quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Carlota de Barros - Sonho Sonhado


Carlota de Barros – Sonho Sonhado
Ricardo Riso
Resenha publicada no semanário A Nação, n. 227, p. E21, de 5 de janeiro de 2012

A primeira percepção positiva do terceiro livro de poesia de Carlota de Barros é a ousadia, que complemento como dever cívico a Cabo Verde, em razão da edição trilingue em língua materna cabo-verdiana, português e inglês. O primeiro livro de poesia com essa característica em seu país. “Sonhu Sunhadu”, “Sonho Sonhado”, “Dreamt Dream” é uma republicação ampliada do IBNL, ano de 2010, contém 55 poemas, prefácio de Teobaldo Virgínio, tradução para a língua materna de Viriato de Barros e Maria Sedovem Kemp, para o inglês.

Carlota de Barros Fermino Areal Alves nasceu na Ilha do Fogo em 24 de Janeiro de 1942. Durante a infância viveu nas Ilhas do Fogo, Brava, S.Nicolau e S.Vicente. Em 1949 mudou-se, com a família, para Moçambique onde permaneceu até 1957, ano em que partiu para Portugal. Neste país licenciou-se em Filologia Germânica, na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa. Mora em Portugal desde 1974, mas visita constantemente o seu país.

Carlota de Barros é colunista do Jornal Artiletra, tem textos publicados na Revista Pré-Textos e em outras revistas de Letras e Artes. Em 2000, lançou o seu primeiro livro de poesia, “A Ternura da Água”; em 2003, “A Minha Alma Corre em Silêncio”.

Em “Sonho Sonhado” aprofunda-se sua escritura melancólica, sensível, terna, com um olhar diaspórico saudoso da terra-mãe, ainda assim crítico às injustiças sociais não solucionadas do passado e aos problemas da contemporaneidade, no qual o sujeito lírico distante por anos de exílio deambula por lugares de sua memória afetiva contaminados pelos novos dramas, como bem inferimos no poema “Regresso à terra”: “caminhões hiaces/ vendedores/ mandjacos e chineses/ raparigas e rapazes ociosos/ olham-te curiosos// ninguém te conhece/ não conheces ninguém”. Porém, sensação de estranhamento logo dissipada com o calor dos antigos amigos: “alguém toca-te/ um abraço familiar (...)// a tua alma alegra-se/ nada mais te dói/ a terra acolhe-te/ sorri-te hospitaleira”.

O retorno é doloroso, composto por lembranças de um triste passado enfatizado na secura da constatação do poema “Seca”: “Não gostaria de ter visto/ os altivos coqueiros de pé/ a morrer sem um gemido/ o esplendor das árvores/ a murchar em silêncio// Não gostaria de ter visto/ mas vi/”. Porém, o olhar transfigura-se em comovente e generoso desejo do sujeito lírico em fornecer o acalanto ao seu alcance, a poesia de afeto: “Se eu pudesse/ também meus versos/ seriam chuva/ e se o mar fosse milho// a nossa terra seria rica”.

Ohar terno, de ternura da água cabo-verdiana da poeta que persiste na vasta diáspora com a notícia das chuvas no arquipélago a motivar recordações afetivas do bem que virá: “Ouvi dizer/ que chove nas ilhas/ e que a terra rejubila de frescura”.

Afeto expandido às mulheres e às influências literárias e culturais do país, passam pela morna e batuque, por músicos como Ildo Lobo e poetas como Eugénio Andrade – admiração celebrada em dois belos poemas em prosa –, Sophia de Mello Andresen e Ovídio Martins, sendo que no poema de contestação social dedicado a este é clara a intertextualidade com “Um poema diferente” de Onésimo da Silveira.

Uma poesia de ternura, de afeto ao seu povo e às suas ilhas, por outro lado, de palavra contestatária e de denúncia social presente em poemas como “Os homens enlouqueceram” e “Dias de traição”, mas, sobretudo, de sonho, de sonho sonhado, talvez por isso, as constantes referências ao azul, cor do céu, do mar, do infinito, por fim e ao cabo, da sensibilidade desmesurada, do lirismo afetuoso, da fraternidade poética a insistir em um sonho possível: “venham todos/ os que partiram/ ergam os braços aos céus/ pelo sonho sonhado/ por uma terra com brilho/ caminhos claros/ esperanças forçadas// levantem-se todos/ por este sonho sonhado”.

*

A Diva dos Pés Descalços – presto minha solidariedade à dor do país nessa hora di bai de Cesária Évora. Cisé de voz cativante, de música para o mundo, expressão máxima da cultura cabo-verdiana.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Jorge Carlos Fonseca - surreal e beat (resenha)


Jorge Carlos Fonseca - surreal e beat
Ricardo Riso
Resenha publicada no semanário cabo-verdiana A Nação, nº 224, p. A14, 15 de dezembro de 2011.

A poesia de Jorge Carlos Fonseca, atual Presidente da República de Cabo Verde, consagrou-se pela subversiva experiência com a linguagem e a palavra lapidada por um viés surrealista, absorvendo do movimento articulado por André Breton o que há de contestação à realidade vigente, na procura de transformação do mundo em investigações no inconsciente, na proposta de revolucionar a linguagem para atingir a libertação do homem a qualquer forma de opressão.

Nesse sentido, sua poesia dos livros “Silêncio Acusado de Alta Traição e de Incitamento ao Mau Hálito Geral” (1995), “Porcos em Delírio” (1998) e em diversas antologias e revistas, assume um caráter corrosivo e único no arquipélago ao ressignificar a indignação com a sociedade, ainda que boa parte de sua lírica se afaste de temas tipicamente cabo-verdianos.

Destaca-se um poema de caráter diaspórico, “Quis-te ausente, poesia interdita, para melhor abraçar a América” (de 1978, publicado em Mirabilis – de veias ao sol, antologia organizada por José Luis Hopffer Almada), sobre as deambulações do poeta por Nova York, e propõe-se um diálogo com o beatnick Allen Ginsberg (AL) nos poemas “Uivo” (U) e “América” (A), do livro “Uivo e outros poemas” (1956). Os beatnicks fizeram uma revolução na linguagem e nos valores literários, e eram contrários ao american way of life. Resgatavam Walt Whitmann, os simbolistas franceses, dentre outros. Em textos na primeira pessoa, escancaravam experimentações de diversas ordens, desde sexuais e políticas, ao farto uso de drogas em delirantes viagens ao som do jazz. Ginsberg, Jack Kerouac e W.S. Burroughs foram os grandes nomes dessa geração.

Interessante o título de Quis-te ausente... pois ao mencionar a poesia interdita o sujeito lírico de Fonseca para melhor compreender a América aproxima-se de características marcantes da literatura beatnick sem perder a sua vertente surrealista. Percebe-se a deambulação – “seventy avenue south (...)/ broadway soho Michigan” –, em seus 46 versos as imagens são colagens inusitadas, as metáforas insólitas e a difícil busca pela liberdade – “A mulher longilínea de esporas/ segue loira atenta expedita/ os golpes ágeis doridos/ michael cavin drummer contagiado/ pela dor castanha da liberdade/ momentaneamente conseguida”, enquanto em AL a recusa à ordem estabelecida: “Eu estou cheio de suas exigências malucas (...) Sua maquinaria é demais para mim” (A). JCF expõe a decadência do país: “América/ ferida todas as noites todas as madrugadas/ (...) semanalmente prostituta e lira/ diariamente virgem violentada pintura fantástica seqüestrada”, tal como em AL: “Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus” (U). Na fusão delirante jazz/sexo bem ao gosto beat em JCF: “enquanto Walter Bishop jr. fabrica/ o frio e o quente/ ora melódicos distantes sexuados/ ora desabridos irreverentes pudicamente revoltados”, e em AL, “na roupagem fantasmagórica do jazz (...) fizeram soar o sofrimento da mente nua da América” (U). A crítica social a desmascarar o sonho americano em JCF: “na escuridão igualitária/ de lobos mendigos alcoolizados/ acompanhando ternos/ os uivos violentos/ orgasmo guilhotinado/ nesta américa elegante vagabunda pulmões vitaminados?”, como em AL: “Quando poderei entrar no supermercado e comprar o que preciso só com a minha boa aparência?” e “Nem falo das minhas prisões ou dos milhões de desprivilegiados que vivem nos meus vasos de flores à luz de quinhentos sóis” (A).

O estilo ágil de Allen Ginsberg favorece a acidez poética de Jorge Carlos Fonseca diante da crise de uma “América em lágrimas” (U). Fonseca, um sujeito deslocado de seu espaço, antropofagicamente, devora características dos beatnicks e mantém intacta a voracidade de seu surrealismo. Assim encerra o vate cabo-verdiano: “confundi teu sorriso roubado e ausente/ com teus gestos fiéis e perfurantes/ (...) américa vistosa e vermelha/ estátua da liberdade solta e de cabelos ao vento”.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Cristiane Sobral - Espelhos, Miradouros, Dialéticas da Percepção (livros)

Novo livro de Cristiane Sobral: Espelhos, Miradouros, Dialéticas da Percepção (contos).

Tânia Tomé - M’bique, conversas com a sombra (lançamento)



POSFÁCIO Uma leitura de “M’bique, conversas com a sombra”
Ricardo Riso, 30 de novembro de 2011.

A expectativa gerada por “Agarra-me o sol por trás”, primeiro livro de poesia de Tânia Tomé, poderá ser saciada por seus leitores com a sua segunda incursão poética que agora se apresenta com o enigmático título: “M’bique, conversas com a sombra”. Após o peso e a pressão da estreia, o livro seguinte de um(a) autor(a) carrega a responsabilidade da confirmação gerada pelo primeiro ou a decepção de um brilho fugaz ao qual o atual não se mostra compatível ao esperado. Caberá ao leitor esse exercício.

Neste novo livro, o conjunto de poemas apresenta questões de ordem ontológica de extremo interesse em um precioso labor com a linguagem, com a palavra poética. No “útero de palavras” aqui proposto, temos a ressignificação dos sentidos inertes empregados no cotidiano a convidar o leitor a refletir a sua existência e por isso as provocações interrogativas direcionadas a nós: “Entendes?”, “Confundiste-te agora?”.

O sujeito lírico de Tânia Tomé expõe suas indagações associando-as a um trabalho de renovação da linguagem, “O meu gosto em falar uma língua que não existe”, o que remete às considerações de Roland Barthes em “Aula” acerca do uso da língua:

Só nos resta, por assim dizer, trapacear com a língua, trapacear a língua. Essa trapaça salutar, essa esquiva, esse logro magnífico que permite ouvir a língua fora do poder, no esplendor de uma revolução permanente da linguagem, eu a chamo, quanto a mim: literatura. (...) porque é no interior da língua que a língua deve ser combatida, desviada: não pela mensagem de que ela é instrumento, mas pelo jogo de palavras de que ela é teatro. Posso portanto dizer, indiferentemente: literatura, escritura ou texto. As forças de liberdade não dependem da pessoa civil, do engajamento político do escritor, (...) mas do trabalho de deslocamento que ele exerce sobre a língua.

O ato de trapacear a língua encontra no fazer poético o seu espaço de excelência, pois o sujeito lírico possui a liberdade para deslocar as palavras do seu sentido usual e, ao mesmo tempo, procurar um novo sentido para a existência: “Aprendi a ser, de maneira difícil,/ sendo à medida que crescia para dentro,/ encolhendo os verbos. Distorcendo-os (...)”. Trata-se de um processo de interiorização do ser, de uma poética do eu para ampliar os sentidos adormecidos das palavras; nessa direção, encontrar a liberdade. Tal procedimento é por demais conhecido e consagrado na literatura moçambicana pelo célebre escritor Mia Couto, mas que neste livro de Tânia Tomé encontramos, em nosso entendimento, ressonâncias maiores na poesia do brasileiro Manoel de Barros.

Barros é autor de uma poesia de extrema criatividade e ludicidade com a palavra, deslocando-a e revelando surpreendentes e inusitados sentidos que espantam por subverter o real de forma radical. Não há como não lembrar do velho Manoel quando lemos o supracitado verso de Tomé: “O meu gosto em falar uma língua que não existe”; enquanto ele versifica da seguinte maneira em seu “Livro das Ignorãças”: “Usar algumas palavras que ainda não tenham idioma.” É nesse processo de desconstruir a linguagem, por conseguinte, descoisificar a realidade que o sujeito lírico de Tomé chama atenção para a urgente necessidade de transgressão do ser, de se ter “jeito de não ser”. Para isso, as imagens retratadas pelo sujeito lírico tornam-se dissonantes, surreais, sendo necessário – e retornamos a Manoel de Barros – desinventar objetos – e que na poesia de Tomé assim aparece: “Na casa tinha um televisor preto e branco. O evidente é que esse televisor só poderia ser de cartolina evidentemente, mais não podia ser.”

Para complementar a visão crítica que se apresenta nesses novos poemas de Tânia Tomé, fundamental é o olhar para as descobertas das crianças: “Há coisas que só as crianças conseguem enxergar. Coisas do acredito”; de um olhar questionador à busca do “criançamento das palavras” de Manoel de Barros, desse olhar para o novo, que se maravilha com o inusitado a ponto do sujeito lírico retomar outro poeta brasileiro, Carlos Drummond de Andrade, e o seu célebre poema “No meio do caminho”. Para o sujeito lírico, “isso era o mais interessante da pedra, o incerto.” A pedra no meio do caminho como obstáculo para movimentar as dúvidas e inquietações do ser, de se tornar a mola propulsora para a investigação que gerará a descoberta, a elevação para um novo ser indagador e criativo. Poeta.

Na sua intensa vontade de desaprender para ser, mergulhado em suas indagações ontológicas ainda assim o sujeito lírico mostra-se político e preocupado com o tempo e com o meio que vive e demonstra ser extremamente moçambicano, vinculado à terra-mãe ao reverenciar sua cultura e a sua literatura relacionada ao macrotema da ilha – “Eu tenho uma ilha dentro de mim, navegando-me inteiro o todo, o tudo./ Oi ilha, dentro de mim!” –, ao encontrarmos ecos de Eduardo White, Mia Couto, Rui Knopfli e Luis Carlos Patraquim, apenas para citar alguns, e apresenta com virulência que a inquietação do ser também passa pela da nação moçambicana e os caminhos tortuosos desde a independência: “a terra tem sintoma, tem problema de existir,/ sofre de sofrer, e tudo por onde fenda/ vive mora numa hemorragia vermelha/ sem pressa de acabar”.

Uma profunda viagem ao âmago do ser é proposta pelo sujeito lírico, assim como as ressonâncias sociais e políticas que acompanham essa desconstrução do antigo ser para o nascimento de um novo ser a desvelar o “nosso futuro por vir”, espaço da utopia, espaço que encontra abrigo na palavra poética, que conduz o sujeito lírico a recordar o ainda necessário poema de José Craveirinha de recusa do real desigual e desumano. Por isso, aqui compartilhamos o sentimento de reconstrução e dizemos SIA-VUMA!

É essa vocação utópica da poesia que Tânia Tomé em “M’bique – conversas com a sombra” convida à reflexão aos constrangimentos do presente, suas incertezas e desenganos, e por meio da palavra poética pensar nossa existência para assim partirmos à constituição de um novo ser, “e aí, só aí seremos. M’bique.”

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica, lançamento/BA

sábado, 10 de dezembro de 2011

Trajanno Nankhova Trajanno - Laço de Aço Lasso


Sobre a Obra Nok Nogueira, escritor e jornalista, frisou que "Laço de Aço Lasso", de Trajanno Nankhova Trajanno, vale-se pelo apurado exercício poético, pelo lapidar da palavra, isto é, que resulta de uma certa elasticidade comunicativo que dela se obtém quando traçado um campo entreberto à experimentação de novas interpretações da dimensão estética do pensamento artístico contemporâneo, e adicionado a isso um certo pionerismo em relação à pós-moderna poesia angolana, que passa a conhecer um exercício poético essencialmente voltado para uma herança sonetista à sua real dimensão. Cremos, sem veleidade alguma que nos venda o carácter crítico das nossas análises, que esta obra é indubitavelmente um marco na história da pós-moderna poesia angolana, por todos os aspectos que possam estar a ela associados...»

Fonte: http://www.ueangola.com/index.php/livros-on/item/1049-laço-de-aço-lasso.html

José Luis Mendonça - Olfacto do Afecto (livro)


Novo livro do escritor angolano José Luis Mendonça

A obra, “OLFACTO DO AFECTO” (2011) foi editada pela União dos Escritores Angolanos, na «Colecção Guaches da Vida».

“Este livro é uma selecta dos aromas sensuais flutuantes em quase todas as ânforas de poesia que já vos ofereci. O fio condutor que lhes enovela o coração é tecido dos cheiros ázimos e angelicais daquele sentimento que chamam de amor, mas que eu, depois de longamente ter farejado a húmida geografia do corpo feminino, prefiro denominar como devo(ra)ção. No entanto, o critério principal desta arrumação não foi somente o sentido do olfacto que magnetizou a minha mão na hora da escrita. Neles perpassam também outros sentidos térreos que certamente farão o leitor levantar o olhar do livro para surpreendê-los, não à flor da pele, mas naquele vértice irreversível da alma onde as cidades do afecto renascem das cinzas”.

O autor


Abreu Paxe - Projecto poético Nkalu a maza (poemas)

O angolano Abreu Paxe vem construindo um caminho poético dos mais interessantes e consistentes entre os agentes da literatura angolana. Abreu Castelo Vieira dos Paxe nasceu no Uige aos 19 de outubro de 1969. Publicou os seguintes livros de poesia: "A chave no repouso da porta" (2003) e "O vento fede de luz" (2007), para além de uma reconhecida atuação na crítica literária de seu país.

A revista digital portuguesa TRIPLOV - http://novaserie.revista.triplov.com/numero_22/abreu_paxe/index.html -  publicou o seu Projecto poético Nkalu a maza, uma série de doze poemas. Registramos neste espaço o primeiro destes, os demais encontram-se no site.

Ricardo Riso
1. Muna ulunga da brevíssima existência


sinto em mim oposto ao medo
- lá para dentro minha pedra (brevíssima existência) -,
o viver silenciado
como se desta vez a existência
abrisse a alma que o guia muna ulunga
a calma mas próxima função
conduz-me anunciando a sedução
a noite ganha razão
como ferida a glória no duro labirinto
muito perto do sofrer
morre em mim oposto a amargura
a doçura da vida espumas de luz lá para diante:
o fracasso, a desonra. que importa a vitória
talvez sobre os dias porque alguém me esmaga a cidade
pó só pó sobre os ombros da morte o vazio
efectivamente intervalo de noites a brevíssima,
inacreditável existência (a pedra) já nada seduz

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Festival Literário de Maputo 2011

UMA INICIATIVA DO MOVIMENTO KUPHALUXA.
http://festivalliterariodemaputo.blogspot.com/

Maputo será palco de debates literários e palestras que juntarão Governo, escritores, docentes de literatura e de língua portuguesa, artistas musicais e jornalistas, numa iniciativa denominada “Semana Literária”, levada a cabo pelo Movimento Literário Kuphaluxa, na semana em que comemora o seu segundo aniversário de criação. A decorrer nos dias 09, 12 a 16 de Dezembro em curso, o evento visa igualmente marcar o início das acções rumo à realização daquela que será a primeira Festa Literária de Maputo, e acontece no Centro Cultural Brasil – Moçambique em Maputo, entre as 17 e 20 horas.


Durante seis dias, cerca de nove temas serão debatidos seis temas, proferidas duas palestras e uma conversa lírica, a terminar com um sarau cultural intitulado “A encarnação do verbo”, para marcar a festa dos dois anos do movimento. A “Semana Literária” vai começar debatendo as questões do Livro como património e base de construção sociocultural, no dia 09 de Dezembro (sexta-feira) as 18 horas, pelos ministérios da Educação e da Cultura, Celso Muianga da editora Ndjira e a Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), com a moderação do filósofo, escritor, crítico literário e docente universitário, António Cabrita.

Segunda-feira, dia 12 de Dezembro, as 17 horas, será a ver do tema “A organização dos escritores e o seu papel para a construção de um Moçambique Literário” a ser debatido pelo Secretário-geral da AEMO, Jorge de Oliveira e pelo escritor, Juvenal Bucuane. No mesmo dia, as 18 e 30, os jornalistas e linguistas, vão debater, as páginas culturais e a abordagem dos assuntos literários, num debate a contar com três painelistas, nomeadamente, Policáripio Mapengo, jornalista do grupo SOICO (O País e Stv), Nélio Nhamposse, escritor e revisor linguístico, Rogério Guambe, linguista e director da Rádio Cidade em Maputo.

O actual estágio da Literatura Moçambicana e o surgimento de novos autores estará em discussão num debate encabeçado pelo escritor e docente de literatura moçambicana na Universidade Eduardo Mandlane, Lucílio Manjate, AEMO e pela editora Ndjira, na terça-feira, dia 13 de Dezembro as 17 horas.

Já no dia seguinte, quarta-feira, 14 de Dezembro, a escritora Ana de Sousa Baptista na companhia do escritor, docente universitário e membro da comissão nacional do Instituto Internacional de Língua Portuguesa, Calane da Silva, vão reflectir sobre “as vantagens e desvantagens da ratificação do Acordo Ortográfico para a Literatura de língua portuguesa”, as 17 horas. As 18 e 30 do mesmo dia, os escritores Élio Martins Mudender e Alex Dau, vão orientar uma palestra sobre “o ser escritor, o que escrever e para quê escrever”.

Quinta-feira, 15 de Dezembro, será a vez das mulheres. As escritoras Emmy Xyx e Rinkel, vão debater o espaço que as mulheres ocupam na literatura moçambicana, com a moderação da ensaísta e docente universitária, Sara Jonas, seguindo do tema “Revistas Literárias – a nascente dos escritores moçambicanos”, orientado por Pedro Chissano, que versará sobre a revista Charrua, Aurélio Furdela versará sobre a revista Oásis e por último Eduardo Quive, vai falar sobre a revista Literatas.

A ENCARNAÇÃO DO VERBO

Sexta-feira, dia 16 de Dezembro, os ânimos da Semana Literária vão centrar-se, primeiro, numa Conversa Lírica intitulada “Ritmo, Arte e Poesia” com o rapper do agrupamento Xitiku ni Mbaula, Dinguizuay e pelo poeta, Sangare Okapi as 16 horas. Já ao anoitecer, será a vez do esperado sarau cultural “A Encarnação do Verbo” a ser abrilhantada por declamadores e leitores do Movimento Literário Kuphaluxa, entre representações teatrais, com a música a cargo do jovem músico Dudas Aled. Uma verdadeira noite de exaltação dos novatos e encerramento das actividades do ano 2011, em dias em que o Kuphaluxa regista os dois anos de existência.

A NOMEAÇÃO DE MEMBROS HONORÁRIOS

Marca a celebração dos dois anos do Kuphaluxa, a nomeação de membros honorários da agremiação, a figuras da literatura moçambicana e lusófona que contribuíram para o crescimento da mesma. Entre os honrados, já são conhecidos como nomeados os escritores Rubervam Du Nascimento de Piauí, Brasil, que neste ano, na sua visita a Moçambique pela primeira vez, realizou diversas actividades com o movimento e a destacar, a doação de 50 livros da sua autoria. Ainda do Brasil, as escritoras, Ana Rüsche, e Luana Antunes Costa, integram essa lista, acompanhados pela escritora Lurdes Breda de Portugal. Ana Rusche, também deslocou-se a Maputo pela primeira vez e durante quatro dias realizou várias actividades com o Movimento Literário Kuphaluxa, além de ter trazido na sua bagagem, vários livros para oferecer ao movimento, a escolas e à Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO). Será a primeira vez que o Kuphaluxa vai anunciar oficialmente a nomeação de membros honorários, numa altura que só o escritor Calane da Silva tinha esse título.

Cadernos Negros 34 (contos) na Feira Preta

O lançamento do CN34 será no Centro de Exposições Imigrantes, dia 17 de dezembro, sábado, às 17h, na sala reservada aos eventos de literatura e educação.

CADERNOS NEGROS VOLUME 34 - CONTOS

Autores: Ademiro Alves (Sacolinha), Adilson Augusto, Claudia Walleska Conceição Evaristo, Cristiane Sobral, Cuti, Débora Garcia, Denise Lima, Elizandra Souza, Esmeralda Ribeiro, Fátima Trinchão Fausto Antônio, Guellwaar Adún, Henrique Cunha Jr., Jairo Pinto, Luís Carlos 'Aseokaýnha', Mel Adún, Míghian Danae, Miriam Alves, Onildo Aguiar, Thyko de Souza