sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Cafundó - exibição de filme e debate em seguida, Faculdade de Letras/UFRJ


E-mail gentilmente enviado pela Profa. Dra. Maria Teresa Salgado (UFRJ), em 09/10/2009.

Cuti - Quebranto

às vezes sou o policial que me suspeito
me peço documentos
e mesmo de posse deles
me prendo
e me dou porrada

às vezes sou o porteiro
não me deixando entrar em mim mesmo
a não ser
pela porta de serviço

às vezes sou o meu próprio delito
o corpo de jurados
a punição que vem com o veredicto

às vezes sou o amor que me viro o rosto
o quebranto
o encosto
a solidão primitiva
que me envolvo com o vazio

às vezes as migalhas do que sonhei e não comi
outras o bem-te-vi com olhos vidrados
trinando tristezas

um dia fui abolição que me lancei de supetão no espanto
depois um imperador deposto
a república de conchavos no coração
e em seguida uma constituição
que me promulgo a cada instante

também a violência dum impulso
que me ponho do avesso
com acessos de cal e gesso
chego a ser

às vezes faço questão de não me ver
e entupido com a visão deles
sinto-me a miséria concebida como um eterno começo

fecho-me o cerco
sendo o gesto que me nego
a pinga que me bebo e me embebedo
o dedo que me aponto
e denuncio
o ponto que me entrego

às vezes...

CUTI. Quebranto. In: Negroesia. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2007. pp.53-54.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

África-Brasil - caminhos da língua portuguesa (livro)

Organização: Charlotte Galves, Helder Garmes e Fernando Rosa Ribeiro

Este volume reúne os textos das conferências e mesas-redondas convidadas no colóquio Caminhos da língua portuguesa: África–Brasil, realizado na UNICAMP de 6 a 9 de novembro de 2006, no âmbito das comemorações dos 40 anos da Universidade. Na ocasião, reuniram-se historiadores, lingüistas e teóricos da literatura para juntos multiplicarem os olhares e deslocarem os pontos de vista sobre as complexas relações estabelecidas na expansão da língua portuguesa e seu embate com as línguas africanas no processo de colonização da África e da América. Nas páginas que nasceram desse diálogo, mais do que interdisciplinaridade, se encontra forte transversalidade, um entremeado de vozes distintas, mas que se fazem ecos repetidamente umas às outras.

ISBN 978-85-268-0838-6
Páginas: 280
Edição: 1
Tam: 16x23 cm
Ano: 2009

Fonte: http://www.editora.unicamp.br/detalhe.asp?referencia=1298

Coleção "Retratos do Brasil Negro" (lançamento)

Coleção "Retratos do Brasil Negro" (Livraria Argumento Leblon)
08/10/2009 às 19h
Nesta noite, vários autores e homenageados se reúnem na sessão de autógrafos que enaltece a raça negra no país. Entre os convidados, estará Nei Lopes, que assina sua biografia. Ed. Summus.

SETE VENTOS (Teatro)

Vamos falar do que nós somos feitas?
“SETE VENTOS” é um monólogo teatral escrito por uma mulher a partir de várias outras mulheres. É baseado em relatos de mulheres negras e utiliza como referência o mito africano de Iansã. Traz a atuação da atriz Débora Almeida, autora e encenadora da obra, com supervisão cênica da diretora Aduni Benton.
A história contada no espetáculo é a da personagem Bárbara, uma escritora negra, filha de Iansã, que, junto ao público conta e revive as histórias das mulheres que influenciaram a sua vida.
A proposta de “SETE VENTOS” é trazer à cena personagens femininas que se identifiquem com o universo da mulher brasileira, traçando um diálogo entre a contemporaneidade e a ancestralidade. Através das relações entre essas mulheres pretendemos mostrar a influência das histórias vividas pelos nossos antepassados sobre nós e a força que adquirimos quando conhecemos e valorizamos essas histórias.


Iansã, deusa dos raios e dos ventos, é a base inspiradora de cada uma dessas personagens. Ela é a síntese da mulher contemporânea em sua luta pela independência e pela feminilidade.
Para aproximar a platéia do universo da história, escolhemos uma estética que valoriza o encontro, aproximando a atriz contadora de histórias e a platéia. Fazendo com que o público sinta-se como se estivesse na sala de uma casa, conversando com uma amiga ou revivendo os momentos em que passamos no colo de nossas mães, tias e avós, enquanto ouvimos histórias e recebemos cafuné .
SETE VENTOS é um espetáculo feminino que propõe, através da realidade e da poesia um encontro entre homens e mulheres, independente de seu grupo étnico, cultural, social e econômico.
Sinopse
A peça é um monólogo teatral baseado em depoimentos de mulheres reais e no mito de Iansã, deusa negra dos ventos, mostra Bárbara, uma escritora, que narra a sua trajetória de vida até o dia em que encontra com Iansã. Refazendo esse trajeto, ela relembra e revive fatos e encontros com algumas mulheres que a influenciaram. A atriz reveza-se entre várias personagens e as mulheres apresentadas representam algumas qualidades de Iansã. Há também música e dança.

Débora Almeida
É atriz formada pela UNI-Rio. Participou de vários espetáculos entre os anos de 1994 e 2000. Em 2001 começa a dedicar-se à cultura negra, integrando a primeira formação da Cia dos Comuns, Cia de teatro dirigida por Hilton Cobra, que tem como objetivo divulgar a cultura afro-brasileira. Junto à Cia dos Comuns participou dos espetáculos “A Roda do Mundo”(2001/2002), “Candaces- A Reconstrução do Fogo”(2003/2004- Prêmio Shell de Música) e “Bakulo- Os Bem Lembrados”, dirigidos por Marcio Meireles e “Silêncio”(2008/2009), dirigido por Hilton Cobra. Na Cia dos Comuns, Débora atua como atriz, produtora, pesquisadora e colaboradora dramatúrgica. No cinema participou dos filmes “Jogo de Cena”(2008), de Eduardo Coutinho, “Freiheit- Crimes de Ódio”(2008), de Patrícia Freitas, “Bairro Feliz”(2000), de Leonardo Copello Pirovano e Ricardo Prego e “Alma Suburbana”(2008), de Luis Claudio Lima. Na televisão participou dos programas “Sob Nova Direção”(2005), “Turma do Didi”(2001) e das novelas Caras e Bocas(2009) e Malhação(2004). Débora também dedica-se à dança afro e contemporânea desde 2001.

Ficha técnica
Texto, encenação e atuação: Débora Almeida
Supervisão Cênica: Aduni Benton
Coreografias: Gal Quaresma
Assistência Corporal: Denis Gonçalves
Trilha Sonora: Samantha Rennó e Raquel Coutinho
Iluminação: Jorge Raibott
Cenário: Derô Martim
Figurino: Jerry Fernando
Programação visual e fotografia: André Mantelli

Temporada
De 02 de outubro a 06 de novembro(excerto 23 de outubro)
Sextas-feiras às 21h
Local Teatro Gláucio Gil
Pça Cardeal Arcoverde, s/no, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ
Duração 60 minutos
Classificação etária:16 anos
Valor do ingresso:R$10,00


Contato
Débora Almeida
Tels: 21- 9762-4313 / 21- 2256-9499
e-mail:
debora.almeidarj@yahoo.com.br
Rua Figueiredo de Magalhães, 236, apto. 201, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ
CEP. 22031-012
http://seteventosespetaculo.blogspot.com
Fonte: e-mail enviado pela atriz Débora Almeida em 08/10/2009.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

João Melo - O homem que não tira o palito da boca (texto contracapa)

A seguir o texto da contracapa escrito pelo professor Pires Laranjeira para o quinto livro de contos de João Melo - O homem que não tira o palito da boca –, a ser publicado em Novembro, em Angola, Portugal e Moçambique.
O texto foi gentilmente enviado pelo escritor angolano João Melo em 07/10/2009.


SOMOS TODOS LOCALIZADORES

Um dos narradores deste novo livro do angolano João Melo diz que não é Maupassant, García Marquez ou Henry Miller, mas quase posso jurar que ele leu os três com prazer e proveito.
O autor usa uma linguagem magnificamente técnica, semiótica, de lógica formal e jurídica – obsessivamente perfeccionista, requintada, paranoicamente explicativa – para tratar de questiúnculas ou, pelo contrário, explicar formalmente, com uma lógica administrativa, a podridão familiar, política, económica, o quotidiano de miséria, prostituição, indecência, malfeitoria e sacanice (no Sambila e outros bairros) de pobres diabos e cidadãos abandonados pelos coevos.
Histórias de casais e traições (infidelidades) são uma das obsessões divertidas de Melo. E, depois, há o tema das raças, cores de pele, classes, mas também o do assassinato piedoso, entre tantos.
Mesmo brincando e gozando com tudo e com todos, pressente-se que disfarça o incómodo do sofrimento humano com esse riso, que, afinal, não passará de piedade compungida pelos semelhantes, mas não iguais – essa consciência da diferença social funda a auto-ironia que, afinal, é a mais funda (e disfarçada) estratégia da sua prosa cáustica, verdadeira soda agreste.
João Melo leva ao ponto de rebuçado o uso da teoria da literatura e da linguagem tecnocrata como subtexto para o humor: divertimo-nos tanto com as situações cómicas em que as personagens chafurdam quanto com os chistes semióticos dos narradores, que tratam o leitor (e a leitora) por tu.
Parece um ensaísta que perdeu o pé na ficção: dá, sempre negando que o faz, lições de moral e outras que tal, usa jargão escorreito, ficciona o ensaísmo e ensaia a escolástica. Não é para qualquer um, mas somente para um fauno das letras - como João Ubaldo Ribeiro ou Luiz Fernando Veríssimo -, que inventa a profissão de “localizador” de mulheres estrangeiras, em mais um dos seus inenarráveis tipos de caluandas.
Muita ironia – justa, amável - sobre Portugal (a “tugolândia”) ou o Brasil – esta, concupiscente e amabilíssima - e os EUA – verdadeiros bo(m)bos da festança, incluindo Bush. Sugiro, pois, que os leitores se tornem, digamos assim, “localizadores”.

Pires Laranjeira

João Melo: Crónica verdadeira da língua portuguesa

Poema gentilmente enviado pelo escritor e ensaísta angolano João Melo no dia 06/10/2009.

Crónica verdadeira da língua portuguesa

“A língua portuguesa é um troféu de guerra”
Luandino Vieira
A poetisa portuguesa
Sophia de Mello Breyner
gostava de saborear
uma a uma
todas as sílabas
do português do Brasil.

Estou a vê-la:
suave e discreta,
debruçada sobre a varanda do tempo,
o olhar estendendo-se com o mar
e a memória,
deliciando-se comovida
com o sol despudorado
ardendo
nas vogais abertas da língua,
violentando com doçura
os surdos limites
das consoantes
e ampliando-os
para lá da História.

Mas saberia ela
quem rasgou esses limites,
com o seu sangue,
a sua resistência
e a sua música?

A libertação da língua portuguesa
foi gerada nos porões
dos navios negreiros
pelos homens sofridos que,
estranhamente,
nunca deixaram de cantar,
em todas as línguas que conheciam
ou criaram
durante a tenebrosa travessia
do mar sem fim.

Desde o nosso encontro inicial,
essa língua, arrogante e
insensatamente,
foi usada contra nós:
mas nós derrotámo-la
e fizemos dela
um instrumento
para a nossa própria liberdade.

Os antigos donos da língua
pensaram, durante séculos,
que nos apagariam da sua culpada consciência
com o seu idioma brutal,
duro,
fechado sobre si mesmo,
como se nele quisessem encerrar
para todo o sempre
os inacreditáveis mundos
que se abriam à sua frente.

Esses mundos, porém,
eram demasiado vastos
para caberem nessa língua envergonhada
e esquizofrénica.

Era preciso traçar-lhe
novos horizontes.

Primeiro, então, abrimos
de par em par
as camadas dessa língua
e iluminamo-la com a nossa dor;
depois demos-lhe vida,
com a nossa alegria
e os nossos ritmos.

Nós libertámos a língua portuguesa
das amarras da opressão.

Por isso, hoje,
podemos falar todos
uns com os outros,
nessa nova língua
aberta, ensolarada e sem pecado
que a poetisa portuguesa
Sophia de Mello Breyner
julgou ter descoberto
no Brasil,
mas que um poeta angolano
reivindica
como um troféu de luta,
identidade
e criação.

02.10.09

domingo, 4 de outubro de 2009

Cuba, uma odisseia africana (documentário)

Um documentário interessante a respeito dos países africanos no Festival do Rio de Cinema: CUBA, UMA ODISSÉIA AFRICANA. Trata-se da importante contribuição cubana durante as guerras coloniais e nos primeiros passos da construção dos países africanos independentes.

Nas Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, o escritor Ondjaki recria com apego a presença dos cubanos nos sistemas educacional e de saúde angolanos, em seus três livros publicados no Brasil: Bom dia Camarada (Agir), Os da minha rua (Língua Geral) e Avódezanove e o segredo do soviético (Cia. das Letras).

O documentário ainda terá três exibições até o final do Festival, no dia 8/10. Dias, cinemas e horários encontram-se no final do texto.

Ricardo Riso

Cuba, uma odisséia africana

"O que é importante para a unidade é a ideologia não a geografia"
Out-door monumental com Agostinho Neto, (do MPLA - Movimento Popular de Libertação de Angola, primeiro presidente de Angola e morto em 1979) e Fidel Castro (líder da revolução cubana).

Sinopse: Durante a Guerra Fria, a África tornou-se um amplo campo de disputa entre interesses conflitantes. Os soviéticos queriam expandir sua influência para um novo território, os EUA planejavam se apropriar das riquezas do continente, e os antigos impérios europeus viam seu poder colonial se dissipar. Precisando defender a independência recém adquirida, as jovens nações africanas foram buscar apoio junto à Cuba de Fidel Castro. Através de depoimentos de envolvidos, o filme lança uma perspectiva histórica pouco explorada sobre os conflitos na África na segunda metade do século XX.

Amílcar Cabral, líder do PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e de Cabo Verde, morto em 1973), e Fidel Castro.

Biografia do diretor: Nascida no Libano, realizou um mestrado em Ciência Política na Universidade Americana no Cairo. Trabalhou como correspondente política no Oriente Médio para a Reuters, a US News e a World Report. Produziu e dirigiu diversos documentários, como House of Saud, Price of Aid, The tragedy of the Great Lakes, a série Israel and the Arabs, cujo livro derivado ela também co-escreveu.

Che Guevara (símbolo da revolução cubana) e Samora Machel (FRELIMO - Frente de Libertação de Moçambique, primeiro presidente do país e morto em 1986)

Titulo Original: Cuba, une odyssée africaine
Titulo em Inglês: Cuba: an Africain Odyssey
Classificação:16
Direção: Jihan El Tahri
Montagem: Gilles Bovon
Música: Les frères Guisse
País: França / Reino Unido
Ano: 2007
Duração: 118min

Mostra: Homenagem a ARTE
Em Exibição
Terça - 06/10/2009 Estação Botafogo 3 15:15:00 hs EB368
Terça - 06/10/2009 Estação Botafogo 3 19:15:00 hs EB370
Quinta - 08/10/2009 Instituto Moreira Salles 20:00:00 hs