sexta-feira, 6 de agosto de 2010

António de Névada – Esteira Cheia ou o Abismo das Coisas


António de Névada – Esteira Cheia ou o Abismo das Coisas
por Ricardo Riso
Resenha publicada no semanário A Nação Nº 153, de 05 a 11/08/2010, p. 16

 

Apetece a celebração quando se depara com uma poesia que transforma o ato da leitura em uma surpreendente e valorosa experiência. Passam-se os versos, passam-se as páginas e a mescla de interesse e inquietação apodera-se do leitor, ávido pelo que virá. Dessa maneira, entorpecido por um intenso labor criativo e ousado na depuração da palavra, a demonstrar maturidade plena em seu ofício, que se encerra a gratificante leitura de “Esteira Cheia ou o Abismo das Coisas”, do mindelense António de Névada.

Lançada em 1999, sob a chancela da editora Angelus Novus, “Esteira Cheia...” revela profundas indagações de natureza ontológica em longos poemas narrativos de pungente conotação épica. Particionada em três Canções (meditações, aguarelas do tempo e canto à semeadura) subdivididas por três cantos, precedidas por um Prelúdio (esteira cheia de sol) e finalizadas por um Coro (esteira cheia, ribeira da vida), esse épico, com acerto chamado de épica lírica por Osvaldo Silvestre e que o poeta denomina de drama ou polifonia poética, assemelha-se à estrutura da ópera, tendo a música como um referencial marcante aludido na epígrafe dedicada ao jazzista John Coltrane, por sinal, um artista também preocupado com as questões metafísicas, sendo exemplo maior o seu antológico álbum A Love Supreme.

Ressaltem-se as diferenciadas marcas intertextuais que abrilhantam a poesia de Névada, tais como as explicitadas pelo poeta e que valorizam a literatura de Cabo Verde, casos de João Vário, Timóteo Tio Tiofe e Corsino Fortes, a cultura popular cabo-verdiana e africana, nomes universais como Dante Alligheri e T. S. Elliot, e contemporâneos, caso de Nuno Júdice. Tantas referências são reconfiguradas pela pena criativa do poeta que realiza um mergulho angustiado no âmago do ser, atestado a seguir: “É sabido que o sofrimento/ e a carência são sombras/ que a árvore da vida/ projecta sobre as almas./ Mas como sarar a podridão do corpo,/ como colher da murchidão,/ se a dolência corroeu-nos o espírito,/ se o êxodo levou-nos o canto/ secou-nos o pranto?”(p. 12)

Na incessante busca pelo sentido de estar no mundo, posto que “sua alma cresce entre joios de desespero” (p. 17), “os versos medem a agonia/ e cavamos à procura da essência” (p. 27) em uma época desarranjada que apresenta imagens insólitas como “uma gola sem pescoço/ empunhando punhos de espanto” (p. 25). A poesia refere-se ao homem cabo-verdiano, à sua resistência e à sua “impropícia beatitude” (p. 29) “no chão putrefacto” (p. 31), o sujeito lírico solidariza-se com as dificuldades da vida do ilhéu, “caminhamos em busca do tempo”. Esse tempo que chega a ser quase que tangível, devido à artesania do poeta.

Da impossibilidade da indiferença ao visualizar a abnegação do ilhéu ao cumprir seu dever em lavrar a terra seca, “as lágrimas humedecem os olhos./ Os elementos diluem-se no abismo das coisas” (p. 51), estupefato “sob o peso da angústia” (p. 49), “procurando a ancestralidade/ ou a linha da vida” (p. 44), o sujeito lírico divaga: “E não pensemos/ que o acto de questionar/ o melhor das coisas/ nos levará à grandeza” (p. 50). Ainda impressionado com a insistência do lavrador, “E o homem/ cultiva sobre a terra estéril,/ e sobre ela ajoelha-se/ para louvar ou possuir/ o dom dos deuses.” (p. 60), tanto que “a densidade das palavras/ não encontra/ o discurso necessário” (p. 62) e se questiona: “Será que cavamos a própria sepultura?” (p. 64)

Valendo-se de uma linguagem inovadora e culta, com metáforas arrojadas, forte presença telúrica, pertinentes indagações acerca da existência, “julgaremos o homem, sua essência,/ como quem julga a negação dos deuses,/ o infinito ou a irreferência dos deuses!” (p. 67-68), sobre o tempo e a verossimilhança, elevam o nome de António de Névada como legítimo representante da melhor poesia de Cabo Verde:

Ao recriar o desgaste, o atrito
entre a esperança e a desesperança,
estabelece-se a mais verossímil
das parábolas:
A vida! (p. 71)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Ondjaki - Quantas madrugadas tem a noite (livro)


Quantas madrugadas tem a noite
Ondjaki

A obra é o segundo romance de Ondjaki, dos expoentes da nova geração de escritores africanos, que também se dedica à poesia, ao teatro, aos contos e à literatura infantil. O autor, que já afirmou em entrevista que “frequentar livros é frequentar mundos”, conduz o leitor até Luanda, cenário das diversas histórias que constituem o romance. Povoada por personagens como o professor albino Jaí, o anão BurkinaFaçam e o protagonista AdolfoDido, a trama flerta com o fantástico ao mesmo tempo quem que traça um panorama atualizado da Luana pós-independência. Com temperadas doses de humor, farsa, drama, lirismo e violência, “Quantas madrugadas tem a noite” mantém o estilo presente em outras obras do autor, em que a oralidade permeia fortemente a narrativa, aproximando o leitor dos acontecimentos como se eles estivessem sendo contados entre amigos e entre muitas birras (cervejas). Um breve glossário ao fim do livro esclarece gírias e expressões regionais, que não atrapalham a fluência da leitura.

Editora Leya Brasil
Páginas: 200
ISBN: 9788562936258
1.ª edição: 2010-06-01

fonte: http://www.leya.com.br/catalogo/detalhes_produto.php?id=41894

Portanto... Pepetela (Tania Macêdo, Rita Chaves) - livro


Portanto... Pepetela
Tania Macêdo, Rita Chaves
ISBN: 978-85-7480-457-6



Este livro procura reduzir a distância que ainda separa a literatura brasileira da africana, trazendo uma série de artigos sobre Pepetela, um dos principais escritores angolanos. O trabalho divide-se em cinco partes: a primeira incide sobre a trajetória do autor, com o registro de alguns dos passos da sua vida e a criação de sua obra, completando-se com um quadro informativo sobre as edições e traduções de seus livros. Na segunda parte, é o autor que nos apresenta um pouco de si mesmo, captado o seu pensamento em entrevistas concedidas nos últimos anos. Na sequência, vem a voz de alguns de seus companheiros – de ofício, de luta, da utopia que, felizmente, foi além da sua geração. Nesses depoimentos transparecem outras dimensões de sua personalidade que o leitor de seus livros há de gostar de descobrir. Na quarta parte a obra de Pepetela é abordada por vários especialistas, professores e estudiosos do Brasil, de Portugal e de Moçambique. Finalmente, oferece-se uma listagem de dissertações de mestrado e teses de doutoramento que têm Pepetela como tema.

Sumário
Pepetela, Entre Nós – Rita Chaves e Tania Macêdo

I. Pepetela: as Estórias na História
◦Cronologia
◦Bibliografia
II. Pepetela pela sua Voz (Fragmentos de Entrevistas)
◦Experiência e Vida
◦Guerrilha
◦Literatura
◦A Obra
◦Política
III. Pepetela por outras Vozes
◦Pepetela, Bem-vindo… – Dario de Melo
◦Reler Pepetela – Gabriela Antunes
◦Até Camões… – Henrique Abranches
◦Pepetela: A Dimensão do Renascimento – José Luís Mendonça
◦O Pepe – Júlio de Almeida
◦Pepetela – A Pestana Vigiando o Olhar – Mia Couto
◦Quarenta Anos de Amizade para Sessenta de Vida – Ndunduma Wé Lepi
◦Pepe – Orlando Senna
IV. Pepetela sob os Olhos de Tantos
◦Fatos de Vida, Feitos de Ficção (Yaka, de Pepetela: História, Mito e Símbolo) – Maria Aparecida Campos Brando Santilli
◦Janus-narrador em A Gloriosa Família de Pepetela, ou o Poder Profético da Palavra Narrativa – Ana Mafalda Leite
◦Mayombe: Um Romance contra Correntes – Rita Chaves
◦Muana Puó: Enigma e Metamorfose – Fernando J. B. Martinho
◦Na Curva Oblonga do Tempo, uma Alegórica Parábola… – Carmen Lucia Tindó Ribeiro Secco
◦Notas sobre a Utopia, em Pepetela – Benjamin Abdala Junior
◦O Desejo de Kianda: Crônica e Fabulação – Maria Thereza Abelha Alves
◦Pepetela: A Releitura da História entre Gestos de Reconstrução – Inocência Mata
◦Pepetela e a Sedução da Montagem Cinematográfica: Breves Recortes – Laura Cavalcante Padilha
◦O Homero Angolano – Lourenço do Rosário
◦As Aventuras de Ngunga: Nas Trilhas da Libertação – Maria do Carmo Sepúlveda Campos
◦Muana Puó: Uma Pequena Leitura da Máscara – Mário César Lugarinho
◦Mayombe: Angola entre o Passado e o Futuro – Marina Ruivo
◦A Corda: Um Convite ao Pensar… – Iris Maria da Costa Amâncio
◦A Revolta da Casa dos Ídolos: Renovação e Tradição – Antonio Hildebrando
◦Yaka: A Construção do Discurso Utópico – Vima Lia Martin
◦O Cão e os Caluandas: O Texto, o Leitor e o Mundo – Maria Teresa Salgado
◦Lueji: O Nascimento de um Império – Fernanda Cavacas
◦Luandando: Uma Cidade no Gerúndio – Érica Antunes
◦A Geração da Utopia: A Lição do Mar – Célia Regina Marinangelo
◦O Desejo de Kianda: Um Cântico de Liberdade – Tania Macêdo
◦Parábola do Cágado Velho: O Cágado Velho e o Pensador – Magdala França Vianna
◦ A Gloriosa Família: O Tempo dos Flamengos – Valéria Maria Borges Teixeira
◦A Montanha Mágica de Pepetela – Ana Luísa Ventura Vieira Pereira
◦Jaime Bunda, Agente Secreto: A Paródia do Mito – Rosangela Manhas Mantolvani
◦Jaime Bunda e a Morte do Americano: O Livro Policial é um Pretexto – Simone Caputo Gomes
◦Pepetela e a Predatória Arte de Narrar – Jorge Valentim
◦O Terrorista de Berkeley, Califórnia: Entre a Modernidade e a Barbárie – Sueli Saraiva
◦O Quase Fim do Mundo – Raquel Silva
◦Contos de Morte: Flashes para Escrever Angola – Lola Geraldes Xavier
V. Pepetela sobre/para o Escritor
◦Teses e Dissertações sobre a Obra de Pepetela nas Universidades Brasileiras

Autor: Rita Chaves
Biografia: Rita Chaves é professora e pesquisadora de literatura da Universidade de São Paulo.

Medidas: 12,5 x 20,5 cm - Páginas: 392 - Edição: 1ª - Ano: 2010 - Acabamento: Brochura
Fonte: http://www.atelie.com.br/shop/detalhe.php?id=522

Pós-Graduação em História e Cultura Afro-Brasileira e Africana (UFJF)

História e Cultura Afro-Brasileira e Africana: Educação para as Relações Étnico-Raciais (Universidade Federal de Juiz de Fora)

EDITAL

Coordenação: Prof. Dr. Robert Daibert Júnior (Departamento de Ciência da Religião)
Vice-Coordenação: Prof. Dr. Edimilson de Almeida Pereira (Departamento de Letras)

e-mail: neab.reitoria@ufjf.edu.br

Inicio: 10 de setembro de 2010
Carga Horária:396 Vagas:40

Publico Alvo: Portadores de diploma de curso superior em Pedagogia ou Normal Superior ou Licenciatura Plena em qualquer área do conhecimento. Não serão homologadas as inscrições de candidatos que não comprovarem conclusão de curso superior em conformidade com as especificações acima citadas.

Curso: GRATUITO

Período de inscrição: 26/07/2010 a 06/08/2010

Local de Inscrição: Faculdade de Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora, sala Sky, primeiro andar, das 14h às 17:30h.)

Homologação das Inscrições: A homologação das inscrições será publicada no site www.ufjf.br/neab em 12 de agosto de 2010.

Prova: dia 14 / 08 / 2010 no anfiteatro do Instituto de Ciências Humanas (campus UFJF) das 08:30h às 12h. (consultar Bibliografia no ato da inscrição)

Processo seletivo:
1) Avaliação da carta de apresentação, entregue pelo candidato no ato da inscrição (caráter eliminatório).
2) Prova escrita (caráter eliminatório e classificatório).
3) Análise de currículo (classificatório).

Resultado: Os resultados serão divulgados no dia 28 de agosto de 2010, no site www.ufjf.br/neab

Período de Matrícula: de 30/08/2010 a 03/09/2010 em local a ser divulgado no site no momento da publicação do resultado.

Dias e horário de funcionamento do curso: às 6as-feiras das 18:30 h às 22:30 h e aos sábados das 08h às 12h e das 13h às 17h.

Documentos para inscrição:
■Cópia da carteira de identidade (RG)
■Cópia do CPF
■Cópia do Histórico Escolar da Graduação
■Cópia autenticada do Diploma de Graduação ou cópia autenticada da Declaração de Conclusão do Curso acompanhada de cópia autenticada do protocolo de solicitação do Diploma.
■Cópia autenticada da Certidão de Nascimento ou Casamento
■01 foto 3 x 4 recente
■Currículo vitae acompanhado de comprovantes
■Carta de apresentação redigida pelo próprio candidato conforme orientações divulgadas no edital disponível em www.ufjf.br/neab
 
Fonte: http://www.ufjf.br/propg/lato-sensu/humanas/historia-e-cultura-afro-brasileira-e-africana-educacao-para-as-relacoes-etnico-racias/

domingo, 1 de agosto de 2010

Tás a ver? Coletivo multimídia África-Brasil



Um novo portal que intenciona aproximar África - Brasil, chama-se Tás a ver? - coletivo multimídia África-Brasil.

O sítio é bonito e o seu conteúdo de excelente qualidade.

Recomendo a visita constante.

Abraços,
Ricardo Riso


Literacia - Africanidades (Ricardo Riso, colaborador)



Prezados,

com prazer inicio neste mês colaboração na seção Africanidades da Literacia - Revista de Cultura

A periodicidade será mensal e o primeiro artigo, sob o título Mirabilis – de veias ao sol, a produção literária contemporânea cabo-verdiana, traço um breve panorama de alguns dos escritores escritores publicados desde quando a antologia supracitada foi lançada.

A revista possui diversas seções e artigos de nomes consagrados, dentre outros, como do crítico literário e escritor Affonso Romano de Sant'anna e da Profa. Dra. Rita Chaves (USP).
 
Visitem quando for possível e ajudem na divulgação, por favor.
 
Abraços,
Ricardo Riso

Sete Ventos (Teatro - Sesc-Tijuca/RJ)


SETE VENTOS é um monólogo interpretado pela atriz Débora Almeida baseado em depoimentos de mulheres negras e Iansã, já cumpriu duas temporadas no Rio de Janeiro, sendo contemplado pelo Prêmio Myriam Muniz de Teatro e acaba de retornar de Salvador, onde foi apresentado no Teatro Vila Velha a convite da SEPROMI- Secretaria de Promoção da Igualdade do Estado da Bahia em comemoração pelo Dia da Mulher Negra Latino- Americana e Caribenha.

O espetáculo narra a trajetória da escritora Bárbara, filha de Iansã. Ela relembra junto ao público as histórias de mulheres negras que a influenciaram. Através dos relatos de Bárbara contamos a história da pessoa negra que tenta reconstruir a sua identidade através das contradições de seu cotidiano.

Entre as mulheres entrevistadas, contamos com Conceição Evaristo, Vanda Ferreira e Lucia Xavier, do Criola.

Débora Almeida é atriz, formada pela UNI- Rio, integrou o elenco da Cia dos Comuns durante 9 anos, participando dos espetáculo “A Roda do Mundo”, “Candaces- A Reconstrução do Fogo”, “Bakulo- Os Bem Lembrados”, dirigidos por Marcio Meireles, e “Silêncio”, dirigido por Hilton Cobra. No cinema participou dos filmes “Jogo de Cena”, de Eduardo Coutinho” e “Crimes de Ódio” de Patrícia Freitas.
 
Fonte: e-mail gentilmente enviado por Débora Almeida em 01/08/2010.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Zaida Sanches – Coleção Stera (Literatura Infantil - Cabo Verde)


Zaida Sanches – Coleção Stera

Por Ricardo Riso
Resenha publicada no semanário cabo-verdiano A Nação, nº 151, de 22 a 28/07/2010

Estimular o hábito da leitura nas crianças é a melhor maneira para se formar um público leitor adulto, além das vantagens consagradas pela pedagogia no processo de ensino e aprendizagem que tanto contribui para a formação do futuro cidadão.

Apesar de ainda escassa, a produção literária infantil cabo-verdiana começa, de maneira tímida, a revelar novos escritores que participam desse importante processo de formação de leitores. Por isso, torna-se pertinente celebrar uma publicação tão bem cuidada como a “Colecção Stera” de Zaida Sanches, lançada em 2009.

Em sua estreia literária, Sanches brinda o público infantil com quatro pequenas narrativas: “O Reino das Rochas” (desenhos de Anderson Fernandes), “A Greve dos Animais” (ilustrações de Ivanilson Sanches), “A Sopa da Beleza” e “A Princesa do Mês de Agosto” (os dois últimos ilustrados por Dudu Rodrigues).

Com um acurado olhar para o universo dos pequeninos, os quatro livrinhos procuram explorar aspectos tradicionais da cultura cabo-verdiana, valendo-se de tradições orais – provérbios e crenças populares – atualizadas para a época atual. O marcante caráter educativo embala as singelas narrativas: conhece-se a máquina tradicional do trapiche na qual o grogue é feito, a rotina rural e a importância de se respeitar os animais em “A Greve dos Animais”; dois agoiros populares dão a tônica de “A Princesa do Mês de Agosto”, com habilidade a autora desconstrói a ideia de que casamento no mês de agosto dá azar e de que se neste mês “a terra entrar para dentro de casa traz azar para aquela família”. Além disso, os pequeninos ficam sabendo como as festas eram comemoradas e como identificar as quatro estações do ano.

A tradição oral é revista em “A Sopa da Beleza”, que mostra a necessidade de uma alimentação diversificada, rica por legumes, verduras, frutas e outros itens, sendo o segredo para que as crianças tenham um crescimento saudável, longe das doenças e assim combater com sucesso absoluto o mal agoiro da hora minguada. A narrativa resgata as prendas que eram oferecidas aos pais quando nasciam os filhos. Enquanto em “O Reino das Rochas” apresenta o achamento de Cabo Verde pelos navegadores portugueses, a maneira como as ilhas foram colonizadas e a narrativa repassa a história do castigo das pedrinhas.

As boas soluções encontradas por Zaida Sanches em suas histórias, tornam a “Colecção Stera” um excelente presente a se ofertar às crianças. De forma lúdica, os pequeninos aguçam a curiosidade, aprendem aspectos tradicionais da cultura e da história cabo-verdiana, e são incentivados a ter uma conduta correta e respeitosa. Ou seja, as quatro narrativas de Sanches seguem a orientação barthesiana: é saber com sabor.

A gratificante leitura da “Colecção Stera” de Zaida Sanches ensina o quanto é relevante o incentivo não só à leitura dos pequeninos, mas dimensiona a importância de investimento do governo e das editoras em um segmento literário ainda tão carente de publicações. Apesar do custo elevado de um livro infantil, em razão de um maior cuidado gráfico, policromia etc., deve-se recordar que a criança que adquire o hábito da leitura, será um adulto leitor, consumidor de livros, por conseguinte, estimulará a leitura em seus filhos. Além de maior apoio aos escritores atuantes nesse segmento, também seria de enorme valia que os escritores e artistas plásticos consagrados do país também participassem de projetos voltados para o público infantil. Assim, a maior visibilidade dessa literatura será inevitável.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Presença latino-ameFricana – ArteReflexão: curso 31/07 a 04/09/2010


Edições Toró, Donde Miras e CDHEP (Centro de Direitos Humanos e Educação Popular) convidam para o curso: "Presença latino-ameFricana – ArteReflexão”

GRATUITO para 35 participantes, com distribuição de apostilas e certificado ao final do curso.

Seis encontros aos sábados - de 31/07 a 04/09 - sempre das 14h às 18h

No CDHEP: Rua Dr. Luís da Fonseca Galvão, 180 (colado ao Metrô Capão Redondo) – 5511-5073 – São Paulo/SP

Pra ver a arte do cartaz e conferir as imagens, materiais e apostilas dos cursos passados é só chegar no sítio http://www.edicoestoro.net/ .

Inscrições também no sítio da Toró ou na sede do CDHEP, até 23/07/2010.

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Programa do curso:

31/07 - “Literatura argentina frente às suas novas vozes", com Lucía Tennina (Professora de Literatura Brasileira e Portuguesa na Universidade de Buenos Aires. É pesquisadora visitante em Cultura Contemporânea, da Universidade Federal de Rio de Janeiro. Colabora em revistas acadêmicas e independentes, de Brasil e Argentina.) & "Cultura que brota da terra: povos indígenas no Brasil e suas lutas pelo território no século XXI", com Spensy Pimentel (Jornalista e antropólogo, hoje pesquisador na USP. Há 12 anos pesquisa os índios Guarani-Kaiowa, de Mato Grosso do Sul, estado onde nasceu).

07/08 - “Fotografia e 'o outro México rebelde': questões de olhar sobre novos movimentos sociais”, com Waldo Lao Fuentes Sánchez (Formado em Antropologia pela Escuela Nacional de Antropologia e Historia do México- ENAH, pós-graduando pelo PROLAM-USP. Atualmente é fotógrafo e colaborador de diversas meios independentes de comunicação) & "Salve, Hermanos!!! Hip Hop e(m) Cuba", com Mateus Subverso ( B. Boy e grafiteiro da Posse ‘Suatitude’ e integrante das Edições Toró. Também atua como designer gráfico e digital destes dois coletivos)

14/08 – “Cuba e Haiti: Atlântico Negro, culturas e interpretações”, com Amaílton Azevedo (Professor de História da África da PUC/SP) & “No chão da Martinica, a palavra de noite", com Luana Antunes Costa (Professora, pesquisadora em Literaturas Africanas e Afro-brasileira, escritora e tradutora. Doutoranda em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa, pela USP).

21/08 - “A mátria das cordilheiras, mar, pampa, sierra, selva e sertão: arte & re-existência”, com Marcos Ferreira Santos (Músico e Arte-educador. Professor da Faculdade de Educação da USP)

28/08 - “Teatro, Negro, no Brasil: do TEN ao Bando Olodum", com Evani Tavares (Atriz, angoleira, doutora em Artes pela UNICAMP e autora do livro “Capoeira Angola como treinamento para o ator” & “Cinemas afro-sulamericanos”, com Lilian Solá Santiago (Cineasta, pesquisadora e curadora de mostras de cinema. Historiadora e professora de cinema)

04/09 – “Revolução? Movimento Zapatista e Literatura das Margens Mexicanas", com Alejandro Reyes (Mexicano de nascença, escritor, jornalista e tradutor. Coordena a coleção"Imarginália' da Editora Sur + , é integrante da rádio zapatista e pesquisador atuante em cultura e literatura latino-americana) & Avaliação Coletiva.

Articulação Pedagógica: Allan da Rosa
Concepção e Diagramação de Cartaz e Apostilas: Mateus Subverso
Realização: Edições Toró, Donde Miras e CDHEP
Apoio: Nós por nós
Agradecimentos: Aos educadores que vêm na graça e na luta. E à comunidade que chega ou oferece atenção

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Para conferir a arte do cartaz e mais detalhes deste e dos outros cursos (fotos, recursos pedagógicos, apostilas) é só chegar nas varandas do sítio da Edições Toró: www.edicoestoro.net

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"Presença latino-ameFricana - ArteReflexão"
Quarto curso organizado pela Edições Toró, agora pareada pela fortaleza do coletivo DondeMiras e pelo vigor e crença do CDHEP (Centro de Direitos Humanos e Educação Popular).

A miragem é aprender sobre as graças, os traços e os revides fundamentados aplicados no racismo, na escravidão que é tanta e diferente a cada dia, na agulha que insistem em colocar nas nossas palmilhas.

Da borda de cá do Oceano Atlântico, maior cemitério e ponte da história humana, vamos re-existindo e comungando estudos e caminhos de roda. Com mais fundamento e menos marquetagem, menos holofote.

Da borda de cá da cidade que segrega, atola e pinga-repinga uma educação oficial merrequeira, tijolando muros no asfalto, na ladeira e no peito, barrando saberes e brinquedos que se expressam nas beiradas.

O curso traz artistas, professores e ativistas entranhados a cada dia na questão, pensando relações entre Africania e América Latina, seja onde o passo negro deixou e deixa mais caminhos, se entrançando com outros cantos, ou mesmo onde a força indígena mais vogou e voga. E onde os subúrbios e quebradas do hemisfério de cá oferecem expressões de sustança.

Pra que a teoria não morra de anestesia. E a pedagogia não definhe sem poesia.

Edições Toró
Morro do Mineiro – Taboão da Serra/SP
www.edicoestoro.net

Fonte: e-mail gentilmente enviado por Allan de Rosa em 13 de julho de 2010.