quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Joaquim Arena: entrevista para Expresso das Ilhas

Joaquim Arena: “Para Onde Voam as Tartarugas” apresentado em Lisboa

“Para Onde Voam as Tartarugas” é a mais recente obra de Joaquim Arena. Uma edição da Caminho, que apresenta “um relato vivo das personagens, dos lugares e vivências da sociedade cabo-verdiana”, segundo a editora. O lançamento da obra teve lugar em Lisboa, na livraria CEBuchholz, tendo cabido a apresentação ao editor Severino Coelho e a análise a António Loja Neves, jornalista do semanário “Expresso”, realizador de cinema e documentarista. O Expresso das Ilhas esteve presente e entrevistou o escritor.

Já passaram quatro anos desde o lançamento do seu último livro. Como surgiu esta nova obra?
A história deste livro é engraçada, tendo existido vários momentos para a sua conceptualização. Há uns anos atrás estive na ilha de Santa Luzia, na qual tive uma experiencia fantástica. Na ilha estive com uns amigos a acampar e tive a oportunidade de explorá-la. Numa das incursões nocturnas pela ilha pude observar tartarugas marinhas a desovar, ou seja, a fazer o buraco na areia para o seu ninho e a subsequente postura. Para mim foi fascinante estar junto de animais destes, porque, além da sua história, são criaturas que sobreviveram à era dos dinossauros. Toda esta experiência ficou-me retida na memória. Uns tempos mais tarde, ainda trabalhava no jornal A Semana quando me chegou às mãos uma reportagem, relativa a uma bióloga que estava a estudar tartarugas marinhas numa praia deserta da ilha da Boa Vista. Neste sentido, juntei a minha vivência e a perspectiva de uma bióloga.
Alguns meses mais adiante estive com uns amigos em S. Vicente, que por sua vez tinham outros amigos, sendo um deles, um cidadão espanhol. Num serão de convívio, fomos conversando pela madrugada dentro e no final dessa noite, quando o mesmo foi embora, um dos meus amigos questionou-me se sabia quem era o espanhol, ao que respondi negativamente. De forma pronta o meu amigo explicou: “era um basco, um antigo etarra, um operacional, um terrorista! Há aqui alguns, pois houve um convénio entre o Governo de Cabo Verde e o Espanhol, para os mesmos se exilarem aqui em troca de alguns investimentos.” A história que acabara de ouvir era singular e no final o meu amigo ainda acrescentou: “este homem é ainda responsável por cinco ou seis assassinatos”. Fiquei incrédulo perante esta revelação, pois o homem que considerei simpático, com o qual falei durante horas e aparentava ser um homem normal de passagem por Cabo Verde, era afinal um activista político.
Perante tais realidades e perspectivas reflecti: em ilhas isoladas no meio do oceano conseguimos ter encontros inesperados que, por exemplo, em Lisboa não seriam tão prováveis descobrir. Quando voltei para Portugal comecei a efectuar as minhas pesquisas, coloquei o nome do indivíduo espanhol em causa e li o seu histórico. Foi neste momento que estas várias etapas da minha vida se começaram a encaixar e me ocorreu que o resultado poderia ser uma história em que as pessoas se conheciam na ilha da Boa Vista. Foi desta forma que avancei para a história, em que já tinha as personagens e só me faltava o enredo.

Podemos considerar uma obra autobiográfica?
Tem algumas passagens da minha experiência. Grande parte do que nós escrevemos reflecte, ou a nossa experiência, ou a experiência de pessoas que nos são muito próximas, pois ninguém escreve sobre algo totalmente desconhecido. Nós não inventamos, ou seja, não criamos as histórias de uma esfera superior. O que escrevemos tem sempre uma ligação directa com o que conhecemos e vivemos, misturando parte das nossas experiências com aspectos imaginados.

Roaquim foi uma personagem necessária?
Quis brincar um pouco e inventei um advogado, o Roaquim, porque é a forma como os espanhóis pronunciam Joaquim. Como sabemos, os espanhóis não têm uma aptidão inata para línguas estrangeiras, e quando o fazem, deixam muito a desejar. Roaquim é uma personagem baseada de certa forma na experiência que tive enquanto advogado em Cabo Verde. Nessa etapa da minha vida era um advogado muito especial, porque só defendia quem não tinha dinheiro para solicitar um advogado, ou seja, só defendia pobres, como por exemplo, os desgraçados dos rapazes de rua que roubavam. Considerava que tinha muito mais interesse estar a defender pessoas que não tinham como pagar um advogado. O Ministério da Justiça era quem me pagava, mas eu tinha muito prazer e satisfação em ajudar, por exemplo, uma pessoa pobre a não ser despejada de sua casa. O lado social da advocacia é o que mais me atrai e esta experiência está reflectida em algumas passagens do livro.

A quem é que se destina este romance?
O romance tem uma carga ecológica como frisou o António Loja Neves na apresentação: nós brincamos e contamos histórias, porém, estamos a falar de aspectos muito sérios. Por exemplo, estamos a falar da ilha da Boa Vista que tem longos quilómetros de areal, os quais são os locais escolhidos há milhões de anos pelas tartarugas. Na nossa era vemos que começam a surgir inúmeras propostas de desenvolvimento hoteleiro nesses locais, que acabam por ter influência no habitat e no meio ambiente de Cabo Verde. Gostaria muito que a história pudesse ser vista como uma espécie de alerta para o investimento no turismo de massas, que mal concebido pode aniquilar estas praias, o meio ambiente e as tartarugas marinhas. É um risco muito grande que estamos a correr.

É também uma crítica à sociedade cabo-verdiana...
Considero que o Governo e os decisores políticos estão conscientes destes riscos, mas, como em todo lado há sempre brechas, podendo surgir propostas menos consentâneas com o desenvolvimento equilibrado. Obviamente que temos de promover o turismo, no entanto, não podemos abdicar da salvaguarda do meio ambiente. Penso que a sociedade cabo-verdiana, de uma forma geral, está cada vez mais sensibilizada para esta questão.
Algumas praias já estão destinadas a proteger a desova das tartarugas, além disso, as próprias populações estão a ficar mais conscientes que uma tartaruga marinha viva vale mais do que uma morta, na medida em que as mesmas fomentam o turismo, conseguindo desta forma obter mais proveitos.

Podemos aprender a gostar de Cabo Verde através do seu livro?
Penso que sim, apesar de não ser esse o objectivo principal, pois não se trata de um guia de viagens, contudo, consigo imaginar alguém, que nunca tenha visitado Cabo Verde e que leia o livro, a encontrar aspectos que apelem à descoberta, aventura e ao conhecimento, podendo ficar com uma ideia do que existe neste momento e perceber alguns aspectos muito curiosos da sociedade crioula.

Para quando a publicação do livro em Cabo Verde?
Já foram enviados alguns exemplares para a Feira do Livro na Praia e vão seguir mais alguns para S. Vicente. Mais tarde espero vir a ter o lançamento oficial em Cabo Verde e o livro ficar disponível para quem quiser em todo o arquipélago.

Como vê o panorama literário em Cabo Verde?
Como vivo em Portugal tenho um conhecimento externo sobre o assunto, todavia, como sou jornalista e trabalho num portal de internet que têm essencialmente notícias de Cabo Verde, consigo constatar que continuamos a publicar muito. Em termos populacionais, quando comparado com outros países, penso que Cabo Verde está na liderança do ranking dos países que mais publicam e com maior tiragem. O arquipélago tem cerca de 500 mil habitantes e as obras cabo-verdianas têm tiragens de mil ou dois mil habitantes, efectuando esta comparação com outras nações percebemos que é um rácio per capita extraordinário. As pessoas continuam interessadas em ler, porém, ao nível da ficção é diferente, é um espaço mais difícil de escrever e publicar, mas isto é verdade em qualquer parte do mundo. Os livros não são só ficção e podemos dizer que temos uma cultura livresca em Cabo Verde, que se mantém até agora. Por exemplo, também há propostas interessantes ao nível da investigação.

O que vem em primeiro lugar: a advocacia, o jornalismo ou a escrita?
Até agora tem sido o jornalismo, pois a literatura tem sido uma incursão pontual. Obviamente que quero manter esta incursão, porque na verdade tenho várias ideias, penso nelas e vão-se desenvolvendo, por isso, espero que as personagens se enquadrem para começar a vislumbrar o livro.
Quanto à advocacia estou a pensar em voltar a exercer aqui em Portugal. Não é uma advocacia para enriquecer, mas sim a que trabalha com o pobre, neste caso com os imigrantes aos quais podemos resolver muitos problemas. Continuo muito interessado no lado social da advocacia. Para mim a advocacia é a actividade na qual posso fazer a diferença e ajudar as pessoas, porque muitas vezes nestas sociedades europeias muito frias e rápidas, há pobres migrantes que estão aqui e dependem muitas vezes de encontrar um profissional que os ajude.

A história de “Para Onde Voam as Tartarugas”
Christian Zardel é um menino de rua em fuga de um traficante de droga da ilha de S. Vicente, que encontra abrigo num velho farol, onde vive Simplício, antigo faroleiro do mar traiçoeiro da ilha da Boa Vista.
O velho farol e o ilhéu são também, para a bióloga marinha Selma (que estuda tartarugas marinhas) e o ex-etarra Kiko (exilado em Cabo Verde e um apaixonado por cones, conchas que existem nas ilhas), uma espécie de recanto paradisíaco, mas por diferentes razões, obviamente, enquanto as suas vidas secretas se vão abrindo e cedendo à atracção física que sentem um pelo outro e à crescente cumplicidade na defesa do meio ambiente e da espécie animal ameaçada.
Em São Vicente, o advogado português Roaquim é contratado por Guillermo Garcia, cidadão espanhol, para encontrar o paradeiro de Kiko. Guillermo representa um grupo de familiares das vítimas de um atentado levado a cabo pelo etarra exilado. As vidas das personagens acabam por se entrelaçar, numa espécie de destino imutável.

Quem é Joaquim Arena?
Joaquim Arena nasceu em 1964, na ilha de São Vicente, Cabo Verde, filho de pai português e mãe cabo-verdiana. No final dos anos sessenta chega com a família a Portugal. Depois de viajar pela Europa, regressa a Lisboa, no início dos anos noventa, onde se licencia em Direito. Dirige algumas revistas de temática lusófona, como a África Hoje, ao mesmo tempo que desenvolve projectos na área musical.
De regresso a Cabo Verde, nos finais de noventa, fundou o jornal O Cidadão, foi advogado, jornalista, assessor cultural da Alliance Française do Mindelo.
Em 2000 publicou a novela Um Farol no Deserto. De regresso a Lisboa, publicou A Verdade de Chindo Luz, considerado o primeiro romance sobre a comunidade cabo-verdiana residente em Portugal. Actualmente é jornalista no portal de internet Sapo.cv.

é a mais recente obra de Joaquim Arena. Uma edição da Caminho, que apresenta “um relato vivo das personagens, dos lugares e vivências da sociedade cabo-verdiana”, segundo a editora. O lançamento da obra teve lugar em Lisboa, na livraria CEBuchholz, tendo cabido a apresentação ao editor Severino Coelho e a análise a António Loja Neves, jornalista do semanário “Expresso”, realizador de cinema e documentarista. O Expresso das Ilhas esteve presente e entrevistou o escritor.

4-8-2010, 11:41:55
João Pinheiro Costa, Correspondente em Lisboa

Dica de blog: Mar di Képona (Joaquim Arena)

Segue o blog do jornalista e escritor cabo-verdiano Joaquim Arena que tive o prazer de conhecer no II Xirê das Letras - Giros de Resistência, no campus Xique-Xique da Universidade Estadual da Bahia (UNEB), em setembro de 2011. Para acessar o blog Mar di Képona, clique aqui.

Joaquim Arena nasceu no Mindelo, Ilha de São Vicente, Cabo Verde, em 1964. Advogado e jornalista, publicou a novela "Um farol no deserto" e os romances "A verdade de Chindo Luz" e "Para onde voam as tartarugas".

Segue uma foto dos nossos dias em Xique-Xique:

Curso de Ensino de Histórias e Culturas Africanas e Afro-Brasileira/IFRJ

Curso de Especialização Lato Sensu em Ensino de Histórias e Culturas Africanas e Afro-Brasileira
Escrito por Karla Leandro Rascke
Seg, 03 de Outubro de 2011 09:32

O IFRJ Campus São Gonçalo tem o prazer de informá-los(as) que estarão abertas a partir das 16h de hoje (03 de Outubro de 2011), as inscriçõesdo Edital n° 58/2011 para 2ª turma do Curso de Especialização Lato Sensu emEnsino de Histórias e Culturas Africanas e Afro-Brasileira. As inscrições serão feitas exclusivamente pela internet. O Curso de Especialização Lato Sensu em Ensino de Histórias e Culturas Africanas e Afro-brasileira tem como finalidade contribuir para a formação continuada dos professores e profissionais ligados à educação capazes de atuar no ensino e na pesquisa com vistas à implementação de uma política educacional que reconhece a diversidade étnico-racial do país, seguindo as determinações da Lei Federal 10.639/03 que torna obrigatório o ensino das histórias e culturas africanas e afro-brasileira em todos os níveis e modalidades da educação básica.

Pretende-se também contribuir na formação de profissionais autônomos e inovadores, capazes de projetar e realizar melhorias em seus campos de atuação, de propor novas metodologias e criar novas estratégias pedagógicas para a educação das relações étnico-raciais, no intuito de reduzir a distância existente entre as realidades da produção acadêmica contemporânea e do cotidiano da sala de aula.

CARACTERÍSTICAS DO CURSO
O Curso tem a duração prevista de um ano e seis meses, incluindo o tempo de elaboração da monografia, prorrogáveis, a critério do Colegiado do Curso, por mais seis meses.

A sua carga horária é de 390 horas e suas aulas serão ministradas às terças-feiras e às quintas-feiras, das 18h 30min às 22h 30min, e um sábado por mês, das 8 às 12 horas, no Campus São Gonçalo do IFRJ.

PÚBLICO-ALVO
Podem participar do processo seletivo os profissionais que tenham concluído um curso de graduação, preferencialmente nas áreas relacionadas à Educação. O início das aulas está previsto para 07 de fevereiro de 2012.

INSCRIÇÕES PELA INTERNET
Seção de Concursos e Processos Seletivos
Veja o Edital e siga as orientações do site para inscrição online

TAXA DE INSCRIÇÃO NO CONCURSO: R$ 70,00
VAGAS OFERECIDAS: 20 (VINTE)
O CURSO É GRATUITO, SEM COBRANÇA DE TAXA DE MATRÍCULA E MENSALIDADES

INFORMAÇŌES ADICIONAIS:
Email: spg.csg@ifrj.edu.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. / Tel (021) 2628-0099

Maiores Informações: www.ifrj.edu.br

1° Encontro Afro-literário:150 anos de Cruz e Sousa

Escritor e cartunista negro participam de Encontro Afro-literário em Florianópolis
Escrito por Karla Leandro Rascke
Ter, 04 de Outubro de 2011 11:46

A organização do 1° Encontro Afro-literário:150 anos de Cruz e Sousa confirmou a presença no evento do escritor carioca e do Presidente do Conselho Editorial da Revista Raça Brasil, Maurício Pestana. O evento irá ocorrer de 16 a 26 de novembro, numa promoção do Instituto Énrea, voltado para questões de gênero, raça, etnia e livre orientação sexual e religiosa. A ideia do encontro é proporcionar uma maior comunicação e troca de experiências entre estudiosos da temática afro-brasileira e negra. Conforme o Presidente do Énrea, Fábio Garcia, o evento divulgará também a produção literária de intelectuais, poetas e músicos negros do final do século XIX e início do XX. CONVIDADOS

Nei Lopes é pesquisador das culturas africanas desde os anos 1980. É autor de “O Samba, na Realidade: a utopia da ascensão social do sambista”, “Islamismo e Negritude: da África ao Brasil, da idade média aos nossos dias”, "Partido Alto, Samba de Bambas" e "Kitábu: O livro do saber e do espírito negro-africanos".

O Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais é compositor profissional desde 1972 e vem trabalhando em favor do rompimento das fronteiras discriminatórias que separam o samba da chamada MPB. Lançou “Nei Lopes - De Letra & Música” e “Partido ao Cubo”. Em teatro, encenou “Oh, Que Delícia de Negras!”, “Clementina” e “O Rancho da Sereia”.

A Revista Raça Brasil, surgida em 1996, é um dos principais veículos da população negra carente de um espaço de circulação nacional. O Presidente do Conselho Editorial, jornalista e publicitário Maurício Pestana, é considerado como o primeiro e mais conhecido cartunista negro do Brasil.

Iniciou sua trajetória no movimento pela igualdade racial já na adolescência, escolhendo a piada gráfica para protesto e conscientização. Natural de Santo André (SP), fez seus estudos artísticos na escola de Poliarte de São Paulo, nos final dos anos 1970.

Com reconhecimento internacional, tem publicado 42 cartilhas e 15 livros sobre a negritude. É autor da cartilha “O Negro no Mercado de Trabalho”, que por meio de desenhos humorados retrata a discriminação no país. Este ano publicou “Pestana 30 anos de Arte pela Igualdade”, uma coletânea de 3 volumes com os seus melhores trabalhos.

João Tala - Rosa & Munhungo (lançamento na UEA)

SOBRE O LIVRO DE CONTOS "ROSAS & MUNHUNGO" - Excertos

lançado aos 28/09/11



“Rosas & Munhungo”, o novo livro do escritor João Tala, foi lançado na quarta-feira à noite, na União dos Escritores Angolanos (UEA), em Luanda, numa sessão de venda e autógrafos bastante concorrida pelos amantes da literatura angolana.

O livro de contos, apresentado pelo escritor e secretário para a área cultural da UEA, Abreu Paxe, tem 105 páginas e faz uma abordagem ao quotidiano das mulheres angolanas, em particular.

De acordo com o autor, este livro nasceu no contexto do pós-guerra (...) “Tento abordar um pouco a trajectória de vida que muitas mulheres tiveram de seguir, após a guerra (...)

Dentro daquilo que a sociedade vive em relação às mulheres, João Tala tentou encontrar uma determinada temática, cujas personagens principais são senhoras como Josefa Confissão, Amélia Tchiquete, Lukinda, Rebeca Nzoji, Regina, Ana Rita e Maria Wataka.

A intenção do escritor foi abordar em “Rosas & Munhungo” situações que acontecem no mundo, em determinados cenários e contextos. “O livro está recheado de elementos metafóricos através dos quais os leitores podem tirar as suas conclusões”. A sua maior preocupação foi atingir uma determinada estética com a escrita e por isso, como sublinhou, “levei aproximadamente um ano para terminar a obra”.

Abreu Paxe disse à imprensa, à margem da apresentação do livro, que tenta procurar o equilíbrio na forma como regula o estilo literário e não literário. “As técnicas de construção estética de João Tala são inusitadas e bem feitas. Vê-se que existe consciência do mesmo na construção do material artístico”. Explicou, o escritor foi buscar figuras que em quase todas as sociedades são desconsideradas, pelo facto de serem meretrizes, e consegue atribuir-lhes valor existencial.

Obs: fotografia de M. Machangongo


Obs2: o lançamento de Rosas & Munhungo é um excerto da notícia estampada no Jornal de Angola de 30/09/11


Fonte: http://blogtala.blogspot.com/

Dica de blog: poesia angolana

Um bom blog para quem quer conhecer a poesia angolana: Angola: os poetas. Com uma extensa recolha de nomes do passado e da contemporaneidade, encontram-se partícipes e seus poemas, tais como: Agostinho Neto, Arlindo Barbeitos, David Mestre, João Maimona, João Melo, João Tala, Manuel Rui, Ondjaki, Paula Tavares, Ruy Duarte de Carvalho, Viriato da Cruz, entre outros.

Boa consulta!
Ricardo Riso

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Colóquio Interestadual Os fios que nos unem


http://www.cpscetec.com.br/ceteccap/capacitacoes/capacitacaover.php?id=OTYw

Ao longo do 1º. Semestre de 2011 desenvolvemos o Curso de Aperfeiçoamento em História da África e das Culturas Afro-Brasileiras, resultado da parceria com a Casa das Áfricas. Como atividade de encerramento deste projeto e visando a ampliação do debate sobre o tema envolvendo todas as unidades de ensino, realizaremos o Colóquio Interestadual Os fios que nos unem: tecendo conhecimentos sobre a lei 10.639.


Gostaríamos de convidá-los a participar deste Colóquio, que será realizado nos dias 20 e 21 de Outubro de 2011, das 10 as 18 horas. A meta é construir um grande espaço de reflexão sobre os avanços conquistados a partir da inclusão, nos currículos escolares, da temática da História e Cultura Africana e Afro-brasileira.

Objetivos
Refletir sobre a Lei 10639 e sua implementação nas escolas;
apresentar projetos e ações desenvolvidas;
compartilhar práticas pedagógicas;
proporcionar atualização técnica e pedagógica de professores.

Eixo temático
Histórias e Culturas Africanas e Afro-brasileiras na Escola

Local do Evento:
Auditório da Estação Pinacoteca
Largo General Osório, 66 São Paulo, SP

Equipe do Ensino Médio

Contato: emfilosocio@gmail.com

Informações Gerais

Público-alvo: Diretores, Coordenadores do Ensino Médio e/ou Pedagógicos, Professores do Ensino Médio
Vagas: 160
Carga horária: 20 h (presencial)
Data: 20/10/2011 a 21/10/2011
Encontros Presenciais :
20/10 das 09:30 às 19:00
Auditório da Estação Pinacoteca
Largo General Osório, 66 São Paulo, SP

21/10 das 10:00 às 18:00
Auditório da Estação Pinacoteca
Largo General Osório, 66 São Paulo, SP

Fonte: e-mail gentilmente enviado pela Profª Drª Simone Caputo Gomes em 3 de outubro de 2011.

RevLet - chamada para artigos

Está aberto, até o dia 30 de novembro, o período para recepção de textos que farão parte dos dois números do Vol. 04 da RevLet - Revista Virtual de Letras, vinculada à Universidade Federal de Goiás - Campus Jataí, cuja circulação será no ano de 2012.


Normas e informes no site http://www.revlet.com.br/

“Vida que voa”, de Lena Martins (resenha)



“Vida que voa”, de Lena Martins
Ricardo Riso

Já com uma consolidada trajetória como artesã afro-brasileira, graças à inovação de suas delicadas Bonecas Abayomi, que são personagens negras sem expressões faciais exatamente para contemplar as diversas etnias africanas forçadas a vir para o Brasil pelo criminoso tráfico negreiro, as Bonecas Abayomi são confeccionadas sem cola ou costura, retratam o cotidiano afro-brasileiro, a mitologia, os orixás, os aspectos culturais etc., são criações de Lena Martins que agora investe na literatura infanto-juvenil e lança “Vida que voa”, sob a chancela da novíssima editora carioca Escrita Fina Edições.

A agora autora Lena Martins acerta ao ilustrar a breve história de “Vida que voa” com painéis criados para acompanhar a narrativa que possui duas personagens: a avó e a sua netinha Isadora. Esses painéis estão conotados à maneira singela, serena e clara do desenvolvimento da narrativa, transportam para o pequeno leitor e também para o adulto a delicadeza de contar história e, principalmente, a afetividade entre avó e neta, sendo a questão do afeto, em nosso entendimento, o grande destaque dessa curta história.

O espaço da narrativa resgata a nossa ancestralidade afro-indígena, o Jardim Boiuna, ou o jardim das cobras grandes, onde avó e neta ficam deitadas em uma rede à frente de uma floresta. Nesse cenário, destacamos as personagens negras fora do espaço das atividades domésticas, do trabalho, dessa maneira, o narrador de Lena Martins subverte os espaços comuns às personagens negras em nosso cânone literário trazendo-as para o espaço do relaxamento, do repouso e da contemplação da paisagem, do direito ao lazer, da companhia familiar e da relação afetiva que ainda assim estimula o aprendizado oral da anciã para a criança através de canções bucólicas “que falam de pássaros, borboletas, vida que voa”.

Voo da vida, do tempo que passa no ritmo das canções embaladas na rede. E no balanço da rede se dá o crescimento, muitas vezes, imperceptível da menina: “E o tempo passa... Passa num tempo que não se sabe se foi só um balançar...” A menina começa a falar, apresenta seus questionamentos e observações à avó, a continuidade do aprendizado, a permanência do espaço e a temporalidade atravessando os anos fortalecem os laços familiares, a cumplicidade entre avó e neta nesse espaço afetivo. E a menina conclui: “A gente tem asa, vovó, é a rede...” Algures, o poeta Manoel de Barros disse, “Poesia é voar fora da asa”. A expansão do mundo proporcionada pelo aprendizado oral desvela a poesia dessa relação afetiva. As canções e as conversas que voam como os pássaros instigam a menina; a asa, símbolo máximo do voo, é associada pela criança ao movimento suspenso da rede. A rede como metáfora da liberdade de pensar, imaginar, criar, conhecer.

Destacamos a escrita concisa, também precisa da autora, muito bem distribuídas pelas páginas em harmonia com as imagens das bonecas. Um grande acerto da equipe de diagramação. Reforçamos a importância do espaço de lazer e da graciosa relação entre avó e neta, destacando a afetividade entre as personagens negras e a relevância de uma história com tal cariz, lembrando que lazer e afeto infelizmente ainda não são vivenciados em sua plenitude pela maioria de nossa comunidade negra. Por esses pontos assinalados, embalados pela intensa afetividade das personagens negras da doce narrativa de “Vida que voa”, celebramos a gratificante estreia literária de Lena Martins em uma caprichada produção gráfica da Escrita Fina Edições.


Vida que voa
Lena Martins
Fotografias de Ivone Perez
Ilustrações de Carolina Figueiredo, Luciana Grether Carvalho e Lena Martins
Escrita Fina Edições
Rio de Janeiro, 2011
www.escritafinaedicoes.com.br


Sobre as Bonecas Abayomi
www.bonecasabayomi.com.br

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Lia Vieira - "Só as mulheres sangram" (lançamento RJ)

LANÇAMENTO DE LIA VIEIRA NO RIO DE JANEIRO


A Secretaria de Gênero, Raça e Etnia do Sindsprev-RJ convida para o lançamento do livro

“Só as Mulheres Sangram”
(Editora Nandyala, 2011)

30/09/2011, sexta-feira, a partir das 18h30
Auditório do Sindsprev-RJ
Rua Joaquim Silva, 98-A - Lapa (atrás da Sala Cecília Meirelles)
Informações: (21)3478-8241 ou 3478-8200


LIA VIEIRA
Escritora e doutoranda em Educação pela Universidade de Havana (CUBA), tem experiência na formação de professores para a diversidade racial, movimentos sociais e educação, relações raciais, diversidade cultural e gênero. É pesquisadora pela ASPECAB- Associação de Pesquisa da Cultura Afro-Brasileira, organização não governamental sem fins lucrativos, fundada em dezembro de 1989, cuja equipe multidisciplinar vem atuando na mobilização e articulação de mulheres, adolescentes e meninas negras em torno de temas e ações que propiciem o combate ao racismo e ao sexismo. Vem elaborando, ao longo deste tempo, um programa de formação e informação de mulheres, adolescentes e meninas negras, através de cursos, seminários, publicações e vídeos.

OBRA INDIVIDUAL:
Chica da Silva – a mulher que inventou o mar. Rio de Janeiro: produtor Editorial Independente, 2001.
Eu, mulher – mural de poesias. Niterói/Rio de Janeiro: Edição da autora, 1990.

OBS.: Além de sua produção individual, LIA VIEIRA tem inúmeros textos publicados em antologias, bem como em livros técnicos e acadêmicos.

SAIBA MAIS SOBRE LIA VIEIRA:
- Como contribuição na luta anti-racista, foi colaboradora do mandato do vereador WALMIR GARCIA, quando ajudou a consagrar a lei do 20 novembro como DIA CÍVICO MUNICIPAL, em Niterói.
- Foi uma das entidades que ajudou a formular o processo da Criação do Conselho de Defesa do Negro no município de Niterói.
- Participou da criação do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Niterói.
- Integrou, por 4 anos - 1994 a 1998 -, o CONSELHO ESTADUAL DOS DIREITOS DA MULHER - CEDIM, com relevantes contribuições e assessoramento às Políticas Públicas para as Mulheres na questão étnico -racial.
- Foi laureada com MOÇÃO de reconhecimento pelos serviços prestados à comunidade negra pela vereadora SATIE MIZUBUTI em 1988, Niterói - RJ, pelo vereador WALMIR GARCIA em 1990, Niterói - RJ, pelo deputado CARLOS COREA em 2001 e pelo COMDEDINE - Conselho Municipal dos Direitos do Negro em 2005.
- A convite do governo brasileiro, fez parte da delegação para a Conferência contra a Discriminação Racial , a Xenofobia e Outras Formas de Intolerância - 2001- Durban - África do Sul .
- Tem investigado a relação Gênero/Raça/Etnia num contexto em que busca redefinir as identidades socioculturais na multiétnica sociedade contemporânea.
- Fez parte da Comissão de Preparação do PLANO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO, no programa Diversidade e Inclusão para implementação da Lei 10.639-03 - para o Ensino de História e Culturas Africanas e Afro-brasileiras da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro.
- Integra o CEDINE - Conselho Estadual dos Direitos do Negro,como personalidade de Honra, fazendo parte da COMISSAO PERMANENTE de TRABALHO, EMPREGO E RENDA.

NANDYALA Editora (Africanidades, Gênero, Educação e Sustentabilidade)
Av. do contorno, 6.000 – Loja 01 – Savassi
30110-060 - Belo Horizonte – MG
(31)3281-5894 ou atendimento@nandyalalivros.com.br