Um espaço dedicado à literatura negro-brasileira, às literaturas africanas de língua portuguesa e demais literaturas negro-diaspóricas
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Cadernos Negros 34 em Brasília
Marcadores:
Cristiane Sobral,
Eventos,
literatura afro-brasileira,
literatura negro-brasileira,
livros
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Seminário Escritores Contra a Discriminação Racial
INSTITUTO DE PESQUISAS DAS CULTURAS NEGRAS - IPCN
Ao lançar no ano de 2012 o ‘Ano dos escritores contra a discriminação racial’, o IPCN incorpora, com a colaboração de escritores negros ativistas, a realização do Seminário Escritores Contra a Discriminação Racial, iniciativa que visa proporcionar à comunidade negra e ao público em geral um processo de reflexão sobre literatura e sociedade.
O Seminário se realizará durante os meses de maio de 2012 a abril de 2013 (com sessões todas as segundas quartas-feiras de cada mês) considerando a literatura negra e as diversas expressões artísticas que com ela interagem, na perspectiva de combate ao racismo e à discriminação racial.
QUARTA-FEIRA, 9 DE MAIO, DAS 18h. às 21h
Ao lançar no ano de 2012 o ‘Ano dos escritores contra a discriminação racial’, o IPCN incorpora, com a colaboração de escritores negros ativistas, a realização do Seminário Escritores Contra a Discriminação Racial, iniciativa que visa proporcionar à comunidade negra e ao público em geral um processo de reflexão sobre literatura e sociedade.
O Seminário se realizará durante os meses de maio de 2012 a abril de 2013 (com sessões todas as segundas quartas-feiras de cada mês) considerando a literatura negra e as diversas expressões artísticas que com ela interagem, na perspectiva de combate ao racismo e à discriminação racial.
QUARTA-FEIRA, 9 DE MAIO, DAS 18h. às 21h
Tema em discussão Literatura Negra: quebrando paradigmas, criando teorias
Expositores Profª Drª Fernanda Felisberto; crítico literário Ricardo Riso; escritor Éle Semog
Mediador
Professor Paulo Roberto dos Santos
IPCN – AV. MEM DE SÁ 208, CENTRO.
Expositores Profª Drª Fernanda Felisberto; crítico literário Ricardo Riso; escritor Éle Semog
Mediador
Professor Paulo Roberto dos Santos
IPCN – AV. MEM DE SÁ 208, CENTRO.
Fonte: e-mail enviado pelo escritor Éle Semog em 3 de maio de 2012.
Marcadores:
crítica literária,
Éle Semog,
Eventos,
literatura afro-brasileira,
literatura negro-brasileira,
Ricardo Riso
Pepetela - A Sul. O sombreio (lançamento livro RJ)
Lançamento do novo livro do Pepetela, A Sul. O sombreio.
DATA: 10 de maio, quinta-feira
LOCAL: Livraria da Travessa (Shopping Leblon)
HORÁRIO: a partir das 19h
Fonte: e-mail gentilmente enviado pela Profª Drª Iris Amancio em 2 de maio de 2012.
Marcadores:
Angola,
Eventos,
literatura angolana,
literaturas africanas de língua portuguesa,
livros,
Pepetela
DIA DE CABO VERDE NA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
DIA DE CABO VERDE NA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
8 de maio de 2012
Local: Sala 14 do Centro de Estudos Africanos,
Prédio de Filosofia e Ciências Sociais, Av. Prof. Luciano Gualberto, 315, São
Paulo, SP
(in memoriam de Aguinaldo Rocha,
Cônsul Honorário de Cabo Verde em São Paulo)
Coordenação do evento:
Profa. Doutora Simone Caputo Gomes
Comissão organizadora:
Profas. Doutoras Érica Antunes Pereira, Rita Chaves e Tania
Macêdo
ATIVIDADES
1) TARDE: INÍCIO ÀS
14:30h
à MESA DE
HONRA: homenagem a Aguinaldo Rocha (por diversas
autoridades)
à MESA DE
CONFERÊNCIAS: Daniel Pereira (Historiador e
Embaixador de Cabo Verde no Brasil: “Cabo Verde na História, um exemplo de
superação e desenvolvimento”); Pedro Santos (Cônsul Geral de Cabo
Verde no Rio de Janeiro: “Os desafios de Cabo Verde na atualidade e as
relações com o Brasil”). Presidindo: Profa. Doutora Simone Caputo
Gomes.
Demais autoridades convidadas: Representantes da USP, José Augusto do Rosário (Administrador do Consulado de Portugal em
Santos, Presidente da Associação Caboverdeana do Brasil, Presidente do Grupo
Cultural Cabo-verdiano),
Lucialina [Lutcha] Maria Soares dos Reis (Secretária Geral da Associação
Caboverdeana do Brasil, Folclorista e Diretora de Artes do Grupo Cultural
Cabo-verdiano).
2) NOITE: (RE)INÍCIO ÀS
19:30h
à MESA DE
ESCRITORES CABO-VERDIANOS, COM LANÇAMENTO DE LIVROS, AUTÓGRAFOS DE OBRAS E
TOCATINA.
Composição
da Mesa: Corsino Fortes, Evel Rocha e Filinto
Elísio. Coordenação das apresentações e debates: Profa. Doutora
Simone Caputo Gomes.
APOIOS:
Por Cabo Verde:
Governo de Cabo Verde (Gabinete do Primeiro-Ministro);Associação Cabo-verdiana
de Escritores. Pela USP: Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas;
Programa de Pós-Graduação de Estudos Comparados de Literaturas de Língua
Portuguesa; Diretoria da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas;
Pró-Reitoria de Pesquisa; Comissão de Cooperação Internacional; Centro de
Estudos Africanos; CELP (Centro de Estudos de Literatura e Cultura de Língua
Portuguesa); Grupo de Estudos Cabo-verdianos de Cultura e Literatura
CNPq/USP
Fonte: E-mail gentilmente enviado por Filinto Elísio em 02 de maio de 2012
Marcadores:
Cabo Verde,
Corsino Fortes,
Evel Rocha,
Filinto Elísio,
literatura cabo-verdiana,
Simone Caputo Gomes,
USP
segunda-feira, 30 de abril de 2012
"Não vou mais lavar os pratos" e "InCorPoros - nuances de libido" resenhados por Uelinton Farias Alves
Uma resenha do jornalista e escritor Uelington Farias Alves, autor do livro “Cruz e Sousa: Dante Negro do Brasil”, publicada no caderno literário "Prosa & Verso" (jornal O Globo) para os livros de poesia "Não vou mais lavar os pratos", de Cristiane Sobral, e "InCorPoros - nuances de libido", de Nina Silva e Akins Kinté.
Marcadores:
Akins Kinté,
Cristiane Sobral,
crítica literária,
literatura afro-brasileira,
literatura negro-brasileira,
livros,
Nina Silva,
Uelinton Farias Alves
ANTOLOGIA DE POESIA CABO-VERDIANA CONTEMPORÂNEA - LABORATÓRIO DE POÉTICAS (Ricardo Riso)
Prezadas e Prezados,
Com satisfação apresento outra antologia de poesia cabo-verdiana contemporânea organizada por mim, agora na Revista Laboratório de Poéticas n. 8. A atual pequena edição contempla as poéticas de Filinto Elísio, José Luis Hopffer Almada, José Luiz Tavares e Mário Lucio Sousa.
Agradeço à revista Laboratório de Poéticas e ao poetamigo José Geraldo Neres por oferecerem esse importante espaço para a visibilidade da poesia cabo-verdiana.
A seguir a apresentação da antologia.
Boa leitura para todos e peço ajuda para divulgação.
Ricardo Riso
ANTOLOGIA DE POESIA CABO-VERDIANA CONTEMPORÂNEA - LABORATÓRIO DE POÉTICAS
Apresentação
Ricardo Riso
Esta pequena antologia de poemas apresenta alguns dos substantivos nomes da poesia cabo-verdiana contemporânea. Filinto Elísio, José Luis Hopffer C. Almada, José Luiz Tavares e Mario Lucio Sousa destacam-se no panorama literário e possuem intensa atividade intelectual no arquipélago desde a década de 1980. A produção desses poetas representa as pluralidades estéticas e de estilos, variedade temática e a busca incessante por um verbo depurado, qualidades que norteiam algumas das tendências da poesia em Cabo Verde, mostrando, cada um com suas especificidades, o amadurecimento e a consolidação do sistema literário do país.
A antologia pretende dar a conhecer, ainda que de forma breve, alguns desses poetas, artífices da linguagem, e contribuir para a melhor divulgação da poesia contemporânea de Cabo Verde, ainda de tímida exposição no Brasil. Panorama que se contrapõe à excelente qualidade dos poetas revelados com o país independente, e que aqui trazemos para a apreciação dos leitores. Com isso, estimular um olhar mais atento do público brasileiro para a recente produção poética cabo-verdiana.
Com satisfação apresento outra antologia de poesia cabo-verdiana contemporânea organizada por mim, agora na Revista Laboratório de Poéticas n. 8. A atual pequena edição contempla as poéticas de Filinto Elísio, José Luis Hopffer Almada, José Luiz Tavares e Mário Lucio Sousa.
Agradeço à revista Laboratório de Poéticas e ao poetamigo José Geraldo Neres por oferecerem esse importante espaço para a visibilidade da poesia cabo-verdiana.
A seguir a apresentação da antologia.
Boa leitura para todos e peço ajuda para divulgação.
Ricardo Riso
ANTOLOGIA DE POESIA CABO-VERDIANA CONTEMPORÂNEA - LABORATÓRIO DE POÉTICAS
Apresentação
Ricardo Riso
Esta pequena antologia de poemas apresenta alguns dos substantivos nomes da poesia cabo-verdiana contemporânea. Filinto Elísio, José Luis Hopffer C. Almada, José Luiz Tavares e Mario Lucio Sousa destacam-se no panorama literário e possuem intensa atividade intelectual no arquipélago desde a década de 1980. A produção desses poetas representa as pluralidades estéticas e de estilos, variedade temática e a busca incessante por um verbo depurado, qualidades que norteiam algumas das tendências da poesia em Cabo Verde, mostrando, cada um com suas especificidades, o amadurecimento e a consolidação do sistema literário do país.
A antologia pretende dar a conhecer, ainda que de forma breve, alguns desses poetas, artífices da linguagem, e contribuir para a melhor divulgação da poesia contemporânea de Cabo Verde, ainda de tímida exposição no Brasil. Panorama que se contrapõe à excelente qualidade dos poetas revelados com o país independente, e que aqui trazemos para a apreciação dos leitores. Com isso, estimular um olhar mais atento do público brasileiro para a recente produção poética cabo-verdiana.
Marcadores:
Cabo Verde,
Filinto Elísio,
José Geraldo Neres,
José Luís Hopffer Almada,
José Luís Tavares,
Mario Lucio Sousa,
poesia cabo-verdiana,
Ricardo Riso
Cidinha da Silva resenha livro de Lande Onawale
Sete: diásporas íntimas – livro maduro de Lande Onawale!
Por: Cidinha da Silva
Ogun iê! Lande Onawale, artífice da ferramenta-palavra na forja do vivido.
Quando cheguei ao segundo conto de Sete: diásporas íntimas (Mazza Edições, 2011) senti que não conseguiria interromper a leitura por nada, tão arrebatada estava. Mas ao concluir o terceiro texto, parei, pois estava sem fôlego e tinha olhos embaçados. Precisei me refazer. Encontrei um autor maduro, de linguagem apurada, com elasticidade textual definida por muita, muita poesia. Mas isso não deveria ser surpresa. Embora tenham um pai cruel e sanguinário, os filhos de Roji que conheço, parecem ter dois corações. Desbordam amor por onde passam e nos levam na correnteza. Lande não é diferente. O ferreiro desses textos é um guerreiro do amor .
“A bailarina”, conto de abertura, dói, profundamente. Mas a narrativa proporciona tempo e espaço para que o leitor processe a dor e a indignação, gerados por expediente racista tão corriqueiro. Os céticos, especialmente, têm tempo narrativo para compreender a discriminação racial sofrida pela bailarina.
“Por sobre as estações” começa assim: No banco da praça, Jorge ancorou a sua nova manhã de angústias. Seus brios de homem, porém, eram donos dos ares, aves agourentas de asas cortantes que atravessam o tempo e os séculos. Eu lia e imaginava o pássaro sombrio de Iyami sobrevoando a cabeça de Jorge. À frente, no texto, Jorge rememora o dia em que ele e Regina se conheceram dentro de uma chuva de confetes. São apenas as primeiras das belas imagens que darão contorno ao texto até que ele exploda em tensão e violência do ciúme machista, da posse e do desespero. As pistas do que está por vir estão no primeiro parágrafo, mas é um conto bom que nos engana e o autor nos surpreende.
“A partida” inicia falando de trens e de seu antigo movimento, enferrujado pelo progresso, até introduzir a partida de um membro de família enraizada no campo, que iria para um grande centro, em busca de vida melhor. Até chegar à definição da partida do filho que se aventura, feita pela mãe: Ademais, isso de ver filho partir é como parir; perdemos tanto da gente, pro pouco que o mundo ganha... O mundo não dá valor... Aos poucos, o sentimento de Justino vai tomando forma, enquanto a compreensão da responsabilidade aumenta. Lembranças das palavras do pai, falecido durante a infância: Não é só a terra que compramos dos brancos que a gente tem que honrar e fazer crescer mais do que eles fizeram. O sobrenome que pegamos deles também... Notem bem, não herdamos, pegamos. O autor visita o amadurecimento forçado de Justino diante d a perda do pai. E isso pesa no momento do ritual de passagem para o grande centro. Na hora de mergulhar definitivamente no mundo adulto, Justino volta a ser criança. A criança que não pôde ser: E ele foi ficando mais moço, mais novo a cada passo e, na soleira da porta, desabou num choro repentino e incontido, que deixou os irmãos atônitos. Com um gesto, a irmã barrou os outros ainda na varanda e Justino foi sozinho, se apoiar nos ombros da mãe.
Não é assim que a vida nos pega? Sabemos que somos capazes de atravessar a grande água, mas crescer dói tanto. Por que é que tem que ser assim? Não sabemos, mas é assim que é! Justino nos dá uma lição singular que talvez não seja percebida como merece: ele sabe ser amado! Só os que sabem sê-lo, permitem, em momentos cruciais, a exposição de fragilidades. Notem bem, fragilidade não é sinônimo de fraqueza. Fragilidade é o desvelamento daqueles sentimentos preciosos e delicados que doem dentro da gente, resguardados por máscaras e muros. Só os fortes se permitem a fragilidade.
E será que os homens negros têm apreendido as lições do amor recebido de maneira mais eficaz do que nós, mulheres negras? É possível que sim. Eles são amados ao longo da vida (por nós, pelo menos), enquanto nós recebemos doses tão diminutas de amor, que não nos acostumamos a ser amadas. Damos e acolhemos de maneira desmesurada e quando o amor se nos apresenta, não sabemos o que fazer, às vezes, sequer o reconhecemos.
É animador observar um homem heterossexual abordando a sensibilidade masculina e isso, mais uma vez, se vê no conto “Veridiana.” O amor não é aquela coisa sublime e inalcançável inventada pelo romantismo. O amor é a oitava superior de um dia duro de trabalho na roça de Veridiana e Romão. O amor é estremecer com o toque daquela mão calejada e áspera no seio, porque aquela é mão desejada do homem amado. O homem que trabalha por amor à família e isso dá um tesão danado. O amor é encher a casa de flores e fazer vingar a inteireza do perfume, mesmo que o amado esteja em dia de jumento. Explico: recordação de Sueli Carneiro citando Arnaldo Xavier “carinho de jumento é coice.” A história de Veridiana e Romão tem muito desta verdade.
“Mukondo” é o retrato da delicadeza e do respeito (próprios de quem vive a energia do N’kice) para tratar da guerra impura travada contra as religiões de matrizes africanas e seus praticantes. É mostra da sensibilidade de quem sabe que em Mukondo não cabem as palavras de ordem do manifesto. Que a linguagem para lidar com os católicos enlutados da história precisa ser diferente daquela que utilizamos no embate político com líderes de igrejas eletrônicas e caça-níqueis, com lobos-pastores de ovelhas, que desrespeitam e agridem, diuturnamente, aqueles que simplesmente mantêm a fé viva em seus N’kices, Voduns e Orixás, por meio do oferecimento de comida, pelo canto e pela dança, num cenário de devoção e alegria.
Taata de N’kice que é, Lande apreendeu de maneira perfeita o que sentem os rodantes nos momentos que antecedem o transe, quando o N’kice avisa: “Vá dormir, que eu vou dançar.”
“Um amor na diagonal” é uma história muito boa, mas tem um ou outro deslize-clichê, frases que uma leitura crítica detida retiraria da pena do poeta: “para essa tarefa prazerosa” ou “tão absorta estava Kinda em seus cálculos.” O texto apresenta certa irregularidade, começa morno, mas, quando engrena torna-se delicioso, como os demais. Exemplo disso é o impagável diálogo de Kinda e Adalberto sobre o cabelo de ambos: Sempre encantado por Kinda, ele (Adalberto) comenta sobre o cabelo dela, antes tímidos e alisados, em contraste com o pixaim que orgulhosamente ostentava. __ Já você... __ diz ela, notando a ausência de seu enorme Black Power. Ele passa mão pela cabeça. __ Pois é... Nessa atividade é bom ser discreto. Entretanto, a tensão do final da história cai com um músculo que estoura. Não é que seja mal arrematado, como a gente vê inúmeros contos por aí, mas o processo poderia ter sido outro que não resultasse em esgotamento muscular. Pareceu-me aqui um escritor cansado de trabalhar determinado texto, quando ele, finalmente conclui que o escrito não ficará melhor do que está e resolve mostrá-lo. Aí está o erro, pois o texto ainda não está pronto e se é assim, que fique mais tempo na gaveta.
“A liberdade contra o peito” é o texto mais fraco do livro, não tem a mesma maestria dos outros para explorar a idéia central, neste caso, a de que os livros e o conhecimento são armas letais contra a ignorância, preconceitos e estigmas.
Sete: diásporas íntimas é do tamanho que deveria ter, nem maior, nem menor. São 8 contos aplicados na Aorta, diretamente. Sete é livro de escritor maduro. De um homem maduro, acima de tudo. A cada dia me convenço mais de que a arte sem vivência é mais pobre, em que pese a consciência de que a legitimidade para abordar determinados temas, não nos torne bons escritores e escritoras por via de conseqüência. Lande tem legitimidade, criatividade, apuro técnico e o tempero do tempo. Dádiva de quem faz o caminho da sabedoria. Se antes, eu o achava um soldado oguniado, premido pela necessidade de construir uma literatura militante, em moldes clássicos (e repetitivos), agora vejo-o como Roji, comandante do exército interior de personagens e paisagens várias, como estrategista de uma tropa que confia plenamente em seu general.
Ogun iê! , Lande!
Ogun iê! Lande Onawale, artífice da ferramenta-palavra na forja do vivido.
Quando cheguei ao segundo conto de Sete: diásporas íntimas (Mazza Edições, 2011) senti que não conseguiria interromper a leitura por nada, tão arrebatada estava. Mas ao concluir o terceiro texto, parei, pois estava sem fôlego e tinha olhos embaçados. Precisei me refazer. Encontrei um autor maduro, de linguagem apurada, com elasticidade textual definida por muita, muita poesia. Mas isso não deveria ser surpresa. Embora tenham um pai cruel e sanguinário, os filhos de Roji que conheço, parecem ter dois corações. Desbordam amor por onde passam e nos levam na correnteza. Lande não é diferente. O ferreiro desses textos é um guerreiro do amor .
“A bailarina”, conto de abertura, dói, profundamente. Mas a narrativa proporciona tempo e espaço para que o leitor processe a dor e a indignação, gerados por expediente racista tão corriqueiro. Os céticos, especialmente, têm tempo narrativo para compreender a discriminação racial sofrida pela bailarina.
“Por sobre as estações” começa assim: No banco da praça, Jorge ancorou a sua nova manhã de angústias. Seus brios de homem, porém, eram donos dos ares, aves agourentas de asas cortantes que atravessam o tempo e os séculos. Eu lia e imaginava o pássaro sombrio de Iyami sobrevoando a cabeça de Jorge. À frente, no texto, Jorge rememora o dia em que ele e Regina se conheceram dentro de uma chuva de confetes. São apenas as primeiras das belas imagens que darão contorno ao texto até que ele exploda em tensão e violência do ciúme machista, da posse e do desespero. As pistas do que está por vir estão no primeiro parágrafo, mas é um conto bom que nos engana e o autor nos surpreende.
“A partida” inicia falando de trens e de seu antigo movimento, enferrujado pelo progresso, até introduzir a partida de um membro de família enraizada no campo, que iria para um grande centro, em busca de vida melhor. Até chegar à definição da partida do filho que se aventura, feita pela mãe: Ademais, isso de ver filho partir é como parir; perdemos tanto da gente, pro pouco que o mundo ganha... O mundo não dá valor... Aos poucos, o sentimento de Justino vai tomando forma, enquanto a compreensão da responsabilidade aumenta. Lembranças das palavras do pai, falecido durante a infância: Não é só a terra que compramos dos brancos que a gente tem que honrar e fazer crescer mais do que eles fizeram. O sobrenome que pegamos deles também... Notem bem, não herdamos, pegamos. O autor visita o amadurecimento forçado de Justino diante d a perda do pai. E isso pesa no momento do ritual de passagem para o grande centro. Na hora de mergulhar definitivamente no mundo adulto, Justino volta a ser criança. A criança que não pôde ser: E ele foi ficando mais moço, mais novo a cada passo e, na soleira da porta, desabou num choro repentino e incontido, que deixou os irmãos atônitos. Com um gesto, a irmã barrou os outros ainda na varanda e Justino foi sozinho, se apoiar nos ombros da mãe.
Não é assim que a vida nos pega? Sabemos que somos capazes de atravessar a grande água, mas crescer dói tanto. Por que é que tem que ser assim? Não sabemos, mas é assim que é! Justino nos dá uma lição singular que talvez não seja percebida como merece: ele sabe ser amado! Só os que sabem sê-lo, permitem, em momentos cruciais, a exposição de fragilidades. Notem bem, fragilidade não é sinônimo de fraqueza. Fragilidade é o desvelamento daqueles sentimentos preciosos e delicados que doem dentro da gente, resguardados por máscaras e muros. Só os fortes se permitem a fragilidade.
E será que os homens negros têm apreendido as lições do amor recebido de maneira mais eficaz do que nós, mulheres negras? É possível que sim. Eles são amados ao longo da vida (por nós, pelo menos), enquanto nós recebemos doses tão diminutas de amor, que não nos acostumamos a ser amadas. Damos e acolhemos de maneira desmesurada e quando o amor se nos apresenta, não sabemos o que fazer, às vezes, sequer o reconhecemos.
É animador observar um homem heterossexual abordando a sensibilidade masculina e isso, mais uma vez, se vê no conto “Veridiana.” O amor não é aquela coisa sublime e inalcançável inventada pelo romantismo. O amor é a oitava superior de um dia duro de trabalho na roça de Veridiana e Romão. O amor é estremecer com o toque daquela mão calejada e áspera no seio, porque aquela é mão desejada do homem amado. O homem que trabalha por amor à família e isso dá um tesão danado. O amor é encher a casa de flores e fazer vingar a inteireza do perfume, mesmo que o amado esteja em dia de jumento. Explico: recordação de Sueli Carneiro citando Arnaldo Xavier “carinho de jumento é coice.” A história de Veridiana e Romão tem muito desta verdade.
“Mukondo” é o retrato da delicadeza e do respeito (próprios de quem vive a energia do N’kice) para tratar da guerra impura travada contra as religiões de matrizes africanas e seus praticantes. É mostra da sensibilidade de quem sabe que em Mukondo não cabem as palavras de ordem do manifesto. Que a linguagem para lidar com os católicos enlutados da história precisa ser diferente daquela que utilizamos no embate político com líderes de igrejas eletrônicas e caça-níqueis, com lobos-pastores de ovelhas, que desrespeitam e agridem, diuturnamente, aqueles que simplesmente mantêm a fé viva em seus N’kices, Voduns e Orixás, por meio do oferecimento de comida, pelo canto e pela dança, num cenário de devoção e alegria.
Taata de N’kice que é, Lande apreendeu de maneira perfeita o que sentem os rodantes nos momentos que antecedem o transe, quando o N’kice avisa: “Vá dormir, que eu vou dançar.”
“Um amor na diagonal” é uma história muito boa, mas tem um ou outro deslize-clichê, frases que uma leitura crítica detida retiraria da pena do poeta: “para essa tarefa prazerosa” ou “tão absorta estava Kinda em seus cálculos.” O texto apresenta certa irregularidade, começa morno, mas, quando engrena torna-se delicioso, como os demais. Exemplo disso é o impagável diálogo de Kinda e Adalberto sobre o cabelo de ambos: Sempre encantado por Kinda, ele (Adalberto) comenta sobre o cabelo dela, antes tímidos e alisados, em contraste com o pixaim que orgulhosamente ostentava. __ Já você... __ diz ela, notando a ausência de seu enorme Black Power. Ele passa mão pela cabeça. __ Pois é... Nessa atividade é bom ser discreto. Entretanto, a tensão do final da história cai com um músculo que estoura. Não é que seja mal arrematado, como a gente vê inúmeros contos por aí, mas o processo poderia ter sido outro que não resultasse em esgotamento muscular. Pareceu-me aqui um escritor cansado de trabalhar determinado texto, quando ele, finalmente conclui que o escrito não ficará melhor do que está e resolve mostrá-lo. Aí está o erro, pois o texto ainda não está pronto e se é assim, que fique mais tempo na gaveta.
“A liberdade contra o peito” é o texto mais fraco do livro, não tem a mesma maestria dos outros para explorar a idéia central, neste caso, a de que os livros e o conhecimento são armas letais contra a ignorância, preconceitos e estigmas.
Sete: diásporas íntimas é do tamanho que deveria ter, nem maior, nem menor. São 8 contos aplicados na Aorta, diretamente. Sete é livro de escritor maduro. De um homem maduro, acima de tudo. A cada dia me convenço mais de que a arte sem vivência é mais pobre, em que pese a consciência de que a legitimidade para abordar determinados temas, não nos torne bons escritores e escritoras por via de conseqüência. Lande tem legitimidade, criatividade, apuro técnico e o tempero do tempo. Dádiva de quem faz o caminho da sabedoria. Se antes, eu o achava um soldado oguniado, premido pela necessidade de construir uma literatura militante, em moldes clássicos (e repetitivos), agora vejo-o como Roji, comandante do exército interior de personagens e paisagens várias, como estrategista de uma tropa que confia plenamente em seu general.
Ogun iê! , Lande!
Fonte: blog da escritora Cidinha da Silva.
Marcadores:
Cidinha da Silva,
crítica literária,
Lande Onawale,
literatura afro-brasileira,
literatura negro-brasileira,
livros
domingo, 29 de abril de 2012
I SILIAFRO - I Simpósio Internacional de Literatura Afrolatina
UNIVERSIDADE FEDERAL DE
UBERLÂNDIA
Site do evento: http://www.ileel.ufu.br/siliafro/default.asp
I
SILIAFRO - I Simpósio Internacional de Literatura
Afrolatina
24, 25, 26 e 27 de outubro de
2012
2ª.
Circular
O I SILIAFRO - I Simpósio
Internacional de Literatura Afrolatina - é um evento que tem por objetivo
promover reflexões em torno do estudo sobre as Poéticas Afrolatinas.
Configura‐se, portanto, como um importante
espaço de debates, circulação e fortalecimento da produção intelectual sobre as
artes na Diáspora.O evento se organizará em torno da proposição de conferências com alguns dos principais nomes da área no Brasil e no exterior, mesas-redondas, Grupos de Trabalho, além de comunicações individuais e painéis.
PERÍODO DE INSCRIÇÕES E SUBMISSÕES DE
TRABALHOS:
a) De 01/03/2012 até 30/05/2012 – Para coordenação de Grupo Temático. – Prazo Prorrogado! b) De 12/06/2012 até 12/07/2012 – Para comunicação
c) De 12/05/2012 até 30/07/2012 ‐ Para painéis, comunicações individuais e ouvintes.
d) O coordenador de GT deverá entregar os resumos aprovados até 11/06/2012.
e) A organização do evento divulgará os GTs e seus participantes em 17/08/2012.
Orientações para envio de
propostas de GTs
Coordenador de grupos
temáticos:
Cada
Grupo Temático (GT) deverá ter um máximo de 16 e um mínimo de 6
participantes. Os interessados Os GTs poderão ser propostos por professores doutores em parceira com outros doutores/mestres. Os integrantes de GTs serão pós-graduados nas modalidades strictu e lato – sensu.
Serão aceitas propostas de Grupos de Trabalhos que estejam relacionados com a temática central do evento, pensadas a partir dos seguintes eixos:
1) A Mitologia dos Orixás: Terreiros de Candomblé;
2) Cinema Contemporâneo: Da diversidade étnico-racial,
cultural, política, religiosa e sexual;
3) Diáspora, literaturas: afro-brasileira e
afro-americana;
4) Geografias Literárias: Cartografias
Culturais;
5) Linguagem, Carnavalização,
Dialogismo;
6) Linguagem, Oralidade,
Memória;
7) História e África;
8) Literatura e Filosofia: da condição
“pós-moderna”;
9) Literatura e Semiótica: poéticas
contemporâneas;
10) Literatura e Sociologia: Cenário de Violência contra
a Mulher;
11) Novas Tecnologias, outras mídias, redes
sociais;
12) Quilombos - Quilombolas;
13) Performance, Teatro e Dança, Arte e
Cultura;
14) Práticas Discursivas, Alteridades, Etnias, Gênero,
Sexualidade;
15) Infância, violência,
pós-colonialismo;
16) Ensino
de Literaturas Africanas, Afrobrasileira e
Afrolatina.
ATENÇÃO! As dúvidas sobre o I
SILIAFRO deverão ser encaminhadas para o seguinte endereço: siliafro@gmail.com
A COMISSÃO
ORGANIZADORA
Uberlândia/Minas Gerais/Brasil, 16
de abril de 2012
Fonte: e-mail gentilmente enviado pela Profª Cintia Camargo Vianna (Profª Adjunta de Língua Espanhola e Literaturas de Língua Espanhola NEAB/UFU) em 24 de abril de 2012.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Lívia Natália - Revista Laboratório de Poéticas n. 9
O nº 9 da Revista Laboratório de Poéticas acaba de sair com poemas de alguns escritores e escritoras baianas, dentre eles, Lívia Natália, ganhadora do concurso literário 2011 do Banco Capital, com o livro Água Negra.
Texto de Henrique Freitas (adaptado).
Texto de Henrique Freitas (adaptado).
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Lande Onawale - 1ª vez na Kitabu Livraria Negra
O escritor baiano Lande Onawale autografará pela primeira vez seus livros na Kitabu Livraria Negra. Na ocasião, o autor apresentará os recentes livros de contos, Sete: díásporas íntimas, e de poesia, Kalunga (poemas de um mar sem fim).
Lande Onawale participou de várias edições de Cadernos Negros, publicou o livro de poesia O vento e está incluído na antologia Literatura & Afrodescendência, organizada pelo Prof. Dr. Eduardo de Assis Duarte.
Dia 2 de maio de 2012, às 18h
Kitabu Livraria Negra
Rua Joaquim Silva, 17 - Lapa
Rio de Janeiro
Marcadores:
10.639/03,
Eventos,
Lande Onawale,
literatura,
literatura afro-brasileira,
literatura negro-brasileira,
livros
Assinar:
Postagens (Atom)


