quinta-feira, 3 de setembro de 2009

José Eduardo Agualusa - A Conjura (livro - edição brasileira)

A CONJURA
José Eduardo Agualusa

Editora Gryphus

SINOPSE
Publicado originalmente em Portugal, o livro A Conjura ganha agora sua primeira edição brasileira. Em seis capítulos, a obra narra as histórias dos habitantes da velha cidade de São Paulo da Assunção de Luanda, entre os anos de 1880 e 1911. Em um contexto marcado por turbulentas transformações, essa colônia portuguesa era o destino de degredados, ladrões e assassinos da pior espécie. Nessa época, quando nas ruas de Luanda se cruzavam as tipoias dos nobres senhores africanos com as caravanas de escravos angolanos, e os condenados vindos do Reino de Portugal se entranhavam pelos matos em busca de fortuna, estórias se passaram que a História não guardou. Estórias de amores e prodígios que ainda sobrevivem em antigas canções. Estórias de personagens como o barbeiro Jerónimo Caninguili e a jovem Alice, cujas desventuras acompanhamos até o fatídico 16 de junho de 1911, dia da frustrada tentativa de tornar Angola independente de Portugal.

TÍTULO: A CONJURA
ISBN: 9788560610228
IDIOMA: Português (PT).
ENCADERNAÇÃO: Brochura Formato: 14 x 21 190 págs.
ANO EDIÇÃO: 2009
Fonte: http://www.travessa.com.br/A_CONJURA/artigo/775815be-3caf-453c-9b33-db046445771e


----------------------x----------------------x----------------------x


Primeiro romance de José Eduardo Agualusa sai no Brasil após 20 anos

Bolívar Torres, JB Online

RIO - Dois tempos distintos unem e separam, com o Atlântico entre eles, a obra do escritor angolano José Eduardo Agualusa. Recém-lançado em Portugal, Barroco tropical, seu último romance, dá um pulo de 10 anos para vislumbrar uma Luanda em convulsão, num nem tão distante 2020. Deste lado do oceano, sua estreia na ficção, A conjura, escrita duas décadas atrás, chega hoje às livrarias do Rio, fazendo a trajetória inversa: volta 200 anos na história da mesma capital angolana para radiografar, entre 1880 e 1911, um período decisivo do seu passado colonial, marcado por um frustrado levante revolucionário. Mesmo com o abismo temporal, passado e futuro se completam com a mesma função. Em ambos os casos, o que interessa a Agualusa é decifrar a atualidade absurda de seu país.

– Escrevi A conjura como uma maneira de pensar o presente – comenta o autor, enquanto anda pelas ruas de Copacabana, onde está hospedado. – Isso era muito importante naquele momento, em que havia poucos estudos sobre o século 19 em Angola. Eu próprio passei a compreender melhor o país ao escrever o livro. Há divisões na sociedade que só podem ser explicadas ao se analisar o passado. A guerra civil foi mais um embate entre uma visão urbana e rural do que de ideologias de esquerda e direita. Ela opôs uma África profunda, presa à tradição rural, a uma África urbana. Claro que essas divisões já existiam no século 19.

Fato incomum para um escritor iniciante, A conjura é um romance histórico (assim como Nação crioula, sua quinta narrativa longa). Agualusa recria toda a agitação de um período de efervescência política de seu país. Como sempre, o autor traça uma galeria de retratos curiosos, que se agitam, numa espécie de histeria coletiva, dentro de um cenário em plena transformação. O sonho ainda é possível para a população pobre do bairro de Ingombotas, onde se instala, em meio a ladrões, assassinos e outros renegados de Portugal, o barbeiro benguelese Jerónimo Caninguili, um baixo e manco negro que, apesar da feiúra, logo conquista a população local. Fixado no fatídico 16 de junho de 1911, dia da primeira tentativa frustrada de obter a independência, o autor retrocede até às origens da data histórica, e é lá que encontra Caninguili e outros angolanos que organizam uma sociedade cospiradora, com o sonho de dar ao país desenvolvimento e tratamento digno aos excluídos.

– Relendo o livro depois de 20 anos, podemos dizer que este é um primeiro romance, com a ingenuidade de todo primeiro romance, mas também com algumas qualidades – confessa o autor. – E que já traz algumas das obsessões que trato em outros livros.

Identidade e memória

O leitor fiel de Agualusa reconhecerá a estrutura aleatória e movediça da maioria de seus livros. Entre as referidas obsessões, destacam-se as questões sobre identidade e memória, sempre presentes em sua obra.

– É normal que, num país jovem como Angola, a literatura, a música ou o cinema tragam este questionamento – diz o escritor. - Aconteceu o mesmo com o Brasil. À medida que o país vai se formando, a literatura reflete este questionamento. Mas o Brasil já é um país com mais estrutura. Em Angola, não temos bibliotecas num número desejável e a memória se perde facilmente. Há poucos jornais, também. Aliás, é o único país do mundo em que o jornalismo melhorou, já que antes era tão ruim que não poderia ter ficado pior.

Revelado por aqui depois da Flip de 2004 (quando foi elogiado por Caetano Veloso), Agualusa se diz um homem de três continentes, que se sente a vontade tanto no Brasil e em Angola quanto em Portugal. Para este filho de luso-brasileiros, a língua portuguesa é um terreno de experimentação multicultural, onde colonizador e colônia se atraem e se chocam na mesma sintaxe. A língua é fator de união, mas também de distinção. O autor não se furta em carregar seu texto de expressões locais, que ganham suas devidas traduções em notas de rodapé.

– O mais interessante é que a língua une a geografia e as influências diversas, mas se distigue por suas variantes – diz Agualusa, que morou por três anos no Recife. – Mas nem sempre essas particularidades se dão entre países. Há mais diferenças entre o português de Pernambuco e do Rio Grande do Sul do que entre o português do Rio e do Maranhão. O carioca acredita que o português falado aqui é o português que se fala no Brasil todo. Mas não é verdade. Aqui no Rio existe uma variante da língua portuguesa, em São Luis do Maranhão ou no Recife você terá outra.

As trocas culturais são essenciais para Agualusa, que reclama da falta de interesse dos brasileiros pela África, matriz de sua cultura popular. Enquanto Angola absorve até os dias de hoje a influência brasileira, sua pátria irmã vira as costas.

– Muito em função do tráfico de escravos, as relações entre Brasil e Angola eram diretas, sem intermediações com Portugal – analisa. – Angola teve vários governadores de origem brasileira. Vários padres eram formados no Recife. Famílias que ficaram ricas com o tráfico tinham casas no Brasil e Angola. Essa relação direta se perdeu com o fim do tráfico, mas a influência cultural do Brasil no país continua, na música, na literatura e nas telenovelas. Já o Brasil, ao contrário de Portugal, não tem o conhecimento dessa cultura que o moldou.

20:09 - 02/09/2009

Fonte: http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/09/02/e020927842.asp

Promoção Cultural A mbira da beira do rio Zambeze

Participe da promoção cultural A mbira da beira do rio Zambeze.
Envie duas dicas de passeios infantis em qualquer estado do Brasil para a Revista África e Africanidades e concorra ao livro A mbira da beira do rio Zambeze, de Décio Giotelle.




Buscamos principalmente dicas de passeios infantis que valorizem a história e cultura negra.

O resultado será divulgado no dia 20 de setembro. Veja como concorrer em www.africaeafricanidades.com


Cordialmente,
Nágila Oliveira dos Santos
Diretora / Editora

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Fragata de Morais - Blog do escritor angolano

Atendendo a gentil solicitação do escritor angolano Fragata de Morais, a seguir o endereço do seu blog:

http://www.literaturafragatademorais.blogspot.com

Trata-se de um excelente espaço para termos contato com sua obra. Fragata de Morais publicou Memórias de uma ilha (crônica), Inkuna Minha Terra (contos), Sumaúma (poesia), A Prece dos Mal Amados (romance), A sonhar se fez verdade, Jindunguices (contos - Prêmio Sagrada Esperança), A Seiva.

As informações a seguir foram retiradas do sítio da União dos Escritores Angolanos - http://www.uea-angola.org/bioquem.cfm?ID=30

Nome: Manuel FRAGATA DE MORAIS
Data Nascimento: 1941-11-16
Naturalidade: Uíge
Gênero Literário: Prosa

Manuel Augusto Fragata de Morais, de seu nome completo, nasceu na Província do Uíge. Seus primeiros escritos aparecerm na década de sessenta em Paris, onde igualmente frequentou a Universidade Internacional do Teatro, na qual trabalhou com André Louis Perinetti e Victor Garcia. (...)

Na Holanda, a convite do STAUT da Academia de Artes Dramáticas daquele país da União Europeia, escrever, realizou e encenou seus trabalhos pioneiros de teatro infantil, que levaram o nome genérico de ‘Gupia’ . Os mesmos foram apresentados no Holland Festival e no Berlin Kinder Und Jugendtheater, em 1971. No seu próprio grupo teatral, The Frist Company, realizou, encenou e actuou em “The Indian Wants the Bronx” de Israel Horowitz, “Fando e Lis” de Arrabal, bem como “The Hole”, “Agonies “ e “Sketches”, todos da sua autoria. (...)

Em 1972 – 75, frequentou a Nederlandse Film Akademie, produzindo para a televisão holandesa, documentários sobre Angola em 1974, bem como em 1975. Seus contos e poemas foram publicados em revista e jornais holandeses, estando incluídos em duas antologias, uma de escritores angolanos e outra de escritores de língua portuguesa. É cronista do Jornal de Angola, membro da União dos Jornalistas de Angola, membro da União dos Escritores Angolanos e Vice – Ministro da Educação e Cultura.

Sobre a sua obra Inkuna – Minha Terra, lançada em 1997, o conceituado escritor Angolano, Henrique Abranches, diz o seguinte: “Esta pequena obra do escritor Fragata de Morais constitui para mim uma leitura penosa de onde sai deprimido, não porque eu não conhecesse que a verdade está por trás de muitas das suas estórias, como todos nos que não andamos a dormir conhecemos tão bem. Mas ele soube ser doloroso por vezes ousadamente controverso, quase provocatório. A coragem que passa nalguns dos seus contos, como “Jogo de Xadrez”, ou as “Amizades”, tem traça de um combatente , de alguém que não quer ser derrotado, porque não acha justo, e embora não saiba triunfar, soube ver e sofrer com o que viu ( Martinha), é um bom exemplo, entregando ao leitor a batata quente...

África e Africanidades - Afro-Brasileiros: Construindo e Reconstruindo os Rumos da História

Prezados,

Em novembro será publicada a 7ª edição da Revista África e Africanidades, trazendo o especial Afro-Brasileiros: Construindo e Reconstruindo os Rumos da História, no qual homenageará personalidades negras de todo o Brasil, sendo estes anônimos ou famosos, mas que foram responsáveis a nível micro ou macro pela construção e reconstrução de nossa história. O objetivo é fomentar e divulgar a ação de personagens negros na História do nosso país nos mais diversos aspectos políticos, culturais, sociais dentre outros.

A homenagem também se constitui num importante espaço para a divulgação das histórias e atores locais deste vasto território que é o Brasil, com multiplas facetas, histórias, experiências e olhares.

A participação de docentes da Educação Básica será extremamente bem-vinda para a ampliação do debate e da troca de experiências pedagógicas.

As contribuições (podendo ser estas em forma de contos, prosa e versos) devem ser encaminhadas até o próximo dia 25 de setembro e o resultado da seleção será divulgado em 20 de outubro.
Resenhas e artigos acadêmicos deverão seguir as regras para publicação disponível em nosso site.

Para conhecer a Revista África e Africanidades acesse www.africaeafricanidades.com

Cordialmente,
Nágila Oliveira dos Santos
Diretora / Editora

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

África e Africanidades - dez conferências sobre História da África

clique na imagem para ampliá-la.


fonte: e-mail gentilmente enviado pela organização do evento em 30 de agosto de 2009.


Boaventura Cardoso - Mãe, Materno Mar (Lançamento Livro-RJ)

O Consulado Geral de Angola no Rio de Janeiro e o Setor de Literaturas Africanas (UFRJ) convidam para o lançamento da edição brasileira de

Mãe, Materno Mar,
romance do escritor angolano Boaventura Cardoso,

Dia 5 de setembro de 2009, sábado, das 14h às 16h, no
Espaço Cultural do Consulado Geral de Angola do Rio de Janeiro
Av. Presidente Wilson, 113 - Loja A- Centro - Rio de Janeiro
Fonte: e-mail gentilmente enviado pela Profa. Dra. Carmen Lucia Tindó Secco (UFRJ)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

José Luis Hopffer C. Almada - Praianas (livro)

Novo livro de poesia do cabo-verdiano José Luis Hopffer C. Almada, Praianas, publicado pela Spleen Edições (Cidade da Praia-Cabo Verde), com ilustração de capa de Abraão Vicente.


Nasceu no sítio de Pombal, Concelho de Santa Catarina, ilha de Santiago, Cabo Verde (1960). Reside actualmente em Lisboa.
Associado a diversas iniciativas culturais em Cabo Verde, como o Movimento Pró-Cultura (1986), o suplemento cultural Voz di Letra do jornal Voz di Povo (1986-1987) e a revista Pré-Textos; director da revista Fragmentos (1987-1998); co-fundador da Spleen-Edições (1993) e dirigente da Associação de Escritores Cabo-Verdianos (1989-1992/1998).
Participação regular em colóquios, em diversos países, como Senegal, Cuba, Bélgica, Brasil, Angola, Portugal, Holanda, Suíça, Moçambique; colaboração assídua em jornais e revistas literárias e jurídicas, com destaque para Fragmentos, Pré-Textos, Direito e Cidadania, Lusografi as, A Semana, Liberal-Caboverde.
Representado em diferentes antologias poéticas estrangeiras.
Organizou Mirabilis – de Veias ao Sol (Antologia dos novíssimos poetas cabo-verdianos (1998) e O Ano Mágico de 2006 – Olhares Retrospectivos sobre a História e a Cultura Cabo-Verdianas (2008). Publicou: livros de poesia – À Sombra do Sol, I e II, (1990); Assomada Nocturna (1993) e Assomada Nocturna – Poema de NZé di Sant’ y Águ (2005); ensaio: separata – Orfandade e Funcionalização Político-Ideológica nos Discursos Identitários Cabo-Verdianos (2007).
Utiliza os nomes literários Nzé di Santý Águ, Zé di Sant´y Águ, Alma Dofer Catarino, Erasmo Cabral de Almada (poesia), Tuna Furtado (artigos e ensaios) e Dionísio de Deus y Fonteana (crónica literária e prosa de ficção).

Texto da orelha do livro:
A filiação literária de “Praianas”, como acontecia com Assomada Nocturna, pode (...) situar-se entre a épica do século XX e o Bildungsroman realista defi nido por Bakhtin. Quanto a este aspecto, e a propósito ainda de Assomada Nocturna, Inocência Mata afi rmou precisamente que o tempo revivido por NZé di Sant’y Águ “pode considerar-se a fase de «conhecimento do mundo»”; daí que fosse esse um tempo “cujo signifi cado não terá sido entendido no presente daquele passado e que o sujeito quer recuperar na sua significação histórica”, como é comum suceder no Bildungsroman realista. Já se pensarmos noutras revisitações, mais ou menos épicas, aos lugares da formação pessoal ou colectiva, poderemos encontrar afi nidades entre estes dois
livros cabo-verdianos e um Cahier d'un Retour au Pays Natal, de Césaire, um Éloges ou um Anabase, de Perse, ou mesmo um Paterson, de William Carlos Williams. Com este, além do recurso ao collage, há a coincidência do topónimo e do antropónimo, já que “NZé di Sant’y Águ” é também um pseudónimo
gentílico. A propósito de Perse, podemos servir-nos criticamente da asserção de Ana Mafalda Leite que diz ser o franco-caribenho autor da “épica possível de um ocidental, distanciado já de um sentido histórico romântico”: é certo que NZé di Sant’y Águ se destina africano e que os processos de nation building são precisamente românticos, mas quer a geral condição pós-moderna, quer a qualidade teoricamente crioula e historicamente diaspórica do Arquipélago, quer ainda, sem fantasmagórica máscara greco-latina, a biografi a
europeia de J. L. Hopffer C. Almada distanciam o autor de “Praianas” do casticismo folclórico oitocentista. Sobre a herança do martinicano, enfi m, devemos recordar a entrevista do autor a Michel Laban: no período pós-independência, explica Almada, “fazíamos como que uma conjugação entre o surrealismo na forma (…) e um certo engajamento político –, até que descobrimos Aimé Césaire e chegámos à conclusão que (…) essa conjugação era possível...”. A incrustação de frases ou versos alheios no corpo do poema, a recorrência da
anáfora e do discurso metafórico, a exuberância e a virulência vocabulares, a encenação articulada de ambientes rurais e urbanos, a consciência política africanista e libertária ou o recurso à arma miraculosa da cultura ocidental (como queria também T. Tio Tiofe) são partes do património comum aos dois poetas insulares.

Por sua vez, os sucessivos Leaves of Grass, de Walt Whitman, The Cantos, de Ezra Pound, ou oesía Vertical, de Roberto Juarroz, partilham com “Praianas” esse estatuto de work in progress adquirido nas alterações, acrescentamentos ou restaurações progressivos de um projecto iniciado cedo na vida literária do autor – no caso vertente, com a redacção, em Leipzig, no início dos anos 80, da primeira versão de Assomada Nocturna.

In Posfácio de Rui Guilherme Gabriel


Fonte: e-mail enviado pelo próprio autor em 26/08/2009.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

África e Africanidades - sétima edição

Prezados,

Está no ar a sétima edição da revista acadêmica África e Africanidades – www.africaeafricanidades.com

Trata-se de um periódico on-line com acesso totalmente gratuito e que tem por objetivo o fomento e a divulgação de produções sobre literatura, cultura e história africana, afro-brasileira, afro-americana e afro-latinas bem como o subsídio de docentes e discentes da educação básica.

Nesta edição, na coluna de crítica literária aproveito para comentar o livro “Poemas” de Arménio Vieira, escritor cabo-verdiano galardoado com o Prêmio Camões na sua edição de 2009. Alguns dos artigos analisam “A Gloriosa Família” de Pepetela, “A vida verdadeira de Domingos Xavier” de Luandino Vieira, a obra de Corsino Fortes, “O Nascimento de um Mundo” de Mário Lúcio Sousa, “Um rio chamado tempo, uma casa chamada Terra” de Mia Couto, um panorama do lirismo literário moçambicano a partir das obras de Eduardo White, Mia Couto e Glória Santana, a são-tomense Conceição Lima aparece em dois tempos: um analisando sua poesia e em outro comparando-a com Miriam Alves, e análise de “Viragem” de Castro Soromenho.

O índice dos artigos com seus respectivos autores está discriminado abaixou ou acesse http://www.africaeafricanidades.com/sumario.html

Participe da próxima edição da Revista África e Africanidades enviando artigos e resenhas até o dia 01 de outubro para o e-mail editorial@africaeafricanidades.com. Conheça as normas para envio em nosso site.

Abraços,
Ricardo Riso



ARTIGOS

Ações afirmativas e cultura da avaliação: o Programa Conexões de Saberes em questão
Bruna Tarcília Ferraz - Universidade Federal de Pernambuco / Universidade Federal de Pernambuco

A historicidade do discurso identitário de Pepetela na obra: “A Gloriosa Família”
Patrícia Martins Alves do Prado - Universidade Estadual de Goiás

A poesia africana de língua portuguesa: compromisso com a negritude. Diálogo com a poesia brasileira
Rubens Pereira dos Santos - Universidade Estadual Paulista/ Assis

A questão fundiária na comunidade quilombola remanescente: um estudo das relações educativas no Quilombo de Santana
Henrique Dias Gomes de Nazareth e Ricardo Luiz da Silva Fernandes - Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro e Universidade de Aveiros

A terra, o homem e a luta em A vida verdadeira de Domingos Xavier, de Luandino Vieira
Isabelita Maria Crosariol - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

Cantar dos sonhos: a representatividade lírica no panorama literário moçambicano
Guilherme de Sousa Bezerra Gonçalves - Universidade Federal do Rio de Janeiro

Capoeira angola e literatura popular: marcas da tradição oral afro-brasileira
Carla Alves de Carvalho Yahn - Universidade Estadual Paulista/ Assis

Compromisso com a resistência negra na Educação Infantil
Ellen de Lima Souza - Universidade Federal de São Carlos

Congresso Nacional do Negro de 1958
Arilson dos Santos Gomes - Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul

Corsino Fortes: para uma celebração da poesia caboverdiana
Rosidelma Pereira Fraga - Universidade Federal de Goiás

Discursos e representações sociais da África nos enredos das escolas de samba da cidade do Rio de Janeiro
Cristiano Pinto de Moraes Bispo - Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Etnicidade e memória entre quilombolas em Irará – Bahia
Jucélia Bispo dos Santos - Faculdade Nobre de Feira de Santana

Eu tenho medo: intolerância religiosa, aos moldes do apregoado durante a Idade Média
Alexandre de Oliveira Fernandes e Ricardo Oliveira de Freitas - Universidade Estadual de Santa Cruz / Universidade Estadual de Santa Cruz

Filosofia Africana na Poesia Afrobrasileira
Luis Carlos Ferreira dos Santos - Universidade Federal da Bahia

Movimento negro no Brasil: mobilização social e educativa afro-brasileira
Ricardo Luiz da Silva Fernandes - Universidade de Aveiro

Nas terras do cacau: religiosidade, mulher negra e comunidade
Cristiane Batista da Silva Santos - Universidade do Estado da Bahia

O design da alma - o legado do axé dos mestres e mestras dos saberes e fazeres afro-brasileiro
Jaime Sodré - Universidade do Estado da Bahia / CEFET-BA

O harmonioso contato entre a palavra e o som: Mario Lúcio de Sousa e seu Nascimento de um mundo
Patrícia Camargo - Universidade Federal Fluminense

O intricado jogo entre a pátria e a língua na poesia de Conceição Lima
Patrícia Ribeiro - Universidade Federal de Juiz de Fora

O Romance Viragem e a desmistificação da propaganda de África do Estado Novo Português
Carlos Peicy - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

Os sonhos no olhar de um povo aberto à natureza da Terra
Ajibola Isau Badiru - Universidade de São Paulo

Ticumbi: lembranças de uma África no Espírito Santo
Adriana Pereira Campos e Fabíola Martins Bastos / Universidade Federal do Espírito Santo e Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia do Espírito Santo

Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra: entre as tramas da tradição e a urdidura da modernidade
Jaqueline Teodora Alves Cardoso - Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

RESENHA

Desigualdades raciais e segregação urbana em capitais antigas: Salvador, cidade D´Oxum e Rio de Janeiro, cidade de Ogum
Vanessa Santos do Canto - Universidade do Estado do Rio de Janeiro

COLUNAS

Corpo: Som e Movimento
AIÚ: A herança africana dos jogos de mancala no Brasil
Denise Guerra - Secretaria Municipal de Educação de Queimados

Crítica Literária
Arménio Vieira – liberdade e coerência na poesia do poeta-gato cabo-verdiano
Ricardo Riso - Universidade Estácio de Sá

Finanças
Sua reserva financeira não é intocável
Marcelo Fernando Theodoro

Literatura Afro-Brasileira
Entrançados dizeres poéticos femininos Breve leitura de poemas de Conceição Lima (São Tomé) e Miriam Alves (Brasil)
Assunção de Maria Souza e Silva - Universidade Estadual do Piauí

ENTREVISTAS
Alexandre Garnizé: luta contra as almas sebosas no cinema e na vida real
Por André Luiz dos S. Silva

Matchume Zango
Por Denise Guerra

terça-feira, 25 de agosto de 2009

África & Brasil: imagens em debate (UFRJ)

Coordenadores: Carmen Tindó, Edna Bueno e Maria Teresa Salgado

Ementa: Ciclo de debates, a partir de curtas e médias-metragens, cujo objetivo é pôr em discussão aspectos literários, históricos, antropológicos, religiosos, enfim, questões culturais relacionadas ao continente africano em sua relação com o Brasil, buscando a desconstrução de estereótipos, apontando os múltiplos campos de trocas culturais entre a África e o nosso país, evidenciando, sobretudo, a pluralidade e a riqueza cultural do continente.

Vagas: 50 ou mais (O curso será no auditório do G1 - Faculdade de Letras/UFRJ)
Dias da semana: Quartas (agosto, setembro e 1ª sem de outubro)
Horário: 13: 30 às 15:30
Período: (9 encontros)

Programa:
12/08 – Oxalá cresçam pitangas
- Uma visão de Luanda na contemporaneidade: os conflitos, sonhos e problemas nos depoimentos de seus habitantes.
Debatedor: Ondjaki - escritor e cineasta angolano

19/08 – O Jongo na Serrinha - Um tributo a mestre Darcy - O jongo, suas origens e sua história em uma das principais comunidades do estado do Rio de Janeiro.
Debatedor: Lúcio Sanfillippo (músico e professor de música e danças brasileiras)

26/08 – Fogata - A cultura e a Literatura moçambicanas discutidas a partir da exibição de um curta-metragem adaptado do conto A fogueira, do escritor Mia Couto.
Debatedora: Carmen Tindó (Professora de Literaturas Africanas)

02/09 – O roubo de uma máscara - A relação entre tradição e modernidade a partir de máscaras africanas
Debatedora: Luena Pereira (Pesquisadora e Professora de Antropologia)

09/09 – A Família Alcântara – A saga da Família Alcântara, cujos primeiros integrantes, descendentes de uma tribo angolana, chegaram escravizados ao Brasil.
Debatedora: Conceição Evaristo (Escritora)

1609 - A Festa – O encontro comemorativo dos descendentes de Francisco Félix de Souza, um descendente de escravos que se tornou um dos maiores traficantes do continente africano.
Debatedor: Rogério Athayde (Pesquisador e Professor de História)

23/09 – A dança das cabaças - Exu no Brasil – Um documentário poético que investiga a divindade africana Exu no imaginário popular brasileiro
Debatedor: Cláudio Falcão (Professor e pesquisador de História)

30/09 - O regresso de um aventureiro seguido de Os cowboys são negros - O primeiro western africano surgido na década de 60, anos da efervescência do cinema africano. O diálogo entre a África e os elementos cultuados do cinema americano em plena efervescência do cinema africano.
Debatedor: Clementino Júnior (Cineasta e produtor cultural)

07/ 10 - A árvore dos antepassados - A importância dos antepassados na tradição oral.
Debatedora: Laura Padilha (Professora de Literaturas Africanas).

Material necessário: data-show, telão.

Sinopse dos Filmes
Oxalá cresçam pitangas (Angola, 2006)
De Ondjaki e Kiluanje Liberdade, DVD, 62 min
Um filme em Angola, sobre Luanda, depois de 30 anos de independência e de três anos de paz. Cruzamento de várias realidades e gentes de todas as províncias, numa metrópole de mais de três milhões de habitantes. A alegria, o ritmo, a graça e a desgraça de viver em Luanda.“Oxalá cresçam pitangas” revela a realidade por detrás da permanente fantasia luandense. Dez vozes vão expondo com ritmo, dignidade e coerência, um espaço ocupado por várias gerações e dinâmicas sociais complexas. Luanda ainda não havia sido filmada sob esta perspectiva realista e humana: conflitos entre a proliferação do setor informal, as desilusões e as aspirações, o questionamento do espaço urbano e do futuro de uma Angola em acelerado crescimento.

O Jongo na Serrinha - Um tributo a mestre Darcy (Brasil, 2005).
De Beatriz Paiva, DVD, 35 min
O filme é um Tributo ao Mestre Darcy do Jongo que, juntamente com sua mãe Vovó Maria Joana iniciaram um movimento de transformação do jongo que sua família viveu em fazenda do Vale do Paraíba, para que esta manifestação não se extinguisse e se tornasse acessível às gerações seguintes, se adaptando inclusive aos palcos. Por causa deste movimento, iniciou-se um processo de valorização de comunidades jongueiras por todo o sudeste e um resgate cultural incomensurável que culminou com o tombamento do Jongo como patrimônio imaterial da Humanidade.

Fogata (Moçambique, 1992)
De João Ribeiro, DVD, 18 min.
Fogata, adaptado do conto A Fogueira, de Mia Couto, expõe a tensão entre a representação no cinema e a arte de contação de histórias da tradição oral africana. As vidas são retratadas de uma perspectiva realista, ainda que com sua magia, se situando, assim, entre a fantasia e as narrativas populares realistas. A forma poética do conto A Fogueira, na sua expressão literária, volta sua atenção para a oralidade de forma muito bem sucedida.
O roubo de uma máscara (L’ envol d’un masque - Burkina Fasso, 1995)
De Phillippe Cassard, DVD, 30 min.
A encenação leve e bem humorada do dilema tradição/ modernidade faz dessa fábula moderna um documento de descoberta da África pela juventude.

A Família Alcântara (Brasil, 2004)
De Daniel Solá Santiago e Lilian Solá Santiago, DVD, 54 min.
Um documentário de longa-metragem foi rodado em João Monlevade, município a 100 km de Belo Horizonte. Família Alcântara é o nome da obra, que leva a assinatura de Daniel Solá Santiago e Lilian Solá Santiago, seus produtores e diretores. O trabalho dos Santiagos, ao contrário do que o título pode sugerir, não se resume à história de um grupo familiar. Em sua realização, ele teve de dar conta de um quadro amplo e muito complexo. Santiago escolheu levar para a tela uma epopéia cultural que teve início em Minas Gerais há 240 anos. Em 1760 os primeiros Alcântara chegaram escravizados ao Brasil. Eram integrantes de uma tribo angolana, os wasili, que viviam em terras próximas de Luanda, atual capital de Angola. De etnia banto, esses escravos wasili foram levados para Minas e postos a trabalhar em plantações de cana-de-açúcar.

A Festa (Portugal - África, 2006)
De Joana da Cunha Ferreira, DVD, 52 min
Um filme sobre Francisco Félix de Souza, Chachá I, que morreu nonagenário em Ajudá, no ano de 1849, rodeado de uma muito extensa família, de várias mulheres, filhos, filhas e corte. A sua fama como traficante de escravos já tinha atingido tais proporções que os abolicionistas ingleses acreditaram que, com a morte de Souza, acabaria o tráfico de escravos. Em Ajudá, onde Francisco se instalou e enriqueceu, os mortos não são considerados mortos, vivem ao nosso lado enquanto quisermos. Ali, como aqui, enquanto houver quem nos recorde, continuamos a ser e a nossa história a crescer.

A dança das cabaças – Exu no Brasil (Brasil, 2006)
De Kiko Dinucci, DVD, 54 min
Trazido pelos escravos com outros Deuses do panteão Yoruba, Exu foi colocado à margem e passou por um processo de demonização que se inicia na missão católica na África e se estende no período colonial brasileiro, onde seus atributos originais foram ocultados. Exu que na África era caracterizado como o princípio da vida, a força que move os corpos, a dinâmica, o senhor dos caminhos e das encruzilhadas, a principal ponte entre os mortais e as divindades que habitam o além, passa a ser visto como a personificação do mal perante o modelo cristão, devido ao seu seu símbolo fálico e seu comportamento astucioso.Dirigido por Kiko Dinucci, o filme passa pelas diversas vertentes das religiões afro-descendentes, dos candomblés (de tradição Nagô, Gege, Bantu), Tambor de Mina, passando pela Umbanda e Quimbanda. Dança das Cabaças-Exu no Brasil conta com participações de Sacerdotes e estudiosos.

O Regresso de um Aventureiro (Le Retour d´un Aventurier, Nigéria, 1966).
De Moustapha Alassane, DVD, Cor, 34 min.
De regresso de uma viagem aos Estados Unidos, um jovem nigeriano oferece aos amigos da sua aldeia equipamentos de cowboys. A gangue vai perturbar a vida da aldeia e vai transformá-la numa cidade do velho oeste americano.

Os Cowboys São Negros (Les Cow-Boys Sont Noirs, França, 1966)
De Serge-Henri Moati, DVD, p&b, 15min.
Moustapha Alassane, cineasta nigeriano, realizou "O Regresso de um Aventureiro", primeiro western africano. Este filme conta a história da gravação deste filme de ação e de amor e mostra-nos como é tênue a fronteira entre a realidade e a ficção, o cinema e a vida.

A árvore dos antepassados (Moçambique, 1994)
De Licínio Azevedo, DVD, 50 min
Em 1984 quando a guerra atingiu a província de Tete, no norte de Moçambique, Alexandre Ferrão foi escolhido pelos tios para levar a família para Malawi. Os que agüentavam caminhar e as crianças foram com ele. Dez anos depois, com o fim da guerra, Alexandre decidiu que era hora de regressar para se reconciliarem com a árvore dos antepassados. Este filme vê a história da viagem de regresso à casa da família.

Fonte: http://www.letras.ufrj.br/index.php?option=com_content&task=blogcategory&id=58&Itemid=73

Representações de África na Literatura Infantil e Juvenil (UFRJ)

CURSO DE EXTENSÃO – 2009/2
Local: Faculdade de Letras da UFRJ - Setor Cultural da Faculdade de Letras sala D-116

Coordenadora: Cristiane Madanêlo (UFRJ)

EMENTA: Imagens de África e Literatura. Desdobramentos da lei 11645 para a educação. Espaço africano como cenário. Olhar literário e cultura africana. Múltiplos traços da escravidão. África e Brasil em diálogo pelas letras. Literatura em sala de aula: rompimento de preconceitos.

VAGAS: 40
DIAS DA SEMANA: quintas-feiras
HORÁRIO: de 13h 30 min às 15h
PERÍODO: de 03 de setembro a 29 de outubro

Material: data-show, quadro e giz.

Programação:
03/09 - "As representações de África na Literatura Infantil e Juvenil contemporânea" - Cristiane Madanêlo (UFRJ)

10/09 - "Ciclo da vida: interação entre a natureza e o africano" - Denise Santos (UFRJ)

17/09 - "A força da palavra nas culturas africanas" - Julia Rodrigues (UFRJ) e Flavia Gomes (UNIGRANRIO)

24/09- "O olhar literário sobre a família africana" - Carla Jarlicht (PUC-RJ)

01/10 - "A mitologia africana em sala de aula" - Claudio Lourenço(UFRJ)

08/10 - "As marcas da escravidão" - Vitor Rebello (UCP)

15/10 – Feriado do dia dos professores

22/10 - "Dinamizando leituras em sala de aula" - Todo o grupo de professores

29/10 - "África e Brasil: diálogos literários" - Cristiane Madanêlo


Fonte: e-mail gentilmente enviado pela Julia Rodrigues (UFRJ), em 24/08/2009.