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domingo, 30 de junho de 2013

Conceição Lima - Canto obscuro da memória (A Nação)


Canto obscuro da memória
Ricardo Riso
Resenha publicada no semanário cabo-verdiano A Nação, n. 283, de 31 de janeiro de 2013, p. E14
Os agentes das literaturas africanas de língua portuguesa revisitam fatos, reconstroem acontecimentos, desvelam personagens rasurados pelos anos de colonização e de uma história escrita por um discurso hegemônico alheio aos interesses dos colonizados. Com o advento das independências em meados dos anos 1970, essas literaturas passaram a desenvolver releituras até então silenciadas nos tempos de antanho. O direito a significar mencionado por Homi Bhabha passa a ser exercido e o texto literário transforma-se no espaço para tensionar os apagamentos do passado, oferecendo a possibilidade do direito à memória àquelas vozes que deveriam sair da subalternidade.
Evidente que em uma “nova” ordem a disputa de poder permanece e outras negociações são realizadas. O ensaísta uruguaio Hugo Achugar destaca que o ato de narrar não é só para quem quer, mas de quem sabe e possui o direito ao relato, de escolher e decidir na tensão entre o esquecimento e a memória. Nesse sentido, quando as instâncias de poder são controladas por homens a voz feminina permanece excluída. Por isso, que ressaltamos o enorme interesse nas literaturas produzidas por mulheres, principalmente negras, pois são as vozes que sofrem maior silenciamento.
A obra poética da são-tomense Conceição Lima (1961) remexe incômodos do passado, estremece a inércia do presente, inquieta e pressiona para possibilidades de leituras diversificadas para o futuro por meio de sua linguagem contradiscursiva. Substanciada na condição feminina, os poemas de São Lima – como é carinhosamente conhecida – abordam diversos aspectos que angustiam seus conterrâneos e todos que se indignam com as injustiças impostas aos negros entre outras minorias. Seu livro “A dolorosa raiz do Micondó” (2011, 2ª ed.), o 2º de três obras, revela o quanto a poesia feita com esmero pode surpreender e agraciar aos sentidos indiferentes. Para isso, destaco o longo poema “Canto obscuro às raízes”.
Neste poema, o sujeito poético trata com habilidade um drama para os negros da diáspora: a origem de seus antepassados africanos. Assim, inspira-se na obra do escritor afro-americano Alex Haley, autor de “Raízes”, que narra a obsessiva recolha para reconstruir o caminho feito por seu antepassado forçosamente retirado da África no século XVII e escravizado nos EUA, “que ao olvido dos arquivos/ e à memória dos griots Mandinga/ resgatou o caminho para Juffure,/ a aldeia de Kunta Kinte –/ seu último avô africano/ primeiro na América”.
Porém, como percorrer esse caminho de retorno? Apesar de impor o seu direito à voz, “eu, a que agora fala”, o sujeito poético transparece a agonia diante da impossibilidade de reconstruir o percurso de seus antepassados, “não encontrei em Libreville o caminho para Juffure.// Perdi-me na linearidade das fronteiras”. Entretanto, ainda que os versos chamem atenção para a incompletude do ser negro, isso revela a necessidade de negociar a homogeneização autoritária das narrativas identitárias e das nações que ocultam o passado dos negros escravizados. É o que Stuart Hall assinala como enormes esforços empreendidos para a reconstrução das rotas fragmentárias e tornar o invisível visível. “[E]ncontrei em ti, Libreville, o injusto património a que chamo casa”, revela a memória fragmentada nessa arena de disputa permanente.

É com a emergência desses novos atores sociais que a poesia de Conceição Lima contribui para combater o esquecimento imposto pelo discurso dominante: “Eu, a peregrina que não encontrou o caminho para Juffure/ Eu, a nómada que regressará sempre a Juffure”. A insistência do sujeito poético mostra que a impossibilidade de reconstruir a origem da população negra na diáspora foi fruto do descaso da elite hegemônica branca. Não medir esforços para resgatar esses trajetos é colaborar com esse esquecimento imposto, negando histórias plurais ainda silenciadas pela manutenção da obscuridade das diferenças, tanto no Brasil quanto em Cabo Verde, Argentina, Cuba, São Tomé e Príncipe...

quinta-feira, 15 de julho de 2010

FESTLIP 2010 - programação

Festival de Teatro da Língua Portuguesa

TEATRO SESC GINÁSTICO


15/07 {quinta-feira} 19h
AGOSTO - CONTOS DA EMIGRAÇÃO
GRUPO DE AÇÃO TEATRAL A BARRACA / Portugal

16/07 {sexta-feira} 19h
AGOSTO - CONTOS DA EMIGRAÇÃO
GRUPO DE AÇÃO TEATRAL A BARRACA / Portugal

17/07 {sábado} 19h
4’30”
GRUPO MIRANGENS TEATRO /Angola

18/07 {domingo} 19h
A DEMISSÃO DO SÔ MINISTRO
COMPANHIA DE TEATRO GUNGU / Moçambique

22/07 {quinta-feira} 19h
A DEMISSÃO DO SÔ MINISTRO
COMPANHIA DE TEATRO GUNGU / Moçambique

23/07 {sexta-feira} 19h
4’30”
GRUPO MIRANGENS TEATRO /Angola

24/07 {sábado} 19h
AGOSTO - CONTOS DA EMIGRAÇÃO
GRUPO DE AÇÃO TEATRAL A BARRACA / Portugal

25/07 {domingo} 19h
A DEMISSÃO DO SÔ MINISTRO
COMPANHIA DE TEATRO GUNGU / Moçambique


SESC CASA DA GÁVEA

15/07 {quinta-feira} 19h e 21h
DRUMMOND 04 TEMPOS
CIA DE TEATRO NOVO ATO / Brasil

16/07 {sexta-feira} 19h e 21h
ANDROGÍNIA
GRUPO DE TEATRO DO CENTRO CULTURAL DE MINDELO / Cabo Verde

17/07 {sábado} 19h e 21h
FILHAS DA MÃE - FANTASIAS ERÓTICAS DAS MULHERES PORTUGUESAS
BINÓLOGOS / Portugal

18/07 {domingo} 19h e 21h
FILHAS DA MÃE - FANTASIAS ERÓTICAS DAS MULHERES PORTUGUESAS
BINÓLOGOS / Portugal

22/07 {quinta-feira} 19h e 21h
FILHAS DA MÃE - FANTASIAS ERÓTICAS DAS MULHERES PORTUGUESAS
BINÓLOGOS / Portugal

23/07 {sexta-feira} 19h e 21h
DRUMMOND 04 TEMPOS
CIA DE TEATRO NOVO ATO / Brasil

24/07 {sábado} 19h e 21h
ANDROGÍNIA
GRUPO DE TEATRO DO CENTRO CULTURAL DE MINDELO / Cabo Verde

25/07 {domingo} 19h e 21h
DRUMMOND 04 TEMPOS
CIA DE TEATRO NOVO ATO / Brasil


TEATRO NELSON RODRIGUES

15/07 {quinta-feira} 19:30h
FERRO EM BRASA
GRUPO OS FOFOS ENCENAM / Brasil

16/07 {sexta-feira} 19:30h
SÓ CHEIRA BORRACHA
COMPANHIA DE TEATRO KUDUMBA / Moçambique

17/07 {sábado} 19:30h
CHOVEM AMORES NA RUA DO MATADOR
GRUPO TRIGO LIMPO TEATRO – ACERT / Portugal

18/07 {domingo} 19:30h
CHOVEM AMORES NA RUA DO MATADOR
GRUPO TRIGO LIMPO TEATRO – ACERT / Portugal

22/07 {quinta-feira} 19:30h
CHOVEM AMORES NA RUA DO MATADOR
GRUPO TRIGO LIMPO TEATRO – ACERT / Portugal

23/07 {sexta-feira} 19:30h
SÓ CHEIRA BORRACHA
COMPANHIA DE TEATRO KUDUMBA / Moçambique

24/07 {sábado} 19:30h
FERRO EM BRASA
GRUPO OS FOFOS ENCENAM / Brasil

25/07 {domingo} 19:30h
FERRO EM BRASA
GRUPO OS FOFOS ENCENAM / Brasil


TEATRO SESC TIJUCA

15/07 {quinta-feira} 20h
O PAGADOR DE PROMESSAS
GRUPO TEATRAL FÔLÔ BLAGI / São Tomé e Príncipe

16/07 {sexta-feira} 20h
SARAMAU
GRUPO ARTE LOROSAE / Timor Leste

17/07 {sábado} 20h
OLÍMIAS
COMPANHIA DE TEATRO DADAÍSMO / Angola

18/07 {domingo} 20h
OLÍMIAS
COMPANHIA DE TEATRO DADAÍSMO / Angola

22/07 {quinta-feira} 20h
OLÍMIAS
COMPANHIA DE TEATRO DADAÍSMO / Angola

23/07 {sexta-feira} 20h
SARAMAU
GRUPO ARTE LOROSAE / Timor Leste

24/07 {sábado} 20h
O PAGADOR DE PROMESSAS
GRUPO TEATRAL FÔLÔ BLAGI / São Tomé e Príncipe

25/07 {domingo} 20h
O PAGADOR DE PROMESSAS
GRUPO TEATRAL FÔLÔ BLAGI / São Tomé e Príncipe


ESPAÇO SESC TEATRO ARENA

15/07 {quinta-feira} 21h
MARIA RITUAL DAS PARIDEIRAS
GTO - GRUPO DE TEATRO DO OPRIMIDO / Guiné Bissau

16/07 {sexta-feira} 21h
CONTOS EM VIAGEM - CABO VERDE
TEATRO MERIDIONAL / Portugal

17/07 {sábado} 21h
A MULHER QUE RI
GRUPO BARRACÃO CULTURAL / Brasil

18/07 {domingo} 19:30h
A MULHER QUE RI
GRUPO BARRACÃO CULTURAL / Brasil

22/07 {quinta-feira} 21h
A MULHER QUE RI
GRUPO BARRACÃO CULTURAL / Brasil

23/07 {sexta-feira} 21h
MARIA RITUAL DAS PARIDEIRAS
GTO - GRUPO DE TEATRO DO OPRIMIDO / Guiné Bissau

24/07 {sábado} 21h
CONTOS EM VIAGEM - CABO VERDE
TEATRO MERIDIONAL / Portugal

25/07 {domingo}19:30h
CONTOS EM VIAGEM - CABO VERDE
TEATRO MERIDIONAL / Portugal

Fonte: http://www.talu.com.br/festlip/index.html

terça-feira, 25 de maio de 2010

Francisco José Tenreiro - Fragmento Blues, Dia da África 3

FRAGMENTO DE BLUES

(A Langston Hughes)

Vem até mim
nesta noite de vendaval na Europa
pela voz solitária de um trompete
toda a melancolia das noites de Geórgia;
oh! mamie oh! mamie
embala o teu menino
oh! mamie oh! mamie
olha o mundo roubando o teu menino.

Vem até mim
ao cair da tristeza no meu coração
a tua voz de negrinha doce
quebrando-se ao som grave dum piano
tocando em Harlem:
– Oh! King Joe
King Joe
Joe Louis bateau Buddy Baer
E Harlem abriu-se num sorriso branco
Nestas noites de vendaval na Europa
Count Basie toca para mim
e ritmos negros da América
encharcam meu coração;
– ah! ritmos negros da América
encharcam meu coração!

E se ainda fico triste
Langston Hughes e Countee Cullen
Vêm até mim
Cantando o poema do novo dia
– ai! os negros não morrem
nem nunca morrerão!

...logo com eles quero cantar
logo com eles quero lutar
– ai! os negros não morrem nem
nem nunca morrerão!

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_africana/s_tome_princepe/francisco_jose_tenreiro.html

quarta-feira, 3 de junho de 2009

II Ciclo de Colóquios-Curso Internacionais em “Literaturas Africanas de Língua Portuguesa” – 2009

II Ciclo de Colóquios-Curso Internacionais em
“Literaturas Africanas de Língua Portuguesa” – 2009
Colóquio-Curso Internacional em Literaturas de Cabo Verde,
Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe
Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra

19 e 20 de Junho, Sala de Seminários CES


PROGRAMA

Dia 19 de Junho
10h00
Pires Laranjeira (Universidade de Coimbra)
“A emergência do negro e do feminino literários nas pequenas comunidades crioulas”

Odete Semedo (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa)
“Revisitar os escritos guineenses: a (re)criação de vozes na poesia e nos cantos”

12h30 Almoço

14h30
Inocência Mata (Universidade de Lisboa)
“Um laboratório de viventes: Deslocamentos, veredas, antinomias e errâncias na literatura
são-tomense”

Sílvio Renato Jorge (Universidade Federal Fluminense)
“Palavra, memória e política na poesia de Conceição Lima”

Dia 20 de Junho
10h00
Simone Caputo Gomes (Universidade de São Paulo)
“Cabo Verde e as pérolas do Atlântico: literatura e património cultural”

Joana Passos (Universidade do Minho)
“Dói-me que a folha em branco/ não exija nada”: a escrita de Dina Salústio como literatura comprometida

Livia Apa (Universidade de Napoli l’Orientale)
“Dentro/Fora Cabo Verde: escritas das diásporas caboverdianas”

12h30 Almoço

14H30
Mesa de Escritores: Conversa com Dina Salústio, Joaquim Arena, Odete Semedo e Tomaz Medeiros.

ORGANIZAÇÃO:
Margarida Calafate Ribeiro (Centro de Estudos Sociais)
Silvio Renato Jorge (Universidade Federal Fluminense)

INSCRIÇÕES:
www.ces.uc.pt/coloquios_litafricanas2/

INFORMAÇÕES:
http://www.ces.uc.pt/coloquios_litafricanas2/

Fonte: e-mail gentilmente enviado pela Sra. Helia Santos às 06:56, 03/06/2009.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

A outra margem: Mostra de Fotografia no Simpósio Brasil-África de Ensino Superior



Melhores informações em:
http://simposiobrasilafrica.wordpress.com/2009/03/18/simposio-brasil-africa/


Fonte: e-mail enviado por Paula Santana, curadora da Mostra, em 13/04/2009.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ricardo Riso: palestra no SESC/Engenho de Dentro

No dia 06/11, fui convidado para ministrar uma palestra no SESC/Engenho de Dentro que antecederia a peça "O Auto da Escrava Anástácia", da companhia Nossa Senhora do Teatro - http://www.nossasenhoradoteatro.com/ -, dirigida por Ricardo Andrade Vassílievitch, com pesquisa histórica realizada pela minha amiga Nágila Santos, editora da revista acadêmica, África e Africanidades - http://www.africaeafricanidades.com/ .

Para esta ocasião, escolhi como o tema a figura do contratado nas lavouras de São Tomé e Príncipe: as mazelas sofridas, angústia, evasão, revolta, identificação com a nova terra. Selecionei poemas de Angola (Agostinho Neto), Cabo Verde (Ovídio Martins) e São Tomé e Príncipe (Conceição Lima), procurando fazer um contraponto com a denúncia durante o período colonial em Neto e Martins, e o revisionismo proposto por Lima no pós-independência. Assim sendo, o título para a palestra foi: "Representação dos Contratados em São Tomé e Príncipe na poesia de Agostinho Neto, Ovídio Martins e Conceição Lima".

Foi uma experiência interessante, pois deparei-me com um público heterogêneo e fora do meio acadêmico.

Agradeço à Nágila e ao Ricardo Andrade pela oportunidade.

Abraços,
Ricardo Riso

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

III Encontro de Professores de Literaturas Africanas – Pensando África: Crítica, Ensino e Pesquisa

Divulgada a programação do III Encontro de Professores de Literaturas Africanas – Pensando África: Crítica, Ensino e Pesquisa. Nomes importantes dos cinco países africanos estarão presentes como Luandino Vieira, Manuel Rui, João Melo, Luis Carlos Patraquim, Nelson Saúte, Ondjaki, Vera Duarte, Paula Tavares, Odete Semedo, Ana Mafalda Leite e outros mais. Além de professores e críticos: Russel Hamilton, Pires Laranjeira, Terezinha Taborda, Marli Fantini...

A seguir os links do evento:
Programação:
http://www.letras.ufrj.br/pensandoafrica/index.php?option=com_content&task=view&id=12&Itemid=20


Página inicial:
www.letras.ufrj.br/pensandoafrica

No dia 22/11/2007, às 13h, Prédio da Faculdade de Letras (Ilha do Fundão), apresentarei minha comunicação.
MESA 35
LOCAL: sala H 311
COORDENADORA: Viviane Mendes de Moraes (UFRJ)
Viviane Mendes de Moraes (UFRJ) - Guita Jr. e Manuela Cruz: memórias, sonhos e incertezas moçambicanas
Fábio Santana Pessanha (UFRJ) - Geogonia de Duarte Galvão
Ricardo Silva Ramos de Souza (UFRJ) - Letras e desenhos encarcerados: a reclusão libertadora na arte de José Craveirinha e Malangatana Valente

Aqui, mais uma vez exponho meus agradecimentos especialíssimos à Profa. Dra. Norma Lima, por ter me inserido nas Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, à Profa. Dra. Carmen Lucia Tindó Ribeiro Secco, pelos livros, e-mails, convites para defesas de teses, aulas e para ministrar palestras, à Profa. Dra. Maria Teresa Salgado, à Profa. Dra. Simone Caputo Gomes. Aos professores e amigos Claudia, Cláudio Capuano, Gisela, Silvinha, Lygia Santos, Fernanda, Lucia Matos, Rosemary Granja, Cláudia Breviário, Stowasser, Mauricio do Carmo, Sabrina, Iasmin, Cristina e tantos outros (a lista é grande!) que me apoiaram até hoje. Toda a força do mundo! Sempre!