A periodicidade será mensal e o primeiro artigo, sob o título Mirabilis – de veias ao sol, a produção literária contemporânea cabo-verdiana, traço um breve panorama de alguns dos escritores escritores publicados desde quando a antologia supracitada foi lançada.
A revista possui diversas seções e artigos de nomes consagrados, dentre outros, como do crítico literário e escritor Affonso Romano de Sant'anna e da Profa. Dra. Rita Chaves (USP).
Visitem quando for possível e ajudem na divulgação, por favor.
SETE VENTOS é um monólogo interpretado pela atriz Débora Almeida baseado em depoimentos de mulheres negras e Iansã, já cumpriu duas temporadas no Rio de Janeiro, sendo contemplado pelo Prêmio Myriam Muniz de Teatro e acaba de retornar de Salvador, onde foi apresentado no Teatro Vila Velha a convite da SEPROMI- Secretaria de Promoção da Igualdade do Estado da Bahia em comemoração pelo Dia da Mulher Negra Latino- Americana e Caribenha.
O espetáculo narra a trajetória da escritora Bárbara, filha de Iansã. Ela relembra junto ao público as histórias de mulheres negras que a influenciaram. Através dos relatos de Bárbara contamos a história da pessoa negra que tenta reconstruir a sua identidade através das contradições de seu cotidiano.
Entre as mulheres entrevistadas, contamos com Conceição Evaristo, Vanda Ferreira e Lucia Xavier, do Criola.
Débora Almeida é atriz, formada pela UNI- Rio, integrou o elenco da Cia dos Comuns durante 9 anos, participando dos espetáculo “A Roda do Mundo”, “Candaces- A Reconstrução do Fogo”, “Bakulo- Os Bem Lembrados”, dirigidos por Marcio Meireles, e “Silêncio”, dirigido por Hilton Cobra. No cinema participou dos filmes “Jogo de Cena”, de Eduardo Coutinho” e “Crimes de Ódio” de Patrícia Freitas.
Fonte: e-mail gentilmente enviado por Débora Almeida em 01/08/2010.
Resenha publicada no semanário cabo-verdiano A Nação, nº 151, de 22 a 28/07/2010
Estimular o hábito da leitura nas crianças é a melhor maneira para se formar um público leitor adulto, além das vantagens consagradas pela pedagogia no processo de ensino e aprendizagem que tanto contribui para a formação do futuro cidadão.
Apesar de ainda escassa, a produção literária infantil cabo-verdiana começa, de maneira tímida, a revelar novos escritores que participam desse importante processo de formação de leitores. Por isso, torna-se pertinente celebrar uma publicação tão bem cuidada como a “Colecção Stera” de Zaida Sanches, lançada em 2009.
Em sua estreia literária, Sanches brinda o público infantil com quatro pequenas narrativas: “O Reino das Rochas” (desenhos de Anderson Fernandes), “A Greve dos Animais” (ilustrações de Ivanilson Sanches), “A Sopa da Beleza” e “A Princesa do Mês de Agosto” (os dois últimos ilustrados por Dudu Rodrigues).
Com um acurado olhar para o universo dos pequeninos, os quatro livrinhos procuram explorar aspectos tradicionais da cultura cabo-verdiana, valendo-se de tradições orais – provérbios e crenças populares – atualizadas para a época atual. O marcante caráter educativo embala as singelas narrativas: conhece-se a máquina tradicional do trapiche na qual o grogue é feito, a rotina rural e a importância de se respeitar os animais em “A Greve dos Animais”; dois agoiros populares dão a tônica de “A Princesa do Mês de Agosto”, com habilidade a autora desconstrói a ideia de que casamento no mês de agosto dá azar e de que se neste mês “a terra entrar para dentro de casa traz azar para aquela família”. Além disso, os pequeninos ficam sabendo como as festas eram comemoradas e como identificar as quatro estações do ano.
A tradição oral é revista em “A Sopa da Beleza”, que mostra a necessidade de uma alimentação diversificada, rica por legumes, verduras, frutas e outros itens, sendo o segredo para que as crianças tenham um crescimento saudável, longe das doenças e assim combater com sucesso absoluto o mal agoiro da hora minguada. A narrativa resgata as prendas que eram oferecidas aos pais quando nasciam os filhos. Enquanto em “O Reino das Rochas” apresenta o achamento de Cabo Verde pelos navegadores portugueses, a maneira como as ilhas foram colonizadas e a narrativa repassa a história do castigo das pedrinhas.
As boas soluções encontradas por Zaida Sanches em suas histórias, tornam a “Colecção Stera” um excelente presente a se ofertar às crianças. De forma lúdica, os pequeninos aguçam a curiosidade, aprendem aspectos tradicionais da cultura e da história cabo-verdiana, e são incentivados a ter uma conduta correta e respeitosa. Ou seja, as quatro narrativas de Sanches seguem a orientação barthesiana: é saber com sabor.
A gratificante leitura da “Colecção Stera” de Zaida Sanches ensina o quanto é relevante o incentivo não só à leitura dos pequeninos, mas dimensiona a importância de investimento do governo e das editoras em um segmento literário ainda tão carente de publicações. Apesar do custo elevado de um livro infantil, em razão de um maior cuidado gráfico, policromia etc., deve-se recordar que a criança que adquire o hábito da leitura, será um adulto leitor, consumidor de livros, por conseguinte, estimulará a leitura em seus filhos. Além de maior apoio aos escritores atuantes nesse segmento, também seria de enorme valia que os escritores e artistas plásticos consagrados do país também participassem de projetos voltados para o público infantil. Assim, a maior visibilidade dessa literatura será inevitável.
Edições Toró, Donde Miras e CDHEP (Centro de Direitos Humanos e Educação Popular) convidam para o curso: "Presença latino-ameFricana – ArteReflexão”
GRATUITO para 35 participantes, com distribuição de apostilas e certificado ao final do curso.
Seis encontros aos sábados - de 31/07 a 04/09 - sempre das 14h às 18h
No CDHEP: Rua Dr. Luís da Fonseca Galvão, 180 (colado ao Metrô Capão Redondo) – 5511-5073 – São Paulo/SP
Pra ver a arte do cartaz e conferir as imagens, materiais e apostilas dos cursos passados é só chegar no sítio http://www.edicoestoro.net/ .
Inscrições também no sítio da Toró ou na sede do CDHEP, até 23/07/2010.
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Programa do curso:
31/07 - “Literatura argentina frente às suas novas vozes", com Lucía Tennina (Professora de Literatura Brasileira e Portuguesa na Universidade de Buenos Aires. É pesquisadora visitante em Cultura Contemporânea, da Universidade Federal de Rio de Janeiro. Colabora em revistas acadêmicas e independentes, de Brasil e Argentina.) & "Cultura que brota da terra: povos indígenas no Brasil e suas lutas pelo território no século XXI", com Spensy Pimentel (Jornalista e antropólogo, hoje pesquisador na USP. Há 12 anos pesquisa os índios Guarani-Kaiowa, de Mato Grosso do Sul, estado onde nasceu).
07/08 - “Fotografia e 'o outro México rebelde': questões de olhar sobre novos movimentos sociais”, com Waldo Lao Fuentes Sánchez (Formado em Antropologia pela Escuela Nacional de Antropologia e Historia do México- ENAH, pós-graduando pelo PROLAM-USP. Atualmente é fotógrafo e colaborador de diversas meios independentes de comunicação) & "Salve, Hermanos!!! Hip Hop e(m) Cuba", com Mateus Subverso ( B. Boy e grafiteiro da Posse ‘Suatitude’ e integrante das Edições Toró. Também atua como designer gráfico e digital destes dois coletivos)
14/08 – “Cuba e Haiti: Atlântico Negro, culturas e interpretações”, com Amaílton Azevedo (Professor de História da África da PUC/SP) & “No chão da Martinica, a palavra de noite", com Luana Antunes Costa (Professora, pesquisadora em Literaturas Africanas e Afro-brasileira, escritora e tradutora. Doutoranda em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa, pela USP).
21/08 - “A mátria das cordilheiras, mar, pampa, sierra, selva e sertão: arte & re-existência”, com Marcos Ferreira Santos (Músico e Arte-educador. Professor da Faculdade de Educação da USP)
28/08 - “Teatro, Negro, no Brasil: do TEN ao Bando Olodum", com Evani Tavares (Atriz, angoleira, doutora em Artes pela UNICAMP e autora do livro “Capoeira Angola como treinamento para o ator” & “Cinemas afro-sulamericanos”, com Lilian Solá Santiago (Cineasta, pesquisadora e curadora de mostras de cinema. Historiadora e professora de cinema)
04/09 – “Revolução? Movimento Zapatista e Literatura das Margens Mexicanas", com Alejandro Reyes (Mexicano de nascença, escritor, jornalista e tradutor. Coordena a coleção"Imarginália' da Editora Sur + , é integrante da rádio zapatista e pesquisador atuante em cultura e literatura latino-americana) & Avaliação Coletiva.
Articulação Pedagógica: Allan da Rosa
Concepção e Diagramação de Cartaz e Apostilas: Mateus Subverso
Realização: Edições Toró, Donde Miras e CDHEP
Apoio: Nós por nós
Agradecimentos: Aos educadores que vêm na graça e na luta. E à comunidade que chega ou oferece atenção
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Para conferir a arte do cartaz e mais detalhes deste e dos outros cursos (fotos, recursos pedagógicos, apostilas) é só chegar nas varandas do sítio da Edições Toró: www.edicoestoro.net
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"Presença latino-ameFricana - ArteReflexão"
Quarto curso organizado pela Edições Toró, agora pareada pela fortaleza do coletivo DondeMiras e pelo vigor e crença do CDHEP (Centro de Direitos Humanos e Educação Popular).
A miragem é aprender sobre as graças, os traços e os revides fundamentados aplicados no racismo, na escravidão que é tanta e diferente a cada dia, na agulha que insistem em colocar nas nossas palmilhas.
Da borda de cá do Oceano Atlântico, maior cemitério e ponte da história humana, vamos re-existindo e comungando estudos e caminhos de roda. Com mais fundamento e menos marquetagem, menos holofote.
Da borda de cá da cidade que segrega, atola e pinga-repinga uma educação oficial merrequeira, tijolando muros no asfalto, na ladeira e no peito, barrando saberes e brinquedos que se expressam nas beiradas.
O curso traz artistas, professores e ativistas entranhados a cada dia na questão, pensando relações entre Africania e América Latina, seja onde o passo negro deixou e deixa mais caminhos, se entrançando com outros cantos, ou mesmo onde a força indígena mais vogou e voga. E onde os subúrbios e quebradas do hemisfério de cá oferecem expressões de sustança.
Pra que a teoria não morra de anestesia. E a pedagogia não definhe sem poesia.
Blog do escritor angolano Isaquiel Cori - Estamos Vivos.
Sobre seu mais recente livro:
“ (…) A leitura discorre facilmente e as folhas desse livro (…) sucedem-se umas às outras como sensações que sentimos numa mulher de orgasmos múltiplos, mais lemos e mais queremos saber o que pensa João Segura, o indivíduo, o comandante, o amante, o marido, o militar, o cidadão nesse pachtwork que é a sua vida; mais possuímos o livro e mais queremos ver aonde nos conduz. (…) Uma escrita muito realista e (…) um estilo muito descritivo que atrai desde as primeiras páginas: … as narrações da cobra que cruza a estrada; os incidentes de feiticismos; as primeiras visitas de Rosamaria ao cárcere são electrizantes; as reflexões sobre os livros que João Segura leu… É um livro que pela perspectiva de análise do fenómeno da guerra em Angola interessa fazer público…”
Adriano Mixinge, historiador e crítico de Arte
“O ÚLTIMO RECUO” vale morar na biblioteca de cada um de nós. A sua importância é literariamente histórica e actual na sua abordagem, se atendermos à nossa história recente. Como me ensinou um dia o meu grande mestre Jorge Luis Borges e eu cito: “…estamos sempre carregados, sobrecarregados pelo nosso sentido histórico” – quer queiramos ou não.
Neste romance documental, ele flagra nas suas referências as questões que atormentaram o nosso belo país. Nele ele exalta, pontualiza, toca nas suas indagações os resíduos e derivações teciduais da nossa sociedade felizmente em reconstrução.”
Frederico Ningi, poeta
Sobre o autor:
ISAQUIEL CRISTÓVÃO CORI
Nasceu em Luanda, em 1967. Entre 1985 e 1991 foi militar das ex-FAPLA (Forças Armadas Populares de Libertação de Angola), tendo sido bibliotecário na Base Naval de Luanda e posteriormente na Base Naval do Lobito. Trabalhou na Biblioteca Nacional. É jornalista, formado no IMEL – Instituto Médio de Economia de Luanda, com percurso profissional dividido entre o Jornal de Angola e o Jornal ÉME do MPLA.
Estudante da Faculdade de Letras e Ciências Sociais, tem já publicado os seguintes títulos: Sacudidos pelo Vento, romance (menção honrosa do Prémio Sonangol de Literatura 1994; O Último Feiticeiro, contos, Edições Chá de Caxinde, 2003; Pessoas com quem falar, entrevistas a escritores, UEA, 2003, co-autoria.
Publicado no semanário cabo-verdiano A Nação, número 149, 08 de julho de 2010, p. 14.
(...) para a exaltação das multidões enraivecidas
exultantes com o herói do povo
aclamado como abel djassi
festejado como messias-fundador
adorado como cristo negro dos rabelados de santiago
sempre gratamente louvado como cabral
sempre simplesmente chamado amílcar
(ALMADA, José Luis Hopffer C. Praianas – Revisitações do Tempo e da Cidade.
Praia: Spleen Edições, 2009. p. )
No eterno combate às desigualdades sociais, à exploração e detrimento de muitos para favorecimento de poucos em uma constante metamorfose da dominação opressora, convém estarmos atentos aos discursos estabelecidos e enfrentarmos a perigosa memória seletiva que tenta conduzir à amnésia coletiva personagens importantes do passado. Por isso, em razão de mais um 5 de julho cabo-verdiano independente, a recordação pertinente de Amílcar Cabral.
Não se pretende neste curto espaço falar dos incontáveis feitos do grande líder da união Guiné-Cabo Verde, do PAIGC, da sua atuação como engenheiro agrônomo, da iluminada intelectualidade e do humanismo exacerbado – africano e universal –, para além de todos esses venerados atributos queremos aqui relembrar os seus poemas e a influência dos seus ideais na poesia.
Da consciência política adquirida desde cedo à afirmação intelectual concretizada na prolífica convivência na Casa dos Estudantes do Império, ao lado de nomes como Alda Lara, Agostinho Neto e Mário Pinto de Andrade, Amílcar, em “Apontamentos sobre a poesia cabo-verdiana”, percebe na poesia de “Claridade” e “Certeza” as marcas da cabo-verdianidade: “Os seus poetas sentem e sabem que, para além da realidade cabo-verdiana, existe uma realidade humana de que não podem alhear-se. (...) E dizem, querem dizer ‘um canto... que cruze nos mares mais distantes e entre nos corações dos homens... um canto com contornos de paz e relevos de esperança’”.
É na crença na esperança de uma nova luz que o faz versar “para além de um Sol já velho defraudado/ há um puro Sol cruzando os infinitos/ vivificando a Vida. (...) Que amanhã na planície conquistada/ da terra redimida/ libertada/ os Homens irmanados colherão/ o saboroso Pão”. Sol contrapondo-se à noite colonial manifestada pela insularidade aprisionadora: “colinas sem fim de terra vermelha/ – de terra bruta –/ rochas escarpadas tapando os horizontes,/ mar aos quatro cantos prendendo as nossas ânsias!” Mas é na força proposta pela “reafricanização dos espíritos” na qual o insistente e ansioso pedido do poema “Regresso” visualiza a chuva que renova o tempo: “Mamãi Velha, venha ouvir comigo/ o bater da chuva lá no seu portão./ (...) Dizem que o campo se cobriu de verde,/ da cor mais bela, porque é a cor da esp’rança./ Que a terra, agora, é mesmo Cabo Verde/ – É a tempestade que virou bonança...// Venha comigo, Mamãi Velha, venha,/ recobre a força e chegue-se ao portão./ A chuva amiga já falou mantenha/ e bate dentro do meu coração”.
Orientados pelos ideais cabralinos, por um “destino nosso, livremente escolhido”, letras armadas de poetas surgidos ao final dos anos 1950 como Onésimo Silveira e na “postulação irritada da fraterninade” de Mário Fonseca, construíram o seu fazer poético consubstanciado pelo desejo irrevogável de libertação do país, por conseguinte, do continente africano, escancarado por Fonseca em “Eis-me aqui África”.
Sensível não só ao injustificável colonialismo português, mas a todas as formas de opressão aos países africanos e do 3º mundo em geral, esse “Guevara de África”, tão bem alcunhado por Alda Lara, ganhou uma correta homenagem pelo seu legado de homem, político e poeta na antologia temática organizada por Mário Pinto de Andrade, “O Canto Armado”, com uma seleção de poema: Kabral ka morrê.
Na produção contemporânea cabo-verdiana podemos citar as passagens do supracitado “Praianas”, de José Luís Hopffer C. Almada, nas quais o “verbo livre e urgente” do líder é recordado e exaltado. Com isso, concluímos essa pequena homenagem ao homem de “perfil visionário da aura carismática” que foi Amílcar Cabral.