quinta-feira, 15 de julho de 2010

Presença latino-ameFricana – ArteReflexão: curso 31/07 a 04/09/2010


Edições Toró, Donde Miras e CDHEP (Centro de Direitos Humanos e Educação Popular) convidam para o curso: "Presença latino-ameFricana – ArteReflexão”

GRATUITO para 35 participantes, com distribuição de apostilas e certificado ao final do curso.

Seis encontros aos sábados - de 31/07 a 04/09 - sempre das 14h às 18h

No CDHEP: Rua Dr. Luís da Fonseca Galvão, 180 (colado ao Metrô Capão Redondo) – 5511-5073 – São Paulo/SP

Pra ver a arte do cartaz e conferir as imagens, materiais e apostilas dos cursos passados é só chegar no sítio http://www.edicoestoro.net/ .

Inscrições também no sítio da Toró ou na sede do CDHEP, até 23/07/2010.

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Programa do curso:

31/07 - “Literatura argentina frente às suas novas vozes", com Lucía Tennina (Professora de Literatura Brasileira e Portuguesa na Universidade de Buenos Aires. É pesquisadora visitante em Cultura Contemporânea, da Universidade Federal de Rio de Janeiro. Colabora em revistas acadêmicas e independentes, de Brasil e Argentina.) & "Cultura que brota da terra: povos indígenas no Brasil e suas lutas pelo território no século XXI", com Spensy Pimentel (Jornalista e antropólogo, hoje pesquisador na USP. Há 12 anos pesquisa os índios Guarani-Kaiowa, de Mato Grosso do Sul, estado onde nasceu).

07/08 - “Fotografia e 'o outro México rebelde': questões de olhar sobre novos movimentos sociais”, com Waldo Lao Fuentes Sánchez (Formado em Antropologia pela Escuela Nacional de Antropologia e Historia do México- ENAH, pós-graduando pelo PROLAM-USP. Atualmente é fotógrafo e colaborador de diversas meios independentes de comunicação) & "Salve, Hermanos!!! Hip Hop e(m) Cuba", com Mateus Subverso ( B. Boy e grafiteiro da Posse ‘Suatitude’ e integrante das Edições Toró. Também atua como designer gráfico e digital destes dois coletivos)

14/08 – “Cuba e Haiti: Atlântico Negro, culturas e interpretações”, com Amaílton Azevedo (Professor de História da África da PUC/SP) & “No chão da Martinica, a palavra de noite", com Luana Antunes Costa (Professora, pesquisadora em Literaturas Africanas e Afro-brasileira, escritora e tradutora. Doutoranda em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa, pela USP).

21/08 - “A mátria das cordilheiras, mar, pampa, sierra, selva e sertão: arte & re-existência”, com Marcos Ferreira Santos (Músico e Arte-educador. Professor da Faculdade de Educação da USP)

28/08 - “Teatro, Negro, no Brasil: do TEN ao Bando Olodum", com Evani Tavares (Atriz, angoleira, doutora em Artes pela UNICAMP e autora do livro “Capoeira Angola como treinamento para o ator” & “Cinemas afro-sulamericanos”, com Lilian Solá Santiago (Cineasta, pesquisadora e curadora de mostras de cinema. Historiadora e professora de cinema)

04/09 – “Revolução? Movimento Zapatista e Literatura das Margens Mexicanas", com Alejandro Reyes (Mexicano de nascença, escritor, jornalista e tradutor. Coordena a coleção"Imarginália' da Editora Sur + , é integrante da rádio zapatista e pesquisador atuante em cultura e literatura latino-americana) & Avaliação Coletiva.

Articulação Pedagógica: Allan da Rosa
Concepção e Diagramação de Cartaz e Apostilas: Mateus Subverso
Realização: Edições Toró, Donde Miras e CDHEP
Apoio: Nós por nós
Agradecimentos: Aos educadores que vêm na graça e na luta. E à comunidade que chega ou oferece atenção

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Para conferir a arte do cartaz e mais detalhes deste e dos outros cursos (fotos, recursos pedagógicos, apostilas) é só chegar nas varandas do sítio da Edições Toró: www.edicoestoro.net

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"Presença latino-ameFricana - ArteReflexão"
Quarto curso organizado pela Edições Toró, agora pareada pela fortaleza do coletivo DondeMiras e pelo vigor e crença do CDHEP (Centro de Direitos Humanos e Educação Popular).

A miragem é aprender sobre as graças, os traços e os revides fundamentados aplicados no racismo, na escravidão que é tanta e diferente a cada dia, na agulha que insistem em colocar nas nossas palmilhas.

Da borda de cá do Oceano Atlântico, maior cemitério e ponte da história humana, vamos re-existindo e comungando estudos e caminhos de roda. Com mais fundamento e menos marquetagem, menos holofote.

Da borda de cá da cidade que segrega, atola e pinga-repinga uma educação oficial merrequeira, tijolando muros no asfalto, na ladeira e no peito, barrando saberes e brinquedos que se expressam nas beiradas.

O curso traz artistas, professores e ativistas entranhados a cada dia na questão, pensando relações entre Africania e América Latina, seja onde o passo negro deixou e deixa mais caminhos, se entrançando com outros cantos, ou mesmo onde a força indígena mais vogou e voga. E onde os subúrbios e quebradas do hemisfério de cá oferecem expressões de sustança.

Pra que a teoria não morra de anestesia. E a pedagogia não definhe sem poesia.

Edições Toró
Morro do Mineiro – Taboão da Serra/SP
www.edicoestoro.net

Fonte: e-mail gentilmente enviado por Allan de Rosa em 13 de julho de 2010.

Isaquiel Cori (escritor angolano), blog

Blog do escritor angolano Isaquiel Cori - Estamos Vivos.

Sobre seu mais recente livro:

“ (…) A leitura discorre facilmente e as folhas desse livro (…) sucedem-se umas às outras como sensações que sentimos numa mulher de orgasmos múltiplos, mais lemos e mais queremos saber o que pensa João Segura, o indivíduo, o comandante, o amante, o marido, o militar, o cidadão nesse pachtwork que é a sua vida; mais possuímos o livro e mais queremos ver aonde nos conduz. (…) Uma escrita muito realista e (…) um estilo muito descritivo que atrai desde as primeiras páginas: … as narrações da cobra que cruza a estrada; os incidentes de feiticismos; as primeiras visitas de Rosamaria ao cárcere são electrizantes; as reflexões sobre os livros que João Segura leu… É um livro que pela perspectiva de análise do fenómeno da guerra em Angola interessa fazer público…”
Adriano Mixinge, historiador e crítico de Arte

“O ÚLTIMO RECUO” vale morar na biblioteca de cada um de nós. A sua importância é literariamente histórica e actual na sua abordagem, se atendermos à nossa história recente. Como me ensinou um dia o meu grande mestre Jorge Luis Borges e eu cito: “…estamos sempre carregados, sobrecarregados pelo nosso sentido histórico” – quer queiramos ou não.

Neste romance documental, ele flagra nas suas referências as questões que atormentaram o nosso belo país. Nele ele exalta, pontualiza, toca nas suas indagações os resíduos e derivações teciduais da nossa sociedade felizmente em reconstrução.”
Frederico Ningi, poeta

Sobre o autor:
ISAQUIEL CRISTÓVÃO CORI

Nasceu em Luanda, em 1967. Entre 1985 e 1991 foi militar das ex-FAPLA (Forças Armadas Populares de Libertação de Angola), tendo sido bibliotecário na Base Naval de Luanda e posteriormente na Base Naval do Lobito. Trabalhou na Biblioteca Nacional. É jornalista, formado no IMEL – Instituto Médio de Economia de Luanda, com percurso profissional dividido entre o Jornal de Angola e o Jornal ÉME do MPLA.

Estudante da Faculdade de Letras e Ciências Sociais, tem já publicado os seguintes títulos: Sacudidos pelo Vento, romance (menção honrosa do Prémio Sonangol de Literatura 1994; O Último Feiticeiro, contos, Edições Chá de Caxinde, 2003; Pessoas com quem falar, entrevistas a escritores, UEA, 2003, co-autoria.

Fonte: http://nguimbangola.blogspot.com/

FESTLIP 2010 - programação

Festival de Teatro da Língua Portuguesa

TEATRO SESC GINÁSTICO


15/07 {quinta-feira} 19h
AGOSTO - CONTOS DA EMIGRAÇÃO
GRUPO DE AÇÃO TEATRAL A BARRACA / Portugal

16/07 {sexta-feira} 19h
AGOSTO - CONTOS DA EMIGRAÇÃO
GRUPO DE AÇÃO TEATRAL A BARRACA / Portugal

17/07 {sábado} 19h
4’30”
GRUPO MIRANGENS TEATRO /Angola

18/07 {domingo} 19h
A DEMISSÃO DO SÔ MINISTRO
COMPANHIA DE TEATRO GUNGU / Moçambique

22/07 {quinta-feira} 19h
A DEMISSÃO DO SÔ MINISTRO
COMPANHIA DE TEATRO GUNGU / Moçambique

23/07 {sexta-feira} 19h
4’30”
GRUPO MIRANGENS TEATRO /Angola

24/07 {sábado} 19h
AGOSTO - CONTOS DA EMIGRAÇÃO
GRUPO DE AÇÃO TEATRAL A BARRACA / Portugal

25/07 {domingo} 19h
A DEMISSÃO DO SÔ MINISTRO
COMPANHIA DE TEATRO GUNGU / Moçambique


SESC CASA DA GÁVEA

15/07 {quinta-feira} 19h e 21h
DRUMMOND 04 TEMPOS
CIA DE TEATRO NOVO ATO / Brasil

16/07 {sexta-feira} 19h e 21h
ANDROGÍNIA
GRUPO DE TEATRO DO CENTRO CULTURAL DE MINDELO / Cabo Verde

17/07 {sábado} 19h e 21h
FILHAS DA MÃE - FANTASIAS ERÓTICAS DAS MULHERES PORTUGUESAS
BINÓLOGOS / Portugal

18/07 {domingo} 19h e 21h
FILHAS DA MÃE - FANTASIAS ERÓTICAS DAS MULHERES PORTUGUESAS
BINÓLOGOS / Portugal

22/07 {quinta-feira} 19h e 21h
FILHAS DA MÃE - FANTASIAS ERÓTICAS DAS MULHERES PORTUGUESAS
BINÓLOGOS / Portugal

23/07 {sexta-feira} 19h e 21h
DRUMMOND 04 TEMPOS
CIA DE TEATRO NOVO ATO / Brasil

24/07 {sábado} 19h e 21h
ANDROGÍNIA
GRUPO DE TEATRO DO CENTRO CULTURAL DE MINDELO / Cabo Verde

25/07 {domingo} 19h e 21h
DRUMMOND 04 TEMPOS
CIA DE TEATRO NOVO ATO / Brasil


TEATRO NELSON RODRIGUES

15/07 {quinta-feira} 19:30h
FERRO EM BRASA
GRUPO OS FOFOS ENCENAM / Brasil

16/07 {sexta-feira} 19:30h
SÓ CHEIRA BORRACHA
COMPANHIA DE TEATRO KUDUMBA / Moçambique

17/07 {sábado} 19:30h
CHOVEM AMORES NA RUA DO MATADOR
GRUPO TRIGO LIMPO TEATRO – ACERT / Portugal

18/07 {domingo} 19:30h
CHOVEM AMORES NA RUA DO MATADOR
GRUPO TRIGO LIMPO TEATRO – ACERT / Portugal

22/07 {quinta-feira} 19:30h
CHOVEM AMORES NA RUA DO MATADOR
GRUPO TRIGO LIMPO TEATRO – ACERT / Portugal

23/07 {sexta-feira} 19:30h
SÓ CHEIRA BORRACHA
COMPANHIA DE TEATRO KUDUMBA / Moçambique

24/07 {sábado} 19:30h
FERRO EM BRASA
GRUPO OS FOFOS ENCENAM / Brasil

25/07 {domingo} 19:30h
FERRO EM BRASA
GRUPO OS FOFOS ENCENAM / Brasil


TEATRO SESC TIJUCA

15/07 {quinta-feira} 20h
O PAGADOR DE PROMESSAS
GRUPO TEATRAL FÔLÔ BLAGI / São Tomé e Príncipe

16/07 {sexta-feira} 20h
SARAMAU
GRUPO ARTE LOROSAE / Timor Leste

17/07 {sábado} 20h
OLÍMIAS
COMPANHIA DE TEATRO DADAÍSMO / Angola

18/07 {domingo} 20h
OLÍMIAS
COMPANHIA DE TEATRO DADAÍSMO / Angola

22/07 {quinta-feira} 20h
OLÍMIAS
COMPANHIA DE TEATRO DADAÍSMO / Angola

23/07 {sexta-feira} 20h
SARAMAU
GRUPO ARTE LOROSAE / Timor Leste

24/07 {sábado} 20h
O PAGADOR DE PROMESSAS
GRUPO TEATRAL FÔLÔ BLAGI / São Tomé e Príncipe

25/07 {domingo} 20h
O PAGADOR DE PROMESSAS
GRUPO TEATRAL FÔLÔ BLAGI / São Tomé e Príncipe


ESPAÇO SESC TEATRO ARENA

15/07 {quinta-feira} 21h
MARIA RITUAL DAS PARIDEIRAS
GTO - GRUPO DE TEATRO DO OPRIMIDO / Guiné Bissau

16/07 {sexta-feira} 21h
CONTOS EM VIAGEM - CABO VERDE
TEATRO MERIDIONAL / Portugal

17/07 {sábado} 21h
A MULHER QUE RI
GRUPO BARRACÃO CULTURAL / Brasil

18/07 {domingo} 19:30h
A MULHER QUE RI
GRUPO BARRACÃO CULTURAL / Brasil

22/07 {quinta-feira} 21h
A MULHER QUE RI
GRUPO BARRACÃO CULTURAL / Brasil

23/07 {sexta-feira} 21h
MARIA RITUAL DAS PARIDEIRAS
GTO - GRUPO DE TEATRO DO OPRIMIDO / Guiné Bissau

24/07 {sábado} 21h
CONTOS EM VIAGEM - CABO VERDE
TEATRO MERIDIONAL / Portugal

25/07 {domingo}19:30h
CONTOS EM VIAGEM - CABO VERDE
TEATRO MERIDIONAL / Portugal

Fonte: http://www.talu.com.br/festlip/index.html

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Para sempre Amílcar - por Ricardo Riso


Para sempre Amílcar
Por Ricardo Riso
Publicado no semanário cabo-verdiano A Nação, número 149, 08 de julho de 2010, p. 14.

(...) para a exaltação das multidões enraivecidas
exultantes com o herói do povo
aclamado como abel djassi
festejado como messias-fundador
adorado como cristo negro dos rabelados de santiago
sempre gratamente louvado como cabral
sempre simplesmente chamado amílcar
(ALMADA, José Luis Hopffer C. Praianas – Revisitações do Tempo e da Cidade.
Praia: Spleen Edições, 2009. p. )

No eterno combate às desigualdades sociais, à exploração e detrimento de muitos para favorecimento de poucos em uma constante metamorfose da dominação opressora, convém estarmos atentos aos discursos estabelecidos e enfrentarmos a perigosa memória seletiva que tenta conduzir à amnésia coletiva personagens importantes do passado. Por isso, em razão de mais um 5 de julho cabo-verdiano independente, a recordação pertinente de Amílcar Cabral.

Não se pretende neste curto espaço falar dos incontáveis feitos do grande líder da união Guiné-Cabo Verde, do PAIGC, da sua atuação como engenheiro agrônomo, da iluminada intelectualidade e do humanismo exacerbado – africano e universal –, para além de todos esses venerados atributos queremos aqui relembrar os seus poemas e a influência dos seus ideais na poesia.

Da consciência política adquirida desde cedo à afirmação intelectual concretizada na prolífica convivência na Casa dos Estudantes do Império, ao lado de nomes como Alda Lara, Agostinho Neto e Mário Pinto de Andrade, Amílcar, em “Apontamentos sobre a poesia cabo-verdiana”, percebe na poesia de “Claridade” e “Certeza” as marcas da cabo-verdianidade: “Os seus poetas sentem e sabem que, para além da realidade cabo-verdiana, existe uma realidade humana de que não podem alhear-se. (...) E dizem, querem dizer ‘um canto... que cruze nos mares mais distantes e entre nos corações dos homens... um canto com contornos de paz e relevos de esperança’”.

É na crença na esperança de uma nova luz que o faz versar “para além de um Sol já velho defraudado/ há um puro Sol cruzando os infinitos/ vivificando a Vida. (...) Que amanhã na planície conquistada/ da terra redimida/ libertada/ os Homens irmanados colherão/ o saboroso Pão”. Sol contrapondo-se à noite colonial manifestada pela insularidade aprisionadora: “colinas sem fim de terra vermelha/ – de terra bruta –/ rochas escarpadas tapando os horizontes,/ mar aos quatro cantos prendendo as nossas ânsias!” Mas é na força proposta pela “reafricanização dos espíritos” na qual o insistente e ansioso pedido do poema “Regresso” visualiza a chuva que renova o tempo: “Mamãi Velha, venha ouvir comigo/ o bater da chuva lá no seu portão./ (...) Dizem que o campo se cobriu de verde,/ da cor mais bela, porque é a cor da esp’rança./ Que a terra, agora, é mesmo Cabo Verde/ – É a tempestade que virou bonança...// Venha comigo, Mamãi Velha, venha,/ recobre a força e chegue-se ao portão./ A chuva amiga já falou mantenha/ e bate dentro do meu coração”.

Orientados pelos ideais cabralinos, por um “destino nosso, livremente escolhido”, letras armadas de poetas surgidos ao final dos anos 1950 como Onésimo Silveira e na “postulação irritada da fraterninade” de Mário Fonseca, construíram o seu fazer poético consubstanciado pelo desejo irrevogável de libertação do país, por conseguinte, do continente africano, escancarado por Fonseca em “Eis-me aqui África”.

Sensível não só ao injustificável colonialismo português, mas a todas as formas de opressão aos países africanos e do 3º mundo em geral, esse “Guevara de África”, tão bem alcunhado por Alda Lara, ganhou uma correta homenagem pelo seu legado de homem, político e poeta na antologia temática organizada por Mário Pinto de Andrade, “O Canto Armado”, com uma seleção de poema: Kabral ka morrê.

Na produção contemporânea cabo-verdiana podemos citar as passagens do supracitado “Praianas”, de José Luís Hopffer C. Almada, nas quais o “verbo livre e urgente” do líder é recordado e exaltado. Com isso, concluímos essa pequena homenagem ao homem de “perfil visionário da aura carismática” que foi Amílcar Cabral.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Cabo Verde - 5 de julho, 35 anos de independência




Amílcar Lopes Cabral (Bafatá, Guiné-Bissau, 12 de Setembro de 1924 — Conacri, 20 de janeiro de 1973)

REGRESSO

Mamãe Velha, venha ouvir comigo
O bater da chuva lá no seu portão.
É um bater de amigo
Que vibra dentro do meu coração

A chuva amiga, Mamãe Velha, a chuva,
Que há tanto tempo não batia assim...
Ouvi dizer que a Cidade-Velha
– a ilha toda –
Em poucos dias já virou jardim...

Dizem que o campo se cobriu de verde
Da cor mais bela porque é a cor da esp’rança
Que a terra, agora, é mesmo Cabo Verde.
– É a tempestade que virou bonança...

Venha comigo, Mamãe Velha, venha
Recobre a força e chegue-se ao portão
A chuva amiga já falou mantenha
E bate dentro do meu coração!


POEMA

Quem é que não se lembra
Daquele grito que parecia trovão?!
– É que ontem
Soltei meu frito de revolta.
Meu grito de revolta ecoou pelos vales mais longínquos da Terra,
Atravessou os mares e os oceanos,
Transpôs os Himalaias de todo o Mundo,
Não respeitou fronteiras
E fez vibrar meu peito...

Meu grito de revolta fez vibrar os peitos de todos os Homens,
Confraternizou todos os Homens
E transformou a Vida...

... Ah! O meu grito de revolta que percorreu o Mundo,
Que não transpôs o Mundo,
O Mundo que sou eu!

Ah! O meu grito de revolta que feneceu lá longe,
Muito longe,
Na minha garganta!

Na garganta de todos os Homens



ROSA NEGRA
 
Rosa,
Chamam-te Rosa, minha preta formosa
E na tua negrura
Teus dentes se mostram sorrindo.


Teu corpo baloiça, caminhas dançando,
Minha preta formosa, lasciva e ridente
Vais cheia de vida, vais cheia de esperanças
Em teu corpo correndo a seiva da vida
Tuas carnes gritando
E teus lábios sorrindo...

Mas temo tua sorte na vida que vives,
Na vida que temos...
Amanhã terás filhos, minha preta formosa
E varizes nas pernas e dores no corpo;
Minha preta formosa já não serás Rosa,
Serás uma negra sem vida e sofrente
Ser’as uma negra
E eu temo a tua sorte!
 
Minha preta formosa não temo a tua sorte,
Que a vida que vives não tarda findar...
Minha preta formosa, amanhã terás filhos
Mas também amanhã...
... amanhã terás vida!



 ILHA

Tu vives - mãe adormecida-
nua e esquecida,
seca,
fustigada pelos ventos,
ao som das músicas sem música
das águas que nos prendem...

Ilha:
teus montes e teus vales
não sentiram passar os tempos
e ficaram no mundo dos teus sonhos
- os sonhos dos teus filhos -
a clamar aos ventos que passam,
e às aves que voam, livres,
as tuas ânsias!

Ilha:
colina sem fim de terra vermelha
- terra dura -
rochas escarpadas tapando os horizontes,
mas aos quatro ventos prendendo as nossas ânsias!

Fonte: http://www.didinho.org/apoesiadeamilcarcabral.htm

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Mito Elias – Private Z(oo)m, por Ricardo Riso



Mito Elias – Private Z(oo)m

Ricardo Riso
Artigo publicado no semanário cabo-verdiano A Nação, nº 147, de 24 de junho de 2010

A literatura perpassa a obra do artista plástico praiense Mito Elias desde o século passado com a revista “Sopinha de Alfabeto” às recentes criações em vídeo, como “Poemix”. Um caminho natural repleto de generosidade e humanismo aos seus pares escritores para este artista também poeta.

A ousadia apresentada em meios múltiplos desnuda a inquietação e o rigoroso comprometimento na incessante busca por novas experimentações sensoriais deste abnegado perscrutinador do tempo que lhe coube viver.

A criação, ou melhor seria a recriação, para Mito Elias não se esquiva da irreverência, da ironia e da ludicidade, e é isso que encontramos nas surpreendentes imagens de “Private Z(oo)m” - http://www.buala.org/pt/mukanda/private-zoom - acompanhadas por poemas do prestigiado Arménio Vieira.

Um arqueológico olhar pela, por vezes, caótica e desgastada paisagem urbana revela seres fragmentados do outrora, reformulados pela lírica sensibilidade do artista que extrai do sujo, do lascado, do borrado nas paredes da cidade imagens ancestrais capturadas pela lente fotográfica. É esse olhar ampliado, o zoom, empenhado em reelaborar a percepção dilacerada do homem contemporâneo pelo qual Mito Elias, a nos mostrar a necessidade de reconfigurar os sentidos para que não sejamos os “homens cães” de Arménio Vieira, nos conduz às nossas imagens primordiais, as pinturas rupestres.

Das pinturas nas paredes das cavernas à reinvenção dos animais desse zoo privado de Mito Elias flagrados em singelas fotografias, arquétipos urbanos de nossa ancestralidade, simulacros fragmentados de pinturas rupestres pós-modernas que nos remetem à origem primeira da arte, da sensibilidade do homem extraída dos escombros da memória coletiva.

Esse procedimento confere à série Private Z(oo)m um lugar de reflexão, de atualização signíca, de reconfiguração visual da nossa histórica imagética. Avisa-nos da pertinência de um olhar acurado, de um olhar poético como o de Vieira que visualiza “um gato / saltando de uma nuvem para outra / até ficar oculto / num floco todo branco”; de um olhar que recorre à fotografia, e aqui lembramos da relação com a pintura, do artesanal e por vezes longo processo de realização do artista e da efemeridade captada por uma lente; da relação passado-presente apontada para o futuro reinscrito nas lentes deste vate consagrado da arte cabo-verdiana.

"Private Z(oo)m" propõe o alargamento do olhar através da recriação dessas pinturas rupestres, propõe, além disso, a experiência de renovarmos de forma constante a experiência de buscar imagens em lugares inusitados. Apropriando-se daquilo que poderia ser tido como lixo ou descuido com a nossa casa, afinal paredes nos abrigam e materializam nossa casa, as fotografias da série aqui referida revelam a sensibilidade perdida desde esses milenares tempos idos, o descaso com a nossa casa, propõem a conscientização ontológica, a reformulação das utopias esgarçadas e desacreditadas pela insensível ordem vigente.

"Private Z(oo)m" ao retomar nossa memória imagética primordial sugere a reaprendizagem do olhar fraturado e dilacerado sobre as pessoas, sobre o mundo no qual vivemos, cada vez mais frio, cruel e egoísta. Contra a indiferença dos tempos atuais, “Private Z(oo)m”, em imagens insólitas e líricas, demonstra a viável possibilidade de um novo tempo, recompondo os estilhaços do olhar. Assim é Arte. Assim é Arte, sobretudo, para Mito Elias.

Colóquio «Língua Portuguesa e Diálogo Cultural» - 1, 2 e 6/07/2010 - Universidade de Cabo Verde



Enquadramento do Colóquio
O Colóquio sobre a Língua Portuguesa e Diálogo Cultural, realizado no âmbito da visita de Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva a Cabo Verde, a realizar entre os dias 01, 02 e 06 de Julho de 2010, visa analisar e discutir temas ligados à Literatura, Cultura e Língua Portuguesas, tanto na perspectiva dos desafios do ensino do Português no século XXI, como no aspecto da presença e da dinâmica cultural da Língua Portuguesa em Cabo Verde. O início do Colóquio nos dias 01 e 02 de Julho constituirá um momento preparatório para o grande painel temático do dia 06 de Julho – o dos Desafios para a Língua Portuguesa no século XXI. Este dia 06, que contará com a intervenção da Primeira Dama, Prof. Doutora Maria Cavaco Silva, no âmbito da Língua Portuguesa, incluirá também intervenções de individualidades ligadas à Promoção e Difusão da Língua e Cultura Portuguesas, bem como do Ministério do Ensino, Ciência e Cultura de Cabo Verde e Ministério da Cultura de Portugal. Uma vez que a visita de Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva a Cabo Verde surge integrada numa dinâmica cultural activa, a organização deste colóquio constitui um evento científico que visa acolher, na mesma dinâmica, uma visita de elevado e profícuo pendor cultural.
Programa
o      Dia 01 de Julho Os desafios da Literatura e Cultura Portuguesas 

- Período da manhã –
*    09h00-09h30 – Abertura do Colóquio pelo Presidente do Departamento de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Cabo Verde – Prof. Doutor Marcelo Galvão Baptista
*    09h30-10h30 - Diálogos Literários  Contemporâneos «Jogos de espelhos: ler e reler o Outro»  - primeira parte – Oswaldo Osório, Fátima Bettencourt e Eileen Barbosa
*    10h30-11h00 – Pausa para café
*    11h00-12h00 - Diálogos Literários  Contemporâneos: «Jogos de espelhos: ler e reler o Outro»  - segunda parte – Filinto Elísio e Vera Duarte
*    12h00-12h30 – Sessão de debate
*    Local: Auditório do Campus de Palmarejo
Período da tarde –
*    14h30-15h00  – «Percursos na Filosofia e Poesia em Língua Portuguesa» do Prof. Doutor Carlos Belino Sacadura – docente do Curso de Filosofia do Departamento de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Cabo Verde
*    15h00- 15h30Pão e Fonema - «Chá e Poesia»: sessão de declamação de poesia de autores lusófonos por alunos dos Cursos de Línguas, Literaturas e Culturas do Departamento de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Cabo Verde
*    15h30-16h00 – «Interpretações e (sobre) interpretações» - apresentação de trabalhos de investigação, realizados no âmbito da cadeira de Literaturas Africanas do Curso de Estudos Cabo-verdianos e Portugueses, com enquadramento teórico da Mestre Fátima Fernandes – Coordenadora e docente do Curso de Estudos Cabo-verdianos e Portugueses do Departamento de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Cabo Verde
*    16h00-16h30 – Sessão de debate
*    Local: Auditório do Campus de Palmarejo

o       Dia 02 de Julho  - A Língua Portuguesa em Diálogo  - «Contactos presentes – futuros contactos?»
Período da Manhã - «Contactos Presentes – futuros contactos?»
*     09h30-09h50 – «A Língua – pedra basilar de comunicação» - Mestre Arlinda Cabral – Pró-Reitora para a Graduação, Inovações Pedagógicas, Ensino à Distância e Assuntos Académicos da Universidade de Cabo Verde
*     09h50-10h20 – «O Acordo Ortográfico - um acordo de contactos» - Mestre Lourdes Lima – docente do Curso de Estudos Cabo-verdianos e Portugueses do Departamento de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Cabo Verde
*     10h30-11h00 – Pausa para café
*     11h00-11h20  - «Caracterização do Português falado em Cabo Verde»: Dra Elisângela Spencer -  professora do primeiro ciclo do ensino secundário na Escola Secundária de Salineiro – Cidade da Praia
*   Sessão de debate
Local: Auditório do Campus de Palmarejo
Período da Tarde -  «O futuro do ensino do Português -  Abordagens às intervenções didáctico-pedagógicas no âmbito da formação de professores de português»
*     14h00-14h30 - «Os desafios do estágio pedagógico 2010-2011» - Mestre Verúcia Souza, supervisora de estágio pedagógico e docente do Curso de Estudos Cabo-verdianos e Portugueses do Departamento de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Cabo Verde
*     14h30-15h00 - «A Articulação entre a Didáctica da Língua e da Literatura no desenvolvimento da competência comunicativa nos alunos do ensino secundário  - Mestre Flávia Ba – Leitora do Instituto Camões e do docente do Curso de Estudos Cabo-verdianos e Portugueses da Universidade de Cabo Verde
*      15h30-15h45 - «Estágio em diálogo – os desafios na escola» - Dr. Raimundo Lopes, professor do primeiro ciclo do ensino secundário no Liceu Domingos Ramos – Cidade da Praia
*      15h45-16h00 - «Estágio em diálogo – os desafios na escola II» - Dr. Eduardo Ramos, professor do segundo ciclo do ensino secundário na Escola Secundária Abílio Duarte – Cidade da Praia
*      16h00-16h30 – Sessão de debate
*      Local: Auditório do Campus de Palmarejo

Dia 06 de Julho – Língua Portuguesa e Diálogo Cultural  – Encerramento do Colóquio com a visita de Estado a Cabo Verde de S.Exa. o Presidente da República Portuguesa Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva

Período da Manhã
Painel I – Desafios para a Língua Portuguesa no século XXI
*      08h30 – Acolhimento dos convidados
*      09h00 – Início do painel de trabalhos
*      09h00-09h15 – Intervenção do Presidente do Departamento de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Cabo Verde - Prof. Doutor Marcelo Galvão Baptista
*      09h15-09h40 – Intervenção da Sra. Presidente do Instituto Camões - Prof. Doutora Ana Paula Laborinho
*      09h40-10h05 – Intervenção do escritor cabo-verdiano - Filinto Elísio
*      10h05-10h30 – Intervenção do escritor português - José Luís Peixoto
*      10h30-11h00 – Intervenção do Professor Catedrático do Departamento de Literaturas Românicas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa - Prof. Doutor Alberto Carvalho
*      11h00-11h45 – Pausa para café
*      11h45-12h00 – Intervenção da Coordenadora e docente do Curso de Estudos Cabo-verdianos e Portugueses do Departamento de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Cabo Verde – Mestre Fátima Fernandes
*      12h00-12h20 – Intervenção da Primeira Dama da República Portuguesa – Exma Sra. Dra. Maria Cavaco Silva
*      12h20-12h45  – Sessão de debate
*      12h50 – Encerramento do painel
*      13h00-14h00 – Almoço no Campus de Palmarejo -
Local: Auditório do Campus de Palmarejo
Período da Tarde
             Painel II – Cultura e Língua Portuguesas no século XXI
*      15h00 – Início do painel de trabalhos
*   15h00-15h30 - Intervenção da S.Exa a Ministra do Ensino Superior, Ciência e Cultura de Cabo Verde – Dra. Fernanda Marques
*   15h30-16h00 - Intervenção da S.Exa. a Ministra da Cultura de Portugal - Dra. Gabriela Canavilha
*   16h00 – Sessão musical
*   16h10 – Chegada à Universidade e acolhimento de Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva
*   16h25-16h35  – Intervenção do Magnífico Reitor da Universidade de Cabo Verde – Prof. Doutor António Correia e Silva
*   16h35 – 16h42 – Intervenção de Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva
*   16h42 – 16h50 – Breve período para  questões de alunos da Universidade dirigidas a Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva
*   16h50 – Encerramento do Colóquio sobre a Língua Portuguesa e Diálogo Cultural
Local: Auditório do Campus de Palmarejo


Fonte: e-mail gentilmente enviado por Filinto Elísio em 26 de junho de 2010.