quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Eu sou Rio de Janeiro, por Luis Simas

Um texto bastante lúcido do Prof. Luis Simas acerca dos recentes conflitos no Rio de Janeiro e a postura deprimente - como sempre, racista e excludente - do nosso principal veículo de comunicação.
Ricardo Riso

EU SOU DO RIO DE JANEIRO
Luis Simas
Publicado no blog Histórias Brasileiras - http://hisbrasileiras.blogspot.com/2010/01/o-povo-de-sao-sebastiao.html - em 24 de novembro de 2010.

O Jornal O Globo resolveu, definitivamente, apostar na ideia de que a solução para os problemas urbanos do Rio de Janeiro é mais simples do que se imagina: basta transformar a cidade em uma imensa casa do Big Brother Brasil, em que todo mundo fuxica a vida de todo mundo, o cotidiano se transforma em um espetáculo midiático, o dedo-duro é elevado à categoria de cidadão exemplar e a sensação do medo é usada como poderoso instrumento de controle social. O discurso do jornal - em nome do interesse coletivo - tão somente reforça o individualismo mais tacanho que inviabiliza a urbanidade.

A última investida do jornalão é sintomática. O Globo criou uma conta no twitter para que o carioca denuncie ilegalidades que vão desde carros estacionados de forma irregular até barraquinhas de cachorro quente, botequins e bancas de flores que ameaçam o incontrolável desejo conservador da cidade-enfermaria. O polemista, advogado e centroavante carioca Eduardo Goldenberg já desancou aqui , com propriedade, os aspectos jurídicos da coisa e a histeria coletiva dos volantes de contenção.

Vou insistir mais uma vez, por vício de formação e clamando feito um João Batista no deserto, que as reflexões sobre os problemas urbanos do Rio de Janeiro ( e de qualquer cidade ) devem ser feitas em uma perspectiva que encare a urbe como um organismo vivo feito de história, lugares de memória, espaços de conflito, instâncias de urbanidade, relações tensas e intensas entre os diferentes grupos que habitam a aldeia, etc. Darei meu pitaco, nessa dimensão, sobre o twitter alcagüete (mantenho o trema) que o jornal criou e outras coisas mais.







Os primeiros governos republicanos criminalizaram as diversas manifestações da cultura popular no Rio de Janeiro - quase todas marcadamente vinculadas às áfricas que existem nas nossas ruas. Jogar capoeira passou a ser crime no Código Penal de 1890, os terreiros de macumba foram grosseiramente reprimidos e a posse de um pandeiro era mais que suficiente para a polícia enquadrar o sambista na lei de repressão à vadiagem . Os intelectuais do período - com raras exceções - pregavam a necessidade de se promover um branqueamento da população brasileira; única garantia de civilizar as nossas gentes. Chamarei atenção para esse fato quantas vezes for necessário.

Quando a escravidão foi pra cucuia, houve uma deliberada política de atrair imigrantes europeus para cá. Não há qualquer registro de iniciativa pública que tenha pensado na integração do ex-escravo ao exercício pleno da cidadania e ao mercado formal de trabalho. A ideia era estimular a imigração de brancos do velho mundo. O modelo de abolição da escravatura no Brasil foi descrito e analisado em 1.500 teses acadêmicas. Todas elas podem ser resumidas em uma única frase do samba da Mangueira de 1988: "...livre do açoite da senzala / preso na miséria da favela" (Hélio Turco e Jurandir - 100 anos de liberdade, realidade ou ilusão).

Uma das primeiras leis de estimulo à imigração no período falava que o Brasil abria as portas, sem restrições, para a chegada dos imigrantes europeus. Africanos e asiáticos, porém, só poderiam entrar com autorização do Congresso Nacional, em cotas pré-estabelecidas. Traduzindo o babado: que venha o imigrante, contanto que seja branco e cristão. Mais do que encontrar mão de obra, a imigração no Brasil foi estimulada como meio de branquear a população e instituir hábitos europeus entre os nossos. O negro foi tolerado no Brasil apenas enquanto o meio de transporte para chegar às nossas praias foi o navio negreiro, assim como certos segmentos das elites (não todos, que fique claro) toleram as camadas populares porque precisam de empregadas domésticas, babás, porteiros, lavadores de carros e catadores de lixo.

É exatamente dentro desse contexto racista e discriminatório do pós-abolição que começa a ser gerada a reação a essa política pública elitista: a cultura da fresta como meio de reinvenção da vida e construção de uma noção de pertencimento ao grupo e ao espaço urbano. A ilegalidade no Rio de Janeiro, do ponto de vista histórico, foi portanto a opção que um estado racista e excludente deu à maioria da população da nossa cidade. Foi o poder público que não quis incluir.

Desnecessário dizer que quando falo em raça não uso o termo no sentido biológico ( pois que se sabe que raça como conceito biológico não existe). Uso raça no sentido social, histórico, político e econômico. Raça não existe nos laboratórios de biologia mas continua existindo nas cadeias, nas salas de tortura, nas grandes empresas e nas caçambas dos camburões.

Quando ouço falar, portanto, em choque de ordem, proibição de cerveja no Maracanã, ordenação das torcidas nos estádios, remoção de favelas e quejandos, me ocorre o seguinte: As pessoas que atuam na mídia mais poderosa e os responsáveis pelas políticas públicas têm alguma dimensão sobre o que significa, do ponto de vista cultural, a relação entre legalidade e ilegalidade por aqui? A coisa está sendo pensada apenas em termos criminais, quando até as pinturas rupestres da Serra da Capivara sabem que o buraco é mais embaixo.

Incluir é simplesmente enfiar a polícia no morro, reprimir a violência, colocar o moleque pra tocar violino em orquestra de música clássica e estimular o garoto a praticar esportes? Isso pode ser um passo necessário (acho, com uma outra ponderação, que é) mas tento ir além e escapar da reflexão imediatista que a histeria da sociedade do espetáculo e do consumo acrítico da notícia impõe. E o além é dar a esse garoto o direito de conhecer de onde vem sua cultura, seus modos de sentir, amar, comer, se expressar, conviver na rua, respeitar o mercado [o de Exu, e não o financeiro] e, sobretudo, reconhecer que nós tentamos embraquecer o negro mas foi ele que nos empreteceu e nos civilizou poderosamente. Isso se faz com Educação maiúscula, e não com a reprodução pura e simples nos bancos de escolas de conteúdos desprovidos do contato com a realidade de quem aprende.

O povo bateu tambor em fundo de quintal, jogou capoeira, fez a sua fé no bicho, botou o bloco na rua, a cadeira na calçada, o despacho na esquina, a oferenda na mata, a bola na rede e o mel de Oxum na cachoeira - já que sem um chamego acolhedor ninguém vive direito. Excluído dos salões do poder, o carioca inventou o ano novo na praia, zuelando atabaques em louvor a Iemanjá, Janaína, Yara e Kianda. Colocamos na Virgem da Conceição e na Senhora dos Navegantes os seios fartos de deusa africana.

O povo do Rio teve que inventar a cidade [e a cidadania] que lhe foi covardemente negada e criou esse modo de ser que atropela convenções, confunde, seduz, agride e comove. Qualquer tentativa de ordem pública deve partir desse pressuposto e tramar, aí, instâncias de interlocução e o fomento de diálogos entre a população e o poder instituído. Há que se perceber, nos meandros do legal e do ilegal, a maneira que o carioca encontrou, ao longo de sua história, para subverter a escuridão dos tumbeiros, a caça aos índios tamoios e a ferida aberta pelos trezentos anos de chibata. Nós somos o povo que bateu tambor na fresta e criou a subversão pela festa.

Qualquer debate que ignore isso é provisório, equivocado e, como sempre, excludente. A leitura meramente institucional ou criminal de um processo que, como qualquer outro, é histórico e cultural, empobrece a discussão, estimula o erro e aponta soluções imediatistas que não se sustentam em um prazo mais longo.

Eu quero o convívio urbano e as ruas pacificadas. E rua pacificada é rua cheia, não é rua vazia de gente onde vez por outra se escutam tiros ou onde prevaleça a bandidagem mais deslavada ou a Ordem do Choque. Os mocinhos de O Globo, que encaram a cidade fomentando o individualismo mais tacanho, o olhar enviezado e o clima de desconfiança entre seus habitantes, prestam um desserviço. A política pública, estimulada pela mídia mais reacionária e imediatista, que negue nossa peculiaridade e atue pelo viés exclusivo da repressão é fadada ao mais retumbante fracasso. Peço apenas isso: que se reflita sobre a atuação e o papel do Estado sem se perder a dimensão profunda do que nós, os cariocas, somos e construímos no tempo e no espaço. Administrar uma cidade, falar sobre uma cidade, escrever sobre ela, propor políticas públicas, implica conhecimento, reflexão, amor e interação com os seus modos de recriação da vida e produção de cultura, função que nos faz humanos e nos redime do absurdo da morte.

Eu continuarei daqui, dessa parte que me cabe no latifundio da grande rede, a bradar louvores pela civilização peculiar que João Candido, Zé Pelintra, Pixinguinha, Paulo da Portela, Cunhambebe, Cartola, Noel Rosa, Bide, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, Tia Ciata, Meia Noite, Madame Satã, Lima Barreto, Paula Brito, Marques Rebelo, Manduca da Praia, Silas, Anescar, Dona Fia, Fio Maravilha, Leônidas da Silva, Di Cavalcanti, os judeus da Praça Onze, a pomba gira cigana, a escrava Anastácia, o Cristo de Porto das Caixas, o Zé das Couves, o vendedor de mate, o apontador do bicho, o professor, o aluno, o gari, os líderes anarquistas da greve de 1919, a Banda do Corpo de Bombeiros, a torcida do Flamengo, o pó-de-arroz, a cachorrada, a nau do Almirante, o Bafo da Onça, o Cacique de Ramos, o Domingo de Ramos, a festa da Penha, a festa na lage e a cerveja criaram nesse extremo ocidente. Com baixaria na sétima corda.

A nossa maresia, conforme mestre Darcy Ribeiro ensinou, traz na asa do vento o cecê das pretas de Angola.

Abraço

Especialização Lato Sensu em Ensino de Histórias e Culturas Africanas e Afro-Brasileiras - RJ

Especialização Lato Sensu em Ensino de Histórias e Culturas Africanas e Afro-Brasileiras - RJ

O IFRJ Campus São Gonçalo prorrogou as inscrições até 14 de dezembro do Edital n° 89/2010 para o Curso de Especialização Lato Sensu em Ensino de Histórias e Culturas Africanas e Afro-Brasileiras.

O Curso de Especialização Lato Sensu em Ensino de Histórias e Culturas Africanas e Afro-brasileiras tem como finalidade contribuir para a formação continuada dos professores e profissionais ligados à educação capazes de atuar no ensino e na pesquisa com vistas à implementação de uma política educacional que reconhece a diversidade étnico-racial do país, seguindo as determinações da lei 10.639/03 que torna obrigatório o ensino das histórias e culturas africanas e afro-brasileira em todos os níveis e modalidades da educação básica.

Pretende-se também contribuir na formação de profissionais autônomos e inovadores, capazes de projetar e realizar melhorias em seus campos de atuação, de propor novas metodologias e criar novas estratégias pedagógicas para a educação das relações étnico-raciais, no intuito de reduzir a distância existente entre as realidades da produção acadêmica contemporânea e do cotidiano da sala de aula.

CARACTERÍSTICAS DO CURSO
O Curso tem a duração prevista de um ano e seis meses, incluindo o tempo de elaboração da monografia, prorrogáveis, a critério do Colegiado do Curso, por mais seis meses.

A sua carga horária é de 390 horas e suas aulas serão ministradas às terças-feiras e às quintas-feiras, das 18h 30min às 22h 30min, e um sábado por mês, das 8 às 12 horas, no Campus São Gonçalo do IFRJ.

PROCESSO SELETIVO E PERIODICIDADE
O curso possui uma entrada por ano, com início no 1º semestre do ano. São oferecidas 20 vagas por turma. O processo seletivo, que é regulamentado por edital específico, ocorre em três etapas: prova escrita, análise de currículo e exposição oral. Podem participar do processo seletivo os profissionais que tenham concluído um curso de graduação, preferencialmente nas áreas relacionadas à Educação.

O início das aulas está previsto para 8 de fevereiro de 2011.

INSCRIÇÕES DE 08/11/2010 ATÉ 14/12/2010
LOCAL: Rua Dr. José Augusto Pereira dos Santos, s/nº, Neves - São Gonçalo (CIEP 436 Neusa Brizola – ao lado do DETRAN)

HORÁRIO INSCRIÇÕES: DAS 14H ÀS 20H
TAXA DE INSCRIÇÃO NO CONCURSO: R$ 70,00
VAGAS OFERECIDAS: 20 (VINTE)

O CURSO É GRATUITO, SEM COBRANÇA DE TAXA DE MATRÍCULA E MENSALIDADES

EDITAL e BIBLIOGRAFIA DISPONÍVEIS EM: http://www.ifrj.edu.br/latu.php

INFORMAÇŌES ADICIONAIS:
TELEFONE: (021) 2628-0099

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Abraão Vicente lança "O Trampolim" na Cidade da Praia


O artista plástico, cronista e agora escritor Abraão Vicente lança a sua primeira aventura literária intitulada  “O Trampolim” na livraria Nhô Eugénio, Cidade da Praia, Ilha de Santiago/Cabo Verde, no dia 2 de Dezembro, a partir das 18h30. O autor informa que a apresentação terá a participação especial do músico e compositor Princezito que fará uma leitura dramatizado de um texto, para além de leituras encenadas de alguns diálogos do livro pelos actores Dulce Sequeira, José Pedro Bettencourt, Paulo Silva e Raquel Monteiro.


Sobre o Livro:

“O Trampolim” é um livro feito de estória que não chegam a ser contos, muito menos um romance. Estórias que são antes conversas de um miúdo de várias idades: 5,6,7 ou 8, se calhar até 9 anos. Conversas de um miúdo, que se chama Zé, com o seu amigo imaginário (ou se calhar seu alter ego) também de nome Zé. Por se repetir demasiadas vezes o nome Zé fica-se sem saber quem é a personagem real e quem é a fictícia. Falam da infância e de coisas sérias: Deus, amor, tecnologia, morte, emigração, racismo, dominação, arte. Coisas sérias faladas a brincar. Usam a linguagem da rua, o português mal falado, uma tradução quase literal do crioulo para o português. O livro está escrito em português mas também poderia ter sido em crioulo pela cadência, pelo ritmo e pelo imaginário. Um vocabulário muitas vezes inventado, recriado, enrolado, se calhar um livro para se ler em voz alta.

Como é que dois miúdos, ou se calhar apenas um, sabem tanto do mundo e dos seus mistérios? Não se sabe bem. Mas também não é se para entender. Linha da estória? Se houver uma, é a estória do miúdo que quer aprender a voar e pede ao amigo imaginário (ou será o contrário?) para lhe construir um trampolim. Enquanto esperam que o Trampolim seja construído os dois vão tecendo lembranças.

Este livro foi escrito em 2003 na Assomada. É lançado sob a chancela da editora Kankan Stúdio que, tal como as personagens deste livro, também ela é imaginária.
 
Fonte: e-mail de divulgação para a imprensa enviado pelo autor em 29 de novembro de 2010.

Mito Elias - MAJINA - 30 anos 100 Lennon



http://www.youtube.com/watch?v=w-w8hIPpkpk


MITO ELIAS

apresenta

MAJINA - 30 anos 100 Lennon
Celebração Vídeo-Poética à paz e à memória de John Lennon

Mito Elias - Vídeos, Poemas, Sonorizações e Vozes

Convidados :
Elmano Caleiro - Contrabaixo, Percurssão e Voz.
José Brazão - Percurssão e Voz.
José Cunha - MC - Poeta Residente

7 de Dezembro - 21.00 H

Livraria CE Buchholz
Rua Duque de Palmela, 4 - Lisboa

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Palestra na ONG Projeto Legal

Hoje, a partir das 16h30, ministrarei a palestra "Literaturas Africanas de Língua Portuguesa - ler para amar" na ONG Projeto Legal, à Av .Marechal Floreano, 199 - sala 502, Centro/Rio de Janeiro.

ÁFRICA E AFRICANIDADES - Ano III - nº 11 - nov/2010

ÁFRICA E AFRICANIDADES - www.africaeafricanidades.com.br

Ano III - nº 11 - novembro de 2010 - ISSN 1983-2354

Sumário

Problemáticas lusógrafas e o papel da língua portuguesa na emergência da identidade literária caboverdiana e na universalização da poesia caboverdiana contemporânea
José Luís Hopfffer C. Almada

The arts of resistance in the poetry of Linton Kwesi Johnson
Jair Luiz França Junior

A valorização da história e cultura afro-brasileira por Luiz Carlos da Vila
Maria Angélica Ventura Ferreira

Memórias na escrita de autoria feminina afrobrasileira
Assunção de Maria Sousa e Silva

Strategizing renewal of memories and morals in the african folktale
John Rex Amuzu Gadzekpo e Orquídea Ribeiro

Consciência coletiva, identidade negra e cidadania: uma perspectiva pós-colonial para as construções sociais no Brasil
Bruno Diniz Fernandes

Baara, de Souleymane Cissé
Wanessa Tenório Bezerra

O ensino e a pesquisa sobre África no Brasil e a lei 10.639
Luena Nascimento Nunes Pereira

Cabelo bom. Cabelo ruim: a construção da identidade afrodescendente na sala de aula
Sayara de Brito Félix

Conceição Evaristo – Poemas da recordação e outros movimentos
Ricardo Riso

A construção da identidade negra em territórios de maioria afrodescendente
Tarcia Regina da Silva

Da cor do preconceito: o negro na teledramaturgia brasileira
Alex Santana França

População negra no Ceará e sua cultura
Marlene Pereira dos Santos e Henrique Cunha Junior

O outro pé da sereia: uma viagem no tempo-espaço
Aparecida Cristina da Silva

Afrocentricidade e educação: os princípios gerais para um currículo afrocentrado
Renato Nogueira dos Santos Junior

A reconfiguração da identidade nacional moçambicana representada nos romances de Mia Couto
Josilene Silva Campos

Água e azeite: políticas afirmativas e a democracia racial no Brasil
Natália Neris da Silva Santos

O outro e o eu: a cama, nas narrativas de Niketche e A cor púrpura
Waltecy Alves dos Santos

“Sonéá: exaltação da tradição oral guineense nos moldes da escrita”
Jusciele C Almeida de Oliveira

Esporte, integração social e a aplicação da lei 11.645/08 No 2º segmento do Ensino Fundamental da E.M. Professor Washington Manoel de Souza – Queimados – R.J
Denise Guerra dos Santos

Legislação portuguesa para o ultramar
Esmeralda Simões Martinez

Memória e espaço: sentimentos insulares pintados e cantados por Luísa Queirós e Conceição Lima
Eneile Santos Saraiva

Da invisibilidade do negro nos estudos sobre a cultura sertaneja
Salatiel Ribeiro Gomes

O uso da literatura de base africana e afrodescendente junto a crianças das escolas públicas de Fortaleza: construindo novos caminhos para repensar o ser negro
Geranilde Costa e Silva

Crédito pecuário a mulheres de moçambique: dinâmicas sociais de gênero
Maria Henrique Cândido e Marta Júlia Marques Lopes

Diálogos entre Brasil e Angola: a recriação literária da infância em obras autobiográficas
Karina Mayara Leite Vieira

África negra e a formação da africanidade
Tarcia Regina da Silva

Dança do chorado: facetas do corpo e cultura vilabelense
Belnidice Terezinha Figueiredo Fernandes

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Tchalé Figueira – O Azul e a Luz

Tchalé Figueira – O Azul e a Luz
Por Ricardo Riso
Consagrado como um dos principais nomes das artes plásticas de Cabo Verde, Tchalé Figueira desde o início dos anos 1990 apresenta a sua verve como escritor, passeando pela poesia, novelas e contos. De sua lavra são “Todos os naufrágios do mundo”, “Onde os sentimentos se encontram”, “Ptolomeu e a sua viagem de circum-navegação”, “Solitário”, “Contos de Basileia” (este ainda no prelo) e participações em antologias como “Tchuba na desert” para além de publicações em jornais e revistas das ilhas.

“O Azul e a Luz” foi o seu mais recente livro de poesia, publicado em 2002 pelo Instituto da Biblioteca Nacional, composto por trinta e um poemas, oito desenhos do próprio Figueira e prefácio de Isabel Lobo. Nesse livro deparamo-nos com um sujeito lírico angustiado, melancólico, amargurado com o meio e o tempo em que vive, que busca a força da palavra poética, por isso suplica “é urgente a luz...”.

Sim, a luz para o fim da insensibilidade entre os homens, o término das injustiças perpetuadoras do caos e da dor presentes na contemporaneidade, estimuladas por políticos inescrupulosos a determinar o trágico destino de milhões de vida: “Vivo num Planeta azul de fogo/ Onde a hiena e o chacal se beijam/ Esmagando corações e flores”. Sendo assim, “Com fervor, peço à criação/ Que um dia os generais do Mundo/ Acordem-se poetas e os banqueiros/ Da Wall Street Cristos na multiplicação/ Dos peixes”.

O sujeito lírico é ciente da hipocrisia predominante e da bestialização da condição humana, por isso em “Epitáfio a um poeta”: “Sonhou toda a vida acalentando a morte/ Para melhor viver num mundo de mentiras”, conduzindo-o a rememorar nossa ancestralidade e perguntar-se(nos): “Qual foi o erro na evolução de LUCY/ Nestes milhões de anos?...”, da crueldade de um mundo tomado pelo desenvolvimento da tecnologia que não diminui as desigualdades, mas que proporciona o aumento do terror, ceifando vidas na “era cibernética/ Que faz máquinas que não amam/ E impiedosamente matam”.

Contrapondo-se a isso, o sujeito lírico transfigurado em australopiteco trará o novo homem, persistente em seu clamor, deflagrador da mudança para um novo tempo: “Eu sou um australopiteco da era cibernética/ E vivo num planeta triste em sangue// Também sou um australopiteco poeta da era cibernética/ E grito todos os dias a palavra LIBERDADE...”

A insensibilidade predomina entre os seres, ofusca a luz, a impossibilidade do amor apodera-se da poesia: “Beijei constelações de melancolia// Na cegueira de um reencontro triste,/ Desvaneci-me na ilha do meu sentir e/ Naufraguei no frio dos teus beijos,/ Terrivelmente ausentes de luz”. Apesar da melancolia apreendida pelo sujeito lírico diante das atrocidades que dilaceram as pessoas, a “utopia do poeta” determina a sua trajetória, o seu compromisso para com os homens, o seu sentimento solidário permanece intocável: “Irei pelas ruas do Mundo delirando/ Com o cheiro (a)mar das ilhas/ E farei com que meus cabelos/ De mil pássaros voando, sejam/ A anunciação da contiguidade”.

A redenção está no Amor, o lirismo socorre o sujeito lírico: “Hoje acordei com o sabor a pão da tua boca/ E fui ao mar pedir aos Deuses que nos trouxessem/ A purificação no amor.// Regressei a luz com lábios de sal/ E beijei-te num solene baptismo de amantes/ Temperando o alimento da vida”.

O sujeito lírico propõe o retorno à tenra idade, com os “olhos de uma criança/ Encontro a luz lírica do mundo”, para assim reconstruir os caminhos, reformular as escolhas por meio da “serenidade rítmica da luz”, luz que iluminará as consciências e conduzirá os homens a tempos de paz e de igualdade. Da luz para o azul, azul do céu, do infinito, do universo onírico, do sonho que jamais morrerá por um mundo melhor retratado na delicadeza dos desenhos e nos poemas deste incansável contestador, o poeta-pintor Tchalé Figueira.

Eugênio Tavares
 – Coração Crioulo, dia 26/11 - 22h, TV Brasil

Eugênio Tavares
 – Coração Crioulo
Filme mostra legado que o poeta deixou à cultura cabo-verdiana

Eugênio Tavares – Coração Crioulo, filme de Cabo Verde, dirigido por Júlio Silvão

Eugênio Tavares, o poeta que melhor soube expressar os sentimentos da alma cabo-verdiana, é a figura central do documentário Eugénio Tavares – Coração Crioulo, de Júlio Silvão, e que a TV Brasil exibe nesta sexta (26), às 22h.

O filme foi rodado na Ilha Brava, terra natal do poeta, escritor, músico e jornalista
, na Praia, e em Lisboa. É um elogio à maestria com que Eugênio Tavares explorou na música e na poesia a trilogia Ilha, Mar, Amor, três objetos inseparáveis do seu pensamento poético-literário.

Uma trilogia muito bem explorada. “Ninguém até hoje entrosou melhor do que Eugénio Tavares esses três objetos, e de um modo tão íntimo, quase vivo, servindo ao mesmo tempo de palco para venerar o amor, através da mulher cabo-verdiana, na sua musica “Ô mal de Amor ca bu matan, Ô mal de Amor ca bo dexam”, afirmou o diretor Julio Silvão.

E continuou: “Nunca a alma de um povo encontrou, tão perfeitamente, a sua expressão, numa única manifestação de arte. Através dos poemas e das músicas de Tavares e do cruzamento dessa trilogia com o pensamento dos diferentes escritores de gerações procedente, dos testemunhos dos velhos da ilha, dos músicos e declamadores, pode-se compreender a verdadeira dimensão desta trilogia e a sua manifestação na alma crioula, a maneira de ser, sentir e agir das gentes das ilhas, as histórias de amor, irreverência, emigração, saudades e liberdade”.

Ano: 2010 Gênero: Documentário. Duração: 52 min. País: Cabo Verde. Direção: Júlio Silvão. Co-produção: Júlio Silvão/Silvão Produção, Filmes/Comunidade dos Países de Língua Portuguesa–CPLP.

O DOCTV CPLP é uma iniciativa da Empresa Brasil de Comunicação/TV Brasil, da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e da Fundação Padre Anchieta/TV Cultura. A série leva ao público nove documentários inéditos produzidos nos países da CPLP e em Macau, que serão veiculados simultaneamente na grade de programação das TVs que integram a Rede DOCTV CPLP. A iniciativa integra uma operação de fomento e teledifusão do audiovisual em TVs públicas nos nove países da Rede, que são: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Macau.

Horário: Sextas, às 22h

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

100 anos da Revolta da Chibata (RJ), viva João Cândido!

Hoje completa-se 100 anos da Revolta da Chibata, liderada pelo negro João Cândido Felisberto. Em 22 de novembro de 1910, dois mil marinheiros tomaram quatro navios de guerra após a violenta punição de 250 chibatadas sofridas por um marinheiro.
Veja o programa especial do canal Globo News que conta, infelizmente, com as tristes declarações do historiador naval legítimo representante do racismo à brasiliera.
Ricardo Riso

Mostra Brasilidade - CCJF/RJ

Programação CENTRO CULTURAL JUSTIÇA FEDERAL/RIO DE JANEIRO
Endereço: Av. Rio Branco, 241 – Centro
cep:20040-009 – Rio de Janeiro- RJ
Até 01 de dezembro.
Fonte: http://mostrabrasilidade.wordpress.com/centro-cultural-justica-federal/programacao/
CURADORIAS: PROGRAMADORA BRASIL, DOC TV CPLP, DOCTV BRASIL.
E CHAMADA PÚBLICA CPLP (filmes brasileiros e estrangeiros inscritos na chamada pública)
Modalidade: SESSÕES DE FILMES & DEBATES

Terça-feira, 23 de novembro

14h – O Judeu (Brasil)
16h – Eugênio Tavares, Coração Crioulo (Cabo Verde)
O Rio da Verdade (Guiné-Bissau)
18h – DEBATE com realizadores do DOC TV CPLP
20h – Tchiloli – Identidade de Um Povo (São Tomé e Príncipe)
21h – Timbila Marimba Chope (Moçambique)

Quarta-feira, 24 de novembro
14h – Língua – Vidas em português (Brasil)
16h – Timbila Marimba Chope (Moçambique)
Nos Trilhos Culturais da Angola Contemporânea (Angola)
18h – DEBATE com realizadores do DOC TV CPLP
Victor Lopes (Brasil)
20h – Tchiloli – Identidade de Um Povo (São Tomé e Príncipe)
21h – Timbila Marimba Chope ((Moçambique)

Quinta-feira, 25 de novembro
14h – Li Ké Terra (Portugal)
O Restaurante (Macau)
16h – DEBATE com realizadores do DOC TV CPLP
18h – Exterior (Brasil)
Uma Lulik (Timor Leste)
20h – Morro do Céu (Brasil / RS)
21h – O Rei do Carimã (Brasil / SP)

Sexta-feira, 26 de novembro
14h – Estado de Seca (Brasil)
Mais que a terra (Brasil)
16h – Segunda Feira (Brasil)
A Grande Feira (Brasil)
18h – O Crime da Imagem (Brasil)
Cinema, Aspirina e Urubus (Brasil)
20h – Avenida Brasília Formosa (Brasil / PE)
21h – HU (Brasil / RJ)

Sábado, 27 de novembro
14h – Macunaíma (Brasil)
16h – Almoço Executivo (Brasil)
A Marvada Carne (Brasil)
18h – Um Dia na Rampa (Brasil)
Bahia de Todos os Santos (Brasil)
20h – Negros (Brasil / BA)
21h – Álbum de Família (Brasil / BA)

Domingo, 28 de Novembro
14h – Iracema, uma transa amazônica (Brasil)
16h – Especial Vídeo nas Aldeias (Brasil)
Cineastas Indígenas
Mokoi Tekoá Petei Jeguatá – Duas Aldeias, Uma Caminhada
18h – DEBATE com realizadores do Vídeo Nas Aldeias
20h – Carta Sonora (Brasil / SP)
21h – Jesus no Mundo Maravilha (Brasil)

Terça-feira, 30 de novembro
14h – Carmem Miranda
Carmen Miranda: Bananas is My business
16h – Os Anos JK – Uma Trajetória Política
18h – Divina Previdência
Cronicamente Inviável
20h – Periferia.com (Brasil / SP)
21h – Bagatela (Brasil / SP)

Quarta-feira, 01 de dezembro
14h – Segunda Feira
A Grande Feira
16h – Carolina
A Negação do Brasil
18h – Serras da Desordem
20h – DEBATE A Brasilidade no Cinema Brasileiro