minas Gerais (e doutorado em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo. Além disso, fez Pós-doutorado pela Sorbonne Nouvelle- Paris III (1999). Professora Titular de Teoria da Literatura pela UFMG e coordenadora do projeto de pesquisa “Intelectuais e vida pública: mediações e migrações”, financiado pelo CNPq a que seu projeto individual de pesquisa “Imigrantes na literatura” encontra-se vinculado. Participa, como pesquisadora, no projeto de pesquisa “Topografia da cultura: representação, espaço e memória” coordenado pela Profa. Dra. Sara del Carmen Rojo vinculado ao Convênio UFMG/ Università degli Studi di Bologna. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura Comparada, atuando principalmente nos seguintes temas: imigrantes, intelectuais e vida pública, Carlos Drummond de Andrade, Belo Horizonte, leitura e intertextualidade.

Ficha Técnica do Livro
Páginas: 136
Formato: 15,5 x 22,5 cm
Acabamento: brochura
Editora: Autêntica
ISBN: 9788575263686
Código: 10214
Área temática: Literatura brasileira e estrangeira
Edição: 1ª

http://www.autenticaeditora.com.br/livros/item/462

Para ler uma resenha sobre este livro, acesse:

http://www.autenticaeditora.com.br/noticias/item/277

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Moçambique - literatura e artes plásticas

Ontem, preparei uma apresentação para a disciplina de Estágio de um tema que muito me agrada: as letras e telas moçambicanas. A partir da diversificada produção de Mia Couto, com trechos de romances, contos e crônicas tracei diálogos com as produções dos artistas plásticos Malangatana Valente, Roberto Chichorro e Naguib Abdula.

Comecei com a crônica de Mia Couto, “Perguntas à Língua Portuguesa”. Nesta, apresentei sua postura em relação ao uso da oratura na escrita, os neologismos e suas brincriações, e a emancipação de um falar moçambicano independente à matriz européia.

A seguir, selecionei um trecho inicial de “Terra Sonâmbula” e apontei a característica expressionista do romance, ambientado em tempos de guerra, com intensa presença de cores como o vermelho e com a fragmentação da família, das perdas da raízes. Daí a comparação com a tela “Onde está a minha mãe, meus irmãos e todos os outros?” de Malangatana. Ambas, tratam de uma busca incessante das raízes perdidas em tempos de horror e inconseqüências desestabilizadoras da sensibilidade humana.

Depois, li trechos da crônica “O Gênio Ingênuo" de Mia Couto a respeito da obra de Malangatana Valente. Basicamente, comentei características formais e temáticas da pintura do pintor da Matalana como o surrealismo e a presença dos sonhos em “Monstros grandes comendo monstros pequenos”, explorando a representação de seres do imaginário da etnia ronga como os shetanis, lumpfanas, xicuembos etc., as cores vibrantes, os excessivos elementos asfixiados no espaço da superfície pintada e a analogia com a situação moçambicana perante o colonialismo português, o sincretismo religioso em “O feitiço”, e a planaridade da tela numa relação próxima com a técnica do all over de Jackson Pollock.

Ao usar o conto “O cego Estrelinho” de “Estórias Abensonhadas”, atentei-me às novas formas de olhar engessadas em meio à voracidade da guerra, expressas no conto quando o cego Estrelinho conduz sua guia além dos vários firmamentos com as pinturas oníricas de Roberto Chichorro. Destaquei o lirismo da narrativa coutiana acompanhado pelas cores e temas expostos por Chichorro. O predomínio da cor azul e a analogia com o infinito, a liberdade e a imaginação criadora, segundo Gaston Bachelard; os olhos também na cor azul, sendo o surrealismo onírico citado por Carmen L. T. Secco, os olhos dos sonhos a imaginar uma vida sem as atrocidades reinantes dilaceradoras da paz entre os homens. Além das alegorias de pássaros, do ar como elemento da natureza, representando os vôos da imaginação e da liberdade.

Ainda com Mia e Chichorro, aproveitei para mostrar dois momentos de esperança na história recente de Moçambique. O primeiro está retratado na tela “sonhar amanhã sem lágrimas”, onde Chichorro transmite toda a euforia do momento de nascimento de Moçambique independente com destaque para a representação de duas personagens lendo livros. Lembro que o idioma português, ou seja, a língua do colonizador, foi utilizado como arma para unificação das etnias contra o regime então vigente. No segundo momento, usei o conto “Chuva: a abensonhada” para falar do encerramento da guerra fratricida, a desconfiança inicial do narrador com o futuro e a entrega feliz, lúdica, com a paz que se inicia.

Para finalizar, abordei possíveis relações da obra coutiana com a arte multifacetada de Naguib. Em texto para catálogo de sua exposição, em que Mia frisa o caráter plural da arte do artista da região do Tete. A respeito da arte deste artista, Mia comenta: “obra de mestiçagem, sem buscar as identidades mas as fronteiras, os cruzamentos e as viagens. Nos seus quadros reconhecemos os múltiplos tempos do nosso tempo moçambicano, as diversas raças do nosso ser colectivo”.

Foi explorando o multiculturalismo nas obras de Naguib que comentei as múltiplas linguagens utilizadas por ele, como a fotografia, a pintura, o uso de jornais, sites specifics, grafismos como hieróglifos nos remetendo a um passado esgarçado na tentativa de revivê-los. Além disso, sua arte é sensual, erótica, livre e celebradora da vida de um novo tempo moçambicano, com destaque para as mulheres zoomorfas.

Para finalizar a apresentação, entre Mia e Naguib, em comum, a linha tênue da ancestralidade/modernidade. Em Naguib, os procedimentos contemporâneos: fotografias para retratar a árvore sagrada, o embondeiro, com pinturas rupestres. Em Mia, o conto “O embondeiro que sonhava pássaros” de “Cada homem é uma raça”, também aponta para o resgate das raízes perdidas por séculos de colonização, representado pelo menino Tiago, filho de portugueses no tempo da colonização, o seu envolvimento com a cultura local e a presença do animismo africano trabalhado com brilhantismo pelo narrador.

Com isso, procurei mostrar a confluência das artes desses artistas moçambicanos, perseguidores da memória esfacelada, dos sonhos esgarçados, desbravadores das sendas de lirismo da poesia em um mundo dominado por mentes obliteradas. Artistas que prezam por expor um país multicultural, sem omitir os olhares atentos às mazelas sociais e políticas na expectativa de um tempo novo para Moçambique. Um tempo sem a crueldade do outrora e distante da perversidade neoliberal da atualidade.

Para quem quiser acessar a apresentação, basta acessar este endereço:
Ricardo Riso

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Mia Couto - Um passado ainda por nascer

"Esta lixiviação das responsabilidades históricas serve os propósitos das elites que hoje actuam como gestores indígenas da dependência neo-colonial".

Mia Couto *

África 21 Digital - 04/11/2008 - 17:32
http://www.africa21digital.com/noticia.kmf?cod=7851026


Existem poucas coisas que podem ser tão novas e recentes quanto o passado. O tempo – ou melhor a memória que dele ficou – é uma escolha permanente retrabalhada, uma página sempre e sempre actualizada.

A produção dessa encenação que é o passado africano está ainda curiosamente nas mãos de quem sempre negou a História do continente. As referências desse edifício solene, à sombra do qual repousam o sagrado e os mortos, continuam ainda hoje sendo eminentemente europeias: o colonialismo como único divisor de águas, a visão romântica de uma África pré-colonial paradisíaca e a projecção de um amanhã sem futuro. O afropessimismo é irmão gémeo da imagem de uma África pré-colonial mistificada, onde apenas reinavam harmonias e equilíbrios.

O expediente é simples: anulam-se os conflitos internos das sociedades africanas como motor da sua própria História. Partem-se as pernas aos processos que moveram os tempos e se moveram ao longo dos séculos. Numa cadeira de rodas, se coloca um corpo inerte, deficiente e desresponsabilizado. A esse corpo se dá o nome de «África» e ora se elogia ora se acusa quem faz movimentar a cadeira de rodas. A confissão de culpa dos «excessos» do esclavagismo e da dominação colonial por parte dos europeus ajuda a reiterar esta imagem de um continente inteiro menorizado, apenas e sempre vítima.

Falei da simplificação da História porque ela sugere uma sumária infantilização dos africanos. Leiam-se os compêndios escolares e escutem-se os discursos oficiais das elites africanas e não ficarão dúvidas: tudo corria bem até ao século XVI, todos os africanos eram pessoas encantadas e encantadoras, até à chegada dos europeus.

Este maniqueísmo está presente quando se julgam os crimes da escravatura: parece que do lado de África ninguém foi nunca culpado. Esta lixiviação das responsabilidades históricas serve os propósitos das elites que hoje actuam como gestores indígenas da dependência neo-colonial. O continente africano tem vários passados e os africanos têm o direito de os inventar e colocar ao serviço de um sem número de retratos do presente.

O grave é que os africanos interiorizaram estes critérios e se avaliam a si mesmos na base destes critérios de «pureza» e «autenticidade». A anulação da diversidade e o reconhecimento que afinal há muitas e várias Áfricas não serve nesta mobilização contra o mundo e os pecadores externos.

Ditadores como Mobutu e Idi Amin (e agora Mugabe) serviram-se deste apelo unitário que, nas décadas de 50 e 60, foi intensamente mobilizador para a construção das independências. Esta operação é simples.

A «maldade» e o «ódio» nascem sempre fora. Nós, africanos, somos apenas vítimas, mesmo quando somos culpados. Nós, africanos, somos irmãos, unidos por uma condição que tem mais a ver com natureza do que com a História. Porque a História essa actuou, como já vimos, por um processo de sofrimento. E esse sofrimento foi sempre infligido pelos de «fora». É por isso que ficamos sem reacção quando quem nos faz sofrer é um «nosso».

Algumas das hesitações face a Mugabe explicam-se por esta ausência de distância. Foi fácil empreender acções contra o ditador anterior na ex-Rodésia: Ian Smith era branco, filho de colono. Era um «outro». Mobilizar a opinião africana contra Mugabe é bem mais difícil. E não se trata apenas de razões políticas. É porque temos contra nós esta visão deformada do passado e mistificadora do presente.

Várias são as vozes de África que alertam para o perigo deste reducionismo. Kofi Annan dizia a propósito de Robert Mugabe: «Os africanos devem-se guardar de uma forma auto-destrutiva e perniciosa de racismo que une e mobiliza o cidadão para lutar contra os tiranos brancos, mas que serve para criar desculpas para os tiranos que são pretos».

Samora Machel criticou duramente Marrocos pela sua postura de ocupação do Sara Ocidental. «Por que razão atacamos o colonialismo quando é praticado por europeus e não o fazemos quando é praticado por africanos?» O Nobel da Literatura, Wole Soyinka, alertou também para esta auto-complacência. «Devíamos estar preocupados com a bota que nos pisa sem querermos saber da raça de quem calça essa bota».

Os africanos estão, assim, criando focos de guerrilha contra esta visão dominante empobrecedora de si mesmos. Eles questionam os pressupostos da própria «africanidade». Querem ser contemporâneos e sair da toca identitária para onde puristas os empurraram. As identidades múltiplas dos africanos e das diferentes Áfricas estão sendo forjadas neste processo.

O passado do continente, esse passado tão plural quanto os continentes que há em África, está ainda por escrever. Vive ainda no futuro.

* Mia Couto, escritor moçambicano, assina coluna na Revista África 21, edição de Outubro

1º Festival Cultural de Moçambique

Começará amanhã, em Brasília, o 1º Festival Cultural de Moçambique, no Museu Nacional da República, de 6 a 9 de novembro. Com diversas manifestações da cultura moçambicana, o festival contará com mostra de filmes, exposições de arte maconde, de capulanas produzidas por Suzette Honwana – esposa do escritor Luis Bernardo Honwana, debates, mostra gastronômica, shows com o grupo Milorho e o jazzista Moreira e lançamento do novo livro de Calane da Silva, "Nyembête ou As Cores da Lágrima”.

Há um belo site para o evento: http://www.festivalculturalmocambique.com.br/

Abraços,
Ricardo Riso

Fonte: http://www.africa21digital.com/noticia.kmf?cod=7853323

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Nelson Saúte - Escrevedor de Destinos (novo livro)


Fui informado pelo amigo Ouri Pota, do blog Mãos de Moçambique, que Nelson Saúte lançou um novo livro esta semana em Maputo: Escrevedor de Destinos, pela Editora Ndjira.

A seguir, as melhores informações que encontrei na web a respeito sobre o novo livro.

Ricardo Riso


http://maosdemocambique.blogspot.com/
Para os amantes da literatura Moçambicana. Saibam que será apresentado hoje 23 de Outubro de 2008, as 18 horas, a obra Escrevedor de Destinos de autoria de Nelson Saúte, na sede da Empresa Portos e Caminhos de Ferro.

Na obra que sai sob a chancela da editora Ndjira, Nelson Saúte explora o género da crónica em forma de carta. É uma singela homenagem de um escritor preocupado com os fazedores do dia-a-dia de Moçambique os seus demónios tutelares), e dos que também influenciam e influenciaram a trajectória política, desportiva, sócio-cultural e até ideológica do País.


http://ma-schamba.com/literatura-mocambique/o-escrevedor-de-destinos-de-nelson-saute/

Escrevedor de Destinos, de Nelson Saúte
25 de Outubro de 2008
Mais um atrevimento de Nelson Saúte. 36 “cartas” com destinatário afixado, crónicas em forma epistolar chamou-lhes avisadamente o poeta António Pinto de Abreu, também já memória autobiográfica de Nelson Saúte, traçando diálogo com as personagens que lhe foram marcos (Nogar, Craveirinha, Knopfli - do qual foi, com Francisco Noa, aqui paladino -, Noémia de Sousa, Albino Magaia, etc.) mas também que lhe são companheiros (como p. ex. Gemuce ou Simões, artistas trazidos para o “lado de cá” do mundo das letras). Com isto traçando um quadro, bem mais polémico do que a suavidade da forma deixa entrever em primeira zleitura, do que vem sendo Moçambique. Arriscando até ser (ascender a?) cartilha de acção.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Carmen Lucia Tindó R. Secco - A Magia das Letras Africanas

A Quartet Editora e a Livraria do Museu da República convidam para o lançamento de A Magia das Letras Africanas, de Carmen Lucia Tindó R. Secco, dia 15 de outubro (quarta-feira), das 17h às 21:30, na Livraria do Museu da República, Rua do Catete, 153 - Rio de Janeiro - RJ.



*E-mail enviado pela Profa. Carmen Lucia Tindó R. Secco em 03 de outubro de 2008, às 14h53.

Publica-se no Brasil, em 2008, a obra ensaística A magia das letras africanas, que, desde seu aparecimento em Portugal há cinco anos, se tornou uma contribuição imprescindível para aqueles que não se conformam com a existência da teia de silenciamento imposta sobre as literaturas africanas, em geral, e sobre as de Angola e Moçambique, em particular, em nosso meio acadêmico-cultural. Penetrar no denso labirinto dessas literaturas é percorrer um espaço que se quer sempre cúmplice da ancestralidade emanada de um saber tão antigo, como antigo é o tempo africano. E fazê-lo, pelas mãos e sensibilidade de Carmen Lucia Tindó Secco, é, para além de tudo, pactuar com a beleza de um texto que, não abdicando de sua seriedade epistemológica, não se nega a deixar-se tocar pela maga vara de condão da poesia, pela qual tudo se transforma. Os textos críticos nascem, desse modo, da confluência sígnica entre as vozes dos autores africanos, que a ensaísta elege como base de suas leituras, e a sua própria voz que parece sempre emergir do lago profundo que só a poesia é capaz de criar.Sabemos que o exercício crítico não é uma tarefa fácil. No caso específico do trabalho com as Literaturas Africanas, tal exercício se torna ainda mais complexo, pelo fato mesmo de que é difícil ler o outro, tendo em conta nossos próprios referenciais teóricos, herdados do Ocidente hegemônico. No entanto, a cumplicidade de Carmen com esse outro rompe o pesado silêncio e o corpo simbólico da alteridade acaba por emergir, com força, de sua fala também em diferença, tanto no que concerne estritamente à expressão literária quanto a outras interlocuções que a pesquisadora surpreende. Com a sabedoria das filhas da Kianda, ela vai decifrando os sinais, reordenando-os para, sempre segurando seu próprio fio de Ariadne, vencer as artimanhas impostas pelo labirinto linguajeiro de Angola e Moçambique......

Por tudo isso, como leitora de Carmen Lucia Tindó Secco, só me resta reconhecer as “várias faces e formas” da “magia das letras de Angola e Moçambique”, entregando-me – e espero que outros o façam comigo – “ao exercício, ao desfrute e ao sortilégio delas!”
Laura Cavalcante Padilha - Professora de Literaturas Africanasde Língua Portuguesa na UniversidadeFederal Fluminense (UFF)

http://www.quartet.com.br/Principal_Editora.htm

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Carmen Tindó: lançamento do livro A Magia das Letras Africanas

A Quartet Editora e a Livraria do Museu da República convidam para o lançamento de A Magia das Letras Africanas, de Carmen Lucia Tindó R. Secco, dia 15 de outubro (quarta-feira), das 17h às 21:30, na Livraria do Museu da República, Rua do Catete, 153 - Rio de Janeiro - RJ.


terça-feira, 29 de julho de 2008

Artsambique

Artsambique é um ótimo site voltado para a promoção e divulgação da cultura moçambicana.

Recomendo a visita:

http://www.artsambique.com/

Ricardo Riso

domingo, 27 de julho de 2008

Eduardo White - Dos Limões Amarelos do Falo às Laranjas Vermelhas da Vulva


http://loja.campo-letras.pt/prod_details.php?categid=92&productid=1493

«Todos os anteriores trabalhos de Eduardo White me sensibilizaram pela sua poética lúcida, simultaneamente bela e terna mas, em "Dos Limões Amarelos do Falo às Laranjas Vermelhas da Vulva" impressionou-me, particularmente, a crueza do desespero a que o poeta se abandona, e da sua impotência perante a imprevisibilidade do Amor. Considero-o um livro fascinante.» REINALDO RIBEIRO

PREÇO : €8.10
Preço de Mercado : €9.00
Sobre o Livro : «Lembro-te: alguém no amor precisa de estar nu para mostrar ao outro que está demasiado vestido.» EDUARDO WHITE

«A relação entre erotismo e poesia no livro de Eduardo White é tal, que pode dizer-se que o primeiro é uma poética corporal e a segunda é uma erótica verbal. A linguagem que nas páginas deste livro os combina é capaz de dar nome ao que é mais fugitivo e evanescente: a sensação.

É o movimento da imaginação que transfigura o sexo em lenta e parcimoniosa cerimónia e ritualiza ritmicamente, com sensualizado pormenor, a linguagem em metáfora.

O demorado percurso da inumeração das imagens poéticas é um abraço de realidades opostas, que se ajustam numa cópula infinita de sons, numa retórica em que o sublime se acaricia. Nestas páginas de intensidades luminosas, poesia e erotismo nascem dos sentidos, mas não terminam neles; ao desdobrar-se incandescentes, parágrafo a parágrafo inventam configurações imaginárias, celebram prazer e solaridade, um tempo único de entrega, eterno na sua demorada instantaneidade.

Desejo de volta à realidade primordial, ao êxtase de um corpo singularmente pluralizado, mulher e mátria, o poema concilia, em múltiplos acordes de separação e retorno, uma constante e ambígua fronteira, que permite a plenitude poética de uma apaixonada entrega amorosa.» ANA MAFALDA LEITE

«Eduardo White, um dos poetas mais loucos, mais lúcidos e mais angustiados que conheço. Mas um dos maiores poetas que conheço.» GLÓRIA DE SANT’ANNA


Outras Informações : ISBN: 978-989-625-308-0
Nº de Páginas: 56
Peso: 80 g.
Dimensões 13.5x21 cm
Ano de Edição: 2008

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Elos de Moçambique

Desde o dia 21 de julho este blog integra o portal Elos de Moçambique, que agrupa os mais variados sites, comunidades e blogs ligados àquele país.

Para conhecer o portal, clique em http://groups.msn.com/MoambiqueELOS ou no selo que fica na parte superior da coluna à esquerda.

Ricardo Riso

sábado, 19 de julho de 2008

Mia Couto - A voz de Moçambique


Escritor africano lança novo livro e diz que a existência do português brasileiro foi fundamental para a auto-estima do povo moçambicano

Luiz Costa Pereira Junior

http://revistalingua.uol.com.br/textos.asp?codigo=11551

É uma metáfora poderosa a de que o escritor se anula ao criar uma história e volta a ser sombra quando a conclui. Essa imagem está em Terra Sonâmbula, o primeiro romance de Mia Couto, escrito há mais de quinze anos em Moçambique, e espelha o tom de respeito que o escritor dá à voz do outro, seja ele um povo desconhecido, seja um personagem de ficção.

António Emílio Leite Couto diz que desfia suas histórias quando presta atenção às figuras que inventa. Imagina o que diriam, quais seriam suas reações numa situação, o que diriam na intimidade, o que as levaria a agir. Esses movimentos, Couto os descobre devagar, que os sons da guerra ainda ecoam em sua mente, e a libertação de Moçambique do domínio português é recente, coisa de 1975. "Sou mais velho que meu país", diz.

Em junho, Mia Couto lançou no Brasil seu novo romance, Remédios de Deus, Remédios do Diabo (Companhia das Letras), uma viagem exploratória sobre a identidade e a velhice. Nascido em 1955, ele é biólogo e jornalista. Vive num país em que o português é língua materna de apenas 10% da população, lançam-se no máximo 40 livros por ano e há não mais de 11 livrarias, uma das quais em sua cidade natal, Beira.

Com o novo romance, são cinco as obras de Couto editadas no Brasil, um dos 21 países que o publicam. A mais célebre delas ainda é Terra Sonâmbula, seu romance de estréia, um primor de prosa poética em que conta uma história dentro de outra, como uma récita de contos.

Nesta entrevista, feita em São Paulo duas semanas após concluir o novo romance, em março, ele afirma que o povo moçambicano vivia o recalque de sentir que falava um português "errado" até perceber a experiência libertadora que é a brasileira. "O Brasil mostrou que não há português puro, e isso nos afirmou a identidade da língua portuguesa moçambicana."

Para Mia Couto, os moçambicanos aprenderam que, com o açúcar da sonoridade africana, o português, com eles, não é de má qualidade. Ganha antes elasticidade. E mais alegria.

Língua Portuguesa - Para você também vale o dito por Kindzu (de Terra Sonâmbula): quando você acende uma história, apaga a si mesmo?

Mia Couto - É mais que uma questão literária essa a de que devemos virar sombra para que o outro ganhe visibilidade para nós. Para que as luzes do outro sejam percebidas por mim devo por bem apagar as minhas, no sentido de me tornar disponível para o outro. Nós estamos tão cheios de nós próprios quando vamos ao encontro do outro que não temos a capacidade de captá-lo. É uma questão de fazer de nossa vida um rio de trocas para sermos mais felizes.

Como as técnicas da poesia ajudam a contar uma história?

A poesia para mim é uma maneira de olhar o mundo, de entendê-lo. É quase uma atitude filosófica. Poesia, a atitude, ajuda a criar enredos. Quanto ao resto, não ajuda. Porque o tratamento que é dado à linguagem é outro. O objeto sobre o qual a poesia trabalha é a própria linguagem. No romance, a linguagem não é o objeto central. Ela é muito mais um meio para construir a narrativa. Há aqui qualquer coisa que briga. Uma área assim em conflito me instiga, porque, no fundo, há que desmontar um bocado daquilo que são as idéias feitas sobre o que é poesia ou ficção. O escritor precisa ver onde está o limite entre uma coisa e outra e há de desmanchar esse limite, brincar com ele.

Você começa a escrever com a história previamente idealizada? Ou a inventa à medida que escreve?

Um livro nunca nasce de uma idéia única. Não sou capaz de fazer livros assim, isto de haver uma arquitetura prévia e o resto seria engenharia, digamos assim. Mas acabei de escrever Remédios de Deus, Remédios do Diabo, e quis me contrariar nessa idéia. Porque quero que um processo de criação me questione, de tal modo que, se fosse novamente desafiado, não saberia fazer outra vez do mesmo jeito, e não quero saber. Neste livro, resumi a história a três personagens e não deixei entrar nenhum outro. O processo caótico é muito estimulante, porque a certa altura os personagens nos controlam. Mas agora, não. Disse a mim mesmo que agora sou eu a estar no controle, a subir ao cavalo, a apanhá-los na rede e a não deixar entrar mais ninguém.

Como idealizou o livro?

Em Remédios de Deus, Remédios do Diabo, um médico português vai a Moçambique à procura de uma mulher pela qual se apaixonou. Chega à casa do pai dela, e é informado de que ela está provisoriamente fora. Vai ficando na casa, aproveita e trabalha no hospital da aldeia e vai se confrontando com o universo do lugar. Depois, um jogo de mentiras o obriga a ficar na vila. Neste livro, eu tinha dois personagens que me cativaram, dois velhos. Os velhos têm uma relação muito especial com o tempo, com a idade, com a morte. Há a idéia do convívio difícil que se transfere para a relação entre os dois, mas, no fundo, ambos estão com medo das mesmas coisas, cultivam os mesmos fantasmas. Esses são personagens que me fazem aproximar de uma história. Amo-os suficientemente para que me permitam que eu seja próximo a eles. É como se eu pudesse escutar a sua história, e eles me conduzissem para a sua narrativa.

Que obstáculos tem um escritor da África lusófona?

O fato de morar num universo periférico. A língua portuguesa não é já ela própria uma língua central. Mas pertenço a um mundo ainda mais exclusivo, quase um quintal. Muita gente não sabe nem o que é Moçambique, mesmo aqui no Brasil tenho de estar sempre explicando, e isso não ajuda. Talvez em alguns momentos possa ajudar, quando há a procura pelo exótico, por exemplo. Mas são instantes isolados.

Chegar ao Brasil é um obstáculo grande aos escritores africanos?

Há vinte anos, sim. Agora, mudou muito. Mudou em razão da relação brasileira com a África. Há coisas que o Brasil está fazendo de maneira mais concreta, que antes não fazia, para aproximar-se dos países africanos de língua portuguesa. Não só o Brasil, mas nós próprios também. Nossa atitude mudou. Os africanos eram muito apelativos: "Olhem para nós, porque estamos sofrendo". Isto não resulta. Há que nos empenharmos em produzir uma linguagem distinta, em criar uma alma que não instiga essa relação de compaixão ou solidariedade, mas seja afirmativa. Não é pela solidariedade que a arte ou a literatura em Moçambique vai conquistar o seu lugar, onde quer que seja.

Há especificidades nas literaturas lusófonas? Que tipo de marca se vê só no texto brasileiro, só no português e só no moçambicano?

Sim, há. Isso está muito marcado com as diferentes relatividades dos lugares. A relação com a morte, com os deuses, os nossos medos profundos. Não é uma coisa só literária, tem a ver com o espírito do lugar. A maneira como portugueses são marcados pelo catolicismo, digamos, mediterrânico; os brasileiros, por alguma área sincrética entre a herança africana e o catolicismo; e os africanos, que têm o peso brutal dos antepassados sobre si. Isso tem conseqüências fundamentais na literatura, na maneira de sentir o mundo, de pesar os sentimentos. Falamos com os mortos de maneira diferente e por isso escrevemos para os vivos de modo distinto, mesmo na mesma língua.

Como vê a condição internacional do português?

O que posso dizer? Tudo depende da maneira como Brasil e Portugal se vão entender e adotar uma postura que seja produtiva, virada para o futuro, e acima das disputas por hegemonia em torno do português que falamos.

A liberação do domínio colonial provoca algum tipo de aversão ao idioma português em Moçambique?

Isto não existe e, se há, é fruto de uma minoria muito, mas muito pequena. O português tem cada vez mais transitado de língua oficial para a de cultura. Quando Moçambique se tornou independente, em 1975, só 2% da população tinha o português como língua materna. Agora, são mais de 10%. Todos os escritores moçambicanos escrevem em português porque sentem, sonham em português.

Há contradições do português no convívio com os idiomas nativos?

Há áreas de conflito. As línguas têm sempre uma vocação hegemônica e é preciso cuidado para que não ocorra lá o que ocorreu no Brasil, onde os idiomas nativos foram dizimados. Em Moçambique há a preocupação com as mais de 20 línguas locais, para que não fiquem subalternizadas e depois morram. Nasci em língua portuguesa, com 5 anos falava xissena, que é o idioma de minha terra natal, Beira. Agora falo mal e entendo razoavelmente bem o idioma do sítio em que vivo em Maputo, que é o changane.

As diferenças entre o português africano e o brasileiro repercutem em alguma medida na forma como se cria ficção aqui e em Moçambique?

Acho que não afetam, no sentido de perturbar. Alguma arrumação da gramática brasileira tem muita influência da estrutura das línguas africanas. O modo como vocês usam o reflexo, por exemplo, também ocorre no português moçambicano, no de Angola. "Eu o vi" não é correto segundo o padrão europeu, mas sim "eu vi-o". Em Moçambique, pessoas que nunca conviveram com o Brasil, dizem "eu o vi". Uma das razões de Jorge Amado ter cativado a África lusófona foi nos ter apresentado personagens falando o português coloquial do Brasil. A adesão imediata foi porque nós também falamos daquele jeito. E percebemos que não é errado. Sempre nos diziam que falávamos errado, mas aí começamos a dizer: "O brasileiro também fala assim".

A literatura brasileira teria, então, ajudado a "abonar" o português moçambicano?

Sem dúvida. A descoberta do português brasileiro foi fantástica. Porque mostrou que nós precisávamos ver o português sem Portugal, um português que mostrasse que havia pluralidade, outras culturas que manejam o idioma com a mesma dificuldade e a mesma alegria.

Como o acordo de unificação ortográfica é visto em Moçambique?

De uma maneira muito displicente. Percebe-se que não é isso que falta, nem que vá resultar grande coisa. É como se fosse uma questão só de Portugal e Brasil. Meus livros são publicados no Brasil com grafia moçambicana, que é portuguesa, e ninguém me disse que ficou muito atrapalhado com isso. Leio com enorme prazer os livros brasileiros e um dos prazeres é o fato de vocês terem uma grafia distinta. A existência dela não é problema, pois sentir certa falta de familiaridade mostra que ali está um outro povo, uma outra cultura falando.

Quais diferenças do português falado em Moçambique e no Brasil que mais saltam ao seu ouvido?

Além do uso do reflexo, há o gerúndio, por exemplo. Vocês têm o gerúndio muito presente, o "estou fazendo"; nós temos a forma composta "estou a fazer", que também dá idéia de continuidade, mas não é construída na mesma forma verbal.

O Brasil influencia o léxico moçambicano?

Há coisas mais gritantes, como "bicha", que para nós é "fila", e está morrendo, porque nas novelas brasileiras, muito vistas lá, o sentido é de homossexualidade. Expressões como "estou na bicha" estão sumindo nas cidades, não tanto no meio rural. "Todo mundo" é uma coisa brasileira. Há dez anos, dizíamos "toda a gente". "Visual", da expressão "mudar o visual", também não usávamos.

O curioso é que, logo após a independência, havia uma postura preconceituosa em relação ao português do Brasil. Estive numa reunião, não lembro se em 1976, 77, em que os pais protestaram contra um brasileiro que ia ensinar português na capital Maputo. "O português do Brasil não é o verdadeiro português", diziam. Mas não só a TV mudou essa imagem, como os jovens moçambicanos, que vieram estudar no Brasil, e os brasileiros, que por Moçambique passaram. Depois desses contatos, percebeu-se que não há um português puro.

Vocês se incomodam com estrangeirismos, que aqui no Brasil são vistos por muitos como um problema?

De modo algum. É preciso notar que o português em Moçambique é uma segunda língua. E na sua língua materna, o moçambicano já faz a sua ginástica de incorporar termos de outros idiomas. O que o português chama de "poltrona", em Moçambique é um "estuo" em changane, que vem de stoel, "cadeira" em holandês. Os óculos recebem o nome de "glase", do inglês glass. As línguas nativas têm toda a liberdade de buscar novos termos onde quiserem. Não havia palavra para nomear artefatos modernos pós-colonização, daí africanizá-los como necessário. É um contra-senso defender a pureza do idioma num sítio desses.

A literatura brasileira influenciou sua obra em algum sentido?

Tudo o que li ficou em mim. A literatura brasileira ficou muito conhecida lá, e mais querida que a portuguesa. Na geração dos anos 50, 60, era um entusiasmo. A partir dos anos 80, depois da independência, curiosamente, aquela ligação foi perdida. Hoje não se conhece quase nada por lá, à exceção de Paulo Coelho, que não sei se pode ser chamado de escritor.

Como a literatura moçambicana evoluiu? Ganhou vigor ou é marcada por casos pontuais?

É muito difícil falar de uma literatura moçambicana, como um todo lógico. Há escritas moçambicanas, não uma literatura. Isso pede tempo e nós perdemos umas duas gerações com a guerra. A escola, que era um elemento de ligação com o livro e a língua, morreu por quase vinte anos.

Há literatura lá que não seja em português?

Houve uma tentativa, mas fracassou. Foram publicados dois livros em tsonga, e disseram que venderam menos de dez exemplares cada. Não basta só a oferta, é preciso um trabalho de base que tem de passar pela escola, pela fixação da língua escrita.

Como vê o mercado consumidor de literatura em língua portuguesa?

Eu não o conheço bem. Mas me surpreendi que, em proporção, as tiragens em Portugal são muito mais altas que as do Brasil. Há edições com médias de 50 mil a 60 mil exemplares por lá, o que no Brasil é impensável. E olha que Moçambique tem uma taxa de analfabetismo altíssima. Em todos os países, há autores de enorme sucesso que não são bons e outros com prêmios que não vendem muito. Não sei nem se os próprios editores entendem bem o que se passa nesses mercados.

Certa vez você declarou que Moçambique vivia um eterno "momento de trégua", indeciso entre "o horror da guerra e o terror da paz". Como vê seu país hoje?

É um país que está em estado de ficção. E é muito jovem. Moçambique está agora a tentar encontrar um espaço de comunhão. Sou mais velho que meu próprio país, veja só. Há processos que se sedimentarão com o tempo. Tenho certeza de que iremos nos encontrar e, como fazem as famílias, nos juntaremos para fazer um retrato e dizer: "isto é Moçambique".

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Mia Couto e a CPLP: Moçambique é e não é país de língua portuguesa

http://www.jornalnoticias.co.mz/pls/notimz2/getxml/pt/contentx/189223

ENTREVISTA - MIA COUTO E A CPLP: Moçambique é e não é país de língua portuguesa

Maputo, quarta-feira, 25 de junho de 2008
Entrevista concedida a Gil Filipe

MIA Couto apresentou recentemente em Maputo o seu mais recente livro, o romance “Venenos de Deus, Remédios do Diabo”. É o 23º deste que é o autor moçambicano mais lido interna e externamente. As vendas no país e as traduções para inglês, francês, italiano, espanhol, alemão, dinamarquês, hebraico... são o espelho do quão apetecível é este escritor. O novo livro marca uma certa viragem na escrita de Mia Couto: se ele se fez famoso numa carreira de quase três décadas inventando palavras – é conhecido como “o inventor da língua” –, nos venenos e remédios que agora oferece à literatura a faceta já não é essa. É simplesmente a de um imaginativo comunicador, contador de uma história desdenhável à priori mas que com o fluir das páginas se revela apetecível, porque nos faz debater o que pensamos saber mas que na verdade... ignoramos. É assim este “Venenos de Deus, Remédios do Diabo”, chamamento a um diálogo praticamente inexistente: o diálogo entre nós e os outros, por exemplo os países de língua portuguesa, por via da cultura. A saída deste livro foi um novo pretexto para uma nova conversa com Mia Couto. Falámos de literatura e de outros temas inevitáveis quando se está por estes dias perante um actor importante na língua que também é nossa: o andamento da CPLP e o polémico acordo ortográfico. Eis alguns trechos dessa conversa com o também autor de “Terra Sonâmbula” e “ Varanda do Frangipani”: Maputo, Quarta-Feira, 25 de Junho de 2008:: Notícias

- Pelo que percebi percorrendo as páginas de “Venenos de Deus, Remédios do Diabo”, este livro é uma viagem à uma outra vertente da cultura, como os encontros e as divergências de perspectivas de ver o mundo, de procuras e encontros de identidade... É isso?

- Eu acho que desde o meu primeiro livro há um tema que nunca me abandonou que é o tema da procura de identidades. Estas identidades que nós pensamos como sendo puras, isoladas e estáticas, não são nada disso e pelo contrário são dinâmicas. Este livro fala um bocadinho sobre isso, sobre uma mestiçagem que não é apenas racial mas uma mestiçagem de culturas. Evidentemente que a história é uma outra coisa, mas de uma forma indirecta falo também sobre isso.

- Falando essencialmente deste livro, exactamente o que são, na perspectiva de quem escreveu, estes remédios e estes venenos?

- É uma história de encontros e desencontros, de alguém que pensa que vai encontrar alguém, e que não encontra, e que pensa que vai encontrar numa determinada terra, que lhe aparece na aparência, é uma outra coisa. Quer dizer, esta terra é uma espécie de cenários, de imagens e de representações que são sempre falsas. Portanto, há aqui uma fabricação de mentiras, pois para existir esse lugar é preciso mentir sobre si próprio. Aqui há uma família que vem de fora e que tem que construir uma encenação para conseguir o tipo de relação com essa pessoa que vem de fora. Este livro nasceu quase acidentalmente. Estava eu a escrever outro livro, que acabei adiando, quando me surge a ideia desta história. Foi por acidente que saltei para esta história, pequena e que foi crescendo, que começou a chamar-me, a prender-me e de repente fiquei nela e abandonei o romance logo que tenho e que vai sair posteriormente.

- Naquilo que é a obra, deparo-me com dois factos: o primeiro é que sempre que escreve é atrás de um tema. E segundo é que esse tema tem a ver com um espaço específico, Moçambique. Mas nota-se agora a ausência disso. Estará o novo romance a marcar uma viragem na sua escrita?

- Como tu podes imaginar, quando se chega a determinado estágio daquilo que é o nosso percurso – este é o meu 23º livro -, há uma tentação enorme em escrever mais um livro. O risco é esse, sentir-se sempre tentado e a fazer mais um livro e encarar isso de uma maneira quase banalizada, pois perdemos aquela atitude e aquela paixão intensa que marca o primeiro livro, o que é grave. Substituímos esse pensamento e sentimento pela procura do tal livro que nem sequer sabemos o que é e como é que o devemos escrever. Portanto, eu quis que este livro trabalhasse dentro de mim como uma surpresa, rompendo com algumas coisas e com algumas linhas que eram linhas minhas habituais. Este é um livro mais ou menos universal, portanto esta história podia ocorrer em qualquer lado do mundo e também menos crível a factos históricos, embora aqui, curiosamente, apesar de estar a navegar um pouco pelo mundo faço uma coisa que nunca fiz, como pôr referência de lugares precisos, como, por exemplo, Murébuè, Pemba, o que nunca tinha feito anteriormente, embora me referisse a Moçambique pelo contexto mas pondo lugares fictícios...

- perguntava se é uma viragem, essa, na sua escrita? É assim que passará a escrever?...

- Sim, há um bocado de viragem, mas não sei se é exactamente assim que passarei a escrever. Não sei, não sei. Apenas quis soltar-me de algumas coisas e no domínio da construção da linguagem eu faço uma coisa que eu penso que é nova, como, por exemplo sou mais comedido na invenção de palavras, fazendo-o só quando era preciso e não como um factor de busca literária ou marca. Por outro lado, o lugar do narrador é um lugar que aparece pela primeira vez num livro meu como personagem também; ele entra na história, tem opiniões, dialoga com as outras personagens, o que faz com que a fronteira entre o narrador e os outros intervenientes da história é sacudida.

- Quando fazemos algo durante um longo fio de tempo corremos o risco de ser monótonos e não causar impressão aos receptores do nosso trabalho. Por isso procuramos desafios. Quais são os seus, depois de mais de 20 livros?

- Olha, eu fico sempre com o sentimento, com a impressão de que ainda não escrevi o tal livro que eu quero escrever. Esse é um fenómeno existente e penso normal junto de quem abraça a escrita. De qualquer maneira não me sinto satisfeito, há em mim uma intranquilidade e uma inquietação que nos faz correr para além do que já fizemos. Acho que isso é que nos move não como escritor mas como pessoa, pois todos nós estamos sempre à procura de uma coisa que está sempre mais além e mais além...

- ... mas tem algumas ambições na carreira...

- Não, não! Não tenho ambição do ponto de vista de carreira. Mas gostava de manter comigo próprio uma relação em que possa inventar mais. Eu penso que há mais coisas que eu posso inventar, mais personagens, mais vidas que eu posso criar dentro de mim. A felicidade que a escrita me dá vem sobretudo do facto de eu poder ser outro, ser determinado personagem que eu próprio criei, e, como podes imaginar, isso não tem fim, eu quero ser infinito e quero ser eterno. Encontrei uma maneira de mentir a mim próprio me multiplicando em pessoas e em personagens que eu vou criando.

- O facto de ser o escritor moçambicano mais lido aqui e no estrangeiro, lá por via das várias traduções aos seus livros, cria-lhe alguma pressão, satisfação ou algum outro sentimento?

- É uma mistura de sentimentos. É assim: há alguma coisa que me dá prazer nisso, eu tenho algum orgulho e alguma vaidade pelo facto de que esse reconhecimento me foi dado. Às vezes fico muito comovido, na rua por exemplo, quando muita gente, que provavelmente nunca leu os meus livros mas que me dizem coisas como “você é uma espécie de bandeira nossa, continue...” Encaro isso como mensagens de grande gratidão da parte das pessoas que assim se pronunciam e fazem de mim uma pessoa grata por tudo o que tenho vindo a fazer. Às vezes pergunto-me a mim próprio se eu mereço isso. Mas por outro lado sinto isso como uma responsabilidade que eu acho que não quero ter, eu não posso definir-me a mim próprio como sendo representante de alguma coisa. Tenho todo o prazer em que o meu nome esteja associado ao nome do país, de uma terra que ainda tem que se afirmar, e me orgulho por isso. Mas não estou em lugar cimeiro de nada, olho para mim como um aprendiz que se sente no princípio da sua própria carreira. Estou disponível para aprender e para rever a mim próprio, porque o que fiz já não conta, conta o que tenho ainda a fazer, estando aí a beleza de ser escritor.

- EM 2007 dismistificou a ideia de lusofonia, um conceito por vezes polémico ou mesmo ignorável pela forma como tem sido definido. Qual é a sua percepção sobre a tal comunidade de países de língua portuguesa?

- Bom, há uma organização que se chama CPLP, que está fazendo coisas, reúne-se, tem comissões de trabalho, etc., e eu acho que por aqui essa organização existe e ninguém pode negar. E depois existe outra coisa que se pode questionar que é se isso tem correspondência de uma comunidade de afectos, de uma comunidade de interacção. E eu acho que esta existe também, não da maneira como os políticos a querem apresentar mas existe. A língua portuguesa deu-nos uma certa afinidade histórica. Aqui na língua temos que ter algum cuidado, porque se queremos construir uma família, uma comunidade... Temos que pensar que alguns moçambicanos, alguns angolanos e alguns guineenses, não falam português. Há outros casos, também, como o de Timor Leste, em que dizemos falsamente que é um país de língua portuguesa. É uma coisa falsa e desorientada politicamente e culturalmente dizer que aquele país é de língua portuguesa. Timor não é um país de língua portuguesa nem a maioria dos timorenses fala português.

- Por esse andar é correcto definir Moçambique como um país de língua portuguesa?

- Moçambique é um país que é de língua portuguesa! E não é ao mesmo tempo. Alguns moçambicanos é que pertencem à esse universo, o de terem a língua portuguesa como o seu veículo de identidade, de afirmação cultural, etc. São poucos os moçambicanos que falam, escrevem, sonham, amam na língua portuguesa. E não são menos moçambicanos por isso nem os outros mais moçambicanos pelas outras línguas que usam. Eu acho que há aqui uma tentativa de procurar a identidade moçambicana sempre lá, nas raízes, há séculos, quando provavelmente tiveram a mesma mobilidade, como o changana que existe hoje não é o mesmo de há 50 anos ou antes da chegada dos ngunis. Portanto, eu acho que essa comunidade, a de língua portuguesa, existe de facto. Penso que a questão a colocar por volta dela é se ela é mesmo aquilo que nós queremos que seja. Eu acho que o grave é haver manipulações...

- ... da parte de quem?

- Da parte dos que querem ser mais que os outros, dos que disputam os outros! Eu acho que a disputa é entre Portugal e Brasil, que querem usar esta bandeira como instrumento de busca de privilégio na relação com os outros países de língua portuguesa. E às vezes há aqui uns lapsos de língua quando eles se referem aos outros como os lusófonos, quando os portugueses falam em “países lusófonos” excluindo-se eles próprios e querendo referir-se apenas a nós, países africanos de língua portuguesa. Às vezes estabelecem um eixo triangular da lusofonia, composto por Portugal, Brasil e depois África, como se nós não tivéssemos direitos a nomes próprios como países. A lusofonia de que se fala tem sete ou oito países, contando com Timor Leste. Mas também não vou ficar a aceitar a alguns pronunciamentos que se fazem entre nós. Eu sou adepto da crítica, desde que devidamente fundamentada.

- A comunidade de língua portuguesa é então utópica, existindo muito pouco na prática, por essa ausência de entendimento e por esse contínuo digladiar de gigantes que nos querem definir em função dos seus interesses...

- Penso que fazer uma recusa total da lusofonia, de uma comunidade de falantes de língua portuguesa no mundo, de que nós fazemos, parte, não é correcto. Porque essa comunidade pode nos servir em muitos momentos, como o que mais ou menos se verifica agora, em que o processo de globalização é muito forte e nos pode sufocar. Talvez essa afirmação de um espaço próprio, onde nós temos alguma coisa a dizer, é bem mais útil que as perdas de tempo que temos tido ao rejeitarmos aquilo que por razões óbvias não se pode rejeitar. Não nos esqueçamos que com o Brasil temos afinidades históricas importantíssimas que muitas vezes esquecemo-nos que elas existem e que são intrínsecas à existência de todos nós. Há coisas que nós devíamos recuperar e valorizar historicamente e se calhar isso nos criaria um espaço de afirmação e de negação dessa globalização e de homogeneização do mundo que me parece se está a tentar construir por algumas correntes de pensamento e de atitude.

- O que está a dizer é que é importante haver uma organização como esta mas operando de um modo que não é o que caracteriza o agora andamento da CPLP...

- Não sei se é isso, mas penso que isso é outra coisa. Não vou avaliar a qualidade do funcionamento da organização, mas sinto que ela é pouco visível, é pouco participativa e apela muito pouco para que nós participemos nela, por exemplo para aquilo que possam ser as nossas sugestões. Eu acho que também aqui ao invés de ficarmos no café ou no sofá a dizer mal, se calhar devemos levantar as nossas vozes para dar a sugestão de como é que gostaríamos que fosse esta organização que pretendemos seja mesmo uma comunidade de países.

- Outro ponto que suscita debates no seio dos países que usam o português como língua oficial é o acordo ortográfico. Temos nós e Portugal um código de escrita, o Brasil o seu... A harmonização trás um braço-de-ferro entre Portugal e Brasil, que tentam arrastar os outros para a sua filosofia. De que lado é que está?

- De nenhum! Estou do lado de Moçambique. A minha opinião é uma opinião de escritor e de cidadão. Eu nunca tive problemas em ler livros brasileiros. A grafia ligeiramente diferente não me faz confusão. O Brasil lê os meus livros e lê os livros da Paulina Chiziane sem problema nenhum. Pelo contrário acho que há da parte dos brasileiros um certo encanto ao se aperceberem que se trata de uma realização linguística diferente. Portanto, não penso que seja de grande importância a questão do acordo ortográfico. Mas respondendo à sua pergunta, não faço guerra contra o acordo mas não sou a favor dele. Eu acho que o importante era discutir outras coisas que nos afastam e mantêm o enorme desconhecimento que há entre nós. O Brasil não sabe muito de Moçambique. Portugal idem. Eu acho até que os moçambicanos sabem muito mais sobre os outros do que os outros sabem sobre nós. Os moçambicanos são mais atentos em relação ao mundo e têm a capacidade de olhar para o mundo de uma maneira muito mais crítica, no sentido de conhecê-lo e por isso estarem dotados de opinião credível, o mesmo não acontecendo com muitos daqueles com quem nos relacionamos.

- Dizia que o mais importante não é o acordo. É...

... é e são muito mais coisas como estas que eu estava a enunciar. No domínio da cultura há muito mais a unir-nos e a afastar-nos. Há acções culturais que temos que fazer para que os livros circulem melhor entre nós, o que francamente não está a acontecer agora. Com uma ortografia ou outra se não mudarmos essas coisas não estaremos a caminhar juntos. A importação do livro deve ser repensada, porque não é fácil sobretudo para nós, os mais pobres. Deve-se pensar nas edições conjuntas, divulgação do que é que estamos a fazer, o que é que é a história comum destes povos, os seus patrimónios de identidade comum desses povos, tudo isso é mais importante que tentar buscar um acordo para a ortografia da língua.

domingo, 15 de junho de 2008

As negas malucas de Mia Couto

http://jbonline.terra.com.br/editorias/ideias/papel/2008/06/14/ideias20080614004.html

As negas malucas de Mia Couto
Entrevista Mia Couto

Em novo romance, ‘Venenos de Deus, remédios do Diabo: as incuráveis vidas de Vila Cacimba’, o escritor moçambicano fala de incesto, religião e saudade
Mariana Filgueiras

Os moradores da Vila Cacimba, onde se passa o novo romance do escritor moçambicano Mia Couto –Venenos de Deus, remédios do Diabo – poderiam viver parede e meia com os da Vila do Meio-Dia, do lendário musical Gota d'água, de Paulo Pontes e Chico Buarque. Poderiam até ter organizado protestos em grupo. Fosse Atlântico o oceano que banha o lado da África onde fica Maputo, Deolinda, a mulata do romance africano, poderia até ter trocado segredos com Esmeralda, a mulata de Mar morto, de Jorge Amado. A familiaridade das histórias contadas pelo escritor, em que um médico, Sidónio Rosa, apaixona-se pela bela Deolinda, em meio à sua conturbada ausência, é instantânea. Faz lembrar a proximidade que há entre Brasil e os países lusófonos, não só pela língua – agora ainda mais, pelo acordo ortográfico – mas também pelos temas. Mia venceu a guerra civil moçambicana e evolui em uma trama repleta de universalidade: incesto, política, religião, dores de saudades.

De onde vieram Bartolomeu, Munda, Sidónio Rosa, Deolinda... Como as histórias sopraram-lhe o ouvido?

– Nunca sabemos onde se localizam os personagens que criamos. São vozes, são ecos que moram no fundo de nós, moram na fronteira entre sonho e a realidade. No meu caso, estes personagens corporizam alguns fantasmas relacionados com o sentimento do tempo e o facto de, pela primeira, tropeçar naquilo que se chama "idade".

A aproximação com a oralidade, neste “Venenos de Deus, remédios do Diabo”, é o traço mais forte da sua literatura, hoje?

– A oralidade é dominante na sociedade moçambicana. Mas não é o território da oralidade, em si mesmo, que me interessa. È a zona de fronteira entre o universo da escrita e a lógica da oralidade. Essa margem de trocas é que é rica.

Você diz que já é mais velho que o próprio país independente. Neste romance, o tema colonial é o pano de fundo das "incuráveis vidas da Vila Cacimba". A colônia deixou de ser personagem?

– A colônia nunca foi personagem. Eu creio que, não apenas na literatura, mas no imaginário dos moçambicanos, esse passado colonial foi bem resolvido. É preciso pensar que a independência de Moçambique se deu como resultado de uma luta armada que criou rupturas de cultura bem sedimentadas.

O tema da guerra civil esgotou-se? (Não é uma cobrança, só uma provocação...)

– Já antes a guerra civil se havia esgotado. No “O Outro pé da sereia” ele já surge.

No fundo, você sempre escreve sobre o mesmo tema?

– Escrevi 23 livros, todos tratam de temas diversos. Existe, sim, uma preocupação central em toda a minha escrita: é a negação de uma identidade pura e única, a aposta na procura de diversidades interiores e a afirmação de identidades plurais e mestiçadas.

De que maneira percebe o ranço colonial na literatura dos países lusófonos?

– Não há ranço. O passado está bem resolvido.

O romancista é o historiador do seu tempo?

– Em certos momentos, sim. Por exemplo, depois da guerra civil os moçambicanos tiveram um esquecimento colectivo, uma espécie de amnésia que anulava os demônios da violência. Os escritores visitaram esse passo e resgataram esse tempo, permitindo que todos tivéssemos acesso e nos reconciliássemos com esse passado.

"As formas de expressão usam-se quando se tem medo de dizer a verdade", diz a sabedoria bruta de Munda, personagem do livro. O escritor diz a verdade?

– O escritor é um mentiroso que apenas diz a verdade. Porque ele anuncia como uma falsidade aquilo que é a sua obra.

Um brasileiro, ao ler um romance de Moçambique, ganha riquezas sobretudo de linguagem. Você acha que a língua portuguesa tem a perder com o acordo ortográfico?

– As línguas nunca perdem. Os acordos apenas tocam numa camada epidérmica, num lado convencional que não é o coração do idioma.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Mia Couto - Venenos de Deus, remédios do Diabo


Novo romance de Mia Couto: VENENOS DE DEUS, REMÉDIOS DO DIABO

http://www.companhiadasletras.com.br/

Páginas 192
Formato 14,00 x 21,00 cm
Peso 0,253 kg
Acabamento Brochura
Lançamento 11/06/2008
ISBN 9788535912562
Preço R$ 38,00

Bartolomeu Sozinho é um velho mecânico naval moçambicano, aposentado do trabalho, mas não dos sonhos ardentes e dos pesadelos ressentidos que elabora em seu escuro quarto de doente terminal. Ele é atendido em domicílio por Sidónio Rosa, médico português.

A narrativa entrelaça a vida de Bartolomeu, de sua rancorosa mulher, Munda, da ausente e quase mitológica Deolinda, filha do casal, do dedicado Doutor "Sidonho", bem como de Suacelência, o suarento e corrupto administrador de Vila Cacimba, um lugarejo imerso em poeira e cacimbas (neblinas) enganadoras. São vidas feitas de mentiras e ilusões que tornam difícil diferenciar o sonho da realidade.

Aparentemente, Sidónio veio de Lisboa para curar a vila de uma epidemia. Mas é o amor pela desaparecida Deolinda, por quem se apaixonara em Lisboa, que impulsiona seus passos mais íntimos. Quando Deolinda voltou para sua terra natal, Sidónio viu-se teleguiado pelo sonho de reencontrá-la. Mas Vila Cacimba não é o lugar do médico, nem poderá ser jamais. "No fundo, o português não era uma pessoa. Ele era uma raça que caminhava, solitária, nos atalhos de uma vila africana", diz o engenhoso narrador deste belo romance.

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* Em www.saraiva.com.br há pré-venda do livro por R$ 29,90.

Abraço,
Riso

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Literatura de Língua Portuguesa - Marcos e Marcas - Cabo Verde, Moçambique e Angola

Acabei de receber os três livros abaixo, publicados em 2007 pela Editora Arte & Ciência sobre as literaturas de Angola, Cabo Verde e Moçambique.
Abraços,
Riso
Literatura de Língua Portuguesa - Marcos e Marcas - Cabo Verde
Autor: Maria Aparecida Santilli
ISBN: 9788574733388
Nº de páginas: 204
Formato: 14x21

Literatura de Língua Portuguesa - Marcos e Marcas - Moçambique
Autor: Tânia Macêdo ,Vera Maquêa
ISBN: 9788574733401
Nº de páginas: 232
Formato: 14x21
Literatura de Língua Portuguesa - Marcos e Marcas - Angola
Autor: Rita Chaves ,Tânia Macêdo
ISBN: 9788574733395
Nº de páginas: 172
Formato: 14x21

Sinopse
A Língua Portuguesa é responsável pela integração do povo brasileiro, uma vez que falamos em vários sotaques, mas escrevemos numa só gramática. Compartilham conosco o mesmo idioma Portugal e países da África e da Ásia. A série de cinco livros da coleção “Literaturas de Língua Portuguesa: Marcos e Marcas” foi selecionada em concurso, patrocinada pelo Programa de Ação Cultural (PAC), da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, e publicada em função da parceria entre esta Secretaria, a Editora Arte & Ciência e o IBIM - Instituto Brasileiro de Incentivo ao Mérito. São desenvolvidos estudos sobre as literaturas e a cultura dos países de Língua Portuguesa, e seus autores destacam-se como docentes e pesquisadores, que lideram estudos de Literaturas Comparadas em universidades públicas e privadas, com significativas publicações na área. As organizadoras Maria Aparecida Santilli (USP) e Suely Fadul Villibor Flory (UNIMAR), juntamente com todos os autores responsáveis pela coleção, contribuem com uma obra basilar para capacitar os professores em todos os níveis, em especial os de Ensino Fundamental e Médio. A presente coleção preenche uma lacuna na formação do professor, agora muito mais pungente no Brasil, dada a obrigatoriedade da disciplina “História e Cultura Afro-brasileira” nos estabelecimentos de Ensino Fundamental e Médio, oficiais e particulares, por força da lei 10.639 de 09. 01. 2003. Temos a certeza de que a parceria entre Secretaria de Estado da Cultura, Editora Arte & Ciência e o IBIM, para concretizar esta publicação, foi extremamente frutífera, visando não só a integração da comunidade de países de Língua Portuguesa mas, principalmente, o desenvolvimento e ampliação dos horizontes da Educação Brasileira. Obras e autores: Angola - Tania Macedo (USP) e Rita Chaves (USP) Brasil - Antonio Manoel dos Santos Silva e Romildo Sant'Anna (UNIMAR) Cabo Verde - Maria Aparecida Santilli (USP) Moçambique - Tania Macêdo(USP) e Vera Maquêa (UNEMAT) Portugal - Benjamin Abdala Junior (USP).

FONTE: http://www.arteciencia.com.br/arteciencia/pub/1_4.asp

sexta-feira, 6 de junho de 2008

FESTLIP – FESTIVAL DE TEATRO DA LÍNGUA PORTUGUESA


O FESTLIP – FESTIVAL DE TEATRO DA LÍNGUA PORTUGUESA em sua primeira edição reúne grupos teatrais de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Portugal no período de 06 a 15 de junho de 2008. Além de apresentações nos teatros Ginástico e Espaço Sesc, o festival contará com oficinas teatrais, uma exposição - "O teatro no Brasil e a chegada da família real" no Espaço Sesc, festa gratuita no Circo Voador nos dias 7 e 14/06, e uma mostra gourmet no Restaurante 00 com a culinária dos cinco países representantes.

GRUPOS TEATRAIS

PORTUGAL
Grupo da Garagem
Companhia fundada em 1989, dedica o seu trabalho artístico à pesquisa e experimentação, através da investigação de novas formas de escrita para teatro e de novas formas cénicas que a acompanham. A companhia trabalha com um autor/encenador residente, Carlos J. Pessoa, que é também o responsável pela Direcção Artística do Teatro da Garagem, um músico residente que compõe e interpreta a banda sonora dos espectáculos, um núcleo de actores fixos, uma equipa de produção, um dramaturgista, um responsável técnico, um cenógrafo e figurinista e uma designer gráfica.

Para além das criações próprias, a partir de textos originais de Carlos J. Pessoa, e da releitura dos clássicos, a companhia desenvolve um trabalho pedagógico, através do Serviço Educativo, com as escolas e associações da zona onde se encontra situado o teatro.

Assim as personagens vão-se cruzando e moldando, com traços precisos, como num tabuleiro de xadrez: o cavalo, o bispo, a torre, o rei e a rainha…

Sinto que todos nos sentimos, por um instante, vítimas deste, poderosos face a outro, impiedosos… Personagens que aprendem a viver com determinado rótulo, estigma, deveres e obrigações, de acordo com um teatro íntimo em que se enleiam. Maria, vive na clausura de uma torre de marfim, faz um périplo pela sua vida, experimenta as vozes das personagens que fizeram ou ainda, fazem parte da sua vida, da sua encenação.
Ao fazê-lo abdica, por um momento, do papel principal.

Sinto que andei a fazer encenações a vida toda, ou melhor, a encenar a minha vida com os outros. A diferença é que eu fazia parte de um elenco, composto pela minha família, amigos, conhecidos e desconhecidos, no qual as personagens executam um papel muito preciso e, parece-me, previsível. A mãe que sufoca, o pai que oprime, os avós que acarinham, o filho que a dada altura nos vai abandonar e construir a sua vida, o colega que nos quer bem, a professora que nos quer mal, o vizinho com o qual nos cruzamos todas as manhãs e que nos sorri, o marido, a irmã com a qual praticamente não temos ligação, a outra que sempre nos defendeu…

Grupo o Bando
O BANDO é conhecido internacionalmente e começou em 1974, tendo em seu repertório mais de 65 espetáculos montados.

Quem não gostava de ser “mosquinha” e ouvir as conversas secretas dos outros? O casal no café que ri baixinho, os velhos no jardim, os namorados que se beijam dentro dos carros, as mulheres às varandas.

Quem nunca sentiu, mesmo que o esconda, o desejo de conhecer melhor alguém, ouvindo os seus desabafos, numa conversa de que não fazemos parte?

Neste espetáculo do bando vamos espreitar o mundo da clandestinidade. Vai-nos ser permitido pôr uns auriculares e ser “mosquinha” durante meia hora, seguir uns desconhecidos e ouvir uma conversa íntima, sobre medo, perversidade, amor, morte... luto?
E quem sabe se esta experiência de aproximação ao outro não será esclarecedora para vermos melhor o mundo e percebermo-nos a nós próprios? Quem sabe se esta experiência de voyeurismo não será parte de uma viagem introspectiva?

Espectáculo de rua para 50 pessoas/representação, O espetáculo decorre em movimento. Os atores estão equipados com sistema de emissão de rádio e os espectadores com sistema de recepção .

CABO VERDE
Grupo Raiz Di Polon
A Companhia de Teatro e Dança Contemporânea Raiz di Polon foi fundada em Cabo Verde na década de noventa por Mano Preto, diretor do grupo até os dias atuais. Dentre as várias montagens, o grupo se destaca pela preciosidade dos textos em plena composição com a rica expressão corporal e o elemento musical, sempre presente nas peças.

O grupo apresentará durante o FESTLIP dois espetáculos, ambos do músico e escritor Mário Lúcio Souza, a peça Dom Quixote das Ilhas que traz uma leitura cabo-verdiana do original Dom Quixote de La Mancha de Miguel de Cervantes.

A peça fala de Quixote que gostava do vento. E por aqui havia dois bandos: Barlavento e Sotavento. Com os ventos vinham os gafanhotos – esses anjos do deserto. Os moinhos de vento nasciam já cansados de poços que nunca deram de mamar à terra. E na velhice tinham como única ocupação ceifar asas dos gafanhotos.

Quando o vento soprava de um lado Quixote ficava magro, magro, magro. E do engenhoso fidalgo descenderam muitos meninos eternamente magros no tempo e no espaço. Quando o vento soprava do outro lado Quixote se convertia em Sancho Panza, e parecia gordo, mas não o era, estava apenas prenhe de outros tantos meninos gordos no espaço e magro no tempo.

E a vida é um andar que se cruza ao ritmo de tudo: rápido, lento, fugaz, frente a frente, lado a lado, na vertical, em cima, em baixo, com encontros, encontrões, e desencontros fatais porque o que era ódio se fez amor na parte em que o ódio é mais forte. Rasgaram-se, comeram-se mutuamente, mataram-se, sobreviveram, rebelaram, fugiram juntos e um do outro e cada um para dentro e para fora de si. Só então, e para a posteridade dos dois, soube Quixote que ele e o outro eram a mesma pessoa.

A peça trata da presença da mulher como importante símbolo da ritualização e tradição africanas.

A partir deste contexto, surgiu a idéia de transformar o imaginário feminino num dueto feito pelas atrizes e bailarinas da companhia.

O canto e a utilização do corpo como instrumento musical são também constantes na cultura cabo-verdiana, permitindo o multiplicar da linguagem corporal, dos ritmos e sonoridades, obra que levou o grupo ao Prêmio Especial do Júri nos 5º Encontros Coreográficos da África e do Oceano Índico.

O grupo já esteve em turnês por topo o território africano e europeu.

Grupo Teatral do Centro Cultural Português do Mindelo
O Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo – Cabo Verde, atua desde 1993 e tem mais de 30 espetáculos montados entre textos de autores conhecidos com leituras “crioulas” ou caboverdianas como: Oscar Wilde, Molière, Garcia Lorca, William Shakespeare e também criações coletivas do grupo. Com participação em inúmeros festivais já se apresentou em palcos de Portugal, Itália, Espanha, Holanda e Brasil, já ganhou por duas vezes o Prêmio do Mérito Teatral por Portugal e por Cabo Verde.

No FESTLIP o grupo apresentará a peça “O Doido e a Morte”, texto de Raul Brandão, autor português, e direção de João Branco. A peça classificada pelo teatrólogo Luiz Francisco Rebello como “a mais singular e genial obra dramática do século XX português” leva à cena dois personagens, um político poderoso, confortavelmente instalado no seu gabinete, e o outro, que adentra pelo gabinete com uma bomba de grande impacto, anuncia com a maior calma do mundo que em instantes irá tudo pelos ares. Traz consigo, diz ele, a morte debaixo do braço

Considerada uma pérola da história da dramaturgia portuguesa – e em língua portuguesa – “O Doido e a Morte”, é uma farsa existencial, onde talvez faça sentido falar de expressionismo, por se tratar da revolta de um indivíduo perante a crueldade, a incongruência, a abjeção do mundo moderno e porque a obra de Raul Brandão está cheia de «gritos» em suas entrelinhas que fazem com que tenhamos sempre presente o quadro de Edward Munch, “O Grito”. A encenação inspira-se, precisamente nesta idéia e neste paradigma. Daí a opção pela utilização das máscaras, o estilo de interpretação, os próprios adereços, figurinos, som e luz. A estética da peça é o retrato de um imenso grito que pode servir, senão para acordar deste estranho sonho que é o presente, pelo menos para nos tornar mais alertas no futuro.


MOÇAMBIQUE
Grupo Mutumbela Gogo
Grupo Mutumbela Gogo de Maputo, capital de Moçambique, foi fundado no ano de 1986, pela diretora cênica Manuela Soeiro.

Hoje o grupo tem sua sede no Teatro Avenida, onde já montou inúmeros espetáculos encenados por toda Europa.

Reconhecido pelo talento dos atores que integram o grupo, dos quais, a maioria já participou de filmes de diretores norte-americanos e ingleses, motivo pelo qual o diretor de cinema Ingmar Bergman dirigiu um dos espetáculos do grupo. O Mutumbela Gogo trará para o FESTLIP a peça “As Filhas de Nora”, uma livre adaptação de Henning Mankell, diretor do grupo, a partir do texto original “Casa de Bonecas”, de Henrik Ibsen.

A versão é adaptada de forma a permitir uma leitura atual tendo como fundo a experiência moçambicana. A contemporaneidade do espetáculo se dá pela força das próprias palavras de Ibsen em confronto com a sociedade moderna africana. A adaptação moçambicana inclui uma mudança de nomes noruegueses para nomes moçambicanos e a ação decorre na época do carnaval.

No texto original Nora, a protagonista, abandona o marido e as suas três filhas porque de repente ela descobre que foi sempre tratada como uma boneca e não como uma mulher. É um escândalo para a sociedade. O Grupo Mutumbela Gogo, através do Henning Mankell, faz uma réplica à peça criando "As Filhas da Nora". O que terá acontecido às três meninas depois da saída brusca da sua mãe? Enfrentamos, nesta peça, as contradições dos indivíduos e os seus esforços para compreender as relações de afeto e o outro que se torna, muitas vezes, sentido da própria individualização e caráter dos sujeitos.

Grupo Gungu
Companhia teatral formada em 1992, pelo escritor e diretor Gilberto Mendes que integrou o elenco do grupo Mutumbela Gogo até a fundação da sua própria companhia, o Grupo de Teatro Gungu o qual se destaca pelas montagens contemporâneas e a forte musicalidade em seus espetáculos já tendo se apresentado em Festivais na Noruega, Portugal, Espanha e França.

Obs.: Num mundo extremamente machista como é o moçambicano, a batalha pela afirmação feminina ganha cada vez mais espaço.

Enquanto o homem macho se serve da sua força e virilidade para se impor, a mulher se utiliza da sua sedução e, acima de tudo, da sua inteligência que , diga-se de passagem, está alguns pontos acima da masculina.

A peça gira em torno de quatro personagens: um executivo próspero e bem posicionado, mas que não consegue a mesma performance em casa; Um deputado "bem sucedido" que não permite que a sua noiva trabalhe; um empresário analfabeto, para quem a posse de dinheiro é sinônimo de poder e grandeza; um homem que, por motivo da morte de seu irmão mais velho, tenta tomar para si a viúva socorrendo-se na tradição do "ku txinga". Esse cenário social e cultural são o mote para esta peça de teatro, um retrato do sociedade moçambicana na atualidadeo.

ANGOLA
Etu-Lene
Fundado 1993, o grupo Etu-Lene conta com dez integrantes e já levou ao palco inúmeras obras, conquistando importantes prêmios entre o "Prêmio Cidade de Luanda / 2001", com a obra "Balumuka", e o "Prêmio Nacional de Cultura e Artes / 2002", com a peça "Uíje-Uijia", espetáculo que também arrebatou o prêmio revelação de teatro "Angola - 20 anos".

Grupo teatral formado há mais de uma década, tem seu repertório, focado em comédias, já angariou duas premiações internacionais de Teatro.

O velho Katy-Ngotè, um sujeito que deu tudo o que tinha para a formação de seu único filho Caetano. Em troca do interesse financeiro o velho exigiu que Caetano ficasse junto de Madó e não da mulher amada. Caetano cedeu às exigências do seu pai. Para a surpresa do velho ele descobre ouvindo um telefonema da sua querida nora o verdadeiro autor da gravidez que ela ostentava, o que o levou a pensar: “Afinal, quem está na barrigada de Madó não é do meu sangue”, para o sofrimento do velho Katy-Ngotè.

Grupo Henriques-Artes
O espetáculo: “Côncavo e Convexo" - Obra vencedora do prêmio de teatro Cidade de Luanda 2008.

O texto de Flávio Ferrão nos faz compreender que o homem em Luanda deve viver uma história de amor tal qual como em Côncavo e Convexo. O espetáculo se passa através de um diálogo onde o casal sobrevive a fortes embates durante todo o texto que é baseado na situação política, econômica e social de Luanda. O texto aborda o tema de forma atípica e espetacular. Uma obra recheada de drama, pois, a reflexão e a nota dominante do espetáculo é a utilização de signos através de velas, latas vazias de cervejas, baldes coloridos, mobílias velhas e cansadas. Os signos estão a espera do público que se propõe a ser vítima desse espetáculo.

BRASIL
Grupo de Curitiba
Capitu Memória Editada é inspirada na obra do maior escritor brasileiro e reúne artistas paranaenses na construção de uma peça teatral que está situada entre a literatura e o leitor, entre o palco e o público, refletindo todo o universo machadiano. O espetáculo escrito e dirigido por Edson Bueno estreou no dia 29 de setembro de 2005 no Teatro da Caixa em Curitiba. Não é uma novela, um romance ou uma adaptação de Dom Casmurro, de Machado de Assis.

A proposta de Capitu Memória Editada não é levar o romance ao palco e sim, a sensação de mistério que o livro traz. “Não é nem o que o leitor entende do livro e não é o livro. É a dúvida, o mistério, a memória e a fantasia”, explica Edson Bueno. A trama de Dom Casmurro é contada não só pela memória de Bentinho, mas também por personagens paralelos e contemporâneos, que interagem com o texto centenário de Machado de Assis e fazem referência a ele, convidando o público (leitor) a preencher as lacunas, assim como fez o grande escritor.

O projeto é uma iniciativa de Janja, que integra o elenco, e foi viabilizado por meio da lei Municipal de Incentivo à Cultura. Segundo a atriz, a idéia de realizar a montagem partiu de um gosto pessoal pelo romance e, trabalhando o texto com Edson Bueno, percebeu que o texto original era sobre memória. “Queríamos privilegiar a literatura. Quando a gente começou a ensaiar, fizemos referência aos contadores de histórias. Isso deu o tom e a linguagem da peça”, comenta Janja. A montagem preserva a prosa original de Machado de Assis quando é levada ao palco. “Fiz questão de manter a forma literária dele, que é moderníssima e deliciosa”, comenta Edson Bueno.

Os ensaios e improvisações dos capítulos do original Dom Casmurro ajudaram a trabalhar a idéia de Capitu, até chegar na concepção final do espetáculo e do texto. “Eu me permiti também brincar com a ilusão e com a realidade do teatro. O texto brinca muito com as convenções teatrais e as perverte muito também”, diz Edson Bueno. Por conta dessa traquinagem, atores e personagens (do romance e outros especialmente criados para a peça) misturam-se aos olhos do público, e também dissimulam a realidade e a ficção, tal como o mistério que cerca o romance. “Foi um desafio para os atores, porque a forma de construção das pessoas no palco não é a convencional”, explica Bueno.

Tropa do Balaco Baco (Arcoverde / Pernambuco)
A TROPA DO BALACO BACO – EQUIPE TEATRAL DE ARCOVERDE surge da junção de dois núcleos de produção teatral da cidade de Arcoverde, no sertão pernambucano, que ante a necessidade de dar visibilidade as suas ações, uniram forças e lançaram-se à empreitada de garantir uma ação mais contundente que denotasse a qualidade e compromisso ético-estético que sempre permearam o fazer teatral em suas trajetórias distintas.

A PAIXÃO E A SINA DE MATEUS E CATIRINA conquistou os prêmios de Melhor Espetáculo, Direção, Figurino e Maquilagem, além das indicações para Melhor Ator, Música e Cenário, no Festival Janeiro de Grandes Espetáculos – Prêmio APACEPE/2008, na cidade de Recife-PE.

Catirina, grávida já pra mais de doze meses e com desejo de comer língua de boi, arma diversas artimanhas para convencer Mateus, por ela apaixonado, a lhe presentear com esse regalo, pondo em risco o seu próprio desenlace matrimonial. Mateus de sua parte também tenta de mil maneiras driblar as jogatinas de Catirina oferecendo-lhe toda sorte de arreliques, sendo, no entanto, sempre rejeitado até que sucumbindo as lacrimejâncias de Catirina, arranca a língua do boi patrão e oferece-lhe como prova de amor e sujeição de comprometimento, deixando a estrebuchar o famoso e alardeado novilho brasileiro, boi maravilha trazido do Maranhão pelo Coronel para presentear sua filha em seu aniversário.

Satisfeitos os desejos de Catirina, vem a inevitável descoberta do Patrão/Coronel/Amo que esbraveja e pragueja todo tipo de ameaça contra o possível agressor deixando os dois culpados, em uma mútua troca de acusações tentando livrar cada um a própria pele até que Mateus num joguete de palavras convence o Coronel a lhe dar um tempo para providenciar a cura do desfalecido animal. Fechado o acordo, Mateus e Catirina têm a deixa para dar entrada as passagens de três figuras tradicionais do brinquedo do bumba meu boi: o Padre, a Mãe Preta, e o Doutor, que cada um a seu tempo depois de várias tentativas e desistem da empreitada e deixam o boi moribundo.

Vendo extinguir-se o prazo concedido pelo Coronel, Mateus e Catirina, já cansados da longa jornada noite à dentro, dão-se por vencidos e já se considerando perdidos, para comprovar sua redobrada fama de festeiros decidem enfrentar o Coronel não mais choramingando e lamentando, mas da melhor maneira que é dançando e cantando. Armam a maior festança e entretidos nem percebem que esse sim era o melhor remédio para levantar o boi, que vindo do Maranhão, acostumado com a dança, não resiste à tentação, levanta, dança, rodopia e cai na folia varrendo a poeira do chão.

Volta então o Coronel para saber o resultado da contenda sendo recebido por Catirina que entre loas de adulação e elogios de pavulagem ao grande feito pessoal, devolve o boi renascido pra alegria do patrão que faz entrar o Padre, convocado por si para a extrema-unção dos dois, mas que dada paz reinante, celebra o tão esperado matrimônio de Mateus mais a Nega Catirina.

Volta o Mestre Carpina, que inicialmente apresentara a brincadeira e que agora convoca todos os brincantes que retornam à cena para o festejo final quando cantam e dançam a toada de despedida.


PROGRAMAÇÃO - TEATRO
DIA 06/06
TROPA DO BALACO BACO (ARCO VERDE/PERNAMBUCO)
Espetáculo: “A PAIXÃO E SINA DE MATEUS E CATIRINA”
Teatro Ginástico : 19h - Brasil

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GRUPO DE CURITIBA
Espetáculo: ““CAPITU” - MEMÓRIA EDITADA”
Espaço Sesc Arena :21h - Brasil

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GRUPO GUNGU
Espetáculo: “MULHERES DO H MAIÚSCULO”
Espaço Sesc Sala Multiuso:20h - Moçambique


DIA 07/06
GRUPO HENRIQUES-ANTAS
Espetáculo: “Côncavo e Convexo”
Teatro Ginástico: 19h - Angola

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GRUPO TEATRAL GARAGEM
Espetáculo: “A Hora do Arco-Íris”
Espaço Sesc Arena: 21h - Portugal

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GRUPO O BANDO
Espetáculo: “LUTO CLANDESTINO”
Calçadão de Copacabana - Copacabana em frente à Rua Santa Clara, com retirada de senha 1 hora antes do espetáculo no Espaço SESC :20h - Portugal


DIA 08/06
GRUPO TEATRAL DO CENTRO CULTURAL PORTUGUÊS DO MINDELO
Espetáculo: “O DOIDO E A MORTE”
Teatro Ginástico: 19h - Cabo Verde

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GRUPO RAIZ DI POLON
Espetáculo: “DUAS SEM TRÊS”
Espaço Sesc Arena: 19h30 - Cabo Verde

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ETU-LENE
Espetáculo: “Atiraram o velho Katy-Ngotè para sua última morada”
Espaço Sesc Sala Multiuso: 19h – Angola


DIA 12/06
TROPA DO BALACO BACO (ARCO VERDE/PERNAMBUCO)
Espetáculo: “A PAIXÃO E SINA DE MATEUS E CATIRINA”
Teatro Ginástico: 19h - Brasil

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GRUPO MUTUMBELA GOGO
Espetáculo: “AS FILHAS DE NORA”
Espaço Sesc Arena: :21h - Moçambique

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GRUPO O BANDO
Espetáculo: “LUTO CLANDESTINO”
Calçadão de Copacabana - Copacabana em frente à Rua Santa Clara, com retirada de senha 1 hora antes do espetáculo no Espaço SESC :20h - Portugal


DIA 13/06
GRUPO TEATRAL DO CENTRO CULTURAL PORTUGUÊS DO MINDELO
Espetáculo: “O DOIDO E A MORTE”
Teatro Ginástico: 19h - Cabo Verde

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GRUPO TEATRAL GARAGEM
Espetáculo: “A Hora do Arco-Íris”
Espaço Sesc Arena: 21h - Portugal

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GRUPO GUNGU
Espetáculo: “MULHERES DO H MAIÚSCULO”
Espaço Sesc Sala Multiuso:20h - Moçambique


DIA 14/06
GRUPO HENRIQUES-ANTAS
Espetáculo: “Côncavo e Convexo”
Teatro Ginástico: 19h - Angola

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GRUPO DE CURITIBA
Espetáculo: “CAPITU” - MEMÓRIA EDITADA”
Espaço Sesc Arena:às 21h - Brasil

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ETU-LENE
Espetáculo: “Atiraram o velho Katy-Ngotè para sua última morada”
Espaço Sesc Sala Multiuso: 20h - Angola


DIA 15/06
GRUPO RAIZ DI POLON
Espetáculo: “DUAS SEM TRÊS”
Teatro Ginástico: 19h - Cabo Verde

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GRUPO MUTUMBELA GOGO
Espetáculo: “AS FILHAS DE NORA”
Espaço Sesc Arena: :19h30 - Moçambique

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Entrega Prêmio Revelação FESTLIP
Espaço Sesc Sala Multiuso: 22h



EXPOSIÇÃO

A exposição “O teatro no Brasil e a chegada da família real”, com curadoria de Álvaro de Sá e design de Isabela Muller, será inaugurada no dia 05 de junho no Espaço Sesc Copacabana.

A mostra pretende traçar um breve painel do teatro no Brasil no século XVIII, com suas casas de ópera, e sua transformação a partir da chegada da família Real em 1808.

“As distrações do teatro progrediam de par com os assuntos de maior importância. Não somente o Regente dava largas ao que nele parecia ser forte inclinação pessoal, comparecendo assiduamente aos espetáculos, como neles aparecia acompanhado da sua família”.

Esse texto escrito no século XIX após a chegada de Don João no livro “Notas sobre o Rio de Janeiro e partes meridionais do Brasil” por John Luccock, nos dá a dimensão das modificações ocorridas no teatro do Brasil após a chegada da Família Real Portuguesa. Uma mudança de um teatro com hábitos provincianos para um teatro mais cosmopolita. Com a chegada da Corte o Rio de Janeiro se transformou na capital teatral do Brasil.


FESTA FESTLIP

Durante os doze dias de atividades, o FESTLIP realiza nos dias 07/06 e 14/06, aos sábados às 22h, uma Festa no Circo Voador, na Lapa reunindo músicos de todos os países participantes. A festa que contará com a presença dos atores do FESTLIP, será aberta gratuitamente ao público, sendo encerrada no final de toda noite pelo DJ português, Señor Pelota, que explora diferentes linguagens de electro, minimal, techno, acid house e disco digital de punk-funk.

ENTRADA FRANCA CIRCO VOADOR : Rua dos Arcos, S/N - Lapa - Rio de Janeiro - RJ - Brasil

MÚSICOS

BRASIL
Macau (Participação Especial de Sandra de Sá)

No inicio dos anos 80, surge no cenário musical “Olhos Coloridos”, uma canção que em meio a tantas canções de protesto da época se destacou pela forma romântica e ao mesmo tempo forte, que denunciava a repressão e a discriminação racial. Seu autor, Macau, tocava essa música canção de uma forma tão peculiar e marcante que parecia entoar tambores africanos que choravam chamando o país a uma reflexão.

“Olhos Coloridos” - música gravada por Sandra de Sá, que se tornou um hino da música negra no Brasil. Com seu suingue black, ela é mais do que uma canção, é um estilo musical, é um grito negro, é amor, uma denúncia, é contestação. Além de Sandra outros artistas e grupos expressivos no Brasil e no exterior a gravaram como, por exemplo, Jim Capaldi na Inglaterra, Les Etoiles na França e Funk como Le gusta, de Paula Brasil. A música também foi tema do filme “ABC Paulista”, interpretada em diversos programas de televisão e fez parte do Projeto Lonas Culturais, onde foi gravada por Fafá de Belém e Sandra de Sá, ao som do violão de Macau.

Hoje Macau possui uma extensa obra que reúne seus antigos sucessos e músicas compostas com Luiz Melodia, Durval Ferreira, Sandra de Sá, Kátia Drumond. Grandes nomes também gravaram suas composições como: Eliana Pitman, Rosana, Elaine Guedes, Dom Mita, Adelmo Casé, Denise Pinaud. A mais recente regravação foi de Preta Gil, que cantou“Estágio do Perigo”, funk feito em parceria com Sandra de Sá, em seu último trabalho.

Sua capacidade de estar de bem com a vida e manter o astral, em todos os momentos fizeram de Macau o “Negro dom do amor”. O cantor e compositor através da leveza de suas composições e interpretações consegue levar ao público a verdadeira música de qualidade.

SANDRA DE SÁ

Considerada a “Rainha do Soul Brasileiro”, Sandra de Sá, cantora e compositora, é considerada a maior representante da Soul Music brasileira da atualidade. Após o seu último CD, “AO VIVO – Música Preta Brasileira”, lançado em 2005, Sandra viajou pelo Brasil e exterior, já ganhou novos prêmios e estreiou no cinema e na tv, sempre com o astral “SANDRA de ser!”.

Música Preta Brasileira, nome deste show/CD/DVD, é um termo criado por Sandra há mais de 10 anos, brincando com a sigla MPB da Música Popular Brasileira. Sandra afirma:
“A nossa música é essencialmente preta, pois começa e termina no tambor, no suíngue. Não há ritmo que cantemos ou toquemos que não contenha este toque de brasilidade. Isto é a nossa ‘pretitude’. Até porque se é popular, é do nosso povo, que é altamente miscigenado.”

É esta atitude que ela coloca em tudo que faz nestes mais de 26 anos de carreira. MPB também é o tema que Sandra carimba em tudo, desde um programa de rádio que apresentou na ong “Viva Rio” até o projeto musical alternativo que fez, por mais de quatro anos, ao lado de Toni Garrido (da banda Cidade Negra) e do parceiro Zé Ricardo. (Projeto com Capítulo 1 – Tim Maia Racional e Capítulo 2 – Jorge Benjor).

Sandra está sempre realizando projetos paralelos, ao lado de grandes amigos como Nana Caymmi, Luiz Melodia, Elba Ramalho, Zezé Motta, Lecy Brandão, Margareth Menezes, Leila Pinheiro, entre muitos outros importantes nomes da nossa Música, pois ela acha fundamental estas parcerias e experimentações dentro e fora do palco.

Como descendente direta de caboverdianos, tem desenvolvido um trabalho em Portugal com shows e eventos, que resultou em apresentações como o Reveillon da Ilha da Madeira, Optimus Open Air e o Rock in Rio Lisboa. Além de participar, em Paris, do Brasil na França e, na Alemanha, da Copa da Cultura de Berlim, como um dos grandes símbolos da nossa música. Esteve presente também no Festival de Gambôa 2007, na África.

Mas não é só no exterior que Sandra tem desenvolvido projetos de grande representatividade cultural. A artista acaba de ser eleita como presidente da “Academia Afro Brasileira de Artes”, onde realizará projetos que visem aprimorar e desenvolver a cultura negra no Brasil; e tem sido com freqüência, escolhida para realizar o show de abertura de importantes eventos culturais, tais como a Conferência dos Intelectuais da África e da Diáspora, a CIAD (subsidiada pelo Ministério das Relações Exteriores), evento social da Petrobrás Loucos por Música (também como diretora musical) e na Feira Música Brasil (em Recife realizada pelo MINC).

Em 2007, Sandra também brilhou nas “telinhas e telonas”, estreando como atriz no filme e seriado “Antônia”, da Rede Globo. Em 2008, já, agitou a Bahia, no Carnaval elétrico de Salvador, no Expresso 2222 de Gilberto Gil e no Bloco Skol D+!, E também já está em estúdio, na pré produção do seu novo CD e DVD, com gravação prevista para Maio e lançamento para o segundo semestre deste ano. Sandra de Sá não só continua realizando shows, “Ao Vivo”, por todo Brasil, destaca-se o projeto experimental BATUCOFONIA, que é seu grande xodó e sua aposta através da interação com o público pra movimentar a Música Preta!

Vivianne Tosto
Vivianne nasceu no bairro carioca do Catete, em 1964. Segunda filha do casal Francesco e Marly, já pequena, demonstrava grande interesse pela música: ficava embevecida durante horas, vendo a mãe tocar piano.

Em 1973 recebeu o primeiro convite para cantar em bar, e então fez sua primeira temporada musical em "O Cortiço", em Laranjeiras, RJ. Logo após aceitou um o convite de passar um mês cantando à bordo do Navio Seawind Crow, que fazia a rota das ilhas caribenhas. Bem, um mês virou dois meses e meio de saudade, prazer e desafio de apresentar-se para um grande e diversificado número de pessoas, entre brasileiros, gregos, americanos, africanos, tchecos, europeus, croatas. Vendo o Brasil de fora, e por estar fora, também foi levada a um interessante encontro com a cultura nacional do próprio país. No navio, só cantava música brasileira, apresentando um repertório altamente eclético que incluía Caetano, Djavan, Milton, Axé music, bossa-nova, forró e samba. Ao retornar, Vivianne deu início a um novo trabalho. Montou uma banda e se apresentou no "Mistura Fina". De volta aos palcos do Rio, e muito feliz por esse encontro definitivo com a música, decidiu que estava na hora de gravar seu CD.

Vivianne sempre quis algo orgânico, sem guitarras, com mais violões, mas acabou seduzida por sons e efeitos eletrônicos, que vieram a somar no resultado final do disco, um trabalho que define como “quase artesanal”. O título foi tirado da faixa que seria a música de trabalho, "PEDAÇOS", de sua autoria. Mas, depois de submeter o CD a audições de amigos e profissionais do ramo, "CONTRAMÃO", composição que também assina, assumiu quase unanimemente o lugar de eleita. O CD foi concebido e concluído. E, sem nenhuma pretensão, já pode ser considerado um sucesso.

Nesse mesmo período, conheceu Alex Sancher, no bar Santa Saideira, em Santa Teresa, onde se apresentava com freqüência. Ele mostrou algumas músicas e Vivianne ficou encantada. Desse novo encontro saíram as faixas "SURPRESA" e "OLHOS CLAROS". Pelas mãos da amiga, Ilka Villardo, conheceu o percussionista e compositor, Luiz Octávio Albornoz, e dele, então, selecionou “PODIA DIZER” que, ao lado ainda de "MOEDA DE UM LADO SÓ", de Moska, fecharam o repertório do disco. Parecia que o céu estava conspirando em seu auxílio. O primeiro show do CD aconteceu no Sesc de Ramos, em 2003. Também em junho de 2003, apresentou um show acústico no Teatro Bibi Ferreira em Botafogo.

O CD PEDAÇOS foi e pré-selecionado para o Prêmio Tim de Música deste ano. Maria Bethânia levou o troféu de melhor disco, com o seu Brasileirinho.

MOÇAMBIQUE
José Mucavele
José Mucavele, foi trompetista nos anos 60 e 70 tocou em vários agrupamentos, Comandante de Luta de Libertação Nacional, investigador etno-cultural músico Moçambicano, Membro fundador do agrupamento musical da Rádio Moçambique, já viajou em espetáculo para os seguintes países: Africa: Zimbabué, Cabo Verde, África do Sul. Europa: Portugal, Espanha, Holanda, Bélgica, Alemanha e Dinamarca. América Latina: Cuba e Brasil.

Compôs trilhas sonoras para os seguintes filmes: Compass In Mozambique, Granada Television, Children of Austral Afrika, Colheita do Diabo, Fronteiras de Sangue e outros.
Gravou seu primeiro album “Atravessando Rios” em 1985 em Portugal pela E.M.I Valentim de Carvalho, com a produção dos músicos Portugueses: Rui Veloso e Zé Carrapa.

Em 1996 grava na Dinamarca o álbum “Compassos 1” É convidado a dar uma palestra na universidade de Rooskild Dinamarka. Membro da comissão instaladora do Instituto do Património Cultural e Natural de Moçambique. compositor interprete, toca guitarra acústica com afinações descobertas por ele mesmo. Foi quadro sênior do Governo, atualmente é Técnico Superior para a Cultura no Ministério da Educação e Cultura.

CABO VERDE
Mário Lúcio Souza
Mário Lúcio Sousa, natural de Tarrafal, na Ilha de Santiago, Cabo Verde, em 21 de Outubro de 1964 iniciou sua carreia artística e de ativista cultural desde cedo, tornando-se uma personalidade de destaque no campo político através do cargo de Assessor do Ministro da Cultura, que ocupou em 1992. Recentemente foi constituído Embaixador Cultural de Cabo Verde.

Na área artística é o idealizador e líder do grupo musical Simentera, que marcou a tendência da música de Cabo Verde para o acústico e reivindicou a cultura continental africana como elemento da identidade cultural caboverdeana. Multi-instrumentista e arranjador de vários álbuns de solistas caboverdeanos, é também membro fundador da Associação Cultural Quintal da Música, cujo Centro Cultural Privado trabalha na valorização da música tradicional e no acesso das crianças à aprendizagem e à promoção dos seus talentos.

É compositor permanente da companhia de teatro e dança Raiz di Polon, que também participará do FESTLIP, além de outras compisções e trilhas sonoras. Com experiência internacional, Mário Lúcio e a Simentera, já se apresentaram nos em boa parte da Europa, Brasil e África naturalmente. Gravou recentemente em França com o Grupo Simentera o CD Tr'adictional, seu projeto musical sobre a mestiçagem e que conta com a participação do camaronês Manu Dibango, dos senegaleses Touré Kunda, do brasileiro Paulinho da Viola, e dos portugueses, Maria João e Mário Laginha. Mário Lúcio se destaca ainda na literatura com a edição de 02 livros de poesias, 01 peça teatral e 01 livro de ficção como qual conquistou o prêmio do Fundo Bibliográfico da Língua Portuguesa. Ainda na pintura o artista soma ao movimento da nova geração de pintores africanos com obras em exposição no seu país e no exterior.

ANGOLA
Trio Vikéia
Criado em 1988 em Benguela, pelos músicos António Hugo de Oliveira Manjenje (TÓ MANJENJE), Loureiro Paulino (LOY) e Josué de Campos (MOISÉS KAFALA).

Constituído por trovadores dedicados a pesquisa, exploração e divulgação dos ritmos da região centro e sul de Angola, como o “Nhatcho”, o “Njando” e o “Tchipuete”.

Composto atualmente por António Hugo de Oliveira Manjenje (Tó Manjenje), Francisco de Sousa Joaquim Barros (Magas) e José Augusto Brás (Zé Brás), o grupo tem passagens por vários países do mundo, como Suécia, Alemanha, Portugal, Polónia, França, Índia, Coreia do Norte, Egipto, Congo e outros.

Possui no seu palmarés, dois títulos do “Variante” Festival Nacional de Música Popular e outras participações em eventos nacionais e internacionais.
O repertório do grupo é vasto e tem por base o cancioneiro tradicional da região centro e sul do país que se entrosa com a balada moderna.

PORTUGAL
DJ Señor Pelota
André Soares começa a sua aventura como um DJ em 1998, tocando em vários bares em torno de Lisboa e também em alguns eventos, mas apenas depois de quatro anos, seu alter ego Señor Pelota é nascido. Hoje ele se vê como um promotor de música avançada, através de conjuntos onde ele explora diferentes linguagens de electro, minimal, techno, acid house, disco digital de punk-funk.

Ele surpreende a platéia porque Senor Pelota não tem limites, qualquer tipo de música pode desembarcar em sua placa giratória enquanto ela dança e faz você se sentir bem. Señor Pelota é um obsessivo perseguidor de novas tendências, sempre fugindo do lugar comum, fazendo uma fusão que reinventa a música do amanhã. Ele tenta encontrar a perfeita simbiose de fazer as pessoas se divertir e soltar a cabeça, promovendo a boa música, mas nunca esquecendo a "cultura club". Neste momento, Señor Pelota é responsável pelo alinhamento da música Velvet bar, um clube pequeno, mas popular no (in) famoso Bairro Alto.

Ele também faz uma aparição mensal no Lounge bar, intituled "Portanto Freshhhhh!", Onde ele convida dj novos talentos para jogar com ele durante toda a noite. Ele está envolvido em vários projetos musicais como: o coletivo FREIMA de Porto, o coletivo "Music Mob dj's" com dj Vahagn associeted para o rótulo Music Mob e "Glam Slam Dance", em parceria com o dj Mário Valente, que, em maio de 2007 eles lideraram a Kubik fase e a fase Radio Soulwax Creamfields Festival de Lisboa. Ele espalhou sua peculiaridade em famosos clubes em todas as regiões de Portugal: Lux, Op Art, Clube Mercado, Fragil, Cabaret Maxime, Incógnito, Industria (Porto), MAUS Hábitos (Porto), Hard Club (Gaia), Office Club (Caldas da Rainha), Marginal (Funchal), Clinic (Alcobaça), Budha Club (Povoa do Varzim), Tamariz (Estoril), Clube da praia (Zambujeira do mar), Horta da Fonte (Cartaxo), T Club (Vilamora), etc… E ele também tocou com música nacional e internacional de celebridades como Spektrum, Digitalism, Soul Wax, Erol Alkan, Tiefschwarz, 2 Muitos Dj's, Mandy Idjut Boys, Prins Thomas, Muallem, Who Made Who, Chloe, SASSE aka Freesltyleman, Putch 79 de Girl Crazy, dj Periférico, Télépathique, Lady Eyedealism, Dezperados, Disorder, Rosa rapaz, Zé Pedro Moura, Nelson Flip, Anthony Myllard, Stereo Adiction, para citar apenas alguns

MOSTRA GOURMET DA LÍNGUA PORTUGUESA
De 04 a 15 de junho a Mostra Gourmet FESTLIP será comandada pelo Chef Ray Cardoso do Restaurante 00, que reunirá em um cardápio especial a culinária de cada país da língua portuguesa participante. São eles Angola, Cabo Verde, Moçambique, Portugal e Brasil.

O Restaurante 00 abre para o jantar às 20:30h.
Reservas: 21 2540-8041
Endereço: Rua Padre Leonel Franca, 240 - Gávea
OFICINAS TEATRAIS

AS OFICINAS TEATRAIS PARA OS ATORES PARTICIPANTES, ABERTA PARA ESPECTADORES, ACONTECERÁ DAS 14 ÀS 18 H NO ESPAÇO SESC ARENA.

09 de Junho
Diretor: GILBERTO GAVRONSKI

Nascido em Porto Alegre, Gawronski se despediu da cidade em 1983, com a peça de Caio Fernando Abreu “Pode Ser que Seja só o Leiteiro lá Fora”. No Rio de Janeiro, trabalhou com Naum Alves de Souza em “Aurora de Minha Vida”, com Moacyr Góes em “Sonho de uma Noite de Verão” e “Eduardo II”, e com Tônio Carvalho em “Chapeuzinho Vermelho – Em Busca do Coração Secreto”, pela qual ganhou o Mambembe de melhor ator em 1990. Ainda naquele ano, Gilberto foi assistente de direção de Luiz Antonio Martinez Correa em “Theatro Muzical Brasileiro” e de Naum em “Cenas de Outono” de Mishima e no show “Francisco” de Chico Buarque. Em 1989, dá os primeiros passos para o que seria um dos espetáculos mais marcantes de sua carreira: “Dama da Noite”, de Caio Fernando Abreu. Uma nova versão estreou em 1996 e cumpriu temporada em Lyon, na França com o titulo “Belle de Nuit”. Desde então tem se apresentado em quase todos os estados brasileiros, e no exterior já marcou presença nos palcos de Londres, Sanary-Sur-Mer, Lyon e Nova York. Com este trabalho, ganha Prêmio Sharp de melhor direção em 1998.

Como diretor Gawronski já dirigiu nomes como Betty Faria em “Um caso de vida ou morte” de Eliane May; Eva Todor e Rubens de Falco em “Cartas na mesa”, de Joe Orton; Lucélia Santos em “Ajuda-me a Lembrar”, de Jean Claude Carriére; Reginaldo Faria em “Um caso de Amor”, de David Stevens.

Seus trabalhos mais recentes são como diretor da montagem de “Pode Ser Que Seja Só o Leitero Lá Fora”, nos dez anos de falecimento de seu autor, Caio fernando Abreu e a criação do poeta Torquato Neto em “Artorquato”, espetáculo de Antonio Quinet. Dirigiu a encenação do texto “Campo de Provas”, de Aimar Labaki, que inaugurou o Teatro Solar. O último trabalho foi com “Gaivota”, criação de Enrique Diaz baseada na obra de Tchekhov.

10 de Junho
Diretor: SÉRGIO FERRARA
O diretor Sérgio Ferrara, depois que deixou o CPT (Centro de Pesquisa Teatral) supervisionado pelo diretor Antunes Filho, dirigiu espetáculos como “Antígona” de Sófocles na jornada Sesc de teatro com o ator Paulo Autran, Tarsila de Maria Adelaide Amaral, Barrela e Abajur Lilás de Plínio Marcos, “Mãe Coragem” e seus filhos de Brecht com a atriz Maria Alice Vergueiro. Recebeu o Prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) de melhor diretor pelo espetáculo “Pobre Super-Homem” de Brad Fraser.

Com o ator Raul Cortez realizou a peça “Fica Frio” do dramaturgo Mario Bortoloto e recentemente no seu espetáculo “O Mercador de Veneza” de William Shakespeare, o ator Luis Damasceno recebeu o Prêmio Shell de melhor ator. Em 2005, em parceria com o escritor Ignácio de Loyola Brandão e a artista plástica Maria Bonomi realizou o espetáculo “A Última Viagem” de Borges. Foi diretor convidado da EAD (Escola de Arte Dramática) da USP, onde dirigiu a peça “Vereda da Salvação” de Jorge Andrade. Dirigiu “O Inimigo do Povo” de Henrik Ibsen, em comemoração ao Centenário de morte do dramaturgo norueguês, com o apoio da Embaixada Real da Noruega no Brasil. Juntamente com o Grupo dos SATYROS dirigiu o texto: “A Noite do Aquário” de Sérgio Roveri. Convidado pelo diretor Antunes Filho, em 2007 dirige seu primeiro trabalho para a Televisão. Em parceria com SESCTV, a TV CULTURA abre espaço para os novos tele teatros. Dirige : “O Encontro das Águas, repetindo a parceria com o dramaturgo Sérgio Roveri, premiado como o melhor dramaturgo do ano, pelo Prêmio Shell.

11 de Junho
Diretor: MOACYR GÓES
Natalense, 48 anos, diretor teatral há 28 anos, formado em Artes Cênicas pela UNIRIO, foi professor de interpretação no curso de formação de Ator da Casa das Artes de Laranjeiras (CAL) durante 04 anos e professor do Curso de Pós-Graduação em Teatro da UFRJ..

No teatro dirigiu espetáculos como os “Os justos” de Camus; “A visita da velha senhora” de F. Dürrenmatt, com Tônia Carrero; “Pinóquio” do próprio Moacyr Góes e Amândio Gomes; “Alarmes” de Michael Frayn; “Bonitinha, mas ordinária” de Nélson Rodrigues; “Bispo Jesus do Rosário” de Clara Góes; “Os 7 gatinhos” de Nélson Rodrigues; “Toda nudez será castigada” de Nélson Rodrigues; “Gata em teto de zinco quente” de Tenessee Williams ; “O Presépio de Vieira” de Padre Antonio Vieira;“Divinas Palavras” de Ramon del Valle-Inclan; “Assembléia de mulheres” de Aristófanes; “Cartas portuguesas” de Mariana Alcoforado; “O Doente imaginário” de Moliére; “Gregório” de Clara Góes; “Trilogia Tebana: Édipo Rei e Antígona” de Sófocles; “Eduardo II” de Christopher Marlowe; “Peer Gynt” de Henrique Ibsen; “O livro de Jó” adaptação de Clara Góes; “Epifanias” adaptação de O Sonho de August Strindberg; “Comunicação a uma Academia” de Franz Kafka; “Antígona” de Sófocles, com: Marieta Severo, Ítalo Rossi e “Romeu e Julieta” de Shakespeare, entre muitos outros espetáculos.

Com o elenco da sua Companhia de Encenação Teatral realizou entre 1990 e 1991, “Os gigantes da montanha” de Pirandello; “A escola de bufões” de Michel de Guelderode; “Othelo” de Shakespearer; “A trágica história do Dr Fausto” de Christopher Marlowe; “Baal” de Bertold Bretch e Nosferatu, sinfonia de vida e morte” de Janice Teodoro da Silva.

Dirigiu ainda os espetáculos infantis “Olho de gato” e “Sonho de uma noite de verão” no Teatro Glauce Rocha, RJ em 1995. Na televisão dirigiu na TV GLOBO as novelas “Vale Tudo”; "Laços de Família"; Diretor "Suave Veneno", além de "Malhação".

Moacyr sempre ampliou seus horizontes e deixou marcas também em direção de shows, como de Chico Buarque, Olívia Byington e Elba Ramalho; Óperas, como A “Flauta Mágica”, de W. A. Mozart noTeatro Municipal do Rio de Janeiro sob a Regência de Silvio Barbato e grandes eventos como o Projeto Aquarius.
No cinema em 2003, além da estréia com “Dom”, consolidou sua parceria com o produtor Diler Trindade dirigindo mais dois longas-metragens: “Maria - A mãe do filho de Deus”, com padre Marcelo Rossi no elenco, e “Xuxa Abracadabra”, totalizando três longas-metragens dirigidos em um mesmo ano. A parceria com Diler continuou em seus filmes seguintes: “Irmãos de fé “(2004), novamente um projeto com padre Marcelo, “Um show de verão” (2004), com Angélica e Luciano Huck, “Xuxa e o tesouro da cidade perdida” (2004), “Xuxinha e Guto contra os monstros do espaço” (2005), de Clewerson Saremba, onde dirigiu o núcleo live action, e “Trair e coçar é só começar” (2006), adaptação de peça de sucesso escrita por Marcos Caruso. Em 2007, lança “O homem que desafiou o diabo”, com produção de Luis Carlos Barreto. Seus próximos projetos são “Iracema”, “Bonitinha mas ordinária”, baseado na obra de Nelson Rodrigues, e “Um amor do outro lado do mundo”.

Dentre os diversos prêmios que conquistou durante sua trajetória estão:
Prêmio Shell
1993 – Melhor diretor por “Antígona”
1990 – Melhor diretor por “A escola de bufões”
1988 – Melhor diretor por “Baal”
Prêmio Moliere
1990 – Melhor diretor por “A escola de bufões”
1988 – Melhor diretor por “Baal”
Prêmio Fundacen
1989 – 05 melhores espetáculos por “Fausto”
1988 –0 5 melhores espetáculos por “Baal”
Troféu Mambembe
1985 – Melhor diretor infantil por “Olho de gato” e
“Sonho de uma noite de verão”
Prêmio Cultura Inglesa de Teatro
1999 – Melhor diretor por “Gata em teto de zinco quente”
Por Ricardo Riso