terça-feira, 5 de maio de 2009

Retrato do Descolonizado Árabe-Muçulmano e de Alguns Outros, por Inocência Mata

Retrato do Descolonizado Árabe-Muçulmano e de Alguns Outros - Um retrato catártico, de Albert Memmi.

Um livro escrito sem complexos nem temores, quase como uma necessidade de libertação, de purificação da consciência.

Por Inocência Mata

Ao publicar, em 1957, Retrato do Colonizado Precedido pelo Retrato do Colonizador (com um prefácio de Jean-Paul Sartre que a edição em português substituiu pelo de Roland Corbisier), Albert Memmi (1920 ou 1921?) entrou para a galeria da geração de intelectuais africanos cuja obra incidia sobre relações de dominação e dependência entre os homens, tendo como paradigma a relação colonial (lembre-se de Orfeu Negro, 1948, de Jean-Paul Sartre; Discurso sobre o Colonialismo, 1950, de Aimé Césaire; Pele Negra, Máscaras Brancas, 1952, de Frantz Fanon – para apenas citar três exemplos).

Este Retrato do Descolonizado Árabe-Muçulmano e de Alguns Outros é, tal como o outro retrato, o do Colonizado, uma reflexão desapaixonada sobre a psicologia do dominado, neste caso, o descolonizado-imigrante, com base nas suas observações e vivências – ele que tem uma dupla experiência de minoritário: tunisino de origem judaica e imigrante em França desde 1943, onde leccionou na Universidade de Paris.

Partindo de uma situação particular, porventura que o autor melhor conhece – o descolonizado muçulmano – Albert Memmi fala de qualquer colonizado, analisando as diversas causas do fracasso dos países descolonizados (expressão que o autor, no contexto, prefere à de «países independentes»), vinculando-o à gestão feita pelos governantes e à psicologia do descolonizado.

Com uma crueza e uma perspicácia provocatória, e recusando retratar o descolonizado como uma simples vítima do colonialismo, do neocolonialismo e do Ocidente – a que certamente o autor não iliba –, Memmi fala das mistificações da História, tão convenientes para os governantes desses países, atolados em corrupção, álibis para a constituição de «Estados do não-direito», compondo o que o autor designa como «dolorismo» (p. 36), que propicia a inércia e desvios de espírito.

Em dezasseis segmentos que compõem a primeira parte, dedicada, ironicamente, a «O novo cidadão», Albert Memmi discorre sobre as ficções e realidade do mundo descolonizado, em que a pobreza, a corrupção e a violência geraram «a grande desilusão» do «novo cidadão». Memmi descreve e define a ausência de perspectivas do descolonizado face à tripla espera que o «novo» tempo, da independência, anunciara: a espera económica, a política e a cultural. A apresentação do cenário é implacável:

Sob a influência das religiões, favorável a uma procriação sem entraves, e de uma política irresponsável, que com frequência estimula deliberadamente a natalidade, a demografia desenfreada resultante gerou uma juventude excessivamente numerosa, turbulenta e por vezes delinquente, sobretudo devido ao subdesemprego, e que não vê nenhuma outra saída além da emigração. (p. 102)

Da letargia cultural, fortalecida pela omissão e pela catalepsia dos intelectuais, «tomados pela mesma paralisia de pensamento e ação» (p. 49), se aproveita a religião, representada pelos «homens de turbante» (p. 67-71), sendo que o limite dessa marcha um Estado teocrático que da coerção passa à violência, constituindo-se essa realidade numa das mais dramáticas decepções do descolonizado (p. 71), que se torna um «candidato à partida».

A segunda parte deste livro, com dezoito segmentos, sobre «O imigrante», abre-se com «Um exílio duplamente abençoado…», seguido de «… E o duplo fracasso» que fazem a síntese da reflexão sobre a emigração sobretudo de jovens, encorajada e até activamente facilitada pelos governantes que, assim, ganham tranquilidade pois aqueles, face à impotência dos poderes para resolver os seus problemas, são os primeiros a se sentirem tentados à revolta. Memmi denuncia a emigração como moeda de troca dos governantes africanos: face a hordas de populações desesperadas e face ao Ocidente.

Como imigrante, o descolonizado começa um novo calvário, o da «integração», que Memmi define como sendo de «dupla hesitação»: a dos imigrantes em integrarem-se e do país de acolhimento em integrá-lo (p. 190). E se dessa «dupla hesitação» que resulta Memmi conclui que «decididamente, a imigração é a punição do pecado colonial» (p. 112), o autor descreve, em «O gueto, refúgio e impasse» (p. 113-117), com amarga ironia e perspicaz observação da psicologia do imigrante, a ilusão da pátria em que vive o imigrante magrebino (qualquer imigrante nestas condições, aliás), explicando os «segredos» do fracasso da integração, celebrado convenientemente por integristas (religiosos, islâmicos, identitários, autenticistas):

Compreende-se que os integristas sejam partidários do gueto; é lá que a personalidade coletiva tem mais chances de sobreviver; é lá que eles podem alimentar uma agitação permanente, propícia aos seus desígnios. (p. 115)

É no âmbito do integrismo – «acompanhado de fanatismo» (p. 139) – que Memmi insere a discussão sobre o uso do véu, em «O véu ou a mestiçagem» – discussão tão presente em França, que o autor, angustiado, transporta para uma cena mais ampla, o mundo árabe-muçulmano: angústia não apenas porque representa um terrível retrocesso no processo de emancipação da mulher («É como se as mulheres da Idade Média reclamassem o uso do cinto de castidade», p. 118), mas porque «o véu é um gueto portátil, revelador da perturbação identitária que afeta os imigrantes muçulmanos, (…) um recurso, defensivo e ofensivo, a uma outra tradição», enfim, «máquina de sobrevivência da comunidade muçulmana, imersa em universo cristão ou, o que é pior, arreligioso» (p. 119).

Do integrismo, dentro e fora, deriva o autor para a análise do conflito israelo-palestiniano, um «conflito cómodo» porque justifica muitas autarcias. E o autor é muito corajoso na exposição de uma ideia: a sobrevalorização deste conflito (comparado aos outros, é, em termos de mortes). Porquê, então, essa sobrevalorização? (i) Porque não é apenas israelo-palestiniano: é árabe-judeu, isto é, «a quase totalidade dos países árabe-muçulmanos e a maioria dos judeus no mundo» (p. 42); (ii) a fundação do Estado de Israel, de responsabilidade europeia, não é, porém, colonial, o que dificulta as razões dos árabes.

A preocupação de Albert Memmi em estudar o homem, na sua natureza, em confronto com a diferença, tem sido uma constante deste octogenário. Porém, deste livro fica um travão amargo, uma certa desilusão em relação ao género humano:

Toda a sociedade certamente é violenta. Talvez, de maneira mais fundamental, não tenhamos sabido até aqui dominar a violência que está em nós; só soubemos opor-lhe uma outra violência, em vez de considerar todo o tipo de violência fora da lei. (p.77)
Será o peso dos anos ou apenas a consciência da necessidade de um livro que estava por fazer, como lhe disse um dia um jornalista (Posfácio. p. 187)?

Este é um livro escrito sem complexos nem temores, quase como uma necessidade de libertação, de purificação da consciência. Uma catarse. Que pelo menos intelectuais e governantes africanos deveriam ler.

Retrato do Descolonizado Árabe-Muçulmano e de Alguns Outros
Albert Memmi
Tradução de Marcelo Jacques de Moraes
Civilização Brasileira
Rio de Janeiro, 2007

* Artigo publicado na edição de Abril da revista África 21

fonte:
http://www.africa21digital.com/noticia.kmf?cod=8411112&canal=403

Coleção Sankofa - Elisa Larkin Nascimento (Org.)

Afrocentricidade: Uma abordagem epistemológica inovadora - Coleção Sankofa - Volume 4
Esta antologia reúne textos de estudiosos e ativistas da abordagem afrocentrada. Apresenta a postura básica dessa linha de pensamento e seus fundamentos teóricos, bem como reflexões e levantamentos sobre sua presença no Brasil, acompanhados de trabalhos sobre temas específicos como: psicologia, a mulher afrodescendente, assistência social e educação multicultural.
Elisa Larkin Nascimento (Org.)

Guerreiras de natureza: Mulher negra, religiosidade e ambiente - Coleção Sankofa - Volume 3



A mulher negra conquistou seu espaço na sociedade por meio de grandes lutas, testemunhadas neste volume por lideranças e pensadoras como Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro, Hédio Silva Jr. e Helena Theodoro. A tradição religiosa afro-brasileira valoriza o papel da mulher e reúne uma sabedoria guardada por ela como protagonista da vida de sua comunidade. A tradição dos orixás cultiva uma rica e dinâmica relação com a natureza, antecedendo por milênios a repentina preocupação do Ocidente atual sobre o meio ambiente. Com apresentação de Mãe Beata de Yemonjá e ensaios de Dandara, Nei Lopes e Aderbal Moreira Axogum, entre outros, este volume explora as diversas implicações dessa tradição para a interação do ser humano com as forças da natureza. No processo, elucida várias dimensões do impacto negativo da intolerância religiosa na sociedade contemporânea.

Elisa Larkin Nascimento (Org.)
Editora Selo Negro


Cultura em movimento:Matrizes africanas e ativismo negro no Brasil - Coleção Sankofa - Volume 2


Tratando do legado cultural e da tradição de resistência dos descendentes de africanos no Brasil, este volume reúne ensaios e depoimentos sobre várias dimensões e aspectos. Nei Lopes e Beatriz Nascimento trazem uma perspectiva sobre o legado dos ancestrais bantos e malês; Elisa Larkin Nascimento, Joel Rufino e Abdias Nascimento, assinando pelo Conselho Deliberativo do Memorial Zumbi, esboçam uma pequena história das lutas afro-brasileiras do século XX. A questão da educação no Brasil como tema fundamental da vida e da luta dos afro-descendentes é tema de relatórios de fóruns de educadores que a abordam no seu aspecto teórico e prático. Três educadoras – Vera Regina Triumpho, Silvany Euclêncio e Piedade Marques – trazem depoimentos ricos sobre a sua experiência com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, modificada pela Lei nº 10.639 de 2003.

Elisa Larkin Nascimento (Org.)
Editora Selo Negro


A Matriz africana no mundo: Coleção Sankofa - Volume 1


Neste volume ilustrado, Elisa Larkin Nascimento faz um resumo da pesquisa pioneira de Cheikh Anta Diop e seus seguidores, que comprovam a influência da matriz negro-africana em todo o mundo, desde a Antigüidade até os tempos modernos. O escritor ganense Michael Hamenoo, bem como os angolanos Francisco Romão de Oliveira e Ismael Diogo da Silva, contribuem com análises do legado colonial e da África contemporânea. Elisa Larkin Nascimento e Carlos Moore Wedderburn apresentam uma visão geral das lutas pan-africanas na África e na diáspora americana. Anani Dzidzienyo aborda a questão das relações internacionais entre África e diáspora, focalizando o Brasil.

Elisa Larkin Nascimento (Org.)
Editora Selo Negro


Elisa Larkin Nascimento
É escritora, mestre em Direito e em Ciências Sociais pela Universidade do Estado de Nova York e doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Co-fundadora e atual presidente do Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro), coordenou o curso de extensão universitária Sankofa no período de 1984 até 1995. Curadora da exposição “Abdias Nascimento 90 Anos – Memória Viva”, coordena a organização do acervo que se encontra sob a guarda do Ipeafro. Autora de O sortilégio da cor: raça e gênero no Brasil (Selo Negro, 2003), Pan-africanismo na América do Sul e organizadora da coleção Sankofa - Matrizes africanas da cultura brasileira (Selo Negro, 2008).

Fonte: http://www.gruposummus.com.br/search.php?editora=all&termo=Elisa+Larkin+Nascimento&tipo=autor

segunda-feira, 4 de maio de 2009

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Construindo Germano Almeida - A Consciência da Desconstrução (livro)

O objectivo deste estudo prende-se com a elaboração de uma síntese de algumas abordagens possíveis à obra do escritor cabo-verdiano Germano Almeida. A ideia que o guia baseia-se na possibilidade de integração de várias áreas teóricas de estudo – da literária à psico-analítica, culminando nas ciências naturais e cognitivas – de molde a alcançar uma nova e holística visão do texto almeidiano em conjunção com o mundo que o rodeia. O espaço literário que enforma o texto almeidiano insere-se antes de mais na ânsia da criação de uma literatura nacional. No entanto, este desejo de uma linguagem que seja espelho narcísico da nação espraia-se bem para além de si, para outros espaços afirmativos onde o contexto social e político se enquadra com humor e ironia. A obra de Germano Almeida denota, portanto, uma preocupação formal específica do Autor. O modo como a obra se estrutura e organiza na sua globalidade é característica fundamental dos textos e será o que vai permitir visionar uma mistura inovadora face ao espaço literário que a precede, e que o próprio Germano Almeida se encarrega de desmistificar, mas, acima de tudo, face ao contexto presente onde a obra se insere.


PAULA GÂNDARA, Doutorada em Estudos Luso-Africanos pela Universidade de Massachusetts, Amherts, EUA, é autora de uma vasta e diversificada obra literária (ensaio, poesia e conto), que se encontra publicada no Brasil, em Portugal e nos Estados Unidos, e de que se destaca Horas de Língua (poesia), o seu livro mais recente. Professora de Estudos Lusófonos na Universidade de Miami desde 2003, tem dedicado o seu trabalho de investigação à análise das literaturas africanas de expressão portuguesa. Daí este ensaio, resultado da sua tese de Doutoramento.

Autora: Paula Gândara
Editor: Editora Vega
Ano de edição: 2008

Fonte: http://livroditera.blogspot.com/

terça-feira, 28 de abril de 2009

Campo de concentração do Tarrafal abre as portas para Simpósio internacional

28-04-09
O antigo campo de concentração do Tarrafal, ilha de Santiago, reabre hoje, simbolicamente, as suas portas para receber um simpósio internacional. Além de historiadores e investigadores, participam no evento antigos presos políticos de Cabo Verde, Angola, Guiné-Bissau e Portugal. Juntos vão assinalar os 35 anos em que os então presos políticos aí colocados foram postos em liberdade.
A Fundação Amílcar Cabral, em parceria com os ministérios da Cultura de Cabo Verde e Angola, é a promotora do evento, que se prolonga até sexta-feira. A abertura do encontro será presidida pelo primeiro-ministro, José Maria Neves, e o encerramento, na sexta-feira, estará a cargo do presidente Pedro Pires, que também patrocina o simpósio. Um outro participante ilustre é o ex-presidente de Portugal, Mário Soares, .
Os promotores do simpósio pretendem, com esta reunião internacional, recolher testemunhos e documentos relativos à existência e ao funcionamento do presídio do Tarrafal e apresentar e discutir um projecto museológico transnacional para o futuro deste monumento histórico comum dos PALOP e Portugal.
Os organizadores pretendem, igualmente, que o simpósio seja um espaço de reflexão e debate em torno do legado histórico, de valores e ideais humanistas e inspiradores para as gerações vindouras. Nos quatro dias do simpósio, serão debatidos temas como "A Geração da Utopia e o Dever da Memória", "Os Ideais, Princípios e Cidadania" e " Os Direitos Humanos nas Novas Sociedades Democráticas em África".
O campo de concentração foi criado pelo regime fascista português em Abril de 1936, sob o nome de Colónia Penal do Tarrafal e mais tarde, a partir de 1962, como Campo de Trabalho de Chão Bom. Primeiro para receber antifascistas portugueses e no fim os combatentes das antigas colónias africanas.
Conhecido como o “campo de morte lenta”, esta prisão visava aniquilar física e psicologicamente os opositores ao regime de Salazar, colocando-os longe dos olhares do Mundo, em condições desumanas de cativeiro, maus-tratos e insalubridade.
Durante os cerca de trinta anos em que funcionou, estiveram no campo acima de 500 presos políticos, muitos dos quais ali morreram. Os últimos presos foram postos em liberdade a 1 de Maio de 1974, depois da queda do regime fascista em Portugal, na sequência do golpe de Estado de 25 de Abril daquele ano.

Blog Ucrânia-Moçambique-Brasil

Dica de um interessante blog do JNW, amigo virtual moçambicano-ucraniano:

http://ucrania-mozambique.blogspot.com/

Seu post mais recente relembra o acidente nuclear de Chornobyl (a grafia Chernobyl é em russo, segundo ele). É revoltante e chocante! Além disso, há vários outros posts acerca da cultura ucraniana e suas relações com Moçambique e Brasil.

Abraços,
Ricardo Riso

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Roberto Chichorro - “Sonhos d’Agora e também d’Outros tempos” (exposição)

Imagem retirada de http://www.bci.co.mz/

Roberto Chichorro : Sonhos de ontem e de hoje na magia das cores e tintas

Fonte: http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2009/04/roberto-chichorro-sonhos-de-ontem-e-de-hoje-na-magia-das-cores-e-tintas.html

ROBERTO Chichorro está em Maputo. Para uma exposição individual. A sua exposição é uma retrospectiva. Da sua vida artística, que roça os cinquenta anos, social e como cidadão. A exposição amanhã, no Espaço Joaquim Chissano, e estará patente até 8 de Maio. Há 17 anos que o artista não vem expor em Moçambique e para a sua primeira retrospectiva seleccionou um conjunto de 70 trabalhos. Mais de metade pertencentes à sua colecção particular e que não serão comercializadas.

Maputo, Quarta-Feira, 22 de Abril de 2009:: Notícias
A concepção e a ideia de fazer a exposição em Moçambique tiveram que ver com a vontade que Chichorro tinha de fazer a primeira retrospectiva da sua vida. Ele fazia questão que a primeira retrospectiva fosse na sua terra.

E a realização desta exposição em Moçambique começou em conversas informais em casa dele e em festas de inauguração de outras exposições em Portugal. Um dos dinamizadores da iniciativa foi Embaixador de Moçambique em Portugal, Miguel M’Kaima.

Miguel M’kaima alavancou a ideia e convidou formalmente Roberto Chichorro para vir expor em Moçambique, ao mesmo tempo que iniciou os contactos que permitiram a Chichorro, mais João Maria Lopes – amigo do pintor há mais de 30 anos – obter o financiamento suficiente para esta deslocação a Maputo.

Posteriormente, fez-se a selecção das obras que era possível trazer para Moçambique.

Dentro da sua obra e do seu espólio, que é muito grande, não se afigurava fácil trazer um número de obras que não fosse enorme mas que constituísse uma mostra das diferentes fases do seu trabalho artístico. Neste sentido, foram escolhidas obras dos últimos quarenta anos.

“Trouxemos coisas dos anos 70/80/90 e 2000, fazendo uma incidência maior daquilo que é a fase dele mais representativa, se calhar de uma forma mais espiritual para ele, que é a pintura dos anos 80. Depois a fase do ano 2000 que, no meu entender, está muito bem representada. Nós trouxemos algumas obras cuja dimensão é grande, mas que me parecem obras muito significativas e foi por isso que as trouxemos”, diz João Maria Lopes.

No conjunto das 70 obras foram trazidas ainda alguns trabalhos que são dos anos 70/80 e que deixam bem patente a sua evolução desde que há mais de 30 anos saiu de Moçambique.

“Ele foi para outro sítio, mas, para ele, Moçambique é um bem. Ele é a pessoa que eu conheço que vivendo num país estrangeiro mais ligação tem à terra dele. E isso está aqui bem patente”, diz Lopes.

E esta retrospectiva, nas dimensões em que está, é, na perspectiva de João Maria Lopes, a realização de um sonho que ele tinha e que é de anos, trazendo a obra dele por completo para que seja vista aqui em Moçambique.

Vieram ainda algumas obras, mas poucas, que ele fez, por brincadeira, uma vez que ele costuma dizer que não é escultor, ele é pintor, mas que, a pedido do seu amigo João Lopes, trouxe. São três esculturas em bronze e mármore e três em cerâmica com motivos diferentes. São obras que ele fez numa fase da vida em que ao lado de amigos lhe apeteceu tentar a escultura. “Nunca fez obras de esculturas no verdadeiro sentido da palavra. Considera-se um pintor e não mais do que isso. E ele é mesmo”.

João Maria Lopes foi quem desenhou o catálogo. Ele vai ser vendido e o valor reverterá a favor de uma instituição social. O catálogo, muito bem conseguido, é acompanhado por textos da autoria de personalidades como Calane da Silva, Mia Couto, Luís Carlos Patraquim, Licínio de Azevedo. Tem também um texto do próprio Roberto Chichorro.

Trabalhou ainda ao longo da preparação da exposição com Chichorro, para além da totalidade de quadros que compõem a exposição.

“Nós somos tão amigos que estas coisas funcionam sempre, porque nos damos tão bem e eu gosto da obra, e, portanto, quando tenho que fazer alguma coisa a este nível gráfico para ele é sempre um prazer”.

Perguntamos a João Lopes como é que ele interpretava Roberto Chichorro como cidadão e artista, ao que nos respondeu: “Eu não tenho muito jeito para fazer aqueles deslumbrantes que muita gente faz, mas eu diria que Chichorro é o cidadão que as pessoas deveriam ser. Não sei se este é conceito e serve, mas todas as pessoas deveriam ser como Roberto Chichorro porque são honestas, boas e porque são livres de cabeça que é uma coisa que eu acho fundamental. E como artista fora da terra, Chichorro é uma pessoa que nunca conseguiu perder a ligação à terra, e viveu em países tão diferentes como Portugal e Espanha e Itália. E, portanto, colhendo técnicas e formas de pintar em países distintos, com culturas completamente diferentes ele nunca perdeu a linha orientadora daquilo que é a criação dele”.


PINCÉIS A DANÇAR

Maputo, Quarta-Feira, 22 de Abril de 2009:: Notícias

A obra de Chichorro é muito atravessada pelos sons, com muita musicalidade. Para quem repara a sua obra sente isso. A presença da multiplicidade de cores e formas e que nos remetem para a dimensão da musicalidade.

Quando uma vez escreveu sobre a sua pintura, João Lopes disse que ele pintava com som e música. Fala-se sempre das cores da pintura dele. Dos vermelhos, dos azuis… e Lopes diz ver tudo isso como música. São tonalidades musicais. “A pintura dele chamei-lhe um dia que eram pincéis a dançar”.

ESCULTURAS ENTRE PINCÉIS

No festival de cores e tintas estão presentes seis obras escultóricas. Três são feitas de bronze e mármore e as outras em cerâmica.

João Lopes conta que, o sentido profissional com que faz a pintura, permitiu-lhe também fazer boas obras de escultura. Ele as trabalhou com um artístico forte e que são produto de uma troca de “galhardetes” com um amigo dele, que era um escultor espanhol já falecido. Na altura, Chichorro fez duas a três esculturas e o artista espanhol pintou também o mesmo número de telas.

“Eu acho que isto são obras verdadeiramente de Chichorro e é por isso que fiz alguma pressão para que ele as trouxesse”, conta.

Há ainda um conjunto de obras de uma fase em que Chichorro desenhava muito em tinta de china, no princípio dos anos 90, e que, para além de serem bastante significativos, são tecnicamente bem conseguidos.

Ao longo das 70 obras encontramos basicamente acrílico sobre tela, aguarelas sobre papel e ainda obras em tintas de china.

Chichorro apresenta-nos ainda duas serigrafias, das poucas que tem.

As serigrafias abrem uma possibilidade para as pessoas terem o visual de um quadro de um pintor, mas, em termos, artísticos e patrimoniais não é o mesmo que ter um original. Contudo, as serigrafias presentes são as mais significativas para ele.

Por Francisco Manjate

domingo, 26 de abril de 2009

África e Africanidades - novos acessos para artigos

Prezados,

Devido a reformulações internas no site da Revista África e Africanidades - http://www.africaeafricanidades.com/ - e de seu provedor, o novo endereço para acesso aos meus artigos, resenhas e colunas são:

1ª Edição:
Odete Costa Semedo - No fundo do canto
http://www.africaeafricanidades.com/Documentos/Odete_%20Costa%20_Semedo.pdf

2ª Edição:
‘A insustentável e dramática poesia dos direitos humanos’ em "Preces e Súplicas ou os Cânticos da Desesperança", de Vera Duarte http://www.africaeafricanidades.com/Documentos/A_insustentavel_e_dramatica_poesia_dos_direitos_humanos.pdf

3ª Edição:
Conceição Lima – O Útero da Casa http://www.africaeafricanidades.com/Documentos/Conceicao_Lima_O_utero_da_casa.pdf

A pintura de Malangatana Valente
http://www.africaeafricanidades.com/Documentos/Conceicao_Lima_O_utero_da_casa.pdf

4ª Edição:
Sopinha de Alfabeto – ironia nas artes cabo-verdianas http://www.africaeafricanidades.com/documentos/Sopinha_de_Alfabeto.pdf

Abraços,
Ricardo Riso

Blog agora com Tradutor

Caríssimos,
procurando expandir o acesso ao blog, coloquei na semana passada o tradutor oferecido pelo Google que disponibiliza a tradução completa do blog para trinta e cinco línguas. Ele se encontra no lado direito do blog.
Abraços,
Ricardo Riso

sábado, 25 de abril de 2009

Revista Teia Literária - chamada de trabalho p/publicação

O terceiro número da Teia Literária tem como tema:

MEMÓRIA, IMAGINÁRIO E IDENTIDADE CULTURAL

Será gratificante contar com as suas participações no próximo número da revista com um artigo ou uma resenha no âmbito das literaturas de língua portuguesa (Brasil – Portugal – África). O texto não precisa ser inédito.

Os trabalhos dos pós-graduandos (mestrandos e doutorandos) enviados dentro das normas dos pós-graduandos (mestrandos e doutorandos) enviados dentro das normas serão avaliados pela comissão de pareceristas da Revista. Os textos aprovados serão publicados mediante o preenchimento correto do TERMO DE AUTORIZAÇÃO PARA PUBLICAÇÃO EM OBRA COLETIVA, enviado após a notificação da aprovação do texto para publicação. O simples envio dos trabalhos não garante as suas publicações. Os textos não serão devolvidos.

PRAZO PARA ENVIO DOS TEXTOS: até o dia 31 de maio de 2009.

Notificação dos trabalhos aprovados: até o dia 31 de julho de 2009.

Previsão do lançamento: outubro de 2009.

RECOMENDAÇÕES PARA PUBLICAÇÃO NA REVISTA TEIA LITERÁRIA 3

ARTIGOS
1. Os textos devem ter, aproximadamente, mínino de doze (12) e um máximo de dezessete (17) páginas.
2. Os trabalhos devem ser apresentados com título (caixa alta, centralizado), nome do autor (alinhado à direita), nota de rodapé especificando tipo de vínculo e instituição a que pertence, as notas devem ser no rodapé, resumos em português e inglês (entre 3 e 10 linhas), três (3) palavras-chave em português e inglês e referências bibliográficas.
3. Os trabalhos devem ter a seguinte formatação:
* Ø Digitação em Word (Microsoft ou Open Office), tamanho A5 (14,8cm x 21,0cm), fonte Times New Roman, corpo 10, espaço simples e justificado.
Ø Apresentar margens de 3,0cm (esquerda, direita, superior e inferior).
Ø Indicar o início de parágrafos e alíneas com recuo de 1,0cm.
Ø Citações com mais de três linhas deverão ser destacadas no texto, tipo Times New Roman, tamanho 8, espaço simples e com recuo de 1,0cm.
Ø Indicar as citações bibliográficas no corpo do texto, entre parênteses, com os seguintes dados: sobrenome do autor, ano da publicação e a página. (Exemplo: FERREIRA, 1976, p. 50-52).
Ø Usar itálico para termos estrangeiros e títulos de livros e periódicos.
Ø Conter, para destaques no texto corrido, sublinhas ou aspas duplas, não devendo ser utilizados, para esta finalidade, o negrito e a caixa alta.
Ø Não utilizar gráficos ou imagens.
5. Realizar a revisão do texto.

RESENHAS
1. Textos de publicações editadas nos últimos dois anos.
2. Número de páginas: até sete (7).
3. Apresentação da página de rosto:
Ø Nome do autor da resenha (alinhado à direita) e nota de rodapé especificando tipo de vínculo e instituição a que pertence.
Ø Referências bibliográficas da obra a ser resenhada com recuo de 2,0cm e alinhamento justificado. Exemplo:
MIA, Couto. Venenos de Deus, remédio do diabo: as incuráveis vidas de Vila Cacimba. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
4. Os textos devem ter a seguinte formatação:
Ø Digitação em Word (Microsoft ou Open Office), tamanho A5 (14,8cm x 21,0cm), fonte Times New Roman, corpo 10, espaço simples e justificado.
Ø Apresentar margens de 3,0cm (esquerda, direita, superior e inferior).
Ø Indicar o início de parágrafos e alíneas com recuo de 1,0cm.
Ø Indicar as citações bibliográficas no corpo do texto, entre parênteses, com os seguintes dados: sobrenome do autor, ano da publicação e a página. (Exemplo: FERREIRA, 1976, p. 50-52).
Ø Usar itálico para termos estrangeiros e títulos de livros e periódicos.
Ø Conter, para destaques no texto corrido, sublinhas ou aspas duplas, não devendo ser utilizados, para esta finalidade, o negrito e a caixa alta.
5. Realizar a revisão do texto.
Os trabalhos devem ser enviados para o e-mail: xrevistateialiterariax@hotmail.com e três cópias impressas para o endereço: Mem de Sá, 133 – Vila Municipal, Jundiaí - SP, CEP: 13201-097.

Organização:
Raquel Cristina dos Santos Pereira
Comissão de Pareceristas:
Ângela Beatriz Faria - UFRJ
Jorge Vicente Valentim - UFSCar
Raquel Cristina dos Santos Pereira - PUC-Rio

Aguardo as suas colaborações para o sucesso da terceira Teia Literária.

Um grande abraço,
Raquel.

Raquel Cristina dos Santos Pereira
Editora - TEIA LITERÁRIA
ISSN 1981-3767
www.teialiteraria.com
Fonte: e-mail recebido às 18h31 do dia 25/04/2009.