terça-feira, 21 de setembro de 2010

Rosana Paulino - Memórias de Sombras (exposição/SP)


Exposição Memórias de Sombras, da artista plástica Rosana Paulino, também ilustradora do livro infantil A lenda da Pemba, de Marcia Regina da Silva.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Marcia Regina da Silva – A Lenda da Pemba (livro)


Marcia Regina da Silva – A Lenda da Pemba
Por Ricardo Riso
Márcia Regina da Silva reescreve uma das mais belas histórias tradicionais oriunda do continente africano e que também se encontra em nossa cultura afro-brasileira, trata-se d’A Lenda da Pemba, título do seu livro infanto-juvenil publicado pela editora paulistana Larousse do Brasil em 2009, compondo a coleção Larousse Junior.

O grande valor da narrativa é abordar a pemba, um pó sagrado utilizado nas religiões afro-brasileiras, e contar a história de um amor impossível entre Mipemba, uma linda jovem negra que morava em um reino da África, e um jovem admirador. Amor impossível em razão das tradições do povo de Mipemba, pois a jovem foi escolhida para ser oferecida aos ancestrais.

O desenrolar da história é recheado de misticismo, sendo comovente o seu final, cabendo aqui ressaltar a condução precisa da narrativa tecida por Márcia Regina da Silva. Ao término da breve história, o pequeno leitor saberá a multiplicidade de usos que o pó sagrado da pemba oferece e as suas virtudes, tais como espalhar o amor, a harmonia e a felicidade entre as pessoas. Características que eram marcantes em Mipemba.

O livro consta de felizes ilustrações de Rosana Paulino, que se inspirou nas máscaras africanas para caracterizar as faces de seus personagens, a cuidadosa representação das vestimentas e seus tecidos bordados com formas geométricas, além das cenas do cotidiano de uma aldeia e de variados símbolos africanos. Os desenhos de Paulino são sucintos, suas formas são simples e sem exageros e sua paleta de cores é reduzida, tornando-os eficientes e um ótimo e agradável acompanhamento à leitura.

A Lenda da Pemba é um eficaz entretenimento para o pequeno leitor e ainda possui a qualidade de descrever um componente essencial da nossa religiosidade afro-brasileira. Um livro que atende aos textos das leis 10.639/2003 e 11.645/2008, assim como enriquece e ajuda a diversificar a literatura infanto-juvenil de temática afro-brasileira. Trata-se de um excelente resultado alcançado pela parceria Marcia Regina da Silva e Rosana Paulino.


A Lenda da Pemba
De Márcia Regina da Silva
Ilustrações de Rosana Paulino
São Paulo: Larousse do Brasil, 2009

domingo, 19 de setembro de 2010

Oficina de Contos Africanos e Contação de Histórias - CCJF/RJ

Oficina de Contos Africanos e Contação de Histórias


Com quem? Silvia Carvalho e Alyxandra Gomes – Karingana Ua Karingana*
Onde? Centro Cultural da Justiça Federal – RJ
Horário? 18 às 21 horas
Quando? Dias 1, 8, 15, 22 de outubro e 05 de novembro.
Valor? 120,00
Contato? 21-87171780
E-mail: karinganauakaringana@yahoo.com.br
Blog: http://www.karinganauakaringana.blogspot.com/

Temas: - A literatura africana; - O conto africano; - O conto afro brasileiro; - O ofício do contador de histórias; - Pesquisa de repertório; - Exercícios de interpretação; - Leitura, literatura e lei 10.639/03; - Video sobre contadores; - Roda de contação no encerramento

* Alyxandra Gomes é Professora, doutoranda em Estudos Étnicos e Africanos no Centro de Estudos Afro Orientais em Salvador & Silvia Carvalho é Psicóloga, Especialista em Literatura Africana, ambas coordenam o Karingana Ua Karingana desde 2005.

Fonte: E-mail gentilmente enviado pela colega Silvia Carvalho em 16 de setembro de 2010.

sábado, 18 de setembro de 2010

Filinto Elísio - Outros sais na beira mar (lançamento livro em Fortaleza/CE)

OUTROS SAIS NA BEIRA MAR - O lançamento do livro de Filinto Elísio (Editora Letras Várias, 190 páginas) acontece hoje (18) a partir das 19h no Espaço Cultural Oboé (Avenida Dom Luís, 300 – Aldeota). Aberto ao público. A publicação terá preço especial para o lançamento R$20.

Fonte: e-mail gentilmente enviado pelo escritor Filinto Elísio a partir do endereço http://www.opovo.com.br/app/opovo/vida-e-arte/2010/09/18/internaimpressavidaearte,2043238/literatura-de-beira-do-mar.shtml

Helena Theodoro – Os Ibejis e o Carnaval


Helena Theodoro – Os Ibejis e o Carnaval
Por Ricardo Riso

Aprendizado, ludicidade e lirismo dão corpo à bela narrativa Os Ibejis e o Carnaval, da pesquisadora da cultura brasileira e professora doutora Helena Theodoro.

A pequena narrativa gira em torno dos ibejis, nome africano para gêmeos. São eles: Neinho e Lalá. Como todas as crianças, a curiosidade exacerbada conduz o diálogo à festa do carnaval e vários aspectos que envolvem a sua feitura, e é na tessitura textual de intensa habilidade narrativa que o leitor mirim se deparará com a escrita leve, concisa, esclarecedora e envolvente de Helena Theodoro.

Diversos aspectos do carnaval, por conseguinte, da cultura afro-brasileira, são apresentados pela autora. Os pequenos aprendem como é a celebração tradicional do nascimento das crianças entre os negros: com batucada, samba, cantos e apresentação dos bebês à lua, que quando está na fase cheia sinaliza sorte e felicidade aos recém-nascidos.

As crianças crescem, a agitação normal da pouca idade leva as discussões ao carnaval. “Carnaval é a festa do povo! É quando as escolas contam suas histórias e mostram o valor da nossa gente”, diz a menina Lalá; enquanto pela voz de Neinho o pequeno leitor passa a conhecer a diversidade da festa: “carnaval não é só escola de samba, tem os blocos afro da Bahia, blocos de embalo aqui do Rio de Janeiro e até os afoxés”.

Theodoro também mostra sua generosidade ao citar e homenagear figuras ícones do carnaval – como o mestre-sala Ronaldinho do Salgueiro e a porta-bandeira Selminha Sorriso, além de Mestre Dionísio –, menciona blocos como o tradicional Cordão do Bola Preta e a escritora Lygia Bonjunga Nunes.

A narrativa destaca o conhecimento oral transmitidos pelos mais velhos para contar passagens da nossa famosa festa popular e explica-se como a sabedoria oral é passada por meio de histórias, de geração em geração. Contudo, não só a oralidade se faz presente, a avó dos ibejis também lê histórias que dizem respeito a nossa cultura afro-brasileira.

Ao final do livro, encontra-se um importante glossário que descreve termos como os instrumentos de percussão, os ritmos, os diferentes blocos, a origem da festa e breve histórico das pessoas citadas, saciando, assim, na plenitude, a curiosidade dos pequenos e dos grandes leitores.

A graciosa história Os Ibejis e o Carnaval tem como acompanhamento as felizes e riquíssimas ilustrações de Luciana Justiniani Hees. O livro possui uma cuidadosa, criativa e ousada diagramação que dialoga harmoniosamente ilustrações e texto, contribuindo para que o livro pareça um perfeito desfile de uma escola de samba na Marquês de Sapucaí.

Para além de resgatar a cultura afro-brasileira presente na festa do carnaval, Os Ibejis e o Carnaval é uma fundamental ferramenta para os educadores que desejam trabalhar com as leis 10.639/2003 e 11.645/2008, para os pais que presentearão seus filhos com uma agradável e respeitosa abordagem do carnaval tradicional, e também servir como uma forma de resistência da nossa cultura negra, assim como eram as escolas de samba em tempos remotos.

“Vocês sabem que a dança do mestre-sala e da porta-bandeira é a dança da reza?”, questiona a avó às crianças. Esta e o porquê do uso da bandeira pela porta-bandeira são respondidas nesse encantador Os Ibejis e o Carnaval, a excelente incursão de Helena Theodoro na literatura infantil.


Os Ibejis e o Carnaval
de Helena Theodoro
ilustrações de Luciana Justiniani Hees
Rio de Janeiro: Pallas, 2009.

Nei Lopes – Kofi e o menino de fogo


Nei Lopes – Kofi e o menino de fogo
Por Ricardo Riso
Produtor de uma multifacetada obra intelectual e artística, passando pelas composições de samba e pelas variadas investigações acerca das matrizes africanas e afro-brasileira em nossa cultura, o que o torna referência tanto na esfera acadêmica quanto na música popular, este suburbano, sambista, professor, teórico e incansável escritor Nei Lopes, lançou, pela Pallas Editora, em 2008, um novo livro direcionado ao público infantil: Kofi e o menino de fogo.

Com a excelência que lhe é peculiar, Nei Lopes inspira-se na história de um grande pensador africano, o milanês Amadou Hampâte Ba (1899-1991), autor do clássico Amkoullel, o menino fula. A narrativa se passa em Gana no ano de 1950 e o narrador relaciona a época com o contexto histórico do continente africano, ainda dominado pela violenta colonização europeia que escancarava a usurpação na maneira como denominava os países ocupados, tais como Costa do Ouro (o nome de Gana antes da independência), Costa do Marfim e Costa dos Escravos (o atual Benim), e com o Brasil, no caso, a inauguração do estádio de futebol, Maracanã.

A importância dos nomes e como são escolhidos para dá-los às crianças em boa parte da África são revelados pelo narrador: “Na África, de um modo geral, quando uma criança nasce, ela não recebe qualquer nome. Recebe um nome de acordo com o dia da semana, com a ordem do seu nascimento dentro da família ou relacionado a um fato importante que aconteça naquele dia. Por isso Kofi se chama assim. Porque nasceu em uma sexta-feira”. Além de destacar o aprendizado oral no cotidiano da aldeia e o respeito das crianças aos mais velhos.

Entretanto, a essência do livro está na maneira como é descrita a percepção do outro. Isso se dá a partir do momento que a aldeia recebe uma expedição com visitantes brancos. O menino Kofi jamais havia saído de sua aldeia, mas sabia da existência de pessoas diferentes de seus pares. O autor é extremamente habilidoso ao descrever a percepção imaginária desse outro desconhecido a partir dos relatos que foram passados ao jovem africano, que ficam exemplificados na relação com o fogo, pois quando as tais pessoas brancas ficavam irritadas, seus rostos ficavam vermelhos “como as chamas de uma fogueira e que se alguém encostasse nelas morreria de dor... Porque a pele dessas pessoas queimava, como o ferro em brasa da forja do forjeiro”.

Nesse primeiro contato notamos o olhar assombrado de Kofi quando avista um menino branco, que o acompanha em igual medo. A aproximação dos dois meninos e a coragem em reconhecer o outro, conduzindo ao rompimento dos estereótipos transmitidos pelos adultos são tratados com incrível objetividade pelo narrador que mostra a importância do encontro com o outro, de conhecê-lo, de senti-lo e a consequente percepção de que somos todos as pessoas são iguais, “mesmo que sejam, na aparência, muito diferente de nós”. Essa é a generosa mensagem que a narrativa procura transmitir aos pequeninos – e também aos adultos.

As ilustrações são de Hélène Moreau e merecem destaque absoluto as caracterizações de como seria uma pessoa branca na imaginação do pequeno Kofi. Após a narrativa, o livro encerra-se com um esclarecedor resumo acerca de Gana, destacando geografia, história, economia, dados populacionais, fauna, flora, alimentação e aspectos culturais do país.

Kofi e o menino de fogo é uma leitura extremamente didática, estimulante e agradável, para além de prestar uma excelente contribuição ao propor a equiparação das relações étnico-raciais em nossa sociedade, ainda marcadas pelo triste estigma da segregação, principalmente no que se refere a nós, negros.

Aplausos calorosos ao mestre Nei Lopes!


Kofi e o menino de fogo
de Nei Lopes
Ilustrações de Hélène Moreau
Rio de Janeiro: Pallas, 2008.

João Vário – Exemplos - Exemplo Coevo, por Ricardo Riso


João Vário – Exemplos - Exemplo Coevo
Por Ricardo Riso
Texto publicado no semanário cabo-verdiano A Nação, nº 159, 16/09/2010, p. 16.

Lançado em 1998 pela Spleen Edições, Exemplos - Exemplo Coevo, de João Vário, é o 9º volume de uma série de 12 exemplos que, segundo o autor em nota introdutória, “narram, ou melhor, tentam narrar o homem na sua exemplar singularidade”.

João Vário é o pseudónimo de maior complexidade de João Manuel Varela, também criador de T. T. Tiofe e G. T. Didial. As profundas indagações de cariz ontológico-metafísico, permeadas por citações de cânones da poesia universal em longos poemas narrativos, para além do intertexto com a Bíblia e da música barroca europeia, valeram à obra de Vário a ostracização literária (assim definida por José Luis Hopffer Almada) por parte da crítica especializada em virtude dos exemplos surgirem no cantalutismo dos anos 1960.

Entretanto, sob a pena de T. T. Tiofe, as críticas são rebatidas na “Segunda Epístola ao meu irmão António” (TIOFE. O Primeiro e o Segundo Livro de Notcha. Mindelo: Edições Pequena Tiragem, 2001. p. 167): “Sirvo-me da cultura ocidental como duma arma miraculosa, como diria Cesaire, para elaborar a partir de coisas nossas, de raízes específicas, uma poesia de interpretação ontológica ou uma poesia cabo-verdiana de vigor novo (...)”

Esclarece ainda o autor na “Oitava Epístola ao meu irmão António” (TIOFE, 2001, p. 302): “Essa poesia ontológica surpreendeu muitos compatriotas ou não foi, simplesmente, aceite (...), espante que um país, como o nosso, com (...) uma história de múltiplas carências várias, tal como o próprio continente, não tenha visto de imediato (...) que tudo isso levaria a seu tempo a uma criação literária de índole ontológica, que poderia dar a impressão de nada ter a ver com o arquipélago, mas que, no entanto, estaria a ele ligado por essa reflexão assim suscitada. (...)” (TIOFE, 2001, p. 302-303).

Em Exemplo Coevo, dividido em 3 cantos, as indagações ontológicas são feitas a partir dos acontecimentos do ano de 1937, ano de nascimento do autor, e de como influenciaram a sua vida: “E as coisas aguardam a chegada da besta apocalíptica”. Um tempo perverso e indaga: “Não há século maior nem mais vil que este vigésimo. (...) Pois que se assiste a grandes criações/ - soluções para a vida e para a morte -,/ era para a morte ou para a vida/ que o homem se erguia/ sobre seus dois escassos pés?”.

Apesar de asseverar que “trata-se dum ano/ de grandes tribulações e de grandes penas”, o pessimismo domina o poeta diante dos fatos relatados, das obras de arte apresentadas e das conquistas das ciências ao longo do poema, além das constatações que ferem a verosimilhança: “Porque também é verosímel/ que vítimas sejam dos molares do homem/ que no meio da sua alma todas as coisas/ desta vida mastigam, patético óbolo/ a um deus desconhecido, vivido na inverosimilhança”, visto que “havíamos passados vários anos a ler os presságios/ e sabíamos que a perversão e o ódio, a humilhação e o desprezo,/ a delação e o homicídio se instalariam/ por muito tempo à cabeceira das vicissitudes dos dias”. É nesse “naufrágio das alternativas” no qual o poeta “aos seus contemporâneos lembre/ a perenidade do mal e a quase impotência/ da generosidade neste mundo”.

Somente o Belo para atenuar a conturbada época: “a beleza é a única unidade revelada”, “nesse ano de grandes infortúnios e de grandes obras (...) o mundo nunca desnudou tanto/ suas maniqueias raízes como em tal tempo”, pelo qual o poeta, desolado, afirma: “a verdade começou a ser uma infeliz inauguração, um incerto medicamento”. Resta ao poeta optar pela solidão “afinal que tudo mostra à bem-aventurança” em um mundo agônico. O mal vence, a agonia perdura na contemporaneidade, e vaticina: “com os homens esteve o poeta/ em fraqueza, em temor e em grande tremor”.

Sendo assim, infere-se a excelência da obra de João Vário que “há já alguns anos que muitos patrícios começaram a aceitar esse tipo de poesia, como a praticá-la. Em suma, mudou-se o paradigma” (TIOFE, 2001, p. 302). Para o melhor da poesia cabo-verdiana, diga-se.

Tchalê Figueira - Ptolomeu e a sua viagem de circum-navegação, por Ricardo Riso


Tchalê Figueira - Ptolomeu e a sua viagem de circum-navegação
Por Ricardo Riso
Texto publicado no semanário cabo-verdiano A Nação, nº 157, 02/09/2010, p. 18.

Consagrado como artista plástico por uma obra que ilustra os desfavorecidos de seu país, poe outro lado, Tchalê Figueira também possui uma forte vertente literária, tendo publicado livros em prosa e poesia, como “Solitário”, “O Azul e o Mar”, “Onde os sentimentos se encontram”, “Todos os naufrágios do mundo”, para além de publicações em antologias, jornais e revistas como Artiletra.

Ao arriscar-se pela literatura, Tchalê não foge à abordagem das personagens que o consagraram na pintura, ao apresentar a figura do marinheiro que navegou pelos sete mares do mundo, o velho Ptolomeu Rodrigues, protagonista da novela “Ptolomeu e a sua viagem de circum-navegação” (Mindelo: Mar da Palavra, 2005).

Baseando-se na oralidade, com uma escrita descompromissada com as normas da língua culta, o autor utiliza um atento narrador que escuta as peripécias repletas de contratempos do velho marinheiro bêbado, que conta com prazer e algumas boas doses de irritação quando interrompido suas artimanhas pelos diversos bares e prostíbulos das zonas portuárias dos quatro cantos do mundo.

As aventuras de Ptolomeu confundem-se com a história do autor, pois assim como a personagem principal, Tchalê Figueira também fugiu do arquipélago cabo-verdiano durante o final da ditadura salazarista para não ser convocado pelo serviço militar e lutar contra seu povo. Com isso, ainda na adolescência, tornou-se marinheiro e navegou pelo globo.

Cerceado pelos mares, o ilhéu cabo-verdiano possui uma inevitável relação de proximidade com as águas, sendo seu desafio e determinante em seu destino, o que o leva geralmente à emigração por causa das dificuldades trazidas pela seca, fome, miséria e falta de trabalho. E foi exatamente o que aconteceu com Ptolomeu: foi-se embora como clandestino em uma embarcação durante a longa noite do período colonial em busca de outro rumo para a vida, pois sofria com a repressão de ordem familiar, social e política. Logo, encarar o mar significava a liberdade em vários sentidos.

As aventuras e desventuras de Ptolomeu mapeiam, de certa maneira, alguns dos lugares da diáspora cabo-verdiana. Muitos desses emigrantes viram marinheiros ou fixam residência, ou passam pelas cidades as quais o velho Ptolomeu cruzou, tais como Roterdã, Vladvostok e Salvador.

Ptolomeu narra suas histórias a uma plateia imaginária e ao narrador, que se surpreende com os momentos de erudição do velho marujo, suas passagens e encontros inusitados como quando foi salvo em Moscou das cruéis prisões russas pelos camaradas Amílcar Cabral e Pedro Pires (do PAIGC - Partido Africano da Independência de Guiné e Cabo Verde), que lá se encontravam para obter apoio do país comunista para a luta pela independência.

Seu desejo insaciável pelas mulheres é, por conseguinte, o motivo de seus infortúnios em reviravoltas que envolvem chantagens políticas, trapaceiros, policiais corruptos, cafetões, mulheres iradas com sua infidelidade e "cachorros" que cruzam o seu caminho.

Apesar dos percalços vividos pelo velho, as frenéticas viagens de Ptolomeu são saborosas, curiosas, rápidas e irônicas o que torna o pequeno livro uma agradável leitura.

Tchalê Figueira apresenta com a novela Ptolomeu e a sua viagem de circum-navegação como seria a vida de um cabo-verdiano que decidiu encarar os mares e as diversas culturas do mundo, entretanto, a situação diaspórica, motivada pela saudade das ilhas, acaba conduzindo o ilhéu ao seu lugar de origem, ao lugar que ama no mundo, onde termina a sua circum-navegação, Cabo Verde.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Nei Lopes - Oiobomé - A Epopéia de uma Nação (livro)


Oiobomé - A Epopéia de uma Nação

de Nei Lopes

Editora: Agir
2010

Este livro conta a história de um país fictício fundado no fim do século XVIII pelo ex-escravo Domingos dos Santos, que chegou às terras do Grão-Pará fugindo de represálias por seus suposto envolvimento com os inconfidentes de Vila Rica. Conquistando sua independência no início do século XIX, o país se desenvolveu a ponto de zerar a taxa da analfabetismo e de criar vacinas para a cura do câncer e da AIDS.

sábado, 11 de setembro de 2010

Movimento Pró-África (sítio)

Uma boa dica de sítio que pensa as diversas problemáticas do continente africano, chama-se Movimento Pró-África.

Desde já, recomendo a leitura dos artigos de José Luis Hopffer Almada, sob o título Breves apontamentos a propósito de recentes polémicas sobre a identidade literária caboverdiana e o artigo de Hermenegildo Carvalho, intitulado Revisitar Amílcar Cabral (I), fundamentos da sua Liderança.

Abraços,
Ricardo Riso