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domingo, 30 de junho de 2013

Mulheres na poesia cabo-verdiana (A Nação)


Mulheres na poesia cabo-verdiana
Ricardo Riso
Resenha publicada no semanário cabo-verdiano A Nação, n. 239, de 29 de março de 2012, p. E20.
O mês de março configura-se como o de celebração da mulher, assim como de reflexão das condições adversas de subalternidade por que passam as mulheres no mundo diariamente, realidade assaz comum em sociedades regidas pela ética patriarcal-capitalista e de ideologia racial branca como padrão hegemônico.
Da insistente pertinência e urgência do tema, em trocas por correspondência eletrônica com a socióloga e poetisa Eurídice Monteiro, intelectual com destacada presença na defesa dos direitos da mulher cabo-verdiana, venho desenvolvendo algumas questões acerca da poesia de voz feminina em Cabo Verde.
Em profunda análise da trajetória das mulheres-poetisas em Cabo Verde, Monteiro discorre sobre a exclusão social e literária que essas mulheres sofreram e sofrem ao longo dos anos, conduzindo-as a fazer do texto literário o espaço para denúncia de suas condições invisibilizadas ou estigmatizadas pelo cânone do arquipélago.
O texto de Monteiro revela questões impeditivas que abarcam aspectos culturais, sociais, raciais e de gênero para apresentar a “imposição da subalternidade do Outro” determinados por três paradoxos, sendo o primeiro a cultura dominante que ainda se funda em termos europeizantes e regionalizads, nos quais se destacam o padrão étnico-cultural africanizante como de suposta inferioridade cultural predominante na ilha de Santiago; o segundo trata das diferenças entre os espaços urbano e rural; enquanto o terceiro revela a dialética de inclusão e exclusão das mulheres, em diferentes combinações de gênero, classe, ou região, estigmatizando diferenças internas de erotismo e exotismo no coletivo das mulheres das ilhas de S. Vicente e Santiago.
A partir dessas formulações, Monteiro questiona a ausência de poetisas no período nativista e na revista Claridade, sendo que nesta jamais foi publicado texto de qualquer escritora, enquanto naquele a ensaísta faz um interessante levantamento de poetisas com textos publicados nos almanaques de lembranças, tendo especial destaque Antónia Gertrudes Pusich, autora da primeira obra publicada de autoria cabo-verdiana, «Elegia àmemória das infelizes victimas assassinadas por Francisco de Mattos Lobo» (poemas, 1844), e a primeira mulher a dirigir e fundar jornais.
A ensaísta mostra-se audaciosa ao questionar o cânone e revelar o sexismo claridoso ao tratar a condição da prostituição nos poemas de Jorge Barbosa em importante comparação a poemas de Yolanda Morazzo, assim como a voz poética feminina evocando a participação como sujeito da história em Vera Duarte e Carlota de Barros, para além da subversão das práticas sexistas homogenizantes através da apropriação das manifestações culturais e da memória coletiva. Para isso, menciona-se a importância da tradição oral revista por Nha Nácia Gomi e sua “ironia mordaz e desafiadora das práticas sociais sexistas”.
Enriquecedores para os interessados na temática são as propostas comparativas de textos pré e pós-independência e entre gêneros literários, como Lay Lobo e Maria Helena Spencer; a perspectiva da luta feminista em Vera Duarte e Dina Salústio; a percepção das vozes diaspóricas e o deparar-se com as mutações do arquipélago no regresso em Carlota de Barros; e o especial destaque à Eneida Nelly, jovem poetisa que recentemente deu fim à vida, como resposta à asfixia vivenciada cotidianamente por uma mulher negra, pobre e “colocou simultaneamente em debate o acesso desigual ao campo literário-cultural, entre homens e mulheres de uma dada ilha, bem como entre as mulheres de diferentes classes sociais ou regiões do arquipélago”, condição traduzida no sugestivo título de seu único livro: “Sukutam” (Escuta-me).

Trata-se de um ensaio fundamental por chamar atenção para o fato da marginalização das mulheres na sociedade cabo-verdiana manter-se desde os tempos coloniais, mas que vem sendo alterado gradativamente por vozes-mulheres cada vez mais inseridas nas diferentes áreas do saber.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Sodade di Kabu Verdi (poema-homenagem a Corsino Fortes)

Segue poema em homenagem a Corsino Fortes (Cabo Verde) de Avani Souza Silva, amiga e doutoranda em Estudos Cabo-Verdianos na USP, gentilmente enviado para publicação aqui no blog.

Sodade di Kabu Verdi

Eu choro uma tristeza de sodade
Pena de Xandinha
Lembrança de Nhá Candinha
O silêncio do Monte Cara
A tosse de Parafuso
A esperança desabrida de Cruz
A magreza de Zefa...
Eu choro o semear em pó
O enterro dos meninos
A cicatriz medonha de Leandro
O fogão de três pedras
A morte das brasas
Os estalos calados
Meu Deus, eu choro
Por essas pessoas que não conheço
Palavras que não ouvi
Pedras que nunca pisei
Nhô Chic’Ana virou molambo
Morreu de fome
Ó, meu São Vicente
Ó, meu São Tiago
Ó, meu Santo Antão
Ó meu São Nicolau
Meus santos todos
E mais Santa Luzia
Iemanjás daqueles mares todos
Salamandras do Vulcão
Elfos dos ventos alíseos
Façam alguma coisa!

segunda-feira, 30 de abril de 2012

ANTOLOGIA DE POESIA CABO-VERDIANA CONTEMPORÂNEA - LABORATÓRIO DE POÉTICAS (Ricardo Riso)

Prezadas e Prezados, 
Com satisfação apresento outra antologia de poesia cabo-verdiana contemporânea organizada por mim, agora na Revista Laboratório de Poéticas n. 8. A atual pequena edição contempla as poéticas de Filinto Elísio, José Luis Hopffer Almada, José Luiz Tavares e Mário Lucio Sousa. 
Agradeço à revista Laboratório de Poéticas e ao poetamigo José Geraldo Neres por oferecerem esse importante espaço para a visibilidade da poesia cabo-verdiana.
A seguir a apresentação da antologia.
Boa leitura para todos e peço ajuda para divulgação.
Ricardo Riso




ANTOLOGIA DE POESIA CABO-VERDIANA CONTEMPORÂNEA - LABORATÓRIO DE POÉTICAS

Apresentação 
Ricardo Riso 

Esta pequena antologia de poemas apresenta alguns dos substantivos nomes da poesia cabo-verdiana contemporânea. Filinto Elísio, José Luis Hopffer C. Almada, José Luiz Tavares e Mario Lucio Sousa destacam-se no panorama literário e possuem intensa atividade intelectual no arquipélago desde a década de 1980. A produção desses poetas representa as pluralidades estéticas e de estilos, variedade temática e a busca incessante por um verbo depurado, qualidades que norteiam algumas das tendências da poesia em Cabo Verde, mostrando, cada um com suas especificidades, o amadurecimento e a consolidação do sistema literário do país.

A antologia pretende dar a conhecer, ainda que de forma breve, alguns desses poetas, artífices da linguagem, e contribuir para a melhor divulgação da poesia contemporânea de Cabo Verde, ainda de tímida exposição no Brasil. Panorama que se contrapõe à excelente qualidade dos poetas revelados com o país independente, e que aqui trazemos para a apreciação dos leitores. Com isso, estimular um olhar mais atento do público brasileiro para a recente produção poética cabo-verdiana.

terça-feira, 20 de março de 2012

Em memória de Yolanda Morazzo e Eneida Nelly - Recital de Poesia


CONVITE
RECITAL DE POESIA MODERNA CABO-VERDIANA NO FEMININO

                          Em memória de Yolanda Morazzo e Eneida Nelly

No âmbito das actividades de MarçoMês da Mulher, a Associação Caboverdeana de Lisboa tem a honra e o prazer de convidar V. Exa. para um Recital de Poesia Moderna Cabo-verdiana no Feminino, baseado nas obras de: Alzira Cabral, Ana Júlia, Carlota de Barros, Dina Salústio, Eneida Nelly, Eurídice Monteiro, Lara Araújo, Lay Lobo, Manuela Fonseca, Margarida Fontes, Maria Helena Sato, Paula Martins, Paula Vasconcelos, Vera Duarte e Yolanda Morazzo.
        Por especial atenção serão ditos poemas de Regina Correia, (Angola) e de Teresa Noronha (Portugal).
        A encerrar o Recital num fraterno abraço à mulher cabo-verdiana outras vozes poéticas surpreender-nos-ão.
        O Recital é dedicado à mulher cabo-verdiana, em memória das poetisas Yolanda Morazzo e Eneida Nelly.
        Terá lugar no Dia Mundial da Poesia, 21 de Março, pelas 18.00 horas, na sede da Associação Caboverdeana de Lisboa, Rua Duque de Palmela, 2-8º andar.
        Conta-se com a participação especial de Carlota de Barros, Celina Pereira, Filomena Lubrano, Helena Monteiro, Lucília Lemos, Lura, Regina Correia e Teresa Noronha.
         Interlúdio e acompanhamento musical de Bilocas, Heloisa Monteiro, Marino Silva e Tonecas Lima. Coordenação de Carlota de Barros e Regina Correia.
        
Yolanda Morazzo – S. Vicente - 1928 – 2009
                                                                                                                                                                              
     Adeus
(…)
E nada quero de ti
Nada mais que um longo olhar.
Um longo e triste olhar indefinido e mudo
Nesta Hora única.
Nada mais! Escuta apenas
O silêncio a morrer em nós
                                                                Este instante de Eternidade

Eneida Nelly - Tarrafal - Santiago
1987- 2011

SUKUTAM
(…)
É ka odju k odjau,
É kurason k skodjeu
É ka bentu k soprau,
É distinu k panhau!
É kada bez k n’odjau
Nha odju ê redoudu
sima lua xeia!
(…)

Fonte: e-mail gentilmente enviado pelo escritor e ensaísta José Luis Hopffer Almada em 17 de março de 2012.

sábado, 3 de março de 2012

Eurídice Monteiro - Igualdade na Diferença (blog Cabo Verde)

RENOVAÇÃO POÉTICA FEMININA EM CABO VERDE
Para além da incansável luta pelos direitos das mulheres na sociedade cabo-verdiana, Eurídice Monteiro destaca-se com o desenvolvimento de um interessante projeto poético de empoderamento feminino, valorização de figuras ilustres ou desconhecidas do passado das ilhas, na rememoração criativa de seu passado e nas diversas facetas para o amor. Sua poesia mostra a complexidade do ser feminino a romper as certezas do mundo patriarcal. Falta a reunião de seus poemas em livro. Segue a dica do seu blog, Igualdade na Diferença

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Tchalê Figueira - poema inédito

Para o Ricardo Riso, no outro lado do Atlantico( um Axé à Bahia)


A ampulheta
media o tempo

Novo Mundo na
sua solitária
música de ondas

rendilhados na
aurífera areia
olhos indígenas
de nocturno azeviche

na linha do horizonte
As caravelas…

Pólvora negra
acendeu relâmpagos
selva violada
homens tombando
cruzes e gládios

o
livro negro
“palavra de Deus”
grilhetas sangrando…

atravessando
o Atlântico
levaram escravos

mas mais vale morrer
do que ser cativo
Zumbi dos Palmares
Oh liberdade!
 
Poema de Tchalê Figueira enviado em 8/11/2011.

sábado, 30 de julho de 2011

Cabo Verde: antologia de poesia contemporânea, Ricardo Riso (Org)


Prezado(a),

Informo que Cabo Verde: antologia de poesia contemporânea, organizada por Ricardo Riso, já se encontra disponível para acesso e download no sítio da revista acadêmica África e Africanidades (ISSN 1983-2354), edição nº 13, ano IV. Em 146 páginas, reúne 76 poemas de 13 poetas: António de Névada, Carlota de Barros, Danny Spínola, Dina Salústio, Filinto Elísio, José Luis Hopffer C. Almada, Margaridas Fontes, Maria Helena Sato, Mario Lucio Sousa, Oswaldo Osório, Paula Vasconcelos, Vasco Martins e Vera Duarte. A antologia conta com ilustrações dos artistas plásticos Abraão Vicente e Mito Elias.

“A presente antologia pretende contribuir para a melhor divulgação da poesia contemporânea de Cabo Verde, ainda de tímida exposição no Brasil. (...) deseja dar a conhecer, ainda que de forma breve, alguns desses poetas, artífices da linguagem, e assim estimular um olhar mais atento do público brasileiro para a recente produção poética cabo-verdiana.”

Na edição 14 (agosto/2011), será publicada Moçambique Hoje: antologia da novíssima poesia moçambicana, também organizada por Ricardo Riso, com a participação de Alex Dau, Andes Chivangue, Armando Artur, Chagas Levene, Domi Chirongo, Manecas Cândido, Mbate Pedro, Rinkel, Rogério Manjate, Sangare Okapi, Tânia Tomé. Ilustrações de João Paulo Quehá.

Peço ajuda para divulgação.

Grande abraço,
Ricardo Riso

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Maria Helena Sato – Cristais (resenha)



Maria Helena de Morais Sato – "Cristais"
Por Ricardo Riso
Com estima e consideração, à autora.

Maria Helena de Morais Sato vive em São Paulo – Brasil, formada em Letras e pós-graduada em Literatura, Comunicação Social, Comunicação Internacional e Recursos Humanos, possui MBA em Administração. É tradutora juramentada (espanhol, francês e inglês).

Sato tem nove livros de poesia publicados, destacamos, dentre outros: “Bonsais e Haicais” (2000), “Farol” (2002), “Presente do Mar” (2003) e “Caminho Orvalhado” (2004), e em prosa/poesia “O poeta além-vale” (apresentação de antologia de António Januário Leite), em parceria com Luís Romano (2005).

Em 2005 lança “Cristais” pela editora paulista Komedi, prefaciado por D. Geraldo Gonzáles y Lima e ilustrado por Celso Massatoshi Sato. “Cristais” reúne 99 poemas que convidam à reflexão diante das intempéries do cotidiano imposto pela contemporaneidade. Talvez por isso a concisão dos poemas, os versos sejam curtos, ainda assim o sujeito lírico apresenta-se eloquente, preciso, propondo o reencontro do “ser com o Ser”.

As agruras de uma sociedade hipercompetiviva em correria frenética para acompanhar as imposições de um mundo globalizado possui a insensibilidade – “Ouvidos cansados/ e visão embrutecida” – entre os homens como consequência. Os sentidos esgarçados precisam ser restaurados e a analogia aos cristais lembra-nos que “Duros ou/ estilhaçando,/ esperamos lapidação...”.

O desejo de reencontrar o caminho expõe-se na busca pela recriação da palavra primordial, a que permite a harmonia entre seus pares, e suplica: “Mesmo assim/ viramos/ demiurgos,/ fórmulas/ para te/ alcançar!/ Só não inventamos/ ainda,/ neste templo,/ a palavra única,/ elo de/ corações/ sem/ lar”.

A desorientação é a ordem do dia diante de vidas transfiguradas, de trajetórias fragmentadas pelo caos, o sujeito lírico necessita de ajuda para resgatar a sensibilidade perdida e questiona se precisa de um peregrino (de terras distantes) “para me repetir/ a primeira lição?” Nesse sentido, tal como retirante, deve-se apreender uma nova sensibilidade que parte da observação simples da natureza: “Fim de retiro./ Um arco-íris/ no cenário,/ no olhar./ As mesmas nuvens,/ mas há um arco-íris no céu!/ (...) Na alma do retirante,/ cores ligam/ Terra e Céu!”

Sendo assim, não causa estranhamento que o sujeito lírico de Maria Helena Sato se aproxime da poesia zen, pois para compreender a desfiguração da vida segundo Octavio Paz no artigo “A poesia de Matsuo Bashô”, recorre-se à “doutrina sem palavras (...) através da experiência do sem-sentido, descobrir um novo sentido”. Logo, versa o sujeito lírico: “O nada ilumina/ o que palavras/ obscurecem./ Sou/ minha própria/ nudez”. Por outro lado, ainda em sintonia com o Oriente, Sato subverte a temática do hai kai ao referir-se à religiosidade cristã: “Quase hora de missa,/ já pelo caminho, a pé/ cem ave-marias!”

A entrega incondicional ao ser amado ganha atenção especial em diversos poemas de Sato. Em “Amor Líquido – sobre a fragilidade dos relacionamentos humanos”, o sociólogo Zigmuth Bauman observa a dificuldade dos casais em manter suas relações, pois se considera que uma relação fechada obstrui relacionamentos futuros mesmo sem a certeza de concretizá-los, ou seja, segundo Bauman, “a solidão por trás da porta fechada de um quarto com um telefone celular à mão pode parecer uma condição menos arriscada e mais segura do que compartilhar um terreno doméstico comum”. Por isso, reconforta a posição do poema “Recriação”, rara e contrária à maneira dispersa que os relacionamentos amorosos se dão entre nós: “À tua Luz me/ rendo/ e em qualquer espaço/ me desvendo,/ se for em teu/ universo!”.

Como “cristais em lapidação/ constante”, nós, “sísifos da vida”, encontramos na leitura de “Cristais”, de Maria Helena de Morais Sato, sapiência e conforto para contermos as individualidades, o “nosso impulso/ de/ ter” e encararmos as atrocidades da vida como o herói menino que, após ter tido sua cesta de mantimentos roubada, “sorria/ por ter carregado tanto/ e não ter pesado/ nada!”

Trata-se de poesia diaspórica cabo-verdiana de excelente qualidade. E o melhor: publicada no Brasil. Portanto, recomendo a leitura deste “Cristais”, de Maria Helena Sato.

segunda-feira, 21 de março de 2011

José Luiz Tavares - Dia Mundial da Poesia

EPÍSTOLA AOS POETAS DO MEU PAÍS
(Antimanifesto para um tempo sem poesia)

Oram e laboram nas catacumbas
do mistério, os poetas do meu país.
Têm pactos com a metafísica.
São fiéis assalariados da tristeza.
Carpem a desfortuna da história,
o glorioso incêndio de roma,
e até mesmo o primeiro uivo divino.
Cobrem-se de tantas imaginárias
dores, como se lhes não bastasse
as veras que lhes dá o mundo.

Ó altos atletas da mágoa,
de lacrimais talentos possuidores,
o paraíso ou o inferno não são mesteres
de um só dia. Canção de embalo
ou acorde perfeito não erguem cidades.
À bulha com as pedras, até que derribada
a última quimera, sufocada a harmonia,
não sobre alento para canto ou choro.

E no entanto o mundo se revida?
Pobres versos não movem guerras;
sorriem antes ou desembestam caretas,
porquanto nem piedade ou cólera
defendem da humilhação e o progresso
lá vai fazendo as suas vítimas.

Ó crentes nas ideias que não defenderam
atenas do soçobro, a posteridade vale
bem menos que a gratidão do sol
esparramada por sobre esses fêveros
pardos campos. Soltar gases, armar
escarcéu, é bem mais poético e mais
humano, que o silêncio foi sempre
uma forma de morte distraída.

Ó tribunícios companheiros no altar
do verbo, se o tempo é chaga e o dom
impuro, fazei antes estalar o chicote,
ou desatai aos pinotes num desmedido
arroubo de danados.

JOSÉ LUIZ TAVARES

José Luiz Tavares nasceu em Cabo Verde em 1967 e reside em Lisboa, Portugal, onde estudou literatura e filosofia. Publicou «Paraíso Apagado por um Trovão» (2003), Agreste Matéria Mundo (2004), Lisbon Blues seguido de Desarmonia (2008), Cabotagem&Ressaca (2008) e Cidade do Mais antigo Nome (2009). Recebeu inúmeros prémios literários em Cabo Verde, Portugal, Brasil e Espanha, entre os quais o Prémio Mário António, da Fundação Calouste Gulbenkian, o Prémio Jorge Barbosa, da Associação dos Escritores Caboverdianos, o Prémio Literatura para Todos, do Ministério da Educação do Brasil, o Prémio Pedro Cardoso, do Ministério da Cultura de Cabo Verde, e o Prémio Cidade de Ourense, do Ayuntamiento de Ourense. Foi ainda Finalista do Prémio ibero-americano, Correntes d’escritas, e semi-finalista do Prémio Portugal Telecom de literatura no Brasil.

* Poema gentilmente cedido por José Luiz Tavares para publicação neste blog em virtude do Dia Mundial da Poesia.

domingo, 13 de março de 2011

Quatro poetas de Cabo Verde (vozes femininas) na sèrieAlfa - art i literatura

A revista catalã sèrieAlfa - art i literatura em seu número 49 (março-2011) providenciou uma justa antologia de poesia feminina de Cabo Verde. Organizada por Paloma Serra Robles, esta versão de Quatre poetes de Cap Verd (Quatro poetas de Cabo Verde) reúne Eileen Almeida Barbosa, Vera Duarte, Margarida Filipa de Andrade António Fontes e Chissana Mosso Magalhães e juntam-se ao material reunido para Quatre poetes de Cap Verd (Quatro poetas de Cabo Verde), uma pequena antologia de poesia contemporânea realizada por José Luiz Tavares e Joan Navarro, este o responsável da tradução para o catalão. Constam na antologia os nomes de Mario Lucio Sousa, Arménio Vieira, Oswaldo Osório e Valentinous Velhinho.

Para acessar a antologia clique aqui.

Fico feliz por ter colaborado neste trabalho e ajudar a levar a literatura de Cabo Verde a outras paragens.

Ricardo Riso

terça-feira, 1 de março de 2011

Quatro poetas de Cabo Verde na revista sèrieAlfa

A revista catalã sèrieAlfa - art i literatura em seu número 49 (março-2011) apresenta a matéria Quatre  poetes de Cap Verd (Quatro poetas de Cabo Verde), uma pequena antologia de poesia contemporânea realizada por José Luiz Tavares e traduzidos para o catalão por Joan Navarro. Constam na antologia os nomes de Mario Lucio Sousa, Arménio Vieira, Oswaldo Osório e Valentinous Velhinho.

Para acessar a antologia clique aqui.

Fico feliz por ter colaborado neste trabalho e ajudar a levar a literatura de Cabo Verde a outras paragens.

Ricardo Riso




* Em comentário a este blog, José Luiz Tavares esclarece que "apenas três poetas foram selecionados por mim, e os poemas foram extraídos duma antologia de 10 poetas vivos(em 2008)de Cabo Verde por mim organizada e que demora em ver a luz dos escaparates.O Valentinous declinou o nosso convite, pelo que a sua inclusão é da responsabilidade do editor da série alfa." Agradeço a informação ao poeta! 

sábado, 29 de maio de 2010

José Luiz Tavares - Paraíso Apagado por um Trovão (3a. edição)

Paraíso Apagado por um Trovão, do celebrado poeta José Luiz Tavares chega a sua terceira edição sob a chancela da Universidade de Santiago. O que torna especial a atual edição é o fato de ser bilíngue, com todos os poemas transcritos em língua cabo-verdiana, além de constar uma entrevista à Maria João Cantinho em 2004.

Com esta obra, José Luiz Tavares foi galardoado com os seguintes prêmios: Prémio revelação Cesário Verde, C.M.O. 1999; Prémio Mário António, Fundação Calouste Gulbenkian 2004: e foi Finalista Correntes d’Escritas / Casino da Póvoa 2005.

Marco paradigmático na poesia cabo-verdiana, Paraíso Apagado por um Trovão é, conforme assinalou José Luis Hopffer Almada em posfácio de outro livro do poeta - Lisbon Blues, "choca, desde logo, pelo seu apuro de linguagem, num português raro, e quiçá rebuscado, na sua erudição.


Característico dessa linguagem é o seu quase despojamento do coloquialismo identitário da poética e do concreto léxico da caboverdianidade, por vezes marcada pelo chamado português literário de invenção claridosa, frequentemente chão, mesmo se – como foi anteriormente dito - assaz elaborado na sua inventividade literária e irrecusavelmente autêntico na sua pertinência cultural.

De todo o modo é o apuro da linguagem, na sua raridade e erudição, que tornam patente e incontornável o efeito universalizante de ruptura quer com o telurismo atávico, de raiz claridosa e feição novalargadista e vanguardista".

Parabéns ao poeta José Luiz Tavares por este novo Paraíso Apagado por um Trovão e pela tradução deste para a língua materna, objeto maior da afirmação identitária do arquipélago, e que tanta perseguição sofreu em um triste passado não tão distante. Há-de celebrar a produção em língua materna assumida por nomes como Danny Spínola, Kaká Barbosa, Jorge Carlos Fonseca, Zé Dy Sant'Y'Agu (heterônimo de José Luis Hopffer Almada), seguidores na tradicão do uso do crioulo de nomes como Kaoberdiano Dambará, Pedro Cardoso e Eugénio Tavares.

Ricardo Riso



ONDE HABITA O TROVÃO
UNDI KI STRUBON MORA
2.

A casa é um esboço de memórias:
primeiro, o telhado onde os gatos tecem
ninhadas. A insónia trabalha os alicerces
como furiosos êmbolos percutindo os veios.
Os filhos chamam das janelas, estendem raízes
pelos pátios num sereno avultar de astúcias.

O vento enumera as casas que foram sendo
habitação dos mortos; em segredo;
como um rumor de pálpebras
descendo sobre a surdina dos amados nomes
sussurrados junto aos poços do crepúsculo.

Ruínas de antiga ordem, fitam-nos desde
a lonjura do olvido; mas os esteios lá permanecem;
se bem que esventrados por percucientes máquinas.
Tão fundo descem que é própria raiz dos sonhos
que escarvam.
p. 22


i i .


Kaza é un sbosu di mimórias:
prumeru, tedjadu undi ki gatus ta tise
ninhadas. Insónia ta trabadja alisersis
sima piston furiozu ta rapika na veius.
Fidjus ta txoma di janela, es ta stende raís
pa pátius, nun labantar serenu di astúsia.


Bentu ta konta un pur un kes kaza ki ba ta ser
morada di mortus; sukundidu;
sima un susuru di pálpibras
ta dixi riba di surdina di kes nomi amadu
limiadu baxu djuntu di posus di kanbar di sol.


Ruínas di ordi antigu, es ta djobe-nu
desdi distansia lonji di skesimentu; mas pilar
ta kontinua la; si ben ki ratxadu
pa kes mákina ki ta diskabaka-s. Es ta dixi ton fundu
k’é propi raís di sonhus k’es ta garbata.
p. 23

 
10.

Imenso país imerso, a infância.
Cheira a mangas verdes mordidas sob
o sol de agosto. A bichos padecendo
num estio de febre.

Insoluta pátria de segredos
rescendendo pelos poros,
quando o norte se entenebrece
e as vozes do sul distante tecem
as incalculáveis rotas do regresso,

vejo-a a cada solidão adentrando
a raiz do coração; vejo-a incorruptível
por entre rápidos estandartes,
porque não de pedra
ou outra perecível matéria,

mas silente caule, raiz e húmus,
cicatriz perene — foi de um baio
que tive, jumento talvez, mas isso
que importa?, ó coração velho
que já só urros levas agora na carlinga.
p. 38

 
x.


País tamanhu murgudjadu
é mininesa. E ten txeru di mangi
mordedu na sol d’agostu.
Di bitxus ta padise nun veron di febri.


Pátria di segredus sima pedra
ta risende através di peli
ora ki norti ta sukura y kes vos
di sul la lonji ta kanta kaminhus
inkalkulável di rigresu,


n ta odja-l na kada solidon
ta kanba na rais di kurason; n ta odja-l perfetu
n ta odja-l na meiu di banderas presadu
sima kusa ki ka ta more,
ka pamodi é di pedra o dotu material
ki ta ditiora, mas pamodi
é tronku silensiozu, raís y strumu,


sikatris pa tudu senpri – foi di un kabalu
kor d’oru ki n tevi (si kadjar matxinhu,
mas kel li ka ten inpurtansia) ó kurason
bedju ki gosi so gritu
bu ta leba na kabina.
p. 39

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Arménio Vieira - Não há estátua que preste na minha cidade (POEMA)

“Para Léo Ferre, em saudação a todos os anarcos-surrealistas”

Quando um homem pega numa fruta e a leva à boca
Há sempre um polícia que diz “alto aí!, pois essa é do patrão”
O malefício de algumas víboras é mesmo isso:
Fuzilam-te com o olho direito.


Mas a desgraça não pára aqui:
Sempre que um homem tenta dizer uma certa palavra
Morre enquanto pronuncia a letra A
(uma bomba explode no meio do alfabeto).


E porque não havia de ser assim
Se o mínimo que de uma barata se ouve dizer num parlamento
É que ela vai ser a cantora eleita?


Por isso continuo a jurar que de todos os músicos
Prefiro aquele que se senta ao piano e diz que é surdo.


E quando me dão a escolher entre um cavalo e uma bicicleta
Fecho os olhos e escolho um caracol.
E depois, como não sei que fazer desse animal,
Fico parvo a olhar para ele.


Pois é: um caracol (assim como um soneto)
Será sempre uma máquina estupidamente lenta
No meio d’automóveis que dão tantos à hora.


O olhar de Deus contempla a minha cidade.
Porém, não há estátua que preste na minha cidade

(VIEIRA, Arménio. Poemas. São Vicente: Ilhéu, s/d. p. 111)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Ovídio Martins – desesperadamente Caboverdeano (A Nação nº 141)


Por Ricardo Riso

Publicado no semanário A Nação, nº 141, de 13 a 19/05/2010, p. 38.

Sob o inferno colonial português e as suas abomináveis táticas de repressão, tortura e medo, submetendo o povo caboverdeano à miséria e à ignorância, e dando sequência à afirmação identitária – “de fincar os pés na terra”, como diria Manuel Lopes – iniciada pelos escritores da revista Claridade, surge a geração da Nova Largada com o propósito de dar continuidade ao projeto claridoso, porém acentuando a postura contrária à política vigente à época como podemos inferir nas temáticas da revista Certeza (1944), e a posterior e necessária radicalização na virada dos anos 1950/60 em publicações como Suplemento Cultural, Boletim dos Alunos do Liceu Gil Eanes e Seló – Página dos Novíssimos.

Motivados pela crítica ferrenha ao colonialismo, fazendo da poesia a arte da intervenção social e usando a força da palavra contestatária para estimular a revolta e o inconformismo, os poetas da Nova Largada, dentre outros, Arnaldo França, Orlanda Amarilis, Tomás Martins, Gabriel Mariano, Onésimo Silveira, e posteriores seguidores dessa linha urgem os nomes de Arménio Vieira, Oswaldo Osório e Mário Fonseca, todos projetores da gestação de um país independente. Insubmissos, partícipes da “noite grávida de punhais”, junta-se a eles o mindelense Ovídio Martins.

Ainda, para complementar esse processo de configuração de um sentimento nacional e de aspiração por uma nação livre, dando o seu contributo e a importância histórica devida, há a criação do PAIGC (Partido Africano para a Independência de Guiné e Cabo Verde) sob a visionária e correta liderança de Amílcar Cabral. Também é necessário frisar a relevância de ensaios perscrutados no campo cultural de Gabriel Mariano, com destaque para “Do funco ao sobrado ou o mundo que o mulato criou”, que estimulam a origem mestiça e o vínculo com o continente africano.

Um dos mais combativos poetas de sua geração, Ovídio Martins (17/08/1928 – 29/04/1999) foi um defensor implacável da libertação colonial, comprometido em denunciar as injustiças que afligiam seus pares. Exaltado defensor do antievasionismo, atualizou a Pasárgada de Manuel Bandeira que inspirou Osvaldo Alcântara para a urgência político-social de seu tempo, “Gritarei / Berrarei / Matarei / Não vou para Pasárgada”, para, em nome da união de seu povo, “estendermos as mãos / desesperadamente estendermos as mãos / por sobre o mar”.

O mar para este poeta dos olhos que “rolam lágrimas cor de sangue” teve a sua relação reconfigurada, sendo revisada a condição insular do ilhéu, porque naquele momento passou a ser um aliado contra o colonialismo e incorporado à construção identitária caboverdeana, pois “o mar transmitiu-nos a sua perseverança” e agora “as ondas não são muros / são laços de sagarços / que servirão de leito / à grande madrugada”.

Detentor de um olhar atento ao sofrimento dos seus pares, a figura arquetípica do contratado possui espaço considerável nos poemas de Ovídio Martins que expõe a dor daqueles que estão distantes, submetidos aos trabalhos forçados nas roças e nas prisões das ilhas de São Tomé. Solidária, a voz do sujeito lírico convoca os irmãos caboverdeanos para prestar atenção às mazelas dos distantes companheiros: “Silêncio Cabo-Verdianos! / choram irmãos nossos / nas roças de São Tomé”; e, ainda assim, passar mensagem de esperança: “Bendito sejas / serviçal cabo-verdiano / Não deixes que tuas pálpebras /amorteçam na dor / É preciso enrijá-las / para o dia do regresso / Que voltarás / não numa manhã de nevoeiro / de morbidez alquebrada / mas num dia de sol quente”.

Infere-se que a poesia para Ovídio Martins foi um espaço de reivindicação, de coerência com seus ideais, de luta libertária contra a opressão de seu tempo constatadas em seus livros “Caminhada” (1962), “Tchutchinha” (1962) e “Gritarei, berrarei, matarei: - Não vou para Pasárgada!” (1973). De “Ilha a ilha. Dor a dor. Amor a amor”, o poeta contribuiu para a concretização da utopia, para o surgimento de Cabo Verde independente.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Oswaldo Osório – A Sexagésima Sétima Curvatura, por Ricardo Riso


Oswaldo Osório – A Sexagésima Sétima Curvatura
Por Ricardo Riso
resenha publicada no jornal A Nação (Cabo Verde) nº 139, de 29/04/2010 a 05/05/2010, página 16.
Agradecimento especial ao amigo Tchalê Figueira pela gentileza ao enviar-me este livro, ao Prof. Manuel Brito-Semedo pela troca de impressões, ao Giordano Custódio - filho do poeta - pelas belas palavras, e principalmente ao sr. Oswaldo Osório a quem dedico esta resenha com respeito e profunda admiração.

Entre as artes, a poesia possui o poder insuperável de criar imagens através da escrita dos poetas que desbravam os “mistérios da Palavra” (p. 71). Felicita-nos ler versos de quem é compromissado com o seu ofício e canta: “sei o limite da dor e o ilimitado poder das monstruosidades inverossímeis/ que escapam aos homens e o poeta exorcisa” (p. 71), mesmo quando em tempos sombrios recorre aos irmãos do Atlântico Manuel Bandeira e Jorge Barbosa: “é adiada a Estrela da Manhã/ e um destino mais impenetrável se perfila” (p. 73). Felicita-nos a conclusão da travessia dos poemas de “A Sexagésima Sétima Curvatura” (Dada Editora, 2007), novo livro do consagrado poeta da ilha de São Vicente, Oswaldo Osório.

Nome histórico e fundamental às letras de Cabo Verde, este mindelense estreou e foi um dos fundadores da célebre e de curtíssima duração “Seló – Página dos Novíssimos”, solidificou sua veia poética em títulos como “Caboverdeamadamente construção meu amor”, “Clar(a)idade Assombrada” e “Os loucos poemas de amor e outras estações inacabadas”.

Neste “A Sexagésima Sétima Curvatura” o poeta logo revela a origem do título: “acompanhei a Terra 67 vezes ao redor do sol/ de cada vez com a duração de um ano”(p. 15); e consciente da finitude do tempo, sereno afirma que “a morte não é um pesadelo de que não se recorda/ é parte de outra realidade que começa/ mais além da que termina”(p. 69), por isso “tudo o que faço agora/ é sem pressa e devagar”(p. 56), e conforta-se em palavras, acertando-se com Cronos: “Todavia o meu aturdimento não é o medo da morte/ vem do quanto fica por viajar e conhecer”(p. 15).

Osório destaca-se pela coerência política em prol da inquestionável defesa dos desfavorecidos e revolta perante as injustiças do absurdo colonialismo ao qual foi submetido viver e, por isso, combater: “quando eu nidificava/ e amando eu sonhava/ o que na terra eu plantava/ voo futuro se chamava”(p. 53). Daí a legitimidade de versar que “por um sonho ideal/ desafiei o medo”(p. 43) para lembrar àqueles que se apropriam dos ideais de quem os possui por essência: “nunca alcançarão o tamanho do sonho que sonhámos/ mas amam tirar proveito dos seus frutos”(p. 91). Sonho de “quem olha o nascer do mundo”(p. 20) para um “homem novo” (caboverdeano) (p. 19) no qual são “abertas as portas do amanhã conquistado”(p. 21). De quem fez da utopia o sentido da vida: “construí minha vida/ com muita alegria/ e rebeldia (...)// no transcurso/ sonhos/ porque se tudo não é sonho/ não tem sentido a vida/ com alegria ou rebeldia”(p. 54).

Emocionantes os versos com o desejo incondicional do poeta em promover a comunhão entre os homens, “homens de um só tronco e de um só mundo”(p. 26), “filhos de gea a nossa mátria”(p. 27), para que “talvez um dia desconstruindo saberemos/ como o mundo e nós se construíram/ e de frente com o espelho que nos reflectia enganos/ despedaçados às nossas mãos/ a realidade apareça inteira ao nosso espírito remoçado”(p. 65).

O livro foi dividido em 3 partes com poemas que vão desde os anos 1980 e apenas 1 dos anos 1970: O Tempo e o Modo, O Tempo que Passa e O Tempo e a Curvatura da Idade, sendo que neste há generosos espaços cedidos pelo poeta para que o leitor transcreva os seus pensamentos.

Portanto, “A Sexagésima Sétima Curvatura”, em razão da deficiência visual do poeta, contou com a preciosa colaboração da família de Osório e de Manuel Brito-Semedo que também prefaciou a obra. Este livro reafirma o lugar de Oswaldo Osório entre os principais nomes da literatura de Cabo Verde, confirma o seu humanismo: “nunca me seduziu o ter/ mas apaixonou-me o ser// nunca nada consegui ter/ mas sendo consegui vencer”(p. 29); e ratifica o desejo de quem escreve “para fugir à ditadura do tempo e tentar marcar a minha época cultural com a marca da minha diferença entre os meus iguais”(p. 82). Com a inabalável qualidade de sua poesia, Oswaldo Osório vence Cronos e aguardamos o muito que ele ainda tem a nos oferecer.

sábado, 3 de abril de 2010

Vasco Martins e a celebração telúrica do Monte Verde em “run shan”

Por Ricardo Riso

Agradeço a gentileza do amigo Tchalê Figueira ao me presentear com esta pequena pérola.

Exímio compositor e pianista de formação erudita, com onze álbuns gravados – o primeiro, “Vibrações”, data de 1979, enquanto o recente “Lua Água Clara” foi lançado em 2009 –, compôs nove sinfonias além de inúmeras peças que abarcam a música tradicional de Cabo Verde, e ainda assim passeia por diferentes estilos da música. Falamos de Vasco Oliveira Martins, nascido em 12/07/1956 na cidade de Queluz, Portugal.

Filho de pai cabo-verdiano e mãe portuguesa, aos nove anos muda-se para a ilha de São Vicente, Cabo-Verde, juntando-se à família paterna, onde concluiu o Curso Geral dos Liceus, em 1974. Foi para Portugal estudar com o compositor Fernando Lopes Graça e na França com o compositor e chefe de orquestra Henri-Claude Fantapié. Retornou a Cabo Verde em 1985 e permanece até os dias atuais.

Na poesia, Vasco Martins recebeu menção honrosa nos Jogos Florais de 12 de setembro de 1976, participou da antologia “Mirabilis – de veias ao sol”, e publicou os livros “Universo da ilha” (1986), “Navegam os olhares com o voo do pássaro” (1989), “run shan” (2008). Tem ensaios e artigos publicados no “Voz di povo”, “Voz di letra”, “Fragmentos”, entre outras publicações. Na internet, encontramos as músicas de Vasco Martins em seu site e sua poesia no blog Deserto do Sul.

run shan é um pequeno, cuidadoso e delicado livro de poesia com apenas 34 páginas, formado por poemas atribuídos ao heterônimo Vasc d’Monteverde cujo leitmotiv é o Monte Verde, ponto máximo (774 m) da ilha de São Vicente. Escorando-se em sua formação universal e no profundo conhecimento das filosofias orientais, Vasc d’Monteverde recorre ao antigo poeta chinês Li Bai e aos taoístas daquele país para justificar a apropriação de suas visões de mundo e a opção em celebrar o monte sanvicentino a partir do conceito de run shan que “significa ‘penetrar a montanha’, no sentido meditativo, contemplativo: usufruir do privilégio de estar longe da polícia geral da vida” (p. 5).

Com isso, depreendemos que há uma postura do sujeito lírico em não apenas versar o Monte Verde, mas o desejo inequívoco em revelar o seu descontentamento com o mundo que o cerca. O fato de ter a montanha como local de reflexão dos males da contemporaneidade estimula-o a buscar outras paisagens, outras sensações para acalentar o espírito, alcançar a paz interior e utilizar a força da palavra poética como condutora desse caminho: “Purificado pelas brumas do Monte Verde / Alma de poeta caminhante contemplativo / Encontro paz longe longe d’azafáma do mundo” (p. 18).

Suas preocupações existenciais e metafísicas, e o predomínio de uma visão telúrica remetem-nos ao heterônimo de Fernando Pessoa, Alberto Caeiro. Sendo assim, justifica-se quando deparamo-nos com a exacerbada reverência ao Monte Verde realizada por um sujeito lírico praticante dos dogmas taoístas, em uma busca pelo Todo, da fusão do Uno e do Verso, valendo-se dos paradoxos caracterizadores do Tao Te King:

(Agora entre eu e o Monte Verde
Só as nuvens que passam,
Os momentos de plenitude
São quando deixamos de ser nós
Para sermos nós) (p. 7)

O telurismo exacerbado deste heterônimo faz com que sinta pesar por ser obrigado a deixar o Monte, “Hora melancólica. Mas amanhã voltarei!” (p. 9). Porém a tristeza será passageira, pois o sujeito lírico afirma o seu certo retorno para o lugar de tempos imemoriais, ancestrais, no qual até o avançar do tempo desafia Cronos:

Ilhas como dinossauros a descansar.
Choveu e os montes têm rugas vincadas.
A terra move-se trinta quilômetros por segundo
Mas tudo parece quieto (p. 14)

O telurismo constante, o apego ao chão do Monte faz com que o sujeito lírico preste diversas homenagens à fauna – como os fililis e a águia-do-mar – e à flora – Aeonium gorgoneium – locais em diversos poemas, como neste, em que utiliza ora o nome vulgar, ora o nome científico das aves e das plantas:

Macela
Sementes de erva doce
Falco alexandrii
Sementes de endro
Aeonium gorgoneium
Coroa-de-rei
Passar iagoensis
Gestiba
Pandion halieatus
Pandion halieatus (p. 28)

Elementos da natureza como o ar e a aspiração por liberdade aparecem em vários momentos nos poemas, em líricas e tenras imagens de uma poesia comprometida com o etéreo: “Se observas os pardais do campo / É porque o teu coração anseia / Pela candura e liberdade” (p. 16). As metáforas do voo surgem, desprender-se do terreno através de uma profunda interiorização do ser a transcender em forma de poesia:

Deste único arvoredo vejo uma
Ilha suspensa: vou com ela
Pelo universo adentro talvez
Nalgum porto o meu espírito há-de acostar (p. 15)

Outro elemento da natureza é invocado, a água, para criticar a desordem da vida contemporânea e renovar os corações e as mentes dos homens, preparando-os para uma nova Era de harmonia entre os seres:

De uma secreta fonte há-de brotar
Límpida água
Fluindo depois como uma ribeira
Purificando o coração dos homens
Pacificando o coração dos homens
Restabelecendo a Era da ternura e compaixão (p. 25)

A crença inabalável nos homens faz com que recorra ao seu conhecimento universal e assim capturar o alento proposto nas composições do músico erudito finlandês Jean Sibelius e ao Buda Çâkyamuni. Tenta, com isso, recompor a sensibilidade dispersa por tanto desprezo ao próximo, dominante na ordem competitiva dos dias atuais. Almeja a mudança da mentalidade destrutiva que se apodera da Humanidade e encerra o poema com a sapiência do paradoxo:

Quando me dizem que o mundo vai mal
Já não acreditam na humanidade
E tudo caminha para um colapso
Argumento:
Ouçam a sétima sinfonia de Sibelius
Ela é a prova da magnitude espiritual
Do ser humano
Afirma a generosidade que temos em nós
Tal como Çâkyamuni anunciou.

É uma luz-farol para as boas navegações
Temperada por ela empreendemos a vida
Com alento e esperança.

Não se pode percorrer o caminho
Sem sermos o próprio caminho (p. 27)

Ao incorporar a filosofia oriental, o sujeito lírico usa expressões em sânscrito, língua dos textos sagrados indianos, para demonstrar a vontade incontestável de mudança e clama por uma visão de vida, de relação com o sagrado, com o cosmo: “Por alguns instantes somos a luz que brilha / Ávida por outra luz. // Sarvasattvapriyadarçana!* // (...) Que essa luz nos ilumine! / Que essa luz nos ilumine! / Que essa luz nos ilumine!” (p. 19)

O poema Mañjushaka, palavra em sânscrito, que significa uma flor branca que cresce no paraíso e que tem poder de afastar maus espíritos, propõe a evasão para tentar compreender a inconsequência do mundo. Lirismo ao encontro do universo, aspira a comunhão com o Todo:

Durante horas vagueio
Solitário neste Monte
Até estar no movimento do
Universo.
Com ele no coração
A mente torna-se calma e lúcida. (p. 29)

Da profunda viagem interior, novas percepções surgem e revelam, sinestesicamente, o mistério que há na natureza: “Vem da terra o cheiro / Húmido das nuvens. / A simplicidade das ervas frescas / É o segredo.” (p. 29).

Na ininterrupta procura pela harmonia, “Visto uma camisa amarela / Para condizer com a luz do fim do dia” (p. 23), o comovente e lírico poema “Sob um pé de charuteira” mostra a gradação da meditação. Da paz e tranquilidade proporcionada pelo shanti à passagem para um novo estágio de consciência, o samsara. Sinergia em êxtasiantes versos, a confluência com o Todo, o Indivisível, o Universal: “Sinto: / A montanha parece querer entrar em mim // Agora: / Azul Abril / Asa de borboleta nocturna” (p. 21)

Ao utilizar o heterônimo Vasc d’Monteverde, o poeta e músico Vasco Martins contribuiu de forma excepcional para o lirismo e o universalismo típicos da poesia cabo-verdiana. As ressignificações propostas pela inspiração na filosofia oriental demonstram prismas diferenciados que podem nos ajudar a ver, sentir, refletir uma nova forma de vida para a histeria do mundo ocidental. O canto lírico interior emanado de Vasc d’Monteverde mergulhado no cosmo da natureza, faz com que sua poesia voe livre, liberta das amarras terrenas, sendo conduzida apenas pela ilimitada imaginação criadora.

Acompanhamos os versos do poeta, “Felizes brindámos / À vida com bom vinho / Momento eterno fugaz” (p. 26), descobrimos novas sensações que fazem do Monte Verde, signo de pureza e alegria, o local onde os movimentos cósmicos se transformam para renovar o ser humano, por conseguinte, renovar o mundo que lhe coube viver. Monte Verde, local do belo, run shan, páginas de encantamento, incentivos a novas buscas existenciais, a desvendar o mistério da criação.

Monte Verde!

Já dormi em cima da tua terra limpa-macia!
Celebro-te!
Perto de ti não mais tenho dúvidas!

Que muitas gerações ainda celebrem a tua beleza.
Que te protejam dos homens e das cabras.
Continuarás então a limpar a alma
Dos que sentem o apelo das brumas e do silêncio. (p. 30)


 
* Sarvasattvapriyadarçana: do sânscrito: visão de alegria para todos os seres (Nota do escritor).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
SECCO, Carmen L. T. R. (Org.). Antologia do mar na poesia africana de língua portuguesa do século XX: Cabo Verde. Rio de Janeiro: UFRJ, Coordenação dos Cursos de Pós-Graduação em Letras Vernáculas e Setor de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, 1999. v.2.

INTERNET
Vasco Martins. http://vascomartins.com/ Acessado em 02 de abril de 2010.
Deserto do Sul. http://desertodosul.blogspot.com/ Acessado em 02 de abril de 2010.

domingo, 14 de março de 2010

Valentinous Velhinho - É à tarde (poema)

É À TARDE
É à tarde,
Quando o sol s’esconde e fina,
Mas fica
- sem luz já,
Com os olhos apalpando o Ténue –
Alguma claridade inda
Que gosto de pensar:
– sob o derramamento lento do espírito –
Súbito em algo se rompe,
Fazendo rebentar – além – o próprio vácuo.
O vácuo só lá longe é real. À nossa ilharga nunca!
É nesta hora que,
Hasteados os ombros sobre os últimos píncaros da sombra,
O sol e a solidão – arrimados aos horizontes – s’encontram.


S’encontram
E me deixam sózinho
– universalmente sózinho –
Entre a luz e as trevas
– como sombra perfeita e inominável do Esquecimento.
 
(VELHINHO, Valentinous. É à tarde. In: Tenho o infinito trancado em casa. Praia: Artiletra, 2008. p. 22)

terça-feira, 2 de março de 2010

POEMix - POEMAS DE NENHUM LUGAR, novo videoart de Mito

Há excelente produção de arte contemporânea em Cabo Verde, como podemos constatar no link a seguir de mais um novo e belo trabalho que une poesia, imagem e som do inquieto artista plástico cabo-verdiano Mito (Fernando Elias). Neste, o artista presta uma bela homenagem à poesia e a nomes maiores da poética das ilhas.

Ricardo Riso


POEMix - POEMAS DE NENHUM LUGAR

Poesia, imagem, corpo e ambientes sonoros
Mito Elias - Poesia, leitura, sons e vídeos

Binga de Castro - Paisagens sonoras (Música, corpo e sonorizações)
5 de Março - Sexta Feira - às 21 H - No Instituto da Língua Portuguesa
Rua Andrade Corvo - Plateau - Praia (casa cor de rosa, junto ao quartel Jaime Mota).

POEMix - é um pequeno exercício performático que abarca a poesia num conceito pluri-dimensional (palavra, vídeo, gestos e sons). O espectáculo consiste na reinterpretação de 12 poemas de vários autores Cabo Verdianos : (Alexandre Cunha, Arménio Vieira, Danny Spínola, Eurico Barros, Filinto Elísio, Jorge Carlos Fonseca, José Luíz Tavares, Mário Fonseca, Mito, Oswaldo Osório, Vadinho Velhinho e Zé di Sant'y'agu). O objectivo deste evento é procurar realçar a beleza das palavras, dos gestos, das imagens e dos sons que cada escrito sugere, para que a poesia não fique estática e empoeirada nas estantes.

Apoio : INSTITUTO INTERNACIONAL DA LÍNGUA PORTUGUESA
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www.tanboru.org/mito
http://www.youtube.com/watch?v=OrqxJJF4TwE&feature=related
www.saatchi-gallery.co.uk/yourgallery/artist_profile/Mito+Elias/23947.html

Fonte: e-mail gentilmente enviado pelo artista plástico Mito em 02/03/2010.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Onésimo Silveira – poesia como testemunha do seu tempo (Jornal A NAÇÃO 130 - 25/02/2010)



Onésimo Silveira – poesia como testemunha do seu tempo*
Por Ricardo Riso

Registro de um tempo histórico de tristes recordações, detentor de um rigoroso comprometimento social e na defesa incontestável do cidadão caboverdeano, assim é o livro “Poemas do tempo de Trevas – Saga / Hora Grande” de Onésimo Silveira. Sob a chancela do IBNL (Praia, 2008), a publicação reúne poemas inéditos e dispersos escritos até o ano de 1958 em Saga, e re-edita Hora Grande, de 1962.

Nascido em 1935 na Ilha de São Vicente, Silveira participou de “Claridade” – apesar de ser um crítico ferrenho da geração claridosa –, do Boletim dos Alunos do Liceu Gil Eanes e consta em diversas antologias como “Modernos poetas caboverdeanos” (1961). Como ensaísta lançou “Conscientização na literatura de Cabo Verde” (1968), entre outras obras. Sofreu exílio político, fixando-se na Suécia, onde formou-se em Ciências Sociais.

Seguidor da linha contestatária da revista “Certeza”, Silveira fez da sua poesia veículo de protesto contra a asfixia colonial. O realismo visceralizante de seus versos retrata cenas do cotidiano tortuoso ao qual o ilhéu era submetido, como na movimentação proporcionada com a aproximação de um barco ao porto, mas que ao não atracar gera intensa frustração ao “homem que desde manhã grande / Pensava na fome dos filhos / E da mulher que deixou a esperar” (p. 42). Entretanto, quando um barco chega a um porto as oportunidades de trabalho são escassas porque se respeita a ordem da “infinda lista negra” (p. 40) de homens “para o desembarque das mercadorias” (p. 40).

Recordamos as reflexões de Albert Memmi a respeito do comportamento do colonizador durante a leitura de “Portões da Companhia”: “Portão indiferente das companhias / Que não quer ver, não quer falar, não quer sentir / Para não sossobrar também ao peso da angústia!” (p. 43). Inferimos a desumanidade e o desprezo ao ilhéu simbolizados no “portão”, marca da crueldade do poder à época.

Enquanto no poema “O Regresso” a revolta anuncia-se com a emigração forçada às roças de São Tomé e o retorno do caboverdeano à ilha após um período de agruras: “E trazem a certeza mordaz da desgraça irremediável / Esses escorraçados do destino que foram matar a fome / E regressam com a insaciável sede e fome de justiça” (p. 80)

Depreendemos a nova relação com o mar, não mais castrador e evasionista, fortalecida com a crescente mobilização contra o colonialismo e sendo explicitada em “Um Poema Diferente”: “O povo das ilhas quer um poema diferente / Para o povo das ilhas: / Um poema sem braços à espera de trabalho / Nem bocas à espera do pão; / Um poema sem barcos lastrados de gente / A caminho do Sul” (p. 128).

A partir da virulência da sua poesia engajada a contrapor a violência colonial, o sujeito lírico de Onésimo da Silveira desnuda as atrocidades sofridas pelo ilhéu, que busca sua dignidade enquanto é tomado pela fome e pela ausência de trabalho. Seus poemas mostram como a batalha do cotidiano era encarada com “um instinto de sobrevivência quase carniceiro” (p. 55) àqueles que ficavam nas ilhas, ou aos que embarcavam na inevitável emigração: “Apontou-me, entre outras razões, / Que embarcaria para São Tomé / Só porque não havia o que fazer // E eu / Não podendo dizer-lhe mais nada / Respondi que já sabia.” (p. 75). Contudo, o sujeito lírico também desmascara a ilusão do que poderia ser a emigração: “A certeza de coisa alguma / Desterrou o pobre imigrante / Na solidão de si próprio / (...) A lamentar... a lamentar... a lamentar... / Vive o velho imigrante / Aprisionado na sua própria solidão” (p. 52).

Atravessar as páginas de “Poemas do tempo de Trevas – Saga / Hora Grande” é se deparar com retratos de uma época que a poesia de Onésimo da Silveira jamais se omitiu em revelar.

* Artigo publicado no jornal A Nação (Cabo Verde), página 9, de 25/02/2010

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Arménio Vieira - O Poema, a Viagem, o Sonho (livro)

Como bem disse João Branco em seu excelente blog Café Margosocafemargoso.blogspot.com:

"Se houve alguma consequência palpável da atribuição do Prémio Camões a Arménio Vieira foi isso ter obrigado - por motivos comerciais, naturalmente - a que o poeta tirasse uma série de trabalhos da gaveta e que estes acabassem por ver a luz do dia mais cedo do que o previsto (não foi preciso, por exemplo, esperar que o poeta morresse para que alguém se lembrasse de lhe publicar obra inédita a título póstumo - lagarto, lagarto!)."

Com prazer, divulgo um novo título de Arménio VieiraO Poema, a Viagem, o Sonho.
Ricardo Riso



O Poema, a Viagem, o Sonho
Arménio Vieira

Existe alguém que te habita, enquanto um outro te acompanha; este porém não és tu, é apenas sombra tua.

Género(s): Literatura
Acabamento: brochado
Dimensão: 13,5x21 cm
Páginas: 136
Peso: 160 g
Colecção: «Outras Margens», n.º 0
Código: 93.000
ISBN: 978-972-21-2072-2
1.ª edição: Outubro 2009
1.ª edição: Outubro 2009
Data: Outubro 2009
Preço: 16,00 €

fonte: http://www.editorial-caminho.pt/cache/html/show_produto__q1obj_--_3D73346__--_3D_area_--_3Dcatalogo__q236__q30__q41__q5.htm