quarta-feira, 6 de julho de 2011

Curso "África e suas várias vozes nos currículos escolares" - Funemac/RJ

NEEDE – Núcleo de Estudos de Educação e Diversidade Etnicorracial 

O Núcleo tem como objetivo geral se constituir como um centro de referência que articule e promova atividades de ensino, pesquisa e extensão relacionadas ao campo de estudos afro-brasileiros.
Amparado na Lei n°10.639/03-MEC, que institui a obrigatoriedade do ensino da História da África e dos africanos no currículo escolar dos ensinos fundamental e médio. Este pólo de estudo desenvolve um projeto para as raízes, o resgate da cultura  da África, para entender a relação estreita com esse continente e a identidade afro-brasileira.
A inauguração acontecerá no espaço universitário da FUNEMAC, com um curso de Extensão intitulado: “África e suas várias vozes nos currículos escolares” que terá início no dia 11 de agosto de 2011, todas as quintas-feiras das 14h às 17h30min e término previsto para 01 de dezembro de 2011. 
Contatos:(22) 2796-2507
neede.funemac@gmail.com
Meynardo Rocha de Carvalho
Superintendente Acadêmico

Fonte: e-mail gentilmente enviado pela Profª Maria Cristina Marques, Coordenadora do NEEDE - Núcleo de Estudos de Educação e Diversidade Étnica Racial da FUNEMAC

terça-feira, 5 de julho de 2011

Tânia Tomé lança "Agarra-me o sol por trás" no Rio de Janeiro

Mais uma parceria com a Kitabu Livraria Negra:

Convite para a noite de autógrafos de AGARRA-ME O SOL POR TRÁS (E OUTROS ESCRITOS & MELODIAS), livro de poesia da moçambicana Tânia Tomé, na Kitabu Livraria Negra, à rua Joaquim Silva, 17 - Lapa - Rio de Janeiro. Dia 12 de julho, a partir das 19h.

Peço ajuda para a divulgação.
Abraços,
Ricardo Riso



Cabo Verde - 36º aniversário de independência

Prezados(as),
em comemoração ao trigésimo-sexto aniversário de independência de Cabo Verde, convido a todos para a leitura do prefácio de Rui Figueiredo Soares para a obra de Baltasar Lopes - um homem arquipélago na ilha de todas as batalhas, de Leão Lopes, sob a chancela da Edições Ponto & Vírgula. O texto está publicado no blog do amigo e compententíssimo Prof. Manuel Brito-Semedo, o Na Esquina do Tempo.

Abraços,
Ricardo Riso

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Oswaldo Faustino - A Legião Negra

A Selo Negro Edições e a Livraria Martins Fontes - Paulista promovem, em São Paulo, no dia 20 de julho, quarta-feira, das 19h às 21h30, a noite de autógrafos do livro A Legião Negra - A luta dos afro-brasileiros na Revolução Constitucionalista de 1932. Nesse romance histórico, o jornalista Oswaldo Faustino aborda uma faceta pouco conhecida da história nacional: a participação voluntária de um grande número de afro-brasileiros na Revol ução Constitucionalista de 1932, contra o regime de Getulio Vargas a quem, contraditoriamente, grande parte desses combatentes reverenciava como “pai dos pobres”. A livraria fica na Av. Paulista, 509 (próxima à estação Brigadeiro do metrô). A ideia para o livro surgiu quando o ator Milton Gonçalves contou a Faustino que gostaria de fazer um filme sobre a Legião Negra e pediu ao escritor que pesquisasse o assunto. Recorrendo a documentos e publicações de época, obras acadêmicas e entrevistas com familiares dos combatentes, Faustino entrou em contato com a história de personagens reais que, no romance, interagem com os concebidos pelo autor. A pesquisa permitiu-lhe também reconstruir o contexto social, cultural e econômico da São Paulo da década de 1930 – ora em situações conflituosas ora em aparente harmonia se interrelacionavam paulistas quatrocentões, negros, mestiços, imigrantes europeus e migrantes oriundos principalmente de estados do Nordeste. Cada qual com seus costumes e em espaços determinados, é verdade. Aos negros e pardos restavam apenas os cortiços, porões e subúrbios, as rodas de tiririca, o jogo ilegal e os biscates.


O livro começa apresentando ao leitor o centenário Tião Mão Grande, que nos dias de hoje relembra sua participação, como voluntário, na Revolução de 1932. Sua memória recupera episódios e personagens que mudaram sua vida e a dos paulistas para sempre: alguns reais, como Maria Soldado, empregada doméstica que decidiu engrossar as fileiras revolucionárias; o advogado Joaquim Guaraná Santana e o grande orador Vicente Ferreira; outros fictícios, mas inspirados em arquétipos históricos, como Teodomiro Patrocínio, protegido de uma rica família que de início renega a ascendência africana e a negritude, mas depois se torna um grande líder militar da Legião Negra; Luvercy, jovem negro alistado contra a vontade pelo próprio pai, também combatente de ideais patrióticos; John, um jamaicano foragido dos EUA, que também participava das lutas antirracistas e convivia com pensadores naquele país, como seu conterrâneo Marcus Garvey.

A cada capítulo, Faustino recria os valores de uma época pautada pelo patriotismo, mas também por um intenso preconceito racial. Um dos méritos do livro é mostrar que, apesar de alijados de direitos e com chances mínimas de ascensão social, milhares de negros aderiram a uma causa estranha à sua realidade – causa que, embora justa, traria ínfimas mudanças à sua situação de excluídos.

Para saber mais sobre o livro, acesse: http://www.gruposummus.com.br/detalhes_livro.php?produto_id=1273
 
Fonte: e-mail enviado por Selo Negro em 4 de julho de 2011

domingo, 3 de julho de 2011

Jornal Afro-Lagos (Rio de Janeiro - Brasil)

A primeira mídia étnica da Região dos Lagos, Jornal Afro-Lagos.

Vale a visita e a divulgação.
Ricardo Riso

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Colóquio Internacional - Percursos, Trilhos e Margens: Recepção e Crítica das Literaturas Africanas de Língua Portuguesa

Colóquio Internacional
Percursos, Trilhos e Margens: Recepção e Crítica das Literaturas Africanas de Língua Portuguesa
14 e 15 de Julho de 2011

Auditório do CIUL; CES-Lisboa (Fórum Picoas-Plaza)

Organização:
Margarida Calafate Ribeiro (CES) - Elena Brugioni (Universidade do Minho) - Jessica Falconi (CES)

Programa

14 de Julho_quinta-feira

09.30: Boas vindas
José Marcos Barrica [Embaixador de Angola em Portugal] - André Heráclio do Rêgo [CPLP] - Simonetta Luz Afonso [Câmara Municipal de Lisboa] - José Luandino Vieira - Margarida Calafate Ribeiro [CES] - Elena Brugioni [CEHUM] - Jessica Falconi [CES]

10.00: Comunicação de Abertura
Tempos e Espaços. Reflectindo em torno da recepção das Literaturas Africanas de língua portuguesa
Laura Cavalcante Padilha [UFF]

11.00: Literaturas Africanas de Língua Portuguesa: Paradigmas e Itinerários Críticos
Pires Laranjeira [UC], Inocência Mata [UL], Carmen Tindó Secco [UFRJ]
Moderação: Elena Brugioni

12.30 Almoço

14.30: Mesa Redonda Recepção e Crítica nos Media
José Carlos Vasconcelos (Jornal de Letras), João Céu e Silva (Diário de Notícias), Marta Lança, Luís Carlos Patraquim, João Melo (África 21)
Moderação: Odete Semedo

16.30: Mesa Redonda com Ana Paula Tavares, Luís Carlos Patraquim, Ana Mafalda Leite
Moderação: Jessica Falconi

18.00 Café

19.00: Lançamento do Livro Literaturas da Guiné-Bissau: contando os escritos da história (Afrontamento, 2011). Apresentação de Inocência Mata.


15 de Julho_sexta-feira

09.30: Crítica Literária e Paradigmas Pós-coloniais
Silvio Renato Jorge [UFF], Livia Apa [UNO], Elena Brugioni [CEHUM], Simone Pereira Schmidt [UFSC]
Moderação: Carmen Tindó Secco

11.30: Pelos Trilhos da Escrita: Narração e Crítica Literária
Odete Semedo [INEP], Jessica Falconi [CES], Moema Parente Augel [UB]
Moderação: Pires Laranjeira

13.00 Almoço

15.00: Mesa Redonda Políticas e Circuitos Editorais
Zeferino Coelho (Caminho), José Sousa Ribeiro (Afrontamento), Cecília Andrade (Dom Quixote), André Heráclio do Rêgo (CPLP)
Moderação: Margarida Calafate Ribeiro

16.45: Mesa Redonda com José Luandino Vieira, Joaquim Arena, João Melo, Odete Semedo
Moderação: Laura Cavalcante Padilha

18.15: café

19.00: Lançamento do Livro Literaturas Insulares: Leituras e Escritas de Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe (Afrontamento, 2011). Apresentação de Laura Cavalcante Padilha.

Fonte: e-mail enviado pela Profª Drª Moema Parente Augel em 01 de julho de 2011.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Gabriel Mariano – Vida e Morte de João Cabafume


Gabriel Mariano – Vida e Morte de João Cabafume
Ricardo Riso
Resenha publicada no semanário cabo-verdiano A Nação, nº 200, de 30 de junho de 2011, p. 14.

Gabriel Mariano, pseudônimo de José Gabriel Lopes da Silva (18/05/1928 – 18/02/2002) é um nome destacado na história intelectual de Cabo Verde, ora por sua vertente de ensaísta emérito assim constatada nos artigos reunidos em “Cultura Caboverdeana”, ora em homenagens a figuras contestatárias e rebeldes como na poesia dedicada a Mestre Ambrósio e na narrativa a João Cabafume, para além de sua colaboração em publicações como “Claridade” e “Suplemento Cultural” (do jornal “Cabo Verde”, 1958), e participações em variadas antologias de autores africanos.

Por seu caráter de incisiva contestação social, a pequena narrativa de “Vida e Morte de João Cabafume”, que dá título à antologia de contos do autor, componente da coleção Palavra Africana da editora portuguesa Vega, 2001, nos apresenta uma história breve e de vida pungente do personagem-título, personagem-tipo do período colonial, na qual o narrador dialoga conosco chamando a atenção para os descaminhos da vida de João Cabafume (JC): “Moço, entende direito o que te vou contar. João Cabafume não foi um qualquer. Ele não era como um eu, ou como um tu que estendemos as mãos para outro pôr corda. Morreu no meio da baía numa noite de lua cheia. Não, moço, não foi destino. João Cabafume não teve destino. (...) Destino queria matá-lo de fome.”

Logo no primeiro parágrafo o narrador mostra a condição insurrecta do personagem, diferenciando-se de todos, não aceitando o sofrimento imposto que será apresentado ao longo da história. Deparamo-nos com a habilidade narrativa do autor, aumentando a tensão em frases breves e pontuando as injustiças aos menos favorecidos da sociedade, tanto na insensibilidade e na coisificação do ser humano sendo recolhido das ruas – “Pobre chateava as pessoas finas e incomodava os passageiros que desembarcavam. Por isso o senhor Administrador deu ordem para fechar no Albergue toda a criatura que não tinha trabalho. Pobre e cachorro vadio, nenhum podia passear na rua” –, quanto no desprezo da elite local subserviente ao colonizador ao menosprezar seus pares – “Vocês são uns mandriões (...) Porque é que não procuram o que fazer?/ – Dondê trabalho, senhor Administrador?”.

Há a revolta com a ordem estabelecida pela religião do colonizador pregando a renúncia e a resignação na voz da menina Bia, e a rispidez gradativa do diálogo com JC: “– Nhô padre falou que pobre quando morre vai para o céu./ – E rico?/ – Rico... não sei.../ – Rico não vai./ – Rico deve ir.../ – Rico nunca foi./ – Rico bom vai./ – Não tem rico bom, Bia...” Religião esta na qual um padre não acompanha enterro de pobre até o seu fim: “Quando Jacinto morreu seus companheiros mandaram fazer-lhe um caixão. Nhô Padre encomendou o corpo. Mas foi só até ao Cruzeiro porque dinheiro não dava para mais”. Jacinto que morreu por falta de assistência: “Mas hospital não tinha remédios”. Assim como fica latente a desumanidade aos empregados doentes, porque “Sr. Varanda perguntou ao Dr. Cunha ‘se não havia perigo de contágio’. Dr. Cunha disse que ainda não. E Jacinto ficou para fechar o mês”.

JC é insubmisso às agruras da vida, ao destino de seus pares de morrer fraco de fome de tanto trabalhar: “João Cabafume não dava conversa. Ele estava brigando com destino. Destino queria amarrá-lo na sua roda de pobreza. Como tinha amarrado Jacinto e os outros. Vida de trabalho só para comer...” Por isso a insistência do narrador a nos provocar com veemência ao longo do conto: “Entende direito o que estou contando”.

Ao demonstrar as dificuldades do cotidiano do homem durante o colonialismo em uma narrativa mordaz, que “Vida e Morte de João Cabafume” pode ser posto como um dos melhores momentos da prosa cabo-verdiana e de seu autor, Gabriel Mariano.

A NAÇÃO 200 – É com extrema felicidade que parabenizo todo o expediente do A Nação com a chegada desta edição. Aproveito para agradecer a oportunidade de colaborar neste digno espaço do jornalismo cabo-verdiano. Meus sinceros votos de sucesso!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Tânia Tomé lança Agarra-me o sol por trás no Rio de Janeiro

(clique na imagem para ampliá-la)

Em mais uma parceria com a Kitabu - Livraria Negra, a noite de autógrafos de AGARRA-ME O SOL POR TRÁS (e outros escritos & melodias) da jovem moçambicana Tânia Tomé, dia 12 de julho, às 19h, à rua Joaquim Silva, 17 - Lapa, Rio de Janeiro.

Peço ajuda para a divulgação.
Abraços,
Ricardo Riso

sábado, 18 de junho de 2011

Carlota de Barros – uma poesia de afeto


Carlota de Barros – uma poesia de afeto
Ricardo Riso
Resenha publicada no semanário cabo-verdiano A Nação, nº 198, p. 25, de 16 de junho de 2011.

Carlota de Barros Fermino Areal Alves nasceu na Ilha do Fogo em 24 de Janeiro de 1942. Durante a infância viveu nas Ilhas do Fogo, Brava, S.Nicolau e S.Vicente. Em 1949 mudou-se, com a família, para Moçambique onde permaneceu até 1957, ano em que partiu para Portugal. Neste país licenciou-se em Filologia Germânica, na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa. Mora em Portugal desde 1974, mas visita constantemente o seu país.

Carlota de Barros é colunista do Jornal Artiletra, tem textos publicados na Revista Pré-Textos e em outras revistas de Letras e Artes. Em 2000, lançou o seu primeiro livro de poesia, “A Ternura da Água”; em 2003 publicou “A Minha Alma Corre em Silêncio”. No ano de 2007, o Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro editou o seu livro de poesia, “Sonho Sonhado”, que é reeditado em 2008, numa edição trilingue (Crioulo, Português e Inglês), a primeira edição trilingue publicada em Cabo Verde.

A poesia de Carlota de Barros é marcada pela intensa lembrança de Cabo Verde, um olhar diaspórico formada por saudade e afeto que mesmo na terra-longe assume as ilhas como parte integrante de sua vivência. Conjunção apresentada desde o seu nascimento e retratada em “Mar e Fogo”, poema de “A Ternura das Águas”: “Nasci junto ao mar/ (...) me uni para sempre/ à água/ ao sol/ à areia// nasci entre o fogo/ e tempestades salgadas// cobri-me de salsugem/ mastiguei o sal/ das ondas sem fronteiras// e me uni/ para sempre/ ao mar e ao fogo.”

Por vezes o retorno às ilhas preenche-se de amargura, impõe-se ao olhar de quem retorna e se depara com a miséria que insiste em marcar presença. Valendo-se da temática consagrada por claridosos e novalagardistas em tempos idos, lembranças de um triste passado dilaceram o presente assim exposto na versificação livre e detonam o olhar melancólico do sujeito lírico no poema “Seca”, publicado em “Sonho Sonhado”: “Não gostaria de ter visto/ os altivos coqueiros de pé/ a morrer sem um gemido/ o esplendor das árvores/ a murchar em silêncio// Não gostaria de ter visto/ mas vi/”.

Entretanto, as reminiscências do sujeito lírico na terra-longe buscam o acalanto nas ilhas, a palavra poética transfigura-se em “eco silencioso da nostalgia”. Poesia de memória afetiva que encontra na liberdade do ar o mar do outrora: “A minha alma corre em silêncio/ pelas rochas do meu arquipélago anilado// é a saudade do mar”.

A ternura do seu olhar revela um lirismo otimista e farto para o país com a chegada da chuva no seu singelo “Recado para as Ilhas”: “chegou a chuva/ o verde/ e o rosa/ os azuis/ os pampilhos/ as harpas/ e os alaúdes// há serenatas/ suspensas/ nos sonhos/ de alguém/ sons de violino/ no ar violeta/ trazem de comer/ e beber/ para todos/ (...) porque as ilhas/ são verdes/ e a chuva/ chegou”.

A poesia de Carlota de Barros surpreende pela ternura que emana, o lirismo afetuoso e exacerbado a cantar as suas ilhas, tão suas que a permanência na terra-longe não reduz o seu sentimento, aliás, só aumenta a sua sensibilidade transfigurada em versos suaves, por vezes melancólicos, mas sempre apresentando um olhar solidário e de amor para o seu país, a sua terra cabo-verdiana. Uma poesia que merece um lugar de destaque dentro do felizmente diversificado panorama literário contemporâneo de Cabo Verde.

“Voltarei sempre/ às minhas rochas/ surgidas do mar// voltarei sempre/ às minhas ilhas/ mesmo que as chuvas de outubro/ se neguem// voltarei sempre/ ao meu lar/ mesmo que o milho verde/ não nasça// voltarei sempre/ ao silêncio branco dos mastros/ ao riso fresco das crianças/ ao abraço quente das gentes// voltarei sempre/ mesmo que julho/ não chova// voltarei sempre.”