terça-feira, 4 de outubro de 2011

Colóquio Interestadual Os fios que nos unem


http://www.cpscetec.com.br/ceteccap/capacitacoes/capacitacaover.php?id=OTYw

Ao longo do 1º. Semestre de 2011 desenvolvemos o Curso de Aperfeiçoamento em História da África e das Culturas Afro-Brasileiras, resultado da parceria com a Casa das Áfricas. Como atividade de encerramento deste projeto e visando a ampliação do debate sobre o tema envolvendo todas as unidades de ensino, realizaremos o Colóquio Interestadual Os fios que nos unem: tecendo conhecimentos sobre a lei 10.639.


Gostaríamos de convidá-los a participar deste Colóquio, que será realizado nos dias 20 e 21 de Outubro de 2011, das 10 as 18 horas. A meta é construir um grande espaço de reflexão sobre os avanços conquistados a partir da inclusão, nos currículos escolares, da temática da História e Cultura Africana e Afro-brasileira.

Objetivos
Refletir sobre a Lei 10639 e sua implementação nas escolas;
apresentar projetos e ações desenvolvidas;
compartilhar práticas pedagógicas;
proporcionar atualização técnica e pedagógica de professores.

Eixo temático
Histórias e Culturas Africanas e Afro-brasileiras na Escola

Local do Evento:
Auditório da Estação Pinacoteca
Largo General Osório, 66 São Paulo, SP

Equipe do Ensino Médio

Contato: emfilosocio@gmail.com

Informações Gerais

Público-alvo: Diretores, Coordenadores do Ensino Médio e/ou Pedagógicos, Professores do Ensino Médio
Vagas: 160
Carga horária: 20 h (presencial)
Data: 20/10/2011 a 21/10/2011
Encontros Presenciais :
20/10 das 09:30 às 19:00
Auditório da Estação Pinacoteca
Largo General Osório, 66 São Paulo, SP

21/10 das 10:00 às 18:00
Auditório da Estação Pinacoteca
Largo General Osório, 66 São Paulo, SP

Fonte: e-mail gentilmente enviado pela Profª Drª Simone Caputo Gomes em 3 de outubro de 2011.

RevLet - chamada para artigos

Está aberto, até o dia 30 de novembro, o período para recepção de textos que farão parte dos dois números do Vol. 04 da RevLet - Revista Virtual de Letras, vinculada à Universidade Federal de Goiás - Campus Jataí, cuja circulação será no ano de 2012.


Normas e informes no site http://www.revlet.com.br/

“Vida que voa”, de Lena Martins (resenha)



“Vida que voa”, de Lena Martins
Ricardo Riso

Já com uma consolidada trajetória como artesã afro-brasileira, graças à inovação de suas delicadas Bonecas Abayomi, que são personagens negras sem expressões faciais exatamente para contemplar as diversas etnias africanas forçadas a vir para o Brasil pelo criminoso tráfico negreiro, as Bonecas Abayomi são confeccionadas sem cola ou costura, retratam o cotidiano afro-brasileiro, a mitologia, os orixás, os aspectos culturais etc., são criações de Lena Martins que agora investe na literatura infanto-juvenil e lança “Vida que voa”, sob a chancela da novíssima editora carioca Escrita Fina Edições.

A agora autora Lena Martins acerta ao ilustrar a breve história de “Vida que voa” com painéis criados para acompanhar a narrativa que possui duas personagens: a avó e a sua netinha Isadora. Esses painéis estão conotados à maneira singela, serena e clara do desenvolvimento da narrativa, transportam para o pequeno leitor e também para o adulto a delicadeza de contar história e, principalmente, a afetividade entre avó e neta, sendo a questão do afeto, em nosso entendimento, o grande destaque dessa curta história.

O espaço da narrativa resgata a nossa ancestralidade afro-indígena, o Jardim Boiuna, ou o jardim das cobras grandes, onde avó e neta ficam deitadas em uma rede à frente de uma floresta. Nesse cenário, destacamos as personagens negras fora do espaço das atividades domésticas, do trabalho, dessa maneira, o narrador de Lena Martins subverte os espaços comuns às personagens negras em nosso cânone literário trazendo-as para o espaço do relaxamento, do repouso e da contemplação da paisagem, do direito ao lazer, da companhia familiar e da relação afetiva que ainda assim estimula o aprendizado oral da anciã para a criança através de canções bucólicas “que falam de pássaros, borboletas, vida que voa”.

Voo da vida, do tempo que passa no ritmo das canções embaladas na rede. E no balanço da rede se dá o crescimento, muitas vezes, imperceptível da menina: “E o tempo passa... Passa num tempo que não se sabe se foi só um balançar...” A menina começa a falar, apresenta seus questionamentos e observações à avó, a continuidade do aprendizado, a permanência do espaço e a temporalidade atravessando os anos fortalecem os laços familiares, a cumplicidade entre avó e neta nesse espaço afetivo. E a menina conclui: “A gente tem asa, vovó, é a rede...” Algures, o poeta Manoel de Barros disse, “Poesia é voar fora da asa”. A expansão do mundo proporcionada pelo aprendizado oral desvela a poesia dessa relação afetiva. As canções e as conversas que voam como os pássaros instigam a menina; a asa, símbolo máximo do voo, é associada pela criança ao movimento suspenso da rede. A rede como metáfora da liberdade de pensar, imaginar, criar, conhecer.

Destacamos a escrita concisa, também precisa da autora, muito bem distribuídas pelas páginas em harmonia com as imagens das bonecas. Um grande acerto da equipe de diagramação. Reforçamos a importância do espaço de lazer e da graciosa relação entre avó e neta, destacando a afetividade entre as personagens negras e a relevância de uma história com tal cariz, lembrando que lazer e afeto infelizmente ainda não são vivenciados em sua plenitude pela maioria de nossa comunidade negra. Por esses pontos assinalados, embalados pela intensa afetividade das personagens negras da doce narrativa de “Vida que voa”, celebramos a gratificante estreia literária de Lena Martins em uma caprichada produção gráfica da Escrita Fina Edições.


Vida que voa
Lena Martins
Fotografias de Ivone Perez
Ilustrações de Carolina Figueiredo, Luciana Grether Carvalho e Lena Martins
Escrita Fina Edições
Rio de Janeiro, 2011
www.escritafinaedicoes.com.br


Sobre as Bonecas Abayomi
www.bonecasabayomi.com.br

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Lia Vieira - "Só as mulheres sangram" (lançamento RJ)

LANÇAMENTO DE LIA VIEIRA NO RIO DE JANEIRO


A Secretaria de Gênero, Raça e Etnia do Sindsprev-RJ convida para o lançamento do livro

“Só as Mulheres Sangram”
(Editora Nandyala, 2011)

30/09/2011, sexta-feira, a partir das 18h30
Auditório do Sindsprev-RJ
Rua Joaquim Silva, 98-A - Lapa (atrás da Sala Cecília Meirelles)
Informações: (21)3478-8241 ou 3478-8200


LIA VIEIRA
Escritora e doutoranda em Educação pela Universidade de Havana (CUBA), tem experiência na formação de professores para a diversidade racial, movimentos sociais e educação, relações raciais, diversidade cultural e gênero. É pesquisadora pela ASPECAB- Associação de Pesquisa da Cultura Afro-Brasileira, organização não governamental sem fins lucrativos, fundada em dezembro de 1989, cuja equipe multidisciplinar vem atuando na mobilização e articulação de mulheres, adolescentes e meninas negras em torno de temas e ações que propiciem o combate ao racismo e ao sexismo. Vem elaborando, ao longo deste tempo, um programa de formação e informação de mulheres, adolescentes e meninas negras, através de cursos, seminários, publicações e vídeos.

OBRA INDIVIDUAL:
Chica da Silva – a mulher que inventou o mar. Rio de Janeiro: produtor Editorial Independente, 2001.
Eu, mulher – mural de poesias. Niterói/Rio de Janeiro: Edição da autora, 1990.

OBS.: Além de sua produção individual, LIA VIEIRA tem inúmeros textos publicados em antologias, bem como em livros técnicos e acadêmicos.

SAIBA MAIS SOBRE LIA VIEIRA:
- Como contribuição na luta anti-racista, foi colaboradora do mandato do vereador WALMIR GARCIA, quando ajudou a consagrar a lei do 20 novembro como DIA CÍVICO MUNICIPAL, em Niterói.
- Foi uma das entidades que ajudou a formular o processo da Criação do Conselho de Defesa do Negro no município de Niterói.
- Participou da criação do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Niterói.
- Integrou, por 4 anos - 1994 a 1998 -, o CONSELHO ESTADUAL DOS DIREITOS DA MULHER - CEDIM, com relevantes contribuições e assessoramento às Políticas Públicas para as Mulheres na questão étnico -racial.
- Foi laureada com MOÇÃO de reconhecimento pelos serviços prestados à comunidade negra pela vereadora SATIE MIZUBUTI em 1988, Niterói - RJ, pelo vereador WALMIR GARCIA em 1990, Niterói - RJ, pelo deputado CARLOS COREA em 2001 e pelo COMDEDINE - Conselho Municipal dos Direitos do Negro em 2005.
- A convite do governo brasileiro, fez parte da delegação para a Conferência contra a Discriminação Racial , a Xenofobia e Outras Formas de Intolerância - 2001- Durban - África do Sul .
- Tem investigado a relação Gênero/Raça/Etnia num contexto em que busca redefinir as identidades socioculturais na multiétnica sociedade contemporânea.
- Fez parte da Comissão de Preparação do PLANO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO, no programa Diversidade e Inclusão para implementação da Lei 10.639-03 - para o Ensino de História e Culturas Africanas e Afro-brasileiras da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro.
- Integra o CEDINE - Conselho Estadual dos Direitos do Negro,como personalidade de Honra, fazendo parte da COMISSAO PERMANENTE de TRABALHO, EMPREGO E RENDA.

NANDYALA Editora (Africanidades, Gênero, Educação e Sustentabilidade)
Av. do contorno, 6.000 – Loja 01 – Savassi
30110-060 - Belo Horizonte – MG
(31)3281-5894 ou atendimento@nandyalalivros.com.br

ANO DA LITERATURA E DA CULTURA DE CABO VERDE EM SÃO PAULO

É com o sentimento de satisfação que publico o texto abaixo enviado pela Profª Drª Simone Caputo Gomes, da Universidade de São Paulo. A seguir, temos uma série de atividades com agentes das artes cabo-verdianas na cidade de São Paulo no decorrer deste ano de 2011.
Que isso vire rotina entre os estudantes paulistanos e seja expandido para outras regiões do país.
Meus parabéns à Profª Drª Simone Caputo Gomes e a todo o seu Departamento de Estudos Cabo-verdianos!
Ricardo Riso


ANO DA LITERATURA E DA CULTURA DE CABO VERDE EM SÃO PAULO


A Faculdade de Letras da Universidade de São Paulo (USP) teve a honra de receber, este ano, grandes personalidades da literatura e da cultura de Cabo Verde em encontros que se estenderam das turmas de Graduação aos alunos de Pós-Graduação e professores da área.

Já nos visitara no dia 11 de abril o artista plástico e escritor Mito (Hamilton Elias), apresentando sua arte videofonêmica para um público interessado em literatura e artes visuais cabo-verdianas. Alunos e professores participaram também da inauguração de sua exposição “Tempo de Bichos: celebrando as 70 vidas do poeta Arménio Vieira, no Museu Afro-Brasil, no dia 15.

No dia 22 de agosto, a escritora Vera Duarte interagiu com cerca de 210 estudantes de Literatura Cabo-verdiana, em quatro turmas da Graduação, pela manhã e à noite, com a presença de vários professores e ainda pesquisadores pós-graduandos. Temas variados foram desenvolvidos, com alunos já preparados para recebê-la pela responsável pela disciplina, a Prof. Doutora Simone Caputo Gomes, discutindo-se a obra poética e ficcional, as áreas de atuação e a oficina de criação da escritora.


O sucesso dos encontros cabo-verdianos de literatura na USP continuou a anunciar a primavera em setembro, nos dias 19 e 20, com a presença dos escritores Corsino Fortes e Filinto Elísio. Os alunos de 4 turmas da Graduação em Letras, investigadores da Pós-Graduação e professores, agora num total de 230, dialogaram com as personalidades, que foram discorrendo sobre os rumos culturais e políticos de Cabo Verde, sua literatura e as obras poéticas respectivas.


O Cônsul Geral da República de Cabo Verde em São Paulo, Doutor Aguinaldo Rocha, como sempre, prestigiou todas as atividades, interagiu com o público e com os escritores.


E o encontro poético se estendeu à Casa das Rosas (Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura) no dia 20, presidido por Ilo Codognotto, com apresentação dos escritores pela Profa. Simone Caputo Gomes, abrindo os trabalhos.


Neste ano de 2011, as rosas, enfim, desabrocharam, grandes e lindas, no terreno adubado pela seiva da literatura cabo-verdiana. E continuam florindo.

Foi uma honra para os brasileiros poder receber a arte de Cabo Verde na terra da garoa!


E-mail gentilmente enviado pela Profª Drª Simone Caputo Gomes em 23 de setembro de 2011.

Mito Elias - Amor Sta La (exposição - Portugal)


Tudo que na vida fazemos é por uma questão de amor.

Os 8 quadros que esta exposição irá exibir, procuram almejar o amor e as suas infinitas vertentes.
Exposição de pintura de Mito Elias em dueto com Edite Melo na galeria da ordem dos médicos em Lisboa.
A exposição será inaugurada no dia 3 de Outubro pelas 19:00.
Estará patente até ao dia 17 de Outubro.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Oralidade agora se escreve - Renascença Clube



Prezada(o)s Amiga(o)s 

Renascença Clube através do seu Departamento Cultural e Artístico convida V.Sa., para uma Roda de Conversa Literária , sobre o tema: ORALIDADE AGORA SE ESCREVE - com os seguintes escritores:
Lia Vieira, Ele Semog, Conceição Evaristo, Helena Theodoro, Cidinha Silva, Lúcia Mattos, Sérgio Gramático, Veralinda Menezes e a Profa. Iris Amâncio da Editora Anadyala.
DIA 29 de setembro, a partir das 18h

Rua Barão de São Francisco, 54 - Andaraí - Rio de Janeiro - RJ

E-mail gentilmente enviado pela Profª Edylea Silvério em 26/09/2011.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Viriato de Barros – Para lá de Alcatraz (resenha)


Viriato de Barros – Para lá de Alcatraz
Ricardo Riso
Resenha publicada no semanário cabo-verdiano A Nação, n. 210, p. 27, de 08/09/2010.

Publicado em 2005 pelo Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, “Para lá de Alcatraz – onde os ventos se cruzam” é a segunda obra literária de Viriato de Barros. Natural da Ilha Brava, licenciado em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras de Lisboa, ocupou diversos cargos na esfera governamental, conferencista e jornalista, dentre outras atividades. Em 2001, publicou o romance “Identidade”.

Nessa nova incursão pela prosa, durante doze capítulos Viriato de Barros apresenta por meio de um narrador onisciente a trajetória de vida do menino/homem David entrelaçada por experiências nas ilhas de Cabo Verde – Fogo, São Vicente e Santiago – e vivências na diáspora, mais precisamente Portugal e Moçambique. O tempo da narrativa passa-se no período colonial associado ao crescimento das tensões inevitáveis entre metrópoles e colônias do continente africano.

Nesse romance itinerante, chama-nos atenção questões de alteridade no relacionamento com o outro no qual a personagem David se depara ao longo de sua vida. Essas vivências acontecem desde a saída do menino da ilha do Fogo para os estudos liceais em São Vicente, com uma rápida passagem por Santiago. Em São Vicente, o menino depara-se com as variantes dialetais de ilha para ilha da língua materna cabo-verdiana expostas no diálogo a seguir: “- Câ bô dzê ‘fassi’?/ - Pamô?/ - Es tâ fazê troça d’bô. Li nô tâ dzê ‘depressa’./ - Ê quel mé! – insistiu David./ - Nton bá tâ dzê ‘fassi’. D’pôs bô t’oiá...” O menino também sente as diferenças entre as famílias de sua mãe, do Fogo, “mais rural, menos letrada”, e a do pai, de São Vicente, em que “a tia, que era professora, impunha aos sobrinhos que falassem português”, ou seja, “as duas famílias reflectiam a velha oposição entre a gente do campo e a gente da povoação da sua ilha natal, na maneira de estar e lidar com as situações”.

Durante a sua adolescência, a família de David parte para a então Lourenço Marques, Moçambique. Lá, a personagem sente com clareza e espanto a crueldade do racismo que os negros moçambicanos eram submetidos, pois “quando nunca se saiu de Cabo Verde, é difícil perceber o que é racismo. Fica-se com uma ideia vaga do que isso é. Não se imagina o seu efeito nos que são objecto desse tratamento, a violência com que se manifesta”. O narrador descreve várias maneiras como os colonizadores lidam com o racismo de forma escancarada, tais como o “cinema dos pretos”, punições extremas sem justo motivo, afinal, “matar um preto era com matar um bicho”, e o temor ao restringir o acesso dos negros à instrução para evitar que “conscientes da injustiça de toda a situação existente e sustentada nas colónias, os responsáveis da administração colonial receavam sempre a possibilidade, mais tarde ou mais cedo, de subversão do sistema”. Esse receio do colonizador, remete-nos às considerações de Albert Memmi acerca da violência do colonizador diante do colonizado, porque “é preciso explicar a distância que a colonização estabelece entre ele e o colonizado; ora, a fim de justificar-se, é levado a aumentar mais ainda essa distância, a opor irremediavelmente as duas figuras, a sua tão gloriosa, a do colonizado tão desprezível”.

A experiência em Moçambique insere em David a consciência da injustiça do colonialismo em África. Quando parte para a faculdade em Lisboa, a personagem vivencia com certa distância o clima subversivo que começa a dominar a Casa dos Estudantes do Império e a consequente perseguição da PIDE. O narrador demonstra a tensão crescente, o desemprego para os africanos, as discussões motivadas pelas leituras de pensadores de esquerda e a forma como a ditadura salazarista tentava driblar as pressões da comunidade internacional.

Ou seja, são as pequenas experiências de alteridade e do espírito de luta anticolonial descritas com cuidado pelo narrador que trazem interesse à leitura deste “Para lá de Alcatraz – onde os ventos se cruzam”, de Viriato de Barros.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Poesia de Cabo Verde: Corsino Fortes e Filinto Elísio (USP)

POESIA DE CABO VERDE:
encontros na Universidade de São Paulo com

Corsino Fortes
e
Filinto Elísio

Data: dia 19 de Setembro
Pela manhã, na sala 201 de Letras, em dois horários alternativos: de 9 às 10h; e de 10:30 às 11:30 h.
À noite, na sala 261 de Letras, em dois horários alternativos: de 19:30 às 20:30h; e de 21 às 22 horas.

Apresentação dos poetas e coordenação da mesa pela Profa. Doutora Simone Caputo Gomes, de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa da Universidade de São Paulo.

Haverá livros à venda para os interessados.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Maria Helena Sato - Caleidoscópio



Maria Helena Sato - Caleidoscópio
Por Ricardo Riso
Resenha publicada no semanário cabo-verdiano A Nação, nº 208, p. 24, de 25 de agosto de 2011.

Recriar a origem das ilhas de Cabo Verde a partir de referenciais universais distantes do colonizador português gerou ótimos momentos ao longo da história literária do arquipélago, desde os pré-claridosos como José Lopes e Pedro Cardoso com o mito hesperitano, passando pelo telurismo épico e heróico de Corsino Fortes e Timóteo Tio Tiofe, até as díspares experiências contemporâneas, tais como os poemas do caderno “Ó de Ceia das Ilhas” inserido em “Me_xendo no baú, vasculhando o u”, de Filinto Elísio, da estreia em poesia de Mário Lúcio Sousa e o seu “O Nascimento de um Mundo”, e o poema “Parábola do Castro Sofrimento” de NZé dy Sant’Y’Águ (heterônimo de José Luis Hopffer Almada).

A cabo-verdiana Maria Helena Sato prestou seu contributo às ilhas nos poemas de “Areias e Ramas” e inovou ao apresentar sua peculiar genealogia para as ilhas nos dez contos de “Caleidoscópio” (Juiz de Fora: Mosteiro de São Bento, 2009). Neste, Sato, descompromissada de rigor histórico, rememorou com extrema habilidade narrativa as histórias contadas por sua avó acerca das origens das ilhas e passou para a escrita esse conhecimento oral acrescidas de suas referências literárias, o que tornou os textos híbridos entre o ficcional e os mitos universais e do ilhéu.

Assim sendo, os contos dedicados às Ilhas de São Nicolau e Santiago exemplificam essa associação proposta pela autora ao narrar como os nomes dos santos nomearam as ilhas. Na primeira, a ilha servia de entreposto para Papai Noel distribuir seus presentes até ser descoberto que seu nome era Nicolau, enquanto para Santiago narra-se que a ilha seria um possível lugar para os reis magos esconderem o nascimento de Jesus Cristo de seus perseguidores, sendo Tiago o responsável para os preparativos do local.

O ficcional se dá na bela metáfora da persistência, perseverança e coragem do ilhéu para vencer as adversidades e os parcos recursos originam o nome da Ilha Brava, assim como a singela e inusitada origem para a Ilha de Santa Luzia.

O resgate de tradições surge para a Ilha do Sal, já que o processo de salgar o peixe e assim conservá-lo é retomado para evitar desperdício em tempos de pesca farta.

A revisitação do passado escravocrata da Ilha do Fogo é retomado a partir de uma revolta em 1680, tendo a morte de seu líder, os seus olhos vermelhos e o seu sangue em analogia às lavas do vulcão mostram a origem de como a ilha passou a ter esse nome.

Para Santo Antão, o criativo conto apresenta o imaginário encontro do pirata Tom Bans e Bashô, o mestre do hai cai, para demonstrar o acolhimento da ilha com os imigrantes, para além da convivência pacífica e respeito mútuo ter auxiliado o oriental Bashô “que ficara mais claro enxergar o sentido da vida no caminho entre os dois vales”. Salienta-se ainda o didatismo a respeito do hai cai e a bela homenagem ao poeta António Januário Leite, natural da ilha. Aliás, homenagens aos escritores repetem-se nos contos à Ilha de São Nicolau (a Baltasar Lopes da Silva) e São Vicente (Sérgio Frusoni).

O cosmopolitismo da Ilha de São Vicente aparece na excêntrica tripulação de um navio formada por ícones de diversas artes, desde personagens literários (Hercules Poirot) e seus criadores (Agatha Christie), poetas (Camões), mágicos (David Copperfield) e artistas (Leonardo da Vinci), assim como o hibridismo do falar local que incorporou estrangeirismos do inglês e do francês, e palavras do português medieval, para além da apropriação da carta para narrar esse conto.

Sem deixar de mencionar temas comuns a todas as ilhas, tais como a escassez das chuvas, a emigração forçada, a origem escravocrata dos negros, a pesca e os dramas do pescador, esses foram alguns exemplos de como Maria Helena Sato em seu caleidoscópio narrativo aliou oralidade e escrita, tradições locais e referências universais para na 11ª ilha manter a sua caboverdianidade plena associado a esse sujeito contemporâneo deslocado e completamente incorporada como cidadã do mundo.