segunda-feira, 6 de julho de 2009

UMOJAH: WORKSHOPS - TIMBILA E PERCUSSÃO MOÇAMBICANA NA MARACATU BRASIL


Olá a todos, salve!

Estou divulgando os workshops que serão oferecidos pelo músico moçambicano Matchume Zango da Orquestra Timbila Muzimba, no Rio de Janeiro nos próximos dias 09/07 e 12/07.

Ele é o músico que recebeu a mim e ao UMOJAH em nossa visita à Moçambique, durante fevereiro e março desse ano, e foi grande sua ajuda nas pesquiass de campo sobre a música tradicional do povo Chope de moçambique, além de ser um grande amigo.

Também aproveito pra divulgar a peça "Mar Me Quer", na qual ele faz a música ao vivo, e que representa a delegação e Moçambique e Ilhas Reunião no Festlip (Festival de Teatro da Língua Portuguesa). O texto é de Mia Couto, o autor homenageado do festival, e vai ser apreentado nas duas datas (mas infos www.festlip.com):

05/07 - 20hs Sesc Tijuca

11/07 - 19hs Sesc Ginástico (Entrada Franca - chegar 30min antes para pegar a senha)

Warethwa!

André Sampaio

Workshops: Timbila e Percussão Moçambicana
Com Matchume Zango – Orquestra Timbila Muzimba

A Timbila,instrumento declarado patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO,é o nome genérico que se dá a um tipo de marimba da região de Zavala em Moçambique, tocado tradicionalmente pelo povo Chope.

Os Workshops visam proporcionar aos participantes de todas as idades um contato muito próximo com a cultura popular moçambicana, aproveitando a presença no Brasil do músico Matchume Zango, membro fundador da Orquestra Timbila Muzimba,compositor musical e fabricante de instrumentos tradicionais e modernos.

Local: Maracatu Brasil - Rua Ipiranga, 49 - Laranjeiras

Dia 09/07/09 Quinta-Feira às 20hs
Dia 12/07/09 Domingo às 16hs
Investimento : 1 Dia R$ 30,00 / 2 Dias R$ 50,00


Informações: (21) 2557-4754 / (21) 9444-4773 (André)
email: coletivo.umojah@gmail.com

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Imagens Abensonhadas (inspiradas em Estórias Abensonhadas, de Mia Couto), por Ricardo Riso

Procurei expressar meu encantamento com os trabalhos abaixo após a leitura dos contos de Estórias Abensonhadas, livro do moçambicano Mia Couto, e aqui compartilho com vocês.
A série Imagens Abensonhadas ainda está em construção, postarei outros trabalhos no futuro.

Ricardo Riso



"com o fato para celebrar a paz moçambicana" (conto "Chuva: a abensonhada") - série "Imagens Abensonhadas" - livre interpretação dos contos de "Estórias Abensonhadas", do escritor moçambicano Mia Couto) -Ricardo Riso - fotografia digital - 06/05/2009


Nãozinha de Jesus, Só se for lá no último canto (conto "O adeus da sombra") - série "Imagens Abensonhadas" - livre interpretação dos contos de "Estórias Abensonhadas", do escritor moçambicano Mia Couto) - Ricardo Riso - arte digital - 01/2007



Ver com o olhar dos amantes, para além dos vários firmamentos (ao casal Estrelinho e Infelizmina) - (conto "O cego Estrelinho", série "Imagens Abensonhadas" - livre interpretação dos contos de Estórias Abensonhadas, do escritor moçambicano Mia Couto) - aquarela - 40,2 x 30,3 cm - 30/04/2009



capa de "Percorrendo um caminho que dispensa toda bandeira" (conto "O poente da bandeira") - série "Imagens Abensonhadas" - livre interpretação dos contos de Estórias Abensonhadas, do escritor moçambicano Mia Couto) -Ricardo Riso - Aquarela, pastel oleoso, estopa e madeira - 39,7 x 23,6 cm - 05/05/2009



parte interna de "Percorrendo um caminho que dispensa toda bandeira" (conto "O poente da bandeira") - série "Imagens Abensonhadas" - livre interpretação dos contos de Estórias Abensonhadas, do escritor moçambicano Mia Couto) -Ricardo Riso - Aquarela, pastel oleoso, estopa e madeira - 39,7 x 23,6 cm - 05/05/2009



pintura interna de "Percorrendo um caminho que dispensa toda bandeira" (conto "O poente da bandeira") - série "Imagens Abensonhadas" - livre interpretação dos contos de Estórias Abensonhadas, do escritor moçambicano Mia Couto) -Ricardo Riso - Aquarela, pastel oleoso, estopa e madeira - 39,7 x 23,6 cm - 05/05/2009

AFRO CORPOREIDADE: Ritmo-Som-Movimento-Cultura Afro (blog)

AFRO CORPOREIDADE: Ritmo-Som-Movimento-Cultura Afro -
http://afrocorporeidade.blogspot.com

Este é o blog da amiga Denise Guerra que trata de temas relacionados à cultura corporal/corporeidade advindas das matrizes africanas, incluindo suas diásporas. Denise é graduada em Musicoterapia e em Educação Física, com especialização em Psicomotricidade, e em Cultura africana e afro-brasileira. É membro do corpo editorial da revista África e Africanidades – www.africaeafricanidades.com, e assina a coluna: Corpo: Som e Movimento.
Ricardo Riso

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Ondjaki na FLIP 2009



Fonte: e-mail enviado em 1 de julho de 2009, às 18:09, por Carolina Casarin, da Editora Língua Geral. Rua Jardim Botânico, 600/ 502 - Rio de Janeiro - RJ22461-000tel.: (21) 2279-6184 (21) 9398-8649
www.linguageral.com.br

Coleção Sankofa 3 e 4 - lançamento e mesa-redonda/Livraria Kitabu



Festlip – Festival de Teatro da Língua Portuguesa – 2009 (2 a 12/07/2009)


O Festlip – Festival de Teatro da Língua Portuguesa – 2009 (http://www.festlip.com/) acontecerá entre os dias 2 e 12 de julho na cidade do Rio de Janeiro. Na sua segunda edição homenageará o escritor moçambicano Mia Couto, que ministrará palestra no dia 3 de julho com o tema ‘Metamorfose da literatura para o teatro’. Além das companhias teatrais de Brasil, Angola, Portugal, Cabo Verde, Moçambique e Guiné-Bissau, o evento contará com Mostra Gourmet, oficinas teatrais, debates e dois dias de shows no bairro da Lapa. A programação é gratuita com distribuição de senhas, exceto a mostra gourmet, os teatros são o Sesc Ginástico, o Espaço Sesc/Copacabana e o Sesc/Tijuca.

Ricardo Riso

Programação por dia – Festlip – Festival de Teatro da Língua Portuguesa - 2009

Toda a programação – com exceção da Mostra Gourmet – tem entrada franca, com distribuição de senhas até 30 minutos antes do início da sessão. No teatro Sesc Ginástico, as senhas serão distribuídas 60 minutos antes do início da sessão.

De 2 a 31 de julho:

Mostra Gourmet – O sabor da Língua Portuguesa
Restaurante 00 Cozinha Contemporânea – Pratos especialmente criados pelo chef do restaurante, Ray Cardoso, inspirado na cultura e culinária dos países participantes do Festlip.

2 de julho (quinta-feira)

Abertura oficial do FESTLIP
19h - Teatro Sesc Ginástico
Grupo Tijac, de Moçambique, com o espetáculo “Mar me Quer”, baseado na obra de Mia Couto. Apresentação para convidados.
Entrega do Troféu Festlip - 2009 em homenagem ao premiado escritor moçambicano Mia Couto.

3 de julho (sexta-feira)
19h – Teatro Sesc Ginástico. Palestra com Mia Couto: ‘Metamorfose da literatura para o teatro’
20h – Teatro Sesc Tijuca. Peça: ‘Sobreviver no Tarrafal’, com o Grupo de Teatro Horizonte Nzinga Bandi (Angola- Luanda)
21h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Peça: ‘Uma solidão demasiado ruidosa’, com a Cia Teatral Artistas Unidos (Portugal - Lisboa)
21h30 – Espaço Sesc – Mezanino. Peça: ‘Complexo sistema de enfraquecimento da sensibilidade’, com Cia de Teatro Antro Exposto (Brasil- São Paulo)

4 de julho (sábado)
19h – Teatro Sesc Ginástico. Peça: ‘Lindos dias’, com a Cia. Teatral Primeiros Sintomas (Portugal - Lisboa)
20h – Teatro Sesc Tijuca. Peça: ‘Psycho’, com a Companhia de Teatro Solaris (Cabo Verde - Cidade de Mindelo)
21h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Peça: ‘Kimpa Vita - A Profetisa Ardente’, com o Grupo Elinga-Teatro (Angola - Luanda)
21h30 – Espaço Sesc – Mezanino. Peça: ‘O Homem ideal’, com o Grupo M'Bêu (Moçambique - Maputo)
22h – Estrela da Lapa. Festlipshow - Fidjus de Cabo Verde (Cabo Verde), Mario Lucio (Cabo Verde), Abel Duerê (Angola), Bongar – Coco da Xambá (Brasil) e DJ Falcão (Angola).

5 de julho (domingo)
19h – Teatro Sesc Ginástico. Peça: ‘Cortiços - Cia de Teatro Luna Lunera’ (Brasil – Belo Horizonte)
19h30 – Espaço Sesc – Teatro Arena. Peça: ‘No Inferno’, com o Grupo de Teatro do Centro Cultural Português de Mindelo (Cabo Verde – Cidade de Mindelo)
20h – Espaço Sesc – Mezanino. Peça: ‘Nó mama - Frutos da Mesma Arvore’, com o GTO
(Guiné Bissau - Bissau)
20h – Teatro Sesc Tijuca. Peça: ‘Mar me quer’, com o Grupo Teatral Tijac (Moçambique – Maputo com Ilha da Reunião)

6 de julho (segunda)
13h às 18h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Oficina teatral com diretor Miguel Seabra, do Teatro Meridional (Portugal)

7 de julho (terça)
13h às 18h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Oficina teatral com diretor Miguel Seabra, do Teatro Meridional – (Portugal)
20h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Mesa ‘Encenação do Teatro da Língua Portuguesa’, com os diretores participantes e mediação de Tania Brandão

8 de julho (quarta)
13h às 18h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Oficina teatral com diretor Miguel Seabra, do Teatro Meridional (Portugal)
19h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Vitrine do Teatro Carioca no Corredor Cultural da Lapa – Grupos convidados: Tá Na Rua, Teatro do Anônimo e Cia dos Atores.

9 de julho (quinta)
19h – Teatro Sesc Ginástico. Peça: ‘Cortiços, com a Cia de Teatro Luna Lunera (Brasil)
20h – Espaço Sesc – Mezanino. Peça: ‘Sobreviver no Tarrafal’, com o Grupo de Teatro Horizonte Nzinga Bamdi (Angola)
20h – Teatro Sesc Tijuca. Peça: ‘Psycho’, com a Companhia de Teatro Solaris (Cabo Verde)
21h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Peça: ‘No Inferno - Grupo de Teatro do Centro Cultural Português de Mindelo’ (Cabo Verde)

10 de julho (sexta)
19h – Teatro Sesc Ginástico. Peça: ‘Cortiços’, com a Cia de Teatro Luna Lunera (Brasil)
21h30 – Espaço Sesc – Mezanino. Peça: ‘O Homem ideal’, com o Grupo M'Bêu (Moçambique)
21h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Peça: ‘Uma solidão demasiado ruidosa’, com a Cia Teatral Artistas Unidos (Portugal)
20h – ‘Teatro Sesc Tijuca’. Peça: ‘Lindos dias’, com a Cia Teatral Primeiros Sintomas (Portugual)

11 de julho (sábado)
19h – Teatro Sesc Ginástico. Peça: ‘Mar me quer’, com o Grupo Teatral Tijac (Moçambique – Maputo com Ilha da Reunião)
21h30 – Espaço Sesc – Mezanino. Peça: ‘Complexo sistema de enfraquecimento da sensibilidade’, com a Cia de Teatro Antro Exposto (Brasil)
21h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Peça: ‘No Inferno’, com o Grupo de Teatro do Centro Cultural Português de Mindelo (Cabo Verde)
20h – Teatro Sesc Tijuca. Peça: ‘O Homem ideal’, com o Grupo M'Bêu (Moçambique)

12 de julho (domingo)
19h – Teatro Sesc Ginástico. Peça: ‘Lindos dias’, com a Cia Teatral Primeiros Sintomas (Portugal)
20h – Espaço Sesc – Mezanino. Peça: ‘Nó mama - Frutos da mesma árvore’, com o CTO (Guiné-Bissau)
19h30 – Espaço Sesc - Teatro Arena. Peça: ‘Kimpa Vita - A profetisa ardente’, com o Grupo Elinga-Teatro (Angola)
20h – Teatro Sesc Tijuca. Peça: ‘Uma solidão demasiado ruidosa’, com a Cia Teatral Artistas Unidos (Portugal)
22h – Espaço Sesc – Mezanino: Cerimônia de encerramento - entrega do Prêmio Festlip 2009 de espetáculo revelação


Grupos teatrais participantes na programação do FESTLIP:

Portugal:
Companhia Teatral Primeiros Sintomas - Espetáculo: “Lindos Dias”, com texto de Miguel Castro Caldas e direção de Bruno Bravo.
Companhia Teatral Artistas Unidos - Espetáculo: “Uma Solidão Demasiado Ruidosa”, com texto de Bohimil Hrabal e Direção de Antônio Simão.

Moçambique:
Grupo M'BEU - Espetáculo: “O Homem Ideal”, com texto e direção de Evaristo Abreu.
Grupo Tijac - Espetáculo: “Mar Me Quer”, de Mia Couto com direção de Mickael Fontaine.

Angola:
Grupo Elinga Teatro - Espetáculo: “Kimpa Vita: A Profetiza Ardente”, com texto e direção de José Mena Abrantes.
Grupo Horizonte Nzinga Bandi - Espetáculo: “Sobreviver No Tarrafal”, com de texto Antônio Jacinto e direção de Adelino Caracol .

Guiné Bissau:
Grupo Teatro do Oprimido – Bissau GTO - Espetáculo: “Nó Mama – Frutos da Mesma Árvore”

Brasil:
Cia. Luna Lunera – Belo Horizonte - Espetáculo: “Cortiços”, concepção Cia. Luna Lunera e Tuca Pinheiro e direção de Tuca Pinheiro.
Cia. De Teatro Antroexposto – São Paulo - Espetáculo: “Complexo Sistema de Enfraquecimento as Sensibilidade”, com texto de direção de Ruy Filho

Cabo Verde:
Grupo de Teatro do Centro Cultural Português de Mindelo - Espetáculo: “No Inferno”, com texto e direção de João Branco
Companhia de Teatro Solaris - Espetáculo: “Psycho”, com texto de Valódia Monteiro e direção de Herlandson Lima Duarte

Eventos paralelos:

04 de julho (sábado)

FestlipShow

4 de julho (sábado)
22h – Estrela da Lapa
Festa musical com apresentações de músicos brasileiros e internacionais (todos os países participantes). Entrada franca. Fidjus de Cabo Verde – Cabo Verde; Mário Lucio – Cabo Verde; Abel Duerê – Angola; Bongar – Coco da Xambá – Brasil; DJ Falcão – Angola; E mais uma atração surpresa

6 a 8 de julho (segunda a quarta)
Oficina Teatral: Com o diretor português Miguel Seabra, do grupo teatral Meridional, direcionada aos atores participantes do Festlip e para estudantes de teatro como ouvintes, com entrada franca (distribuição de senhas).

7 de julho:
20h – Espaço Sesc Arena
Mesa de debates – ‘Encenação do Teatro da Língua Portuguesa’
A mesa será composta pelos diretores dos grupos teatrais participantes do Festlip, com mediação de Tania Brandão.

8 de julho:
19h – Espaço Sesc Arena
Vitrine Carioca do Teatro do Corredor Cultural da Lapa
Exposição do trabalho realizado por três grupos teatrais cariocas, Tá Na Rua, Cia. dos Atores e Teatro de Anônimo, através dos seus diretores: Amir Haddad, Enrique Diaz e João Carlos Artigos. Participação dos atores das companhias.

Informações para a imprensa:
Factoria Comunicação
Vanessa Cardoso (vanessa@factoriacomunicacao.com.br)
Pedro Neves (pedro@factoriacomunicacao.com.br)
Leila Grimming (leila@factoriacomunicacao.com.br)
(21) 2249.1598 / 2259.0409

Fonte: e-mail enviado pela idealizadora e produtora do FESTLIP, Tânia Pires, às 14h14 do dia 21/06/2009.

sábado, 27 de junho de 2009

José Luiz Tavares - Cidade do Mais Antigo Nome (Excertos)

CIDADE DO MAIS ANTIGO NOME (EXCERTOS)

13.

Não pediste o alimento ínvio
nos íngremes dias de infância,
nem o peso do pó regateaste
pelo lento entardecer dos anos,
embora setembro nas alturas
seja tanta luz a apascentar o verde.

Altas vozes te nomearam
impávido cordeiro do sacrifício,
mas sei que eras apenas essa criança
sobressaltada quando no horizonte
surdem velas corsárias e o céu se
despenha da rota algibeira de deus.

Por isso este abismo cavado
à flor da tua fala mansa, e as luzes
que trazes nos cabelos pulsando
como um anoitecido rebanho de estrelas.

Estes desgrenhados versos que te ofereço
agora são o viático da desforra
nos enrouquecidos pulmões da história:
tudo cabe na garganta do tempo
ou à ilharga desse sol pernalta
pastoreando as mudáveis coisas do mundo.



44.

Quanto vento arremessou a poeira
da tua solidão? Que preces se calaram
nas bocas escorchadas dos mortos?
E no entanto, donairosa envelhece a tarde
agora que os seus fulvos calcanhares
singram as várzeas derradeiras.

Demo-nos um novo começo na voz
áspera das ribeiras, nas madrugadas
de conjuras, nos tropeços destes versos
que não pedem meças às aves alquebradas
pelos langores doutros céus.

Antes do verbo já eras carne,
e corpo de rapina mercadejado no pelourinho
onde vinham bater, na voz dos negros arfando,
já não o sol das áfricas, lêveda lembrança da pátria
ancestral, mas a imorredoura noite da alma,
abismos animados pela fêvera voz do terror.

Sem a altivez dos cantadores de vozes felinas,
sou um pedinte desabrigado nos embolorados
pátios da história. E nada me pesa mais
que o olhar falcoeiro que te deitam
desde os rapaces gabinetes de fomento.



47.

Como lembrança que se insinua
na flora acesa do crepúsculo
com a alada gravidade
de um pueril deslumbramento
retrato do olvido
canção sem nome

eis-te à esquina triste do poema
branco fantasma tumultuando
a vigília nos empardecidos
pátios da história

de novo me dirás a áspera ternura
irmã da ira ou tão só a escura cinza
dos presságios trespasse dos delírios
urdidos sem paixão nem fúria

que esquecer que não seja
o que fica além do verso
oculto tremor celeste desalinho
inacessível às palavras incensárias
que um dia segredaram
com suspeitosa mansidão
um nevado país a insinuar-se
no rasto obstinado das cassiopeias
agora campo vedado
aos toldados vaticínios do futuro?



80.

«Então erguemos uma morada
junto à costa bonançosa,
sob um teto de altas nuvens»o
concluiu a voz,

«e à terra demos o nome de ribeira
grande, por mor das tumultuosas águas
que por ela descem caminho do mar.

E cumpriu-se então, aqui, nossa sina
obscura, tecida pelas inextricáveis linhas
com que se inventa uma pátria.»

E se agora te nomeio, ó senhora da melancolia,
com os rasos signos da poesia,
é porque nela vivo para a futura morte
de tantos dedos, tal essa magnificente mulher
voltejando nos soberanos pátios duma ilha
onde pulsa o calado fulgor do antigo amado rosto.


JOSÉ LUIZ TAVARES


Fonte: e-mail enviado pelo poeta às 13h54, dia 26 de junho de 2009.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

José Eduardo Agualusa - Barroco Tropical (livro)


BARROCO TROPICAL
de José Eduardo Agualusa

Uma mulher cai do céu durante uma tempestade tropical. As únicas testemunhas do acontecimento são Bartolomeu Falcato, escritor e cineasta, e a sua amante, Kianda, cantora com uma carreira internacional de grande sucesso. Bartolomeu esforça-se por desvendar o mistério enquanto ao seu redor tudo parece ruir. Depressa compreende que ele será a próxima vítima. Um traficante de armas em busca do poder total, um curandeiro ambicioso, um antigo terrorista das Brigadas Vermelhas, um ex-sapador cego, que esconde a ausência de rosto atrás de uma máscara do Rato Mickey, um jovem pintor autista, um anjo negro (ou a sua sombra) e dezenas de outros personagens cruzam-se com Bartolomeu, entre um crepúsculo e o seguinte, nas ruas de uma cidade em convulsão: Luanda, 2020.

http://www.youtube.com/watch?v=Z7Q7bsov-I8

http://www.agualusa.info/


ISBN: 978-972-20-3822-5
Páginas: 344
Dimensões: 15,5 x 23,5 cm

Colecção: Autores de Língua Portuguesa

Ano de Edição: 2009
Encadernação: Brochado

Preço com IVA: 16.65 €
Preço sem IVA: 15.86 €

Fonte: http://www.dquixote.pt/novidades.html?page=1&q=

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Paula Tavares e o mercado editorial brasileiro

Prezados,

delicio-me com os belos poemas do Manual para Amantes Desesperados (Lisboa: Caminho, 2007), da angolana Paula Tavares. Penso que Paula Tavares é o nome mais consistente da poesia de autoria feminina dos países africanos de língua portuguesa, sendo objeto de pesquisa em várias teses e dissertações de nossas principais universidades. Não compreendo que o mercado editorial brasileiro ainda não tenha publicado qualquer livro desta poetisa. Uma pena!

O que podemos fazer para que Paula Tavares e outros nomes, ainda inéditos, das literaturas africanas de língua portuguesa sejam publicados aqui no Brasil?

Ricardo Riso

domingo, 21 de junho de 2009


Prezados,

Conheça o Cadernos África e Africanidades 3: Memória, Tradição e Oralidade, organizado por Nágila Oliveira dos Santos e André dos Santos Silva, leva o leitor a uma viagem pelos caminhos da música, da dança, da oralidade e do corpo africanos e afro-brasileiros.

Abraços,
Ricardo Riso