quinta-feira, 8 de julho de 2010

Para sempre Amílcar - por Ricardo Riso


Para sempre Amílcar
Por Ricardo Riso
Publicado no semanário cabo-verdiano A Nação, número 149, 08 de julho de 2010, p. 14.

(...) para a exaltação das multidões enraivecidas
exultantes com o herói do povo
aclamado como abel djassi
festejado como messias-fundador
adorado como cristo negro dos rabelados de santiago
sempre gratamente louvado como cabral
sempre simplesmente chamado amílcar
(ALMADA, José Luis Hopffer C. Praianas – Revisitações do Tempo e da Cidade.
Praia: Spleen Edições, 2009. p. )

No eterno combate às desigualdades sociais, à exploração e detrimento de muitos para favorecimento de poucos em uma constante metamorfose da dominação opressora, convém estarmos atentos aos discursos estabelecidos e enfrentarmos a perigosa memória seletiva que tenta conduzir à amnésia coletiva personagens importantes do passado. Por isso, em razão de mais um 5 de julho cabo-verdiano independente, a recordação pertinente de Amílcar Cabral.

Não se pretende neste curto espaço falar dos incontáveis feitos do grande líder da união Guiné-Cabo Verde, do PAIGC, da sua atuação como engenheiro agrônomo, da iluminada intelectualidade e do humanismo exacerbado – africano e universal –, para além de todos esses venerados atributos queremos aqui relembrar os seus poemas e a influência dos seus ideais na poesia.

Da consciência política adquirida desde cedo à afirmação intelectual concretizada na prolífica convivência na Casa dos Estudantes do Império, ao lado de nomes como Alda Lara, Agostinho Neto e Mário Pinto de Andrade, Amílcar, em “Apontamentos sobre a poesia cabo-verdiana”, percebe na poesia de “Claridade” e “Certeza” as marcas da cabo-verdianidade: “Os seus poetas sentem e sabem que, para além da realidade cabo-verdiana, existe uma realidade humana de que não podem alhear-se. (...) E dizem, querem dizer ‘um canto... que cruze nos mares mais distantes e entre nos corações dos homens... um canto com contornos de paz e relevos de esperança’”.

É na crença na esperança de uma nova luz que o faz versar “para além de um Sol já velho defraudado/ há um puro Sol cruzando os infinitos/ vivificando a Vida. (...) Que amanhã na planície conquistada/ da terra redimida/ libertada/ os Homens irmanados colherão/ o saboroso Pão”. Sol contrapondo-se à noite colonial manifestada pela insularidade aprisionadora: “colinas sem fim de terra vermelha/ – de terra bruta –/ rochas escarpadas tapando os horizontes,/ mar aos quatro cantos prendendo as nossas ânsias!” Mas é na força proposta pela “reafricanização dos espíritos” na qual o insistente e ansioso pedido do poema “Regresso” visualiza a chuva que renova o tempo: “Mamãi Velha, venha ouvir comigo/ o bater da chuva lá no seu portão./ (...) Dizem que o campo se cobriu de verde,/ da cor mais bela, porque é a cor da esp’rança./ Que a terra, agora, é mesmo Cabo Verde/ – É a tempestade que virou bonança...// Venha comigo, Mamãi Velha, venha,/ recobre a força e chegue-se ao portão./ A chuva amiga já falou mantenha/ e bate dentro do meu coração”.

Orientados pelos ideais cabralinos, por um “destino nosso, livremente escolhido”, letras armadas de poetas surgidos ao final dos anos 1950 como Onésimo Silveira e na “postulação irritada da fraterninade” de Mário Fonseca, construíram o seu fazer poético consubstanciado pelo desejo irrevogável de libertação do país, por conseguinte, do continente africano, escancarado por Fonseca em “Eis-me aqui África”.

Sensível não só ao injustificável colonialismo português, mas a todas as formas de opressão aos países africanos e do 3º mundo em geral, esse “Guevara de África”, tão bem alcunhado por Alda Lara, ganhou uma correta homenagem pelo seu legado de homem, político e poeta na antologia temática organizada por Mário Pinto de Andrade, “O Canto Armado”, com uma seleção de poema: Kabral ka morrê.

Na produção contemporânea cabo-verdiana podemos citar as passagens do supracitado “Praianas”, de José Luís Hopffer C. Almada, nas quais o “verbo livre e urgente” do líder é recordado e exaltado. Com isso, concluímos essa pequena homenagem ao homem de “perfil visionário da aura carismática” que foi Amílcar Cabral.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Cabo Verde - 5 de julho, 35 anos de independência




Amílcar Lopes Cabral (Bafatá, Guiné-Bissau, 12 de Setembro de 1924 — Conacri, 20 de janeiro de 1973)

REGRESSO

Mamãe Velha, venha ouvir comigo
O bater da chuva lá no seu portão.
É um bater de amigo
Que vibra dentro do meu coração

A chuva amiga, Mamãe Velha, a chuva,
Que há tanto tempo não batia assim...
Ouvi dizer que a Cidade-Velha
– a ilha toda –
Em poucos dias já virou jardim...

Dizem que o campo se cobriu de verde
Da cor mais bela porque é a cor da esp’rança
Que a terra, agora, é mesmo Cabo Verde.
– É a tempestade que virou bonança...

Venha comigo, Mamãe Velha, venha
Recobre a força e chegue-se ao portão
A chuva amiga já falou mantenha
E bate dentro do meu coração!


POEMA

Quem é que não se lembra
Daquele grito que parecia trovão?!
– É que ontem
Soltei meu frito de revolta.
Meu grito de revolta ecoou pelos vales mais longínquos da Terra,
Atravessou os mares e os oceanos,
Transpôs os Himalaias de todo o Mundo,
Não respeitou fronteiras
E fez vibrar meu peito...

Meu grito de revolta fez vibrar os peitos de todos os Homens,
Confraternizou todos os Homens
E transformou a Vida...

... Ah! O meu grito de revolta que percorreu o Mundo,
Que não transpôs o Mundo,
O Mundo que sou eu!

Ah! O meu grito de revolta que feneceu lá longe,
Muito longe,
Na minha garganta!

Na garganta de todos os Homens



ROSA NEGRA
 
Rosa,
Chamam-te Rosa, minha preta formosa
E na tua negrura
Teus dentes se mostram sorrindo.


Teu corpo baloiça, caminhas dançando,
Minha preta formosa, lasciva e ridente
Vais cheia de vida, vais cheia de esperanças
Em teu corpo correndo a seiva da vida
Tuas carnes gritando
E teus lábios sorrindo...

Mas temo tua sorte na vida que vives,
Na vida que temos...
Amanhã terás filhos, minha preta formosa
E varizes nas pernas e dores no corpo;
Minha preta formosa já não serás Rosa,
Serás uma negra sem vida e sofrente
Ser’as uma negra
E eu temo a tua sorte!
 
Minha preta formosa não temo a tua sorte,
Que a vida que vives não tarda findar...
Minha preta formosa, amanhã terás filhos
Mas também amanhã...
... amanhã terás vida!



 ILHA

Tu vives - mãe adormecida-
nua e esquecida,
seca,
fustigada pelos ventos,
ao som das músicas sem música
das águas que nos prendem...

Ilha:
teus montes e teus vales
não sentiram passar os tempos
e ficaram no mundo dos teus sonhos
- os sonhos dos teus filhos -
a clamar aos ventos que passam,
e às aves que voam, livres,
as tuas ânsias!

Ilha:
colina sem fim de terra vermelha
- terra dura -
rochas escarpadas tapando os horizontes,
mas aos quatro ventos prendendo as nossas ânsias!

Fonte: http://www.didinho.org/apoesiadeamilcarcabral.htm

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Mito Elias – Private Z(oo)m, por Ricardo Riso



Mito Elias – Private Z(oo)m

Ricardo Riso
Artigo publicado no semanário cabo-verdiano A Nação, nº 147, de 24 de junho de 2010

A literatura perpassa a obra do artista plástico praiense Mito Elias desde o século passado com a revista “Sopinha de Alfabeto” às recentes criações em vídeo, como “Poemix”. Um caminho natural repleto de generosidade e humanismo aos seus pares escritores para este artista também poeta.

A ousadia apresentada em meios múltiplos desnuda a inquietação e o rigoroso comprometimento na incessante busca por novas experimentações sensoriais deste abnegado perscrutinador do tempo que lhe coube viver.

A criação, ou melhor seria a recriação, para Mito Elias não se esquiva da irreverência, da ironia e da ludicidade, e é isso que encontramos nas surpreendentes imagens de “Private Z(oo)m” - http://www.buala.org/pt/mukanda/private-zoom - acompanhadas por poemas do prestigiado Arménio Vieira.

Um arqueológico olhar pela, por vezes, caótica e desgastada paisagem urbana revela seres fragmentados do outrora, reformulados pela lírica sensibilidade do artista que extrai do sujo, do lascado, do borrado nas paredes da cidade imagens ancestrais capturadas pela lente fotográfica. É esse olhar ampliado, o zoom, empenhado em reelaborar a percepção dilacerada do homem contemporâneo pelo qual Mito Elias, a nos mostrar a necessidade de reconfigurar os sentidos para que não sejamos os “homens cães” de Arménio Vieira, nos conduz às nossas imagens primordiais, as pinturas rupestres.

Das pinturas nas paredes das cavernas à reinvenção dos animais desse zoo privado de Mito Elias flagrados em singelas fotografias, arquétipos urbanos de nossa ancestralidade, simulacros fragmentados de pinturas rupestres pós-modernas que nos remetem à origem primeira da arte, da sensibilidade do homem extraída dos escombros da memória coletiva.

Esse procedimento confere à série Private Z(oo)m um lugar de reflexão, de atualização signíca, de reconfiguração visual da nossa histórica imagética. Avisa-nos da pertinência de um olhar acurado, de um olhar poético como o de Vieira que visualiza “um gato / saltando de uma nuvem para outra / até ficar oculto / num floco todo branco”; de um olhar que recorre à fotografia, e aqui lembramos da relação com a pintura, do artesanal e por vezes longo processo de realização do artista e da efemeridade captada por uma lente; da relação passado-presente apontada para o futuro reinscrito nas lentes deste vate consagrado da arte cabo-verdiana.

"Private Z(oo)m" propõe o alargamento do olhar através da recriação dessas pinturas rupestres, propõe, além disso, a experiência de renovarmos de forma constante a experiência de buscar imagens em lugares inusitados. Apropriando-se daquilo que poderia ser tido como lixo ou descuido com a nossa casa, afinal paredes nos abrigam e materializam nossa casa, as fotografias da série aqui referida revelam a sensibilidade perdida desde esses milenares tempos idos, o descaso com a nossa casa, propõem a conscientização ontológica, a reformulação das utopias esgarçadas e desacreditadas pela insensível ordem vigente.

"Private Z(oo)m" ao retomar nossa memória imagética primordial sugere a reaprendizagem do olhar fraturado e dilacerado sobre as pessoas, sobre o mundo no qual vivemos, cada vez mais frio, cruel e egoísta. Contra a indiferença dos tempos atuais, “Private Z(oo)m”, em imagens insólitas e líricas, demonstra a viável possibilidade de um novo tempo, recompondo os estilhaços do olhar. Assim é Arte. Assim é Arte, sobretudo, para Mito Elias.

Colóquio «Língua Portuguesa e Diálogo Cultural» - 1, 2 e 6/07/2010 - Universidade de Cabo Verde



Enquadramento do Colóquio
O Colóquio sobre a Língua Portuguesa e Diálogo Cultural, realizado no âmbito da visita de Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva a Cabo Verde, a realizar entre os dias 01, 02 e 06 de Julho de 2010, visa analisar e discutir temas ligados à Literatura, Cultura e Língua Portuguesas, tanto na perspectiva dos desafios do ensino do Português no século XXI, como no aspecto da presença e da dinâmica cultural da Língua Portuguesa em Cabo Verde. O início do Colóquio nos dias 01 e 02 de Julho constituirá um momento preparatório para o grande painel temático do dia 06 de Julho – o dos Desafios para a Língua Portuguesa no século XXI. Este dia 06, que contará com a intervenção da Primeira Dama, Prof. Doutora Maria Cavaco Silva, no âmbito da Língua Portuguesa, incluirá também intervenções de individualidades ligadas à Promoção e Difusão da Língua e Cultura Portuguesas, bem como do Ministério do Ensino, Ciência e Cultura de Cabo Verde e Ministério da Cultura de Portugal. Uma vez que a visita de Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva a Cabo Verde surge integrada numa dinâmica cultural activa, a organização deste colóquio constitui um evento científico que visa acolher, na mesma dinâmica, uma visita de elevado e profícuo pendor cultural.
Programa
o      Dia 01 de Julho Os desafios da Literatura e Cultura Portuguesas 

- Período da manhã –
*    09h00-09h30 – Abertura do Colóquio pelo Presidente do Departamento de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Cabo Verde – Prof. Doutor Marcelo Galvão Baptista
*    09h30-10h30 - Diálogos Literários  Contemporâneos «Jogos de espelhos: ler e reler o Outro»  - primeira parte – Oswaldo Osório, Fátima Bettencourt e Eileen Barbosa
*    10h30-11h00 – Pausa para café
*    11h00-12h00 - Diálogos Literários  Contemporâneos: «Jogos de espelhos: ler e reler o Outro»  - segunda parte – Filinto Elísio e Vera Duarte
*    12h00-12h30 – Sessão de debate
*    Local: Auditório do Campus de Palmarejo
Período da tarde –
*    14h30-15h00  – «Percursos na Filosofia e Poesia em Língua Portuguesa» do Prof. Doutor Carlos Belino Sacadura – docente do Curso de Filosofia do Departamento de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Cabo Verde
*    15h00- 15h30Pão e Fonema - «Chá e Poesia»: sessão de declamação de poesia de autores lusófonos por alunos dos Cursos de Línguas, Literaturas e Culturas do Departamento de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Cabo Verde
*    15h30-16h00 – «Interpretações e (sobre) interpretações» - apresentação de trabalhos de investigação, realizados no âmbito da cadeira de Literaturas Africanas do Curso de Estudos Cabo-verdianos e Portugueses, com enquadramento teórico da Mestre Fátima Fernandes – Coordenadora e docente do Curso de Estudos Cabo-verdianos e Portugueses do Departamento de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Cabo Verde
*    16h00-16h30 – Sessão de debate
*    Local: Auditório do Campus de Palmarejo

o       Dia 02 de Julho  - A Língua Portuguesa em Diálogo  - «Contactos presentes – futuros contactos?»
Período da Manhã - «Contactos Presentes – futuros contactos?»
*     09h30-09h50 – «A Língua – pedra basilar de comunicação» - Mestre Arlinda Cabral – Pró-Reitora para a Graduação, Inovações Pedagógicas, Ensino à Distância e Assuntos Académicos da Universidade de Cabo Verde
*     09h50-10h20 – «O Acordo Ortográfico - um acordo de contactos» - Mestre Lourdes Lima – docente do Curso de Estudos Cabo-verdianos e Portugueses do Departamento de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Cabo Verde
*     10h30-11h00 – Pausa para café
*     11h00-11h20  - «Caracterização do Português falado em Cabo Verde»: Dra Elisângela Spencer -  professora do primeiro ciclo do ensino secundário na Escola Secundária de Salineiro – Cidade da Praia
*   Sessão de debate
Local: Auditório do Campus de Palmarejo
Período da Tarde -  «O futuro do ensino do Português -  Abordagens às intervenções didáctico-pedagógicas no âmbito da formação de professores de português»
*     14h00-14h30 - «Os desafios do estágio pedagógico 2010-2011» - Mestre Verúcia Souza, supervisora de estágio pedagógico e docente do Curso de Estudos Cabo-verdianos e Portugueses do Departamento de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Cabo Verde
*     14h30-15h00 - «A Articulação entre a Didáctica da Língua e da Literatura no desenvolvimento da competência comunicativa nos alunos do ensino secundário  - Mestre Flávia Ba – Leitora do Instituto Camões e do docente do Curso de Estudos Cabo-verdianos e Portugueses da Universidade de Cabo Verde
*      15h30-15h45 - «Estágio em diálogo – os desafios na escola» - Dr. Raimundo Lopes, professor do primeiro ciclo do ensino secundário no Liceu Domingos Ramos – Cidade da Praia
*      15h45-16h00 - «Estágio em diálogo – os desafios na escola II» - Dr. Eduardo Ramos, professor do segundo ciclo do ensino secundário na Escola Secundária Abílio Duarte – Cidade da Praia
*      16h00-16h30 – Sessão de debate
*      Local: Auditório do Campus de Palmarejo

Dia 06 de Julho – Língua Portuguesa e Diálogo Cultural  – Encerramento do Colóquio com a visita de Estado a Cabo Verde de S.Exa. o Presidente da República Portuguesa Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva

Período da Manhã
Painel I – Desafios para a Língua Portuguesa no século XXI
*      08h30 – Acolhimento dos convidados
*      09h00 – Início do painel de trabalhos
*      09h00-09h15 – Intervenção do Presidente do Departamento de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Cabo Verde - Prof. Doutor Marcelo Galvão Baptista
*      09h15-09h40 – Intervenção da Sra. Presidente do Instituto Camões - Prof. Doutora Ana Paula Laborinho
*      09h40-10h05 – Intervenção do escritor cabo-verdiano - Filinto Elísio
*      10h05-10h30 – Intervenção do escritor português - José Luís Peixoto
*      10h30-11h00 – Intervenção do Professor Catedrático do Departamento de Literaturas Românicas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa - Prof. Doutor Alberto Carvalho
*      11h00-11h45 – Pausa para café
*      11h45-12h00 – Intervenção da Coordenadora e docente do Curso de Estudos Cabo-verdianos e Portugueses do Departamento de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Cabo Verde – Mestre Fátima Fernandes
*      12h00-12h20 – Intervenção da Primeira Dama da República Portuguesa – Exma Sra. Dra. Maria Cavaco Silva
*      12h20-12h45  – Sessão de debate
*      12h50 – Encerramento do painel
*      13h00-14h00 – Almoço no Campus de Palmarejo -
Local: Auditório do Campus de Palmarejo
Período da Tarde
             Painel II – Cultura e Língua Portuguesas no século XXI
*      15h00 – Início do painel de trabalhos
*   15h00-15h30 - Intervenção da S.Exa a Ministra do Ensino Superior, Ciência e Cultura de Cabo Verde – Dra. Fernanda Marques
*   15h30-16h00 - Intervenção da S.Exa. a Ministra da Cultura de Portugal - Dra. Gabriela Canavilha
*   16h00 – Sessão musical
*   16h10 – Chegada à Universidade e acolhimento de Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva
*   16h25-16h35  – Intervenção do Magnífico Reitor da Universidade de Cabo Verde – Prof. Doutor António Correia e Silva
*   16h35 – 16h42 – Intervenção de Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva
*   16h42 – 16h50 – Breve período para  questões de alunos da Universidade dirigidas a Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva
*   16h50 – Encerramento do Colóquio sobre a Língua Portuguesa e Diálogo Cultural
Local: Auditório do Campus de Palmarejo


Fonte: e-mail gentilmente enviado por Filinto Elísio em 26 de junho de 2010.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

35 anos de independência de Moçambique - poemas de Gulamo Khan

Agradecimento especial ao poetamigo Manecas Cândido por me ofertar este Moçambicanto e outras publicações da Associação dos Escritores Moçambicanos.

Minha singela homenagem a este 25 de junho de 2010, aos 35 anos de Moçambique independente.

Abaixo, poemas de Gulamo Khan do seu livro póstumo Moçambicanto. Para a concretização deste livro, houve a união de esforços e o trabalho cuidadoso na recolha e seleção de poemas dispersos e análises de originais realizadas por poetas consagrados de Moçambique, tais como Julio Navarro, José Craveirinha, Albino Magaia, Calane da Silva. A caprichosa edição ainda contou com ilustrações de dois nomes singulares das artes plásticas do país, Roberto Chichorro e Malangatana Valente. Além disso, ao final desta obra há uma bela mensagem da mãe do poeta para esta edição tão especial.

Gulamo Khan nasceu em Maputo a 11 de maio de 1952 e foi vítima do mesmo acidente aéreo que matou o Presidente Samora Machel em Mbuzini, a 19 de outubro de 1986.

Ricardo Riso



MOÇAMBICANTO I

céleres as águas
zambezeiam pela memória
das almadias do silêncio

nem o zumbido da cigarra
me entontece

nem o troar do tambor
me ensurdece

as vozes que são
sulcos das nossas esperanças

oh pátria
moçambiquero-te
neste alumbramento
e amar-te
devo-o à carne e ao nervo
deglutidos em revolta.


----x----


Da enxada e do martelo
é o verso escrito na palma
da tua mão punho fechado
que na alavanca das horas
faz refulgir o aço
analfabetamente parido
Cavador maldito
pronto a decepar o tronco
deste imbondeiro tão paria
carcomido pelas talécuas
sugadoras do teu sangue
és o veneno da nhoca cuspideira
queimando as migalhas bélicas
postadas de cócoras no caminho
dos simples
assim altivo ergues o teu nome
num país ainda
de nadas e famélicos
desbravando os crápulas bem como os satanhocos.


----x----


Sei da Pátria
o nome erguido
a estrela tatuada
no corpo do Índico

uma timbila
canção guerreira


----x----

Zagaia forte e aguerrida
adeus malume

----x----


MOÇAMBICANTO II

Havia a árvore
um embondeiro
uma azagaia enferrujando na terra
um murmúrio de casuarinas
namorando o mar

a palavra eram anos
micaias na frotne da angústia
silvo astral decapitado
corpo de mulher tatuado


----x----


MOÇAMBICANTO III

Vem da polpa dos teus lábios
o sussurro amargo da lua cheia
sura doce em noite de cio
embebedados
Sei do corpo e do matope
a geografia da tua idade

Sei-te vegetal e fria
na geografia do canto


----x----


MOÇAMBICANTO IV

Chegamos com o sol


----x----


MOÇAMBICANTO V

Com a enxada
eu bem cantava
que a força telúrica
movia o Hino
inventávamos nomes
o alfabeto
e da guerrilha
e da espingarda fulgia o verso
calibrada a fome
(Pátria era nascer)

----x----


Cresço áureo como o imbondeiro
áspero e sou terra
elanguescente corpo cativo húmus
de mim a monotonia do xitende
galga ilhas e espraia em raiva

KHAN, Gulamo. Moçambicanto. Maputo: Associação dos Escritores Moçambicanos, 1990. p. 13-21

quinta-feira, 24 de junho de 2010

SEMINÁRIO NANDYALA Editora - “Africanidades e Educação” - Belo Horizonte/MG


SEMINÁRIO NANDYALA Editora
“Africanidades e Educação”
26/06/2010, sábado, 8h30 às 12h
Auditório da UNA – Rua Aimorés, 1451 - Bairro Lourdes BH – MG

PROGRAMAÇÃO
8h30: Conferência
“Educação humanista e diversidade no contexto das relações etnicorraciais”
(Profa. Stefânie Arca Garrido Loureiro – PUC Minas)

10h: Mesa-redonda
“Educação e Culturas Africanas”
(Prof. Dr. José de Sousa Miguel Lopes – UEM/Moçambique; UEMG)

"Formação de Professores e Religiões de matrizes africanas"
(Prof. Dr. Erisvaldo Pereira dos Santos)

“O imaginário sobre África e seus impactos na educação brasileira”
(Prof. Ms. Marcos Antônio Cardoso – PBH; FCRCN)

11h30 : Depoimento
“Educação e Cultura na Guiné-Bissau”
(Profa. Dra. Odete Costa Semedo – Guiné-Bissau)

12h : Coquetel de Despedida e Homenagem a Odete Semedo

INSCRIÇÕES GRATUITAS. ENTRADA FRANCA.

eventos@nandyalalivros.com.br ou (31) 3281-5894 APOIO: Centro Universitário UNA

Serão fornecidos certificados aos participantes e haverá distribuição gratuita de algumas publicações Nandyala para educadores.
(NANDYALA Livraria & Editora - Av. do Contorno, 6.000 – Lj 01- Savassi - Belo Horizonte – MG)
 
Fonte: e-mail gentilmente enviado pela Nandyala Editora em 24/06/2010.