sábado, 5 de julho de 2008

Impressões sobre Pepetela na Flip

Encerrada há poucos instantes a mesa Guerra e Paz, com o angolano Pepetela e a nigeriana Chimamanda N. Adichie, mediada por José Eduardo Agualusa. Como não poderia deixar de ser, a experiência da guerra em ambos os países e a relação dos escritores com o conflito preponderaram durante a palestra.

Após a leitura de trechos das obras publicadas recentemente em nossa país, Pepetela com Predadores (em que homenageou Jorge Amado) e Chimamamda com Meio sol amarelo, Agualusa citou o livro Mayombe, que retrata os conflitos internos entre os angolanos no período final da guerra contra o colonialismo português, para que Pepetela contasse a sua experiência como guerrilheiro. À Chimamanda, o mediador pediu para relatar as conseqüências que a guerra entre a Nigéria e a Biafra causou em seu povo e na sua vida.

A nigeriana contou que não vivenciou o conflito, nasceu após o seu término, mas a guerra esteve presente entre os seus familiares mais velhos. Desde a tenra idade, sempre demonstrou interesse pela maneira como as pessoas lidavam com as adversidades impostas pela situação. Frisou que seu interesse maior era como as pessoas se relacionavam, como criavam seus filhos no decorrer de tantos anos de dificuldades e escassez de alimentos. Para Chimamanda, era necessário conhecer as histórias de vida de quem sobreviveu nesses anos cruéis.

Já Pepetela, aproveitando as situações-limite retratadas em Mayombe, comentou que para quem participou de tais momentos não podia demonstrar fraqueza, devia radicalizar suas posições e mostrar bravura a todo instante. Apesar de todos os guerrilheiros terem em comum o medo.

Em outras passagens, Pepetela narrou com humor como o acaso fez com que passasse de jornalista a guerrilheiro. Relatou como um comandante tinha que agir para ser respeitado, pois havia a crença que um líder deveria ter o “corpo blindado” (o nosso “corpo fechado”) e o inusitado dessa situação. Embora alguns comandantes se declarassem marxistas e ateus, eles passavam pelos rituais religiosos para “blindar” o corpo. Com isso, adquiriam o respeito dos guerrilheiros.

A respeito da época atual, Pepetela valorizou a paz em uma terra que vive em conflito há cinco séculos. Afirmou que “é mais fácil convencer militares da importância da paz do que convencer políticos”. Porém, o preocupa as desigualdades social e econômica em Angola, e que o desafio para o país é buscar alternativas para reduzi-las. O escritor também manifestou pesar pelo crescente retorno do racismo entre os seus compatriotas.

Em relação ao contato entre os escritores africanos, Pepetela mencionou a dificuldade entre os autores conhecerem-se, pois o mercado editorial dos países africanos ainda é pequeno e o contato entre eles, raro. Comentou que conhece livros de autores africanos quando são publicados na Europa e conhece pessoalmente seus autores em feiras naquele continente, ou como na Flip.

Da nova geração de escritores angolanos, elogiou Ondjaki (Bom dia camaradas e Os da minha rua foram lançados no Brasil), que estava presente, entretanto, percebe que há pouco domínio da língua portuguesa na nova geração, apesar de reconhecer boas narrativas e histórias entre os jovens. Citou que há o predomínio do português em relação às outras línguas, que provavelmente ficará uma lacuna não preenchida na literatura angolana, pois os escritores da sua geração, que possuíam maior domínio das outras línguas, pouco as utilizaram como língua literária. E, agora, são raros os jovens que falam uma língua nacional.

Bom, foi o que considerei importante na fala de Pepetela. Agora, aguardo o dia 08/07 para o lançamento de Predadores, na Livraria Argumento – Leblon.

Riso

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Mia Couto e a CPLP: Moçambique é e não é país de língua portuguesa

http://www.jornalnoticias.co.mz/pls/notimz2/getxml/pt/contentx/189223

ENTREVISTA - MIA COUTO E A CPLP: Moçambique é e não é país de língua portuguesa

Maputo, quarta-feira, 25 de junho de 2008
Entrevista concedida a Gil Filipe

MIA Couto apresentou recentemente em Maputo o seu mais recente livro, o romance “Venenos de Deus, Remédios do Diabo”. É o 23º deste que é o autor moçambicano mais lido interna e externamente. As vendas no país e as traduções para inglês, francês, italiano, espanhol, alemão, dinamarquês, hebraico... são o espelho do quão apetecível é este escritor. O novo livro marca uma certa viragem na escrita de Mia Couto: se ele se fez famoso numa carreira de quase três décadas inventando palavras – é conhecido como “o inventor da língua” –, nos venenos e remédios que agora oferece à literatura a faceta já não é essa. É simplesmente a de um imaginativo comunicador, contador de uma história desdenhável à priori mas que com o fluir das páginas se revela apetecível, porque nos faz debater o que pensamos saber mas que na verdade... ignoramos. É assim este “Venenos de Deus, Remédios do Diabo”, chamamento a um diálogo praticamente inexistente: o diálogo entre nós e os outros, por exemplo os países de língua portuguesa, por via da cultura. A saída deste livro foi um novo pretexto para uma nova conversa com Mia Couto. Falámos de literatura e de outros temas inevitáveis quando se está por estes dias perante um actor importante na língua que também é nossa: o andamento da CPLP e o polémico acordo ortográfico. Eis alguns trechos dessa conversa com o também autor de “Terra Sonâmbula” e “ Varanda do Frangipani”: Maputo, Quarta-Feira, 25 de Junho de 2008:: Notícias

- Pelo que percebi percorrendo as páginas de “Venenos de Deus, Remédios do Diabo”, este livro é uma viagem à uma outra vertente da cultura, como os encontros e as divergências de perspectivas de ver o mundo, de procuras e encontros de identidade... É isso?

- Eu acho que desde o meu primeiro livro há um tema que nunca me abandonou que é o tema da procura de identidades. Estas identidades que nós pensamos como sendo puras, isoladas e estáticas, não são nada disso e pelo contrário são dinâmicas. Este livro fala um bocadinho sobre isso, sobre uma mestiçagem que não é apenas racial mas uma mestiçagem de culturas. Evidentemente que a história é uma outra coisa, mas de uma forma indirecta falo também sobre isso.

- Falando essencialmente deste livro, exactamente o que são, na perspectiva de quem escreveu, estes remédios e estes venenos?

- É uma história de encontros e desencontros, de alguém que pensa que vai encontrar alguém, e que não encontra, e que pensa que vai encontrar numa determinada terra, que lhe aparece na aparência, é uma outra coisa. Quer dizer, esta terra é uma espécie de cenários, de imagens e de representações que são sempre falsas. Portanto, há aqui uma fabricação de mentiras, pois para existir esse lugar é preciso mentir sobre si próprio. Aqui há uma família que vem de fora e que tem que construir uma encenação para conseguir o tipo de relação com essa pessoa que vem de fora. Este livro nasceu quase acidentalmente. Estava eu a escrever outro livro, que acabei adiando, quando me surge a ideia desta história. Foi por acidente que saltei para esta história, pequena e que foi crescendo, que começou a chamar-me, a prender-me e de repente fiquei nela e abandonei o romance logo que tenho e que vai sair posteriormente.

- Naquilo que é a obra, deparo-me com dois factos: o primeiro é que sempre que escreve é atrás de um tema. E segundo é que esse tema tem a ver com um espaço específico, Moçambique. Mas nota-se agora a ausência disso. Estará o novo romance a marcar uma viragem na sua escrita?

- Como tu podes imaginar, quando se chega a determinado estágio daquilo que é o nosso percurso – este é o meu 23º livro -, há uma tentação enorme em escrever mais um livro. O risco é esse, sentir-se sempre tentado e a fazer mais um livro e encarar isso de uma maneira quase banalizada, pois perdemos aquela atitude e aquela paixão intensa que marca o primeiro livro, o que é grave. Substituímos esse pensamento e sentimento pela procura do tal livro que nem sequer sabemos o que é e como é que o devemos escrever. Portanto, eu quis que este livro trabalhasse dentro de mim como uma surpresa, rompendo com algumas coisas e com algumas linhas que eram linhas minhas habituais. Este é um livro mais ou menos universal, portanto esta história podia ocorrer em qualquer lado do mundo e também menos crível a factos históricos, embora aqui, curiosamente, apesar de estar a navegar um pouco pelo mundo faço uma coisa que nunca fiz, como pôr referência de lugares precisos, como, por exemplo, Murébuè, Pemba, o que nunca tinha feito anteriormente, embora me referisse a Moçambique pelo contexto mas pondo lugares fictícios...

- perguntava se é uma viragem, essa, na sua escrita? É assim que passará a escrever?...

- Sim, há um bocado de viragem, mas não sei se é exactamente assim que passarei a escrever. Não sei, não sei. Apenas quis soltar-me de algumas coisas e no domínio da construção da linguagem eu faço uma coisa que eu penso que é nova, como, por exemplo sou mais comedido na invenção de palavras, fazendo-o só quando era preciso e não como um factor de busca literária ou marca. Por outro lado, o lugar do narrador é um lugar que aparece pela primeira vez num livro meu como personagem também; ele entra na história, tem opiniões, dialoga com as outras personagens, o que faz com que a fronteira entre o narrador e os outros intervenientes da história é sacudida.

- Quando fazemos algo durante um longo fio de tempo corremos o risco de ser monótonos e não causar impressão aos receptores do nosso trabalho. Por isso procuramos desafios. Quais são os seus, depois de mais de 20 livros?

- Olha, eu fico sempre com o sentimento, com a impressão de que ainda não escrevi o tal livro que eu quero escrever. Esse é um fenómeno existente e penso normal junto de quem abraça a escrita. De qualquer maneira não me sinto satisfeito, há em mim uma intranquilidade e uma inquietação que nos faz correr para além do que já fizemos. Acho que isso é que nos move não como escritor mas como pessoa, pois todos nós estamos sempre à procura de uma coisa que está sempre mais além e mais além...

- ... mas tem algumas ambições na carreira...

- Não, não! Não tenho ambição do ponto de vista de carreira. Mas gostava de manter comigo próprio uma relação em que possa inventar mais. Eu penso que há mais coisas que eu posso inventar, mais personagens, mais vidas que eu posso criar dentro de mim. A felicidade que a escrita me dá vem sobretudo do facto de eu poder ser outro, ser determinado personagem que eu próprio criei, e, como podes imaginar, isso não tem fim, eu quero ser infinito e quero ser eterno. Encontrei uma maneira de mentir a mim próprio me multiplicando em pessoas e em personagens que eu vou criando.

- O facto de ser o escritor moçambicano mais lido aqui e no estrangeiro, lá por via das várias traduções aos seus livros, cria-lhe alguma pressão, satisfação ou algum outro sentimento?

- É uma mistura de sentimentos. É assim: há alguma coisa que me dá prazer nisso, eu tenho algum orgulho e alguma vaidade pelo facto de que esse reconhecimento me foi dado. Às vezes fico muito comovido, na rua por exemplo, quando muita gente, que provavelmente nunca leu os meus livros mas que me dizem coisas como “você é uma espécie de bandeira nossa, continue...” Encaro isso como mensagens de grande gratidão da parte das pessoas que assim se pronunciam e fazem de mim uma pessoa grata por tudo o que tenho vindo a fazer. Às vezes pergunto-me a mim próprio se eu mereço isso. Mas por outro lado sinto isso como uma responsabilidade que eu acho que não quero ter, eu não posso definir-me a mim próprio como sendo representante de alguma coisa. Tenho todo o prazer em que o meu nome esteja associado ao nome do país, de uma terra que ainda tem que se afirmar, e me orgulho por isso. Mas não estou em lugar cimeiro de nada, olho para mim como um aprendiz que se sente no princípio da sua própria carreira. Estou disponível para aprender e para rever a mim próprio, porque o que fiz já não conta, conta o que tenho ainda a fazer, estando aí a beleza de ser escritor.

- EM 2007 dismistificou a ideia de lusofonia, um conceito por vezes polémico ou mesmo ignorável pela forma como tem sido definido. Qual é a sua percepção sobre a tal comunidade de países de língua portuguesa?

- Bom, há uma organização que se chama CPLP, que está fazendo coisas, reúne-se, tem comissões de trabalho, etc., e eu acho que por aqui essa organização existe e ninguém pode negar. E depois existe outra coisa que se pode questionar que é se isso tem correspondência de uma comunidade de afectos, de uma comunidade de interacção. E eu acho que esta existe também, não da maneira como os políticos a querem apresentar mas existe. A língua portuguesa deu-nos uma certa afinidade histórica. Aqui na língua temos que ter algum cuidado, porque se queremos construir uma família, uma comunidade... Temos que pensar que alguns moçambicanos, alguns angolanos e alguns guineenses, não falam português. Há outros casos, também, como o de Timor Leste, em que dizemos falsamente que é um país de língua portuguesa. É uma coisa falsa e desorientada politicamente e culturalmente dizer que aquele país é de língua portuguesa. Timor não é um país de língua portuguesa nem a maioria dos timorenses fala português.

- Por esse andar é correcto definir Moçambique como um país de língua portuguesa?

- Moçambique é um país que é de língua portuguesa! E não é ao mesmo tempo. Alguns moçambicanos é que pertencem à esse universo, o de terem a língua portuguesa como o seu veículo de identidade, de afirmação cultural, etc. São poucos os moçambicanos que falam, escrevem, sonham, amam na língua portuguesa. E não são menos moçambicanos por isso nem os outros mais moçambicanos pelas outras línguas que usam. Eu acho que há aqui uma tentativa de procurar a identidade moçambicana sempre lá, nas raízes, há séculos, quando provavelmente tiveram a mesma mobilidade, como o changana que existe hoje não é o mesmo de há 50 anos ou antes da chegada dos ngunis. Portanto, eu acho que essa comunidade, a de língua portuguesa, existe de facto. Penso que a questão a colocar por volta dela é se ela é mesmo aquilo que nós queremos que seja. Eu acho que o grave é haver manipulações...

- ... da parte de quem?

- Da parte dos que querem ser mais que os outros, dos que disputam os outros! Eu acho que a disputa é entre Portugal e Brasil, que querem usar esta bandeira como instrumento de busca de privilégio na relação com os outros países de língua portuguesa. E às vezes há aqui uns lapsos de língua quando eles se referem aos outros como os lusófonos, quando os portugueses falam em “países lusófonos” excluindo-se eles próprios e querendo referir-se apenas a nós, países africanos de língua portuguesa. Às vezes estabelecem um eixo triangular da lusofonia, composto por Portugal, Brasil e depois África, como se nós não tivéssemos direitos a nomes próprios como países. A lusofonia de que se fala tem sete ou oito países, contando com Timor Leste. Mas também não vou ficar a aceitar a alguns pronunciamentos que se fazem entre nós. Eu sou adepto da crítica, desde que devidamente fundamentada.

- A comunidade de língua portuguesa é então utópica, existindo muito pouco na prática, por essa ausência de entendimento e por esse contínuo digladiar de gigantes que nos querem definir em função dos seus interesses...

- Penso que fazer uma recusa total da lusofonia, de uma comunidade de falantes de língua portuguesa no mundo, de que nós fazemos, parte, não é correcto. Porque essa comunidade pode nos servir em muitos momentos, como o que mais ou menos se verifica agora, em que o processo de globalização é muito forte e nos pode sufocar. Talvez essa afirmação de um espaço próprio, onde nós temos alguma coisa a dizer, é bem mais útil que as perdas de tempo que temos tido ao rejeitarmos aquilo que por razões óbvias não se pode rejeitar. Não nos esqueçamos que com o Brasil temos afinidades históricas importantíssimas que muitas vezes esquecemo-nos que elas existem e que são intrínsecas à existência de todos nós. Há coisas que nós devíamos recuperar e valorizar historicamente e se calhar isso nos criaria um espaço de afirmação e de negação dessa globalização e de homogeneização do mundo que me parece se está a tentar construir por algumas correntes de pensamento e de atitude.

- O que está a dizer é que é importante haver uma organização como esta mas operando de um modo que não é o que caracteriza o agora andamento da CPLP...

- Não sei se é isso, mas penso que isso é outra coisa. Não vou avaliar a qualidade do funcionamento da organização, mas sinto que ela é pouco visível, é pouco participativa e apela muito pouco para que nós participemos nela, por exemplo para aquilo que possam ser as nossas sugestões. Eu acho que também aqui ao invés de ficarmos no café ou no sofá a dizer mal, se calhar devemos levantar as nossas vozes para dar a sugestão de como é que gostaríamos que fosse esta organização que pretendemos seja mesmo uma comunidade de países.

- Outro ponto que suscita debates no seio dos países que usam o português como língua oficial é o acordo ortográfico. Temos nós e Portugal um código de escrita, o Brasil o seu... A harmonização trás um braço-de-ferro entre Portugal e Brasil, que tentam arrastar os outros para a sua filosofia. De que lado é que está?

- De nenhum! Estou do lado de Moçambique. A minha opinião é uma opinião de escritor e de cidadão. Eu nunca tive problemas em ler livros brasileiros. A grafia ligeiramente diferente não me faz confusão. O Brasil lê os meus livros e lê os livros da Paulina Chiziane sem problema nenhum. Pelo contrário acho que há da parte dos brasileiros um certo encanto ao se aperceberem que se trata de uma realização linguística diferente. Portanto, não penso que seja de grande importância a questão do acordo ortográfico. Mas respondendo à sua pergunta, não faço guerra contra o acordo mas não sou a favor dele. Eu acho que o importante era discutir outras coisas que nos afastam e mantêm o enorme desconhecimento que há entre nós. O Brasil não sabe muito de Moçambique. Portugal idem. Eu acho até que os moçambicanos sabem muito mais sobre os outros do que os outros sabem sobre nós. Os moçambicanos são mais atentos em relação ao mundo e têm a capacidade de olhar para o mundo de uma maneira muito mais crítica, no sentido de conhecê-lo e por isso estarem dotados de opinião credível, o mesmo não acontecendo com muitos daqueles com quem nos relacionamos.

- Dizia que o mais importante não é o acordo. É...

... é e são muito mais coisas como estas que eu estava a enunciar. No domínio da cultura há muito mais a unir-nos e a afastar-nos. Há acções culturais que temos que fazer para que os livros circulem melhor entre nós, o que francamente não está a acontecer agora. Com uma ortografia ou outra se não mudarmos essas coisas não estaremos a caminhar juntos. A importação do livro deve ser repensada, porque não é fácil sobretudo para nós, os mais pobres. Deve-se pensar nas edições conjuntas, divulgação do que é que estamos a fazer, o que é que é a história comum destes povos, os seus patrimónios de identidade comum desses povos, tudo isso é mais importante que tentar buscar um acordo para a ortografia da língua.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Pepetela na Livraria Argumento - Rio

Prosa Nas Livrarias (Leblon)

08/07 (3ª feira) às 19h

A Livraria Argumento Leblon e o Prosa & Verso, do Jornal O Globo, apresentam a Prosa nas Livrarias com os autores Pepetela e a portuguesa Inês Pedrosa.

Local:
Livraria Argumento
Rua Dias Ferreira, 417 - Leblon

http://www.livrariaargumento.com.br/

terça-feira, 1 de julho de 2008

FLIP ao vivo, em blog e no You Tube

FLIP 2008
2 a 6 de julho


FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty ao vivo


Buscando atender ao constante crescimento de público, este ano a FLIP terá transmissão ao vivo na internet para todas as mesas. A inovação permitirá que qualquer pessoa possa acompanhar através do hotsite www.oi.com.br/flip os debates dos autores em tempo real.

FLIP terá blog e página no YouTubeVídeos e textos sobre a programação da Tenda do Autores, FLIP ETC., FLIPINHA e bastidores da FLIP serão este ano publicados no blog oficial da FLIP - http://blogdaflip.wordpress.com/ - e no canal FLIP no Youtube - http://br.youtube.com/user/flipfestaliteraria. O conteúdo começará a ser disponibilizado na quarta feira, 2/7, com a cobertura da conferência “A poesia envenenada de Dom Casmurro”.
Fonte: e-mail enviado pela organização da Festa Literária Internacional de Paraty, no dia 1 de julho, às 11h59.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Diga não ao projeto do Senador Azeredo


Escolha um banner e coloque no seu site ou blog.
Acompanhe a campanha:
http://samadeu.blogspot.com/

Projeto de lei aprovado em comissão do senado coloca em risco a liberdade na rede e cria o provedor dedo-duro. (Por Sérgio Amadeu da Silveira )

Na última semana, em uma sessão corrida e esvaziada, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou o projeto de lei (PLC) 89/03 que define quais serão as condutas criminosas na Internet.

Os exageros que constam do projeto podem colocar em risco a liberdade de expressão, impedir as redes abertas wireless, além de aumentar os custos da manutenção de redes informacionais. O mais grave é que o projeto apenas amplia as possibilidades de vigilância dos cidadãos comuns pelo Estado, pelos grupos que vendem informações e pelos criminosos, uma vez que dificulta a navegação anônima na rede. Crackers navegam sob a proteção de mecanismos sofisticados que dificultam a sua identificação.

Veja o aburdo. Com base no artigo 22 do PLC 89/03, os provedores de acesso deverão arquivar os dados de "endereçamento eletrônico" de seus usuários. Terão que guardar os endereços de todos os tipos de fluxos, inclusive a voz sobre IP, as imagens e os registros de chats e mensagerias instantâneas, tais como google talk e msn.

O pior. A lei implanta o regime da desconfiança permanente. Exige que todo o provedor seja responsável pelo fluxo de seus usuários. Implanta o "provedor dedo-duro". No inciso III do mesmo artigo 22, o PLC 89/03 exige que os provedores informem, de maneira sigilosa, à polícia os "indícios da prática de crime sujeito a acionamento penal público". Ou seja, se o provedor identificar um jovem "baixando" um arquivo em uma rede P2P, imediatamente terá que abrir os pacotes do jovem, pois o arquivo pode ser um MP3 sem licença de copyright. Mas, e se ao observar o pacote de dados reconhecer que o MP3 se tratava de uma música liberada em creative commons? O PLC implanta uma absurda e inconstitucional violação do direito à privacidade. Impõe uma situação de vigilantismo inaceitável.

Como ficam as cidades que abriram os sinais wireless? A insegurança jurídica que o PLC impõe gerará um absurdo recuo nesta importante iniciativa de inclusão digital. Como fica um download de um BitTorrent? Deverá ser denunciado pelos provedores? Ou para evitar problemas será simplesmente proibido por quem garante o acesso?

Como fica o uso da TV Miro (www.getmiro.com/)? Os provedores deverão se intrometer no fluxo de imagens e pacotes baixados pelo aplicativo da TV Miro? E um podcast? Como o provedor saberá se não contém músicas que violam o copyright? Se o arquivo trazer músicas sem licença, o provedor poderá ser denunciado por omissão? Pelo não cumprimento da lei?

O PLC incentiva o temor, o vigilantismo e a quebra da privacidade. Prejudica a liberdade de fluxos e a criatividade. Impõe o medo de expandir as redes.

O artigo 22 do projeto deve ser integralmente REJEITADO.

(iii) Art. 22
Art. 22. O responsável pelo provimento de acesso a rede de
computadores é obrigado a:
I - manter em ambiente controlado e de segurança, pelo prazo de três anos, com o objetivo de provimento de investigação pública formalizada, os dados de endereçamento eletrônico da
origem, hora, data e a referência GMT da conexão efetuada por meio de rede de computadores e por esta gerados, e fornecê-los exclusivamente à autoridade investigatória mediante prévia
requisição judicial;
II - preservar imediatamente, após requisição judicial, no curso de investigação, os dados de que cuida o inciso I deste artigo e outras informações requisitadas por aquela investigação, respondendo civil e penalmente pela sua absoluta
confidencialidade e inviolabilidade;
III - informar, de maneira sigilosa, à autoridade competente, denúncia da qual tenha tomado conhecimento e que contenha indícios da prática de crime sujeito a acionamento penal público
incondicionado, cuja perpetração haja ocorrido no âmbito da rede de computadores sob sua responsabilidade.
§ 1° Os dados de que cuida o inciso I deste artigo, as condições de segurança de sua guarda, a auditoria à qual serão submetidos e a autoridade competente responsável pela auditoria, serão
definidos nos termos de regulamento.
§ 2° O responsável citado no caput deste artigo, independentemente do ressarcimento por perdas e danos ao lesado, estará sujeito ao pagamento de multa variável de R$
2.000,00 (dois mil reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais) a cada requisição, aplicada em dobro em caso de reincidência, que será imposta pela autoridade judicial desatendida, considerando-se a natureza, a gravidade e o prejuízo resultante da infração, assegurada a oportunidade de ampla defesa e contraditório.
§ 3° Os recursos financeiros resultantes do recolhimento das multas estabelecidas neste artigo serão destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública, de que trata a Lei n° 10.201, de
14 de fevereira de 2001.



VEJA O OUTRO exemplo de artigo aprovado no PLC:

(i) Art. 2o (ref. art. 285-A)
Art. 285-A. Acessar rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização do legítimo titular, quando exigida:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.
Parágrafo único. Se o agente se vale de nome falso ou da utilização de identidade de terceiros para a prática do crime, a pena é aumentada de sexta parte.

Este artigo criminaliza o uso de redes P2P e até mesmo a cópia de uma música em um i-pod. Ao escrever que o acesso a um "dispositivo de comunicação" e "sistema informatizado" sem autorização do "legítimo titular", ele envolve absolutamente todo tipo de aparato eletrônico. Se a empresa fonográfica escreve, nas licenças das músicas que comercializa, que não admite a cópia de uma trilha de seu CD para um aparelho móvel, mesmo que seu detentor tenha pago pela licença, estará cometendo um crime PASSÍVEL DE PENA DE RECLUSÃO DE 1 A 3 ANOS.

O projeto de lei é tão absurdo que iguala os adolescentes que compartilham músicas aos crackers e suas quadrilhas que invadem as contas bancárias de cidadãos ou o banco de dados da previdência.

Sérgio Amadeu da Silveira é sociólogo e Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. É professor da pós -graduação da Faculdade de Comunicação Cásper Líbero. Autor de várias publicações, entre elas: Exclusão Digital: a miséria na era da informação. Militante do Software Livre.

http://samadeu.blogspot.com

domingo, 29 de junho de 2008

Pepetela no Rio - Palestra

Palestra com o escritor angolano Pepetela, autor de A geração da utopia, Mayombe, Predadores entre outros títulos:

dia 8 de julho - às 19 h

Livraria Argumento, à rua Dias Ferreira, 417 - Leblon.

Agradeço à Professora Carmen Lucia Tindó Secco pela informação.

Riso

Banhos


No mínimo, são interessantes os filmes que tratam das mazelas da modernidade e da globalização e, principalmente, da condição humana, tão desmerecida pelo modelo social vigente que condena valores como solidariedade, amor e compaixão com o próximo. Até a família ou algo que lembre tradição é atropelado pela maneira competitiva e neoliberal de ser.

Banhos” (Shower, em inglês, Xizhao), filme chinês de Zhang Yang realizado em 1999, retrata o retorno de um bem sucedido jovem chinês (Da Ming) da cidade de Beijing ao convívio familiar com o pai e o irmão deficiente mental, que vivem do trabalho em uma tradicional casa de banhos chinesa.

A película já começa a mostrar o contraste entre a tradição e a modernidade logo em sua primeira seqüência: ao vermos o jovem Da Ming banhando-se em um chuveiro público moderno, que nos faz recordar imediatamente a semelhança com as máquinas lava-jato de automóveis. Em uma cena mais à frente, teremos a comprovação disso com um carro sendo limpo em um posto. Logo, podemos estender a comparação com a condição insensível imposta pelo mundo atual.

Da Ming resolve visitar sua família. A maneira como vivem não o agrada, por isso o afastamento e a rara presença. Ao chegar, vemos como é o funcionamento da casa de banhos administrada por Mestre Liu, seu pai, e ajudado, apesar das limitações, por Er Ming, seu irmão. Destaca-se o tratamento personalizado com os clientes, as milenares técnicas de massagem e o ritmo lento e descomprometido com o tempo – se compararmos com nossa vida acelerada –, com espaço para conversas, jogos (uma surpreendente briga de gafanhotos) e banhos intermináveis. Todo esse panorama causa estranhamento e repúdio para o ocidentalizado e globalizado Da Ming, que se mantém distante das atividades da casa de banhos e trata com frieza o pai e o irmão, não compreendendo a harmonia, a vida simples e sem maiores perspectivas levada pelos os dois.

Contudo, um breve mal-estar ataca Mestre Liu, que fica com a saúde debilitada devido à idade avançada. Com isso, Da Ming percebe que precisa participar do serviço da casa de banhos, pois Er Ming só pode assumir pequenas tarefas, e esse retorno ao trabalho passa a ser a redescoberta de sua origem e de reaproximação de sua família.

Todavia, o bairro em que se localiza a casa de banho será reformulado com a construção de um shopping center e tudo será demolido. É a presença do neoliberalismo e a sua sanha predatória em adaptar as pessoas e o meio ao seu modelo, eliminando completamente qualquer vestígio da vida tradicional levada naquela região, em que Mestre Liu cresceu e criou seus filhos.

O idoso Mestre Liu morre antes da demolição do bairro. Como não poderia deixar de ser, tais mudanças afetam os homens que convivem naquele ambiente com a aproximação do despejo, que pressentem um futuro nebuloso, carregado em incertezas e fazem críticas ao modo agitado e rápido como se vive na atualidade.

Deve-se destacar a beleza e a delicadeza das cenas de nu, principalmente feminino, sem as costumeiras vulgaridades e apelações que beiram o pornográfico, comuns na televisão e cinema brasileiros. Obrigatório louvar as passagens sensíveis e singelas protagonizadas pela inocência de Er Ming, muito bem interpretado por Jiang Wu. Enquanto isso, a apresentação do contraste entre a China contemporânea e seus hábitos milenares nos fazem refletir sobre as mazelas e o individualismo perpetrados pelo neoliberalismo, com sua sede de ganância, novidade e artificialidade. “Banhos” é um bom filme.

Ricardo Riso

As informações a seguir foram retiradas de
http://www.adorocinema.com/filmes/banhos/banhos.asp

Ficha Técnica
Título Original: Xizhao
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 92 minutos
Ano de Lançamento (China): 1999
Site Oficial: www.spe.sony.com/classics/shower/index.html
Estúdio: Imar Film / Xi'an Film Studio
Distribuição: Sony Pictures Classics
Direção: Zhang Yang
Roteiro: Shangjun Cai, Yinan Diao, Xin Huo, Fendou Lin e Zhang Yang
Produção: Peter Loehr
Música: Ye Xiao Gang
Direção de Fotografia: Zhang Jian
Direção de Arte: Meng Tian
Edição: Hongyu Yang

Elenco
Jiang Wu (Er Ming)
Pu Quanxin (Da Ming)
He Zheng (He Bing)
Zhu Xu (Mestre Liu)
Zhang Jin Zao

sábado, 28 de junho de 2008

Pepetela: Escrever foi tão difícil que valeu uma taça de champanhe

http://jbonline.terra.com.br/editorias/ideias/papel/2008/06/28/ideias20080628005.html

28/06/2008
Escrever foi tão difícil que valeu uma taça de champanhe

Ex-guerrilheiro, Pepetela passa a limpo a recente história de Angola
Alvaro Costa e Silva

Em 2005, ao pôr um ponto final em Os predadores (Língua Geral, 552 páginas, R$ 45), Antônio Carlos Maurício Pestana dos Santos, conhecido pelo pseudônimo de Pepetela (palavra que, em umbundo, uma das línguas de Angola, significa pestana), serviu-se de uma taça de champanhe. Um luxo ao qual o ex-guerrilheiro não é chegado.

– Isso foi uma maneira de dizer que me estava a libertar de qualquer coisa que afinal era dolorosa – conta o escritor. – Uma situação de desigualdade social tão forte como a que se vive em Angola não é fácil para quem lutou por uma sociedade mais justa. Os predadores mostra no que se tornou a nossa sociedade.

O livro acompanha a trajetória de Vladimiro Caposso (uma das especialidades de Pepetela, além da clareza de estilo e construção da narrativa, são os nomes), um sujeito disposto a subir na vida a qualquer custo. Na linha dos romances que passam a limpo a história de Angola – de que são exemplos Mayombe, A geração da utopia e Parábola do cágado velho – Os predadores descortinam os últimos 30 anos do país africano, período da guerra colonial. O protagonista, rapaz modesto do Calulo, filho de enfermeiro que tratava a tropa portuguesa, depressa descobre que sobreviver em Luanda em muito depende do vitorioso MPLA e, por isso, muda o nome de José para o mais revolucionário Vladimiro.

Outro personagem chama-se Nacib porque nasceu na altura em que a televisão angolana transmitia pela primeira vez uma telenovela, Gabriela, baseada no livro de Jorge Amado: "Estava combinado há muito na família: se nascesse menina se chamaria Gabriela. Nasceu rapaz e ficou Nacib, podia ser de outra maneira?". Em mais uma das obras do autor – Jaime Bunda: agente secreto, na qual também se investiga a história recente de Angola mas pelas veredas do humor – é descrito o mercado popular Roque Santeiro, o maior a céu aberto que existe no mundo.

– A novela tornou esse nome famoso – explica Pepetela. – A influência do Brasil sobre Angola, e não a podemos restringir apenas à televisão, tem aspectos largamente positivos, mas tem outros que o são menos. Penso que isso acontece sempre com os relacionamentos, quer entre pessoas, quer entre países. Mas dá para notar que se vão reforçando alianças. O aspecto mais importante é que isso permitirá fomentar amizades entre países que falam a mesma língua. Um e outro têm importância crescente nos seus respectivos continentes, também. A influência da televisão toca mais os costumes e os modos de vida. Nesse caso, tem aspectos negativos, por fomentar o consumismo, as modas e modismos, e atitudes estranhas ao que era a vida das pessoas. No entanto, não há como fugir a isso.

Autor de 16 romances (os dois mais recentes, O terrorista de Berkely e O quase fim do mundo, apontam uma guinada na carreira do escritor, pois não se passam em Angola), Pepetela prepara-se para participar da sua primeira Flip: no sábado, divide a mesa Guerra e paz com a nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. E avisa: dispensa a champanhe.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Predadores - Lançamento de Pepetela na FLIP 2008


Predadores *
Lançamento de Pepetela na FLIP pela Língua Geral:
DIA 05 de JULHO - SÁBADO - ÀS 10h
Mesa 11 - Guerra e Paz - Pepetela e Chinamada Ngozi Adichie

Com 16 romances publicados, o angolano Pepetela (pseudónimo de Artur Pestana) é um dos mais conhecidos e respeitados escritores da África. Em 1997 foi galardoado com o prémio Camões pelo conjunto da sua obra.

Mediante a ascensão de um homem de origem humilde, Vladimiro Caposso, que se serve da estrutura partidária e do aparelho de Estado para se transformar num poderoso empresário, Predadores desenha um retrato irónico, freqüentemente cáustico, da actual sociedade angolana. A linguagem é simples e direta, o enredo preciso, segurando o leitor da primeira à última página.

Com este romance Pepetela fecha, de certa forma, um ciclo de desencanto com a forma como evoluiu o regime angolano desde 1975. Sabendo-se que Pepetela combateu, de armas na mão, pela independência do seu país, e que integrou os primeiros governos angolanos, compreende-se melhor onde foi buscar a força e a revolta para escrever Predadores, grande sucesso de vendas e de crítica em Portugal.
(José Eduardo Agualusa)

Quem disse o quê

“Predadores não se lê, devora-se. Este trabalho para além de estar embebido de uma ironia formidável, é uma denúncia muito lúcida e muito sofrida ao arrisvismo que tomou conta dos centros de poder angolanos. Hilariante e arrepiente.”
(Francisco Nunes, Planície Heróica, Alentejo)

“Tenho muita admiração e muito respeito por ele [Pepetela]. Pelo homem. E acho que a obra dele é profundamente honesta. Isto é a melhor qualidade que um escritor pode ter.”
(António Lobo Antunes, Ler, maio de 2008, Lisboa)

Sobre o autor

Pepetela nasceu em Benguela, Angola, em 1941. Tornou-se militante do MPLA – Movimento Popular de Libertação de Angola – em 1963. Esteve exilado na França, na Suíça e, por fim, na Argélia, quando graduou-se em Sociologia.

É professor dessa disciplina na faculdade de Arquitetura da Universidade Agostinho Neto, em Luanda. Em 1975, depois da independência de Angola, foi nomeado vice-ministro da Educação. Recebeu o Prêmio Camões em 1997 pelo conjunto de sua obra. Publicou, entre outros romances, Mayombe (1980), Geração da Utopia (1992), O desejo de Kianda (1995) e Jaime Bunda – o agente secreto (2002).

Título: Predadores
Autor: Pepetela
Coleção: Ponta-de-lança
ISBN: 978-85-60160-27-3
Brochura, 552 p.
R$ 45,00
*Fonte: e-mail da Editora Língua Geral, de 23 de junho de 2008.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Cinema: Veredas – Os filmes a partir de Guimarães Rosa

MOSTRA CINEMATOGRÁFICA INSPIRADA NA OBRA DE GUIMARÃES ROSA
http://www1.caixa.gov.br/imprensa/imprensa_release.asp?codigo=6608632&tipo_noticia=0

Brasilia, 19 de Junho de 2008
Cinema: Veredas – Os filmes a partir de Guimarães Rosa

Um dos mais inventivos escritores do século XX, João Guimarães Rosa completaria cem anos em 2008. Para homenagear este brilhante mineiro de Cordisburgo, a mostra Cinema: Veredas – os filmes a partir de Guimarães Rosa apresenta 17 filmes (11 longas-metragens e seis curtas), mais três programas de TV que serão exibidos de 24 de junho a 6 de julho, nos Cinemas 1 e 2 da Caixa Cultural Rio.

O público vai conferir importantes obras de consagrados diretores brasileiros: de Nelson Pereira dos Santos a Glauber Rocha, passando por Sandra Kogut e Caetano Veloso, são filmes díspares entre si, mas que apresentam versões cinematográficas para o fantástico mundo de Rosa.

Guimarães Rosa é o mais aclamado autor brasileiro da geração modernista de 1945. Sua escrita absolutamente inventiva rompe com os ditames formais da norma culta, em sintaxe, semântica, ortografia, fonética, etc. A todo o momento, Guimarães Rosa recria a língua para que esteja na exata medida de seus personagens e de suas histórias. Teóricos e críticos literários só encontram paralelo para a escrita 'roseana' na obra de James Joyce.

Devido à complexidade de sua obra, durante muitos anos se costumou dizer que ela seria inadaptável. Mas em 1965 (dois anos antes de seu falecimento), se realizou o primeiro filme adaptado – aliás, não só um como dois: "A hora e a vez de Augusto Matraga", de Roberto Santos, e "O Grande Sertão", dos irmãos Renato e Geraldo Santos Pereira. São filmes de estéticas tão diferentes que, sem saber de antemão, seria difícil supor que tivessem partido de um mesmo autor literário.

A mostra Cinema: Veredas – Os filmes a partir de Guimarães Rosa foi aprovada pelo edital 2007 de ocupação dos espaços CAIXA Cultural.

SERVIÇO
Cinema: Veredas – Os filmes a partir de João Guimarães Rosa
de 24 de junho a 06 de julho

CAIXA Cultural – Cinemas 1 e 2
Av. Almirante Barroso, 25, Centro (ao lado da estação Carioca do metrô)
Tel.: 21 2544 4080 – Site: www.caixacultural.com.br
Temporada: 24 de junho a 06 de julho (terça a domingo)
Horários: 12h, 14h, 16h, 18h e 20h
Programação completa abaixo
Ingressos a R$4,00(inteira) e R$2,00 (meia) R$ 10,00 (passaporte para 08 sessões) – 100% da renda será destinada ao programa FOME ZERO

Assessoria de Imprensa da Caixa Econômica Federal
CAIXA Cultural - Rio de Janeiro/RJ
Fone: (21) 2497 5022
Cels: (21) 82150900//78921433//96174772
www.caixacultural.com.br

Programação – Cinema: veredas – os filmes a partir de João Guimarães Rosa
CAIXA Cultural, Rio de Janeiro – de 24 de junho a 6 de julho de 2008
Recomendação etária: de acordo com o filme, a ser informada no local da mostra.

Terça – 24/06
18h - A João Guimarães Rosa + A hora e a vez de Augusto Matraga
20h - Palestra com Vilma Guimarães Rosa

Quarta – 25/06
14h - Os nomes do Rosa - episódio 1
16h – Sarapalha
18h - Corpo fechado (TV Cultura)
20h - Soroco (TV Cultura)

Quinta – 26/06
14h - Os nomes do Rosa - episódio 2
16h - Programa de Curtas 1
18h - Programa de Curtas 2
20h - Aboio

Sexta – 27/06
14h - Os nomes do Rosa – episódio 3
16h - Cinema falado
18h - Mutum
20h - A criação literária + Sagarana, o Duelo

Sábado – 28/06
14h - Os nomes do Rosa - episódio 4
16h - Grande Sertão: Veredas (TV Globo)
18h - O Grande Sertão
20h - Deus e o diabo na terra do sol

Domingo – 29/06
14h - Os nomes do Rosa - episódio 5
16h - Cabaret Mineiro
18h - Noites do sertão
20h - Outras Estórias

Terça dia 01/07
12h - Os nomes do Rosa - episódio 1
16h - Noites do sertão
18h - Outras estórias
20h - DEBATE

Quarta dia 02/07
12h - Os nomes do Rosa - episódio 2
18h - O Grande Sertão
20h - Programa de Curtas 2

Quinta dia 03/07
12h - Os nomes do Rosa - episódio 3
16h - Corpo fechado (TV Cultura)
18h - Grande Sertão: Veredas (TV Globo)
20h - Deus e o Diabo na Terra do Sol

Sexta dia 04/07
12h - Os nomes do Rosa - episódio 4
14h - Os nomes do Rosa - episódio 5
16h - Soroco (TV Cultura)
18h - Cabaret Mineiro
20h - Programa de Curtas 1

Sábado dia 05/07
16h - Mutum
18h - Aboio
20h - Cinema falado

Domingo dia 06/07
16h – Sarapalha
18h - A João Guimarães Rosa + A hora e a vez de Augusto Matraga
20h - A criação literária + Sagarana, o Duelo

Programa de Curtas 1
“Eu carrego o sertão dentro de mim” (1980), de Geraldo Sarno
“Cordisburgo roseana: a cidade recriada” (2001), de Vítor da Costa Borysow
“Rio de-Janeiro, Minas” (1993), de Marily da Cunha Bezerra
“Desenredo” (2001), de Raquel de Almeida Prado
“Famigerado” (1991), de Aluízio Salles Jr

Programa de Curtas 2
“Do sertão ao Beco da Lapa” (1972), de Maurice Capovilla
“Veredas de Minas” (1975), de David Neves e Fernando Sabino
“João Rosa” (1980), de Helvécio Ratton
“Livro de Manuelzão” (2003), de Angélica Del Nery
“Urucuia” (1998), de Angélica del Nery