terça-feira, 27 de abril de 2010

Exposição Alumbramentos: água, cor, palavra

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fonte: e-mail gentilmente enviado pela amiga virtual Luana Antunes Costa em 27 de abril de 2010.

domingo, 25 de abril de 2010

Manecas Cândido - Coqueiral da Zambézia (poesia)

MANECAS CÂNDIDO é um dos escritores que representa a nova geração da poesia moçambicana, publicou O Sentido das Metáforas e hoje é um dos organizadores da Associação dos Escritores Moçambicanos - AEMO. Para conhecer um pouco mais a sua poesia, clique aqui. O poema a seguir foi gentilmente enviado pelo poeta para ser publicado no blog.

Ricardo Riso

Coqueiral da Zambézia

Minha terra é riqueza
de um mar de palmar
e verde chá
reverberando lindos campos.
À noite navegamos na dança do nhambaro
até ao ébrio da nossa alegria.

Ao nascer do sol o nosso suor bago do milho maduro
e o poema cultiva horizontes de mãos futuras
e em uníssono pés descalços,
calcorreamos caminhos da infinitude
que nos propomos na meta.

De a nossa terra
revigorar na certeza de muitos amanhãs!

Resistência e Anunciação: Arte e Política Preta - Curso Edições Toró e Capoeira Angola Irmãos Guerreiros

Edições Toró e Grupo de Capoeira Angola Irmãos Guerreiros convidam para o curso "Resistência e Anunciação: Arte e Política Preta”
Cinco encontros aos sábados, de 08/05 a 05/06, sempre das 14 às 18hs. Na Senzalinha (Sede do Grupo de Capoeira Angola Irmãos Guerreiros). Rua Arlindo Genaro de Freitas, 692 - Jd.Saporito – Taboão da Serra/SP
Inscrições até 01/05 no sítio www.edicoestoro.net. Junto ao cartaz de divulgação e com mais detalhes deste e dos outros cursos já cultivados.
As matrículas efetuadas estarão também ali, confirmadas e acessíveis no dia 05/05.
Eis os trilhos previstos para este per-curso, totalmente gratuito, com distribuição das apostilas e certificados ao final para os 32 participantes matriculados:
08/05 – “África do Oeste: Dilemas Contemporâneos no Cinema e na Dança”, com Serge Noukoue (Pesquisador em Áudio-visual, Assessor Áudio-visual do Consulado da França, Beninense) e Luciane Silva (Pesquisadora e Educadora da Casa das Áfricas, Dançarina e Professora da FACAMP)
15/05 – “Encontros na Encruzilhada: Buscas da Literatura e das Artes Plásticas no Miolo do Século XX” – com Mário Medeiros (Sociólogo e Pesquisador da Unicamp. Autor do livro ‘Os Escritores da Guerrilha Urbana’) e Marcelo D´Salete (Artista Plástico, Quadrinhista, Ilustrador e Educador do Museu AfroBrasil)
22/05 – “Quilombos: Histórias e Sentidos, Imaginário e Arqueologia”, com Patrícia Marinho (Arqueóloga, Música e Pesquisadora de Quilombos Brasileiros) e Allan da Rosa (Historiador, Estorinhador e Educador, Angoleiro do Grupo Irmãos Guerreiros)
29/05 – “Migrações e Trajetórias Femininas: Carolina de Jesus e Lélia Gonzalez”, com Flavia Rios (Professora e Estudante de Doutorado em Sociologia na Universidade de São Paulo) e Uvanderson Vítor, o Vandão (Sociólogo Negrão e Pesquisador das Desigualdades Sócio-raciais Brasileiras. Trabalha com Inserção de Jovens no Mercado de Trabalho, em Embu das Artes.)
05/06 – “Corpoesia: Orixalidade e Jazz em Performance na Literatura da Diáspora Africana", com Sílvia Lorenso (Cria do Movimento ‘Juventude Negra e Favelada’ em BH/MG; Mestre em Semiótica pela USP, Doutoranda em Literatura e Diáspora Africana na UTexas). E Avaliação Coletiva do Curso.
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"Resistência e Anunciação: Arte e Política Preta”Pra desfrutar, questionar e escambear percepções da estética e da mocambagem de matriz afro, com suas intenções e eletricidades, carinhos e contextos.
Pra compreender alguns porquês das rodas de fortaleza e beber algumas surpresas.
Pra desenvolver pedagogias com quem pesquisa, sua e pratica. Com quem vive a questão e traz fundamentos, reflexão e vontade de esparramar.
Pra, mesmo com novas dúvidas e suas coceiras, ganhar sustança. Não arriar nas humilhações e nos farelos de cada dia.
Pra não reproduzir facinho uns quebra-cabeças cheios de quebranto, tão brilhantes na vitrine, tão sorridentes no out-door e tão fuleiros na cartilha. São quebrantos perpétuos estes nas entrelinhas da educação?

Gratuito e na quebrada, sem dever pra qualidade de outros cursos nesse mesmo naipe, que cobram diamantes pra quem quiser chegar nas turmas que quando giram, geram quase sempre pelos bairros nobres (?) de São Paulo. (E pedregoso é ouvir que nós que inventamos as barreiras, quando o que queremos é esfarelá-las).
Com tanto maio no cangote, nosso maio então, 2010, seja mês de ebulição.
Pra se inscrever é só chegar até dia 01/05/2010 ali no sítio da Toró - www.edicoestoro.net - onde está o cartaz de chamamento e a ficha de inscrição. ***
CURSO: “RESISTÊNCIA E ANUNCIAÇÃO – ARTE E POLÍTICA PRETA”Articulação Pedagógica: Allan da Rosa
Concepção e Diagramação de Cartaz e Apostilas: Mateus Subverso
Realização: Grupo de Capoeira Angola Irmãos Guerreiros & Edições ToróDireção Geral: Mestre Marrom
Apoio: Nós por nós
Agradecimentos: Aos educadores que vêm na graça e na luta. E à comunidade que chega ou oferece atenção.

Fonte: Email gentilmente enviado por Allan Santos Rosa em 25 de abril de 2010.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Alcir Dias - Adrinkas e Africanidades (exposição)

A Galeria do CINE SANTA TERESA

APRESENTA
“ADINKRAS E AFRICANIDADES”
Exposição de Alcir Dias

Rua Paschoal Carlos Magno,136 - Lgo. dos Guimarães/Santa Teresa - Rio de Janeiro - RJ
De 30/04 a 28/05

SÍMBOLOS ADINKRAS

Considerado como um objeto de arte, o adinkra (adeus, em twi) constitui um código do conhecimento referente às crenças e à historia deste povo. A escrita de símbolos adinkra reflete um sistema de valores humanos universais: Família, integridade, tolerância, harmonia e determinação, entre outros. Existem centenas de símbolos e a maioria deles é de origem ancestral, sendo transmitidos de geração em geração. Muitos representam virtudes, sagas populares, provérbios ou eventos históricos. Os ganeses geralmente escolhem suas roupas para usar segundo o significado das cores e dos símbolos estampados nelas. A estampa e a cor expressam sentimentos de ocasiões específicas como festas de funerais, festivais tradicionais, ritos de iniciação como o da puberdade, casamentos, durbars etc. Alegria está relacionada a cores alegres e ao branco, enquanto que para funerais e luto predominam as cores como azul e vermelho escuro, marrom ou preto. Quando as pessoas vestem vermelho escuro ou marrom, isso significa que recém perderam um parente próximo. A cor preta ou azul escuro demonstra a dor prolongada pela perda de uma pessoa amada como os pais, filhos ou companheiro.


Fonte: e-mail gentilmente enviado pelo artista plástico Alcir Dias em 20 de abril de 2010.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Valentinous Velhinho – Tenho o Infinito Trancado em Casa, por Ricardo Riso (A Nação nº 137)


Valentinous Velhinho – Tenho o Infinito Trancado em Casa*

Por Ricardo Riso
Agradecimento especial ao poeta Valentinous Velhinho pela generosa troca de e-mails.

Valentinous Velhinho, nome literário de Valdemar Valentino Velhinho Rodrigues, nasceu em 29/05/1961 na Calheta de S. Miguel, Ilha de Santiago. Participou nos anos 1980 da Sopinha de Alfabeto, colaborou em revistas como Fragmentos e Artiletra, integrou a antologia Mirabilis – de veias ao sol. Publicou, dentre outros, os livros Relâmpagos em Terra (1995) e Tenho o Infinito Trancado em Casa (Artiletra, 2008). Este, o objeto desta resenha.
O longo conjunto de poemas de Tenho o infinito... surpreende pelo tom incisivo, provocador, visceral, insólito, assim como pelas passagens que denotam um caráter mórbido, sepulcral, por vezes escatológico, a remeter ao poeta brasileiro Augusto dos Anjos: “Quantos vermes, quantos o pó anseiam sacudir-me?/ Quero-vos só para mim, ó verme – o meu chocolate sois!” (p. 86).
Trata-se de uma poesia superior explicitada pelo cunho universal, pelas questões metafísicas e existenciais, pela obsessiva temática da loucura, da morte e do suicídio, na contínua referência aos textos bíblicos e na interminável procura para decifrar o desconhecido. Tudo submetido a uma profunda deferência à língua portuguesa e ao esmero criativo nas figuras de linguagem como hipérbato, sínquese, paradoxo, hipérbole e ironia.
Entretanto, o maior mérito do livro está na exímia recriação dos haikais. Ao se afastar do cânone ocidental, o poeta encontra na concisão extraordinários e insólitos resultados. Apropriando-se da técnica nipônica consagrada por Matsuo Bashô, a escrita corrosiva e a inusitada filosofia do eu lírico inquietante se enquadram. A morte: “Vitória mais sofrida/ Do que a do suicida/ Não há.” (p. 142); crítica à religião: “É a um Deus/ Que o abandona/ Que Cristo o espírito entrega?” (p. 152); o ignoto: “Inda mais cíclico do que tudo/ É o que sem inda/ Ter vindo está por vir.” (p. 159).
E os temas caros à poesia caboverdeana? A insularidade é subjugada à condição do poeta ao recordar o local primevo: “O mar/ Abordo da casa/ Onde nasci” (p. 163). A metapoética com o claridoso Jorge Barbosa e o brasileiro Manuel Bandeira é revista em “Sangrenta a Lua”, no qual perpetua a esperança n’“A Estrela da Manhã” (p. 186). A crítica aos rumos do país encontra lírica solução na metáfora bíblica: “Deus ao homem deu/ O desobediente Éden/ E à serpente a obediente pátria” (p. 131). O drama da seca: “É fértil a seca na terra/ Onde caiu a chuva/ E nunca mais se levantou.” (p. 145).
O cariz místico e as questões acerca da existência estão em dois blocos de poemas dedicados ao místico Angelus Silesius e a Deus que iniciam e encerram o livro, aos quais se confrontam com o etéreo: “É divino tudo o que Deus dá/ E também tudo o que Ele recebe.// Porém nada do que tem ou possui Deus/ É divino a não ser o céu e a terra.” (p. 183).
Recorrente é a exaltação à loucura, não a doentia, mas sim a dos poetas, a que expande a consciência: “Como é metafisicarnal/ A glande da Loucura, (...)/ De universos sem fim que nunca mais acabam!”, venerada pelo eu lírico: “Ó sensatos, todos os versos dos loucos/ Aqui à minha sonâmbula cabeceira os quero! Aqui!/ Eis-me aqui.” (p. 94).
Os cânones da filosofia e da literatura ocidental são prestigiados em originais citações a Goethe, Niestzche, Baudelaire, Blake, Kafka, Borges, Flaubert e, com destaque, Fernando Pessoa. Haikais e máximas inspiram-se em Pessoa: “O poeta – se não finge o poeta/ Deus não lhe perdoa nunca”. (p. 14), e no excelente “Encontro a Bordo”, no qual o eu lírico afirma que viu “uma vez só” “o poeta que dobrou Camões” (p. 108).
A longa travessia de Tenho o Infinito Trancado em Casa consolida a poiesis excepcional deste dândi da literatura de Cabo Verde, que busca em seus apocalípticos poemas sanar as dúvidas entre vida e morte para valorizar o Homem, pois “a meta dos homens procuro” (p. 173).
A poesia de Valentinous Velhinho instiga, incomoda e almeja a esperança: “A alma que volte a entrar./ Já passou o vento/ E o sonâmbulo tempo.” (p. 125).
 * Resenha publicada no semanário cabo-verdiano A Nação nº 137, de 15 a 21/04/2010, p. 18.

"Lindara" de Sonia Rosa - lançamento do livro infantil (RJ)

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sábado, 10 de abril de 2010

Vagas gratuitas - Palestra Literatura Cabo Verdiana Contemporânea

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Prezados,

A Revista África e Africanidades possui 12 vagas gratuitas para a Palestra Literatura Cabo-Verdiana Contemporânea, com Ricardo Riso, no dia 12 de abril de 2010 das 15:30 às 17:00, no Largo de São Francisco nº 34 - 5º andar - sala 04 - Centro - Rio de Janeiro (ao lado da papelaria Kalunga).

Serão concedidos certificados de participação.

Para obter a gratuidade o interessado deve encaminhar e-mail com nome completo e telefone para revista@africaeafricanidades.com.br até o próximo dia 11 de abril.

Para maiores informações entre em contato pelos telefones 3903-1530 / 8513-5021/ 8513-5016.

Conheça a Revista África e Africanidades em http://www.africaeafricanidades.com.br/

Att.
Nágila Oliveira dos Santos

segunda-feira, 5 de abril de 2010

I Ciclo de Encontros da Revista África e Africanidades

Curso O Negro na História e na Sociedade Brasileira 05 e 12 / 04 das 13:00 às 15:00
Ministrante: José Barbosa da Silva Filho - Mestre em Política Social (ESS-UFF); Especialista em História do Brasil (UERJ) e Raças e Etnias (PENESB-UFF); Bacharel em História (UFF); Professor da Rede Estadual do Rio de Janeiro.
Ementa: Discutir a hipótese de que as posturas preconceituosas presentes no cotidiano do brasileiro são reforçadas no processo ensino-aprendi¬zagem, através do silêncio em torno da participação e contribuição dos negros na construção da História e da Sociedade Brasileira.
1. Processo Escravocrata Brasileiro: Causas e Consequências; 2. A Teoria do Branqueamento e o Mito da Democracia Racial; 3. A Cultura Negra e a Cultura Brasileira.
Público Alvo: Professores, coordenadores, diretores de escolas e alunos de licenciaturas e público em geral.
Investimento:
R$ 35,00 (Público em Geral)
R$ 25,00 (Professores da Educação Básica)
R$ 15,00 (Alunos de Licenciatura)

2. Literatura Infantil e o Encantamento dos Personagens Negros
15:30 às 16:50
Palestrante: Sonia Rosa – Escritora e Pedagoga
Público Alvo: Professores da Educação Básica, Coordenadores e Diretores de Escolas, Bibliotecários, Escritores de Literatura Infanto-Juvenil, Estudantes de Letras, Pedagogia, Normalistas, Contadores de Histórias, Pais e Público em geral.
Investimento:
R$ 20,00 (Público em Geral)
R$ 15,00 (Professores da Educação Básica, Pedagogos e Bibliotecários)
R$ 10,00 (Alunos de Licenciatura e Curso Normal - Nível Médio)

Palestras
12 de Abril / 2010

1. Palestra Erotismo e Consciência Social na poesia e na literatura cabo-verdiana
08:30 às 10:00
Palestrantes: Lucimar Ribeiro e Giselly Pereira (Graduandas em Letras – UFRJ)
Público Alvo: Docentes da Educação Básica, Escritores, Artistas Plásticos, Estudantes de Letras, Artes e demais interessados.
Investimento:
R$ 20,00 Público em Geral
R$ 15,00 Docentes da Educação Básica
R$ 10,00 Estudantes de Licenciaturas

2. Direitos humanos e políticas públicas de enfrentamento ao racismo: algumas considerações acerca do papel do Poder Judiciário
11:00 às 12:30
Palestrante: Vanessa Santos do Canto (Advogada e Mestre em Serviço Social)
Público Alvo: Advogados, Assistentes Sociais, Gestores, Docentes, Pesquisadores, Estudantes e Público em Geral.
Investimento:
R$ 20,00 (Público em Geral)
R$ 15,00 (Professores da Educação Básica)
R$ 10,00 (Alunos de Licenciatura, Direito e Serviço Social)

3.Palestra Cotidiano e resistência na transição do trabalho escravo para o trabalho livre
11:00 às 12:30
Palestrante: Alejandra Estevez - Doutoranda em Sociologia (UFRJ), Mestre em História Social (UFRJ) e Especialista em História da África e do Negro no Brasil (UCAM)
Público Alvo: Professores da Educação Básica e Superior, Pesquisadores, Estudantes, Representantes de Sindicatos de Trabalhadores, Representantes de Movimentos Sociais e demais interessados no assunto
Investimento:
R$ 20,00 (Público em Geral)
R$ 15,00 (Professores da Educação Básica)
R$ 10,00 (Alunos de Licenciatura)

4. Literatura Cabo-Verdiana Contemporânea: de Mirabilis aos dias atuais
15:30 às 17:00
Palestrante: Ricardo Riso – Crítico Literário, Resenhista do semanário cabo-verdiano A Nação.
Público Alvo: Professores da Educação Básica e Superior, Escritores, Críticos Literários, Pesquisadores, Estudantes de Letras e outras Licenciaturas e Público em Geral.
Investimento:
R$ 20,00 (Público em Geral)
R$ 15,00 (Professores da Educação Básica
R$ 10,00 (Alunos de Licenciatura)

5. Palestra Brinquedos cantados de matriz africana: instrumentos para a educação das relações etnicorraciais e educação psicomotora
17:00 às 18:00
Palestrante: Denise Guerra - Musicoterapeuta, Professora de Educação Física, Especialista em Psicomotricidade, Especialista em Cultura africana e afro-brasileira
Público Alvo: Professores do Ensino Fundamental, Professores de Educação Física, de Música, de Artes, Psicomotricistas, Arte Terapeutas, Musicoterapeutas e demais interessados no assunto
Investimento:
R$ 20,00 (Público em Geral)
R$ 15,00 (Professores da Educação Básica)
R$ 10,00 (Alunos de Licenciatura e do Ensino Médio)

6. Palestra A cultura do Hip-Hop na formação do olhar crítico sobre o mundo
17:00 às 18:00
Palestrante: Roberto de Oliveira – Jornalista e rapper
Público Alvo: Educadores, Pesquisadores, Animadores Culturais, Artistas, Jornalistas, Escritores, Estudantes, Representantes de Movimentos Sociais, Pais e Público em geral
Investimento:
R$ 20,00 (Público em Geral)
R$ 15,00 (Professores da Educação Básica)
R$ 10,00 (Alunos de Licenciatura e do Ensino Médio

7. Palestra Griots: Ancestralidade e Memória
17:00 às 18:00
Palestrante: Antônio Krisnas - Jornalista, Músico, Artista Plástico, Educador, Desenhista e Roteirista de Quadrinhos e Pesquisador da Cultura Afro-Brasileira
Participações Especiais: Getúlio Cortes - Cantor, Compositor e Instrumentista e Zezzynho Andrady - Fotógrafo e Produtor de Eventos de Hip-hop e Basquete de Rua.
Público Alvo: Educadores, Pesquisadores, Animadores Culturais, Artistas, Jornalistas, Escritores, Poetas, Estudantes, Pais e Público em geral
Investimento:
R$ 20,00 (Público em Geral)
R$ 15,00 (Professores da Educação Básica)
R$ 10,00 (Alunos de Licenciatura e do Ensino Médio)

Local de realização de todas as atividades: Largo de São Francisco de Paula, 34 - 5º andar - Centro – RJ

Inscrições somente pelo site: www.africaeafricanidades.com.br
(Pagamento - cartões de crédito à vista ou parcelado, boletos, depósito on-line e transferência)

Observações Gerais:
- Cada inscrição só dá acesso a uma atividade do evento.
- Ao término de todas as atividades serão fornecidos certificados de participação;
- A realização de cada atividade está condicionada ao mínimo de inscrições. Caso contrário o inscrito será antecipadamente comunicado via telefone ou e-mail sobre o interesse em realizar outra atividade do mesmo valor ou receber o valor da inscrição.
- É obrigatória a apresentação de documento de identidade com foto e comprovante de estudante ou atuação profissional de acordo com inscrição promocional de cada atividade.
- Todas as atividades possuem vagas limitadas e não serão realizadas inscrições no local do evento.
- A realização das atividades está condicionada a formação de turmas. Os inscritos serão avisados via e-mail ou telefone da confirmação da realização da mesma em no mínimo 72 horas antes da data prevista para as mesmas. Caso a atividade seja cancelado o investimento será devolvido.

sábado, 3 de abril de 2010

Vasco Martins e a celebração telúrica do Monte Verde em “run shan”

Por Ricardo Riso

Agradeço a gentileza do amigo Tchalê Figueira ao me presentear com esta pequena pérola.

Exímio compositor e pianista de formação erudita, com onze álbuns gravados – o primeiro, “Vibrações”, data de 1979, enquanto o recente “Lua Água Clara” foi lançado em 2009 –, compôs nove sinfonias além de inúmeras peças que abarcam a música tradicional de Cabo Verde, e ainda assim passeia por diferentes estilos da música. Falamos de Vasco Oliveira Martins, nascido em 12/07/1956 na cidade de Queluz, Portugal.

Filho de pai cabo-verdiano e mãe portuguesa, aos nove anos muda-se para a ilha de São Vicente, Cabo-Verde, juntando-se à família paterna, onde concluiu o Curso Geral dos Liceus, em 1974. Foi para Portugal estudar com o compositor Fernando Lopes Graça e na França com o compositor e chefe de orquestra Henri-Claude Fantapié. Retornou a Cabo Verde em 1985 e permanece até os dias atuais.

Na poesia, Vasco Martins recebeu menção honrosa nos Jogos Florais de 12 de setembro de 1976, participou da antologia “Mirabilis – de veias ao sol”, e publicou os livros “Universo da ilha” (1986), “Navegam os olhares com o voo do pássaro” (1989), “run shan” (2008). Tem ensaios e artigos publicados no “Voz di povo”, “Voz di letra”, “Fragmentos”, entre outras publicações. Na internet, encontramos as músicas de Vasco Martins em seu site e sua poesia no blog Deserto do Sul.

run shan é um pequeno, cuidadoso e delicado livro de poesia com apenas 34 páginas, formado por poemas atribuídos ao heterônimo Vasc d’Monteverde cujo leitmotiv é o Monte Verde, ponto máximo (774 m) da ilha de São Vicente. Escorando-se em sua formação universal e no profundo conhecimento das filosofias orientais, Vasc d’Monteverde recorre ao antigo poeta chinês Li Bai e aos taoístas daquele país para justificar a apropriação de suas visões de mundo e a opção em celebrar o monte sanvicentino a partir do conceito de run shan que “significa ‘penetrar a montanha’, no sentido meditativo, contemplativo: usufruir do privilégio de estar longe da polícia geral da vida” (p. 5).

Com isso, depreendemos que há uma postura do sujeito lírico em não apenas versar o Monte Verde, mas o desejo inequívoco em revelar o seu descontentamento com o mundo que o cerca. O fato de ter a montanha como local de reflexão dos males da contemporaneidade estimula-o a buscar outras paisagens, outras sensações para acalentar o espírito, alcançar a paz interior e utilizar a força da palavra poética como condutora desse caminho: “Purificado pelas brumas do Monte Verde / Alma de poeta caminhante contemplativo / Encontro paz longe longe d’azafáma do mundo” (p. 18).

Suas preocupações existenciais e metafísicas, e o predomínio de uma visão telúrica remetem-nos ao heterônimo de Fernando Pessoa, Alberto Caeiro. Sendo assim, justifica-se quando deparamo-nos com a exacerbada reverência ao Monte Verde realizada por um sujeito lírico praticante dos dogmas taoístas, em uma busca pelo Todo, da fusão do Uno e do Verso, valendo-se dos paradoxos caracterizadores do Tao Te King:

(Agora entre eu e o Monte Verde
Só as nuvens que passam,
Os momentos de plenitude
São quando deixamos de ser nós
Para sermos nós) (p. 7)

O telurismo exacerbado deste heterônimo faz com que sinta pesar por ser obrigado a deixar o Monte, “Hora melancólica. Mas amanhã voltarei!” (p. 9). Porém a tristeza será passageira, pois o sujeito lírico afirma o seu certo retorno para o lugar de tempos imemoriais, ancestrais, no qual até o avançar do tempo desafia Cronos:

Ilhas como dinossauros a descansar.
Choveu e os montes têm rugas vincadas.
A terra move-se trinta quilômetros por segundo
Mas tudo parece quieto (p. 14)

O telurismo constante, o apego ao chão do Monte faz com que o sujeito lírico preste diversas homenagens à fauna – como os fililis e a águia-do-mar – e à flora – Aeonium gorgoneium – locais em diversos poemas, como neste, em que utiliza ora o nome vulgar, ora o nome científico das aves e das plantas:

Macela
Sementes de erva doce
Falco alexandrii
Sementes de endro
Aeonium gorgoneium
Coroa-de-rei
Passar iagoensis
Gestiba
Pandion halieatus
Pandion halieatus (p. 28)

Elementos da natureza como o ar e a aspiração por liberdade aparecem em vários momentos nos poemas, em líricas e tenras imagens de uma poesia comprometida com o etéreo: “Se observas os pardais do campo / É porque o teu coração anseia / Pela candura e liberdade” (p. 16). As metáforas do voo surgem, desprender-se do terreno através de uma profunda interiorização do ser a transcender em forma de poesia:

Deste único arvoredo vejo uma
Ilha suspensa: vou com ela
Pelo universo adentro talvez
Nalgum porto o meu espírito há-de acostar (p. 15)

Outro elemento da natureza é invocado, a água, para criticar a desordem da vida contemporânea e renovar os corações e as mentes dos homens, preparando-os para uma nova Era de harmonia entre os seres:

De uma secreta fonte há-de brotar
Límpida água
Fluindo depois como uma ribeira
Purificando o coração dos homens
Pacificando o coração dos homens
Restabelecendo a Era da ternura e compaixão (p. 25)

A crença inabalável nos homens faz com que recorra ao seu conhecimento universal e assim capturar o alento proposto nas composições do músico erudito finlandês Jean Sibelius e ao Buda Çâkyamuni. Tenta, com isso, recompor a sensibilidade dispersa por tanto desprezo ao próximo, dominante na ordem competitiva dos dias atuais. Almeja a mudança da mentalidade destrutiva que se apodera da Humanidade e encerra o poema com a sapiência do paradoxo:

Quando me dizem que o mundo vai mal
Já não acreditam na humanidade
E tudo caminha para um colapso
Argumento:
Ouçam a sétima sinfonia de Sibelius
Ela é a prova da magnitude espiritual
Do ser humano
Afirma a generosidade que temos em nós
Tal como Çâkyamuni anunciou.

É uma luz-farol para as boas navegações
Temperada por ela empreendemos a vida
Com alento e esperança.

Não se pode percorrer o caminho
Sem sermos o próprio caminho (p. 27)

Ao incorporar a filosofia oriental, o sujeito lírico usa expressões em sânscrito, língua dos textos sagrados indianos, para demonstrar a vontade incontestável de mudança e clama por uma visão de vida, de relação com o sagrado, com o cosmo: “Por alguns instantes somos a luz que brilha / Ávida por outra luz. // Sarvasattvapriyadarçana!* // (...) Que essa luz nos ilumine! / Que essa luz nos ilumine! / Que essa luz nos ilumine!” (p. 19)

O poema Mañjushaka, palavra em sânscrito, que significa uma flor branca que cresce no paraíso e que tem poder de afastar maus espíritos, propõe a evasão para tentar compreender a inconsequência do mundo. Lirismo ao encontro do universo, aspira a comunhão com o Todo:

Durante horas vagueio
Solitário neste Monte
Até estar no movimento do
Universo.
Com ele no coração
A mente torna-se calma e lúcida. (p. 29)

Da profunda viagem interior, novas percepções surgem e revelam, sinestesicamente, o mistério que há na natureza: “Vem da terra o cheiro / Húmido das nuvens. / A simplicidade das ervas frescas / É o segredo.” (p. 29).

Na ininterrupta procura pela harmonia, “Visto uma camisa amarela / Para condizer com a luz do fim do dia” (p. 23), o comovente e lírico poema “Sob um pé de charuteira” mostra a gradação da meditação. Da paz e tranquilidade proporcionada pelo shanti à passagem para um novo estágio de consciência, o samsara. Sinergia em êxtasiantes versos, a confluência com o Todo, o Indivisível, o Universal: “Sinto: / A montanha parece querer entrar em mim // Agora: / Azul Abril / Asa de borboleta nocturna” (p. 21)

Ao utilizar o heterônimo Vasc d’Monteverde, o poeta e músico Vasco Martins contribuiu de forma excepcional para o lirismo e o universalismo típicos da poesia cabo-verdiana. As ressignificações propostas pela inspiração na filosofia oriental demonstram prismas diferenciados que podem nos ajudar a ver, sentir, refletir uma nova forma de vida para a histeria do mundo ocidental. O canto lírico interior emanado de Vasc d’Monteverde mergulhado no cosmo da natureza, faz com que sua poesia voe livre, liberta das amarras terrenas, sendo conduzida apenas pela ilimitada imaginação criadora.

Acompanhamos os versos do poeta, “Felizes brindámos / À vida com bom vinho / Momento eterno fugaz” (p. 26), descobrimos novas sensações que fazem do Monte Verde, signo de pureza e alegria, o local onde os movimentos cósmicos se transformam para renovar o ser humano, por conseguinte, renovar o mundo que lhe coube viver. Monte Verde, local do belo, run shan, páginas de encantamento, incentivos a novas buscas existenciais, a desvendar o mistério da criação.

Monte Verde!

Já dormi em cima da tua terra limpa-macia!
Celebro-te!
Perto de ti não mais tenho dúvidas!

Que muitas gerações ainda celebrem a tua beleza.
Que te protejam dos homens e das cabras.
Continuarás então a limpar a alma
Dos que sentem o apelo das brumas e do silêncio. (p. 30)


 
* Sarvasattvapriyadarçana: do sânscrito: visão de alegria para todos os seres (Nota do escritor).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
SECCO, Carmen L. T. R. (Org.). Antologia do mar na poesia africana de língua portuguesa do século XX: Cabo Verde. Rio de Janeiro: UFRJ, Coordenação dos Cursos de Pós-Graduação em Letras Vernáculas e Setor de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, 1999. v.2.

INTERNET
Vasco Martins. http://vascomartins.com/ Acessado em 02 de abril de 2010.
Deserto do Sul. http://desertodosul.blogspot.com/ Acessado em 02 de abril de 2010.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Artigo sobre Sangare Okapi no jornal Notícias (Moçambique)


Prezados(as),

Ontem foi publicado um artigo de minha autoria no jornal Notícias (Moçambique) a respeito do livro Mesmos Barcos ou poemas de revisitação do corpo, do poeta moçambicano Sangare Okapi, intitulado “Mesmos Barcos”: Sangare Okapi e a revisitação do corpo literário moçambicano. Para realizar a leitura do texto, clique aqui.

Agradecimento especial aos poetas Manecas Cândido e Sangare Okapi pelo apoio à publicação.

Abraços,
Ricardo Riso