sexta-feira, 17 de abril de 2009

Tchalê Figueira - "O Mar", pinturas recentes

As pinturas abaixo, da série "O Mar", foram gentilmente enviadas pelo artista plástico cabo-verdiano Tchalê Figueira, no dia de hoje.

Ricardo Riso













Tchalê Figueira - A viagem (prosa)

Acabo de receber o texto e algumas imagens de pinturas recentes do artista plástico e escritor cabo-verdiano Tchalê Figueira. Segundo ele, trata-se de "um texto poético quase autobiográfico".

Aqui compartilho com vocês.
Abraços,
Ricardo Riso

Biográfica viagem
Lá longe de aquilo que eu e o Mundo sabe é o vazio. A especulação das estrelas, as palavras. Sempre as palavras! A candeia e a bengala, o sustento do efémero, borboletas desfazendo em cinzas. Sementeira nos campos: Algumas perdidas pela secura da alma, outras iluminadas pelo incêndio do peito, tal mulher casa da primavera. Neste monte verde uma grinalda de névoa entra pelas minhas narinas, penso nos meus mortos que frios jazem em catedrais olvidados e, no meu eu, a luz herdada dos seus candelabros de sabedoria. Com meu cajado de plumas e um mar imenso de pensamentos a águia voa, meus pés descalços sentem a renda dos massa pés, modelando trilhos na ilha. Lembro-me dos teus ombros que beijo e torno a beijar cem vezes cem, ou equação infinita na tábua de ébano dos teus olhos. Borboletas, pássaros, flores, e meus dedos apontando uma lua coralina, que repousa entre os vales dos teus formosos seios. O quarto, a mesa onde divido o pão e escrevo. Invento palavras cortantes como a espada da morte, também o sabor a mel que corre na linha das minhas ideias. Colheitas armazenadas na electricidade do meu crânio iluminado, insectos coloridos com sangue, sobrevoando o lago das minhas incertezas. A casa febril arde, papoilas suspensas na seara, o invisível ar que respiro, a profundidade no oceano das palavras que sondo. Respirar de cavalo sem freio, a tristeza o amor e a morte, corrente marítima, veleiro navegando na borrasca, minha solidão sem beijos… Romarias e suor, repicam-se tambores nas ilhas. Santos por um dia pelas ruas caminham, dos seus sexos bátegas de chuva regando acácias com seus ramos de navalhas apontadas para a lua. O povo canta, a cortina da mingua num tocar de corpos desvanece no vermelho da terra e, ressuscitado por um segundo, Cristo com um panfleto de luz, grita aos homens: Amai uns aos outros, irmãos!... Igrejas. Mesquitas, sinagogas, templos iluminados, dogmas e mártires, artilheiros da fé, mentes flageladas pela cegueira do verbo: Meu corpo é meu templo, são beijos de libelinhas, pairando num regato de cantigas… Violinos, liras, harpas, violoncelos na rua dos tímpanos repousam – Os sentidos orquestram a harmonia do dialogo, e, sentado na raiz milenária de um dragoeiro, oiço o cristal da música embalando meu peito grande. Cintilam estrelas de branco veludo, neste universo sem fim… Violáceo poente, jardim dos meus olhos, quente vermelho, caminho leve, varanda nas pálpebras, minhas pestanas pintando oceanos, as cores, a luz, a sombra e o brilho. – Sem Luz!... Não há espaço nem tempo!... Passa um moscardo, regresso a infância bem longe… Foram tantas, mas algumas pelo caminho as perdi… Daguerreótipos depositados no armário das minhas lembranças: Singapura!... Trinta moedas, três maços de Chesterfield, meu coito triste, órfão do mundo, e, mais mar a fora, a ilha dos sonhos, paraíso perdido que a vida anseia. Rosa-dos-ventos, barco do corpo horizonte de tigres, homens – a – vista!... Será este meu porto seguro?... Teria que encontrar-te de novo, oh musa perdida!... Tu que comigo ao agro foste, escutar a fresca erva crescendo… Planície verde, ausência de espelhos, abominável objecto de vaidades múltiplas, imagem negra no pós Outono da vida, rugas no coração, homens na plástica, olhos rasgados orbitam sem brilho, a morte que nunca avisa quando vem jantar! … Bandeiras, estandartes, suásticas, soldados, guerreiros marchando, gritam ao tirano: Ave César! Morttituris ti Salutem … Bestas teleguiadas colocando ovos no útero do Mundo. Selvas ardendo, mães sem sorriso, águias apunhaladas no voo do Poeta! Mas, o Poeta, feito pássaro que renasce das cinzas inventa palavras, iluminam-se livros, estes templos sagrados de divina sabedoria… Mãos em chama, fogo da aurora, nasce a palavra, longos dias eternas noites… Ele, Sussurrando pergunta: São verdes os teus olhos, ou são azuis, como a fina linha do mar que vem dar a costa dos meus sonhos?... Oh salamandra dourada, fogueira viva, estrada escarlate! Minhas artérias são rios de sangue, palavras em meus lábios, cotovelos dobrados, rezo a beleza. Fénix renasce, música celestial, partitura divina, divino escuto Beethoven… ( Freude Godes Funkel aus Ellisium) movimento de batuta solar, música infinita… E eis que escrevo este poema aos meus amigos vivos e mortos. Mortos nas suas frias lápides, carrego-os no cadinho da vida… A vela cintila, uma brisa fugaz entra e sai pela janela das persianas verdes… A cor dos teus olhos não é?... Ou!... Serão azuis?... negros?... castanhos?... Amo-te com todas as cores mulher vindima, uva que etiliza meu veleiro de mastro firme. Sou capitão, marinheiro de velas soltas nas vagas do teu pão que como e ofereço-te a comer… Leite, manga, nuvens, crianças, lua, a imensidão do peito, ajoelhado beijo teus lábios em flor… Semente da terra, origem da vida, convexa prenhez, planta que nasce, festejamos a vida, com cavaquinhos e violões, a navalha que corta o fio, entre a mãe e a cria, primavera em brilho, sorrisos marfim, catedrais de ébano, bocas vermelhas, belos os seus rostos, rendas de Holanda, mesas coloridas, iguarias crioulas, manjares e bailes, papilas gustativas, o céu da boca, malagueta e melaço, cana – de – açúcar, o grogue que embriaga nossas alegrias, também as nossas tristezas… Pernas pintadas, pó de terreiros saracoteando, juventude firme, corpos de basalto, seus sexos cheirosos, coxas ritmadas em transe bailando, astros que queimam o circulo das saias, carcelas em fogo, suspiros na noite, lua bem clara, cama de amantes, tamarindo gemendo, flores no quintal, coito efémero, nada eterno, transita o tempo, La nave vá… Ofídia fria, inverno sem luz, os dias, as noites, manto de espinhos, sem água no poço o corpo morre, pálpebras exaustas, guerra dos homens, o frio mármore, almas cortadas, sangue inocente, borrem-se estrelas, lábios sem rega, sede de viver… Moedas que corrompem, de fel é a seiva, vida quebrada, peçonha no cálice, vinho corrompido, falsas abençoas, traqueia que rasga, afónica é a lira, velas e velórios, estrelas extintas, caule quebrado, dedos partidos, canetas ardendo, escritas sangrando, frios revólveres suicidando sonhos… A luz da vida, o dia que renasce!... Montanha curva, ventre de mulher, parto feliz, a vida, relâmpagos no céu, voam os dias, soltam-se amarras, nas veias o sangue, meu corpo nu, multiplicação de anjos, orações divinas, atiçam-se lareiras, meu cérebro descansa, a morte fica, para um outro dia… Desço a corrente num barco de seda, meus gestos, tuas mamas, teu cabelo azeviche, floresta de crinas, teus olhos que brilham, jardim dos sentidos, os sinos que tocam, torre ardendo, meu pénis duro, tua concha em flor, teu desejo molhado, minha língua solar, curvas na púbis, jardim de jasmim, mariposas e pétalas, teu profundo olhar que entoa música… Trompetes e tambores, violas de amor, polifonia alegre, montes castanhos, braços e dedos, palma das mãos, rezam-se terços, Cristo bailando, crianças no baile, pura inocência, coroa sem espinhos, ilhas vulcânicas, negro basalto, rosas do mar… Maria, Joana, Bia, Teresa, rebolam-se coxas num abrasado suor, frenesi musical, cursos de água, rostos de negros, índios e brancos, nascimento das ilhas, ancoradouros e portos, casa de marinheiros, desflora dores de santas, a sal, o azeite a cruz e os santos, bordéis nas esquinas, gemem-se janelas, canto de sereias, tatuagens carminas, capitães de Posídon, filhos do mundo, abandonaram-nos no mar, tanta saudade, nos dias renascemos para bem morrer… O rugir do mar, um leque de pranto, terra rasgada, lua serena, cantamos a desgraça, da sombreada vida, aves queimadas, tombam-se estrelas, neste céu sem fim, lágrimas e dor, dédalo sem êxito, labirinto oceânico, oh esperança!!!!!... Buda renasce, crio caminhos, biliões de lanternas, são pirilampos, lótus da vida, flores no trilho, ascendo da ilha até as estrelas, a visão do cosmos, meu universo, sou a candeia do meu caminho… Formam-se clarões, repicam-se sinos. Tocam-se tambores nos vales das ilha, colares de pássaros, flautas marítimas, pernas que brilham, seda é a derme, corpos de cristal, incenso de mulheres, fogueira eterna, cálice que aflui, sangue menstrual, fecunda roseira, mulher sagrada, lança e arado, meto a semente. Flor de espiga, milheiral no vento, peixes e pérolas, mãos dos teus braços, coluna vertebral, pose de rainha, electricidade no ar, horóscopo e oráculos, destinos escritos, infinitamente juntos, possibilidades possíveis, finito, perene, despedidas e encontros, a vida a morte. Naufrágios do mundo, a imensidão do mar… Aqui chegaram, novo mundo criaram…

Nas suas naus arribaram, ilhas vulcânicas, paleolítico repouso, a primeira missa, répteis e pássaros, baptizaram-nos com nomes que não advêm de Deus… mas sim dos homens, da sua memoria… A bíblia, a espada, pólvora e grilhetas, ninharias e missangas, homens esbeltos, negros e negras, belos como a noite, nocturno azeviche, sangue e chicote, úlceras e ultrajes, negreiros malditos, homens marcados, a ferro e fogo, nasceu do outro lado, o Novo Mundo, com: The Blues, el merengue, el uáuánko. Quato por oito, kumba lele, Xango Ogum, Yenmanjá, novo lado do mar, algodão em rama, Coton Club negro, crioulo é o Jazz, que nos vai libertando para renascermos… Mas… Com o destino, por aqui ficamos: Dermes brancas, rosas negras, melaço nos lábios, cor de mulato, peixe, feijão, milho e pilão, cavaquinho nos dedos, divinas mornas, este mar imenso que nos rodeia, festa das águas, se Deus quiser, meu penedo de Tântalo, sede secular, fonte amputada, língua murchada… Morremos e ressuscitamos nosso desespero… teimosamente aqui ficamos. Daqui zarparam naus e veleiros, barcos de pedra, arpoadores de cetáceos. Ondas gigantes, gentes remotas, filhos do fogo, dez ilhas secas sede sem fim… Xango, Tatanka, Cristo, Shalom, sou negro, índio, lusitano, hebreu, marinheiro das ilhas, num norte sul, cheiro a goiaba, delicioso carpo, orgasmo forte, filho colonial, carrego em mim, continentes e mundos… Querer ficar e ter que partir…

Penélope acena com seu lenço de pedra, lágrimas secas, dias rasgados, membros calcinados, exiladas almas, cartas que chegam, modas e moedas, epistolas de luto, luto e amor, matrimónio por fotos, procurações. Bodas em Lisboa, Boston e Paris, vistos de entrada, cartas de chamada, convocações. Censuradas cartas, Salazar voraz, Tarrafal farpado, frigideira queima, pulmões rasgados, ratazanas e rondas, camaradas delidos, carne de canhão, chumbo de indecência, irremediável loucura, círculo craniano, réptil milenar, nocturna demência, navalhas loucas, baionetas frias, fresca é a carne, heróis na peleja, mortos e medalhas, mataram e morreram, anos sem fim, há tempo para tudo, aqui no Mundo…

Em vagas frescas nasceu meu mar, lavei meu corpo, nasceram mundos, pão nas estrelas, abanico de chamas, signos e flores, monte de rosas, sexo balsâmico, paixão de viver, a hemoglobina quente, bíceps crescendo, luvas de água, mãos de pétalas, campo de folhas, bela é a vida, forte o amor, pássaro que voa, neste mar que canta… Minha viagem!... Lábios de tulipa ardem em meu corpo, película branca, neve do norte, rios gelados, torres néon, estrada do paraíso, relógios de água, mulheres loiras, polidos vasos, porcelanas de Delft, crinas de milho, triangulo solar, meu sexo ébrio, embriague de touro, planície verde, diques e riachos, humedecidas conchas, narciso mulato mornando na viola, canta as mulheres de Blanca Luna… Roterdão, as pontes, pernas bonitas, bicicletas girando, seios altivos, meu peito que rasga, nascem tulipas, aqui habito, vindo das ilhas, broca gelada, fura meus ossos, barcos à – vista, marinheiros sonhando, mornas e ninfas, faróis do porto, navegação exótica, vitrinas de sexo, gonorreis arcaicas, falos em delírio, desgraçada solidão, La petite mort…

Cargueiro na neblina, Oceano Pacífico, Singapura, China, livro de Mao, altifalantes ríspidos, uniformes azuis, individualidades perdidas, falsas doutrinas, num corcel de sangue, galopa a peleja, Vietname queimado, América murchando, Marte de espada, ceifa Saigão, heroína nas veias, filhos da noite, senhores das guerras, assassinos perversos, sorvem champanhe, em crânios de chumbo, contemplo as estrelas, oh miséria humana!...

Constelações de palmeiras, cruzeiro do sul, pescando pérolas, homens castanhos, Gauguin pintando, a luz é vida, na Austrália cantam, doces sábios, aborígenes da terra, telepatia forte, bumerangues voláteis, separando estrelas, trilhos da noite olhos felinos, canto nómadas, seus djederutus, musicando com seixos seus corpos bailam, oiros cabelos, narinas largas… vieram britânicos, raptaram seus filhos, violência e álcool, agonia de um povo, Sidney, Cairns, Adelaide, Pert, soltei amarras, segui o destino…

Quinze dias e quinze noites, vi o monte Fuji, beijei Bacho, lendo Haykus. Poesia breve, universo profundo, meu Zen budismo, a espiritualidade do ser, Yokohama ocidental, comboios cometas, trilhos chiando, peixe gigante, mito de sismos… juba de Einstein, MC2… Openheimer devasta com seu Litlle boy, duas cidades, a bomba atómica, cadáveres em pó, flautas de bambu, schaguaschy que chora, quimonos de seda, gueixas no chá, amendoeira e neve, pétalas perfeitas, mariposas azuis, levante solar, fim da estrada do Japão parti, termina aqui, a segunda viagem…
De contratos com a vida seguimos vivendo, pela sabedoria dos homens nos céus voei… Do Oriente para o Ocidente; Sir Isaac Newton e a gravidade. Macieira e maçã, que não é a de Adão, tão – pouco de Eva, mito de Ícaro, sonho dos homens, inatingíveis mundos, liberdade ou queda… Tokyo, Amsterdam, via Alasca, foi um milhão de dólares, conta a história, Ancorage na névoa, rios com salmões, saltam para a morte, seu renascimento; meu caminho na vida, linhas da mão, labirinto sem centro, a metafísica, penso no amor, existo, penso… Lua soberana, céu argentino, rosto de mulher, pálpebras rasgadas, branco cristal, nocturnos olhos, pestanas de seda, quimono florido, vénias e luvas, mãos de nuvens, papel de arroz, caligrafia zen, diploma lácteo, pólo norte níveo, Robert Perry frio, infinito silencio, a evolução dos homens, máquinas voadoras, meu avião no ar, sigo viagem, caixa veloz, perfurando sombras…

Mas tudo regressa, ao ponto de partida!...

Roterdão meu templo, rezo as divinas, bicicletas voam, meu falo sulca, regresso a Ítaca, rosto bronzeado, labareda ardendo, I,am a sex machine; objecto sexual, Europa mulher, minha comcubina, sou bailarino leve, pétala no vento, furação coreográfico, bailando James Brown… I tis a mans mans World… divina tragédia… Visto de estadia, aborta aos três meses, barco ou fronteira, comboios de gado… Lisboa alerta, Salazar seu esqualo, capanga mor, Tarrafal demente, colecciona cérebros, misantropia perversa, esquadrões da morte, optei de novo, o caminho do mar…


Orenoco serpenteia, águas sem fim, aves coloridas… lembro-me de Simão; … não cirenaico do morto na cruz, mas de Bolívar, el Libertador… que em Santa Marta morreu, febril, seus sonhos, gasta utopia, vida e la muerte, del General, todos os dias morremos na cruz… Avançando na selva, cântico de xamanes escuto, tatuagens negras, bambus e flechas, pepitas douradas voando nas lâmpadas, urros de fantasmas, los conquistadores, sangue derramado, índios vestidos, gládio e livro, verbo de Deus, homens centauros, é a profecia, a pólvora e a cruz, Bartolomeu de las Casas… Meu barco acelera, contra a maré, minha água turva, Amazona queimada, morte e moedas, arquitectura efémera, em porto Ordaz, no Novo Mundo, cheguei… Circe é puta, Ulisses mareante, inverte-se o canto, Homero enxerga, Circe é índia, enfeitiçada por dólares, Ulisses fode… cama molhada, charco de esperma, curral de putas, azares da historia, Coca-Cola bebem, elixir dos deuses, lágrimas sem sal, abraços sem flores, beijos sem água, doces mentiras, o dia chega, benzeno nos tanques, cheira a veneno, passos perdidos, mar encrespado, sigo viagem, To the American deam, Filadélfia à vista!!!! Apertam atracas, minha nave chegou…

De amor fraterno provêm o nome, cidade antiga, Dionísio seu deus, antes da Americana, foi a primeira, o universo gira, nada é eterno, Filadélfia ontem, Filadélfia hoje, o novo império, a sua historia, a pequenez dos homens, grande é o tempo, metrópole fria, letreiros néon, dragões são carros escarrando asfalto, vadias em delírio querem chupar-me, Roosevelt por 100 dólares, usa peruca, narinas largas, o crak despacha, a Independence hall, a constituição, sino da liberdade, Poe meu poeta, corvo agourento fura meus olhos, deprimente é a neve, minha tristeza, imenso lamento, Poe delirando: Tudo acabou!!!! Tudo acabou!!!!... Digam que Edy já não existe… Constituição e liberdade, negros linchados… strange fruits nas árvores, white trash nos guetos, latinos na coca… América! América!... Ginsberg é poeta, Ginsberg gritando: América, América!... Quando vais enviar teus ovos a Índia????...

Triste nas brumas, Filadélfia ficou, rumamos para o norte, velas esticadas cristas nas quilhas, marinheiro na gávea, alto é o céu; arranha-céus fálicos, carros e trombetas, azafama de loucos crimes com arte, cidade de insónia, psiquiatras a quilos, cavalo sem freio, Time hear is mony!!!!! Estátua da liberdade, não liberta almas, Manahata, por 24 dólares, Nova Amsterdam, meus irmãos Lenape, rindo dos brancos, o Sol e a Terra, a nada pertencem, bastam 7 palmos quando a morte beijar… Wall srteet não para, cães pelejando salivam gás, Serra Leoa decepada diamantes com sangue… África fodida… New York – New York… Hudson seu rio, neblina e água, Harlem e Bronx furam-se veias, Hooper e as pinturas, que solidão!... Peguy Guggenheim na arte é poesia. Quens rainha, Miled Davis azul, a Kind of Blue; Central Park verde, respira-se vida, Nações Desunidas, guerras sem fim. Mata o forte, o fraco morre… esta nova Babilónia, foi berço de índios, de traqueias queimadas, água de fogo, negros no Soul, Vénus é rameira, Iam a sailor from Cape –Verde islands arquipélago seco, seco, mas Sabe… mas Sabe que Hollywood é tempo de partir, não vou para as ilhas, proibido regresso, fascismo espreita, terror e morte…Noite tenebrosa, grávida de punhais.
Nas vagas da vida avistei Europa, cansado do mar purguei o sal; pelas estradas caminhei, em Helvécia cheguei… Desenhando gentes, pássaros e nuvens, esposa, amizade, filhos e arte, amor pela arte, arte da vida, poesia sublime navegam os dias…

Regressei às ilhas, foram 15 longas luas, escutei o Cântico da manhã futura! …
Sou peregrino, nos trilhos do mundo, queda e ascensão, a vida é assim, alegria e tristezas, sigo o caminho, como poeta cantando, novos mundos criando, as divas do meu destino, ofereço a luz, meus 55 anos formosos, Monte Verde sagrado, neblina mística, suave frescura, minhas narinas amplas, oxigénio no cérebro, horizonte e utopias, a imensidão do mar… 15Km por 23, São Vicente flutua!... Suspensa no ar, a ilha flutua, pensamentos brotando, serenas jornadas, doce memória, sigo avante, a vida é bela, amo-vos mulheres, musas divinas, candeia altiva, lua celeste, alvorada em parto, razão de viver… vou adiar a morte, para um outro dia…
(Tchalê Figueira - abril/2009)

domingo, 5 de abril de 2009

Domi Chirongo, a nova literatura moçambicana

Domi Chirongo é um dos representantes da nova literatura moçambicana. Nasceu em 1975, ano da conquista da independência do país. Licenciado em Psicologia e Pedagogia, é membro do Sindicato Nacional dos Jornalistas (SNJ) e do Instituto de Comunicação Social da África Austral (MISA Moçambique).

Em literatura, Chirongo já publicou o romance “Um Pequeno XIDAMBANE Africano vítima das cheias”, seus poemas e contos encontram-se dispersos pela web. Além disso, o autor possui um blog onde encontramos vários poemas de sua autoria: http://www.domichirongo.blogspot.com/

Recebi de Domi Chirongo um conto e os poemas que seguem abaixo. O fortíssimo conto “Tiros ao alto” retrata o devastador cotidiano da guerra fratricida patrocinada criminosamente pela África do Sul e EUA que assolou Moçambique. De como a população de lugares ermos era atingida pela violência, obrigando-a viver em estado permanente de vigília e medo, mesmo durante as festas de final de ano. Enquanto a chegada deste sendo anunciada por tiros, metáfora de um conflito que se estenderia por longos anos, dilacerando os sonhos do povo moçambicano com as promessas não cumpridas com a independência, infelizmente.

O desencanto com os rumos tomados pela pátria no pós-independência está presente nos poemas em prosa de Chirongo. Amargura, melancolia, decepção, revolta, são marcas de um eu-liríco inconformado com o meio em que vive e faz do espaço do poema lugar de denúncia e reflexão das mazelas que impedem o desenvolvimento do país. Por outro lado, o eu-lírico interioriza-se, refugia-se em um erotismo libertador em poemas dedicados à Mulher e ao Amor, buscando no caminho ilimitado das letras substituir as agruras de uma vida de intensas dificuldades sociais e econômicas. Em seu blog, os poemas trilham por este caminho.

A presença de um eu-lírico de cariz existencial é marcante na poesia moçambicana, encontrando ecos na história poética do país. Apesar do predomínio, necessário, no que se configurou chamara de “poesia de combate” da luta revolucionária nos anos 1960/1970 e o “cantalutismo” do país independente, apreendemos sua presença em poetas como Virgílio de Lemos, Rui Knopfli, Fernando Couto e o José Craveirinha dos poemas dedicados à Maria. Na contemporaneidade Luís Carlos Patraquim, Eduardo White, entre outros, demonstram e solidificam a rica diversidade estética da produção atual sem afastar-se das críticas a uma realidade excludente e cada vez mais desumanizada.

Domi Chirongo, como representante da nova geração, parece comprometido com essa poesia, uma poesia atenta e descontente, entretanto, que ainda acredita na força utópica do Verbo e da própria poesia. Que o autor continue o seu caminho, se aprimore. Domi Chirongo, um nome para ser olhado com atenção.

Ricardo Riso

* As informações biográficas do autor foram enviadas pelo próprio e retiradas dos endereços abaixo:
http://www.african-writing.com/six/domichirongo.htm
http://aladecuervo.net/logogrifo/0605/chirongo.html

TIROS AO ALTO*

Poucos dias depois do 24 de Dezembro. O grande dia da família! Era noite. Meu pai tinha ido a confraternização do partido. Meus irmãos mais velhos tinham ido a uma banga. Em casa estavam: a minha mãe, os meus dois irmãos que sigo e eu. Lá fora tudo estava calmo.

A cidade era pacata e pacífica. Fria para um clima tropical. Não havia semáforos. Nem tráfego que justificasse. Taxi não havia. Machimbombo muito menos. O prédio mais alto tinha quatro andares. Estava um pouco distante do centro da cidade. Não me recordo duma avenida transformada em prostíbulo. Não havia Universidade. Em escadas rolantes então, nunca se havia pensado. Telemóvel, nem se sonhava que existiria. Computador, nem se imaginava. Não havia televisão. Escutávamos muito pouco a rádio. Da guerra sabíamos através de testemunhos vivos. Os nossos mortos trazidos e os estranhos abatidos. Havia também os capturados. Apresentados nos julgamentos públicos. Que acabavam com numerosas chambocadas ao vivo. Depois do discurso de arrependimento. Não me ocorre na mente alguém que tivesse sido linchado em público. Lembro-me, porém, de pessoas contando cenas piores, de rapazes obrigados a manter relações sexuais com as progenitoras. De pais obrigados a pilar os seus próprios filhos. De pessoas cortadas os lábios, alegadamente para se rirem eternamente. De mães obrigadas a cortar o nariz e as orelhas dos seus irmãos. Outros até a processos mais complexos, como cortar os membros inferiores e superiores. Tudo era por causa da guerra. Guerra que tinha outras causas!

Naquele quadro, para mim era fácil desenhar o arrependimento. Descrever um sonho. Não sei porquê, nunca cheguei a presenciar uma sessão de fuzilamento. Talvés por ser criança! Também não cheguei a perguntar aos meus pais. Nem a ninguém. Acho que nunca me importei. Das pessoas que conheci naquele tempo, não me recordo de ninguém da minha idade que tivesse assistido a um fuzilamento. Porém, a toda a hora falàvamos disso e muito mais.

As notícias circulavam na cidade através da oratura. Foi nesse contexto que soubemos quem era o Ministro da Justiça, do Interior, da Educação e Cultura, entre outros. Foi nesse contexto que soubemos da história do homem cobra. Foi nesse contexto que passamos a conviver com várias outras histórias locais. Foi também nesse contexto que perdemos muitos acontecimentos internacionais e nacionais. Um dia ainda contarei o perdido!

Como vos ia dizendo, a noite já tinha caído. Estàvamos alguns membros da família nuclear em casa. Estàvamos a escassas horas para sair de um ano, quando o som dos tiros começou a penetrar nos nossos tímpanos. Nunca nos tinha acontecido algo igual.

Os sons eram intensos, profundos, melancólicos, amargos e sem mensagem. Não se escutava som de granadas nas proximidades das nossas grades. Nem distante delas. Acredito que era som de “espera-pouco” dos filmes russos, intercalado com o de Makarov. Ah! De certeza AKM estava lá. A minha arma preferida! – O meu pai ensinou-me a manejar antes de eu ter dez anos de idade. Passei a gostar dela, apesar de nunca ter atirado a alguém.

Aquele dia apetecia-me pegar a AKM, que meu pai escondia no guarda-fato. Mas não era eu que dirigia as operações. E ainda não era uma situação extrema.

Placamos como meu pai nos havia preparado. Meus irmãos começaram a dizer a minha mãe e a mim algumas palavras de ordem. Lembro-me de nos terem informado do tratamento que os rebeldes gostariam de ter e não aquele nome de bandidos que era comum na cidade. Os meus irmãos tinham apreendido muito do discurso de arrependimento aquando dos julgamentos públicos. Compreendi naquele momento que o saber não era da escola. Nem era da Igreja. Muito menos dos Ritos de Iniciação.

Em pouco tempo tivemos uma preparação urgente para caso de sermos capturados. Não me lembro de ter tido uma licção concisa e clara em toda a minha vida. Naquele dia não choramos. Estàvamos firmes e dispostos a viver. Os gritos e tiros continuaram até ao amanhecer. A comida da nossa grande ceia ninguém tocou. Os nossos batuques, nossas marimbas e guitarras ninguém mexeu.

De madrugada, só de madrugada, chegaram os nossos irmãos mais velhos e o meu pai. Todos estavam bem animados. Tínhamos entrado num novo ano! O governo tinha decretado a autorização de uso de algumas armas de fogo nos festejos da passagem de ano, e só nós não sabíamos.
Domi Chirongo

POEMAS


SEGUNDA REPÚBLICA
No meio de discursos gratuítos e infrutíferos. Fui odeiado e velipendiado por trocar os três mosquiteiros pelos três tenores. Sim, sem questionar o presente d’então, deixei-me abraçar pelos ventos vindos até mim. E com os braços musculosos também envolvi profundamente aquela música. Num exercício intensamente romântico... Sim, jamais esquecerei aquele cenário! Hoje, eis-me aqui desarrependido, despido de cobardia, pronto p’ra ser cuspido e fuzilado por todos incoformados, adeptos incondicionais da hipocrisia e cinismo deste sítio.

PRESENTE
Assinando o nosso acordo de paz numa pátria dos outros, ninguém sabia deste presente e nem mesmo o ex-colono, admitindo mulheres no exército, imaginava o presente que se revela. Quem era eu filho? Quem era p’ra vaticinar as vidas armadilhadas nas esquinas diárias? Se realmente suspeitasse deste presente, teria substituído a metralhadora p’la caneta e papel higiénico. Quem sabe, talvés sairia menos sujo deste dinheiro presente.

RODA DE DANÇA
Antigamente fazíamos uma singela roda de gente. Em improviso entrava um a um dançando, tjambando. Ou um par. À imagem do ensaio, era substituído por outro par. Mais outro. Assim sucessivamente até a música terminar aplaudida por todos. Adolescentes lindos nós éramos! Antigamente a gente daqui era maravilhosa e simpática! Aqui era agradabelíssimo viver. Conviver. Beat estava a bater e muito bem! Hoje tudo mudou. A música baixou. Nossa face murchou. A roda parece machucada. Crianças, jovens, adultos, idosos, chacina na catedral de dança. Pneu p’ra abrandar o cheiro, petróleo p’ra acelerar o acto. Um casal linchado.


DORMIR ETERNO
O chão choramingão clamando, chamando por mim. Poeta silvestre. Declamador terrestre. Em cada desastre desta vida, abandonada por Deus e despida de toda moral conhecida! O chão choramingão, coercivo, chamando por mim, logo eu, bolas! Para um lugar incerto caminho. Não sei se correndo ou voando. Quem sabe gatinhando. Ou talvés rastejando para não ser rasteirado. Caminho. Não desejo caminhar, mas caminho.


ERRO HUMANO

Abra essa luminosa porta, amor. Deixa teu querido penetrar. Com jeito. P’ra desaguar o cansaço, brotado da jornada diária. Ingrata. Descompensada pelos berros do patrão. Salário desigual! Salafraio alimentando esta pobre cabeça desregularizada. Aliada natural do coração que te ama. Sofre meu corpo honesto. Erecto. Decidido. Determinado a felicidade até a exaustão. Abra a porta, porra! Esqueçamos os erros. Até mesmo os berros do patrão. Deixe-me aconchegado, amor.


LUSOAFINANDO

Quando axe atingiu o topo no Brasil, eu estava aqui sentado. Marrabentado até aos tímpanos. Com o pescoço saramingado, minguado pela pátria, via a via p’ra vila da felicidade transformar-se em sangue. Mas não era sangue. Era suor dos que ousaram desviajar em atmosferas virgens, mais puras que as maravilhosas ilhas nacionais. Outras até internacionais!


S/T
Estas são as cores do coração corajoso tropeçado em ti Pese embora ignores a essência delas Vale a pena chamar-te a razão Mais uma vez

O SIGNIFICADO
Atravessando a praça da Travessia do Zambeze, rapidamente o jardim, a heroína, o Hotel e o Museu te consomem. Mas por acaso saberás dizer quanto custa uma escrita desenraizada da realidade? Sabes, devias escutar a mescla de rimas ritmadas nas teclas d’alma que dão vigorosa vida ao coração. Oiça atentamente e terás o significado deste amor.


ÁGUIA D’OURO
Neste
galinheiro
águia
permaneço
preparado
p’ra amar.


S/T
Oásis do amor que hasteei em ti é um pêndulo. Guia-me na estrada vital, mais intelectual que qualquer bandeira.


TUA ...
Tua é a alma iluminando meus tristes caminhos. Não. Não posso ser inimigo dessa alma escondida em ti. Abre-te. É no teu corpo descoberto, onde encontro o indicador da felicidade. Por isso, sob o pretexto de combater o stress, tomei a forte decisão de entregar-te o meu coração.


* conto e poemas enviado por e-mail pelo autor às 5h42, dia 02 de abril de 2009.

Arco da Velha - blog de Tchalê Figueira

O amigo cabo-verdiano Tchalê Figueira acaba de me informar sobre o seu blog - http://tchale.blogspot.com/

Tchalê é escritor e artista plástico. Escreveu Ptolomeu e a sua viagem de circum-navegação e Solitário, além de crônicas, contos e poesias dispersas em jornais, antologias etc. Nas artes plásticas, sua obra é uma das mais consistentes do arquipélago. Em seu blog, temos contato com suas diversas facetas. Estão lá poemas, pinturas, contos e algumas reflexões sobre o país, as pessoas, a vida.

Recomendo a visita.

Abraços,
Ricardo Riso

sábado, 4 de abril de 2009

“GRIOTS” - I Colóquio de Culturas Africanas: Literatura, Linguagens, Memória, imaginário

“GRIOTS”
I Colóquio de Culturas Africanas:
[Literatura, Linguagens, Memória, imaginário]
Data: 25 a 27 de maio de 2009.
Horário: 9h às 12h
Local: Auditório do CCLH - Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
Mais Informações no Departamento de Letras
Fone 3215- 3282

Inscrições no site: www.ufrn.br/ufrn2/coloquioafricano

Apoio: UFRN, Núcleo Câmara Cascudo, Memorial Câmara Cascudo.
Realização: Departamento de Letras - UFRN
Fonte: e-mail enviado por Tania Lima, do Departamento de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

I Simpósio Brasil-África de Ensino Superior - UFPE

I Simpósio Brasil-África de Ensino Superior - UFPE

de 22 a 24 de abril de 2009

Local: Centro de Filosofia e Ciências Humanas e Centro de Educação - UFPE




Fonte: e-mail enviado pela colega Paula Santana às 15h05, dia 03 de abril de 2009.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A kitabu Livraria Negra, a editora União de Escritores Angolanos – UEA e a autora convidam para o lançamento de:

O Espaço do Oprimido nas Literaturas de Língua Portuguesa do Século XX: Graciliano Ramos, Alves Redol e Castro Soromenho.

de Jurema Oliveira

Local: Kitabu Livraria Negra
Data: 07.04.2009
Horário: 19:00
End: Rua Joaquim Silva, N. 17, loja – Lapa – RJ
Tel: 2252-0533

Local: Kitabu Livraria Negra
Data: 07.04.2009
Horário: 19:00
End: Rua Joaquim Silva, N. 17, loja – Lapa – RJ
Tel: 2252-0533

Fonte: e-mail enviado pela Kitabu – Livraria Negra às 12h48 do dia 02/04/2009

quarta-feira, 1 de abril de 2009

África e Africanidades - 5ª edição (chamada para artigos)

Prezados,

o quinto número da revista acadêmica África e Africanidades (http://www.africaeafricanidades.com/) estará disponível no dia 01 de maio. Artigos ou resenhas devem ser enviados para avaliação até o dia 10 de abril. As normas para publicação encontram-se no site da revista.

Abraços,
Ricardo Riso
(Conselho Editorial - África e Africanidades)

terça-feira, 31 de março de 2009

Nei Lopes - História e Cultura Africana e Afro-Brasileira

Terça-feira, Março 10, 2009

‘HISTÓRIA E CULTURA AFRICANA E AFRO-BRASILEIRA’ É DISPONIBILIZADA AOS ESTUDANTES BRASILEIROS PELA EDITORA BARSA PLANETA

BARSA lança seu primeiro livro didático. Obra trata exclusivamente do continente africano e de sua influência na história do Brasil

Especialista em cultura afro-brasileira, o pesquisador Nei Lopes assina a obra, indicada para professores e alunos dos ensinos fundamental e médio, além de público em geral. O livro contém Atividades, desenvolvidas pela escritora Carmen Lucia Campos

Apesar de o Brasil ser o País de maior população formada por afro-descendentes fora do continente africano, o País ainda é carente de informações sobre a história deste continente e de seu povo, principalmente, sobre as lutas e realizações dos herdeiros das tradições culturais africanas dos tempos remotos até os dias atuais. Por conta dessa relevância, o Ministério da Educação (MEC), sob a Lei Federal 10.639/03 instituiu que, a partir deste ano, 2009, as escolas de ensino fundamental e médio terão como obrigatoriedade temática a História do povo e do continente africano como conteúdo básico na grade curricular. A tiragem inicial é de 100.000 exemplares – destes, boa parte já vendida para diversos estados do Brasil.

Como reforço dessas diretrizes, a Editora Barsa Planeta lançou este mês o livro didático “História e Cultura Africana e Afro-Brasileira”, escrito por Nei Lopes, referência em pesquisa e material literário de temática africana no Brasil. Obra traz, também, conteúdo de atividades elaborado pela escritora Carmen Lucia Campos (biografia abaixo*). “Conhecer as origens é fundamental para a ampliação da consciência social e histórica do povo brasileiro (...) África, Europa e América percorreram juntas uma tormentosa trajetória, especialmente nos últimos cinco séculos. O futuro para barbárie ou para dar luz, também terá que ser construído em conjunto”, afirma o professor Amauri Pereira, grande incentivador das obras de Lopes.

A obra – que segue a nova ortografia da língua portuguesa – é composta por oito Unidades que explicitam, por meio de imagens, iconográficos, glossário e referências de filmes, livros e sites, todo processo de desenvolvimento da África, desde a origem dessa civilização no próprio continente à identidade afro-brasileira e o processo de formação brasileira a partir desses povos. “Ao longo de suas oito Unidades – que vão da História da África e a chegada dos negros ao Brasil às discussões atuais sobre a multiculturalidade no país –, este livro vem para promover o debate, dentro e fora da sala de aula, e para demonstrar o quanto o continente africano é fundamental para a formação do Brasil, tal o conhecemos hoje e nele vivemos”, afirma Nei Lopes.

Do ponto-de-vista histórico, o livro começa por narrar os feitos do continente, que foi o berço das civilizações, com o Egito representando o auge das conquistas humanas. No campo da ciência, para se ter uma ideia da importância do continente, a África é a única região onde se encontram ininterruptamente vestígios de todos os estágios do desenvolvimento humano. A cultura, por sua vez, também é considerada na obra. “A cultura tradicional africana não conhece a arte voltada apenas para o prazer estético. Nela, a ação artística tem sempre uma finalidade concreta. A música, por exemplo, quase sempre em conjunto com a dança, serve para invocar e louvar divindades, exaltar os feitos de um herói ou de um povo, suavizar um trabalho árduo ou manifestar um sentimento”, atesta Lopes.

Unidades:
1. História da África: Das civilizações e organizações pré-coloniais à intervenção europeia
2. Contribuições para o Brasil: Os povos africanos e a cultura afro-brasileira na construção do país
3. Os quilombos ontem e hoje: De Palmares às comunidades quilombolas remanescentes
4. Heranças culturais: Manifestações fundamentais para a formação do Brasil
5. Ancestralidade e religiosidade: A alma da África no Brasil e o entendimento dos sincretismos
6. Abolicionismo e Lei Áurea: Da rebeldia escrava à abolição e suas consequências nos dias atuais
7. Fim do escravismo: Da discriminação e exclusão à luta pela igualdade e representatividade
8. Identidade afro-brasileira: O mito da democracia racial e a defesa de ações afirmativas

Carmen Lucia Campos é licenciada em Letras pela USP. Editora e consultora editorial, é também organizadora de quatro antologias literárias e autora de 15 obras de ficção para crianças e jovens. Em seus textos, mesclando ficção e realidade, Carmen costuma abordar a identidade racial e a questão das diferenças, como fez nos livros Não tem Dois Iguais (2005) e A Cor do Preconceito (2006).

Barsa Planeta – Um compromisso com a América Latina:
Fundada em 1949, a Barsa Planeta é uma divisão de venda direta do Grupo Planeta. A Editora, localizada na zona oeste da cidade de São Paulo, tem por missão levar conhecimento e cultura aos lares e é conhecida por seu amplo catálogo, nas línguas portuguesa e espanhola, com títulos de interesse geral, por sua qualidade editorial, sua diferenciada forma de venda door to door por meio de seus assessores culturais, além do engajamento com as novas tecnologias como multimídia e Internet, disponibilizada aos seus clientes. A credibilidade da Barsa Planeta faz com que suas obras sejam adotadas em milhões de lares espalhados pela América Latina, bem como sejam utilizadas em bibliotecas e no acervo de renomadas universidades.

Qualidade Barsa:
As obras são todas produzidas com encadernações resistentes e papel de altíssima qualidade, feitas para durar muitos e muitos anos. A missão da empresa é colaborar no desenvolvimento educacional da nação brasileira.

História e Cultura Africana e Afro-Brasileira, Nei Lopes
1 volume, 144 páginas 20 x 26 cm.
www.barsasaber.com ou 0800 772 1050

Para visualizar o índice, bibliografia e informações sobre os autores, acesse
http://www.palmares.gov.br/_temp/sites/000/2/download/livrohcaab.pdf

Fontes:
http://www.neilopes.blogger.com.br/
E-mail enviado pela Fundação Palmares: Informe Palmares - Número 43 - Ano 3 - 1 a 31 de Março de 2009