sábado, 27 de junho de 2009

José Luiz Tavares - Cidade do Mais Antigo Nome (Excertos)

CIDADE DO MAIS ANTIGO NOME (EXCERTOS)

13.

Não pediste o alimento ínvio
nos íngremes dias de infância,
nem o peso do pó regateaste
pelo lento entardecer dos anos,
embora setembro nas alturas
seja tanta luz a apascentar o verde.

Altas vozes te nomearam
impávido cordeiro do sacrifício,
mas sei que eras apenas essa criança
sobressaltada quando no horizonte
surdem velas corsárias e o céu se
despenha da rota algibeira de deus.

Por isso este abismo cavado
à flor da tua fala mansa, e as luzes
que trazes nos cabelos pulsando
como um anoitecido rebanho de estrelas.

Estes desgrenhados versos que te ofereço
agora são o viático da desforra
nos enrouquecidos pulmões da história:
tudo cabe na garganta do tempo
ou à ilharga desse sol pernalta
pastoreando as mudáveis coisas do mundo.



44.

Quanto vento arremessou a poeira
da tua solidão? Que preces se calaram
nas bocas escorchadas dos mortos?
E no entanto, donairosa envelhece a tarde
agora que os seus fulvos calcanhares
singram as várzeas derradeiras.

Demo-nos um novo começo na voz
áspera das ribeiras, nas madrugadas
de conjuras, nos tropeços destes versos
que não pedem meças às aves alquebradas
pelos langores doutros céus.

Antes do verbo já eras carne,
e corpo de rapina mercadejado no pelourinho
onde vinham bater, na voz dos negros arfando,
já não o sol das áfricas, lêveda lembrança da pátria
ancestral, mas a imorredoura noite da alma,
abismos animados pela fêvera voz do terror.

Sem a altivez dos cantadores de vozes felinas,
sou um pedinte desabrigado nos embolorados
pátios da história. E nada me pesa mais
que o olhar falcoeiro que te deitam
desde os rapaces gabinetes de fomento.



47.

Como lembrança que se insinua
na flora acesa do crepúsculo
com a alada gravidade
de um pueril deslumbramento
retrato do olvido
canção sem nome

eis-te à esquina triste do poema
branco fantasma tumultuando
a vigília nos empardecidos
pátios da história

de novo me dirás a áspera ternura
irmã da ira ou tão só a escura cinza
dos presságios trespasse dos delírios
urdidos sem paixão nem fúria

que esquecer que não seja
o que fica além do verso
oculto tremor celeste desalinho
inacessível às palavras incensárias
que um dia segredaram
com suspeitosa mansidão
um nevado país a insinuar-se
no rasto obstinado das cassiopeias
agora campo vedado
aos toldados vaticínios do futuro?



80.

«Então erguemos uma morada
junto à costa bonançosa,
sob um teto de altas nuvens»o
concluiu a voz,

«e à terra demos o nome de ribeira
grande, por mor das tumultuosas águas
que por ela descem caminho do mar.

E cumpriu-se então, aqui, nossa sina
obscura, tecida pelas inextricáveis linhas
com que se inventa uma pátria.»

E se agora te nomeio, ó senhora da melancolia,
com os rasos signos da poesia,
é porque nela vivo para a futura morte
de tantos dedos, tal essa magnificente mulher
voltejando nos soberanos pátios duma ilha
onde pulsa o calado fulgor do antigo amado rosto.


JOSÉ LUIZ TAVARES


Fonte: e-mail enviado pelo poeta às 13h54, dia 26 de junho de 2009.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

José Eduardo Agualusa - Barroco Tropical (livro)


BARROCO TROPICAL
de José Eduardo Agualusa

Uma mulher cai do céu durante uma tempestade tropical. As únicas testemunhas do acontecimento são Bartolomeu Falcato, escritor e cineasta, e a sua amante, Kianda, cantora com uma carreira internacional de grande sucesso. Bartolomeu esforça-se por desvendar o mistério enquanto ao seu redor tudo parece ruir. Depressa compreende que ele será a próxima vítima. Um traficante de armas em busca do poder total, um curandeiro ambicioso, um antigo terrorista das Brigadas Vermelhas, um ex-sapador cego, que esconde a ausência de rosto atrás de uma máscara do Rato Mickey, um jovem pintor autista, um anjo negro (ou a sua sombra) e dezenas de outros personagens cruzam-se com Bartolomeu, entre um crepúsculo e o seguinte, nas ruas de uma cidade em convulsão: Luanda, 2020.

http://www.youtube.com/watch?v=Z7Q7bsov-I8

http://www.agualusa.info/


ISBN: 978-972-20-3822-5
Páginas: 344
Dimensões: 15,5 x 23,5 cm

Colecção: Autores de Língua Portuguesa

Ano de Edição: 2009
Encadernação: Brochado

Preço com IVA: 16.65 €
Preço sem IVA: 15.86 €

Fonte: http://www.dquixote.pt/novidades.html?page=1&q=

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Paula Tavares e o mercado editorial brasileiro

Prezados,

delicio-me com os belos poemas do Manual para Amantes Desesperados (Lisboa: Caminho, 2007), da angolana Paula Tavares. Penso que Paula Tavares é o nome mais consistente da poesia de autoria feminina dos países africanos de língua portuguesa, sendo objeto de pesquisa em várias teses e dissertações de nossas principais universidades. Não compreendo que o mercado editorial brasileiro ainda não tenha publicado qualquer livro desta poetisa. Uma pena!

O que podemos fazer para que Paula Tavares e outros nomes, ainda inéditos, das literaturas africanas de língua portuguesa sejam publicados aqui no Brasil?

Ricardo Riso

domingo, 21 de junho de 2009


Prezados,

Conheça o Cadernos África e Africanidades 3: Memória, Tradição e Oralidade, organizado por Nágila Oliveira dos Santos e André dos Santos Silva, leva o leitor a uma viagem pelos caminhos da música, da dança, da oralidade e do corpo africanos e afro-brasileiros.

Abraços,
Ricardo Riso

Ondjaki - Avódezanove e o segredo soviético (lançamento do livro - RJ)


O novo livro de Ondjaki, Avódezanove e o segredo soviético, terá noite de autógrafos na quinta-feira - dia 25/06, na Livraria Travessa Shopping Leblon - Av. Afranio de Melo Franco, 290 - Leblon - Rio de Janeiro/RJ.


Fonte: maillist da Livraria Travessa, dia 20/06/2009.

"O Reino do outro mundo- Orixás” (espetáculo de dança)

2ª Temporada do "O Reino do outro mundo- Orixás”

Temporada de 11/06 à 09/08
Local: Casa Alto Lapa Santa ( na mata)
Rua Joaquim Murtinho- 654, Santa Teresa
5ª a domingo sempre as 20:00hs

Ingressos: R$ 20,00 (inteira) - R$ 10,00 (meia-entrada)
Duração do espetáculo: 75 minutos

O Reino do outro mundo – Orixás (Ficha Técnica)

Coreografias – (por ordem alfabética)
Elvio Assunção - Luís Monteiro – Rubens Barbot – Rubens Rocha – Valéria Monã
Direção Geral – Gatto Larsen
Iluminação – César de Ramires
Percussão: Jô Ventura
Trilha Sonora – Marcelo Maldonado
Programação Gráfica – Maria Júlia Ferreira
Fotografias – Vantoen Pereira Jr e Mariam Starosta
Pesquisa e consultoria – Paulo Husek
Figurinos – Rubens Barbot – Paulo Husek – Gatto Larsen
Divulgação: (Colaboração) Naira Fernandes
Assessoría de Imprensa – Target Assessoria de Comunicação

Elenco - Componentes da companhia (por ordem alfabética)
Ana Paula Dias – Carlos Maia – Rubens Barbot – Sara Hana Wilson de Assis – Wilian Santiago

Bailarinos Convidados
Fernando do Valle - Hugo Luís Gonçalves - Márcia Paulino – Ulysses Oliveira

Xirê do Espetáculo

Exu - Ogum - Oxossi - Ossain - Omolu - Oxumaré - Oxum -Iansã -Yemanjá - Xangô - Oxaguiã - Oxalá

Informações: 21 2220-5458/9144-8624
e-mail: dancarb@ig.com.br
http://ciarubensbarbotteatrodedanca.blogspot.com/

Fonte: contribuição por e-mail da minha amiga Denise Guerra, no dia 20/06/2009

sexta-feira, 19 de junho de 2009

FESTLIP – Festival de Teatro da Língua Portuguesa - 2009 (programação atualizada 21/06/2009)

O Festlip – Festival de Teatro da Língua Portuguesa – 2009 (http://www.festlip.com/) acontecerá entre os dias 2 e 12 de julho na cidade do Rio de Janeiro. Na sua segunda edição homenageará o escritor moçambicano Mia Couto, que ministrará palestra no dia 3 de julho com o tema ‘Metamorfose da literatura para o teatro’. Além das companhias teatrais de Brasil, Angola, Portugal, Cabo Verde, Moçambique e Guiné-Bissau, o evento contará com Mostra Gourmet, oficinas teatrais, debates e dois dias de shows no bairro da Lapa. A programação é gratuita com distribuição de senhas, exceto a mostra gourmet, os teatros são o Sesc Ginástico, o Espaço Sesc/Copacabana e o Sesc/Tijuca.
Ricardo Riso

Programação por dia – Festlip – Festival de Teatro da Língua Portuguesa - 2009

Toda a programação – com exceção da Mostra Gourmet – tem entrada franca, com distribuição de senhas até 30 minutos antes do início da sessão. No teatro Sesc Ginástico, as senhas serão distribuídas 60 minutos antes do início da sessão.

De 2 a 31 de julho:

Mostra Gourmet – O sabor da Língua Portuguesa
Restaurante 00 Cozinha Contemporânea – Pratos especialmente criados pelo chef do restaurante, Ray Cardoso, inspirado na cultura e culinária dos países participantes do Festlip.

2 de julho (quinta-feira)

Abertura oficial do FESTLIP
19h - Teatro Sesc Ginástico
Grupo Tijac, de Moçambique, com o espetáculo “Mar me Quer”, baseado na obra de Mia Couto. Apresentação para convidados.
Entrega do Troféu Festlip - 2009 em homenagem ao premiado escritor moçambicano Mia Couto.

3 de julho (sexta-feira)
19h – Teatro Sesc Ginástico. Palestra com Mia Couto: ‘Metamorfose da literatura para o teatro’
20h – Teatro Sesc Tijuca. Peça: ‘Sobreviver no Tarrafal’, com o Grupo de Teatro Horizonte Nzinga Bandi (Angola- Luanda)
21h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Peça: ‘Uma solidão demasiado ruidosa’, com a Cia Teatral Artistas Unidos (Portugal - Lisboa)
21h30 – Espaço Sesc – Mezanino. Peça: ‘Complexo sistema de enfraquecimento da sensibilidade’, com Cia de Teatro Antro Exposto (Brasil- São Paulo)

4 de julho (sábado)
19h – Teatro Sesc Ginástico. Peça: ‘Lindos dias’, com a Cia. Teatral Primeiros Sintomas (Portugal - Lisboa)
20h – Teatro Sesc Tijuca. Peça: ‘Psycho’, com a Companhia de Teatro Solaris (Cabo Verde - Cidade de Mindelo)
21h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Peça: ‘Kimpa Vita - A Profetisa Ardente’, com o Grupo Elinga-Teatro (Angola - Luanda)
21h30 – Espaço Sesc – Mezanino. Peça: ‘O Homem ideal’, com o Grupo M'Bêu (Moçambique - Maputo)
22h – Estrela da Lapa. Festlipshow - Fidjus de Cabo Verde (Cabo Verde), Mario Lucio (Cabo Verde), Abel Duerê (Angola), Bongar – Coco da Xambá (Brasil) e DJ Falcão (Angola).

5 de julho (domingo)
19h – Teatro Sesc Ginástico. Peça: ‘Cortiços - Cia de Teatro Luna Lunera’ (Brasil – Belo Horizonte)
19h30 – Espaço Sesc – Teatro Arena. Peça: ‘No Inferno’, com o Grupo de Teatro do Centro Cultural Português de Mindelo (Cabo Verde – Cidade de Mindelo)
20h – Espaço Sesc – Mezanino. Peça: ‘Nó mama - Frutos da Mesma Arvore’, com o GTO
(Guiné Bissau - Bissau)
20h – Teatro Sesc Tijuca. Peça: ‘Mar me quer’, com o Grupo Teatral Tijac (Moçambique – Maputo com Ilha da Reunião)

6 de julho (segunda)
13h às 18h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Oficina teatral com diretor Miguel Seabra, do Teatro Meridional (Portugal)

7 de julho (terça)
13h às 18h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Oficina teatral com diretor Miguel Seabra, do Teatro Meridional – (Portugal)
20h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Mesa ‘Encenação do Teatro da Língua Portuguesa’, com os diretores participantes e mediação de Tania Brandão

8 de julho (quarta)
13h às 18h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Oficina teatral com diretor Miguel Seabra, do Teatro Meridional (Portugal)
19h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Vitrine do Teatro Carioca no Corredor Cultural da Lapa – Grupos convidados: Tá Na Rua, Teatro do Anônimo e Cia dos Atores.

9 de julho (quinta)
19h – Teatro Sesc Ginástico. Peça: ‘Cortiços, com a Cia de Teatro Luna Lunera (Brasil)
20h – Espaço Sesc – Mezanino. Peça: ‘Sobreviver no Tarrafal’, com o Grupo de Teatro Horizonte Nzinga Bamdi (Angola)
20h – Teatro Sesc Tijuca. Peça: ‘Psycho’, com a Companhia de Teatro Solaris (Cabo Verde)
21h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Peça: ‘No Inferno - Grupo de Teatro do Centro Cultural Português de Mindelo’ (Cabo Verde)

10 de julho (sexta)
19h – Teatro Sesc Ginástico. Peça: ‘Cortiços’, com a Cia de Teatro Luna Lunera (Brasil)
21h30 – Espaço Sesc – Mezanino. Peça: ‘O Homem ideal’, com o Grupo M'Bêu (Moçambique)
21h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Peça: ‘Uma solidão demasiado ruidosa’, com a Cia Teatral Artistas Unidos (Portugal)
20h – ‘Teatro Sesc Tijuca’. Peça: ‘Lindos dias’, com a Cia Teatral Primeiros Sintomas (Portugual)

11 de julho (sábado)
19h – Teatro Sesc Ginástico. Peça: ‘Mar me quer’, com o Grupo Teatral Tijac (Moçambique – Maputo com Ilha da Reunião)
21h30 – Espaço Sesc – Mezanino. Peça: ‘Complexo sistema de enfraquecimento da sensibilidade’, com a Cia de Teatro Antro Exposto (Brasil)
21h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Peça: ‘No Inferno’, com o Grupo de Teatro do Centro Cultural Português de Mindelo (Cabo Verde)
20h – Teatro Sesc Tijuca. Peça: ‘O Homem ideal’, com o Grupo M'Bêu (Moçambique)

12 de julho (domingo)
19h – Teatro Sesc Ginástico. Peça: ‘Lindos dias’, com a Cia Teatral Primeiros Sintomas (Portugal)
20h – Espaço Sesc – Mezanino. Peça: ‘Nó mama - Frutos da mesma árvore’, com o CTO (Guiné-Bissau)
19h30 – Espaço Sesc - Teatro Arena. Peça: ‘Kimpa Vita - A profetisa ardente’, com o Grupo Elinga-Teatro (Angola)
20h – Teatro Sesc Tijuca. Peça: ‘Uma solidão demasiado ruidosa’, com a Cia Teatral Artistas Unidos (Portugal)
22h – Espaço Sesc – Mezanino: Cerimônia de encerramento - entrega do Prêmio Festlip 2009 de espetáculo revelação


Grupos teatrais participantes na programação do FESTLIP:

Portugal:
Companhia Teatral Primeiros Sintomas - Espetáculo: “Lindos Dias”, com texto de Miguel Castro Caldas e direção de Bruno Bravo.
Companhia Teatral Artistas Unidos - Espetáculo: “Uma Solidão Demasiado Ruidosa”, com texto de Bohimil Hrabal e Direção de Antônio Simão.

Moçambique:
Grupo M'BEU - Espetáculo: “O Homem Ideal”, com texto e direção de Evaristo Abreu.
Grupo Tijac - Espetáculo: “Mar Me Quer”, de Mia Couto com direção de Mickael Fontaine.

Angola:
Grupo Elinga Teatro - Espetáculo: “Kimpa Vita: A Profetiza Ardente”, com texto e direção de José Mena Abrantes.
Grupo Horizonte Nzinga Bandi - Espetáculo: “Sobreviver No Tarrafal”, com de texto Antônio Jacinto e direção de Adelino Caracol .

Guiné Bissau:
Grupo Teatro do Oprimido – Bissau GTO - Espetáculo: “Nó Mama – Frutos da Mesma Árvore”

Brasil:
Cia. Luna Lunera – Belo Horizonte - Espetáculo: “Cortiços”, concepção Cia. Luna Lunera e Tuca Pinheiro e direção de Tuca Pinheiro.
Cia. De Teatro Antroexposto – São Paulo - Espetáculo: “Complexo Sistema de Enfraquecimento as Sensibilidade”, com texto de direção de Ruy Filho


Cabo Verde:
Grupo de Teatro do Centro Cultural Português de Mindelo - Espetáculo: “No Inferno”, com texto e direção de João Branco
Companhia de Teatro Solaris - Espetáculo: “Psycho”, com texto de Valódia Monteiro e direção de Herlandson Lima Duarte

Eventos paralelos:

04 de julho (sábado)

FestlipShow

4 de julho (sábado)
22h – Estrela da Lapa
Festa musical com apresentações de músicos brasileiros e internacionais (todos os países participantes). Entrada franca. Fidjus de Cabo Verde – Cabo Verde; Mário Lucio – Cabo Verde; Abel Duerê – Angola; Bongar – Coco da Xambá – Brasil; DJ Falcão – Angola; E mais uma atração surpresa

6 a 8 de julho (segunda a quarta)
Oficina Teatral:
Com o diretor português Miguel Seabra, do grupo teatral Meridional, direcionada aos atores participantes do Festlip e para estudantes de teatro como ouvintes, com entrada franca (distribuição de senhas).

7 de julho:
20h – Espaço Sesc Arena
Mesa de debates – ‘Encenação do Teatro da Língua Portuguesa’
A mesa será composta pelos diretores dos grupos teatrais participantes do Festlip, com mediação de Tania Brandão.

8 de julho:
19h – Espaço Sesc Arena
Vitrine Carioca do Teatro do Corredor Cultural da Lapa
Exposição do trabalho realizado por três grupos teatrais cariocas, Tá Na Rua, Cia. dos Atores e Teatro de Anônimo, através dos seus diretores: Amir Haddad, Enrique Diaz e João Carlos Artigos. Participação dos atores das companhias.

Informações para a imprensa:
Factoria Comunicação
Vanessa Cardoso (
vanessa@factoriacomunicacao.com.br)
Pedro Neves (
pedro@factoriacomunicacao.com.br)
Leila Grimming (
leila@factoriacomunicacao.com.br)
(21) 2249.1598 / 2259.0409




Fonte: e-mail enviado pela idealizadora e produtora do FESTLIP, Tânia Pires, às 14h14 do dia 21/06/2009.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Mia Couto - Antes de Nascer o Mundo (Livro)

Jesusalém, ermo encravado na savana, em Moçambique, abriga cinco almas apartadas das gentes e cidades do mundo. Ali, ensaiam um arremedo de vida: Silvestre e seus dois filhos, Mwanito e Ntunzi, mais o Tio Aproximado e o serviçal Zacaria. O passado para eles é pura negação recortada em torno da figura da mãe morta em circunstâncias misteriosas. E o futuro se afigura inexistente.

Silvestre afiança aos filhos e ao criado que o mundo acabou e que a mulher — qualquer mulher — é a desgraça dos homens. Mas um belo dia os donos do mundo voltarão para reivindicar a terra de Jesusalém. E não só isso: uma bela mulher também virá para agitar a inércia dos dias solitários daqueles homens.

Mia Couto é um dos maiores expoentes da literatura africana de expressão portuguesa. Moçambicano e amante confesso da escrita inventiva do brasileiro Guimarães Rosa, ele é um artista investido do poder mágico e poético das palavras. Mas é da alma do povo de seu país, bela, trágica, alegre, sofrida, enigmática, que este poeta da prosa extrai seu ouro universal.

Em Portugal, Moçambique e Angola o livro recebeu o título de Jesusalém.


Antes de Nascer o Mundo
Mia Couto
Companhia das Letras
280 páginas
R$ 42,00
http://www.companhiadasletras.com.br/

Ondjaki - Avódezanove e o Segredo do Soviético (livro)

A PraiaDoBispo é um bairro tranquilo de Luanda: o VelhoPescador cuida de sua rede, o VendedorDeGasolina espera um cliente que nunca chega, AvóAgnette e AvóCatarina conversam com a vizinha e ralham com os miúdos. As obras de um mausoléu, porém, transformam e ameaçam o cotidiano: soldados soviéticos comandam a construção, e o projeto ameaça desalojar os moradores.

As crianças da PraiaDoBispo assistem a tudo com seus olhos inocentes mas agudos, e divertem-se com as brincadeiras de rua e a extravagância dos estrangeiros. Elas desconfiam que os “lagostas azuis”, como chamam os soviéticos, tramam algo confidencial. Mas o segredo do soviético pode ter a ver com outras coisas: a enorme quantidade de sal grosso encontrada no depósito da construção, os pássaros de plumagens coloridas presos em gaiolas ou a dinamite nos barracões das obras.

AvóDezanove e o segredo do soviético é um romance que ultrapassa o horizonte histórico e biográfico para resultar num relato ficcional amparado na poesia da imaginação, no humor inocente da infância e na linguagem que combina o sabor da oralidade do português angolano ao talento narrativo de um jovem escritor africano.
Avódezanove e o Segredo do Soviético
Ondjaki
Companhia das Letras
192 páginas
R$ 36,00
http://www.companhiadasletras.com.br/

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Tchale Figueira - Ulisses a espera de Penélope (conto)

Conto enviado pelo artista plástico e escritor Tchale Figueira, que revisita o mito grego e aborda temáticas pertinentes à literatura de Cabo Verde.
Ricardo Riso

Ulisses à espera de Penélope
Tchale Figueira

Ulisses como todos os rapazes de S. Vicente, tinha os olhos voltados para a baía do Porto Grande. Deslumbrado com os vapores da Blue Star e da Mala Real ancorados na baía da velha cratera em semicírculo, e o Monte – Cara secularmente contemplando nuvens passando, como um poeta em silencio, Ulisses idealizava a distante Argentina nas Américas e…um belo dia, enchendo-se de coragem foi ter com António Cara Linda, um abastado negociante de barcos e velho amigo da família, que o ajudasse a realizar seu sonho. Tirando o boné em sinal de respeito, entrou no enorme armazém do negociador repleto com miríades de cordas, tintas, e objectos marítimos, para ele desconhecidos e encontrou Cara Linda sentado numa velha cadeira americana de vai vem a moda dos Cow Boys, com as pernas estendidas numa enorme mesa repleta com papeis, lendo um jornal desportivo. Sem rodeios foi directo ao assunto e, expressando de forma clara o seu desejo, prometeu ao Cara Linda, jurando por Deus, ir trabalhar arduamente na terra das pampas, e um dia devolver ao comerciante a quantia do empréstimo para a sua viagem à terra das vacas infinitas, e de um tal de Jorge Luís Borges, escritor…

Cara Linda, homem bondoso, antigo emigrante que, após trinta anos de dura labuta no mundo tinha regressado endinheirado a Mindelo, compreendeu perfeitamente o direito de sonhar do rapaz, foi generoso…

Anos mais tarde, depois de muitas peripécias, bem na vida, Ulisses era o mulato mais desejado de Doc Sur em Buenos Aires. Bailava Tango melhor do que ninguém, trabalhava com primor, e tinha já amealhado em pouco tempo, uma considerável fortuna, vendendo charutos de contrabando. Visitou frequentemente alcovas e bordéis das belas senhoritas portenhas, sem nunca se esquecer da sua Penélope, a mulata mais linda da sua ilha, que ele carregava religiosamente na sua carteira de couro argentino genuíno... numa bela fotografia a preto e branco…

Após uma longa troca epistolar com a sua princesa que durou cinco anos e cinco meses, pediu por correspondência a mão da amada aos pais, e com grande felicidade foi-lhe concedido a bênção dos progenitores e… através de um procurador, após rígidas instruções de Ulisses, foram regrados os papéis num rigor burocrático colonial só visto, marcou-se o dia do casamento por procuração, devido a ausência do noivo, emigrante na distante Argentina…

Naquele dia, a cidade brilhou! …E dizem os mais velhos, que Penélope é até hoje, a mais linda noiva deste burgo e naquele dia fora conduzida ao altar pelo excelentíssimo Sr. Doutor juiz, Manuel da Cunha e Sacramento Pais Ferreira, padrinho do enlace por consentimento do aventureiro Ulisses… Célebre foi também, a festa do enlace com centenas de convidados distintos na sala do Nho Jom Tolentino, no bairro do Monte de Deus onde tudo era foguetes tambores e comida durante dias…

Terminado a festança, meses mais tarde a noiva embarcou para Buenos Aires numa noite de Fevereiro, num escuro de breu, em que a cacimba chicoteava as costas dos remadores semi nus do bote de Cara Linda. Penélope triste, embarcou no navio inglês de nome Faith, barco da mala real que rumava primeiro ao porto de Santos no Brasil, logo a capital Argentina…

Com um ambíguo sentimento de alegria e saudade, Penélope partira para terra longe, com os pais no cais chorando inconsoláveis, acompanhados por alguns familiares que acenavam a princesa com lanternas, no piche da noite tropical naquele cais da Alfândega, com as suas gruas fálicas fornicando a escuridão… Era a hora di bai… pensava a bela musa, lembrando-se por um segundo da morna do poeta Eugénio Tavares, ao mesmo tempo que escutava, o chapinhar dos remos cadenciados do bote, entrando e saindo da água…

Com o paquete cortando o azul imenso do mar, num esforço titânico, no segundo dia, Penélope logrou sair da sua cabine, depois de ter vomitado as tripas coração, chorar até não ter lágrimas para derramar tanta saudade… Com as pernas tremendo, dirigiu-se ao salão da nave, ali dentro, depara com um outro passageiro Cabo-verdiano, um belo homem, com quem tinha cruzado várias vezes na pequena praça da cidade… cavalheiro de paletó branco e sapatos a duas cores, preto e branco, brilhando impecavelmente… Que, ao avistar a linda mulata entrando no salão, convidou-a cordialmente para a sua mesa naquele amplo salão inglês, decorado com um enorme quadro com motivos de uma caçada, onde homens a cavalo com vários sabujos raivosos, perseguiam uma raposa, numa floresta bem deprimente. O pintor, um medíocre, com certa habilidade, lograra transmitir uma certa atmosfera kitch para a tela…

Com o seu cabelo crespo, preto de azeviche, alisado com brilhantina a moda de Carlos Gardel, e um bigode perfeitamente simétrico, o elegante gentil-homem, que residia em Salvador da Baía, regressava ao Brasil, após longas férias no arquipélago terra onde nascera. Com ar de sedutor afro-latino, Penélope não resiste ao charme do peralta, e no quinto dia de navegação, ela é seduzida de forma admirável, com gestos e palavras bonitas do finório, no seu belo e cantado português do Brasil… Foi desflorada com mestria num piscar de olho pelo o astuto António Cabo-Verde, um malandro e cafétão conhecido em toda as esquinas de Salvador da Baía. Apaixonaram-se perdidamente, amaram até a exaustão sem que os ingleses da tripulação interviessem nos seus jogos de amor e…

– Penélope, nunca chegou ao seu suposto destino… Como disse um sábio: O destino?... A gente faz! …

Arrasado com esta fatalidade, e sem nunca perceber o destino da sua amada, louco de dor, Ulisses perdeu a noção do tempo…

– Hoje, velho e andrajoso, com uma barba enorme e uns cabelos sujos e desgrenhados feitos punhais prontos para espetar-lhe no coração destroçado, triste Ulisses senta todos os dias no cais numero 7 em Doc Sur, Buenos Aires acompanhado do seu cão Argos, olhando o horizonte… Dizem, que está esperando o fantasma da amada, que nunca chegou aos seus braços.