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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Carlos Lopes: Desafios contemporâneos da África - O legado de Amílcar Cabral


Desafios contemporâneos da África
O legado de Amílcar Cabral
Lopes, Carlos

ISBN: 9788539302291
Assunto: História
Idioma: Português
Formato: 14 x 21
Páginas: 216
Edição: 1ª
Ano: 2012
Acabamento: Brochura
Peso: 270g


Sinopse

Este livro, constituído de um conjunto de artigos escritos pelos principais especialistas na obra de Amilcar Cabral, é um convite à reflexão sobre a complexa situação do continente africano. Mas por que voltar ao pensador e revolucionário morto em 1973? A resposta está na importância de sua obra, a qual abre caminhos para compreender a situação atual da África, que se livrou do colonialismo, mas mergulhou em infindáveis lutas armadas sem ideologia que não podem dar respostas a seus problemas políticos, sociais e econômicos. “É justamente esta a razão pela qual é tão oportuno que aqueles que admiram Cabral paguem a ele o tributo de se aprofundar na difícil trilha da compreensão dos fenômenos atuais”, escreve o guineense Carlos Lopes organizador deste livro.
Tal compreensão passa pela obra desse pensador, considerado um dos mais inovadores e criativos já nascidos na África e um herói da emancipação do continente – Cabral foi fundador e líder do movimento de independência na Guiné-Bissau e Cabo Verde e um ativo participante da luta armada contra o colonialismo português nos anos 1970.

Cada um dos artigos reunidos neste livro reflete um ângulo diferente da obra do pensador. A apresentação, escrita por Peter Karibe Mendy, enfoca a situação da Guiné-Bissau colônia, que levou Cabral e seus camaradas a ingressarem na luta armada pela libertação dos guineenses e também dos cabo-verdianos. AlexisWick, Lars Rudebecke Ibrahim Abdullahfalam de sua originalidade ao tratar conceitos complexos com simplicidade e pragmatismo. Georges Nzongola-Ntalaja, John Fobajonge Carlos Lopes concentram-se na relevância das formulações de Cabral para a compreensão de dilemas persistentes, como a construção do Estado, o pan-africanismo e as dimensões éticas. Já Abebe Zegeyeaborda as ideias do intelectual sobre cultura num texto sobre sua influência na literatura africana.

Esta obra é, enfim, uma grande fonte de informações sobre o pensamento e a personalidade de Amílcar Cabral, que contribuiu de modo expressivo e definitivo para o processo que culminaria na independência das colônias portuguesas na África e representa uma chave para a compreensão daquele continente nos dias atuais.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

ÁFRICA BRASIL II ENCONTRO INTERNACIONAL DE LITERATURAS, HISTÓRIAS E CULTURAS AFRO-BRASILEIRAS E AFRICANAS

ÁFRICA BRASIL II ENCONTRO INTERNACIONAL DE LITERATURAS, HISTÓRIAS E CULTURAS AFRO-BRASILEIRAS E AFRICANAS: Memória e Construções Literárias, organizado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Afro e o Mestrado em Letas da UESPI - Universidade Estadual do Piauí, que acontecerá de 15 a 18 de novembro deste ano, em Teresina - Piauí - Brasil

Nesses tempos de diálogo entre diferentes povos e nações, o objetivo do II ENCONTRO INTERNACIONAL DE LITERATURAS, HISTÓRIAS E CULTURAS AFRO-BRASILEIRAS E AFRICANAS DA UESPI é estabelecer intercâmbios dos saberes regional, nacional e internacional por meio da investigação científica e da interdisciplinaridade. O reconhecimento da história e do valor da cultura dos afro-descendentes e africanos pelo próprio negro e pelo não-negro desloca preconceitos e estereótipos elaborados ao longo de vários séculos de escravidão e desrespeito à humanidade dos povos colonizados pelo Ocidente. O nosso objetivo é promover um estudo sob a ótica da pluralidade, do respeito à diferença, visando ao intercâmbio, à troca de experiências através da transmissão de conhecimentos e conteúdos disciplinares atualizados nas áreas de Literatura, História e Cultura Afro-Brasileira, Africana, Indígena e Gênero.

DATA: 15.11 – TERÇA-FEIRA
14h Credenciamento
18h Abertura oficial do evento
18h30 Conferência de Abertura: Literatura Afro-Brasileira
Prof. Dr. Eduardo Assis Duarte - UFMG
20h Atividade Cultural
Coquetel
Lançamento de Livros – Salão do Livro Universitário – SALIU

DATA: 16.11 – QUARTA-FEIRA
8h Conferência: Toni Morrison: escrita dupla e memória negra
Prof. Dr. Roland Walter - UFPE
9h40 Coffee Break
10h Mesa Redonda: Literatura Africana Contemporânea
Profa. Dra. Maria Anória J. Oliveira – UNEB
Profa. Dra. Maria Elvira Brito Campos – UFPI
Prof. Dr. Amarino Queiroz – UFRN
Profa. Dra. Marly Gondim – UESPI
Profa. Dra. Tânia Lima – UFRN
Mediadora: Profa. Dra. Raimunda Celestina - UESPI
14h MINICURSOS
18h30 Conferência: E nós afrodescendentes: quem somos nós?
Prof. Dr. Francis Musa Boakari - UFPI (Príncipe de Serra Leoa)
20h Lançamento de Livros – Salão do Livro Universitário – SALIU

DATA: 17.11 – QUINTA-FEIRA
8h Conferência: O poder da identidade negra na poesia de Carlos de Assumpção
Prof. Dr. Luiz Silva (Cuti) – escritor dos Cadernos Negros e crítico literário – São Paulo
9h40 Coffee Break
10h Mesa Redonda: O Ensino da História e da Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena (Leis 10.639/2003 e 11.645/2008): ensino e perspectivas
Profa. Viviane Fernandes Farias – representante do MEC
Profa. Dra. Ana Beatriz Sousa Gomes – UFPI
Prof. Dr. José da Cruz Bispo de Miranda – UESPI
Profa. Dra. Francisca Lúcia de Lima - UESPI/PREX
Mediadora: Profa. Dra. Maria do Socorro Baptista Barbosa - UESPI
14h COMUNICAÇÕES
18h30 MESA REDONDA DE ESCRITORES NEGROS
Cuti (Luiz Silva) – São Paulo
Elio Ferreira – Teresina
Henrique Cunha Júnior – Fortaleza
Miriam Alves – São Paulo
Ruimar Batista – Teresina
Tânia Lima – Currais Novos – Rio Grande do Norte
Mediador: Prof. Dr. Feliciano José Bezerra Filho - UESPI
19h30 Homenagem ao escritor Júlio Romão da Silva
Apresentação: Prof. Dr. Elio Ferreira de Souza – UESPI
Júlio Romão da Silva – Teresina (Escritor homenageado)
20h30 Apresentação do filme: Júlio Romão da Silva: um negro vencedor
Direção: Ací Campelo
21h Lançamento de Livros – Salão do Livro Universitário – SALIU
 
DIA 18/11 - SEXTA-FEIRA
8h Conferência: Os africanos escravizados no Brasil sabiam ler: aporte da história africana para a história brasileira
Prof. Dr. Henrique Cunha Júnior - UFC
9h40 Coffee Break
10h Mesa Redonda: Rebeliões negras e indígenas no Piauí
Prof. Dr. Solimar Lima – UFPI
Prof. Dr. Alcebíades Costa Filho – UESPI
Profa. Dra. Claudete Dias – UFPI
Profa. Dra. Wilma Carvalho – UESPI
Mediador: Prof. Dr. João Júnior - UESPI
14h Mesa Redonda: Literatura afro-descendente: identidade e gênero
Profa. Dra. Algemira de Macedo Mendes – UESPI
Profa. MSc. Assunção de Maria Sousa e Silva – UESPI
Miriam Alves – Escritora dos Cadernos Negros e crítica literária – São Paulo
Prof. Dr. Sebastião Alves Teixeira Lopes – UFPI
Mediadora: Profa. Dra. Maria do Socorro Rios Magalhães
16h Mesa Redonda: Religiões de matriz africana e relatos de experiência
Profa. Dra. Francisca Verônica Cavalcante – UFPI
Prof. Dr. Robson Rogério Cruz – UFPI
Babalorixá Oscar de Oxalá
Alíria Wiuíra Benício de Carvalho – indígena da nação Guajajara – graduada em Letras e pesquisadora do NEPA
Mediadora: Profa. Dra. Stela Maria Viana Lima Brito – UESPI
18h Conferência de encerramento::Cibernética e equação dos búzios: do Egito à contemporaneidade
Prof. Dr. Múleka Ditoka Wa Kalenga – República do Congo
20h Lançamento de Livros – Salão do Livro Universitário – SALIU
Atividades culturais
 
 
Fonte: e-mail gentilmente enviado pelo Prof. Dr. Amarino Queiroz (UFRN) em 20/10/2011.

domingo, 16 de outubro de 2011

Oráfrica: revista de oralidad africana - CONVOCATÓRIA PARA ARTIGOS

Oráfrica: revista de oralidad africana - CONVOCATÓRIA PARA ARTIGOS


Encontra-se em preparação a publicação do número 8 da revista ORÁFRICA: REVISTA DE ORALIDAD AFRICANA, pelo que convidamos os professores, investigadores e outras pessoas interessadas a redigir artigos relacionados com qualquer aspeto oral das culturas africanas, assim como recensões bibliográficas sobre o mesmo tema. A publicação da revista está prevista para Abril de 2012. Os artigos deverão ser enviados sob forma eletrónica para o endereço orafrica@ceiba.cat antes de 31 de Dezembro de 2011.
Os textos deverão ser apresentados em formato Word, utilizando preferentemente o tipo de letra Times New Roman de tamanho 11, com espaçamento simples e texto justificado sem indentações.
Na primeira página, deverá ser incluído o nome do autor (tal como quer que conste), o título do artigo e a instituição (ou a menção que queira fazer constar).
Deverá ser enviado igualmente um resumo do artigo (máximo 10 linhas) iniciado por uma breve apresentação do autor (2 linhas), em espanhol e em inglês.
A extensão máxima dos artigos é de 25 páginas.
As recensões bibliográficas seguem os mesmos critérios formais. Não deverão incluir notas e a sua extensão máxima é de 3 páginas.
A revista ORÁFRICA publica-se em catalão, espanhol, francês, inglês e português. Os artigos apresentados em outras línguas serão traduzidos livremente pelo conselho editorial da revista.

CALL FOR PAPERS
We are preparing the number 8 of the Review Orafrica: Revista de Oralidad Africana and we want to invite to professors, lecturers, researchers and other persons to write articles about any oral subject of African cultures and also critics of recent books published. The publication of the number 3 will be in April of 2012. The articles must be sent by internet to the electronic address orafrica@ceiba.cat before 31 of December of 2011.
The articles must be presented in Word, using Times New Roman 11 points, with simple interlineal, text justified, and no indentation.
In the page of the title must appear the name of the author, the title of the article, and the Institution.
Must be sent too an abstract of the article (10 lines) and a brief presentation of the author (2 lines), in Spanish and English.
The maximum extension of the articles is 25 pages.
The critics of bibliography must be the same criteria. They cannot incorporate footnotes. The maximum extension is 3 pages.
Orafrica is published in Catalan, Spanish, French, Portuguese and English. The articles presented in other languages will be translated freely by the Review.

APPEL À COLLABORATION
En prévision de la publication du nº 8 de la revue ORÁFRICA : REVISTA DE ORALIDAD AFRICANA, nous invitons aux professeurs, chercheurs et autres personnes intéressées à rédiger des articles en rapport avec tout aspect oral des cultures africaines, ainsi qu’à rédiger des recensions bibliographiques du même sujet. La publication de la revue est prévue pour le mois d’avril 2012. Les articles doivent être envoyés par voie télématique à notre direction électronique (orafrica@ceiba.cat) avant le 31 décembre 2011.
Les textes doivent être présentés en format Word, en utilisant, de préférence, Times New Roman de 11 pt., avec interligne simple.
Il faut ajouter, dans la page du titre, le nom de l’auteur (de la façon dont on veut qu’il apparaisse), le titre de l’article et l’Institution d’origine (ou la mention que l’on veuille faire figurer).
Il faut ajouter aussi un bref résumé de l’article (10 lignes) entamé par une brève présentation de l’auteur (2 lignes), en Espagnol et en Anglais.
L’extension maximale des articles est de 25 pages.
Les recensions bibliographiques suivront les mêmes critères formels. Celles-ci ne doivent pas porter des notes, et son extension maximale sera de 3 pages.
ORÁFRICA est publiée en Catalan, Espagnol, Français, Anglais et Portugais. Les articles présentés dans d’autres langues seront librement traduits par la revue.

CONVOCATORIA PARA LA PUBLICACIÓN DE ARTÍCULOS
En previsión de la publicación del número 8 de la revista ORÁFRICA: REVISTA DE ORALIDAD AFRICANA, invitamos a los profesores, investigadores y otras personas interesadas a redactar artículos relacionados con cualquier aspecto oral de las culturas africanas, así como recensiones bibliográficas del mismo tema. La publicación de la revista está prevista para el mes de abril de 2012. Los artículos deben enviarse por vía telemática a la dirección electrónica orafrica@ceiba.cat antes del 31 de diciembre de 2011.
Los textos deben presentarse en formato Word, utilizando preferentemente el tipo de letra Times New Roman de 11 pt., con interlineado sencillo y texto justificado y sin sangrías.
En la página de título debe constar el nombre del autor (tal como se quiere que conste, el título del artículo y la Institución de origen (o la mención que se quiera hacer constar).
Se adjuntará un breve resumen del artículo (10 líneas) iniciado por una breve presentación del autor (2 líneas), en español y en inglés.
La extensión máxima de los artículos es de 25 páginas.
Las recensiones bibliográficas seguirán los mismos criterios formales. No deben llevar notas, y su extensión máxima será de 3 páginas.
ORÁFRICA se publica en catalán, español, francés, inglés y portugués. Los artículos presentados en otras lenguas serán traducidos libremente por la revista.

Fonte: Dá Fala

domingo, 9 de outubro de 2011

II Encontro Internacional de Literaturas, Histórias e Culturas Afro-Brasileiras e Africanas – NEPA/UESPI

INSCRIÇÕES PRORROGADAS ATÉ 30 DE OUTUBRO!

Encontro internacional de literatura africana e afro-brasileira abre inscrições - PI


O evento será realizado de 15 a 18 de novembro no Campus Poeta Torquato Neto

O Núcleo de Estudos e Pesquisas Afro, do Centro de Ciências Humanas e Letras (NEPA/CCHL), da Universidade Estadual do Piauí (Uespi), receberá até o dia 30 de outubro de 2011, por meio do site http://nepauespi.wordpress.com/ , as inscrições referentes ao II Encontro Internacional de Literaturas, Histórias e Culturas Afro-Brasileiras e Africanas – ÁFRICA BRASIL, que será realizado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Afro – NEPA e o Mestrado Acadêmico da Uespi. O evento será realizado em Teresina – Piauí, de 15 a 18 de novembro de 2011, no Campus Poeta Torquato Neto.

O encontro terá o objetivo de reunir pesquisadores do Brasil e de países africanos em torno do debate sobre a Literatura, a História e a Cultura de matriz africana, trazendo à tona o discurso pós-colonial dos povos da Diáspora. Mesas-redondas, conferências, minicursos, comunicações e simpósios temáticos serão as formas a partir das quais direcionaremos os debates propostos pela temática desse evento: memória e construções literárias. A programação é formada por minicursos, mesas-redondas, conferências, comunicações, lançamento de livros e atividades culturais.

As atividades acadêmicas serão abertas pelo Prof. Dr. Eduardo Assis Duarte, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que falará sobre “Literatura Afro-Brasileira”. Em outra conferência, o Prof. Dr. Henrique Cunha Júnior, da Universidade Federal do Ceará (UFC), discorrerá sobre “Os africanos escravizados no Brasil sabiam ler: aportes da história africana para a história brasileira”. O Prof. Dr. Múleka Dítoka Wa Kalenga, da República Democrática do Congo, encerrará a sequência de conferências ministrando: “A Cibernética e equação dos búzios: do Egito à Contemporaneidade”.

As mesas-redondas prometem discussões sobre diversas temáticas que dizem respeito à literatura africana e afro-brasileira, por exemplo: “Religiões Negras e Indígenas no Piauí”, a ser debatida pelos professores: Prof. Dr. Solimas Lima (UFPI), Prof. Dr. Alcebíades Costa Filho (Uespi), Profa. Dra. Claudete Dias (UFPI), Prof. Dr. João Júnior – (Uespi), Profa. Dra. Algemira de Macedo Mendes (Uespi) e Profa. MSc. Assunção de Maria Sousa e Silva (Uespi).

O Prof. Dr. Élio Ferreira, da comissão organizadora, informa que o evento é aberto a todos da sociedade que estudam a temática. Ele lembra, ainda, que as vagas são limitadas, principalmente as referentes aos minicursos. “Os interessados precisam se inscrever o quanto antes. Todas as participações terão direito a certificação emitida pela Pró-Reitoria de Extensão da Uespi”, afirma o professor.
 
FONTE: http://fazervaleralei.blogspot.com/

quinta-feira, 10 de março de 2011

III Festival Alagoano das Palavras Pretas





III Festival Alagoano das Palavras Pretas acontece em 21 de março.*
Arísia Barros


A 3ª edição do Festival Alagoano das Palavras Pretas acontece no Dia Internacional de Luta Contra o Racismo, o 21 de março, como um prosseguimento da experiência de plantar espaços mais amplos e democráticos, para a palavra despir-se da roupagem convencional, invadindo continentes alheios ao nosso conhecimento cotidiano, criando sinergias, articulando as muitas e diversas gentes que gostam de gostar da emoção do encontro com poesia.
Será mais uma noite especialmente poética de uma segunda-feira, 21 de março, com o cheiro e sabor das palavras despindo as amarras: “minha-mãe-não-deixa-não”, rasgando alguns silêncios sociais.
III Festival Alagoano das Palavras Pretas conta com o “apadrinhamento artístico” do ator e militante do movimento negro, Milton Gonçalves e experimenta algo novo.
O novo assusta?
O Festival tem a intenção de criar uma maior intimidade com os diversos mundos existentes na palavra-poesia. Mundos que quebram barreiras,promovem a abolição de códigos caducos, racistas e sexistas, renovam a arte de poetar.
Mundos que propõem formas alternativas de “pensar” o racismo brasileiro, potencializando a diversidade de poemas africanos e afro-brasileiros ou de gente que escreve sobre a questão afro alagoana ou brasileira.
Quantos poemas africanos ou afro-brasileiros você conhece?
Ficou na dúvida? Pois é, está aí um momento ímpar para conhecê-los.
Como estamos em março o III Festival Alagoano das Palavras Pretas terá o sugestivo título de “Palavras com Cor e Gênero” e nesta noite a grande protagonista é a mulher que cerze o verbo, bordando histórias de determinação, possibilidades, oportunidades, continuidade...
Poetisas que em seu lugar e tempo, são marcos de referência.
Você escreve sobre a temática?
Manda seu poema para gente divulgar no Festival, ou caso não, venha participar da oportunidade de raptar a palavra do papel dando-lhe voz e vida.
O palco do III Festival das Palavras Pretas: Palavras com Cor e Gênero é o Teatro Abelardo Lopes/SESI- Galeria Arte Center. Av. Antonio Gouveia, 1113, Pajuçara.Ah! nessa terceira versão teremos um olhar especial para os poemas estrategicamente espalhados ao longo do Teatro para serem colhidos por você. É que no II Festival eles simplesmente sumiram.
Após uns dias de encucação-o-que-foi-que-aconteceu?-uma senhora nos ligou agradecendo pelo convite, teceu elogios e afirmou que graças ao II Festival ela agora tinha um “monte” de poemas africanos e afrobrasileiros colados em um caderno.
Como um livro!
Que bom!
Para inscrever-se basta enviar um e-mail para raizesdeafricas@gmail.com dizendo:quero-participar-do-III-festival-das-palavras-pretas, com os seguintes dados: nome, instituição, celular, endereço.
Até lá!

* Contribuição enviada por Marize Conceição de Jesus para este blog em  09/03/2011.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Vozes de Moçambique - um paralelo com o Brasil (Documentário)

Estreia do documentário Vozes de Moçambique - um paralelo com o Brasil (17'), direção de Yana Campos, dia 14 de janeiro, às 19h, no Cineclube Atlântico Negro, à rua Sorocaba, 190 - Botafogo - Rio de Janeiro. Em seguida será exibido o documentário moçambicano Timbila mabimba chope (52'), do cineasta Aldino Languana.

domingo, 19 de setembro de 2010

Oficina de Contos Africanos e Contação de Histórias - CCJF/RJ

Oficina de Contos Africanos e Contação de Histórias


Com quem? Silvia Carvalho e Alyxandra Gomes – Karingana Ua Karingana*
Onde? Centro Cultural da Justiça Federal – RJ
Horário? 18 às 21 horas
Quando? Dias 1, 8, 15, 22 de outubro e 05 de novembro.
Valor? 120,00
Contato? 21-87171780
E-mail: karinganauakaringana@yahoo.com.br
Blog: http://www.karinganauakaringana.blogspot.com/

Temas: - A literatura africana; - O conto africano; - O conto afro brasileiro; - O ofício do contador de histórias; - Pesquisa de repertório; - Exercícios de interpretação; - Leitura, literatura e lei 10.639/03; - Video sobre contadores; - Roda de contação no encerramento

* Alyxandra Gomes é Professora, doutoranda em Estudos Étnicos e Africanos no Centro de Estudos Afro Orientais em Salvador & Silvia Carvalho é Psicóloga, Especialista em Literatura Africana, ambas coordenam o Karingana Ua Karingana desde 2005.

Fonte: E-mail gentilmente enviado pela colega Silvia Carvalho em 16 de setembro de 2010.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Literaturas Afrocaribenhas e Papiamento - 31/08 a 04/09/2009 (UNEB)

UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ESTUDO DE LINGUAGENS – PPGEL
GRUPO DE ESTUDOS AFRICANOS E AFROBRASILEIROS EM LÍNGUAS E CULTURAS – GEAALC


LITERATURAS AFROCARIBENHAS E PAPIAMENTO
31 de agosto a 04 de setembro de 2009
Salvador – Bahia

PROGRAMA

I. Salvador da Bahia – Cidade Invencível.
História da expansão sul atlântica holandesa na pintura e literatura do século XVII. Conquista da Elmina, Angola e do Nordeste do Brasil. Descrição do quilombo Palmares. Modelo da cidade sonhada. Modernização do trato dos viventes.

BIBLIOGRAFIA:
ALENCASTRO, Luis Felipe de. O trato dos viventes: Formação do Brasil no Atlântico Sul, séculos XVI e XVII (São Paulo: Editora Schwarz, 2000).
BARLÉU, Gaspar: História dos feitos recentemente praticados durante oito anos no Brasil. Prefácio Mario Ferri. 1940; Belo Horizonte, Itatiaia & São Paulo; EDUSP, 1974.

II. Emergência do Sranan no século XVIII no Suriname.
Livros da instrução do Sranan. Língua franca da sociedade de plantação. Marginalidade da influência africano-portuguesa. Os quilombos contra a sociedade da costa. Paramaribo como centro governamental e marítimo. Composição complexa da população urbana.

BIBLIOGRAFIA:
ARENDS, Jacques: The history of the Surinamese creoles 1: A sociohistorical survey. In: Atlas of the Languages of Suriname, ed. Ethne B. Carlin & Jacques Arends (Leiden: KITLV, 2002): 115-130.
STEDMAN, John Gabriel: Narrative of a Five Years Expedition Against the Revolted Negroes. Ed. Richard & Sally Price (Baltimore & London: Johns Hopkins UP, 1988).

III. As Guerras da Independência – América Latina e Curaçao.
Papiamento como língua franca. Sociedade marítima do contrabando. O laço das guerras da independência com o mar: Caribe – Venezuela, Haiti, Jamaica, Curaçao. Manuel Piar, general pardo no exército libertador de Bolívar. Línguas crioulas e a posição do espanhol, inglês e francês no mar Caribe.

BIBLIOGRAFIA:
POOL, John de. Del Curacao que se va. Páginas arrancadas de El Libro de mis Recuerdos. 1935; Amsterdam: S. Emmering, 1981.
LENZ, Rodolfo. El Papiamento, la lengua criolla de Curazao. Santiago de Chile: Balcells, 1928.

IV. O Papiamento e seu Papel Sul atlântico.
O Papiamento e sua expressão rítmica na música tambú y tumba. A música crioula como cultura popular reprimida, recuperada na poesia. Programas de estandardizar. Discussão conflitiva sobre a origem espanhola ou portuguesa do Papiamento.

BIBLIOGRAFIA:
MARTINUS, Ephraim Frank: The Kiss of a Slave. Papiamentu’s West-African Connections (Curaçao: Drukkerij de Curaçaosche Courant, 1997)
MARTINUS, Frank. Creole Identity through Chinese Wall: Affinities Between Papiamento and Chinese, in A Pepper-Pot of Cultures, ed. Gordon Collier & Ulrich Fleischmann (Amsterdam & New York: Matatu 27-28, Rodopi, 2003): p. 162-165.

V. O Retorno do Século XVII na Ficção Brasileira e Angolana Contemporânea.
Processo de reflexão sobre a formação das sociedades sul atlânticas no romance. Outra visão do trato dos viventes na primeira etapa da globalização. O que sucedeu com as línguas crioulas?

BIBLIOGRAFIA:
AGUALUSA, José Eduardo: O ano em que Zumbi tomou o Rio. Romance. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2002.
MUSSA, Alberto: O trono da rainha Jinga. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1999.
PEPETELA: A Grandiosa Família: Tempo dos Flamengos. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1997.

PROF. DRA. INEKE PHAF-RHEINBERGER - Nascida na Holanda, radicada na Alemanha, é professora da Universidade de Humboldt, em Berlim. Especialista em História Cultural da América Latina, Caribe e África, é uma das maiores autoridades sobre expansionismo colonial holandês. Foi professora em várias universidades da Europa e das Américas. Entre seus mais recentes trabalhos estão os livros La Belle Caraïbe: The Art of José Maria Capricorne (2005) e The Air of Liberty. Narratives of the South Atlantic Past (2008), bem como as coletâneas Memorias de la fragmentación. Tierra de libertad y paisajes del Caribe (2005) e AfricAmericas: Itineraries, Dialogues, and Sounds (2008) com Tiago Oliveira Pinto.


LOCAL:
SALA 03 – TÉRREO
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS – DCHI
UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB
Rua Silveira Martins, 2555 – Cabula

PERÍODO: DE 31/08 A 04/09/09

HORÁRIOS: DAS 14 às 18 h.

INSCRIÇÕES E INFORMAÇÕES:
BIBLIOTECA DO PPGEDUC – TÉRREO
PROFA. HILDETE
TEL: (71) 3117.2448
DAS 09 ÀS 12 E DAS 14 ÀS 17 h.

INVESTIMENTO:
R$ 30,00 (estudantes da graduação)
R$ 40,00 (demais interessados)


Realização:
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ESTUDO DE LINGUAGENS – PPGEL
GRUPO DE ESTUDOS AFRICANOS E AFROBRASILEIROS EM LÍNGUAS E CULTURAS – GEAALC

Apoio:
DCHI / UNEB
Fonte: e-mail enviado pela Profa. Hildete Santos Costa em 24/08/2009.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Karin Barber - curso e palestra

Karin Barber
Fellow of the British Academy. Catedrática de Antropologia Cultural Africana no Centre of West African Studies, Universidade de Birmingham - Inglaterra. Editora da revista Africa do International African Institute.

Viveu e trabalhou durante onze anos na Nigéria, lecionou em língua iorubá no Departamento de Línguas e Literaturas Africanas da Universidade de Ifé e, como integrante da Companhia de Teatro Oyin Adejobi, atuou em várias peças de teatro em língua iorubá no palco e na televisão. É autora de I could speak until tomorrow: Oriki, Women and the Past in a Yoruba Town (1991), que recebeu o prêmio Amaury Talbot do Royal Anthropological Institute; The Generation of Plays: Yoruba Popular Life in Theatre (2000), premiado com o Herskovits Award pela African Studies Association dos Estados Unidos; e The Anthropology of Texts, Persons and Publics (2007).

Curso:
TEXTO, ORALIDADE E CONSTRUÇÃO DA PESSOA NA ÁFRICA SUBSAARIANA
11 de agosto a 14 de agosto

Professora: Karin Barber
Dia 11/08, 19h00 às 21h30:
Oralidade como texto e a textualidade do oral

Dia 12/08, 19h00 às 21h30:
A complexidade dos textos orais e as modalidades de interpretação locais

Dia 13/08, 19h00 às 21h30:
Louvação e construção da pessoa

Dia 14/08, 19h00 às 21h30:
O trânsito entre o oral e o escrito no cotidiano africano

Local: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – Auditório Banespa – andar térreo. Rua Ministro Godoy, 984, São Paulo – SP
Informações e inscrições – (11) 3801-1718


PALESTRA
O teatro popular iorubá e sua concepção da modernidade
Dia 09 de agosto de 2008 – sábado – 10h às 12h30

Local: Casa das Áfricas
Rua Eng. Francisco Azevedo, 524 (metrô Vila Madalena)
Informações e inscrições – (11) 3801-1718

http://www.casadasafricas.org.br/

Realização: Casa das Áfricas, NIME/LAB-USP.

Co-realização: Centro de Estudos Africanos-USP, Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da PUC/SP e Departamento de Antropologia da PUC/SP

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Albert Memmi: Retrato do colonizado precedido do retrato do colonizador


No final do ano passado a editora Civilização Brasileira relançou o livro de Albert Memmi, Retrato do colonizado precedido do retrato do colonizador. Publicado pela primeira vez nos anos 1960, este livro é fundamental para a compreensão dos estudos das literaturas africanas de língua portuguesa.
A seguir uma resenha de Ronaldo Vainfas (História-UFF/RJ) publicada no Caderno Mais!, página 9, de 06 de janeiro de 2008, no jornal Folha de São Paulo.

Psicologia colonial – ensaísta tunisiano oferece instrumentos para entender a dificuldade atual de europeus em viver em sociedades cada vez mais plurirraciais

A obra de Albert Memmi figura entre as clássicas para pensar o colonialismo e mesmo sua versão atual, mais complexa, imersa na chamada globalização. Tunisiano de origem judaica, Memmi nasceu em 1921 e migrou para a França logo após a independência do país, em 1956. concluiu na Sorbonne os estudos iniciados em Tunísia, que prosseguiu na Universidade de Argel. Nos idos de 1943, passou por tremendas dificuldades em campo de trabalhos forçados da Tunísia. Hoje é professor honorário da Sorbonne e ganhou, entre outros títulos, o Prêmio de Francofonia, em 2004.

As novas gerações talvez não façam idéia do impacto causado pelo primeiro grande livro de Memmi, publicado em 1957, Retrato do colonizado precedido do retrato do colonizador, obra surgida no contexto de descolonização da África, antes da dramática guerra franco-argelina de 1961-62.

Memmi escreveu enquanto intelectuais do porte de Jean-Paul Sartre condenavam o colonialismo, construindo uma opinião pública, sobretudo no campo da esquerda, apoiadora dos movimentos de independência na Ásia e África.

A originalidade da obra de Memmi encontra-se, antes de tudo, na sua recusa a limitar o colonialismo ao conceito leninista de imperialismo ou à luta de classes marxista, adotando posição audaciosa num tempo em que o marxismo irrigava o ambiente intelectual europeu, particularmente francês.

O fato é que Memmi sempre deixou claro que o privilégio colonial não é fenômeno “unicamente econômico”. É “uma relação de povo a povo, e não de classe a classe”, escreveu no prefácio da edição de 1966.

Memmi se dedica, assim, a refletir sobre as identidades e relações entre colonizador e colonizado, tomados em abstrato, no campo da psicologia coletiva, e dos valores culturais construídos e/ou introjetados em meio ao fato colonial, concebido este último como um conjunto de situações vividas.

É pioneira sua reflexão sobre o colonizador como um exilado voluntário que busca nas colônias os meios de uma ascensão social inalcançável na metrópole, e por conta disso se enraíza ou, quando menos, hesita ao máximo em regressar. Constrói, então, uma identidade ambivalente em parte ancorada nos valores colonialistas, em parte na valorização da colônia, à exceção do nativo.

No retrato do colonizador pintado por Memmi, seja o grande, seja o pequeno colonizador, combinam-se a ambição de lucro, o apego aos privilégios institucionais, a legitimação da usurpação que faz das riquezas do colonizado, o racismo, o sentimento de superioridade cultural. Ainda que a imensa maioria dos colonizadores não tenha consciência nítida de seu papel histórico, todos tendem a compartilhar desses valores.

Nos extremos dessa posição majoritária estariam, de um lado, os colonialistas, isto é, os agentes da colonização, e de outro, os “colonizadores de boa vontade”, porque menos apegados aos valores metropolitanos. Nem todo colonizador, diz Memmi, está fatalmente destinado a tornar-se um colonialista. Mas esses colonizadores são raros, segundo Memmi, “pois o romantismo humanitário é considerado doença grave, o pior dos perigos: não é nem mais nem menos que a passagem para o campo do inimigo”. “No fim das contas, colonialista é a vocação natural do colonizador.”

A atitude generalizada é, portanto, a de rejeitar o colonizado, seu rosto, seu cheiro, sua cor, sua cultura. Só come pela primeira vez o cuscuz movido pela curiosidade, depois o prova por educação, vez por outra, e, se gosta do cuscuz, reclama do barulho da feira, da música árabe, do cheiro de gordura de carneiro que impregna o ar. É nas mesquinharias do cotidiano que se afirma esta identidade de colonizador, segundo Memmi, diante do colonizado.

No pólo oposto, o colonizado é um tipo ao mesmo tempo indignado com a humilhação e opressão inerentes ao fato colonial, porém amante, em graus variados, da cultura do colonizador. O mais dramático é a introjeção dos estigmas lançados pelo discurso colonialista, a exemplo de que todo colonizado é ladrão, preguiçoso, sujo, medíocre, desprezível.

O ressentimento contra a metrópole é inevitável, alimentado pelo desprezo de si e pela desumanização ou despersonalização provocada pelo colonialista. Para enfrentar o drama, os colonizados têm somente duas alternativas. A primeira deriva do paradoxal “amor pelo colonizador e ódio de si mesmo” e, nesse caminho, o mínimo que o colonizado deseja é “mudar de pele”, mudar de cor, deixar de ser este “outro” desprezível. A segunda é a revolta em busca da auto-afirmação.

Não resta dúvida de que há muitos estereótipos na obra de Memmi, combinados a uma boa dose de ressentimento, mas o livro é um documento formidável dos anos 1950-60. De todo o modo, Memmi termina a obra com alguma esperança romântica nos resultados da descolonização, apostando em que o ex-colonizado se poderá transformar “num homem como os outros”, eliminando as diferenças em relação ao ex-colonizador.

Em recente livro, publicado em 2004 e também traduzido pela Civilização Brasileira, Memmi admitiu sua desolação. É o que se pode ler em Retrato do descolonizado árabe-muçulmano e de alguns outros, no qual examina a condição do descolonizado nas ex-colônias e nas antigas metrópoles, enquanto imigrante.

Denuncia as tiranias pobreza e corrupção vigentes nos países africanos e aprofunda o exame das vivências do imigrante, as feridas humilhação, os arroubos pseudolibertários das mulheres que insistem em usar o véu que antes não usavam, o complô dos “homens de turbante”, a situação especial de filhos de imigrantes, cada vez mais ocidentalizados. Nesse ponto, o novo livro de Memmi oferece lições preciosas para compreender a dificuldade atual dos europeus em viver em sociedades cada vez mais plurirraciais e mulitculturais, bem como os dilemas identitários dos imigrantes muçulmanos nesses países.

Albert Memmi conheceu muito bem, há muitas décadas, o drama do fato colonial no plano das vivências. Mas quem é ele exatamente? Colonizador ou colonizado? É Jean-Paul Sartre que responde: “nem uma coisa, nem outra; vocês talvez digam uma coisa e outra; no fundo á no mesmo”.

Ronaldo Vainfas é professor titular do departamento de história da Universidade Federal Fluminense.

Retrato do colonizado precedido do retrato do colonizador
Albert Memmi
Tradução: Marcelo Jacques de Moraes
Ed. Civilização Brasileira

Retrato do descolonizado árabe-muçulmano e de alguns outros
Albert Memmi
Tradução: Marcelo Jacques de Moraes
Ed. Civilização Brasileira

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Uzodinma Iweala: Buraco Negro

No texto a seguir, temos a visão do jovem escritor nigeriano Uzodinma Iweala acerca dos problemas do continente africano. Iweala escreveu "Feras de nenhum lugar" (Nova Fronteira), seu primeiro romance, que trata da violência da guerra em seu país sob o olhar de uma criança obrigada a matar para não morrer.
BURACO NEGRO
Ocidente ignora esforços da África para superar a pobreza e usa ajuda humanitária para ratificar estereótipos
Folha de São Paulo. Caderno Mais!, 09 de setembro de 2007. A íntegra deste texto saiu no Le monde. Tradução de Clara Allain.

UZODINMA IWEALA

No outono de 2006, pouco após o meu retorno da Nigéria, fui interpelado por uma estudante loira e graciosa cujos olhos azuis pareciam combinar com as contas da pulseira “africana” que usava. “Salve Darfur!”, ela gritava atrás de uma mesa recoberta de folhetos exortando os estudantes a “agir já!”, a “acabar com o genocídio em Darfur!” (área do Sudão onde a guerra civil matou pelo menos 180 mil pessoas desde 2003.

Minha aversão a esses estudantes que se engajam incondicionalmente nas causas que estão na moda quase me levou a dar meia-volta, mas o grito que ela lançou em seguida me desestabilizou. “Quer dizer que o senhor não quer nos ajudar a salvar a África?”, vociferou a garota.

Parece que, de algum tempo para cá, oprimido pelo sentimento de culpa pela crise humanitária que provocou no Oriente Médio, o Ocidente vem se voltando para África para ali buscar sua redenção.

Estudantes idealistas, celebridades como Bob Geldof (músico e ativista) e políticos como Tony Blair (ex-primeiro-ministro britânico) se atribuíram como missão levar a luz ao continente negro.

Chegam de avião para passar um período na África ou participar de uma missão de investigação ou, ainda, para adotar uma criança – um pouco como meus amigos e eu, em Nova York, tomamos o metrô para ir adotar um cachorro abandonado no canil municipal.

Geração sexy
É a nova imagem que o Ocidente quer adotar: uma geração sexy e politicamente ativa cujo método preferido para divulgar sua mensagem é publicar anúncios de página inteira em jornais, com celebridades no primeiro plano e pobres deserdados de África ao fundo.

Mas o que talvez ainda seja mais interessante é a linguagem empregada para descrever a África que se pretende salvar.

Por exemplo, a campanha lançada pela organização Save the Children (Salve as Crianças), intitulada “I am African” (Sou Africano), apresenta retratos de celebridades ocidentais, em sua maioria brancas, com “marcas tribais” pintadas no rosto, sobre o slogan “sou africano” escrito em letras garrafais. Abaixo, em letras menores, vê-se a frase: “Ajude-nos a frear a hecatombe”.

Por mais que sejam bem-intencionadas, essas campanhas propagam o estereótipo de uma África que seria um buraco negro de doença e morte.

Artigos e reportagens não param de falar de dirigentes africanos corruptos, senhores de guerra, conflitos “tribais”, crianças exploradas, mulheres maltratadas e vítimas de mutilação genital.

Tempos coloniais
A relação entre a África e o Ocidente não é mais fundamentada em preconceitos abertamente racistas, mas esses artigos lembram os tempos do colonialismo europeu, quando se enviavam missionários à África para nos levar educação, Jesus e a “civilização”.

Todo africano, incluindo eu mesmo, não pode deixar de se alegrar com a ajuda que o mundo nos dá, mas isso não nos impede de perguntar a nós mesmos se essa ajuda é realmente sincera ou se ela é dada com a idéia de afirmar sua superioridade cultural.

Cada vez que uma estudante – embora sincera – fala dos moradores de aldeias que dançaram para ela para agradecer sua ajuda, faço uma careta.

Cada vez que um diretor de Hollywood produz um filme sobre a África cujo herói é ocidental, eu faço não com a cabeça – porque os africanos, apesar de sermos pessoas muito reais, não fazemos mais que servir de validação da imagem imaginária que o Ocidente tem de si próprio.

E não apenas essas descrições tendem a ignorar o papel às vezes essencial que o Ocidente desempenhou na gênese de muitas situações deploráveis que afligem o continente como elas também ignoram o trabalho incrível que os próprios africanos fizeram e continuam a fazer para resolver esses problemas.

Dois anos atrás eu trabalhei num campo de pessoas deslocadas na Nigéria, sobreviventes de um levante que provocou a morte de mil pessoas e o deslocamento de outras 200 mil.

Fiéis a seus hábitos, os órgãos de imprensa ocidentais falaram longamente das violências, mas não do trabalho humanitário realizado pelas autoridades locais e nacionais em favor dos sobreviventes – com muito pouca ajuda internacional.

Funcionários sociais dedicaram seu tempo e, em muitos casos, doaram seus próprios salários para socorrer seus compatriotas. São eles que salvam a África, e, como acontece com muitos outros em todo o continente, seu trabalho não encontra reconhecimento nenhum no exterior.

Em junho o grupo dos oito países mais industrializados reuniu-se na Alemanha com várias celebridades para discutir, entre outros temas, como salvar a África. Espero que antes da próxima cúpula do G8 o mundo tenha finalmente compreendido que a África não quer ser salva.

A África quer que o mundo reconheça que, por meio de parcerias eqüitativas com outros membros da comunidade internacional, ela será capaz de alcançar um reconhecimento inusitado, por conta própria.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

ÁFRICA E AFRICANIDADES

http://africaeafricanidades.wordpress.com/

ÁFRICA E AFRICANIDADES. Espaço destinado a reflexão, discussão e divulgação de temáticas africanas e afro-brasileiras.

Este é o site da Nágila Oliveira Santos, colega de turma da pós-graduação África/Brasil: laços e diferenças - Universidade Castelo Branco.