segunda-feira, 5 de abril de 2010

I Ciclo de Encontros da Revista África e Africanidades

Curso O Negro na História e na Sociedade Brasileira 05 e 12 / 04 das 13:00 às 15:00
Ministrante: José Barbosa da Silva Filho - Mestre em Política Social (ESS-UFF); Especialista em História do Brasil (UERJ) e Raças e Etnias (PENESB-UFF); Bacharel em História (UFF); Professor da Rede Estadual do Rio de Janeiro.
Ementa: Discutir a hipótese de que as posturas preconceituosas presentes no cotidiano do brasileiro são reforçadas no processo ensino-aprendi¬zagem, através do silêncio em torno da participação e contribuição dos negros na construção da História e da Sociedade Brasileira.
1. Processo Escravocrata Brasileiro: Causas e Consequências; 2. A Teoria do Branqueamento e o Mito da Democracia Racial; 3. A Cultura Negra e a Cultura Brasileira.
Público Alvo: Professores, coordenadores, diretores de escolas e alunos de licenciaturas e público em geral.
Investimento:
R$ 35,00 (Público em Geral)
R$ 25,00 (Professores da Educação Básica)
R$ 15,00 (Alunos de Licenciatura)

2. Literatura Infantil e o Encantamento dos Personagens Negros
15:30 às 16:50
Palestrante: Sonia Rosa – Escritora e Pedagoga
Público Alvo: Professores da Educação Básica, Coordenadores e Diretores de Escolas, Bibliotecários, Escritores de Literatura Infanto-Juvenil, Estudantes de Letras, Pedagogia, Normalistas, Contadores de Histórias, Pais e Público em geral.
Investimento:
R$ 20,00 (Público em Geral)
R$ 15,00 (Professores da Educação Básica, Pedagogos e Bibliotecários)
R$ 10,00 (Alunos de Licenciatura e Curso Normal - Nível Médio)

Palestras
12 de Abril / 2010

1. Palestra Erotismo e Consciência Social na poesia e na literatura cabo-verdiana
08:30 às 10:00
Palestrantes: Lucimar Ribeiro e Giselly Pereira (Graduandas em Letras – UFRJ)
Público Alvo: Docentes da Educação Básica, Escritores, Artistas Plásticos, Estudantes de Letras, Artes e demais interessados.
Investimento:
R$ 20,00 Público em Geral
R$ 15,00 Docentes da Educação Básica
R$ 10,00 Estudantes de Licenciaturas

2. Direitos humanos e políticas públicas de enfrentamento ao racismo: algumas considerações acerca do papel do Poder Judiciário
11:00 às 12:30
Palestrante: Vanessa Santos do Canto (Advogada e Mestre em Serviço Social)
Público Alvo: Advogados, Assistentes Sociais, Gestores, Docentes, Pesquisadores, Estudantes e Público em Geral.
Investimento:
R$ 20,00 (Público em Geral)
R$ 15,00 (Professores da Educação Básica)
R$ 10,00 (Alunos de Licenciatura, Direito e Serviço Social)

3.Palestra Cotidiano e resistência na transição do trabalho escravo para o trabalho livre
11:00 às 12:30
Palestrante: Alejandra Estevez - Doutoranda em Sociologia (UFRJ), Mestre em História Social (UFRJ) e Especialista em História da África e do Negro no Brasil (UCAM)
Público Alvo: Professores da Educação Básica e Superior, Pesquisadores, Estudantes, Representantes de Sindicatos de Trabalhadores, Representantes de Movimentos Sociais e demais interessados no assunto
Investimento:
R$ 20,00 (Público em Geral)
R$ 15,00 (Professores da Educação Básica)
R$ 10,00 (Alunos de Licenciatura)

4. Literatura Cabo-Verdiana Contemporânea: de Mirabilis aos dias atuais
15:30 às 17:00
Palestrante: Ricardo Riso – Crítico Literário, Resenhista do semanário cabo-verdiano A Nação.
Público Alvo: Professores da Educação Básica e Superior, Escritores, Críticos Literários, Pesquisadores, Estudantes de Letras e outras Licenciaturas e Público em Geral.
Investimento:
R$ 20,00 (Público em Geral)
R$ 15,00 (Professores da Educação Básica
R$ 10,00 (Alunos de Licenciatura)

5. Palestra Brinquedos cantados de matriz africana: instrumentos para a educação das relações etnicorraciais e educação psicomotora
17:00 às 18:00
Palestrante: Denise Guerra - Musicoterapeuta, Professora de Educação Física, Especialista em Psicomotricidade, Especialista em Cultura africana e afro-brasileira
Público Alvo: Professores do Ensino Fundamental, Professores de Educação Física, de Música, de Artes, Psicomotricistas, Arte Terapeutas, Musicoterapeutas e demais interessados no assunto
Investimento:
R$ 20,00 (Público em Geral)
R$ 15,00 (Professores da Educação Básica)
R$ 10,00 (Alunos de Licenciatura e do Ensino Médio)

6. Palestra A cultura do Hip-Hop na formação do olhar crítico sobre o mundo
17:00 às 18:00
Palestrante: Roberto de Oliveira – Jornalista e rapper
Público Alvo: Educadores, Pesquisadores, Animadores Culturais, Artistas, Jornalistas, Escritores, Estudantes, Representantes de Movimentos Sociais, Pais e Público em geral
Investimento:
R$ 20,00 (Público em Geral)
R$ 15,00 (Professores da Educação Básica)
R$ 10,00 (Alunos de Licenciatura e do Ensino Médio

7. Palestra Griots: Ancestralidade e Memória
17:00 às 18:00
Palestrante: Antônio Krisnas - Jornalista, Músico, Artista Plástico, Educador, Desenhista e Roteirista de Quadrinhos e Pesquisador da Cultura Afro-Brasileira
Participações Especiais: Getúlio Cortes - Cantor, Compositor e Instrumentista e Zezzynho Andrady - Fotógrafo e Produtor de Eventos de Hip-hop e Basquete de Rua.
Público Alvo: Educadores, Pesquisadores, Animadores Culturais, Artistas, Jornalistas, Escritores, Poetas, Estudantes, Pais e Público em geral
Investimento:
R$ 20,00 (Público em Geral)
R$ 15,00 (Professores da Educação Básica)
R$ 10,00 (Alunos de Licenciatura e do Ensino Médio)

Local de realização de todas as atividades: Largo de São Francisco de Paula, 34 - 5º andar - Centro – RJ

Inscrições somente pelo site: www.africaeafricanidades.com.br
(Pagamento - cartões de crédito à vista ou parcelado, boletos, depósito on-line e transferência)

Observações Gerais:
- Cada inscrição só dá acesso a uma atividade do evento.
- Ao término de todas as atividades serão fornecidos certificados de participação;
- A realização de cada atividade está condicionada ao mínimo de inscrições. Caso contrário o inscrito será antecipadamente comunicado via telefone ou e-mail sobre o interesse em realizar outra atividade do mesmo valor ou receber o valor da inscrição.
- É obrigatória a apresentação de documento de identidade com foto e comprovante de estudante ou atuação profissional de acordo com inscrição promocional de cada atividade.
- Todas as atividades possuem vagas limitadas e não serão realizadas inscrições no local do evento.
- A realização das atividades está condicionada a formação de turmas. Os inscritos serão avisados via e-mail ou telefone da confirmação da realização da mesma em no mínimo 72 horas antes da data prevista para as mesmas. Caso a atividade seja cancelado o investimento será devolvido.

sábado, 3 de abril de 2010

Vasco Martins e a celebração telúrica do Monte Verde em “run shan”

Por Ricardo Riso

Agradeço a gentileza do amigo Tchalê Figueira ao me presentear com esta pequena pérola.

Exímio compositor e pianista de formação erudita, com onze álbuns gravados – o primeiro, “Vibrações”, data de 1979, enquanto o recente “Lua Água Clara” foi lançado em 2009 –, compôs nove sinfonias além de inúmeras peças que abarcam a música tradicional de Cabo Verde, e ainda assim passeia por diferentes estilos da música. Falamos de Vasco Oliveira Martins, nascido em 12/07/1956 na cidade de Queluz, Portugal.

Filho de pai cabo-verdiano e mãe portuguesa, aos nove anos muda-se para a ilha de São Vicente, Cabo-Verde, juntando-se à família paterna, onde concluiu o Curso Geral dos Liceus, em 1974. Foi para Portugal estudar com o compositor Fernando Lopes Graça e na França com o compositor e chefe de orquestra Henri-Claude Fantapié. Retornou a Cabo Verde em 1985 e permanece até os dias atuais.

Na poesia, Vasco Martins recebeu menção honrosa nos Jogos Florais de 12 de setembro de 1976, participou da antologia “Mirabilis – de veias ao sol”, e publicou os livros “Universo da ilha” (1986), “Navegam os olhares com o voo do pássaro” (1989), “run shan” (2008). Tem ensaios e artigos publicados no “Voz di povo”, “Voz di letra”, “Fragmentos”, entre outras publicações. Na internet, encontramos as músicas de Vasco Martins em seu site e sua poesia no blog Deserto do Sul.

run shan é um pequeno, cuidadoso e delicado livro de poesia com apenas 34 páginas, formado por poemas atribuídos ao heterônimo Vasc d’Monteverde cujo leitmotiv é o Monte Verde, ponto máximo (774 m) da ilha de São Vicente. Escorando-se em sua formação universal e no profundo conhecimento das filosofias orientais, Vasc d’Monteverde recorre ao antigo poeta chinês Li Bai e aos taoístas daquele país para justificar a apropriação de suas visões de mundo e a opção em celebrar o monte sanvicentino a partir do conceito de run shan que “significa ‘penetrar a montanha’, no sentido meditativo, contemplativo: usufruir do privilégio de estar longe da polícia geral da vida” (p. 5).

Com isso, depreendemos que há uma postura do sujeito lírico em não apenas versar o Monte Verde, mas o desejo inequívoco em revelar o seu descontentamento com o mundo que o cerca. O fato de ter a montanha como local de reflexão dos males da contemporaneidade estimula-o a buscar outras paisagens, outras sensações para acalentar o espírito, alcançar a paz interior e utilizar a força da palavra poética como condutora desse caminho: “Purificado pelas brumas do Monte Verde / Alma de poeta caminhante contemplativo / Encontro paz longe longe d’azafáma do mundo” (p. 18).

Suas preocupações existenciais e metafísicas, e o predomínio de uma visão telúrica remetem-nos ao heterônimo de Fernando Pessoa, Alberto Caeiro. Sendo assim, justifica-se quando deparamo-nos com a exacerbada reverência ao Monte Verde realizada por um sujeito lírico praticante dos dogmas taoístas, em uma busca pelo Todo, da fusão do Uno e do Verso, valendo-se dos paradoxos caracterizadores do Tao Te King:

(Agora entre eu e o Monte Verde
Só as nuvens que passam,
Os momentos de plenitude
São quando deixamos de ser nós
Para sermos nós) (p. 7)

O telurismo exacerbado deste heterônimo faz com que sinta pesar por ser obrigado a deixar o Monte, “Hora melancólica. Mas amanhã voltarei!” (p. 9). Porém a tristeza será passageira, pois o sujeito lírico afirma o seu certo retorno para o lugar de tempos imemoriais, ancestrais, no qual até o avançar do tempo desafia Cronos:

Ilhas como dinossauros a descansar.
Choveu e os montes têm rugas vincadas.
A terra move-se trinta quilômetros por segundo
Mas tudo parece quieto (p. 14)

O telurismo constante, o apego ao chão do Monte faz com que o sujeito lírico preste diversas homenagens à fauna – como os fililis e a águia-do-mar – e à flora – Aeonium gorgoneium – locais em diversos poemas, como neste, em que utiliza ora o nome vulgar, ora o nome científico das aves e das plantas:

Macela
Sementes de erva doce
Falco alexandrii
Sementes de endro
Aeonium gorgoneium
Coroa-de-rei
Passar iagoensis
Gestiba
Pandion halieatus
Pandion halieatus (p. 28)

Elementos da natureza como o ar e a aspiração por liberdade aparecem em vários momentos nos poemas, em líricas e tenras imagens de uma poesia comprometida com o etéreo: “Se observas os pardais do campo / É porque o teu coração anseia / Pela candura e liberdade” (p. 16). As metáforas do voo surgem, desprender-se do terreno através de uma profunda interiorização do ser a transcender em forma de poesia:

Deste único arvoredo vejo uma
Ilha suspensa: vou com ela
Pelo universo adentro talvez
Nalgum porto o meu espírito há-de acostar (p. 15)

Outro elemento da natureza é invocado, a água, para criticar a desordem da vida contemporânea e renovar os corações e as mentes dos homens, preparando-os para uma nova Era de harmonia entre os seres:

De uma secreta fonte há-de brotar
Límpida água
Fluindo depois como uma ribeira
Purificando o coração dos homens
Pacificando o coração dos homens
Restabelecendo a Era da ternura e compaixão (p. 25)

A crença inabalável nos homens faz com que recorra ao seu conhecimento universal e assim capturar o alento proposto nas composições do músico erudito finlandês Jean Sibelius e ao Buda Çâkyamuni. Tenta, com isso, recompor a sensibilidade dispersa por tanto desprezo ao próximo, dominante na ordem competitiva dos dias atuais. Almeja a mudança da mentalidade destrutiva que se apodera da Humanidade e encerra o poema com a sapiência do paradoxo:

Quando me dizem que o mundo vai mal
Já não acreditam na humanidade
E tudo caminha para um colapso
Argumento:
Ouçam a sétima sinfonia de Sibelius
Ela é a prova da magnitude espiritual
Do ser humano
Afirma a generosidade que temos em nós
Tal como Çâkyamuni anunciou.

É uma luz-farol para as boas navegações
Temperada por ela empreendemos a vida
Com alento e esperança.

Não se pode percorrer o caminho
Sem sermos o próprio caminho (p. 27)

Ao incorporar a filosofia oriental, o sujeito lírico usa expressões em sânscrito, língua dos textos sagrados indianos, para demonstrar a vontade incontestável de mudança e clama por uma visão de vida, de relação com o sagrado, com o cosmo: “Por alguns instantes somos a luz que brilha / Ávida por outra luz. // Sarvasattvapriyadarçana!* // (...) Que essa luz nos ilumine! / Que essa luz nos ilumine! / Que essa luz nos ilumine!” (p. 19)

O poema Mañjushaka, palavra em sânscrito, que significa uma flor branca que cresce no paraíso e que tem poder de afastar maus espíritos, propõe a evasão para tentar compreender a inconsequência do mundo. Lirismo ao encontro do universo, aspira a comunhão com o Todo:

Durante horas vagueio
Solitário neste Monte
Até estar no movimento do
Universo.
Com ele no coração
A mente torna-se calma e lúcida. (p. 29)

Da profunda viagem interior, novas percepções surgem e revelam, sinestesicamente, o mistério que há na natureza: “Vem da terra o cheiro / Húmido das nuvens. / A simplicidade das ervas frescas / É o segredo.” (p. 29).

Na ininterrupta procura pela harmonia, “Visto uma camisa amarela / Para condizer com a luz do fim do dia” (p. 23), o comovente e lírico poema “Sob um pé de charuteira” mostra a gradação da meditação. Da paz e tranquilidade proporcionada pelo shanti à passagem para um novo estágio de consciência, o samsara. Sinergia em êxtasiantes versos, a confluência com o Todo, o Indivisível, o Universal: “Sinto: / A montanha parece querer entrar em mim // Agora: / Azul Abril / Asa de borboleta nocturna” (p. 21)

Ao utilizar o heterônimo Vasc d’Monteverde, o poeta e músico Vasco Martins contribuiu de forma excepcional para o lirismo e o universalismo típicos da poesia cabo-verdiana. As ressignificações propostas pela inspiração na filosofia oriental demonstram prismas diferenciados que podem nos ajudar a ver, sentir, refletir uma nova forma de vida para a histeria do mundo ocidental. O canto lírico interior emanado de Vasc d’Monteverde mergulhado no cosmo da natureza, faz com que sua poesia voe livre, liberta das amarras terrenas, sendo conduzida apenas pela ilimitada imaginação criadora.

Acompanhamos os versos do poeta, “Felizes brindámos / À vida com bom vinho / Momento eterno fugaz” (p. 26), descobrimos novas sensações que fazem do Monte Verde, signo de pureza e alegria, o local onde os movimentos cósmicos se transformam para renovar o ser humano, por conseguinte, renovar o mundo que lhe coube viver. Monte Verde, local do belo, run shan, páginas de encantamento, incentivos a novas buscas existenciais, a desvendar o mistério da criação.

Monte Verde!

Já dormi em cima da tua terra limpa-macia!
Celebro-te!
Perto de ti não mais tenho dúvidas!

Que muitas gerações ainda celebrem a tua beleza.
Que te protejam dos homens e das cabras.
Continuarás então a limpar a alma
Dos que sentem o apelo das brumas e do silêncio. (p. 30)


 
* Sarvasattvapriyadarçana: do sânscrito: visão de alegria para todos os seres (Nota do escritor).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
SECCO, Carmen L. T. R. (Org.). Antologia do mar na poesia africana de língua portuguesa do século XX: Cabo Verde. Rio de Janeiro: UFRJ, Coordenação dos Cursos de Pós-Graduação em Letras Vernáculas e Setor de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, 1999. v.2.

INTERNET
Vasco Martins. http://vascomartins.com/ Acessado em 02 de abril de 2010.
Deserto do Sul. http://desertodosul.blogspot.com/ Acessado em 02 de abril de 2010.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Artigo sobre Sangare Okapi no jornal Notícias (Moçambique)


Prezados(as),

Ontem foi publicado um artigo de minha autoria no jornal Notícias (Moçambique) a respeito do livro Mesmos Barcos ou poemas de revisitação do corpo, do poeta moçambicano Sangare Okapi, intitulado “Mesmos Barcos”: Sangare Okapi e a revisitação do corpo literário moçambicano. Para realizar a leitura do texto, clique aqui.

Agradecimento especial aos poetas Manecas Cândido e Sangare Okapi pelo apoio à publicação.

Abraços,
Ricardo Riso

segunda-feira, 29 de março de 2010

Concorra a Curso e Palestra gratuitas no I Ciclo de Encontros da Revista África e Africanidades

Concorra a curso gratuito
Os 10 primeiros leitores que enviarem um e-mail com nome completo, nº da identidade e nº de telefone para promocoes@africaeafricanidades.com.br respondendo corretamente à pergunta "Em que edição foram entrevistados os músicos e percussionistas, o brasileiro Alexandre Garnizé e o moçambicano Matchume Zango?", ganharão gratuidade no curso O Negro na História e na Sociedade Brasileira, o resultado da promoção será divulgado no site da revista, no dia 31/03/2010

Concorra a palestra gratuita
Os 10 primeiros leitores que enviarem um e-mail com nome completo, nº da identidade e nº de telefone para promocoes@africaeafricanidades.com.br respondendo corretamente à pergunta "Em que edição foi entrevistada a escritora de Literatura Infanto-Juvenil Sonia Rosa?", ganharão gratuidade na Palestra Literatura Infantil e o Encantamento dos Personagens Negros, o resultado da promoção será divulgado no site da revista no dia 31/03/2010

Melhores informações no site da revista.

Atenciosamente,
Ricardo Riso

domingo, 28 de março de 2010

REVISTA ÁFRICA E AFRICANIDADES - NOVO ENDEREÇO

Prezados(as),

a revista acadêmica África e Africanidades está com novo endereço, agora devemos acrescentar o .br:


Atenciosamente,
Ricardo Riso

I CICLO DE ENCONTROS DA REVISTA ÁFRICA E AFRICANIDADES - PALESTRA CANCELADA

Prezados(as),

Infelizmente, a palestra Mulheres Negras no Mercado de Trabalho: estudo de caso em três empresas brasileiras não poderá ser realizada no próximo dia 05 de abril, uma vez que as inscrições confirmadas para a mesma foram em número insuficiente para cobrir os custos de sua realização.

Esperamos que a mesma possa ser oferecida no segundo semestre quando pretendemos realizar novas atividades.
 
Abraços,
Ricardo Riso

sexta-feira, 26 de março de 2010

I CICLO DE ENCONTROS DA REVISTA ÁFRICA E AFRICANIDADES - Palestra: Cotidiano e resistência na transição do trabalho escravo para o trabalho livre. Palestrante: Alejandra Estevez. Dia 12/04, 11h às 12h30


Prezados,
nossa revista realizará o seu I Ciclo de Encontros da Revista África e Africanidades, com palestras e minicursos abordando temáticas que se destacaram ao longo das nossas edições.
As atividades serão realizadas nos dias 05 e 12 de abril de 2010, no Largo de São Francisco de Paula, 34 - 5º andar - Centro - RJ, e as inscrições só poderão ser feitas no site da revista. Para efetuar sua inscrição, clique aqui.
Peço a todos ajuda na divulgação.
Abraços,
Ricardo Riso

I CICLO DE ENCONTROS DA REVISTA ÁFRICA E AFRICANIDADES - Palestra Griots: Ancestralidade e Memória. Palestrantes Antônio Krisnas, Getúlio Cortes e Zezzynho Andrade. Dia 12/04, 17 às 18h


(clique na imagem para ampliá-la)
Prezados,

nossa revista realizará o seu I Ciclo de Encontros da Revista África e Africanidades, com palestras e minicursos abordando temáticas que se destacaram ao longo das nossas edições.

As atividades serão realizadas nos dias 05 e 12 de abril de 2010, no Largo de São Francisco de Paula, 34 - 5º andar - Centro - RJ, e as inscrições só poderão ser feitas no site da revista. Para efetuar sua inscrição, clique aqui.

Peço a todos ajuda na divulgação.

Abraços,
Ricardo Riso

sábado, 20 de março de 2010

I Ciclo de Encontros da Revista África e Africanidades - Palestra Erotismo e Consciência Social na poesia e na pintura cabo-verdiana, por Lucimar F. Ribeiro e Giselly P. Carvalho


Prezados,
nossa revista realizará o seu I Ciclo de Encontros da Revista África e Africanidades, com palestras e minicursos abordando temáticas que se destacaram ao longo das nossas edições.
As atividades serão realizadas nos dias 05 e 12 de abril de 2010, no Largo de São Francisco de Paula, 34 - 5º andar - Centro - RJ, e as inscrições só poderão ser feitas no site da revista. Para efetuar sua inscrição, clique aqui.
Peço a todos ajuda na divulgação.
Abraços,
Ricardo Riso

quinta-feira, 18 de março de 2010

Seló - Página dos Novíssimos, por Ricardo Riso (Semanário A Nação 133, de 18 a 24/03/2010)



Por Ricardo Riso
*artigo publicado no semanário cabo-verdiano A Nação nº 133, de 18 a 24/03/2010, página 14. 
O século XX determinou mudanças cruciais nas relações entre as metrópoles europeias e as colônias africanas. A urgência da libertação desses países sedimentou-se ao longo das décadas, acompanhando a evolução de um sentimento nacional opositor à injustificável tirania colonizadora. Tais eventos mobilizaram diversas camadas sociais, logo a vocação libertária da poesia impôs aos poetas participação ativa na desintegração do sistema opressor.
Em Cabo Verde a consciencialização dos escritores alvoreceu com a revista Claridade (1936). Em seguida, o já insustentável colonialismo exigiu radicalização e comprometimento com o nacionalismo por parte dos poetas, nascia a revista Certeza (1944). Enquanto isso, a PIDE, a polícia salazarista, tentava dizimar as manifestações subversivas.
A resistência ao regime organizou-se e sob a iluminada liderança de Amílcar Cabral surgia o PAIGC, em 1953. Sucessivas independências espalharam-se pelo continente, antes de findar esse decênio o Suplemento Cultural (1958) e o Boletim dos Alunos do Liceu Gil Eanes (1959) estremeciam os pilares lusos nas ilhas.
Embora a ditadura salazarista não aceitasse as evidências do anacronismo colonial e recrudescesse a violência, o brilho da liberdade urgia e atraía jovens poetas para se tornarem atores da História. Assim, em Mindelo, Ilha de São Vicente, com apenas duas edições e quatro páginas do jornal Notícias de Cabo Verde irradiavam as viscerais palavras formadoras de Seló – Página dos Novíssimos, em 1962.
Três nomes marcariam a literatura do país despontaram em Seló: Mário Fonseca, Osvaldo Osório e Arménio Vieira. De acordo com Osório, seló era a forma como se anunciava a chegada de algum barco nos portos da Ilha da Brava. Bela metáfora do passado das naus portuguesas e seus dissabores, pois Seló trazia o desejo contínuo, inquestionável e legítimo da libertação, e “a necessidade de protestar e dar alarme” às agruras que assolavam as ilhas.
Além dos poetas citados, completam a edição inaugural Rolando Martins e Jorge Miranda Alfama. Este narra em “Carta” um comovente pedido para que o emigrante “não negues o destino da tua terra”, apesar do desespero que o levou a partir diante do “esboço de vida nas ilhas”. Este em diálogo com o poema “Holanda” de Osório, retrata a esperança do emigrante na terra longe: “Chegamos com barcos guildas nos olhos e desejos de vencer (...) e poremos todo o nosso esforço”. Para quem fica, a miséria causada pela fome é repudiada no expressionismo voraz de Mário Fonseca: “Gargalhadas de escárneo/ Rasgando / Até as comissuras dos lábios”. Imagens inusitadas e o tom apocalíptico surpreendem em “Advento” de Martins, pois “Na hora crepuscular uma estrela cortaria o alumbramento dos céus / hossanas e maldições, blasfémias e orações negariam o silêncio / Coros incorpóreos seriam o eco do anúncio da Hora”.
Em 28/08/62 a derradeira edição foi publicada, acrescida de Arménio Vieira e da bem-vinda presença feminina de Maria Margarida Mascarenhas. Esta comparece com um conto que narra dificuldades várias, o desencanto apodera-se em “O destino de Egídio”: “Abandonar uma esperança para agarrar uma vaga promessa, isso indefinidamente?” O metafórico “Poema” de Vieira renega o passado colonial, “Não o mar azul/ de caravelas ao largo/ e marinheiros valentes”, para revelar a sua “revolta contida (...) Mar! do não-repartido/ e do sonho afrontado”.
O característico compromisso social de Fonseca e a defesa inexorável dos desfavorecidos iluminam-se no poema “Estrangeiros” com a simples troca do pronome em um verbo: “Lá vão eles! Vedê-os! Vedê-nos!”. A denúncia social também é a tônica do misterioso conto “O Segredo” de Osório.
Seló – Página dos Novíssimos marcou o seu tempo e deixou seu legado às gerações posteriores. Deve-se parabenizar a iniciativa do Instituto Caboverdiano do Livro e do Disco pela edição facsimilada e pelo cuidadoso texto de Maria Lucia Lepecki. Trata-se de uma bela e justa homenagem à literatura de Cabo Verde.