LANÇAMENTO DE LIA VIEIRA NO RIO DE JANEIRO
A Secretaria de Gênero, Raça e Etnia do Sindsprev-RJ convida para o lançamento do livro
“Só as Mulheres Sangram”
(Editora Nandyala, 2011)
30/09/2011, sexta-feira, a partir das 18h30
Auditório do Sindsprev-RJ
Rua Joaquim Silva, 98-A - Lapa (atrás da Sala Cecília Meirelles)
Informações: (21)3478-8241 ou 3478-8200
LIA VIEIRA
Escritora e doutoranda em Educação pela Universidade de Havana (CUBA), tem experiência na formação de professores para a diversidade racial, movimentos sociais e educação, relações raciais, diversidade cultural e gênero. É pesquisadora pela ASPECAB- Associação de Pesquisa da Cultura Afro-Brasileira, organização não governamental sem fins lucrativos, fundada em dezembro de 1989, cuja equipe multidisciplinar vem atuando na mobilização e articulação de mulheres, adolescentes e meninas negras em torno de temas e ações que propiciem o combate ao racismo e ao sexismo. Vem elaborando, ao longo deste tempo, um programa de formação e informação de mulheres, adolescentes e meninas negras, através de cursos, seminários, publicações e vídeos.
OBRA INDIVIDUAL:
Chica da Silva – a mulher que inventou o mar. Rio de Janeiro: produtor Editorial Independente, 2001.
Eu, mulher – mural de poesias. Niterói/Rio de Janeiro: Edição da autora, 1990.
OBS.: Além de sua produção individual, LIA VIEIRA tem inúmeros textos publicados em antologias, bem como em livros técnicos e acadêmicos.
SAIBA MAIS SOBRE LIA VIEIRA:
- Como contribuição na luta anti-racista, foi colaboradora do mandato do vereador WALMIR GARCIA, quando ajudou a consagrar a lei do 20 novembro como DIA CÍVICO MUNICIPAL, em Niterói.
- Foi uma das entidades que ajudou a formular o processo da Criação do Conselho de Defesa do Negro no município de Niterói.
- Participou da criação do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Niterói.
- Integrou, por 4 anos - 1994 a 1998 -, o CONSELHO ESTADUAL DOS DIREITOS DA MULHER - CEDIM, com relevantes contribuições e assessoramento às Políticas Públicas para as Mulheres na questão étnico -racial.
- Foi laureada com MOÇÃO de reconhecimento pelos serviços prestados à comunidade negra pela vereadora SATIE MIZUBUTI em 1988, Niterói - RJ, pelo vereador WALMIR GARCIA em 1990, Niterói - RJ, pelo deputado CARLOS COREA em 2001 e pelo COMDEDINE - Conselho Municipal dos Direitos do Negro em 2005.
- A convite do governo brasileiro, fez parte da delegação para a Conferência contra a Discriminação Racial , a Xenofobia e Outras Formas de Intolerância - 2001- Durban - África do Sul .
- Tem investigado a relação Gênero/Raça/Etnia num contexto em que busca redefinir as identidades socioculturais na multiétnica sociedade contemporânea.
- Fez parte da Comissão de Preparação do PLANO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO, no programa Diversidade e Inclusão para implementação da Lei 10.639-03 - para o Ensino de História e Culturas Africanas e Afro-brasileiras da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro.
- Integra o CEDINE - Conselho Estadual dos Direitos do Negro,como personalidade de Honra, fazendo parte da COMISSAO PERMANENTE de TRABALHO, EMPREGO E RENDA.
NANDYALA Editora (Africanidades, Gênero, Educação e Sustentabilidade)
Av. do contorno, 6.000 – Loja 01 – Savassi
30110-060 - Belo Horizonte – MG
(31)3281-5894 ou atendimento@nandyalalivros.com.br
Um espaço dedicado à literatura negro-brasileira, às literaturas africanas de língua portuguesa e demais literaturas negro-diaspóricas
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Lia Vieira - "Só as mulheres sangram" (lançamento RJ)
Marcadores:
Eventos,
Lia Vieira,
literatura,
literatura afro-brasileira,
livros
ANO DA LITERATURA E DA CULTURA DE CABO VERDE EM SÃO PAULO
É com o sentimento de satisfação que publico o texto abaixo enviado pela Profª Drª Simone Caputo Gomes, da Universidade de São Paulo. A seguir, temos uma série de atividades com agentes das artes cabo-verdianas na cidade de São Paulo no decorrer deste ano de 2011.
Que isso vire rotina entre os estudantes paulistanos e seja expandido para outras regiões do país.
Meus parabéns à Profª Drª Simone Caputo Gomes e a todo o seu Departamento de Estudos Cabo-verdianos!
Ricardo Riso
ANO DA LITERATURA E DA CULTURA DE CABO VERDE EM SÃO PAULO
A Faculdade de Letras da Universidade de São Paulo (USP) teve a honra de receber, este ano, grandes personalidades da literatura e da cultura de Cabo Verde em encontros que se estenderam das turmas de Graduação aos alunos de Pós-Graduação e professores da área.
Já nos visitara no dia 11 de abril o artista plástico e escritor Mito (Hamilton Elias), apresentando sua arte videofonêmica para um público interessado em literatura e artes visuais cabo-verdianas. Alunos e professores participaram também da inauguração de sua exposição “Tempo de Bichos: celebrando as 70 vidas do poeta Arménio Vieira, no Museu Afro-Brasil, no dia 15.
No dia 22 de agosto, a escritora Vera Duarte interagiu com cerca de 210 estudantes de Literatura Cabo-verdiana, em quatro turmas da Graduação, pela manhã e à noite, com a presença de vários professores e ainda pesquisadores pós-graduandos. Temas variados foram desenvolvidos, com alunos já preparados para recebê-la pela responsável pela disciplina, a Prof. Doutora Simone Caputo Gomes, discutindo-se a obra poética e ficcional, as áreas de atuação e a oficina de criação da escritora.
O sucesso dos encontros cabo-verdianos de literatura na USP continuou a anunciar a primavera em setembro, nos dias 19 e 20, com a presença dos escritores Corsino Fortes e Filinto Elísio. Os alunos de 4 turmas da Graduação em Letras, investigadores da Pós-Graduação e professores, agora num total de 230, dialogaram com as personalidades, que foram discorrendo sobre os rumos culturais e políticos de Cabo Verde, sua literatura e as obras poéticas respectivas.
O Cônsul Geral da República de Cabo Verde em São Paulo, Doutor Aguinaldo Rocha, como sempre, prestigiou todas as atividades, interagiu com o público e com os escritores.
E o encontro poético se estendeu à Casa das Rosas (Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura) no dia 20, presidido por Ilo Codognotto, com apresentação dos escritores pela Profa. Simone Caputo Gomes, abrindo os trabalhos.
Neste ano de 2011, as rosas, enfim, desabrocharam, grandes e lindas, no terreno adubado pela seiva da literatura cabo-verdiana. E continuam florindo.
Foi uma honra para os brasileiros poder receber a arte de Cabo Verde na terra da garoa!
Que isso vire rotina entre os estudantes paulistanos e seja expandido para outras regiões do país.
Meus parabéns à Profª Drª Simone Caputo Gomes e a todo o seu Departamento de Estudos Cabo-verdianos!
Ricardo Riso
ANO DA LITERATURA E DA CULTURA DE CABO VERDE EM SÃO PAULO
A Faculdade de Letras da Universidade de São Paulo (USP) teve a honra de receber, este ano, grandes personalidades da literatura e da cultura de Cabo Verde em encontros que se estenderam das turmas de Graduação aos alunos de Pós-Graduação e professores da área.
Já nos visitara no dia 11 de abril o artista plástico e escritor Mito (Hamilton Elias), apresentando sua arte videofonêmica para um público interessado em literatura e artes visuais cabo-verdianas. Alunos e professores participaram também da inauguração de sua exposição “Tempo de Bichos: celebrando as 70 vidas do poeta Arménio Vieira, no Museu Afro-Brasil, no dia 15.
No dia 22 de agosto, a escritora Vera Duarte interagiu com cerca de 210 estudantes de Literatura Cabo-verdiana, em quatro turmas da Graduação, pela manhã e à noite, com a presença de vários professores e ainda pesquisadores pós-graduandos. Temas variados foram desenvolvidos, com alunos já preparados para recebê-la pela responsável pela disciplina, a Prof. Doutora Simone Caputo Gomes, discutindo-se a obra poética e ficcional, as áreas de atuação e a oficina de criação da escritora.
O sucesso dos encontros cabo-verdianos de literatura na USP continuou a anunciar a primavera em setembro, nos dias 19 e 20, com a presença dos escritores Corsino Fortes e Filinto Elísio. Os alunos de 4 turmas da Graduação em Letras, investigadores da Pós-Graduação e professores, agora num total de 230, dialogaram com as personalidades, que foram discorrendo sobre os rumos culturais e políticos de Cabo Verde, sua literatura e as obras poéticas respectivas.
O Cônsul Geral da República de Cabo Verde em São Paulo, Doutor Aguinaldo Rocha, como sempre, prestigiou todas as atividades, interagiu com o público e com os escritores.
E o encontro poético se estendeu à Casa das Rosas (Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura) no dia 20, presidido por Ilo Codognotto, com apresentação dos escritores pela Profa. Simone Caputo Gomes, abrindo os trabalhos.
Neste ano de 2011, as rosas, enfim, desabrocharam, grandes e lindas, no terreno adubado pela seiva da literatura cabo-verdiana. E continuam florindo.
Foi uma honra para os brasileiros poder receber a arte de Cabo Verde na terra da garoa!
E-mail gentilmente enviado pela Profª Drª Simone Caputo Gomes em 23 de setembro de 2011.
Marcadores:
arte cabo-verdiana,
Cabo Verde,
Corsino Fortes,
Filinto Elísio,
literatura cabo-verdiana,
Mito Elias,
Simone Caputo Gomes,
USP
Mito Elias - Amor Sta La (exposição - Portugal)
Tudo que na vida fazemos é por uma questão de amor.
Os 8 quadros que esta exposição irá exibir, procuram almejar o amor e as suas infinitas vertentes.
Exposição de pintura de Mito Elias em dueto com Edite Melo na galeria da ordem dos médicos em Lisboa.
A exposição será inaugurada no dia 3 de Outubro pelas 19:00.
Estará patente até ao dia 17 de Outubro.
Marcadores:
arte africana,
arte cabo-verdiana,
arte contemporânea,
Cabo Verde,
Mito Elias
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Oralidade agora se escreve - Renascença Clube
Prezada(o)s Amiga(o)s
Renascença Clube através do seu Departamento Cultural e Artístico convida V.Sa., para uma Roda de Conversa Literária , sobre o tema: ORALIDADE AGORA SE ESCREVE - com os seguintes escritores:
Lia Vieira, Ele Semog, Conceição Evaristo, Helena Theodoro, Cidinha Silva, Lúcia Mattos, Sérgio Gramático, Veralinda Menezes e a Profa. Iris Amâncio da Editora Anadyala.
DIA 29 de setembro, a partir das 18h
Rua Barão de São Francisco, 54 - Andaraí - Rio de Janeiro - RJ
E-mail gentilmente enviado pela Profª Edylea Silvério em 26/09/2011.
Marcadores:
Conceição Evaristo,
Éle Semog,
Helena Theodoro,
literatura afro-brasileira,
literatura negro-brasileira
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Viriato de Barros – Para lá de Alcatraz (resenha)
Viriato de Barros – Para lá de Alcatraz
Ricardo Riso
Resenha publicada no semanário cabo-verdiano A Nação, n. 210, p. 27, de 08/09/2010.
Publicado em 2005 pelo Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, “Para lá de Alcatraz – onde os ventos se cruzam” é a segunda obra literária de Viriato de Barros. Natural da Ilha Brava, licenciado em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras de Lisboa, ocupou diversos cargos na esfera governamental, conferencista e jornalista, dentre outras atividades. Em 2001, publicou o romance “Identidade”.
Nessa nova incursão pela prosa, durante doze capítulos Viriato de Barros apresenta por meio de um narrador onisciente a trajetória de vida do menino/homem David entrelaçada por experiências nas ilhas de Cabo Verde – Fogo, São Vicente e Santiago – e vivências na diáspora, mais precisamente Portugal e Moçambique. O tempo da narrativa passa-se no período colonial associado ao crescimento das tensões inevitáveis entre metrópoles e colônias do continente africano.
Nesse romance itinerante, chama-nos atenção questões de alteridade no relacionamento com o outro no qual a personagem David se depara ao longo de sua vida. Essas vivências acontecem desde a saída do menino da ilha do Fogo para os estudos liceais em São Vicente, com uma rápida passagem por Santiago. Em São Vicente, o menino depara-se com as variantes dialetais de ilha para ilha da língua materna cabo-verdiana expostas no diálogo a seguir: “- Câ bô dzê ‘fassi’?/ - Pamô?/ - Es tâ fazê troça d’bô. Li nô tâ dzê ‘depressa’./ - Ê quel mé! – insistiu David./ - Nton bá tâ dzê ‘fassi’. D’pôs bô t’oiá...” O menino também sente as diferenças entre as famílias de sua mãe, do Fogo, “mais rural, menos letrada”, e a do pai, de São Vicente, em que “a tia, que era professora, impunha aos sobrinhos que falassem português”, ou seja, “as duas famílias reflectiam a velha oposição entre a gente do campo e a gente da povoação da sua ilha natal, na maneira de estar e lidar com as situações”.
Durante a sua adolescência, a família de David parte para a então Lourenço Marques, Moçambique. Lá, a personagem sente com clareza e espanto a crueldade do racismo que os negros moçambicanos eram submetidos, pois “quando nunca se saiu de Cabo Verde, é difícil perceber o que é racismo. Fica-se com uma ideia vaga do que isso é. Não se imagina o seu efeito nos que são objecto desse tratamento, a violência com que se manifesta”. O narrador descreve várias maneiras como os colonizadores lidam com o racismo de forma escancarada, tais como o “cinema dos pretos”, punições extremas sem justo motivo, afinal, “matar um preto era com matar um bicho”, e o temor ao restringir o acesso dos negros à instrução para evitar que “conscientes da injustiça de toda a situação existente e sustentada nas colónias, os responsáveis da administração colonial receavam sempre a possibilidade, mais tarde ou mais cedo, de subversão do sistema”. Esse receio do colonizador, remete-nos às considerações de Albert Memmi acerca da violência do colonizador diante do colonizado, porque “é preciso explicar a distância que a colonização estabelece entre ele e o colonizado; ora, a fim de justificar-se, é levado a aumentar mais ainda essa distância, a opor irremediavelmente as duas figuras, a sua tão gloriosa, a do colonizado tão desprezível”.
A experiência em Moçambique insere em David a consciência da injustiça do colonialismo em África. Quando parte para a faculdade em Lisboa, a personagem vivencia com certa distância o clima subversivo que começa a dominar a Casa dos Estudantes do Império e a consequente perseguição da PIDE. O narrador demonstra a tensão crescente, o desemprego para os africanos, as discussões motivadas pelas leituras de pensadores de esquerda e a forma como a ditadura salazarista tentava driblar as pressões da comunidade internacional.
Ou seja, são as pequenas experiências de alteridade e do espírito de luta anticolonial descritas com cuidado pelo narrador que trazem interesse à leitura deste “Para lá de Alcatraz – onde os ventos se cruzam”, de Viriato de Barros.
Marcadores:
Cabo Verde,
crítica literária,
Jornal A Nação,
literatura cabo-verdiana,
literaturas africanas de língua portuguesa,
Ricardo Riso,
Viriato de Barros
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Poesia de Cabo Verde: Corsino Fortes e Filinto Elísio (USP)
POESIA DE CABO VERDE:
encontros na Universidade de São Paulo com
Corsino Fortes
e
Filinto Elísio
Data: dia 19 de Setembro
Pela manhã, na sala 201 de Letras, em dois horários alternativos: de 9 às 10h; e de 10:30 às 11:30 h.
À noite, na sala 261 de Letras, em dois horários alternativos: de 19:30 às 20:30h; e de 21 às 22 horas.
Apresentação dos poetas e coordenação da mesa pela Profa. Doutora Simone Caputo Gomes, de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa da Universidade de São Paulo.
Haverá livros à venda para os interessados.
Marcadores:
Cabo Verde,
Corsino Fortes,
Filinto Elísio,
literaturas africanas de língua portuguesa,
palestra,
USP
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Maria Helena Sato - Caleidoscópio
Maria Helena Sato - Caleidoscópio
Por Ricardo Riso
Resenha publicada no semanário cabo-verdiano A Nação, nº 208, p. 24, de 25 de agosto de 2011.
Recriar a origem das ilhas de Cabo Verde a partir de referenciais universais distantes do colonizador português gerou ótimos momentos ao longo da história literária do arquipélago, desde os pré-claridosos como José Lopes e Pedro Cardoso com o mito hesperitano, passando pelo telurismo épico e heróico de Corsino Fortes e Timóteo Tio Tiofe, até as díspares experiências contemporâneas, tais como os poemas do caderno “Ó de Ceia das Ilhas” inserido em “Me_xendo no baú, vasculhando o u”, de Filinto Elísio, da estreia em poesia de Mário Lúcio Sousa e o seu “O Nascimento de um Mundo”, e o poema “Parábola do Castro Sofrimento” de NZé dy Sant’Y’Águ (heterônimo de José Luis Hopffer Almada).
A cabo-verdiana Maria Helena Sato prestou seu contributo às ilhas nos poemas de “Areias e Ramas” e inovou ao apresentar sua peculiar genealogia para as ilhas nos dez contos de “Caleidoscópio” (Juiz de Fora: Mosteiro de São Bento, 2009). Neste, Sato, descompromissada de rigor histórico, rememorou com extrema habilidade narrativa as histórias contadas por sua avó acerca das origens das ilhas e passou para a escrita esse conhecimento oral acrescidas de suas referências literárias, o que tornou os textos híbridos entre o ficcional e os mitos universais e do ilhéu.
Assim sendo, os contos dedicados às Ilhas de São Nicolau e Santiago exemplificam essa associação proposta pela autora ao narrar como os nomes dos santos nomearam as ilhas. Na primeira, a ilha servia de entreposto para Papai Noel distribuir seus presentes até ser descoberto que seu nome era Nicolau, enquanto para Santiago narra-se que a ilha seria um possível lugar para os reis magos esconderem o nascimento de Jesus Cristo de seus perseguidores, sendo Tiago o responsável para os preparativos do local.
O ficcional se dá na bela metáfora da persistência, perseverança e coragem do ilhéu para vencer as adversidades e os parcos recursos originam o nome da Ilha Brava, assim como a singela e inusitada origem para a Ilha de Santa Luzia.
O resgate de tradições surge para a Ilha do Sal, já que o processo de salgar o peixe e assim conservá-lo é retomado para evitar desperdício em tempos de pesca farta.
A revisitação do passado escravocrata da Ilha do Fogo é retomado a partir de uma revolta em 1680, tendo a morte de seu líder, os seus olhos vermelhos e o seu sangue em analogia às lavas do vulcão mostram a origem de como a ilha passou a ter esse nome.
Para Santo Antão, o criativo conto apresenta o imaginário encontro do pirata Tom Bans e Bashô, o mestre do hai cai, para demonstrar o acolhimento da ilha com os imigrantes, para além da convivência pacífica e respeito mútuo ter auxiliado o oriental Bashô “que ficara mais claro enxergar o sentido da vida no caminho entre os dois vales”. Salienta-se ainda o didatismo a respeito do hai cai e a bela homenagem ao poeta António Januário Leite, natural da ilha. Aliás, homenagens aos escritores repetem-se nos contos à Ilha de São Nicolau (a Baltasar Lopes da Silva) e São Vicente (Sérgio Frusoni).
O cosmopolitismo da Ilha de São Vicente aparece na excêntrica tripulação de um navio formada por ícones de diversas artes, desde personagens literários (Hercules Poirot) e seus criadores (Agatha Christie), poetas (Camões), mágicos (David Copperfield) e artistas (Leonardo da Vinci), assim como o hibridismo do falar local que incorporou estrangeirismos do inglês e do francês, e palavras do português medieval, para além da apropriação da carta para narrar esse conto.
Sem deixar de mencionar temas comuns a todas as ilhas, tais como a escassez das chuvas, a emigração forçada, a origem escravocrata dos negros, a pesca e os dramas do pescador, esses foram alguns exemplos de como Maria Helena Sato em seu caleidoscópio narrativo aliou oralidade e escrita, tradições locais e referências universais para na 11ª ilha manter a sua caboverdianidade plena associado a esse sujeito contemporâneo deslocado e completamente incorporada como cidadã do mundo.
Marcadores:
Cabo Verde,
crítica literária,
literatura cabo-verdiana,
literaturas africanas de língua portuguesa,
livros,
Maria Helena Sato,
Ricardo Riso
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Nelson Inocêncio lança livro na Kitabu/RJ
Marcadores:
arte afro-brasileira,
Eventos,
livros,
Nelson Inocencio
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Mia Couto - E SE OBAMA FOSSE AFRICANO? - E outras interinvenções
Mia Couto
Editora Companhia das Letras
http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13116
E se Obama fosse africano? reúne o que Mia Couto chama de "interinvenções", neologismo que expressa bem o sentido destes artigos, quase todos transcrições de palestras proferidas pelo autor em eventos na África, na Europa e no Brasil.
Neles, o autor aborda de modo corajoso e criativo os principais impasses da África contemporânea. Temas como a corrupção, o autoritarismo, a ignorância, os ódios raciais e religiosos, mas também a riqueza da tradição oral e das culturas locais, o vigor artístico, as relações complexas entre o português e as línguas nativas, a influência de Jorge Amado e Guimarães Rosa sobre a literatura luso-africana, tudo isso é tratado com rigor intelectual, imaginação poética e humor por um dos maiores escritores de nossa época.
Longe do discurso árido dos acadêmicos e da retórica demagógica dos políticos, o autor, que é também biólogo, passeia pelos assuntos com habilidade de ficcionista, entremeando os dados objetivos de sua análise a lembranças pessoais e referências literárias, numa prosa calorosa e envolvente. Nesses exercícios de militância intelectual, o autor mostra que a inteligência crítica e a fantasia poética são fortes aliadas para a compreensão e a transformação do mundo.
Marcadores:
crônicas,
literatura moçambicana,
literaturas africanas de língua portuguesa,
livros,
Mia Couto,
Moçambique
Ondjaki - Há prendisajens com o xão (livro)
de Ondjaki
do chão promovido a almofada, do nosso limite a ele, do nosso encontro sob ele em algum tempo desconhecido, ondjaki nos transporta para um diálogo com o tempo, com a palavra, com a liberdade da escrita, com a imaginação de seres misteriosos. descrições de uma natureza em brisa de jangada e zunzum de abelha. e há também o encontro do sentimento com os seres que somos. os lugares e as descoisas.mais conhecido como prosador aqui no Brasil, dessa vez o autor nos oferece sua escrita em poesia construindo (ou desconstruindo) com muita intimidade cada palavra, cada verso, à sombra das árvores, pela alma das gaivotas, perto de um cardume de tardes. ou do chão
Pallas Editora
Páginas: 72
ISBN: 978-85-347-0464-9
Idioma: Português
Formato: 13,0x18,0cm
http://www.pallaseditora.com.br/produto/Ha_prendisajens_com_o_xao/216/13/
Marcadores:
Angola,
literatura angolana,
livros,
Ondjaki,
poesia angolana
Assinar:
Postagens (Atom)













