sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Línguas Africanas no Brasil - curso na UNEB

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Fonte: e-mail gentilmente enviado pela Profa. Hildete Santos Costa em 19/02/2010.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Arménio Vieira - entrevista ao Jornal A Nação (Cabo Verde)

Artes & Cultura - 18 a 24/02/2010 Nº 129 Semanário A Nação, página 17

Artes & Cultura
Com Armênio Vieira

Uma conversa quinzenal entre João Branco e um artista cabo-verdiano, em tom descontraído, sobre a arte, a vida e as nossas pequenas inquietações. Desta vez, em exclusivo para A Nação, a conversa é com o poeta Arménio Vieira, já refeito da ressaca do Prémio Camões. Com revelações interessantes, entre as quais o facto de se ter casado quase em segredo. O Conde, na primeira pessoa.

“Sempre tive idéias para escrever e romances inventei mais de mil”
Ilustração: Abraão Vicente


A NAÇÃO - Uns meses depois de teres recebido o Prémio Camões, alguma coisa mudou na tua vida?
Arménio Vieira - Mudou. Agora sou casado, por exemplo.

Com contrato, papel passado e tudo? E a aliança, onde está?
Ah! Ela quer impingir-me isso mas eu sou refractário.

E como é que te convenceram a casar?
É um caso muito curioso, diria quase inédito. Primeiro, ela era virgem e isso foi também novo para mim. Depois a família dela, conservadora e tradicional, não aceitava que ela arranjasse um namorado. Namoro por namoro, não podia ser. Tinha que ser para casar.

Existe alguma poesia num contrato de casamento?
Existe o lado prático da coisa. E se eu morrer de repente, como é que fica? Pelo menos fica com a minha pensão, que é razoável. Ainda mais agora que vou ser um pai de sessenta anos.

A antecâmara da morte

Pensas muito na morte?
Isso é uma pergunta complicada. (Pausa) Quer dizer, não sou obcecado com a ideia da morte. Penso na antecâmara da morte. O Inferno que precede a morte. Por exemplo, a do Mário Fonseca. Para mim foi uma bela forma de morrer. Inconsciente, não teve dores físicas, que eu saiba, e morreu. Mas eu não tenho essa garantia, não é? Claro que me causa espécie, sim.

És daqueles que pensa que a morte é o fim do fim…
Estou convencido que o Homem é consciente desse facto. Não quer findar. E, em parte, as religiões existem por causa disso. Queremos ser imortais. Queremos continuar, eternamente. Olha, tenho um amigo estrangeiro que me dizia que preferia a ideia do Inferno do que a da morte total. Estás a ver, é terrível. Quer continuar vivo, mesmo que seja no Inferno. Dostoiewski, quando escreveu o livro “Memórias da Casa dos Mortos”, que não é uma ficção pois retrata o período em que ele esteve na Sibéria, demonstra issona perfeição. Havia lá coisas terríveis. Indivíduos que sobreviviam comendo insectos, num clima horrível, a falta de higiene, levavam pancada e, no entanto, faziam tudo para não morrer.

Faz parte da natureza humana, esse instinto pela sobrevivência.
Em Auschwitz praticamente não houve suicídios. As pessoas iam até à câmara de gás. Sempre na esperança de haver um milagre e se safarem. É terrível. Pensa num rato. O rato foge de quê? A vida de um rato é para quê? Eu não sei o que é ser rato mas no entanto passa a vida a correr para uns buracos, anda sempre assustado. E o maior inimigo é humano.

E o maior inimigo do Homem, continua sendo o Homem?
Não apenas, porque também é o maior amigo.

Ainda acreditas nisso?
Claro que sim. Somos amigos, não?

Claro.
E isso é bom, não é? É agradável. Estamos aqui na esplanada a conversar.

A tragédia como base da arte

O Inferno afinal já não é o outro?
O Inferno é muita coisa. Esta crise, por exemplo, é infernal e é provocada por intervenção humana.

As grandes obras artísticas não foram criadas em períodos de crise? Ninguém cria obras-primas quando está tudo bem…
O Mal é a base da grande arte. A tragédia. Mas qual era o lado bom da coisa? É uma espécie de purga.

Ou seja, tem que haver crise para haver criação…
Repara, o Inferno também é monótono. É sempre a mesma coisa: o homem a ser queimado, a ser torturado. A própria tortura não muda. Deviam ser várias torturas para cada homem. Pelo menos, que se variasse a tortura, a forma de passar mal, de sofrer, como acontece nos 120 dias de Sodoma.

Produção literária

Tens produzido mais por causa do Prémio Camões?
Nem por isso. Sempre tive ideias para escrever e romances inventei mais de mil. Mas essa história de pegar na pena, não sei. É preguiça. Antigamente, tinha mais prazer no acto da escrita. Mas eu sempre disse, por exemplo, que ler é para mim mais agradável do que escrever. Já fiz um poema sobre isso. Porque eu quando leio Odisseia, eu sou Homero. Quando eu escrevo o Hamlet, não me dá grande prazer. A ler dá.

E continuas a escrever poesia em SMS?
Continuo, sim. Não são grande coisa. Mas sempre me vou entretendo.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

IV Encontro de Professores de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa - 26 a 29 de outubro de 2010 - UFMG / PUC-Minas


África: dinâmicas culturais e literárias


A PUC Minas e a UFMG realizarão, no período de 26 a 29 de outubro de 2010, o IV Encontro de Professores de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, em continuidade à iniciativa da Universidade Federal Fluminense, que, em 1991, organizou o primeiro evento, seguido pelos encontros sediados pela USP em 2003 e pela UFRJ em 2007. No IV Evento será formalmente instalada a Associação Internacional de Estudos Literários e Culturais Africanos - AFROLIC.

O IV Encontro pretende constituir-se em um fórum de discussão sobre repertórios culturais pelos quais a África se faz conhecer, problematizando-os. Intenta rever, sob o signo da diversidade cultural, conceitos e idéias a partir dos quais o continente é comumente pensado. Nesse contexto, visa também refletir sobre os diálogos que a literatura e as outras artes têm promovido com os horizontes políticos e sociais.

Há na contemporaneidade uma descrença em relação ao futuro do planeta, associada ao chamado fim das utopias. Daí a necessidade de se discutirem projetos políticos ligados à questão da nação no domínio da literatura e das artes em geral.

Os repertórios culturais do continente pensam, com especificidade, essa questão, que se desdobra em outras. Que proposições e visões de futuro podem ser percebidas nos textos literários e artísticos em geral? Como as produções artísticas e críticas buscam responder aos desafios da contemporaneidade? De que maneira essas questões se relacionam com propostas de reciclagem das formas artísticas em sua relação com as novas tecnologias?

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Revista África e Africanidades - Ano 2 - n. 8, fev. 2010

Prezados,
Encaminho abaixo a relação de textos publicados na nova edição (Fevereiro / 2010) da Revista África e Africanidades.

Para acessar todo o conteúdo on-line visitar o site www.africaeafricanidades.com.

Lembro a todos que agora o site possui uma ferramenta de busca, localizada acima da logo, que permite que o usuário pesquise por autor, assunto ou palavra-chave dentro de todas as edições, agilizando e facilitando a disseminação de informação.

Os interessados em participar da próxima edição (Maio / 2010) deverão encaminhar artigos, resenhas, relatórios de pesquisa, opiniões até o dia 30 de março. O resultado do processo seletivo será divulgado no dia 30 de abril no site da Revista África e Africanidades. Vejam normas e linhas de pesquisa em nossa página na seção Normas.

Atenciosamente,
Nágila Oliveira dos Santos
Diretora / Editora

ARTIGOS
A construção da identidade afrodescendente
Helenise da Cruz Conceição - FAVIC / Brasil
Antônio Carlos Lima da Conceição - UFBA / Brasil

Águas de Oxum para um corpo contemporâneo
Nadir Nóbrega Oliveira - UFBA / Brasil

Axé-Axé: o megafenômeno baiano
Ianá Souza Pereira - UFBA / Brasil

Conhecimentos tradicionais de matriz africana e afro-brasileira no ensino de Ciências: um grande desafio
Douglas Verrangia - UFSCar / Brasil

Contribuições contra a invisibilidade e o silenciamento afro-descendente
Alexandre de Oliveira Fernandes - UNEB / Brasil

Cruzando olhares: figurações do narrador em “As duas sombras do rio”
Luana Antunes Costa - USP / Brasil

Direito e moral em “Ualalapi”
Esmeralda Simões Martinez - Universidade Clássica de Lisboa / Portugal

E quem disse que Chapeuzinho Vermelho não pode ser negra?
Paulo de Tássio Borges da Silva -UESB / Brasil

Identidade cultural: comunidades quilombolas do extremo sul da Bahia em questão
Eduardo Luis Biazzi de Abreu - FACTEF / Brasil

Jongo e resistência cultural
Luciana da Conceição Figueiredo - UCAM / Brasil

Lições da Mãe – África: uma performance desconhecida do ambientalismo africano
Maurício Waldman - UNICAMP / Brasil

Marias que venceram na vida: uma análise da ascensão da mulher negra via escolarização em Salvador, BA
Edilene Machado Pereira - PUC-SP / Brasil

O basquete de rua como manifestação da cultura corporal étnica em Salvador
Ruy J. Braga Duarte - UFBA / Brasil

O samba como resistência e reafirmação
Larissa Lisboa - UNICAMP / Brasil

Representações identitárias luso-angolana no tempo dos flamengos: A ressignificação histórico-ficcional e sócio-cultural em “A gloriosa família”
Isabel Leslie Figueirêdo de Menezes Lima - UFBA / Brasil

Tensões e desafios para a implantação da lei 10.639/03 no município de Itapetinga – BA
José Valdir Jesus de Santana - UFSCar / Brasil
Joeslei Santos Alves - UESB / Brasil

RESENHAS
A carne mais barata do mercado é a carne negra
Alex Santana França - UFBA / Brasil

O narrador oblíquo de Mia Couto: Venenos de Deus, Remédios do Diabo
Anselmo Peres Alôs - ISCTEM / Moçambique

COLUNAS

- CINEMA
À procura da felicidade
Roberto de Oliveira – Eddi MC

- CORPO: SOM E MOVIMENTO
Acalantos afro-brasileiros
Denise Guerra - SME de Queimados / Brasil

- CRÍTICA LITERÁRIA
“Praianas - Revisitações do Tempo e da Cidade”
Ricardo Riso - Universidade Estácio de Sá / Brasil

- LITERATURA AFRO-BRASILEIRA
Por dentro do "Caroço de dendê: a sabedoria dos terreiros", de Mãe Beata de Yemonjá
Assunção de Maria Sousa e Silva - UESPI e UFPI / Brasil

- MITOLOGIA AFRICANA
Mitos de Exu: entre ordenamento da estrutura e conduta social e história exemplar
Nágila Oliveira dos Santos - ESFLUP / Brasil

- PSICOLOGIA
Qualquer forma de amar vale a pena
Ana Luiza dos Santos Julio - Abrapso / Brasil

SALA DE AULA

- ATITUDE FILOSÓFICA
Filosofia de raiz africana como um pensamento da complementaridade
Luis Carlos Ferreira dos Santos - UFBA / Brasil

- POR DENTRO DA HISTÓRIA
O teatro de bonecos: uma metodologia de inserção da história das populações negras na sala de aula
Waldeci Ferreira Chagas - UEPB / Brasil

- PLANO DE AULA
Cooperação e Solidariedade
Luis Carlos Ferreira dos Santos - UFBA / Brasil

RELATÓRIO DE PESQUISA
Negros estão fora do parlamento brasileiro: balanço eleitoral do voto étnico negro presença dos negros no parlamento
Alexandre Braga e Adilson Nascimento - UNEGRO / Brasil

OPINIÃO
A guerra civil no Equador
Alexandre Braga - UNEGRO / Brasil

Cadernos África e Africanidades

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

curso de pós-graduação lato sensu “RELAÇÕES ETNICORRACIAIS E EDUCAÇÃO (CEFET/RJ)

Prezadas e prezados,
Com muita satisfação, o Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET/RJ) publica o edital de seleção de candidatos à segunda turma do curso de pós-graduação lato sensu “RELAÇÕES ETNICORRACIAIS E EDUCAÇÃO: UMA PROPOSTA DE (RE)CONSTRUÇÃO DO IMAGINÁRIO SOCIAL".


Lembramos que o curso é TOTALMENTE GRATUITO.
Seguem as informações que constam no Edital:
PROCESSO SELETIVO PARA PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU:

RELAÇÕES ETNICORRACIAIS E EDUCAÇÃO: UMA PROPOSTA DE (RE)CONSTRUÇÃO DO IMAGINÁRIO SOCIAL

O Diretor-Geral do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca – CEFET/RJ, no uso de suas atribuições, torna público o presente Edital, contendo as normas referentes ao processo seletivo para o Curso de Pós-graduação Lato Sensu: Relações Étnico-Raciais e Educação: Uma Proposta de (Re)Construção do Imaginário Social, a ser oferecido no CEFET/RJ – Avenida Maracanã, 229 – MARACANÃ – RIO DE JANEIRO

TÍTULO 1 – DO PROCESSO SELETIVO
1.1 O processo de seleção estará aberto para portadores de diploma de curso superior completo, das mais diversas áreas, reconhecido por órgão competente.
1.2 O processo seletivo compreenderá três etapas distintas:
A. Análise da validade dos documentos – de caráter eliminatório;
B. Análise do Curriculum Vitae comprovado – de caráter classificatório;
C. Prova escrita: Produção de texto argumentativo, de caráter classificatório.

Bibliografia básica para a prova escrita:
a) Lei 10.639/03 (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.639.htm);
b) Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações Etnicorraciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana
c) “Que negro é esse na cultura negra?”. In: HALL, Stuart. Da diáspora – Identidades e mediações culturais. BH: Editora UFMG, 2006. p. 317-330

1.3 O exame de seleção acontecerá no dia 04/03/2010, às 18h 30min, nas dependências do CEFET/RJ, em sala(s) a ser(em) informada(s) no site da COLAT (Coordenadoria de Pós-Graduação Lato Sensu), http://dippg.cefetrj.br/index.php?option=com_content&view=article&id=68&Itemid=70&lang=br, após o dia 01/03/2010 ou na Secretaria da DIPPG, exclusivamente no dia do exame.

1.4 O exame terá duração máxima de 2h (duas horas).

1.5 O candidato deverá apresentar-se no local da prova às 18h, munido do seu Cartão de

Inscrição e documento de identidade.

1.6 Após o início do exame de seleção não será permitida a entrada de nenhum candidato ao local em que o mesmo será realizado.

1.7 O candidato só terá acesso ao(s) tema(s) a ser(em) desenvolvido(s) no momento da produção do texto.

1.8 Não será permitido consultar nenhum tipo de material no momento do exame.

1.9 A seleção dos candidatos será realizada por uma Banca Examinadora, especialmente designada para tal fim e constituída de servidores pertencentes ao quadro permanente de docentes do CEFET/RJ e/ou profissionais que atuarão no curso proposto.

1.10 A análise do Curriculum Vitae e do texto argumentativo será realizada, respectivamente, com base nos documentos apresentados, comprovados, e na capacidade de produção de texto expressa pelo candidato. A avaliação dos candidatos obedecerá a critérios que constam no Anexo 1 deste edital.

1.11 Não será permitida a permanência de crianças no espaço em que a prova escrita será aplicada. A candidata que tiver necessidade de amamentar durante a realização das provas deverá levar acompanhante que ficará em sala reservada para essa finalidade e será responsável pela guarda da criança. A candidata que não levar acompanhante não realizará as provas.

TÍTULO 2 – DAS VAGAS OFERECIDAS
2.1 Serão oferecidas 35(trinta e cinco) vagas.

2.2 O preenchimento das vagas do curso obedecerá rigorosamente à classificação final, até se completar o número total das vagas oferecidas.

2.3 O CEFET/RJ se reserva o direito de não preencher todas as vagas previstas neste edital.

TÍTULO 3 – DAS INSCRIÇÕES
3.1 As inscrições serão realizadas na secretaria da DIPPG/CEFET/RJ, no período de 01/02/2010 a 11/02/2010, de segunda-feira a sexta-feira, na primeira semana, e de segunda-feira a quintafeira, na segunda semana, entre 8h e 16h. Avenida Maracanã, 229 – Bloco E-506 – Telefones (021) 2566-3179 (Secretaria da Pós-Graduação).

3.2 No ato da inscrição, o candidato (ou seu representante legal) deverá apresentar:
• Ficha de inscrição devidamente preenchida, a ser obtida no endereço eletrônico http://www.cefet-rj.br/;
• Original e cópia da carteira de identidade;
• Original e cópia do CPF;
• Original e cópia do título de eleitor e comprovantes de votação na última eleição;
• Duas fotos de tamanho 3x4, recentes, em bom estado, não digitalizadas;
• Original e cópia do diploma de graduação (frente e verso) ou, em caráter provisório, da declaração de conclusão do curso, se o diploma ainda estiver em processo de expedição (no caso de apresentação de declaração, a cópia deverá, obrigatoriamente, ser autenticada em cartório);
• Original e cópia do histórico escolar do curso de graduação;
• Curriculum Vitae, com cópias de documentos comprobatórios da formação e/ou experiência anexados, elaborado de acordo com o modelo a ser obtido no endereço eletrônico http://www.cefet-rj.br/; (documentos comprobatórios de Títulos, Atividades de Magistério, Atividades Profissionais não Docentes e Produção acadêmica relacionada à área do Concurso deverão ser entregues em envelope separado em que conste claramente o nome do candidato. Os documentos comprobatórios devem ser dispostos na mesma ordem em que aparecem no Curriculum Vitae).

TÍTULO 4 - DAS INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
4.1 Os candidatos não selecionados deverão retirar seus documentos no mesmo lugar onde efetuaram a inscrição, no prazo máximo de 60 (sessenta) dias, contados a partir da divulgação dos resultados. Após este prazo, o CEFET/RJ não mais se responsabiliza pelos documentos entregues.

4.2 A lista de classificados será divulgada pela internet, em http://www.cefet-rj.br, no dia 08 de março de 2010. Nesta mesma data, iniciam-se as matrículas para o curso. As matrículas serão realizadas na secretaria da DIPPG, entre os dias 08/03/2010 e 12/03/2010, entre 8h e 16h.

4.3 Caso haja algum tipo de problema técnico ou imprevisto, o resultado será afixado na secretaria de pós-graduação do CEFET/RJ.

4.4 Resultados e informações NÃO serão fornecidos por telefone. Todas as informações inerentes à matrícula serão oferecidas no dia 08/03/2010 no sítio do CEFET/RJ ou na Secretaria da DIPPG.

4.5 Serão considerados desistentes os candidatos classificados que não efetivarem a matrícula no prazo estabelecido e, para ocuparem suas vagas, serão convocados os candidatos imediatamente subsequentes da lista de classificados.

TÍTULO 5 – DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

5.1 A inscrição do candidato implica conhecimento e aceitação das normas e condições estabelecidas neste Edital e em seus anexos, não sendo aceita alegação de desconhecimento.

5.2 O exame de seleção só terá validade para o curso que será iniciado em 2010.

5.3 Os casos omissos neste Edital serão resolvidos pelo Diretor-Geral do CEFET/RJ, ouvida a Comissão de Seleção.

Rio de Janeiro, 19 de janeiro de 2010
Miguel Badenes Prades Filho
Diretor-Geral do CEFET/RJ

ANEXO 1
O julgamento do Curriculum Vitae não terá caráter eliminatório, consistindo na avaliação de:

Grupo I – Títulos:
2,0 pontos para conclusão de curso de pós-graduação lato sensu (360h)
1,0 ponto para conclusão de curso de atualização (180h)

Grupo II - Atividades de Magistério:
0,5 ponto por ano de experiência profissional em Educação Básica (Pontuação máxima: 8 anos): 4,0 pontos.

Grupo III - Atividades Profissionais não Docentes:
Trabalhos ligados a movimentos sociais, ONGs, OSCIPs e/ou desenvolvidos em projetos voltados para as populações negras (0,5 ponto por ano – Pontuação máxima: 6 anos) 3,0 pontos.

Grupo IV - Produção acadêmica dos últimos cinco anos relacionada à área do curso.
0,2 ponto para cada artigo publicado em Anais de Congressos, Seminários e/ou eventos similares. (Pontuação Máxima: 5 artigos) Total: 1,0 ponto
0,5 ponto para capítulo de livro ( Pontuação Máxima: 4 capítulos) Total: 2,0 pontos
1,0 ponto para organização de livros (Pontuação Máxima: 3 organizações) Total: 3,0 pontos
2,0 pontos para produção de livro acadêmico, científico ou didático (Pontuação Máxima: 2 livros) Total: 2,0 pontos

OBSERVAÇÃO: A PONTUAÇÃO MÁXIMA ATRIBUÍDA AO CURRÍCULO SERÁ 10,0 PONTOS, EMBORA O TOTAL DA DISTRIBUIÇÃO DE PONTOS DOS ITENS ACIMA ULTRAPASSE ESTE VALOR.

Texto Argumentativo – Pontuação Máxima – 10,0
Na produção do texto argumentativo, serão avaliados os seguintes pontos:
Clareza (coesão e coerência)
Capacidade de síntese e correção gramatical
Adequação ao tema proposto

TOTAL GERAL – 20,0 pontos

Para a contagem de pontos classificatórios, os pontos do Curriculum Vitae e da produção do texto argumentativo serão somados e divididos por dois. [(Pontuação do Curriculum Vitae + Pontuação do Texto Argumentativo) ÷ 2 = Resultado Final]

Em caso de ocorrer igualdade de pontuação entre candidatos, o desempate se dará atribuindo-se melhor colocação ao candidato que tenha obtido a maior pontuação no texto argumentativo.

Se persistir o empate, serão considerados como critérios de desempate:
a) o maior tempo de atuação do Ensino Básico,
b) o candidato de mais idade.

ANEXO 2
1. DAS AVALIAÇÕES DO CURSO
• Cada uma das disciplinas do curso será avaliada por critérios estabelecidos pelo docente que a ministrará. Em caso de trabalhos de final de disciplina a serem realizados fora do ambiente da sala de aula, o discente terá 30 dias corridos para prepará-lo e entregá-lo ao professor. O desrespeito ao prazo estipulado pode ter como conseqüência a reprovação em todo o curso e a respectiva perda de matrícula.
• Ao ser constatado plágio ou qualquer tipo de cópia em qualquer um dos trabalhos realizados pelo discente, o mesmo poderá ser reprovado e perder seu direito à matrícula.
• Como determina a Legislação, este curso é monográfico. A monografia deverá ser entregue à secretaria da pós-graduação do CEFET/RJ até o último dia útil do mês de março de 2011.

2. DA FREQUÊNCIA
• O curso será composto por 10 (dez) disciplinas. Nove das disciplinas serão oferecidas semanalmente, às terças e quintas-feiras. Uma delas, intitulada “Tópicos Especiais”, será oferecida uma vez por mês, preferencialmente às quartas-feiras (das 18h às 22h), podendo, esporadicamente, caso haja necessidade, ser oferecida aos sábados (das 8h às 12h).
• De acordo com o regimento dos cursos de Pós-Graduação Lato Sensu do CEFET/RJ, a frequência será obrigatória, só fazendo jus ao certificado de conclusão os alunos que obtiverem 75% de frequência nas atividades programadas. Por atividades programadas compreendem-se as aulas, debates, visitas técnicas, seminários, conferências e outras atividades apresentadas como tal.

3. DO APROVEITAMENTO
• O aproveitamento será traduzido em notas de 0 (zero) a 10 (dez). Os estudantes que obtiverem nota igual ou superior a 06 (seis) em cada disciplina e que tiverem a monografia aprovada com nota mínima de 07 (sete) terão direito ao certificado de conclusão do Curso de Especialização.
• O curso será considerado em sua totalidade, não admitindo o aproveitamento de disciplinas feitas em outros cursos ou em anos anteriores.

4. DA ESTRUTURA
• O curso terá a seguinte composição: 480h (360 horas-aula presenciais e 120 horas-aula de orientação e produção monográfica).
• O início do curso está previsto para segunda quinzena de março de 2010 e término previsto para dezembro de 2010.

Roberto Borges
Coordenador do NEAB CEFET/RJ

José Luiz Tavares e Duarte Belo - CIDADE DO MAIS ANTIGO NOME (lançamento em Lisboa/Portugal)


Fonte: e-mail gentilmente enviado pelo poeta José Luíz Tavares em 05/02/2010.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Dina Salústio - Contra a violência, a literatura, por Ricardo Riso (Jornal A Nação 127 - 04/02/2010)



Dina Salústio – contra a violência, a literatura
Por Ricardo Riso

Diante da violência desmedida que assola os centros urbanos, vivenciamos uma estranha sensação de inércia, impotência frente às barbaridades do cotidiano e ao horror causado quando sabemos os motivos de determinados crimes e da pouca idade daqueles que os cometem. Questões que são abordadas em alguns contos de “Mornas eram as noites” (Camões, 1999), de Dina Salústio (1941 – ilha de Santo Antão, Cabo Verde), e que serão aqui expostos para nossa reflexão.

A violência descontrolada na sociedade demonstra-se nos atos agressivos dos jovens e da violência contra as crianças. Nos contos “Para quando crianças de junho a junho?” e “Filho de deus nenhum”, a revolta e a indignação apossam-se do narrador ao relatar dois momentos de crueldade extrema. No primeiro conto, um grupo de adolescentes espanca um doente mental sob os olhares inertes dos adultos, enquanto no segundo é mostrada a reação da sociedade contra a morte de um menino:

“De repente, uma rua larga, agora espreitada pela violência que transborda e agride os caminhantes. Uma dúzia. Talvez menos de uma dúzia de rapazes da quarta, que deviam ser crianças e que se haviam transformados em feras, perseguindo e atacando um doente mental. Livros e pastas esquecidos na valeta. Nas mãos, pedras. Nos gestos, ódio. Olhares frios. O homem no meio, indefeso, confuso, louco, impotente, cada vez mais agitado pelos uivos dos estudantes que nunca deveriam lançar outros sons que os da alegria e da esperança.” (p. 28)

“Homens e mulheres enfurecidos atacam a cadeia onde se encontra detida a assassina do pequeno Lizandro, de três anos, morto à dentada. (...) O pequeno Lizandro não resistiu às mordeduras e pancadas da madrasta. (...) Não conheceu alegrias. Para ele, apenas tristezas que o seu corpo cedo recusou.” (pp. 53-54).

Os dois contos poderiam ter acontecido em qualquer cidade do mundo. É a violência causada por um sistema neoliberal que exclui e oprime as classes menos favorecidas, traz desesperança aos jovens e deixa as famílias desestruturadas. Tempos amargos como o jovem que liderou o espancamento ao doente mental:

“‘... Se fosse meu pai, eu não teria pena... Se ele morresse, problema dele... Se eu gosto do meu pai? Se você o vir pergunte-lhe se ele gosta de mim, ou... se... se me conhece.’

Nas últimas palavras um soluço abandonado.(...) E quando o miúdo chefe se mexe e retoma o caminho para casa, arrastando os pés, não há crueldade nos seus olhos. Apenas uma criança amarga que havia parido prematuramente um homem. Desencantado.” (p. 29)

Entretanto, em “Campeões de qualquer coisa” o redimensionamento da atitude masculina é proposto por um personagem que se recusa a viver a hiper-competitividade que domina a sociedade capitalista. Ele questiona a hipocrisia de uma vida em mentiras e as máscaras que homens se obrigam a criar para sobressair.

““Ensinaram-nos que devíamos ser heróis de qualquer coisa. Exigem que façamos permanentemente exercícios de autoafirmação. Não nos educaram para corajosamente debatermos os nossos medos, falhas, hesitações, infernos. Apetrecharam-nos com o mito de super-machos e esperam que sejamos vencedores, fazendo-nos inimigos da própria maneira de estar, escamoteando a verdade, falseando as fronteiras. E porque somos apenas normais e temos vergonha da nossa normalidade, passamos o tempo todo a pensar numa roupagem que impressione. E vestimo-nos de atletas e mascaramo-nos de campeões, para, às escondidas, chorarmos a nossa simplicidade, a vulgaridade que enforma os nossos sentimentos íntimos. Não temos coragem para dizer não sou o melhor e não tenho que o ser, nem justificar-me da minha fragilidade. (...)” (p. 14-15)

Sendo assim, quem sabe se a partir dos contos de Dina Salústio, a reflexão sobre a ética distorcida da contemporaneidade, estimuladora da violência e que induz as pessoas a ser, ou a desejar ou a querer aquilo que não são ou não possuem, não nos ajudaria a buscar alternativas à degradação do ser humano?

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Abraão Vicente - “A idade de Bruegel ou a queda dos anjos rebeldes” (exposição)


“A idade de Bruegel ou a queda dos anjos rebeldes” mais não é que um exercício de leitura de algumas obras de Pieter Bruegel, pintor flamengo que viveu entre 1525 e 1569. Bruegel viveu uma época conturbada, banhada de crueldade e extremas diferenças sociais e de classes. Tempo em que o império de Filipe II de Espanha entendia-se até as províncias dos Paises Baixos, territórios profícuos em protestantes. Assim, é pelas mãos do Duque de Alba que o reino de Espanha empreenderá uma intensa campanha cuja atrocidade fica demasiado evidente na afirmação do católico Rei Filipe II “ Prefiro sacrificar 100 000 vidas humanas a pôr fim à perseguição de hereges”.

Se por um lado Bruegel pode ser equiparado a um fotógrafo na linha de frente das guerras de hoje, por outro, ele é também o pintor das parábolas, dos provérbios e dos enigmas. Bruegel usa a linguagem da representação para ilustrar não só os costumes, tradições, hábitos do quotidiano e indumentária da época, mas também para decifrar os códigos que regiam as relações sociais de hierarquia e os jogos de poder em disputa. As obras de Bruegel remetem-nos para uma época em que o estado civilizacional da hoje conhecida como cultura ocidental, passava inevitavelmente por um período de barbárie.

As obras apresentadas por Abraão Vicente nesta colecção de oito quadros, sob o título de: “A idade de Bruegel ou a queda dos anjos rebeldes”, são justaposições, novas composições, rearranjos de temas, figuras e imagens pertencentes não só a obras bem especificas de pintor flamengo, mas também ao imaginário da época. Ao extremo exercício de composição, tradução, volume, contemporização de Bruegel, Abraão Vicente contrapõe traços livres e rápidos, figuras propositadamente descontextualizadas e um guião que bem poderia ser a de hoje, nas ilhas. Das ilhas. Sendo por isso “A Idade de Bruegel” um tempo simultaneamente longínquo e recente. Diria, que se repete no hoje. Algures.

Venham pois degustar o tempo…. e livros.
 
ABERTURA DA EXPOSIÇÃO: dia 04/02 (quinta-feira) às 19h, na i.gallery na livraria Nhô Eugénio, Achada Santo António, na Cidade da Praia - Cabo Verde