sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

José Luandino Vieira - entrevista

O escritor angolano José Luandino Vieira concedeu uma entrevista ao jornalista Edney Silvestre no programa Espaço Aberto/Globo News.

José Luandino Vieira é a expressão máxima da literatura angolana. Publicou Luuanda, Nós, os do Makulussu, No Antigamente, na Vida, A cidade e a infância entre outros títulos.

Acesse o endereço abaixo:
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM767804-7823-JOSE+LUANDINO+VIEIRA,00.html

Abraço,
Riso

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

João Tala: blog

Ao navegar pela internet em busca de textos sobre as literaturas africanas de língua portuguesa, encontrei o blog do poeta contemporâneo angolano João Tala, chamado blogtala74 - blog de literatura de joão tala, no endereço http://blogtala.blogspot.com/

Ali fiquei sabendo que o poeta esteve presente no recente III Encontro de Professores de Literaturas Africanas, na UFRJ, e, para minha grata surpresa, João Tala refere-se ao texto que escrevi sobre o seu livro Lugar Assim neste blog.

O texto do poeta está em:
http://blogtala.blogspot.com/2007/11/apreciaes-em-sua-mensageme-mail-de.html

O texto feito por mim está em:
http://ricardoriso.blogspot.com/2007/10/joo-tala-lugar-assim.html

Abraço,
Riso

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Mostra de filmes africanos no CCBB/RJ

OS SEMMENTAIS DE YENNENGA
Cinema
02 a 20 de janeiro de 2008
Senhas distribuídas gratuitamente 30 minutos antes de cada sessão.
Centro Cultural Banco do Brasil - Rio de Janeiro

A África representa o rosto da diversidade cultural, comprovada mais uma vez com a exibição desta mostra, com obras que nos convidam a uma viagem através das realidades e sensibilidades africanas. Os filmes premiados pelo FESPACO ( Festival Pan Africano de Cinema e Televisão de Uagadugu) constituem etapas importantes nessa filmografia, graças à riqueza dos enfoques, a criatividade das narrações e a pertinência das reflexões.

O Ministério Francês das Relações Exteriores contribuiu enormemente para se fazer conhecer melhor o cinema africano ao realizar esta coleção dos grandes prêmios do FESPACO e fazer a criação cinematográfica africana alcançar um público mais amplo.

Os filmes foram digitalizados a partir de cópias antigas. Exibição em DVD.
Apoio: Cinemateca da Maison de France Ali Zaoua, de Nabil Ayouch. França, 2000, Prêmio de público, Amiens 2000.

http://www44.bb.com.br/appbb/portal/bb/ctr2/rj/DetalheEvento.jsp?Evento.codigo=32699&cod=2

Programação - Os Semmentais de Yennenga
De 02/01/2008 a 20/01/2008

• Dia 02/01 - quarta-feira
17h - As Mil e uma Mãos (75 min)
19h - Sarraounia (120 min)

• Dia 03/01 – quinta-feira
17h - Heritage África (110 min)
19h - História de um Encontro (80 min)

• Dia 04/01 – sexta-feira
17h - Finyé (105 min)
19h - Tilaï (81 min)

• Dia 05/01 – sábado
17h - Drum (104 min)
19h - Em nome de Cristo (82 min)

• Dia 06/01- domingo
17h - Buud Yam (99 min)
19h - Muna Moto (89 min)

• Dia 08/01 – terça-feira
17h - Guimba (93 min)
19h - Djeli (92 min)

• Dia 09/01 – quarta-feira
17h - Baara (93 min)

• Dia 10/01 – quinta-feira
17h - Ali Zaoua (90 min)
19h - En Attendant le Bonheur (95 min)

• Dia 11/01 – sexta-feira
17h - Djeli (92 min)
19h - Buud Yam (99 min)

• Dia 12/01 - sábado
17h - Identidade (97 min)
19h - Finyé (105 min)

• Dia 13/01 - domingo
17h - Em Nome de Cristo (82 min)
19h - As Mil e uma Mãos (75 min)

• Dia 15/01 – terça-feira
17h - Muna Moto (89 min)
19h - História de um Encontro (80 min)

• Dia 16/01 – quarta-feira
17h - Tilaï (81 min)
19h - Drum (104 min)

• Dia 17/01 – quinta-feira
17h - Guimba (93 min)
19h - Identidade (97 min)

• Dia 18/01 – sexta-feira
17h - En Attendant le Bonheur (95 min)
19h - Sarraounia (120 min)

• Dia 19/01 - sábado
17h - Muna Moto (89 min)
19h - Heritage África (110 min)

• Dia 20/01 - domingo
17h - Ali Zaoua (90 min)
19h - Baara (93 min)

Sinopses - Os Semmentais de Yennenga
De 02/01/2008 a 20/01/2008


Ali Kwika, Omar e Boubker são meninos de rua. Apesar das dificuldades do cotidiano, uma amizade indefectível os une. Ali é logo morto durante uma briga entre bandidos rivais. Seus três amigos agora terão um único objetivo: dar-lhe o enterro que ele merece. Dias 10 e 20.

As Mil e Uma Mãos, de Souhel Benbarka. França, 1971. Em Marrakech, o velho tintureiro Moha e seu filho Miloud transportavam pacotes fios de lã... assim começa a minuciosa tecelagem de tapetes vendidos no exterior e a labuta dos homens, mulheres e meninas. Dias 02 e 13.

Baara, de Souleymane Cissé. França, 1978. Um jovem camponês maliano trabalha como 'baara', isto é: carregador de bagagens em Bamaco. Um dia, faz amizade com um jovem engenheiro. Este passa a protegê-lo e consegue um emprego para ele na fábrica. Dias 09 e 20.

Buud Yam, de Gaston J-M Kabore. França, 1997. Prêmio Etalon de Yennenga, Fespaco 1997. Wend Kuuni foi encontrado quase morto na selva quando era criança e foi adotado por uma família. A vida em família decorre serena até o dia que Poghnéré, sua irmã adotiva, fica gravemente doente. Wend Kuuni parte em busca de um curandeiro lendário. Sai então de sua aldeia nativa e começa uma jornada que o conduzirá rumo às suas próprias raízes. Dias 06 e 11.

Djeli, de Fadika Kramo-Lanchiné. França, 1981. Dois estudantes marfinenses, Fanta e Karamoko, estão apaixonados e querem se casar. Nascidos na mesma aldeia, seus respectivos pais se conhecem bem. Mas Karamoko Kouyaté, filho de Griô, não pode casar com Fanta, filha de um descendente direto de famílias ilustres. Apesar do mundo em plena transformação, as famílias se opõem ao casamento entre seus filhos para preservar a tradição. Dias 08 e 11.

Drum, de Zola Maseko. França/África do Sul, 2004. Drum é um filme sobre a vida de Henry Nxumalo, jornalista de investigação famoso nos anos 50 em Sophiatown, bairro símbolo da resistência cultural em Joanesburgo. Ele trabalha para uma revista negra da moda, Drum, verdadeira arma de mídia na época. Durante esta época, toda uma geração de autores, críticos, músicos e jornalistas exigentes sul-africanos surgiu e exprimiu-se nessa resistência.
Dias 05 e 16.

Em Nome de Cristo, de Roger Gnoan M'Bala. França, 1993. Em uma aldeiazinha marfinense, vive um pequeno porqueiro desprezado por todos. Um belo dia, bebe demais e tem a visão de uma 'criança Deus' que o elege para salvar seu povo. Ele passa então a ser Magloire 1º, primo de Cristo e usa a sua eloqüência para impressionar a imaginação das pessoas e fundar uma seita. Dias 5 e 13

En Attendant le Bonheur, de Abderramane Sissako. França/Mauritânia, 2002. Prêmio da Crítica Internacional, Cannes 2002 e Étalon de Yennenga Fespaco, 2003. Abdallah, um menino, encontra sua mãe em Nouadhibou, cidadezinha da costa da Mauritânia, enquanto esperam para viajar para a Europa. Nesse lugar de exílio, cuja língua não entende, tenta decifrar o mundo que o rodeia. Dias 10 e 18.

Finyé, de Souleymane Cissé. França, 1982. Ganhador do Etalon de Yennenga, Fespaço 1983. Dois adolescentes malinenses, Bah e batrou, oriundos de classes sociais diferentes, se encontram no liceu. Bah é o descendente de um grande chefe tradicional. O pai de Batrou, governador militar, representa o novo poder. Ambos pertencem à uma geração que recusa a ordem estabelecida e põe em questão a sociedade. Dias 04 e 12.

Guimba, de Cheik Oumar Sissoko. França, 1995. Ganhador do Etalon de Yennenga, Prêmio de melhores Figurino e Decoração, Fespaco 1995. Sitakili, uma cidade do Sahel, vive sob a dominação de um homem, Guimba e seu filho Janguiné. Dias 08 ,09 e 17.

Heritage Africa, de Kwaw Ansah. França, 1989. Ganhador do Etalon de Yennenga, Fespaco, 1989. O filme conta a ascensão social de Kwesi Atta Bosomefi graças a educação escolar e religiosa que recebeu. Nomeado Comissário Regional africano, Kwesi se identifica com os ingleses que dirigem seu país. Dias 03 e 19.

História de um Encontro, de Brahim Tsaki, França, 1983. Duas crianças surdas e mudas - ela, filha de um engenheiro americano; ele, filho de um camponês argentino - encontram-se e conseguem se comunicar, ultrapassando todas as barreiras culturais que os separam. Dias 03 e 15.

Identidade, de Mwenze Dieudonné Ngangura , França, 1998. Ganhador do Etalon de Yennenga e de melhor intérprete feminino. Mani Kongo, o velho rei de uma província congolesa, decide partir em busca de sua filha, Mwana, que ele mandou para a Bélgica aos oito anos para estudar, e está sem notícias há anos. Dias 12 e 17.

Muna Moto, de Jean Pierre Dikongué Pipa, França, 1974. Ngando e Ndomé se amam e querem se casar, mas a família de Ndomé lembra-lhe que ele deve pagar o dote. Orfão, ele recorre ao tio para ajudá-lo. Mas o tio, que não consegue ser pai apesar das três esposas, decide casar com a moça, sem saber que ela está grávida de Ngando.
Dias 06, 15 e 19

Sarraounia, de Med Hondo, França, 1986. Em uma aldeia da África, um velho confia sua filha ao seu amigo. Com este pai adotivo, ela aprende o manejo das armas, as verdades da vida, os modos de comunicação com os espíritos. Uma vez mulher, Sarraounia assume a liderança dos Aznas. Rainha, ela não procura dominar, mas luta pela independência e pela paz.
Dias 02 e 18.

Tilaï, de Drissa Quedraogo,França, 1990. Ganhador do Grande Prêmio do festival de Cannes, 1990, Ganhador do Etalon de yennegna. Saga volta a aldeia depois de uma ausência de dois anos. Muitas coisas mudaram. Sua noiva Nogma é agora a segunda esposa de seu pai, mas Saga e Nogma ainda se amam.Dias 04 e 16.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Malangatana Valente - poemas

Além de ser o principal nome da pintura moçambicana, Malangatana Valente também passa pela poesia.
Para conhecer a pintura de Malangatana, visite http://ricardoriso.blogspot.com/2007/07/estar-se-no-stio-como-moambicano-como.html
e a relação dele com o poeta moçambicano José Craveirinha, visite
http://ricardoriso.blogspot.com/2007/11/craveirinha-e-malangatana-comunicao.html

A seguir, alguns poemas deste multifacetado artista.

A coruja
A coruja agoira-me
e diz-me que nunca chegarei
além onde o desejo me leva
e assim evapora-se o sonho;

O tambor foi tocado
na noite densa do feitiço
enquanto Kokwana* Muhlonga
apitava o Kulungwana* mortal;

Na noite sem estrelas
dois gatos pretos iluminaram
a cabana da Kokwana Hehlise
que morreu depois dos gatos terem miado.

Eu lutando comigo só
é impossível vencer as ondas
que feitiçeiramente me esboçam
as corujas, gatos e tambores.

In Livro "Vinte e quatro poemas" de Malangatana Valente Ngwenya, edição do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, Lisboa, 1996 pag.35


A Mamã preocupada
Nos teus braços eu fiquei
quando me nasceste muito preocupada
quem estava aflita
naquela altura perigosa
com o receio de que Deus me vai levar?

Tudo em silêncio olhava
para ver se o parto corria bem
tudo lavava as mãos
para poder receber quem vinha dos Céus
e toda a mulher quieta e aflita

Mas quando afastei-me
do lugar em que me guardaste durante longo tempo
dei logo o primeiro respiro
tu gritaste logo de alegria
o primeiro beijo foi o da Avó

Que levou-me logo para o lugar
que me guardaram e é secreto
tudo foi proibido a entrar no meu quarto
porque tudo cheirava mal
e eu todo fresco, fresco
respirava finalmente dentro das minhas fraldas

Mas a Avó que se supunha doida
estava sempre ao meu lado
ver-me e rever-me sempre
porque as moscas vinham ter comigo
e os mosquitos inquietavam-me
Deus que revia-me também
era o amigo da minha Avó velhinha

In livro de Malangatana Valente NGWENYA "Vinte e quatro poemas", edição do ISPA, Portugal,página 24


Amor Verde
Porque o amor não é sempre verde
que bom quando verde é
nem quero que mudes de cor
ó amor verde, verde, verde
ele é tão bom, bom, bom

Na cama quando passei a primeira noite
senti-me feliz quando corria dentro dela
a lágrima que nos fez amigos infinitos
porque dela veio quem nos chama: Papá e Mamã
o nosso primeiro filho, tão lindo, lindo.

In Do livro "Malangatana - vinte e quatro poemas", edição do ISPA, Instituto Superior de Psicologia Aplicada-CRL, Lisboa, em 1996, o poema na página 32.


Pensar alto
Sim
às marrabentas
às danças rituais
que nas madrugadas
criam o frenesi
quando os tambores e as flautas entram a fanfarrar

fanfarrando até o vermelho da madrugada fazer o solo sangrar
em contraste com o verdurar das canções dos pássaros
sobre o já verduzido manto das mangueiras
dos cajueiros prenhes
para em Dezembro seus rebentos
dançarem como mulheres sensualíssimas
em cada ramo do cajual da minha terra
mas, sim ao orgasmo
das mafurreiras
repletas de chiricos
das rolas ciosas pela simbiose que só a natureza sabe oferecer

mas sim
ao som estridente do kulunguana
das donzelas no zig-zague dos ritos
quando as gazelas tão belas
não suportam mais quarenta graus à sombra dos canhueiros em flor

enquanto as oleiras da aldeia, desta grande aldeia Moçambique
amassam o barro dos rios
para o pote feito ser o depositário
de todo o íntimo desse Povo que se não cala disputando
ecoosamente com os tambores do meu ontem antigo.

http://kafekultura.blogspot.com/2007/06/valente-malangatana-pintura-poesia.html

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Ana Paula Tavares: A divisão do mundo

A angolana Ana Paula Tavares é apontada como a principal voz feminina nas literaturas africanas de língua portuguesa.

Em poesia publicou
Ritos de passagem, de 1985, O lago da lua, de 1999, Dizes-me coisas amargas como os frutos, de 2001, e Ex-votos, de 2003. Lançou dois livros de crônicas: O sangue da buganvília, de 1998 e A cabeça de Salomé, de 2004. A crônica transcrita abaixo é deste último, que reúne textos que foram publicados no jornal Público, de Lisboa, entre os anos de 1999 a 2002.

Sobre as crônicas de
A cabeça de Salomé, a professora Rita Chaves (USP) diz que o “tom dessa escrita que aproveita da crônica aquilo que melhor pode render o gênero. A leitura de cada uma levará a ver que a leveza que encontramos nos bons cronistas como Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, para citar apenas dois dos nossos melhores, manifesta-se nos textos de Ana Paula Tavares. A ela, a autora angolana associa a densidade ancorada no desejo de manter, pela via da palavra, a forte ligação que existe entre ela e o patrimônio cultural que a sua identidade propicia. É de dentro desse campo, onde consolidaram-se as suas mais poderosas experiências, que ela olha o mundo e procura trilhas que nos permitam partilhar esse universo de saberes e sabores que a sua linguagem guarda e espalha.” (1)


A divisão do mundo
“Caiu a noite
Chegou a hora da caça ao caracol”
Provérbio cabinda
Tal como outros valores culturais, o sistema dos provérbios assenta num património de conhecimento facilmente reconhecível pela comunidade, que o aprende integrado num sistema de ensino baseado no aproveitamento da singularidade do indivíduo, enquanto parte de um todo comunitário, onde a solidariedade é cultivada como dado adquirido a não perder.

A agilidade do espírito, adestrada num cotidiano que a estimula, é perfeitamente capaz de actualizar receitas antigas, modernizar a língua e tornar de uso comum um património que, de outra maneira, se perderia no imenso limbo do passado a descobrir em museus, fossilizado nos pressupostos que o tornaram vivo numa época histórica determinada.

Este domínio da linguagem, muito para lá da mera utilização da palavra, pertence a todos, constituindo uma arma de recurso à disposição, cujo papel no apaziguamento de tensões internas dos indivíduos e das sociedades já foi reconhecido.

Os provérbios, parte deste sistema gramatical onde a história, o conto e o pequeno apontamento de escárnio e maldizer também tomam lugar, sintetizam, de certa forma, maneiras de pensar e encarar o mundo, iludir o tempo e viver com justiça. Mesmo em tribunal, o recurso a esta forma de linguagem cifrada (mas que todos conhecem) é utilizado, por vezes, segundo um enquadramento tão particular que as partes em litígio se esquecem do verdadeiro motivo que ali as levou, para se entregarem ao exercício da palavra, puro gozo, ao delírio de descobrir o provérbio radical, que deixe sem palavras o lado opositor.

As mulheres fazem (faziam) desta arte um amplo recurso, escolhendo formas de enfeitar as tampas de madeira das suas panelas que, uma vez postas em relação especial no espaço fechado que lhes era destinado, serviam para uma troca de mensagens prontas para atingir o alvo, conscientes de que “coração, cabeça e estômago” são entidades sempre associadas por esta ordem ou pela inversa.

Assim, depressa descobriram a correspondência entre objecto visualizado e provérbio inscrito, fornecendo, com a comida preparada de forma esmerada, o resto da cadeia para a eficácia da mensagem.

A linguagem do amor ficou assim servida por um acréscimo de recursos, onde cartas esculpidas celebram e dão notícia de promessas e juramentos arrancados ao coração da madeira.

Deve-se esta arte (em certos locais completamente extinta) a uma consciência bem enraizada sobre a consistência da palavra: uma vez gravada e tornada pública, perdura muito para além das outras levadas pelo vento ou pelo canto do matindindi.

Tratava-se de uma avaliação, consciente da importância da cristalização na madeira do estado real dos sentimentos, de uma peculiar gestão do amor, na esperança de que a tradição, não sendo já o que era, nem sempre deixa de ser o que parece.

Artífices da palavra de madeira eram encarregues de a fazer falar de forma especial. Uma mulher visitava o artista e estabelecia com ele um convénio de curta duração. Em troca da partilha de sonhos e revelação de estórias íntimas da família, conseguia fazê-lo arrancar, do coração da floresta, a madeira com todos os nós necessários à elaboração do discurso.

Embalado pela palavra, o artista ia lavrando, na tampa de uma panela, um primeiro esboço de uma escrita iluminada, a gravação dos sons da alma em tom de confissão.

Por vezes, a consulta a um especialista de provérbios, sábio de todas as linguagens, era o último recurso para evitar repetições e pôr de pé um sistema do simbólico imparável a partir desse momento.


Ao que sei, esta linguagem anda hoje perdida: as pessoas vêem as imagens mas perderam a noção de conjunto. Com a desculpa de uma apressada realidade de plástico, ignora-se a floresta e escolhe-se o caminho mais curto. Entre o que se escreve e o que se lê, deixou de haver ligação. Regressou-se à verbalização e os conceitos esvaziaram-se em caricaturas da verdade.

As tampas que falam são recusadas em busca dos segredos, que, em boa verdade, hoje não são meus, nem teus, nem de quem os há de apanhar.

TAVARES, Ana Paula. A divisão do mundo. In: A cabeça de Salomé. Lisboa: Caminho, 2004. pp. 27-29.

(1) http://www.agenciacartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=13295

Dina Salústio: Tabus em saldo

Dina Salústio é uma conceituada voz da literatura feminina de Cabo Verde. Nascida em 1941, na Ilha de Santo Antão, em seus textos os dramas, anseios, desejos, medos da mulher cabo-verdiana ocupam posição de destaque. Entretanto, na escrita da autora os sentimentos femininos tornam-se universais, não se reduzem apenas à mulher de sua pátria, mas expandem-se a todas as mulheres do mundo.
Publicou, apenas para citar alguns, textos em poesia
(Mirabilis – veias ao sol), prosa (A louca do serrano), contos (Mornas eram as noites).

Tabus em saldo

Se tivesse nascido macho era um rapaz, mas como nasceu fêmea é mulher. As fêmeas são sempre mulheres. Mas mesmo mulheres, elas são de todos nós. Para serem protegidas. No entanto, porque já têm tudo para serem motivo de tudo, há outros de nós que as desejam para o folclore da fantasia e para o encobrimento ridículo e camuflado da irracionalidade do estar.

De repente – ou não terá sido assim tão de repente? – vamos aos esconderijos privados desta sociedade que dolorosamente ou não, recorre a proibições, enfatiza princípios, agrupa-os em tabus para a defesa mínima de um certo decoro, ou, dando uma de evoluídas, parcelas outras há, que embandeiradas na necessidade de se cortar de vez com a hipocrisia social, em nome do progresso e outros mais, arranham a ferida onde ela dói mais: as crianças e as adolescentes.

Não satisfaz mais a orquestrada exploração da candura das meninas européias, a sedução das orientais, a instrumentalização das americanas do sul e do norte. Não. É preciso vir para mais perto. Temos uma juventude tão bonita que há que se retirar os dividendos, transformando-as em objectos de gozo mais sofisticado, em produtos rentáveis. E por isso vamos, outros de nós, aos liceus, às escolas para as envolver em collants e transparências e expô-las em fotos aos instintos curiosos de outros.

O negócio rende. Cada espiadela vinte escudos, diz-se. Dois rebuçados ao fim e ao cabo. Barato como quase tudo em Cabo Verde. Barato como nós, a nossa autenticidade, as ambições, os sentires, o orgulho e a existência. Dois rebuçados: o custo de uma espiadela ao clandestino filmado das nossas crianças fêmeas.

A gargalhada forte de um grupo de meninas perturba-me de alegria, mas imediatamente olho para os lados com medo que algum fotógrafo, caçador de corpos, esteja por perto para um primeiro contacto.

Desisti de querer ver mais. É o que a maioria faz, por cobardia, vergonha e secretos desejos que as coisas ruins deixem de acontecer.

Para depois ficam a luta, a briga e a denúncia. E as consciências tranqüilizam-se com a promessa.

... À noite, na televisão, passou um filme sobre prostituição infantil, em várias nuances. Eram crianças americanas. Podiam ser caboverdianas.

Era o primeiro dia do Ano Novo de 1992. A primeira noite.

SALÚSTIO, Dina. Tabus em saldo. In: Mornas eram as noites. Colecção Lusófona. Lisboa: Instituto Camões, 1999. pp. 32-33.

Dina Salústio: Liberdade Adiada

Dina Salústio é uma conceituada voz da literatura feminina de Cabo Verde. Nascida em 1941, na Ilha de Santo Antão, em seus textos os dramas, anseios, desejos, medos da mulher cabo-verdiana ocupam posição de destaque. Entretanto, na escrita da autora os sentimentos femininos tornam-se universais, não se reduzem apenas à mulher de sua pátria, mas expandem-se a todas as mulheres do mundo.Publicou, apenas para citar alguns, textos em poesia (Mirabilis – veias ao sol), prosa (A louca do serrano), contos (Mornas eram as noites).


Liberdade Adiada


Sentia-se cansada. A barriga, as pernas, a cabeça, o corpo todo era um enorme peso que lhe caía irremediavelmente em cima. Esperava que a qualquer momento o coração lhe perfurasse o peito, lhe rasgasse a blusa.

Como seria o coração?

Teria mesmo aquela forma bonita dos postais coloridos?

Seriam todos os corações do mesmo formato?

... Será que as dores deformam os corações?

Pensou em atirar a lata de água ao chão, esparramar-se no líquido, encharcar-se, fazer-se lama, confundir-se com aqueles caminhos que durante anos e mais anos lhe comiam a sola dos pés, lhe queimavam as veias, lhe roubavam as forças.

Imaginou os filhos que aguardavam e que já deviam estar acordados. Os filhos que ela odiava!

Aos vinte e três anos disseram-lhe que tinha o útero descaído. Bom seria que caísse de vez! Estava farta daquele bocado de si que ano após ano, enchia, inchava, desenchia, e lhe atirava para os braços e para os cuidados mais um pedacinho de gente.

Não. Não voltaria para casa.

O barranco olhava-a, boca aberta, num sorriso irresistível, convidando-a para o encontro final.

Conhecia aquele tipo de sorriso e não tinha boas recordações dos tempos que vinham depois. Mas um dia havia de o eternizar. E se fosse agora, no instante que madrugava? A lata e ela, para sempre, juntas no sorriso do barranco.

Gostava da sua lata de carregar água. Tratava-a bem. Às vezes, em momentos de raiva ou simplesmente indefinidos, areava-a uma, dez, mil vezes, até que ficava a luzir e a cólera, ou a indefinição se perdiam no brilho prateado. Com o fundo de madeira que tivera que lhe mandar colocar, quando começou a espirrar água e já não suportava uma torcida de farrapo, ficou mais pesada, mas não eram daí os seus tormentos.

Atirar-se-ia pelo barranco abaixo. Não perdia nada. Aliás nunca perdeu nada. Nunca teve nada para perder.

Disseram-lhe que tinha perdido a virgindade, mas nunca chegou a saber o que aquilo era.

À borda do barranco, com a lata de água à cabeça e a saia batida pelo vento, pensou nos filhos e levou as mãos ao peito.

O que tinha a ver os filhos com o coração? Os filhos... Como ela os amava, Nossenhor!

Apressou-se a ir ao encontro deles. O mais novito devia estar a chamar por ela.

Correu deixando o barranco e o sonho de liberdade para trás.

Quando a encontrei na praia, ela esperando a pesca, eu atrás de outros desejos, contou-me aquele pedaço da sua vida, em reposta ao meu comentário de como seria bom montar numa onda e partir rumo a outros destinos, a outros desertos, a outros natais.


SALÚSTIO, Dina. Liberdade adiada. In: Mornas eram as noites. Colecção Lusófona. Lisboa: Instituto Camões, 1999. pp. 7-8.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Luíz Horácio: Perciliana e o pássaro com alma de cão

Luiz Horácio é um grande amigo, estudou comigo no curso de Letras da Universidade Estácio de Sá. É crítico literário, escritor, roteirista de cinema e gaúcho. Lançou recentemente seu primeiro romance “Perciliana e o pássaro com alma de cão” (Editora Conex, 2006). Escreve para o jornal Rascunho (http://rascunho.rpc.com.br/index.php) e outros sites.
A seguir alguns poemas e uma crítica do romance.


Escrevo porque sou um covarde, escrevo porque não sei amar, escrevo porque meus sonhos me acordam, escrevo porque a ausência me machuca, escrevo porque tenho medo da morte, escrevo porque aprendi a sofrer, escrevo porque detesto a palavra esperança e pra fugir da palavra lembrança, escrevo pra não voltar a ser criança, escrevo pro meu pai, escrevo pra uma mulher que eu vi criança, escrevo porque tenho medo de dormir sozinho com a luz apagada, escrevo pra poder acordar, escrevo pra aprender a amar, escrevo pra fugir, escrevo mesmo sabendo que não irão me respeitar.


BECOS E SAÍDAS
Por teimosia e covardia sobrevivo
enquanto a cidade transpira fumaça e medo
Insone, mal respira saturada de sons
Sangue filtrado na hemodiálise permanente
Das tvs a cabo e computadores
Sabor mudo e voz amarga
A cidade implora por socorro
Teme a jovialidade de seu mar
Feito louco escrevo mais um livro
Quem se atreverá a lhe falar de amor?



Mía soledad
nacio conmigo
traendo voracidad
miedo y prisa.
Cuando pensé
haberla olvidado
suyas alas gigantes
ya ensombreciam mi alma
Ahora
cuando todo que me gusta
me hace llorar
las horas
transbordan adioses
mientras los pájaros
llueven colores
yo te quiero
pero mía soledad
aconseja serenidad
no decirte “te amo”
pues la he perdido.



Aún así
El extraño
hombre envejecido
estaba solo,
dibujava
en la sombra
de la noche prisionera
su juventud,
apretando el dolor
contra
las ventanas cerradas.
Quisera
no haberle visto
más que las manos,
ojos del adiós,
como si fueram armas.
Ya no tenia
ningún interés
ya no lloraba
estaba solo
repitiendo aquella
indomable noche
aún así
amaba.

Com a alma de Veppo - Francisco Dalcol
Escritor gaúcho radicado no Rio lança livro em que faz referência ao contato que teve com o poeta Prado Veppo em Santa Maria.
Texto retirado de http://www.olobo.net/index.php?pg=colunistas&id=532

No livro Perciliana e o Pássaro com Alma de Cão, o leitor poderá ser surpreendido pelo nome de um personagem. Quem conhece um dos grandes nomes da literatura santa-mariense não escapará da dúvida que aparecerá na página 54: o menino Veppo guarda alguma relação com o escritor Prado Veppo (1932-1999)?

Não é por acaso que o escritor Luíz Horácio Rodrigues, 49 anos, resolveu dar ao personagem o nome do poeta e médico nascido em Porto Alegre e que adotou Santa Maria como lar familiar, profissional e inspirador. O autor de Perciliana e o Pássaro com Alma de Cão nasceu em Quaraí e hoje vive no Rio de Janeiro. Nos anos 70, passou por Santa Maria e acabou conhecendo o poeta que até hoje o acompanha nos rumos que sua vida ganha:

- Prado Veppo era meu professor de literatura no cursinho pré-vestibular em Santa Maria. A figura dele logo me chamou a atenção, por ser uma pessoa que se vestia de branco e ensinava com tanto amor. Mas era algo que eu não sabia definir. Eu gostava muito do jeito com que ele falava sobre literatura, com propriedade e simplicidade. Era o que eu queria ser - conta Horácio, cuja família vive hoje em Rosário do Sul.

Como aluno e professor, os dois nunca haviam tido maior contato. Até que, em um dia de 1977, Horácio passava pela Dr. Bozano e viu Prado Veppo caminhando.

- Fui correndo à Livraria do Globo e comprei o livro Espada de Flor, do Veppo. Saí e fui atrás para ele autografar. Até hoje guardo o exemplar - conta.

Além do personagem Veppo, obra traz a dedicatória que autor ganhou do poeta

O autógrafo também ganhou referência no mesmo capítulo em que é apresentado o personagem Veppo em Perciliana e o Pássaro com Alma de Cão. Na página 49, Santiago (pai de Veppo) ganha do pai Hildebrando um livro que havia conseguido com a dedicatória do autor - não revelado na trama (leia ao lado).

Horácio usou a mesma frase escrita por Prado Veppo em 1977 no livro Espada de Flor, porém adaptada ao personagem: "Ao Santiago, na esperança de que sempre tenha tempo para a literatura e na expectativa de que este livro não seja uma perda de tempo."

- Logo depois do meu contato com Veppo, parti de Santa Maria e perdi o contato dele - recorda Horácio.

Já nos anos 80, ele voltou a topar com Veppo, mais uma vez caminhando. Foi na Rua da Praia, em Porto Alegre. Após 15 anos, quando começou a escrever, Horácio viu a dedicatória se tornar realidade.

- Pedi para meu pai descobrir o telefone do Prado Veppo. Liguei e disse que eu o amava e que ele era muito importante na minha vida. O Veppo respondeu algo tipo "como assim?", "estou muito velho para ouvir esse tipo de coisa". Depois, quando fiquei sabendo que havia morrido, fiquei muito triste. Mas tive uma grande satisfação, pois pude dizer a ele o que sentia e que havia aprendido a lição. Ele continuou sendo uma pessoa muito importante para mim.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

III ENCONTRO DE PROFESSORES DE LITERATURAS AFRICANAS

Terminou no sábado, 24/11, o III Encontro de Professores de Literaturas Africanas – Pensando África: Crítica, Ensino e Pesquisa, organizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Federal Fluminense e Fundação Biblioteca Nacional. O megaevento reuniu escritores, críticos e professores de diversas áreas e contou com a presença de nomes Luandino Vieira, Alberto da Costa e Silva, Boaventura Cardoso, Ana Mafalda Leite, Rita Chaves, Laura Padilha, Luís Carlos Patraquim, Simone Caputo Gomes, Paula Tavares entre tantos outros nomes.

Aqui presto meu agradecimento a todos aqueles que, de alguma maneira, contribuíram para a minha participação no Encontro com a comunicação Letras e telas encarceradas: a reclusão libertadora na arte de José Craveirinha e Malangatana Valente:

Profa. Dra. Norma Sueli Rosa Lima (UNESA/UFRJ), Profa. Dra. Carmen Lucia Tindó Secco (UFRJ), Profa. Dra. Maria Teresa Salgado (UFRJ), Profa. Dra. Simone Caputo Gomes (USP), Cláudia Cunha, Gisela Ferreira, Ana Lúcia, Prof. Dr. Cláudio Capuano (FERLAGOS), Fernanda Menininha, Zetho Cunha Gonçalves, Sabrina Oliveira, Cristina Maya, Iasmin Freire, Ouri Pota Pacamutomdo, Profa. Dra. Laura Padilha (UFF), Profa. Dra. Terezinha Val, Profa. Rosemery Granja (UNESA), Prof. Dr. Mauricio do Carmo (UNESA), Profa. Dra. Gilda Korff (UNESA), Prof. Carlos Stowasser (UNESA), Alex Vianna, Andrea Bedeschi, Rafael Jurado, Ilana Braia, Priscilla Arraz, Roberto Chichorro, Nelson Saúte, Cláudia Breviário de C., Arsenio, Luíz Horácio, aos meus familiares e amigos que não foram citados para que a relação não ficasse extensa e cansativa.

Muito obrigado! Ricardo Riso apresentando a Comunicação Letras e telas encarceradas: a reclusão libertadora na arte de José Craveirinha e Malangatana Valente no III Encontro de Professores de Literaturas Africanas, realizado na UFRJ em dia 22/11/2007.

Acompanhando a Profa. Fernanda Angius (Instituto Camões) e os comunicantes Fábio Santana Pessanha (UFRJ - comunicação: Geogonia de Duarte Galvão) e Viviane Mendes de Moraes (UFRJ - comunicação: Guita Jr. e Manuela Cruz: memórias, sonhos e incertezas moçambicanas).

Ricardo Riso e a Profa. Fernanda Angius (Instituto Camões), conviveu e trabalhou com Craveirinha no jornal moçambicano Brado Africano, e é amiga de Malangatana.

Com a Magnífica Profa. Dra. Laura Padilha (UFF), autora do livro Entre voz e letra: o lugar da ancestralidade na ficção angolana do século XX.

Com a Profa. Dra. Simone Caputo Gomes (USP), especialista em Cabo Verde e grande amiga que tanto me ajuda nos assuntos sobre o arquipélago.

A Profa. Dra. Rita Chaves (USP) autografa o livro A formação do romance angolano - o lugar da ancestralidade na ficção angolana do século XX.

Esta é a escritora angolana Paula Tavares, a maior voz feminina dos países africanos de língua portuguesa. Foto tirada após ser presenteado pela autora com o seu primeiro livro: Ritos de Passagem.
Ricardo Riso e o atencioso escritor moçambicano Luís Carlos Patraquim, importante nome da poesia moçambicana do pós-1980, autor de Lidemburgo blues e tantos outros.

Vera Duarte, escritora cabo-verdiana, autora de Arquipélago da Paixão, e a Profa. Dra. Simone Caputo Gomes (USP).

Ricardo Riso, Zetho Cunha Gonçalves (escritor angolano de A palavra exuberante), Ana Lídia e colega.

Profa. Dra. Maria Nazareth Soares Fonseca (PUC/MG) e alguns colegas da pós-graduação África/Brasil - laços e diferenças: Cláudio Capuano, Cláudia Cunha, Geny, Ricardo Riso, Cristina, Ana Lídia, e as karinganas Sílvia e Cláudia Marques (agachada).

Da direita para a esquerda: as contadoras de estórias do Karingana ua Karingana: Sílvia, Alyxandra e Cláudia Marques. Ao fundo as professoras Laura Padilha (UFF), Carmen Lucia Tindó Secco (UFRJ) e Simone Caputo Gomes (USP) na palestra Mesa das Escritoras - III Encontro de Professores de Literaturas Africanas.

Mesa das Escritoras - Odete Semedo (Guiné Bissau), Paula Tavares (Angola), Vera Duarte (Cabo Verde), Maria Aparecida Santilli (coordenadora), Conceição Lima (São Tomé) e Ana Mafalda Leite (Moçambique) no III Encontro de Professores de Literaturas Africanas, dia 22/11/2007.

A Profa. Dra. Maria Aparecida Santilli e o monstro sagrado da literatura angolana: José Luandino Vieira.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Craveirinha e Malangatana - Comunicação UFRJ

LETRAS E DESENHOS ENCARCERADOS: A RECLUSÃO LIBERTADORA NA ARTE DE JOSÉ CRAVEIRINHA E MALANGATANA VALENTE*
RICARDO SILVA RAMOS DE SOUZA1

RESUMO: A presente comunicação propõe-se a analisar a produção artística de José Craveirinha, com o livro Cela 1, e a série Desenhos de prisão, de Malangatana Valente, que retratam o recrudescimento da violência imposta pelo regime ditatorial português. O objetivo central é estabelecer um diálogo entre as duas obras realizadas quando os artistas eram prisioneiros nas cadeias da pide, e como a experiência da asfixia do cárcere serviu de inspiração para denunciar as mazelas da guerra, a reconstrução da memória coletiva e a afirmação de um Moçambique independente.


*Comunicação apresentada no III Encontro de Professores de Literaturas Africanas, realizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, no dia 22/11/2007.

1 Universidade Federal do Rio de Janeiro

Esta comunicação aborda um período marcante da história moçambicana, iniciado com a guerra colonial em 25 de setembro de 1964, em que os amigos e parceiros de cárcere José Craveirinha, com Cela 1, e Malangatana Valente, com Desenhos de Prisão, em condições adversas, imortalizaram a triste e fundamental passagem da luta pela independência, ao registrar a violência exacerbada nos cárceres do regime ditatorial português em suas obras.

Os poemas de José Craveirinha em Cela 1 referem-se à produção literária que os críticos das Literaturas Africanas de Língua Portuguesa denominam como a poesia de combate ou de protesto, momento histórico em que os temas políticos e sociais eram necessários. Porém, os dois artistas não reduziram seus trabalhos ao estilo panfletário comum à época. Em meio à revolta justificada por séculos de injustiças sofridas por causa da ação colonizadora, os poemas apresentam a pluralidade cultural que compõe o corpo moçambicano e abordam uma postura contrária ao regime salazarista, que esmagava as manifestações tradicionais locais.

No período citado, o sujeito-lírico versa sobre o desejo de independência da nação. Segundo Alfredo Bosi, “a poesia há muito que não consegue integrar-se, feliz, nos discursos correntes da sociedade”1, enquanto o crítico Manuel Ferreira descreve assim a situação do escritor:

“Nesta fase o escritor pensa a sua terra em termos de pátria, nação, rejeita o Outro – o colonizador –, e está determinado a uma prática literária integrada na nova situação, toda ela voltada, de vez, para a conquista da libertação nacional. Assume-se como homem inteiramente livre, repensa as suas raízes culturais, faz o reencontro consigo próprio e integra-se no destino colectivo de sua gente. (...) o escritor, após ter adquirido a consciência de sua condição de colonizado, liberta-se completamente da alienação e a sua prática literária cria a sua razão de ser na expressão das raízes profundas da realidade social nacional entendida dialecticamente.”2

Os poemas de Cela 1 foram escritos, em sua maioria, na prisão do poeta durante os anos de 1965 a 1969. Apesar de termos o cuidado em não misturar a vida do autor e a obra na análise literária, podemos, como afirma Rita Chaves, dizer que:

“(...) a força da História não deve ser minimizada na abordagem da literatura, em se tratando da produção dos países de língua portuguesa a compreensão desse peso merece atenção especial. Em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, o contato com os dilemas que a História arma é tão vivo e direto, que a sua dimensão surge visivelmente concreta no cotidiano das pessoas que escrevem e sobre as quais se escreve.”3

No caso de Craveirinha torna-se pertinente esta orientação, pois é com “o poeta e sua experiência que é por ele convertida em matéria poética, o que explica o interesse que ele ganha na abordagem de alguns dos caminhos de sua escrita”4. Logo, a arte é usada como forma de denunciar e conscientizar a sociedade. Segundo Antonio Candido: a “arte coletiva é a arte criada pelo indivíduo a tal ponto identificado às aspirações e valores do seu tempo, que parece dissolver-se nele”5. E é o que depreendemos nas obras do Velho Cravo e de Malangatana, que contam a seguir a experiência no cárcere:

“Lá estive eu na engorda, sem fazer nada. Eu e os amigos também, tão poetas no sentido negativo como eu: por exemplo, Rui Nogar e Malangatana. Só que o Malangatana é para mim um caso muito especial. Estivemos na mesma cela. Quando eu fui para esta cela, era uma cela de castigo, já pequena para mim sozinho; meteram então o Rui, e ficou mais pequena ainda; depois, incrivelmente ainda coube o Malangatana. Desde então, o que me espanta no Malangatana não são os seus quadros: é que ele conseguiu engordar lá dentro (risos). Deve ter havido muito poucos revolucionários na História iguais ao Malangatana. Cantava, assobiava, dormia: mas que grande paz de consciência é essa? (...)”6

“Mesmo na altura de 1961/62 tinha uma actividade política muito grande. Foi quando fiz parte do grupo em que o Craveirinha trabalhava clandestinamente, depois em 1963/64 as atividades crescem, também com o Luís Bernardo Honwana e outros. E somos presos, com o Rui Nogar, (...) Fomos presos juntos, alguns em celas diferentes. (...) fiquei pouco tempo na prisão comparado com muitos correligionários que ficaram de quatro a sete anos. Eu fiquei dezoito meses, (...) A base do julgamento foi pertencermos, sermos simpatizantes, da FRELIMO. (...)”7

O envolvimento com o partido político FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique) se dá no início de sua formação, sendo Craveirinha figura capital na sua construção:

“A ligação com a FRELIMO surge muito naturalmente, tinha que surgir (...) Então quem monta a sede da FRELIMO ali no sul fui eu. Desculpe a imodéstia. (...) Então aliciei alguns, como o Rui Nogar, como o José Parente (...) O Malangatana fui eu que o aliciei, e o actual (fevereiro/1990) embaixador moçambicano em Portugal. (...)” 8

Nos poemas e desenhos aqui analisados, veremos o espaço físico do cárcere e o que envolve o cotidiano do preso como fator motivador para os dois artistas. Contra a razão imposta por séculos de colonização européia, o espelhamento dos versos de Craveirinha subverte o barroco tradicional e denuncia as mazelas e fraturas sofridas pelos moçambicanos, escancarando a violência da famigerada polícia política salazarista, a PIDE. O cárcere é exposto de diversas maneiras nos poemas de Craveirinha. Em meio à indignação e revolta, o sujeito-lírico, em ferozes versos, neobarrocamente, mostra este espaço em metáforas insólitas e surreais, em um autêntico surrealismo africano, “bastante diverso do europeu, porque constituído com o esperma da criação e do conjuro cósmico”9:

“(...) E rectangulizados
os pensamentos tuberculizam-se em esquadria
e uns atrás dos outros aos cardumes de náuseas
sangram cotovelos nos ladrilhos.”
10

“Noites enjoadas de um milhão de angústias
racham-me as unhas na lascívia das macias
paredes de cimento (mentira não são macias) caiado
e no amoroso cárcere ensurdecedor de silêncios (...)”
11

A ironia, que beira o sarcasmo, aparece para apresentar a cela. O isolamento é cantado de diversas maneiras e a relação do poeta com o cárcere é exposta com “larga utilização de contrastes, como forma de fazer ressaltar, com maior brutalidade, o sentido dos versos”12.

“O mundo ensurdecedor de moscas de silêncios
os pulsos mata-fomes do grande rato verde do medo
o imaginário omnipotência dos nossos feitiços impossíveis aqui
e o táctil gosto das pontas dos dedos nas paredes (...)
E por dentro a porta ao meio
mais cega
mais surda
e mais muda do que nós
no papel autêntico
de porta fechada.”
13

O pintor Malangatana Valente ilustrará o cárcere em um expressionismo voraz, realizado com parcos recursos. Os desenhos são simples, sem as cores impactantes e os excessos alegóricos que caracterizam as obras do pintor, entretanto apresentam o olhar atento contra o dilaceramento de sua cultura:

“Ora violentos a violência praticada na prisão ora sonhadores o sonho de liberdade de qualquer preso ora com recurso às suas mais fundas origens culturais as da sua aldeia e do seu povo ora evocando as famílias e as tragédias quotidianas ora virados para o futuro imaginando o seu país livre e independente esses desenhos aparecem-nos, na sua diversidade, como um claro retrato da vida e dos sonhos de Malangatana e de seus companheiros de prisão e de luta.”14

Em desenhos como “Sala de castigo da PIDE”, o espaço exíguo ao qual o preso é submetido é contrastado com o seu tamanho desproporcional, denunciando os maus tratos sofridos. Carmen Lucia Tindó Secco cita, a respeito da pintura de Malangatana, a “ausência de vazios que tenta suplementar as lacunas provocadas pelo processo de neutralização das alteridades, ao longo de séculos de submissão”15, que, nesta série, é mostrada nas celas lotadas, em desumana condição. Por outro lado, apresentam a mobilização dos moçambicanos na luta contra o colonialismo, como em “Pavilhão 9 da Cadeia da Machava da PIDE”.

Sala de Castigo da PIDE

No cárcere, Craveirinha mostra-nos um tempo próprio do preso no seu cotidiano de “ausência citadina”. Em uma linguagem paradoxal e muitas vezes sinestésica, o sujeito-lírico versa sobre a angústia da espera, o silêncio e o barulho, as informações passadas sob os olhares dos carcereiros, o breve contato com a família:

“(...) Em centésimos de segundo
os nossos olhos privilegiados
decifram estritas instruções
de mil e duzentas palavras. (...)”
16

“(...) e depois as noites de vinte e quatro horas a fio
ensurdecedoras de silêncio dos ponteiros de angústia (...)”
17

“(...) o chão exausto dos passos
relojoados centímetro a centímetro ida e volta
na perspectiva de mundos de nada todo o dia. (...)”
18

“(...) – ‘São 30 minutos e acabou!’ (...)
Mas a cada visita (...)
Mais sessenta segundos com a família
Não era mais nada
... ERA OURO!”
19


Uma outra presença marcante nestas obras é o nefasto torturador, os agentes da PIDE encarregados de interrogar os presos. Com ódio e violência desmedida, estes agentes “de olhos raiados de sangue”20 procuravam minar a auto-estima dos que ali se encontravam sob suas garras, utilizando variadas e repugnantes práticas de tortura denunciadas na escrita corrosiva do poeta:


“(...) E ao ritmo
da contradança de joelhos nus nem parece
que algures há cartilagens sangrando
a esfolar-se no chão das cadeias.”
21


“(...) Quietos
quatro horas seguidas
comodamente sentados numa cadeira
ao milésimo século de perguntas (...)


Mas...
não falamos!


Nossos
sorrisos moçambicanizados
previamente a carícias
de cacetadas.

E
as bocas inchadas
a sangue natural imitando o vermelho
torna autêntico este verso.”
22

A desprezível figura do torturador foi ilustrada por Malangatana, recebendo a alcunha de “Chico Feio, o espancador da PIDE”. A degradante personagem é mostrada em cenas de violência extrema contra os prisioneiros, violência motivada pela ditadura salazarista, revelando o ódio que os agentes possuíam pelos revolucionários, como em “O prisioneiro” e “A cela”. Na ilustração supracitada, em “Devoragem” e “Pavilhão da Cadeia da Manchava, espancamento”, Malangatana substitui os espíritos das religiosidades ancestrais. Os seres fantásticos como os xicuembos, lumpfanas e shetanis que vivem no imaginário fragmentado dos seus compatriotas, tornam-se imensas e assustadoras figuras híbridas, com olhares alucinados, garras e dentes afiados. São monstros materializados, do e no tempo presente, os agentes da PIDE. Como observou Julio Navarro: “sem perder a qualidade estética, pelo contrário, Malangatana começa a integrar no seu imaginário aquela ligação dos seus monstros (...) com o monstro real: o colonialismo”23.

Chico Feio, o espancador da PIDE

O prisioneiro

A cela

Devoragem

Pavilhão da Cadeia da Manchava, espancamento

Entretanto, a resistência à tortura é ilustrada por Malangatana em “Apoio moral aos espancados cela IV” e motivada por Craveirinha com impactantes versos a clamar a união e a afirmação dos moçambicanos, e a inverter a relação com o carcereiro:


“(...) E no sofrimento deste prédio
nós os presos e os que não foram presos
conseguimos o seguinte consenso:
– Voz de prisão aos carcereiros!”
24


“(...) Não sou luso-ultramarino
SOU MOÇAMBICANO!


Será suficiente esta confissão
sr. chefe dos cassetetes
da 2ª brigada?”
25


“(...) Pátria:
o nosso próprio receio
leva-nos ao cúmulo da fúria
mas ao carcereiro o próprio medo
fabrica para toda a polícia
o auge do desespero.”
26


O projeto de nação em sua poesia surge antes da participação na FRELIMO e da guerra colonial. Para Fátima Mendonça o Velho Cravo é “o primeiro escritor a apresentar o espaço geográfico moçambicano em termos de nação”27, e complementa afirmando que:


“O elemento de afirmação nacional que emerge, desde o início, da poesia de José Craveirinha, é pois gerado e produzido por um real definido e marcado, porventura apreendido pelo poeta numa fase em que a sua configuração não é perceptível a muitos: o poeta limitou-se a antecipar-se no tempo, captando e prevendo, assumindo-se finalmente como o ‘fabricante de vaticínios infalíveis’.”28


Portanto, a Pátria é cantada em várias formas, sendo motivo para agregar os moçambicanos sedentos por liberdade:


“(...) Mas
a arma da paixão mais secreta
dos filhos que amam a terra-mãe cem por cento (...)”
29


“(...) Este infinito sentimento
no recíproco amor a homem e mulher
para jamais nos esquecermos de vez
do amor dos amores mais amados
o amor chamado pátria!”
30


“(...) percorro este universo emigrando
diariamente no interior africano
deste território minha pátria
escondido no meu país.”
31


Malangatana Valente recorre aos sonhos para suportar as agruras do colonialismo em desenhos como “Sonho, nota de soltura” e “Sonho de prisioneiro, almofada de grilhetas”. Já José Craveirinha versa sobre o desejo de almoçar com a família em casa “depois do grande sonho conseguido”32. Sonho que somente se concretizaria em 25 de junho de 1975, com a efetiva participação dos dois artistas que viram Moçambique se tornar independente. Com isto, o livro Cela 1 foi publicado em 1980 e a série Desenhos de prisão foi exposta como parte das comemorações do 70º aniversário de Malangatana Valente em 2006, imortalizando em suas obras a terrível experiência do cárcere na luta contra o colonialismo.


Sonho, nota de soltura

Sonho de prisioneiro, almofada de grilhetas


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BALTAZAR, Rui. Sobre a poética de José Craveirinha. Via Atlântica, São Paulo, n. 5, p. 88-107, 2002.


BOSI, Alfredo. O ser e o tempo da poesia. São Paulo: Cultrix, 1977.


CANDIDO, Antonio. A literatura e a vida social. In: Literatura e sociedade. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2006.


CHABAL, Patrick. Vozes moçambicanas – literatura e nacionalidade. Coleção Palavra Africana. Lisboa: Editora Veja, 1994.


CHAVES, Rita. Angola e Moçambique: experiência colonial e territórios literários. São Paulo: Ateliê Editorial, 2005.


CRAVEIRINHA, José. Cela 1. Lisboa: Edições 70, 1980.


FERREIRA, Manuel. O discurso no percurso africano 1. Lisboa: Plátano, 1989.


LEITE, Ana Mafalda. A fraternidade das palavras. Via Atlântica, São Paulo, n. 5, p. 20-28, 2002.

NAVARRO, Julio. Uma gula insaciável. Catálogo da exposição Malangatana: de Matalana a Matalana. Lisboa: Instituto Camões, 1999. p. 51.


SECCO, Carmen Lucia Tindó. A apoteose da palavra e do canto: a dimensão “neobarroca” da poética de José Craveirinha. Via Atlântica, São Paulo, n. 5, p. 40-51, 2002.



SECCO, Carmen Lucia Tindó. Craveirinha e Malangatana: cumplicidade e correspondência entre as artes. In: A magia das letras africanas: ensaios escolhidos sobre as Literaturas de Angola, Moçambique e alguns outros diálogos. Rio de Janeiro: ABE Graph Editora, 2003.


REFERÊNCIA INTERNET:
FUNDAÇÃO MÁRIO SOARES.
http://www.fmsoares.pt. Acesso em 26 de outubro de 2006.

NOTAS:

1 BOSI, Alfredo. O ser e o tempo da poesia. São Paulo: Cultrix, 1977. p. 143.
2 FERREIRA, Manuel. O discurso no percurso africano 1. Lisboa: Plátano, 1989. pp. 32-33.
3 CHAVES, Rita. José Craveirinha: a poesia em liberdade. In: Angola e Moçambique: experiência colonial e territórios literários. São Paulo: Ateliê Editorial, 2005. p. 139.
4 Idem, ibidem. p. 141.
5 CANDIDO, Antonio. A literatura e a vida social. In: Literatura e sociedade. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2006. p. 35.
6 CHAVES, Rita. Entrevista: José Craveirinha. In: Angola e Moçambique: experiência colonial e territórios literários. São Paulo: Ateliê Editorial, 2005. pp. 241-242.
7 CHABAL, Patrick. Entrevista: Malangatana Valente. In: Vozes moçambicanas – literatura e nacionalidade. Coleção Palavra Africana. Lisboa: Editora Veja, 1994, pp. 207-208
8 CHABAL, Patrick. Entrevista: José Craveirinha. In: Vozes moçambicanas – literatura e nacionalidade. Coleção Palavra Africana. Lisboa: Editora Veja, 1994. pp. 99-100.
9 SECCO, Carmen Lucia Tindó. A apoteose da palavra e do canto: a dimensão “neobarroca” da poética de José Craveirinha. Via Atlântica, São Paulo, n. 5, p. 45, 2002.
10 CRAVEIRINHA, José. Cela 1. Lisboa: Edições 70, 1980. p. 73.
11 Idem, ibidem, p. 15.
12 BALTAZAR, Rui. Sobre a poética de José Craveirinha. Via Atlântica, São Paulo, n. 5, 2002, p. 100.
13 CRAVEIRINHA, José. Cela 1. Lisboa: Edições 70, 1980. p. 47.
14 FUNDAÇÃO MÁRIO SOARES. http://www.fmariosoares.pt. Acesso em 26 de outubro de 2006.
15 SECCO, Carmen Lucia Tindó. Craveirinha e Malangatana: cumplicidade e correspondência entre as artes. In: A magia das letras africanas: ensaios escolhidos sobre as Literaturas de Angola, Moçambique e alguns outros diálogos. Rio de Janeiro: ABE Graph Editora, 2003, p. 226.
16 CRAVEIRINHA, José. Cela 1. Lisboa: Edições 70, 1980. p. 84.
17 Idem, ibidem, p. 76.
18 Idem, ibidem, p. 73.
19 Idem, ibidem, p. 68.
20 Idem, ibidem, p. 49.
21 Idem, ibidem, p. 10.
22 CRAVEIRINHA, José. Cela 1. Lisboa: Edições 70, 1980. p. 14
23 NAVARRO, Julio. Uma gula insaciável. Catálogo da exposição Malangatana: de Matalana a Matalana. Lisboa: Instituto Camões, 1999. p. 51.
24 CRAVEIRINHA, José. Cela 1. Lisboa: Edições 70, 1980. p. 72.
25 CRAVEIRINHA, José. Cela 1. Lisboa: Edições 70, 1980. p. 38.
26 Idem, ibidem, p. 28.
27 MENDONÇA, Fátima. O conceito de nação em José Craveirinha, Rui Knopfli e Sérgio Vieira. Via Atlântica, São Paulo, n. 5, 2002, p. 54.
28 Idem, ibidem, p. 54.
29 CRAVEIRINHA, José. Cela 1. Lisboa: Edições 70, 1980. p. 17.
30 Idem, ibidem, p. 21.
31 Idem, ibidem, p. 81.
32 CRAVEIRINHA, José. Cela 1. Lisboa: Edições 70, 1980. p. 35.