domingo, 9 de outubro de 2011

Literatura e Afrodescendência no Brasil: antologia crítica - Eduardo de Assis Duarte (org.)


Literatura e Afrodescendência no Brasil: antologia crítica
Eduardo de Assis Duarte (org.)
Coleção: Humanitas
2011. ISBN: 978-85-7041-904-0

Composto de quatro volumes, Literatura e afrodescendência no Brasil é fruto de pesquisa realizada em todas as regiões do país com vistas ao mapeamento e estudo da literatura produzida pelos afrodescendentes desde o período colonial. Esta antologia crítica envolveu 61 pesquisadores, vinculados a 21 instituições de ensino superior brasileiras e seis estrangeiras. O resultado apresenta a faceta afro da literatura brasileira, num total de 100 escritores oriundos de tempos e espaços diversos, apresentados a partir de ensaios críticos, contendo dados biográficos, estudo de obra, relação de publicações e de fontes de consulta.

Precursores – volume 1 - 583 páginas
É dedicado aos autores afrodescendentes nascidos antes de 1930. Cobre um amplo painel que se inicia no século XVIII com Domingos Caldas Barbosa, passa por Luiz Gama e Maria Firmina dos Reis, com suas obras pioneiras em meados do século XIX, chega a Machado de Assis, José do Patrocínio, Cruz e Sousa, Lima Barreto e abarca ainda autores do século XX, tais como Nascimento Moraes, Lino Guedes, Solano Trindade, Abdias Nascimento, Carolina Maria de Jesus, Mestre Didi, Eduardo de Oliveira e Carlos de Assumpção.

Consolidação - volume 2 - 441 páginas
O segundo volume se inicia com o poeta e ficcionista Oswaldo de Camargo e trata de escritores nascidos nas décadas de 1930 e 1940, entre eles Joel Rufino dos Santos, Nei Lopes, Muniz Sodré, Conceição Evaristo, Adão Ventura, Paulo Colina, Oliveira Silveira, Domício Proença Filho, Geni Mariano Guimarães e Arnaldo Xavier. Aborda ainda o memorialismo angustiado de Francisca Souza da Silva, em sua perambulação pelas cozinhas, ruas e favelas brasileiras.

Contemporaneidade – volume 3 - 565 páginas
Apresenta ensaio de Maria Nazareth Soares Fonseca sobre Cuti – poeta, ficcionista, um dos fundadores da série Cadernos Negros – e abarca um conjunto de 39 escritores nascidos na segunda metade do século XX: Miriam Alves, Edimilson de Almeida Pereira, Esmeralda Ribeiro, Salgado Maranhão, Éle Semog, Lia Vieira, Márcio Barbosa, Ronald Augusto, Paulo Lins, Ana Maria Gonçalves, José Carlos Limeira e Jônatas Conceição, entre outros.

História, teoria, polêmica – volume 4 - 419 páginas
Eduardo de Assis Duarte e Maria Nazareth Soares Fonseca (org.)
Contempla reflexões sobre o projeto de uma literatura negra ou afro-brasileira a partir de visões diferenciadas e contrastantes. Traz depoimentos dos escritores Abdias Nascimento, Oswaldo de Camargo, Cuti, Conceição Evaristo, Márcio Barbosa e Esmeralda Ribeiro, empenhados na construção dessa vertente. Além disso, apresenta textos críticos de Octávio Ianni, Silviano Santiago, Zilá Bernd, Leda Maria Martins, Zahidé Muzart, Maria Nazareth Soares Fonseca, Eduardo de Assis Duarte, Regina Dalcastagnè e Marcos Antônio Alexandre.

Twitter: @editoraufmg


OPINIÃO DO BLOG:
É com imensa satisfação que contribuo para a divulgação desta antologia, de extrema necessidade para uma vertente ainda pouco conhecida da literatura brasileira. Parabéns ao Prof. Dr. Eduardo de Assis Duarte por coordenar uma numerosa equipe de pesquisadores e as congratulações a todos que participaram deste projeto. Desde já, o maior e mais importante título literário do século XXI. Leitura mais que recomendável!
Ricardo Riso

Fonte: e-mail gentilmente enviado pelo Prof. Dr. Amarino Queiroz em 9 de outubro de 2011.

II Encontro Internacional de Literaturas, Histórias e Culturas Afro-Brasileiras e Africanas – NEPA/UESPI

INSCRIÇÕES PRORROGADAS ATÉ 30 DE OUTUBRO!

Encontro internacional de literatura africana e afro-brasileira abre inscrições - PI


O evento será realizado de 15 a 18 de novembro no Campus Poeta Torquato Neto

O Núcleo de Estudos e Pesquisas Afro, do Centro de Ciências Humanas e Letras (NEPA/CCHL), da Universidade Estadual do Piauí (Uespi), receberá até o dia 30 de outubro de 2011, por meio do site http://nepauespi.wordpress.com/ , as inscrições referentes ao II Encontro Internacional de Literaturas, Histórias e Culturas Afro-Brasileiras e Africanas – ÁFRICA BRASIL, que será realizado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Afro – NEPA e o Mestrado Acadêmico da Uespi. O evento será realizado em Teresina – Piauí, de 15 a 18 de novembro de 2011, no Campus Poeta Torquato Neto.

O encontro terá o objetivo de reunir pesquisadores do Brasil e de países africanos em torno do debate sobre a Literatura, a História e a Cultura de matriz africana, trazendo à tona o discurso pós-colonial dos povos da Diáspora. Mesas-redondas, conferências, minicursos, comunicações e simpósios temáticos serão as formas a partir das quais direcionaremos os debates propostos pela temática desse evento: memória e construções literárias. A programação é formada por minicursos, mesas-redondas, conferências, comunicações, lançamento de livros e atividades culturais.

As atividades acadêmicas serão abertas pelo Prof. Dr. Eduardo Assis Duarte, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que falará sobre “Literatura Afro-Brasileira”. Em outra conferência, o Prof. Dr. Henrique Cunha Júnior, da Universidade Federal do Ceará (UFC), discorrerá sobre “Os africanos escravizados no Brasil sabiam ler: aportes da história africana para a história brasileira”. O Prof. Dr. Múleka Dítoka Wa Kalenga, da República Democrática do Congo, encerrará a sequência de conferências ministrando: “A Cibernética e equação dos búzios: do Egito à Contemporaneidade”.

As mesas-redondas prometem discussões sobre diversas temáticas que dizem respeito à literatura africana e afro-brasileira, por exemplo: “Religiões Negras e Indígenas no Piauí”, a ser debatida pelos professores: Prof. Dr. Solimas Lima (UFPI), Prof. Dr. Alcebíades Costa Filho (Uespi), Profa. Dra. Claudete Dias (UFPI), Prof. Dr. João Júnior – (Uespi), Profa. Dra. Algemira de Macedo Mendes (Uespi) e Profa. MSc. Assunção de Maria Sousa e Silva (Uespi).

O Prof. Dr. Élio Ferreira, da comissão organizadora, informa que o evento é aberto a todos da sociedade que estudam a temática. Ele lembra, ainda, que as vagas são limitadas, principalmente as referentes aos minicursos. “Os interessados precisam se inscrever o quanto antes. Todas as participações terão direito a certificação emitida pela Pró-Reitoria de Extensão da Uespi”, afirma o professor.
 
FONTE: http://fazervaleralei.blogspot.com/

"VII Semana de Educação da Pertença Afro-Brasileira: educação, relações étnicas e gênero - UESB

"VII Semana de Educação da Pertença Afro-Brasileira: educação, relações étnicas e gênero"
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia- UESB, Campus de Jequié-Bahia.
16 a 19 de novembro de 2011

Inscrições com trabalho prorrogadas até 18 de outubro



A VII Semana de Educação da Pertença Afro-Brasileira: educação, relações étnicas e gênero, acontecerá na cidade de Jequié-BA e terá como participantes: pesquisadores(as); docentes e discentes da educação básica e superior; profissionais da área de educação, saúde, direitos humanos e assistência social; movimento social e ONGs; associações de moradores e demais interessados(as). O propósito do evento é apresentar e debater aspectos relacionados às temáticas educação, etnicidade e gênero a fim de que os(as) participantes possam repensar em suas visões equivocadas e discriminatórias no que diz respeito às culturas afro-brasileiras e indígenas, revendo seus olhares eurocêntricos e monoculturais, além disso é intuito da semana, a divulgação de resultados de trabalhos oriundos de pesquisa e de extensão e que estejam atrelados às temáticas em questão. O evento contará com variadas atividades, quais sejam: conferências, palestras, mesas-redondas, oficinas, mini-cursos, apresentação de trabalhos, mostras de vídeos e fotografias, sessão de pôsteres e apresentações artísticas. Espera-se com este evento contribuir para que os(as) participantes possam modificar suas atitudes e práticas educativas em prol de uma sociedade reconhecedora e respeitosa da diversidade cultural, étnica e de gênero.

As inscrições estão abertas para trabalhos, mini-cursos, mesas -redondas, mostras fotográficas e de vídeos nos seguintes GT's:


GT1 - Educação, Relações Étnicas e Legado Africano
GT2 - Diversidade Linguística, Literatura e Linguagem
GT3- Etnociência e Diversidade Cultural
GT4- Saúde da População Negra
GT5- Saberes e Práticas Educativas: Terreiros e Quilombos
GT6- Linguagens Visuais e Culturas
GT7- Artes, Manifestações Culturais, Moda e Corpo
GT8- Políticas de Ações Afirmativas e Movimentos Sociais
GT9- Populações Negras: Gênero e Homoafetividades
GT10- Construção Cultural dos Povos Indígenas Brasileiros: Territorialidades, Histórias, Culturas, Saberes e Educação Escolar Indígena
GT11- História da África e Experiências na Diáspora.

Segue abaixo o link:
http://www.odeeresemana.webcindario.com/index.htm

Seminário de Reflexão e Memória da Cultura Afrobrasileira - PUC/RJ

Envio de Resumos - Seminário de Reflexão e Memória da Cultura Afrobrasileira - Até o dia 10/10/2011


O prazo para para submissão de resumos a serem apresentados nos Grupos de Trabalho GT's) do Seminário de Reflexão e Memória da Cultura Afrobrasileira a ser realizado nos dias 08 e 09 de novembro de 2011, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). O tema deste ano será “O Ano Internacional dos Afrodescendentes e a Resistência Política dos Negros no Brasil de Zumbi dos Palmares a Abdias Nascimento”.

Maiores informações através do endereço: http://seminarioafro2011pucrio.blogspot.com/

As inscrições são gratuitas!
Prazo para submissão de resumos até o dia 10/10/11
Divulgação do Resultado dos Trabalhos Aprovados: 15/10/11

Ementa dos Grupos de Trabalho:

GT1 - Políticas Públicas e Questão Racial
Coordenadora: Profa. Ms. Ana Helena Passos (Doutoranda PPGSS PUC-Rio)
O profundo processo de transformação pelo qual o Brasil redemocratizado vem passando engloba uma séria de políticas públicas voltadas para promoção de igualdade racial. Tais políticas estão intimamente ligadas ao legado e à luta diária, no presente, dos movimentos sociais negros. Como acentua o sociólogo Antonio Sérgio Guimarães é a partir de uma bandeira unificada pela luta de combate ao racismo que os movimentos negros trazem para cena brasileira atual uma agenda que alia política de reconhecimento (de diferenças raciais e culturais), política de identidade (racialismo e voto étnico), política de cidadania (combate à discriminação racial e afirmação dos direitos civis dos negros) e política redistributiva (ações afirmativas ou compensatórias). É no sentido de entender e problematizar essas políticas que se enquadra nosso Grupo de Trabalho.

Dito isso, o objetivo deste grupo está em acolher e conjugar as mais diversas produções de conhecimento e intervenções que tratem desta temática bem como discutir as políticas públicas já implementadas pelas distintas esferas do Governo brasileiro no desejo de promover um diálogo que segue de encontro com as agendas políticas envolvidas com a busca por promoção de igualdade e pela luta antirracista.

GT2 - Educação das relações étnico-raciais: a lei 10.639/2003
Profa. Ms. Antonia Ceva (REDEH / Doutoranda PPGSS PUC-Rio)
A Lei nº 10.639/03 insere a temática da História e da Cultura Afrobrasileira e Africana no currículo das instituições oficiais de ensino. É uma Lei Federal, ou seja, contempla todo o território brasileiro e é obrigatória, tendo em vista resgatar a história e a memória dos povos africanos escravizados no Brasil. Para tanto, a proposta é enfatizar a luta dos negros e das mulheres negras, bem como a resistência do período da escravidão, destacando lideranças deste período e da pós-emancipação. Nossa proposta com este GT é discutir o alcance e os limites da Lei 10.639/03, tendo em vista que o mito da democracia racial (um dos grandes entraves da luta contra o racismo) se encontra presente no imaginário da população brasileira, sobretudo, nos livros didáticos e, também, trazer expeirências concretas de implementação da Lei 10.639/03 nas insituições de ensino superior e na educação básica.

GT3 - Racismo Institucional e Sistemas de Justiça
Coordenador: Prof. Ms. Ilzver Matos de Oliveira (UNIT / Doutorando PPGD PUC-Rio)
O Grupo de Trabalho busca promover intercâmbios entre pesquisadores e militantes sociais de diversas áreas do conhecimento, que discutem e refletem nos seus trabalhos sobre o conceito de Racismo Institucional e sobre as estratégias de percepção e superação das práticas institucionais racistas reproduzidas naturalmente ao longo dos séculos, notadamente dentro do Sistema de Justiça brasileiro (Delegacias, Ministério Público, Tribunais, entre outros). Neste sentido, o presente GT objetiva reunir trabalhos científicos que possam traçar um panorama desse debate no Brasil e que contribuam para a construção de novas práticas institucionais, sintonizadas com a necessidade de se reconhecer o racismo como um dos problemas mais graves, persistentes e desumanizantes no nosso país e com o dever de se promover mecanismos de garantia dos direitos étnicos-raciais no Brasil.

GT4 - Patrimônio, Territórios e Memória Afrobrasileira: processos identitários contemporâneos
Coordenadora: Profa. Ms. Lady Christina de Almeida (NIREMA PUC-Rio)
O presente GT busca compreender as novas relações estabelecidas entre território, memória, identidade e patrimônio advindos das novas dinâmicas na contemporaneidade, no momento em que a identidade torna-se instrumento de ação política, apropriada pelos movimentos sociais que utilizam esse discurso como estratégia para obtenção de conquistas políticas e sociais efetivas e reconhecimento institucional na formulação de políticas de identidade. Assim, como a construção e fortalecimento das identidades contribuem para reconstrução da memória e para ressignificações de território e patrimônio? Neste GT pretendemos reunir trabalhos e discussões que tratam a memória sobre suas várias dimensões, que reflitam sobre o patrimônio como imagens construídas em modalidades de expressão escritas, além de visuais e espaciais. Buscamos aqui também entender as narrativas acerca dos movimentos, das territorialidades como experiências que demarcam a legitimidade do passado re-contado no presente como justificativa de sua existência e afirmação de identidades e suas relações com o poder.

GT5 - Gênero, Raça e Sexualidade
Coordenadora: Profa. Ms. Vanessa do Canto (Doutoranda do PPGD PUC-Rio)
Nos últimos anos, as pesquisas sobre gênero, raça e sexualidade têm sido ampliadas sob a perspectiva da interseccionalidade que se constitui em um conceito importante para as investigações críticas sobre as múltiplas formas de produção e manifestação da subjetividade nas sociedades contemporâneas. No Brasil, tem sido útil para a compreensão das peculiaridades relativas às formas de manifestação do racismo e seus efeitos agravados quando aliados à discriminações baseadas no gênero e na sexualidade. Neste sentido, o presente Grupo de Trabalho tem por objetivo constituir um espaço de interlocuções interdisciplinares no qual possam ser compartilhadas as reflexões oriundas de pesquisas relacionadas à ação política feminista e dos movimentos de mulheres, bem como sobre políticas públicas que tenham por finalidade o enfrentamento das desigualdades decorrentes de discriminações baseadas no gênero, raça e/ou sexualidade nos diferentes espaços da sociedade. Dessa forma, serão bem vindos trabalhos ligados a distintas correntes teóricas que permitam ampliar e aprofundar os debates sobre os temas propostos.

GT6 - Religiosidade Afrobrasileira e Intolerância Religiosa
Coordenadora: Mãe Flávia Pinto (Casa do Perdão)

GT7 - Racismo, Multiculturalismo e Reconhecimento
Coordenadora: Profa. Ms. Thula Pires (PUC-Rio)
O Grupo de Trabalho Racismo, Multiculturalismo e Reconhecimento pretende acolher as reflexões e críticas de pesquisadores, pesquisadoras e ativistas que enfrentam o racismo, nas suas mais variadas formas de expressão, a partir do referencial teórico da Teoria do Reconhecimento e do Multiculturalismo. As demandas por respeito, além de redefinirem os papéis na seara econômica e política, permitem, ainda, redimensionar a importância simbólica das tradições e da cultura negra no Brasil. Busca-se, primordialmente, debater a racialização da sociedade brasileira e do sistema de privilégios decorrentes de sua naturalização a partir do enfrentamento das conseqüências do falso reconhecimento ou da sua total ausência na conformação das Identidades.

Realização:
PUC-Rio

Apoio:
Centro de Ciências Sociais
Departamento de Direito
(Núcleo de Estudos Constitucionais e Núcleo de Direitos Humanos)
Departamento de Serviço Social
Núcleo Interdisciplinar de Reflexão e Memória Afrodescendente (NIREMA)
Comissão Organizadora:
Profa. Ms. Thula Pires (PUC-Rio)
Vanessa do Canto (Doutoranda do PPGD PUC-Rio)

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Cabo Verde em Xique-Xique (Bahia, Brasil)



Cabo Verde em Xique-Xique, Bahia
Ricardo Riso
Resenha publicada no semanário cabo-verdiano A Nação, n. 214, de 06/10/2010, p. 42
Intensa tem sido a presença da literatura cabo-verdiana no Brasil, com eventos recentes envolvendo as letras do arquipélago em três estados: Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro. A 587 km de Salvador, capital da Bahia, às margens do rio São Francisco, Xique-Xique recebeu, de 21 a 24 de setembro, o II Xirê das Letras – Giros de Resistência – Congresso Internacional de Línguas, Literaturas e Culturas Africanas e Afro-Americanas no campus DCHT XXIV, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), sob a organização do Prof. Ms. João Silva Rocha Filho e da Profª Ms. Lise Mary Arruda Dourado.
A diversidade foi a tônica do II Xirê das Letras, as palestras abordavam literatura, história, religiosidades afro-brasileiras, ações afirmativas, discriminação, entre outros áreas de interesse, demonstrando as experiências de pesquisadores de várias partes do país. As mesas de comunicação e os minicursos também seguiram o caráter heterogêneo do Congresso.
Cabo Verde marcou presença com a participação, em duas mesas, do sempre cativante escritor e cronista Filinto Elísio; na primeira, a fala emocionada em razão da morte de Aristides Pereira; para além dessa triste passagem, Elísio comoveu a plateia ao mencionar a entrada dos afro-descendentes nas universidades, deslocando-se de objetos de estudos para sujeitos do discurso, sendo a Educação a nova arma na guerra de libertação travada nos estudos acadêmicos.
O outro momento cabo-verdiano concretizou-se com a presença de Joaquim Arena, jovem escritor radicado em Portugal que lançou recentemente o romance “Para onde voam as tartarugas” (Caminho – Portugal). Feliz com a sua primeira vinda ao Brasil, Arena aproveitou para mencionar semelhanças entre Brasil e Cabo Verde, tanto na música quanto na literatura, pois esta última influenciou a sua escrita.
Eu, a convite da Profª Lise Arruda, participei da subcomissão de comunicações, indiquei nomes de autores africanos e ministrei o minicurso “Novas Tendências da Literatura Cabo-Verdiana (escritores heterônimos de si próprios)”. Em dois dias, com quatro horas de duração, o objetivo era mostrar o pluralismo estético-ideológico e a diversidade temática no pós-independência presentes na prosa e na poesia com auxílio de eixos temáticos, tais como Poesia de indagação ontológica e metafísica, Poesia desassombrada da monocultura identitária e Poesia Diaspórica. No último dia, Joaquim Arena e Filinto Elísio abrilhantaram o curso com suas participações e informações pertinentes acerca do panorama contemporâneo da literatura de Cabo Verde.
Para finalizar, houve a comunicação da colega Ruth Maria Chaves Pires a partir do poema “Banquete”, de Filinto Elísio. Aproveito para deixar o meu sincero agradecimento aos organizadores supracitados e demais agentes que construíram tão belo Congresso. O Xirê (roda) fomentou ideias, cativou corações e mentes.
Enquanto isso, na Faculdade de Letras da USP, a presença cabo-verdiana tem sido uma constante no departamento coordenado pela Profª Drª Simone Caputo Gomes. Em abril, Mito Elias apresentou “Tempo de Bichos: celebrando as 70 vidas do poeta Arménio Vieira”, estendida ao Museu Afro-Brasil; em agosto, a escritora e jurista Vera Duarte falou para mais de 200 alunos de Literatura Cabo-Verdiana, para além de pós-graduandos e professores da área. Duarte, no mesmo mês, esteve ao lado de Conceição Evaristo (Brasil), de Odete Semedo (Guiné-Bissau) e de Sonia Sulthuane (Moçambique) no evento “4 vozes femininas de África”, na UFRJ, sob coordenação da Profª Drª Carmen Lucia Tindó Secco. Nos dias 19 e 20 deste, Corsino Fortes e Filinto Elísio discorreram sobre suas obras também na USP. Os dois vates ainda apresentaram-se na prestigiada Casa das Rosas (Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura), dia 20, em São Paulo.
É assinalável a aproximação de Brasil e Cabo Verde no campo literário. Desejo que esses eventos se tornem frequentes por aqui e contribuam para a popularização das letras do arquipélago. É a minha utopia.

Filinto Elísio - Torpor da nova poética cabo-verdiana (artigo)

Um pertinente artigo do escritor e cronista cabo-verdiano Filinto Elísio acerca dos novos rumos da poesia cabo-verdiana. Leitura recomendável.
Ricardo Riso

Torpor da nova poética cabo-verdiana

Filinto Elísio
http://www.buala.org/pt/a-ler/torpor-da-nova-poetica-cabo-verdiana

À necessária exegese a que nos convidou o Museu de São Roque, colocando a África e a Cultura no centro da reflexão e do debate, será mais um importante contributo para, juntos e de mãos concêntricas, pensarmos a Cultura, ou se quisermos as Culturas Africanas na sua condição estruturante e na sua realidade circunstancial.

Participar da reflexão e do diálogo em torno da produção cultural africana na contemporaneidade, em particular nos países de língua oficial portuguesa, constitui uma forma de darmos o nosso modesto contributo para o problematizar à luz das outras culturas do Mundo, nomeadamente, quando por indicação do presente enfoque, das Culturas de matriz Ocidental.

Cientes de que os encontros não são inocentes, nem derivam de insólitos, mas sim resultantes de opções e de escolhas, pelo que afirmam produções de pensares e de saberes em prol de causas e de objectivos pré definidos. Por conseguinte, o apelo do Museu de São Roque para que reflictamos e debatamos Africanidades, suas correlações e articulações - abrindo espaço para que, no vaticínio de Amílcar Cabral, o possamos fazer com as nossas próprias cabeças -, é importante, relevante e consequente. Este apelo vem resignificar, de forma muito particular e assertiva, a razão efectiva (e não inocente, repita-se) de estarmos aqui e agora neste encontro.

Perante temática tão vasta quão caudalosa, guardarei as minhas margens pela literatura cabo-verdiana, onde me encontro, com ressalva de escritor, puro esteta se preferirem, e não como estudioso, campo de labor de personalidades como Simone Caputo Gomes, Alberto Carvalho, Elsa Rodrigues, José Luís Pires Laranjeira, Fátima Fernandes, Benjamin Abdala Jr., João Lopes Filho, Manuel Brito-Semedo, Ricardo Riso e José Luís Hopffer Almada, entre vários outros pesquisadores, estudiosos e ensaístas que tanto admiro. A mesma admiração que em mim percorrem os textos críticos sobre as letras cabo-verdianas de Jaime de Figueiredo, Amílcar Cabral, Manuel Duarte, Onésimo Silveira e Manuel Ferreira, sobre outros prismas e por outas temporalidades.

Não sendo apologista de classificar a Literatura Cabo-verdiana pelo viés cronológico, nem acreditando haver suficiente virtude que a literatura em Cabo Verde esteja estratificada em três grandes períodos – pré-Claridoso, Claridoso e Pós Claridoso -, quero crer que há outras e múltiplas formas de olhar esta produção literária que, há mais de dois séculos, tem vindo a marcar o seu espaço no contexto da lusofonia e que, desde a Independência Nacional, há pouco mais de trinta e seis anos, se densifica por produções mais modernistas e mais «aggiornadas» com as letras de recorte universalista.

Abordo aqui de uma literatura que não se pontifica como pós Claridosa, mas que é assumidamente não Claridosa, isto é que não tem a Claridosidade como seu eixo central e muito menos seu fio condutor. Aliás, esta não é apartada daquela, em sua correlação, mas, fazendo jus a alguma identidade, o dom de não ter mote, nem modo claridosos, não se policiando pelos cânones nem dos precoces nativistas, parnasianos e românticos, nem dos realistas, neo-realistas e nacionalistas que compõem as várias gerações que trocam testemunhos na brilhante estafeta do fazer literário até os anos setenta do século XX.

Mesmo a geração transicional do Cabo Verde colonial ao Cabo Verde soberano – onde se pontificam escritores como Mário Fonseca, Arnaldo França, Oswaldo Osório, Onésimo Silveira, Joao Vário, Corsino Fortes e Arménio Vieira -, ao cumprirem a travessia da Independência Nacional, refazem o seu lócus poético que já não fica incólume à nova realidade/ambiente, que entorna o esteta das letras.

Tal geração, assumindo novas trincheiras da alma, tal qual no-la explica Octávio Paz, em «O Arco e a Lira», se torna demiurgo de uma nova luz que questiona a escuridão geral do universo pós Independência. E faz, por ventura nossa, a tormentosa pergunta (o que é a poesia?), e todas as respostas levam-na a uma interrogação ainda mais esfíngica, porque ontológica e existencial. Uma pequena incursão pelo livro «Mon Pays Est Une Musique», de Mário Fonseca, nos deixa perceber que os novos sangramentos da alma poética crioula já são de dilema entre a comunhão ontológica e a alteridade existencial.

E o que acontece depois do Movimento Pró Cultura, nova primavera literária cabo-verdiana, liderada em meados dos anos 80, do século passado, por José Luís Hopffer Almada?

Ainda sem estudos consequentes (tanto da academia, como da fortuna crítica), deste Movimento de maior respaldo cultural no período pós Independência, dele resultam alguns dos poetas cabo-verdianos do momento, tais como o próprio Hopffer Almada, Daniel Spinola, Jorge Carlos Fonseca, Filinto Elísio, Mário Lúcio, Valentinous Velhinho, José Vicente Lopes, António de Névada e José Luís Tavares, entre os mais conhecidos.

O Jornal Arteletra, o Caderno Folha de Letras do Jornal Voz di Povo e as revistas Fragmentos e Sopinha do Alfabeto, mas antes Ponto & Vírgula, importantes publicações literárias (et pour cause, culturais) cabo-verdianas revelaram talentos surpreendentes, como o de Germano Almeida, Jorge Carlos Fonseca, Vera Duarte, Oswaldo Osório, Arménio Vieira, Vasco Martins, José Vicente Lopes, Luís Silva e Mário Lúcio, por exemplo.

Já a revista Raízes disseminou poetas como Corsino Fortes, João Varela/G.T.Didial, Arménio Vieira, Vera Duarte, Oswaldo Osório ou Paula, pseudónimo de Paula Vasconcelos.

Apesar de propostas e projectos literários ousados, crê-se ainda cedo para assegurar a grandeza desta nossa nova geração. Entretanto, se declinasse as minhas preferências por dois poetas cabo-verdianos, eu não teria dúvida de incluir entre eles o nome do meu contemporâneo José Luis Tavares.

A sua obra, desde O Paraíso Apagado por um Trovão, induz-me a que nela encontre a moldura para espelhar a dimensão desta nova geração consolidada à margem do rio Claridoso, tendência nascida de alguns da geração da transição como em João Vário, Arménio Vieira, Mário Fonseca e Corsino Fortes.

Estes se posicionam, de uma banda, no lapidar da palavra pela impassibilidade, resistência à porosidade, com alguma impermeabilidade ao sentimentalismo nas suas toadas e, de outra banda, se alinham na concepção da palavra enquanto organismo vivo: a palavra-homem, a antropo-palavra, a palavra-vegetal, a palavra-animal, biodiversidade em toda a dimensão, inclusive social e política.

Resume-se que seja uma geração presente e premente, uma geração ainda «on call», de modo que, mau grado alguns rasgos que nos interpelam à euforia, não nos impressionemos com as análises apressadas, com a troca de favores valorativos da imprensa e com os circuitos de marketing editorial, ora que se nos afrontam a Academia de Letras Cabo-verdianas (ideário a ser projecto) e a feitura da História da Literatura Cabo-verdiana, já de conhecimento público. Aqui as escolhas precisam ser cuidadosas e ponderosas para que não tenham efeitos perversos e turvem a água benta da literatura que os cabo-verdianos hoje fazem.

Certo é que o artesanato dos novos poemas está seguramente comprometido com os padrões de qualidade da modernidade literária. Portanto, estão aqui uns cabo-verdianos não claridosos que fazem uma poesia inquieta e inquietante, que levam os leitores a olhar Cabo Verde, através do texto, com seriedade e ansiedade.

Sereno e ciente de ficar aquém do que se espera de um texto de estudioso, pois que, para meu alegre espanto, os novos dados são o afrontamento permanente. Leio Cabo Verde: Antologia da Poesia Contemporânea, de Ricardo Riso, com a participação de «novos poetas»: Carlota de Barros, Danny Spínola, Dina Salústio, Margaridas Fontes e Maria Helena Sato.

Antes, tivera em mãos «Destino di Bai: Antologia de Poesia Inédita de Cabo-verdiana», de Francisco Fontes, com Carlos Araújo, Eileen Barbosa, Paulino Dias, Anita Faria, Tchalê Figueira, Margarida Fontes, Adriano Gominho, Lay Lobo, , Chissana Magalhães, Jorge Miranda, Valdemar Pereira, Maria Helena Sato, Luiz Silva, Artur Vieira, José Maria Neves e Elisa Schneble. Novos fluíres poéticos, em que os originários do Movimento Pró-Cultura - alguns: Danny Spínola, Filinto Elísio, José Luís Hopffer Almada, Mário Lúcio Sousa, José Vicente Lopes, Kaká Barbosa, Vasco Martins, G. T. Didial, Arménio Vieira, Oswaldo Osório e Jorge Carlos Fonseca, e também do “movimento” actual dos blogues literários – outros, onde se incluem Paulino Dias, Chissana Magalhães, Lay Lobo, Eileen Barbosa e Margarida Fontes – há sim clara imparabilidade das letras cabo-verdianas.

Despretensioso, humilde e talvez imperfeito, ficam estas linhas, mera tentativa de fixar um olhar novo, e quem sabe diferente sobre as letras cabo-verdianas, que é rica hoje por ter a Claridade e a Não Claridade, algo que ainda escapa à generosidade de um certo olhar que insiste no exotismo e no folclorismos para com a escritas dos nossos homens grandes, como o foram outrora Eugénio Tavares, Pedro Cardoso, Baltazar Lopes, Jorge Barbosa, Gabriel Mariano e Ovídio Martins e ora são Arménio Vieira, Oswaldo Osório, Corsino Fortes, Jorge Carlos Fonseca, José Luís Hopffer Almada, Mário Lúcio, Valentionous Velhinho e José Luís Tavares.

E será com esta nova gente que nos alinhamos na nova África, na renascença de uma Africanidade diferente, outra e emancipada, que não tem pejos, nem esteios de colonizados, nem complexos encravados de identidade; será com esta gente de liberto pensamento e de discurso livre, enquanto África múlplica e plural, ao tempo que assume suas especificidades, que nos assumimos, transculturais e mestiços, prontos para a intermediação do diálogo entre todos os mundos, inclusive com aquele que também nos é de pertença, que é o da Cultura de matriz Ocidental, pela sua vertente também da lusofonia, pátria maior de Fernando Pessoa e de todos nós poetas que inquilinos também desta língua que transcende.

Espero ter entrado na essência da questão, com a antropofagia que me move, enquanto ser cultural dos mundos, ou bem no diapasão do poeta Manoel de Barros, um dos expoentes que me ilumina, em como «Para entrar em estado de árvore é preciso partir de um torpor animal de lagarto».

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Poetas de Moçambique, antologia de Amosse Mucavele

Prezados,

Já foi publicada a antologia da nova poesia moçambicana - POETAS DE MOÇAMBIQUE - na nova edição da Revista Zunai, com seleção e organização de Amosse Mucavele (Movimento Kuphaluxa), nota introdutória de Ricardo Riso e poemas de Tânia Tomé, Sangare Okapi, Ruy Ligeiro, Emmy Xyx - Manuela Xavier, Manecas Cândido, Helder Faife, Dinis Muhai, Andes Chivangue, Celso Manguana, Amin Nordine e Mbate Pedro.

Segue o link direto para a antologia POETAS DE MOÇAMBIQUE:

Abaixo reproduzo a introdução que fiz para a antologia.

Peço ajuda para a divulgação.

Abraços para todos,
Ricardo Riso

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UM PAÍS DE POESIA
Ricardo Riso

Em boa hora chega para o público brasileiro esta antologia de poesia moçambicana organizada por este jovem guerreiro das letras chamado Amosse Mucavele, que esse novo canal de comunicação, a internet, e o amor pela literatura fizeram o prazer de nos apresentar.

Com pouco mais de cem anos, a poesia moçambicana pode se orgulhar de sua trajetória vigorosa escorada em nomes que se consagraram através de uma lírica contundente e crítica do triste passado colonial, tais como de Noémia de Sousa, Rui Knopfli e José Craveirinha, e mais recentemente Mia Couto, sem dúvida, um dos principais escritores do universo lusófono. Dentre tantos outros poetas que poderia citar, estes quatro são dignos representantes do consolidado sistema literário moçambicano e de reconhecimento entre os amantes da poesia em língua portuguesa.

Entretanto, a poesia moçambicana carece de maior disseminação entre nós, ainda mais quando se trata de agentes contemporâneos, pois por aqui temos apenas Paulina Chiziane, Nelson Saúte, Eduardo White e Luís Carlos Patraquim. Estes, já com alguma fortuna crítica em nossas universidades, porém restritos ao mundo acadêmico apesar dos dois primeiros possuírem títulos publicados no país. Por isso, a pertinência dos nomes selecionados por Amosse Mucavele para oferecer um panorama, ainda que breve, da poesia moçambicana contemporânea.

O leitor perceberá que um macrotema é desenvolvido com frequência pelos poetas aqui reunidos: o país, assim como as implicações do destino que tomou com a independência e de como a população absorveu irrealizações dos sonhos da revolução. Enquanto para José Craveirinha a noção de pertencimento à terra vinculava-se ao direito legítimo e incondicional da pátria livre do jugo colonial, basta lembrar o “Poema do futuro cidadão” e seus versos, “Homem qualquer/ cidadão de uma Nação que ainda não existe”, lemos em Celso Manguana o desencanto da contemporaneidade, “A nenhuma/ cidadania/ pertenço”, de um país à mercê da corrupção e da submissão ao neoliberalismo imposto pelos países desenvolvidos, situação de indignação do poeta por essa “pátria que me pariu”. O canto sofrido desse poeta revela-se na grave crise que assola famílias, “Dividida a pátria/ entre o coração/ e o estômago”, e recorre à intertextualidade ao livro de Nelson Saúte, “A pátria dividida” (1993), para demonstrar a inércia do quadro socioeconômico da nação desde o fim da guerra de desestabilização em 1992. Um país dilacerado entregue a esses jovens como demonstra Manecas Cândido: “Logo que nasci/ deram-me presentes/ de pobreza e um país/ de angústias”.

Refletir poeticamente sobre o país é recorrente na poesia moçambicana. A intertextualidade com esse macrotema vem desde Rui Knopfli e o clássico “O País dos Outros”, no final dos anos 1980 Eduardo White lança “País de Mim”, já Ruy Ligeiro publica “O País de Medo” (2003) sinalizando para as incertezas que dominam o moçambicano na atualidade. Novamente, a referência ao Velho Cravo se apresenta em Ruy Ligeiro: “volto a um país que não existe/ senão quando o habito/ entre abutres de sonhos/ que vêm enovelados/ em galerias de medo”.

Sonhos dilacerados por uma elite corrupta são mostrados pelo olhar ácido aos desvios éticos e políticos de Amin Nordine: “Um a outro os sabores desejados/ Com muitas regalias ministrados/ Banqueiros de banquete obsequiados/ Milhentas vezes da colheita graúda/ Cintilar grandes pratos arrojados;/ Melhorem o celeiro da fome aguda/ Ou vire trigo o grito nos acuda/ Em nome da plebe implorar ajuda”. Descaso e descaminhos que geram a indecisão dessa geração, Mbate Pedro desvela o seu medo diante da amargura de seus pares, “a geografia dos meus medos/ é limitada (em toda a sua extensão)/ pela angústia do meu povo”, enquanto Sangare Okapi desnuda o seu interior em conflito: “há um pequeno país/ no meu país:/ chama-se angústia”.

Entretanto, nem só de críticas ao país versam os poetas como o leitor poderá verificar em “Meu Moçambique” de Tânia Tomé. Neste, tal como em “Hino à minha terra” de José Craveirinha, a celebração ao país se apresenta e assim canta Tomé, “Eu sei Moçambique,/ no cume das árvores, na sede incontinente/ da minha falange, Rovuma ao Incomati,/ no xigubo terrestre dos pés descalços/ e em todos tambores que surdem/ das mãos coloridas nos braços em chaga”.

Concentrei-me na maneira como os poetas contemporâneos pensam poeticamente a nação moçambicana, mas outros temas e vertentes literárias são trabalhados pelos poetas desta antologia. Vale ressalta o simbolismo corrosivo repleto de metapoética e erotismo de Andes Chivangue, nome que merece maior visibilidade, assim como a maneira como Sangare Okapi e Mbate Pedro trabalham o lirismo erótico e a metapoética. Estas características também estão nos poemas de Tânia Tomé, Dinis Muhai, Manecas Cândido, para além do intimismo e das metáforas inusitadas e bem construídas de Helder Faifer e Manuela Xavier (Emmy Xyx).

Para finalizar, parabenizo a revista Zunai por esta bela iniciativa ao abrir espaço para os novos agentes deste país de poesia, tão perto e tão distante de nós, Moçambique.

UESPI e Nepa realizam II Encontro Internacional de Literaturas, Histórias e Culturas Afro-Brasileiras e Africanas

UESPI e Nepa realizam II Encontro Internacional de Literaturas, Histórias e Culturas Afro-Brasileiras e Africanas


O África Brasil – II Encontro Internacional De Literaturas, Histórias e Culturas Afro-Brasileiras e Africanas e IV Colóquio de Literatura Afro-Brasileira e Africana é uma realização do Mestrado em Letras da Universidade Estadual do Piauí- UESPI e do Núcleo de Estudos e Pesquisas Afro – NEPA e terá como tema: Memória e Construções Literárias.

As atividades se estenderão durante os dias 15, 16, 17 e 18 de novembro do corrente ano, nos turnos da manhã, tarde e noite. Este evento oportuniza a comunidade acadêmica e a sociedade em geral conhecimentos de Literatura, História e Cultura da África e da Diáspora negra, bem como de temas relacionados a Gênero e à Cultura Indígena, que constitui uma das ações estratégias e indispensáveis à inclusão dos conteúdos disciplinares referidos pela Lei 11.645/2008, do Presidente da República.

Na oportunidade será realizado o I Salão do Livro Universitário – SALIU que contará com a presença de editoras universitárias de todo o Brasil. As inscrições para o evento deverão ser efetuadas por meio de depositado identificado na conta do evento – Banco do Brasil – e o comprovante deverá ser digitalizado e enviado para o e-mail do evento (nepauespi@yahoo.com.br) juntamente com a ficha de inscrição. Agência Bancária: 3178-X / Número da Conta: 41.607-X

O participante deverá ainda atentar-se aos seguintes prazos:
15 de agosto a 14 de outubro: inscrições nas modalidades de COMUNICAÇÃO
15 de agosto a 04 de novembro: inscrição para ouvintes
21 de outubro: divulgação dos trabalhos selecionados

Para os participantes que se inscreverem na modalidade de COMUNICAÇÃO será exigido o envio da FICHA RESUMO juntamente com o boleto digitalizado e a ficha de inscrição devidamente preenchida. As normas para formatação dos trabalhos bem como de todo o evento está disponível no blog do evento: http://nepauespi.wordpress.com/

Os valores das inscrições seguem a seguinte tabela:

DATA GRADUAÇÃO PÓS-GRADUAÇÃO E OUTROS PROFISSIONAIS
até 30 de setembro R$ 40,00 - R$ 60, 00
até 21 de outubro R$ 50,00 - R$ 80, 00
até 04 de novembro R$ 60,00 - R$ 90,00

Para mais informações, poderão consultar o blog do evento ou encaminhar e-mail para nepauesi@yahoo.com.br

CONFERENCISTAS CONFIRMADOS:
Prof. Dr. Eduardo Assis Duarte – UFMG
Prof. Dr. Roland Walter – UFPE
Profa. Dra. Maria Anória – UNEB
Prof. Dr. Luiz Silva (Cuti) – Escritor dos Cadernos Negros e crítico literário – São Paulo
Profa. Viviane Fernandes Farias – Representante do MEC
Prof. Dr. Henrique Cunha Júnior – UFC
Miriam Alves – Escritora/São Paulo
Prof. Dr. Múleka Ditoka Wa Kalenga – República Democrática do Congo
 
Fonte: http://www.uespi.br/novosite/2011/09/22/uespi-e-nepa-realizam-ii-encontro-internacional-de-literaturas-historias-e-culturas-afro-brasileiras-e-africanas/

Para Onde Voam as Tartarugas, de Joaquim Arena


Para Onde Voam as Tartarugas, de Joaquim Arena

O romance Para Onde Voam as Tartarugas, de Joaquim Arena, é o terceiro livro do autor e apresenta um relato vivo das personagens, dos lugares e vivências da sociedade cabo-verdiana.

Christian Zardel é um menino de rua em fuga de um traficante de droga, que encontra abrigo num velho farol, onde vive Simplício, antigo faroleiro do mar traiçoeiro da ilha da Boa Vista. O velho farol e o ilhéu são também, para a bióloga marinha Selma e o ex-etarra Kiko, uma espécie de recanto paradisíaco, mas por diferentes razões, obviamente, enquanto as suas vidas secretas se vão abrindo e cedendo à atracção física que sentem um pelo outro e à crescente cumplicidade na defesa do meio ambiente e da espécie animal ameaçada. Na Ilha de São Vicente, um advogado português e um cidadão espanhol seguem a pista do ex-etarra, responsável pela morte violenta da esposa do segundo. Se o espanhol nada tem a perder nesta busca perigosa, para o advogado português é uma dose suplementar de adrenalina, nesta sua nova vida.

Alguns excertos de Para Onde Voam as Tartarugas:

“Naquela hora já estou é a pensar onde me vou esconder deles nos próximos tempos. Logo de seguida, fecho os olhos e vejo a imagem do meu corpinho magricela enrolado no chão; a cara coberta de sangue e a levar pontapés e socos de todos os lados: a levantar-se e a cair outra vez. Vejo-me a entrar em casa, ajudado pelo meu irmãozinho, e a minha mãe, na sua escuridão, coitada, a tactear a minha cara partida.. Continuo a ver estas coisas todas mesmo depois de abrir os olhos. Há coisas que temos a certeza que nos vão acontecer; se não fizermos nada elas acontecem mesmo. Se fizermos, o mais provável é acontecerem na mesma.”

“Não era possível dizer ao certo que expressão lhe marcava o rosto naquele instante. Estava de pé na praia, do outro lado do canal: os braços descaídos, ao longo do corpo - a silhueta batida pelo vento. Mas à medida que o bote se aproximava revelava-se nela, debaixo da resoluta serenidade, uma emoção contida. Do outro lado do canal, o velho Simplício viu quando o basco acelerou o motor antes de o desligar e levantar a hélice para a proteger do embate no chão. O bote deslizou então por sobre as ondas e imobilizou-se na areia.”

“Abri a porta de um dos quartos e Kiko Rukya Olazabal esperava-me, lá dentro, de pé, com uma arma apontada à minha cabeça. Fiquei paralisado. Tinha o braço e o ombro esquerdo anfaixados por uma ligadura vermelha de sangue. Olhei para aquele cano apontado na minha direcção e pensei que assim que ele premisse o gatilho estaria tudo acabado. O braço começou a tremer-lhe. Estava sem forças, pensei. Deveria ter perdido muito sangue. Não aguentaria estar de pé por muito mais tempo. Mas o tempo que demorou até cair de borco, à minha frente, pareceu-me uma eternidade. Um momento que se transformou numa pergunta abafada no meu espírito.”

Joaquim Arena: entrevista para Expresso das Ilhas

Joaquim Arena: “Para Onde Voam as Tartarugas” apresentado em Lisboa

“Para Onde Voam as Tartarugas” é a mais recente obra de Joaquim Arena. Uma edição da Caminho, que apresenta “um relato vivo das personagens, dos lugares e vivências da sociedade cabo-verdiana”, segundo a editora. O lançamento da obra teve lugar em Lisboa, na livraria CEBuchholz, tendo cabido a apresentação ao editor Severino Coelho e a análise a António Loja Neves, jornalista do semanário “Expresso”, realizador de cinema e documentarista. O Expresso das Ilhas esteve presente e entrevistou o escritor.

Já passaram quatro anos desde o lançamento do seu último livro. Como surgiu esta nova obra?
A história deste livro é engraçada, tendo existido vários momentos para a sua conceptualização. Há uns anos atrás estive na ilha de Santa Luzia, na qual tive uma experiencia fantástica. Na ilha estive com uns amigos a acampar e tive a oportunidade de explorá-la. Numa das incursões nocturnas pela ilha pude observar tartarugas marinhas a desovar, ou seja, a fazer o buraco na areia para o seu ninho e a subsequente postura. Para mim foi fascinante estar junto de animais destes, porque, além da sua história, são criaturas que sobreviveram à era dos dinossauros. Toda esta experiência ficou-me retida na memória. Uns tempos mais tarde, ainda trabalhava no jornal A Semana quando me chegou às mãos uma reportagem, relativa a uma bióloga que estava a estudar tartarugas marinhas numa praia deserta da ilha da Boa Vista. Neste sentido, juntei a minha vivência e a perspectiva de uma bióloga.
Alguns meses mais adiante estive com uns amigos em S. Vicente, que por sua vez tinham outros amigos, sendo um deles, um cidadão espanhol. Num serão de convívio, fomos conversando pela madrugada dentro e no final dessa noite, quando o mesmo foi embora, um dos meus amigos questionou-me se sabia quem era o espanhol, ao que respondi negativamente. De forma pronta o meu amigo explicou: “era um basco, um antigo etarra, um operacional, um terrorista! Há aqui alguns, pois houve um convénio entre o Governo de Cabo Verde e o Espanhol, para os mesmos se exilarem aqui em troca de alguns investimentos.” A história que acabara de ouvir era singular e no final o meu amigo ainda acrescentou: “este homem é ainda responsável por cinco ou seis assassinatos”. Fiquei incrédulo perante esta revelação, pois o homem que considerei simpático, com o qual falei durante horas e aparentava ser um homem normal de passagem por Cabo Verde, era afinal um activista político.
Perante tais realidades e perspectivas reflecti: em ilhas isoladas no meio do oceano conseguimos ter encontros inesperados que, por exemplo, em Lisboa não seriam tão prováveis descobrir. Quando voltei para Portugal comecei a efectuar as minhas pesquisas, coloquei o nome do indivíduo espanhol em causa e li o seu histórico. Foi neste momento que estas várias etapas da minha vida se começaram a encaixar e me ocorreu que o resultado poderia ser uma história em que as pessoas se conheciam na ilha da Boa Vista. Foi desta forma que avancei para a história, em que já tinha as personagens e só me faltava o enredo.

Podemos considerar uma obra autobiográfica?
Tem algumas passagens da minha experiência. Grande parte do que nós escrevemos reflecte, ou a nossa experiência, ou a experiência de pessoas que nos são muito próximas, pois ninguém escreve sobre algo totalmente desconhecido. Nós não inventamos, ou seja, não criamos as histórias de uma esfera superior. O que escrevemos tem sempre uma ligação directa com o que conhecemos e vivemos, misturando parte das nossas experiências com aspectos imaginados.

Roaquim foi uma personagem necessária?
Quis brincar um pouco e inventei um advogado, o Roaquim, porque é a forma como os espanhóis pronunciam Joaquim. Como sabemos, os espanhóis não têm uma aptidão inata para línguas estrangeiras, e quando o fazem, deixam muito a desejar. Roaquim é uma personagem baseada de certa forma na experiência que tive enquanto advogado em Cabo Verde. Nessa etapa da minha vida era um advogado muito especial, porque só defendia quem não tinha dinheiro para solicitar um advogado, ou seja, só defendia pobres, como por exemplo, os desgraçados dos rapazes de rua que roubavam. Considerava que tinha muito mais interesse estar a defender pessoas que não tinham como pagar um advogado. O Ministério da Justiça era quem me pagava, mas eu tinha muito prazer e satisfação em ajudar, por exemplo, uma pessoa pobre a não ser despejada de sua casa. O lado social da advocacia é o que mais me atrai e esta experiência está reflectida em algumas passagens do livro.

A quem é que se destina este romance?
O romance tem uma carga ecológica como frisou o António Loja Neves na apresentação: nós brincamos e contamos histórias, porém, estamos a falar de aspectos muito sérios. Por exemplo, estamos a falar da ilha da Boa Vista que tem longos quilómetros de areal, os quais são os locais escolhidos há milhões de anos pelas tartarugas. Na nossa era vemos que começam a surgir inúmeras propostas de desenvolvimento hoteleiro nesses locais, que acabam por ter influência no habitat e no meio ambiente de Cabo Verde. Gostaria muito que a história pudesse ser vista como uma espécie de alerta para o investimento no turismo de massas, que mal concebido pode aniquilar estas praias, o meio ambiente e as tartarugas marinhas. É um risco muito grande que estamos a correr.

É também uma crítica à sociedade cabo-verdiana...
Considero que o Governo e os decisores políticos estão conscientes destes riscos, mas, como em todo lado há sempre brechas, podendo surgir propostas menos consentâneas com o desenvolvimento equilibrado. Obviamente que temos de promover o turismo, no entanto, não podemos abdicar da salvaguarda do meio ambiente. Penso que a sociedade cabo-verdiana, de uma forma geral, está cada vez mais sensibilizada para esta questão.
Algumas praias já estão destinadas a proteger a desova das tartarugas, além disso, as próprias populações estão a ficar mais conscientes que uma tartaruga marinha viva vale mais do que uma morta, na medida em que as mesmas fomentam o turismo, conseguindo desta forma obter mais proveitos.

Podemos aprender a gostar de Cabo Verde através do seu livro?
Penso que sim, apesar de não ser esse o objectivo principal, pois não se trata de um guia de viagens, contudo, consigo imaginar alguém, que nunca tenha visitado Cabo Verde e que leia o livro, a encontrar aspectos que apelem à descoberta, aventura e ao conhecimento, podendo ficar com uma ideia do que existe neste momento e perceber alguns aspectos muito curiosos da sociedade crioula.

Para quando a publicação do livro em Cabo Verde?
Já foram enviados alguns exemplares para a Feira do Livro na Praia e vão seguir mais alguns para S. Vicente. Mais tarde espero vir a ter o lançamento oficial em Cabo Verde e o livro ficar disponível para quem quiser em todo o arquipélago.

Como vê o panorama literário em Cabo Verde?
Como vivo em Portugal tenho um conhecimento externo sobre o assunto, todavia, como sou jornalista e trabalho num portal de internet que têm essencialmente notícias de Cabo Verde, consigo constatar que continuamos a publicar muito. Em termos populacionais, quando comparado com outros países, penso que Cabo Verde está na liderança do ranking dos países que mais publicam e com maior tiragem. O arquipélago tem cerca de 500 mil habitantes e as obras cabo-verdianas têm tiragens de mil ou dois mil habitantes, efectuando esta comparação com outras nações percebemos que é um rácio per capita extraordinário. As pessoas continuam interessadas em ler, porém, ao nível da ficção é diferente, é um espaço mais difícil de escrever e publicar, mas isto é verdade em qualquer parte do mundo. Os livros não são só ficção e podemos dizer que temos uma cultura livresca em Cabo Verde, que se mantém até agora. Por exemplo, também há propostas interessantes ao nível da investigação.

O que vem em primeiro lugar: a advocacia, o jornalismo ou a escrita?
Até agora tem sido o jornalismo, pois a literatura tem sido uma incursão pontual. Obviamente que quero manter esta incursão, porque na verdade tenho várias ideias, penso nelas e vão-se desenvolvendo, por isso, espero que as personagens se enquadrem para começar a vislumbrar o livro.
Quanto à advocacia estou a pensar em voltar a exercer aqui em Portugal. Não é uma advocacia para enriquecer, mas sim a que trabalha com o pobre, neste caso com os imigrantes aos quais podemos resolver muitos problemas. Continuo muito interessado no lado social da advocacia. Para mim a advocacia é a actividade na qual posso fazer a diferença e ajudar as pessoas, porque muitas vezes nestas sociedades europeias muito frias e rápidas, há pobres migrantes que estão aqui e dependem muitas vezes de encontrar um profissional que os ajude.

A história de “Para Onde Voam as Tartarugas”
Christian Zardel é um menino de rua em fuga de um traficante de droga da ilha de S. Vicente, que encontra abrigo num velho farol, onde vive Simplício, antigo faroleiro do mar traiçoeiro da ilha da Boa Vista.
O velho farol e o ilhéu são também, para a bióloga marinha Selma (que estuda tartarugas marinhas) e o ex-etarra Kiko (exilado em Cabo Verde e um apaixonado por cones, conchas que existem nas ilhas), uma espécie de recanto paradisíaco, mas por diferentes razões, obviamente, enquanto as suas vidas secretas se vão abrindo e cedendo à atracção física que sentem um pelo outro e à crescente cumplicidade na defesa do meio ambiente e da espécie animal ameaçada.
Em São Vicente, o advogado português Roaquim é contratado por Guillermo Garcia, cidadão espanhol, para encontrar o paradeiro de Kiko. Guillermo representa um grupo de familiares das vítimas de um atentado levado a cabo pelo etarra exilado. As vidas das personagens acabam por se entrelaçar, numa espécie de destino imutável.

Quem é Joaquim Arena?
Joaquim Arena nasceu em 1964, na ilha de São Vicente, Cabo Verde, filho de pai português e mãe cabo-verdiana. No final dos anos sessenta chega com a família a Portugal. Depois de viajar pela Europa, regressa a Lisboa, no início dos anos noventa, onde se licencia em Direito. Dirige algumas revistas de temática lusófona, como a África Hoje, ao mesmo tempo que desenvolve projectos na área musical.
De regresso a Cabo Verde, nos finais de noventa, fundou o jornal O Cidadão, foi advogado, jornalista, assessor cultural da Alliance Française do Mindelo.
Em 2000 publicou a novela Um Farol no Deserto. De regresso a Lisboa, publicou A Verdade de Chindo Luz, considerado o primeiro romance sobre a comunidade cabo-verdiana residente em Portugal. Actualmente é jornalista no portal de internet Sapo.cv.

é a mais recente obra de Joaquim Arena. Uma edição da Caminho, que apresenta “um relato vivo das personagens, dos lugares e vivências da sociedade cabo-verdiana”, segundo a editora. O lançamento da obra teve lugar em Lisboa, na livraria CEBuchholz, tendo cabido a apresentação ao editor Severino Coelho e a análise a António Loja Neves, jornalista do semanário “Expresso”, realizador de cinema e documentarista. O Expresso das Ilhas esteve presente e entrevistou o escritor.

4-8-2010, 11:41:55
João Pinheiro Costa, Correspondente em Lisboa