quinta-feira, 24 de junho de 2010

SEMINÁRIO NANDYALA Editora - “Africanidades e Educação” - Belo Horizonte/MG


SEMINÁRIO NANDYALA Editora
“Africanidades e Educação”
26/06/2010, sábado, 8h30 às 12h
Auditório da UNA – Rua Aimorés, 1451 - Bairro Lourdes BH – MG

PROGRAMAÇÃO
8h30: Conferência
“Educação humanista e diversidade no contexto das relações etnicorraciais”
(Profa. Stefânie Arca Garrido Loureiro – PUC Minas)

10h: Mesa-redonda
“Educação e Culturas Africanas”
(Prof. Dr. José de Sousa Miguel Lopes – UEM/Moçambique; UEMG)

"Formação de Professores e Religiões de matrizes africanas"
(Prof. Dr. Erisvaldo Pereira dos Santos)

“O imaginário sobre África e seus impactos na educação brasileira”
(Prof. Ms. Marcos Antônio Cardoso – PBH; FCRCN)

11h30 : Depoimento
“Educação e Cultura na Guiné-Bissau”
(Profa. Dra. Odete Costa Semedo – Guiné-Bissau)

12h : Coquetel de Despedida e Homenagem a Odete Semedo

INSCRIÇÕES GRATUITAS. ENTRADA FRANCA.

eventos@nandyalalivros.com.br ou (31) 3281-5894 APOIO: Centro Universitário UNA

Serão fornecidos certificados aos participantes e haverá distribuição gratuita de algumas publicações Nandyala para educadores.
(NANDYALA Livraria & Editora - Av. do Contorno, 6.000 – Lj 01- Savassi - Belo Horizonte – MG)
 
Fonte: e-mail gentilmente enviado pela Nandyala Editora em 24/06/2010.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Simpósio Afrocartografias Macaenses

Curso «África Ontem e Hoje» - CCJF/RJ

o PALABRA,

« Palavras Africanas no Brasil », conta com a presença de vocês e a divulgação do curso « África Ontem e Hoje » para os próximos módulos. Às quartas feiras das 19h às 21h até dia 13/8/2010, no Centro Cultural da Justiça Federal - Cinelândia.

No encerramento de cada módulo ocorrerá as mesas-redondas (gratuitas)
____________________________________________________________

1/7/2010 (terça). Mesa 2/ biblioteca. Diáspora os dois lados do Atlântico. Debatedores: Prof. Denise Barros, Profa. Ms. Ynaê Lopes, Prof.Dr. Jacopo Corrado, Prof.Dr. Milton Guran. Mediadora: Profa. Msa. Clícea Maria de Miranda
____________________________________________________________

10/8/2010 (terça). Mesa 3 / biblioteca. África Contemporânea. Debatedores: Prof., Prof. Msa. Kelly Araujo, Prof. Dr. Marcelo Bittencourt, Profa. Augusta Évora, Prof. Marcos Vinicius Coelho, prof. Edson Borges. Mediadora: Marina Berthet e Simone Ribeiro

Módulo 2 « Identidades africanas »

9/6/2010.Migração Circular Dongos. Profa. Dra. Denise Dias Barros, USP.

16/6/2010. O reino de Axum e a historiografia africana. Prof. Dr. Jacopo Corrado, UFF.

23/6/2010. Os retornados do Benim, Togo, Nigéria e Gana: Agudás e Tabons. Prof. Dr Milton Guran, Foto-Rio.

30/6/2010. Breve História das Áfricas. Sociedades africanas entre os séculos IV e VI. Profa. Msa. Ynaê Lopes, USP.

Módulo 3 « Africa Contemporânea »

14/7/2010. O humano, o selvagem e o civilizado: discursos coloniais sobre a natureza em Moçambique. Prof. Ms. Marcos Vinicius Coelho, UNICAMP.

21/7/2010. Cabo Verde-África, da Geração da Utopia aos filhos da Revolução: Que balanço, que caminhos? Profa. Augusta Évora, UFF.

28/7/2010. Angola: Guerra Fria Profa. Msa. Kelly Araujo, Sorbone/Paris.

06/8/2010 (sexta). A construção da idéia de África: representações do continente “negro”. Prof. Ms. Edson Borges, Candido Mendes.

13/8/2010 (sexta). O colonialismo e as independências na África. Prof. Dr. Marcelo Bittencourt, UFF.

R$100,00 o módulo. Aulas avulsas R$30,00.
Informações: palabrafrica@gmail.com ou pelos telefones 2224-5552, 8733-9140, 8189-7481.

Fonte: e-mail gentilmente enviado pela Profa. Dra. Maria Cristina Prates Braga em 22 de junho de 2010.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

LUTO: José Saramago - 16/11/1922 - 18/06/2010

José Saramago faleceu hoje aos 87 anos. Foi o primeiro autor de língua portuguesa a receber o Prêmio Nobel de Literatura em 1998.

Nasceu em 16 de novembro de 1922, em Azinhaga, no Ribatejo, Portugal, e faleceu em Lanzarote, nas Ilhas Canárias.

Foi-se um Grande Homem. O blog Sonhos não Envelhecem está de luto.

Ricardo Riso

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Um outro 16 de junho que não deve ser esquecido

por Ricardo Riso

16 de junho de 2010, Copa do Mundo de Futebol sendo realizada na África do Sul. Em meio ao evento, torna-se imperioso recordar o que aconteceu há exatos 34 anos. Naquela época, o país vivia sob o tenebroso e injustificável regime do apartheid promovido pela minoria branca conhecida como afrikander.

No dia 16 de junho de 1976 um grupo de estudantes negros organizou uma passeata em Soweto para protestar contra a imposição do ensino do idioma dos brancos, o afrikanns, junto à língua inglesa nas escolas somente frequentadas pelos negros. Como resultado, a repressão violenta e estúpida por parte das autoridades regidas pelo apartheid aos estudantes, que combatiam o mais cruel meio assimilacionista: a imposição da língua.

No fim, em torno de 500 pessoas foram assassinadas, sendo que, dentre os mortos, o jovem de 13 anos, Hector Pieterson acabou entrando para a História por causa de uma foto que o mostra agonizando nos braços de outra pessoa. Essa imagem correu o mundo e provocou a revolta dos negros sul-africanos em diversos pontos do país.

Isso só para relembrar o quanto foi difícil e tortuoso o caminho até o fim do apartheid em 1990. Se hoje ocorre o maior evento do mundo na África do Sul, não devemos esquecer o que a população negra deste país sofreu até chegar a este 16 de junho.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

O Brasil que se quer branco não elogia as mulheres negras presentes na Copa

O Brasil que se quer branco não elogia as mulheres negras presentes na Copa


Por Ricardo Riso

É impressionante como o racismo se apresenta nas transmissões brasileiras durante os jogos da Copa do Mundo e nos demais canais de comunicação. Há pouco, deparei-me com esta matéria no site do G1: “Gatas na partida entre Holanda e Dinamarca - Lindas torcedoras marcam presença no duelo europeu”. Trata-se de uma série de fotos tiradas das mulheres nas arquibancadas. Todas brancas, louras, lábios finos e cabelos lisos. Por outro lado, o site UOL mostra-se sensível: de trinta e nove fotos das “Musas da Copa” encontramos duas negras, ou seja, 5,13%. (...)
 
Mais em A Bola Limpa.

Época de Copa do Mundo, Barbosa merece ser lembrado

Época de Copa do Mundo, Barbosa merece ser lembrado

Por Ricardo Riso

A maior pena que existe para um crime no Brasil é de trinta anos. Mas desde 1950 eu sou condenado.
(Barbosa frase extraída do livro “A pátria em chuteiras – novas crônicas de futebol” de Nelson Rodrigues)

Aproxima-se uma nova estreia do Brasil em Copa do Mundo e urge recordar o jogador que sofreu a maior perseguição já afligida por um cidadão brasileiro, falamos do goleiro da Copa do Mundo de 1950, o negro Moacir Barbosa Nascimento. Pode-se perceber pela epígrafe que a declaração de Barbosa assinala a pena de vida à qual foi obrigado a viver até o dia 8 de abril de 2000, data de seu falecimento.

O drama do vitorioso goleiro Barbosa, nascido a 27 de março de 1921 na cidade de Campinas/SP, se deu após o chute fulminante do atacante uruguaio Ghiggia à meta canarinha, o fatídico gol que decretou a derrota brasileira, consagrando a seleção celeste bi-campeã na partida que entrou para a História como Maracanazzo. A tragédia maior do país, presenciada por duzentas mil pessoas, reforçou diversas máximas racistas ao jogador negro, a maior delas, talvez, a de que negro não serve para goleiro. (...)
 
Mais em A Bola Limpa.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

José Luiz Tavares - Paraíso Apagado por um Trovão (resenha)


José Luiz Tavares - Paraíso Apagado por um Trovão

por Ricardo Riso
Resenha publicada no semanário A Nação nº 145, página 16, de 10 de junho de 2010

O arrebatador Paraíso Apagado por um Trovão, 1º livro de poesia de José Luiz Tavares, alcança a sua 3ª edição sob a chancela da Universidade de Santiago, ampliado com onze novos poemas, uma entrevista à Maria João Cantinho resgatada da revista Storm-magazine e pela 1ª vez com tradução para a língua cabo-verdiana. Motivo maior para celebrar este relançamento, o que faz jus à atuação contínua do poeta na língua mãe, ora na criação de poemas, ora na tradução de textos lusógrafos.

Impressiona em Paraíso... a depuração da língua portuguesa em uma autêntica reinvenção da linguagem já descrita por José Luis Hopffer Almada, explorando os limites do verbo e do labor poético com imagens por vezes insólitas e surpreendentes na rememoração criativa da infância – “pátio paraíso onde é sempre/ estio” – do poeta na rural Chão Bom, Tarrafal de Santiago: “Descer – ao chão antigo,/ agreste, familiar; (...) Regressar – à vida rude, elementar,/ Desacontecidos sucessos/ são matéria deste livro, precário/ edifício, como tudo o que é erguido/ pelo cuspo da poesia”.

Para reconstruir o passado evoca a casa, lugar primordial: “Ali fora a casa. Lugar/ das domésticas deflagrações”. Memória esgarçada recriada por uma sensível tessitura: “Às vezes, é de tudo o que não falamos/ que me recordo. Então uma cicatriz de doçura/ assalta-me os inacontecidos gestos (...) mas já não tenho a certeza se pisei esses/ polvorentos caminhos”.

As figuras marcantes desses dias estão nos poemas agrupados em Retratos Cativos. As mães ganham especial destaque: “São elas, as mães./ (...) Assim, /perto de nós, fica o eco / dos seus rostos;/ (...) Sobre as colinas da manhã/ são o mais alto nome do amor”. Cativante a recordação do “cristo de negra pele”, “velho avô de suaves cãs”: “Nele, o perfil alcantilado honrando a ascendência”; assim como as tocantes despedidas do avô quando “eu era ainda da estirpe dos inocentes”: “Erguia então o padre a/ extrema-unção, mas são meus os braços/ estremecendo agora ao derramar dos santos/ óleos”; e da cerimônia da avó: “E fez-se luz sobre a estreita cova/ quando à terra baixaram o corpo de minh’avó (...)/ Pediu minh’avó, expressamente, que assim/ fosse. Duas, três voltas deram-se à igreja; cumprindo-se assim sua última vontade./ Mas por todo esse ano eu não pararia/ de ver a sua curvada figura vigiando/ o alvoroçado recolher dos galispos”.

“Pela sirga da memória” veem outras passagens, como na escola: “Aprendemos verbos e pronomes;/ ao tabefe e à reguada. Cantada a tabuada,/ de pé, em frente ao quadro, com que alívio/ a sineta nos chamava para o intervalo”; e no cotidiano rural: “Olhai o homem que levanta o cenho/ e move o vento do pensamento (...)/ Olhai-o agora caminhando pelos sulcos,/ derramando as sementes no mês exato/ em que as aves pressurosas/ indiciam o destino das colheitas”.

Galardoado com o Prémio Mario António da Fundação Calouste Gulbekian em 2004, a estreia poética de Tavares assevera o pleno domínio do seu ofício, certifica a maturação da linguagem entrecortada por um vocabulário rebuscado que remete à Renascença, tornando complexa e fascinante a sua poesia: “Desde os almudes onde esbraceja a treva/ aos sulcos em que o vitupério uma canção/ verrina, inclina-se essa mulher/ para o fogo que vai crescendo”.

Contudo, ainda assim hialina poesia, paradoxal pela maneira como esse sujeito lírico se expressa em deslumbrantes metáforas, corvídea escritura: “o que no desterro de si mesmo/ sonha o armistício primaveril/ mas a supérstite mão do criador/ transforma em eterno arauto da catástrofe”, posto que “é disso feito o poema;/ inda o não saibas, tudo o que nele entra/ tinge-se de penumbra e mistério”.

Paraíso Apagado por um Trovão enquadra-se entre o que há de melhor na poesia cabo-verdiana, quiçá, em língua portuguesa, proporcionada por este partícipe incontestável da reconfiguração da linguagem poética, José Luiz Tavares, “aquele que de novo refaz/ a obscura trama do mundo”.