quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Nina Silva e Akins Kintê - “Incorporos - Nuances de Libido” (lançamento RJ)


Livro “Incorporos - Nuances de Libido”. É Prazer em versos da Poesia Negra.

O lançamento do livro “InCorPoros – Nuances de Libido” dos autores Nina Silva e Akins Kintê será no dia 01 de dezembro, a partir das 19h, no Centro de Artes Caloustre Gulbenkian (rua Afonso Cavalcanti, 125 – próximo ao Terreirão do Samba). Para este dia, a programação inclui apresentação musical com Augusto Bapt e o Jongo Contemporâneo, dança afro e recital de poesia e literatura preta erótica. Entrada gratuita.

Pele, suor, envolvimento e sensibilidade. É assim que os autores do livro “Incorporos- Nuances de libido” oferecem aos leitores e leitoras suas poesias. Depois de ser lançando na cidade de São Paulo, chegou a hora da cidade carioca apreciar o prazer desta escrita literária. O livro lançado com o selo do Ciclo Contínuo de Literatura, além de ser pura poesia desnuda e erótica, traz uma particularidade: ele busca traduzir o ato singular de dois corpos no furor dos relacionamentos entre homens negros e mulheres negras.

Autores: Nina Silva e Akins Kintê
Edição: Ciclo Contínuo de Literatura
Organização: Marciano Ventura
Capa: Iléa Ferraz
Desenhos: Marcos Sousa Ferraz
Diagramação e arte finalista: Denis Quintal
Prefácio: Lia Vieira

Serviço:
Lançamento do livro “InCorPoros – Nuances de Libido”
Onde? Centro de Artes Calouste Gulbenkian (rua Afonso Cavalcanti, 125 – Centro / RJ – próximo ao Terreirão do Samba).
Quando? 01 de dezembro.
Que horas? A partir das 19h.
Realização: Burburinho Soluções Produções Artísticas - http://burburinhoproducoes.blogspot.com/

Homenagem às Damas Negras - Renascença Club

sábado, 26 de novembro de 2011

Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica, lançamento/RJ

Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica, 4 vol. Editora UFMG


LANÇAMENTO: 28 de novembro, segunda-feira, 18:00

AUDITÓRIO MACHADO DE ASSIS - BIBLIOTECA NACIONAL

(entrada pela Rua México)

HOMENAGEM: Abdias Nascimento

CONVIDADOS ESPECIAIS

Ana Cruz, Cidinha da Silva, Conceição Evaristo, Cristiane Sobral, Cyana Leahy, Domício Proença Filho, Éle Semog, Francisco Maciel, Joel Rufino dos Santos, Júlio Emílio Braz, Leda Martins, Lia Vieira, Mãe Beata de Yemonjá, Martinho da Vila, Muniz Sodré, Nei Lopes, Paulo Lins, Rogério Andrade Barbosa, Salgado Maranhão.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Calane da Silva vence Prémio José Craveirinha


África 21 - DF

22/11/2011 - 10:15

Literatura


Moçambicano Calane da Silva vence Prémio José Craveirinha
Da bibliografia de Calane da Silva constam obras como "Lírica do Imponderável", "Xicandarinha na lenha do mundo", "Dos Meninos da Malanga", "Olhar Moçambique", entre outros.
Da Redação

Maputo - O escritor moçambicano Calane da Silva venceu o Prémio José Craveirinha, o maior galardão literário do país, que distinguiu a sua carreira na literatura e no ensaio, foi anunciado nesta terça-feira (22).

O Prémio José Craveirinha, instituído pela Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), tem um valor pecuniário de 700 mil meticais, equivalente a cerca de 19.500 euros.

Da bibliografia de Calane da Silva constam obras como "Lírica do Imponderável", "Xicandarinha na lenha do mundo", "Dos Meninos da Malanga", "Olhar Moçambique", entre outros.

Ex-jornalista, docente universitário e antigo responsável pelo Centro Cultural do Brasil em Maputo, Calane da Silva, 66 anos, sucede a escritores como Mia Couto, João Paulo Borges Coelho, Paulina Chiziane e Ungulani Ba Ka Khosa.
 

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Amosse Mucavele - Relógio (poema inédito)

Relógio

À Marilía mulher que o tempo levou

É impossível que eu durma sem dar uma palmada no teu vertiginoso trilho

Impossível é, o meu acordar sem saudar a sua majestade voz

É impossível que eu me sente a mesa antes de namorar a sua redonda face

Impossível é, que eu vá ao serviço na sua ausência

Resumindo: é impossível que eu viva sem ti, pois você é a menina dos meus olhos, de beleza infindável , incontornável é a sua sabedoria secular.

O teu silêncio ensina a pontualidade a falar todas as línguas

Querida, ensina-me a fabricar verdades a hora certa. sabe admira-me bastante este seu jeito de ser e estar. mulher de mil e uma face pintadas a mesma cor ..

No pulso da parede que assombra a sala você declara o seu amor de forma leve, e eterna

Na parede do meu braço nossos sentimentos percorrem 365 dias sem intervalo, acendem o brilho das estrelas que iluminam o mundo.

A surdez dos ponteiros apontam o gatilho a nudez dos números, pois a muito que anda teso………..

Nós impávidos, assistimos a interminável guerra dos dois amantes

Que a cada hora carregam a certeza da morte dos sonhos e o nascer da nova aurora

Eu e você, meu amor, escalaremos a montanha que cresce a cada olhar esboçado a compasso No cronómetro da distância que tem a nossa cara: o tempo - onde a hora se enamora com os minutos e os segundos. bjaooooo
 
(Amosse Mucavele)

Tchalê Figueira - poema inédito

Para o Ricardo Riso, no outro lado do Atlantico( um Axé à Bahia)


A ampulheta
media o tempo

Novo Mundo na
sua solitária
música de ondas

rendilhados na
aurífera areia
olhos indígenas
de nocturno azeviche

na linha do horizonte
As caravelas…

Pólvora negra
acendeu relâmpagos
selva violada
homens tombando
cruzes e gládios

o
livro negro
“palavra de Deus”
grilhetas sangrando…

atravessando
o Atlântico
levaram escravos

mas mais vale morrer
do que ser cativo
Zumbi dos Palmares
Oh liberdade!
 
Poema de Tchalê Figueira enviado em 8/11/2011.

Lívia Natália - Água Negra (livro)

Água Negra


Chove muito na cidade.
No asfalto betumoso
um sangue transparente,
ora de um rubro desencarnado,
ora encardido de um cinza nebuloso,
é vomitado em cólicas
por toda a parte.


Das paredes duras vaza um mais escuro que,
imagino,
seja a água mordendo as estruturas.


A água é assim:
atiçada do céu,
infinita no mar,
nômade no chão pedregoso,
presa no fundo de um poço imenso:
a água devora tudo
com seus dentes intangíveis.




LÍVIA NATÁLIA

Água Negra é um mergulho pra dentro de nós mesmas. Depois de séculos sendo personagem, nos tornamos senhoras de nossas histórias. Sem o imaginário preconceituoso de uma sociedade branca, racista, sexista, homofóbica, judaico-cristã, na tarefa incansável de sair do lugar de submissão e inferioridade historicamente reservado às escritoras negras. A mulher negra como mero objeto de uso e abuso masculino: ora explorada sexualmente, ora máquina insaciável de prazer. Água Negra nos devolve nosso corpo.

É revigorante e motivador acompanhar a reelaboração da mulher negra através dos escritos de Conceição Evaristo, Alzira Rufino, Esmeralda Ribeiro, Elizandra Souza e agora, Lívia Natália, uma grande alegria. Felicidade maior ainda em saber que Água Negra será lido na contramão das estatísticas.

A invisibilidade de escritoras negras no mercado literário não quer dizer que inexista uma produção fora do mainstreem das grandes editoras – assim como a invisibilidade de nomes na literatura brasileira não significa que elas não tenham existido, registros datados a partir de 1700 revelam escritoras como Rosa Egipcíaca, Teresa Margarida, Maria Firmina dos Reis, Luciana de Abreu, Auta de Souza, até chegarmos em Carolina Maria de Jesus, sem dúvida, um divisor de águas, já que foi fortemente comentada pelos meios de comunicação, ainda que tenham investido em desautorizá-la.

Toda vez que uma mulher negra fala por si mesma numa obra literária, ela empodera e dá voz a milhares de outras mulheres, Negras ou não.

A escrita de Lívia é “das delicadezas”, uma escrita de saia rodada, feminina e afiada. Ela carrega um abebe e um ofá e baila tanto ao som do agueré quanto o ijexá. Com sua voz macia, porém firme, nos guia por céus estrelados e nos desagua no colo de Orixás Omi.

Água Negra é um pedaço de mim, de você, das nossas e dos nossos. É água, Omi, barriga fértil gerando sonhos, desejos, esperanças.

Como todo rio, segue o seu curso e quando necessário traça novos caminhos. Lívia nos conduz por esses caminhos. A sua poesia é assim, tem passado e futuro, amor e dor, doce e amargo. Água Negra, como nós, mulheres negras, tem raízes e asas.

Mel Adún é jornalista e poeta dos Cadernos Negros

Água Negra foi o livro premiado pelo Projeto de Cultura e Arte do Banco Capital, categoria poesia, no ano de 2011.
 
Lívia Natália é Soteropolitana e como boa filha de Osun, se criou nas dunas no Abaeté. É poeta e contista, suas primeiras missões afetivas. Além disto, é Doutora em Letras pela Universidade Federal da Bahia na área de Estudos Literários e é Professora Adjunta do Setor de Teoria da Literatura na mesma instituição. Quando criança não tinha grandes narrativas a contar na volta das férias, então inventava. Nasce aí a ficcionista. A poeta vem desde sempre, descosendo o mundo. Descobriu a intimidade com as palavras muito cedo. Por isto, além de ministrar disciplinas de Teoria da Literatura, discute a produção literária contemporânea em seus artigos e ensaios e trabalha com oficinas de Criação Literária na Universidade e em casas de repouso, escolas e ONGs de apoio a crianças e adolescentes em situação de risco. Água Negra é seu livro de estréia.