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terça-feira, 7 de junho de 2011

FELA: esta vida puta!, de Carlos Moore (lançamento RJ)


Rio de Janeiro
de 09 a 11 de junho
de quinta-feira a sábado

Fela: Esta Vida Puta,
de Carlos Moore
Prefácio de Gilberto Gil

dia 09, quinta-feira, às 19h 30min - lançamento
Livraria do Museu da República
Rua do Catete, 153 - Catete - 21-2558-6350
metrô Catete / Estacionamento no local

dia 10, sexta-feira, às 16h - tarde de autógrafos
Livraria da Travessa - Centro
Travessa do Ouvidor, 17 - Centro - 21-3231-8015

dia 10, sexta-feira, às 19h - noite de autógrafos
Kitabu Livraria Negra
Rua Joaquim Silva, 21 - Lapa, Centro - 21-2252-0533

dia 11, sábado, 23h 30min - Festa Makula de lançamento
Teatro Rival com Abayomy Afrobeat Orquestra
Rua Álvaro Alvim, 33 - Cinelândia - Centro - 21-2240-4469

LANÇAMENTOS NACIONAIS
Rio de Janeiro - 09 a 11/06
Belo Horizonte - 14/06
São Paulo - 25/06
Porto Alegre - 29/06
João Pessoa - 01/06
Recife - 02/06
Salvador - 03/06

Para saber sobre o lançamento em sua Cidade, entre em contato: atendimento@nandyalalivros.com.br

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

ENTRE – “O SUBTERRÂNEO JOGO DO ESPÍRITO” (teatro)


Concepção, dramaturgia e interpretação de Rodrigo dos Santos. Monólogo livremente inspirado na vida do nigeriano Fela Kuti (1938-1997), músico que combateu os abusos da ditadura militar e do governo civil na Nigéria, utilizando como arma a sua música, uma combinação de ritmos afro-americanos, como o soul, o funk e o jazz.
Gênero 16 anos
Temporada 05 a 14 de fevereiro de 2009 (de quinta-feira a sábado)
Horário 19h30
Duração 1h
Ingresso R$6 / R$3 (meia)

Teatro Gláucio Gill
Praça Cardeal Arcoverde, s/n - Copacabana - Rio de Janeiro
Lotação: 70 lugares
http://www.funarj.rj.gov.br

fonte: Revista Programa (Jornal do Brasil), de 30 de janeiro a 5 de fevereiro de 2009. p. 36

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Cesária Évora - Rádio Mindelo

Ao Gonçalo Ivo

O cd Cesária Évora – Rádio Mindelo reúne raras gravações da cantora cabo-verdiana Cesária Évora na Rádio Barlavento, no início dos anos 1960. São 22 músicas (a maioria de autoria de Ti Goy) separadas em seis sessões diferentes de puro prazer e que já confirmavam o talento de Évora.

A seguir o texto do encarte do bem cuidado cd, em edição trilíngüe francês-inglês-português.

Ricardo Riso

Cesária na Rádio Barlavento: o início de uma carreira


No início dos anos 60, vive-se em Mindelo, uma euforia à volta do género Coladera, que constituía uma novidade. Vive-se igualmente o pós-B.Léza. Recentemente falecido (1958), B.Léza, é recordado com muita emoção e existe um sentimento de que a sua obra deve ser continuada e seguidos os seus ensinamentos. A inovação do momento é o género Coladera, que no Mindelo conta com grandes mestres, como Ti Goy (Gregório Gonçalves) ou Frank Cavaquim (José Vicente Gomes). Estes dois compositores lideram na feitura de composições que naquele período surgem ..em grande quantidade. Por.. outro lado, é de notar que Rádio Barlavento, vem desempenhando um papel importante na vida cultural da cidade do Mindelo. Fundada em meados dos anos ..50, a.. Rádio Barlavento cedo começa a gravação de músicos e cantores locais, como meio de obter música para difusão nas suas antenas. As gravações daquela época (realizadas com um único microfone) têm uma qualidade razoável, tendo em conta os meios utilizados. A criação de planos sonoros, era obtido, com a colocação, mais ou menos afastada do microfone, dos diferentes instrumentos e do cantor. De salientar ainda que esta emissora de ondas curtas, chegou a comprar uma máquina de gravação de ..discos com o.. fito de arranjar receitas. A máquina gravava um disco de cada vez em tempo-real, o que não compensava. A ideia de comercialização de discos foi então abandonada, mas foi dos estúdios dessa antiga estação de rádio que saíram as fitas para prensagem no exterior ..de discos com os.. grandes sucessos dos finais dos anos ..50 a.. meados de 60. Gustavo Albuquerque, que trabalhou desde a fundação da Rádio Barlavento como “Operador de Gravação e Montagem de Programas” recorda, que ele gravou “vários artistas como Amândio Cabral, Djosinha, Jack Monteiro, Cesária, Titina, Arlinda Santos, Mité Costa e outros.”

Naquela época, as editoras eram prestigiadas casas comerciais, como a Casa do Leão, ou então a Casa João Mimoso, que comercializavam os pequenos discos de vinil, 45 rotações por minuto, com 4 músicas (2 em cada lado) que eram prensados na Alemanha e Holanda. O “técnico das gravações ..e montagens dos.. programas dessa rádio” Gustavo Albuquerque, teve um papel importante na recolha da “Música da nossa terra” como então de dizia. Gustavo não só, foi um dinamizador das recolhas contactando os artistas, como realizou um trabalho técnico que se pode considerar de altíssima qualidade tendo em conta os condicionalismos da época, numa ilha então isolada ..do mundo,.. que se chama, S. Vicente. ....

Cesária ou Cize como é tratada pelos mais próximos, revelou-se ao público naquela época, naquele ambiente pós B.Léza e de sucesso do género Coladera. O Técnico Gustavo, conta que “Cesária Évora foi trazida para a antiga Rádio de Barlavento, por Gregório Gonçalves “Ti Goy” e Frank Cavaquim, a título de experimentar a sua voz em fita magnética gravando as belíssimas Coladeras compostas por esses dois compositores, isto na década dos anos 60… ela tinha 20 e tantos anos, e se não estou com erro ela começou a cantar com 14 ou 16 anos.” A versão da Cesária Évora não difere e ela conta assim como tudo se passou: “Bom, naquele tempo o Gustavo que trabalhava na Rádio Barlavento, falou comigo, e perguntou-me se eu gostaria de ir com o Ti Goy, o Caraca e outros músicos cujos nomes já não me lembro, fazer umas gravações… eu disse-lhe que sim, que combinasse com o Ti Goy porque para o Ti Goy, o seu maior prazer era que eu fosse à casa dele, para ele me ensinar as suas música para eu cantar…”

Naquela época, finais dos anos 50, princípios dos anos 60, os grandes compositores e músicos, tinham os seus “meninos”, a quem ensinavam novas músicas e que eram lançados na vida artística com o seu patrocínio. As revelações apareciam nas tocatinas de pau e corda, nos ensaios de blocos de Carnaval ou nos ensaios para ..as apresentações dos.. chamados “teatro” no “Cine-teatro Éden-Park”, espectáculos de variedades, com música, anedotas e “sketches”. Cesária Évora, era a “pérola” do Ti Goy. O prestigiado compositor, andava de um lado para outro a elogiar a jovem cantora a quem dava em primeira-mão as suas novas criações e não se cansava de levá-la para cantar nos mais variados locais. Diz a Cize: “Olha, eu o Goy, encontrávamo-nos sempre! Quando eu ia à casa dele, ele me ensinava as suas novas composições e quando era de tocar com o conjunto, íamos juntos… Eram aqueles dois corcundas, que tocavam sempre juntos comigo: o Goy e o Caraca!”

As sessões de gravação da Cesária Évora na antiga Rádio Barlavento, contam na sua maioria com composições do Ti Goy, ou seja Coladeras a especialidade deste músico que tocava violão e bateria. Cesária recorda que foi várias vezes, à Rádio Barlavento, para gravar. E como é que as coisas se passavam nessa altura, perguntamos? “Bem disseram-me que em princípio me pagariam 25$00 por cada gravação, e foi isso que me pagaram.” No Rádio Clube, outra estação daquela época, em Mindelo, a Cize também foi gravar, mas diz: “Ali nunca me pagaram nada!!!”

Os grandes sucessos daquela época, e a voz límpida da Cize, maravilharam a cidade do Mindelo daquele tempo. A difusão pela rádio de novidades musicais, sobretudo Coladeras picantes e com críticas ácidas a acontecimentos que marcavam a vida social, naquela época, contribuiu ainda mais para o sucesso desta cantora, que passou a ser chamada para actuar nos mais diversos locais. Diz a Cesária: “Recordo, que íamos (eu, e o Ti Goy) para muitos lugares juntos, íamos cantar em muitas casas, e íamos a bordo daqueles barcos portugueses, naquele tempo…” A fama de Cesária foi tão grande que ela foi convidada, para cantar no Grémio Recreativo Mindelo, clube muito reservado, frequentado pela alta sociedade, numa época em que vigorava uma divisão social muito rígida. Ali aconteceu um episódio que marcou a vida da Cesária e que ela conta assim: “Eram os irmãos Marques da Silva que me iam acompanhar. Era eu, a Arlinda…havia outra pessoa… Éramos três ou duas que íamos cantar… já não me lembro dos nomes. Foi então que o Lulu Marques, resolveu me dar um par de sapatos para eu, calçar… Eu disse-lhe: eu não quero sapatos, porque se não for descalça, eu não vou!!! Ele insistiu, e então acabei por aceitar um par de umas sandalhinhas pretas, que ele tinha comprado no Sr. João (Pereira) sapateiro… Bem, era para eu lá estar às 9 horas da noite e lá fui. E então, eu entrei e atravessei o corredor de entrada do Grémio calçada… e fiquei lá à espera, e quando chegou a minha vez de cantar, eu tirei os sapatos e coloquei-os ali ao lado de uma árvore, perto do palco... e fui cantar descalça. Olha, aquela gente toda me aplaudiu e ficaram contentes. Foi então que veio uma senhora (não me lembro do nome)… ela veio falar comigo e disse, para eu estar à vontade porque se era assim que gostava de cantar, então eu podia estar à vontade e podia descalçar e cantar descalça, porque não havia nenhum problema… Bem na hora da saída no final do espectáculo, eu não calcei e saí do Grémio descalça e levei os sapatos numa bolsa.”

Este episódio, foi naquele tempo muito comentado em voz baixa, na sociedade mindelense e deu origem a várias versões mais ou menos fantasiosas, o que acabou por popularizar, o retrato da “Diva dos pés descalços”.

O sucesso desta primeira fase da carreira de Cesária Évora, nos anos 60, atinge culmina com convite para gravar o seu primeiro disco que foi editado pela Casa João Mimoso. Cize recorda como tudo se passou: “Ele mandou-me chamar para eu falar com ele no seu escritório. Ele disse-me que gostaria de gravar um disco comigo. Eu disse-lhe: é para ir a Lisboa? Ele disse-me, não, vamos gravar o disco aqui em S. Vicente, não é preciso ir a Portugal. E então fomos fazer a gravação. O Damatinha tinha um bom gravador… E então gravamos: eu, o Luís Rendall e o seu filho John Rendall e mais outra pessoa que já não me lembro.” E onde foi realizada a gravação? A Cize responde: “Na casa do Gustavo, que morava na rua 1.º de Maio… a Rua da Papa Fria.”

Das lembranças do que se poderá agora classificar de sessões históricas de gravação na antiga Rádio Barlavento diz a Cize: “Uma daquelas músicas que eu gravei foi Terezinha - Dinher d’Angola já Cabá -, parece-me, Vaquinha Mansa. Da Coladera Terezinha da autoria de Gregório Gonçalves (Goy), a Cesária não poderia esquecer, pois foi um dos sucessos retumbantes daquele tempo. Vaquinha Mansa do mesmo compositor, junta-se a uma lista grande de Coladeras, deste mesmo compositor, gravadas em várias sessões que decorreram sensivelmente, entre 1962 e 1964: Pé di Boi, Nutridinha, Mata Morte, Falta de Força, Sayko Dayo… Quanto às Mornas, Cesária prefere composições novas e pouco batidas, uma vez que as suas colegas na altura, já tinham quase que esgotado o reportório B.Léza e Eugénio Tavares. E julgamos que Cize escolheu também Mornas que mais se adaptavam ao seu estilo de cantar como: Belga, Oriundina, Frutu Proibido, Mar Azul (esta uma Morna B.Léza que não tinha sido gravada) e Cize. Esta Morna (..de Morgadinho) nada.. tem a ver com a Cize, Cesária Évora. Sobre isso ela diz: “Pensam que fui eu que a fiz. Mas não, foi para outra Cesária...”

As primeiras gravações da Cesária Évora, testemunham o início da carreira desta grande artista, que desde o princípio se revelou como dona de uma bela voz, categoria na interpretação e presença. Alguns dos companheiros da Cesária que gravaram nessas históricas sessões da Rádio Barlavento, por Gustavo Albuquerque, conseguiram logo singrar e começar carreiras de sucesso, em disco e no palco. Cesária, apesar do sucesso inicial, foi ficando no Mindelo profundo, das tocatinas pelos bares, das noites cabo-verdianas e das serenatas… ..De meados dos.. anos ..60 a.. meados do anos 80 Cesária Évora, esteve longe da popularização que os circuitos da edição discográfica alcançam até foi redescoberta. Tempo longo é certo, mas que permitiu a esta grande diva, uma maturação, sempre na defesa da autenticidade e das raízes da Morna e Coladera. Note-se que ao longo destes 20 anos de espera da Cize, Cabo Verde foi trespassado por diversos movimentos: música revolucionária, retorno às fontes, Funaná, etc. etc. Serenados os ânimos aí pelos finais dos ..80, a.. Morna e a Coladera, encontram então no talento e na voz de Cesária Évora, o veículo ideal para se revelarem ao mundo, que por coincidência, assiste nesta altura, a um movimento que se dá pelo nome ..de 'World Music..'. Cesária inicia nos anos 90, um carreira fulgurante, conseguindo alcançar uma mundialização, que até hoje nenhum outro artista cabo-verdiano conseguiu… uma vingança do destino e uma vitória da música de Cabo Verde!....

Praia, 15 de Setembro de 2008....

Carlos Filipe Gonçalves....
Músico e Jornalista

domingo, 16 de novembro de 2008

Siaka, an african musician

por Ricardo Riso

Dei sorte ao escolher o primeiro documentário da Mostra do Filme Etnográfico 2008. Siaka, an african musician, produção francesa de Hugo Zemp, apresenta o multiinstrumentista que dá título ao filme. Siaka toca o “grande” balafone senufo, o “pequeno”balafone maninka, a harpa kora, guitarra elétrica e outros instrumentos no grupo de Soungalo Coulibaly, artista já falecido, líder de um conjunto que tocava em festas tradicionais pelo país, tendo alcançado reconhecimento internacional enquanto esteve em atividade.

Siaka executando o balafone

Passado na Costa do Marfim, o documentário surpreende por mostrar o hibridismo cultural do país metonimizado na figura contagiante do músico Siaka. Apaixonado pela música das suas etnias (mãe Senufo e pai Mande – de Burkina Farso), Siaka transpõe para o seu som ritmos diversos procurando aglutiná-los e revela ótimas misturas. Assim, pega referências da música do Mali, país de sua esposa, ritmos da Costa do Marfim tocados pelo grupo de Soungalo e sons de sua aldeia, sem temer a inserção da guitarra elétrica entre os instrumentos tradicionais africanos.

Sua desenvoltura entre os ritmos e instrumentos é impressionante. Podemos vê-lo compondo, aprendendo novos ritmos, ensinando as crianças e tocando nas várias festas tradicionais da Costa do Marfim; seu respeito aos mais velhos que o ensinaram a tocar o balafone e a generosidade com Soungalo. Siaka é uma pessoa extremamente simples, que faz da música o seu prazer, a forma de sustentar a sua família, de manter a sua cultura sem medo da modernidade, ou seja, a música é sua forma de viver e de expressar-se.

Além de apresentar a figura encantadora de Siaka, o documentário mostra a influência árabe no país, as animadas festas de ritos de passagem organizadas pelas mulheres, a confecção dos instrumentos do grupo de Soungalo Coulibaly e o cotidiano do simpático músico.

Aos sons incríveis extraídos dos balafones e da harpa kora, principalmente, o tempo de duração do filme passa com rapidez e leveza. Recomendo-o para quem quer conhecer a diversidade sonora do continente africano. Para isso, basta ir ao Museu da República (Rio de Janeiro) e solicitá-lo em uma das "cabines de visionamento", até o dia 19/11. É gratis.

O texto a seguir foi extraído de

http://www.worldofworship.org/pdfs/2_films_on_African_music_by_Hugo_Zemp.pdf


Siaka, an African musician
79 minutes
Siaka Diabaté is a musician at Bouaké, the second largest town in the Côte d’Ivoire. Through his mother's family he is Senufo, but through his father's ancestry he considers himself a Mande griot. He is a multi-talented professional musician, and for the local festivals plays five instruments: the Senufo and Maninka balafons, the kora harp, the dundun drum and the electric guitar.
This film shows Siaka playing in the group led by Soungalo Coulibaly before his death in 2004, including the use of jembé drums, which we also see being made.
Using long continuous shots that give priority to the music and to what Siaka and Soungalo have to say, this documentary introduces the audience to a fascinating
world of urban music that incorporates traditional songs and dances by griots. Shot on site during various festivities, this film presents a living portrait of this lovable and highly skilled musician working in a traditional environment, adding another dimension to the pleasure of seeing and hearing him during his international tours.
Easy to use for teaching, with 7 chapters: Introduction; The large Senufo balafon; the little Maninka balafon; Workshop of jembe drums; The dundun drum; The kora
harp; The electric guitar.