Poéticas afro-brasileiras ISBN: 9788571605633 Autor(es): Maria do Carmo Lanna Figueiredo e Maria Nazareth Soares Fonseca |
Sinopse Grande gente nova sem ódios/ povo de trabalho e de aventura.../ Novo-continente, novo centro do Mundo!... (Mário de Andrade, 1974) – citação do autor que é tema de um dos ensaios de Poéticas afro-brasileiras. O livro reúne dez ensaios sobre a cultura brasileira. Edição conjunta de PUCMINAS e MAZZA EDIÇÕES: “Não pretende se consumar como um manual de respostas. Antes se apresenta como um desdobramento de inquirições sobre os lugares que os afro-brasileiros vêm ocupando em nossa cultura”. |
Um espaço dedicado à literatura negro-brasileira, às literaturas africanas de língua portuguesa e demais literaturas negro-diaspóricas
domingo, 16 de setembro de 2012
Poéticas afro-brasileiras (livro, 2a. edição)
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Cadernos Negros 1 - prefácio
Prefácio de Cadernos Negros 1 assinado coletivamente pelos participantes da edição inaugural: Angela Lopes Galvão, Célia Pereira, Eduardo de Oliveira, Henrique Cunha, Hugo Ferreira, Jamu Minka, Luiz Silva (Cuti) e Oswaldo de Camargo.
A África está se libertando! já dizia Bélsiva, um dos nossos velhos poetas. E nós brasileiros de origem africana, como estamos?
Estaremos no limiar de um novo tempo. Tempo de África vida nova, mais justa e mais livre e, inspirados por ela, renascemos arrancando as máscaras brancas, pondo fim à imitação. Descobrimos a lavagem cerebral que nos poluía e estamos assumindo nossa negrura bela e forte. Estamos limpando nosso espírito das idéias que nos enfraquecem e que só querem nos dominar.
‘Cardenos Negros’ marca passos decisivos para nossa valorização e resulta de nossa vigilância contra as idéias que nos confundem, nos enfraquecem e nos sufocam. As diferenças de estilo, concepções de literatura, forma, nada disso pode mais ser muro erguido entre aqueles que encontram na poesia um meio de expressão negra. Aqui se trata da legítima defesa dos valores do povo negro. A poesia como verdade, testemunha do nosso tempo.
Neste 1980, 90 anos pós-abolição – esse conto do vigário que nos pregaram – brotaram em nossa comunidade novas iniciativas de conscientização, e ‘Cardenos Negros’ surge como mais um sinal desse tempo de África-consciência e ação para uma vida melhor, e nesse sentido, fazemos da negritude, aqui posta em poesia, parte da luta contra a exploração social em todos os níveis, na qual somos atingidos.
‘Cardenos Negros’ é viva imagem da África em nosso continente, é a diáspora negra dizendo que sobreviveu e sobreviverá, superando as cicatrizes que assolaram sua dramática trajetória, trazendo em suas mãos o livro.
Essa coletânea reúne oito poemas, e a maioria deles da geração que durante os anos 60 descobriu suas raízes negríssimas. O trabalho para a consciência negra vem de muito antes. Por isso, ‘Cardenos Negros’ 1 reúne também irmãos que estão na luta há muito tempo. Hoje nos juntamos como companheiros nesse trabalho de levar adiante as sementes da consciência para a verdadeira democracia racial.
25 de novembro de 1978.
ALVES, Miriam. Cadernos Negros (número 1): estado de alerta no fogo cruzado. In: FIGUEIREDO, Maria do Carmo Lanna; FONSECA, Maria Nazareth Soares. Poéticas afro-brasileiras. Belo Horizonte: Mazza, PUC Minas, 2012. 2ª. ed. pp. 222-223
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terça-feira, 11 de setembro de 2012
Mauricio Pestana - Coleção Mãe África (lançamento RJ)
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terça-feira, 28 de agosto de 2012
Mini-curso AFRO-RASURAS: QUE NEGRO É ESSE NAS LITERATURAS AFRICANAS DE LÍNGUA PORTUGUESA?, por Ricardo Riso
MINI-CURSO DE LITERATURAS AFRICANAS (GRATUITO)
Promoção: PEt-Comunidades Populares e grupo de pesquisa RASURAS
Título: AFRO-RASURAS: QUE NEGRO É ESSE NAS LITERATURAS AFRICANAS DE LÍNGUA PORTUGUESA?
Prof. Ricardo Riso (Crítico Literário)
Kitabu Livraria Negra
risoatelie@gmail.com
O curso será realizado no Instituto de Letras da UFBA (Universidade Federal da Bahia) na sexta-feira, 31 de agosto, das 14:00 às 16:00 (A sala será indicada na Portaria do Instituto de Letras)
EMENTA: Durante o colonialismo português no continente africano foi essencial para construção da afirmação de identidade dos escritores africanos a conscientização e valorização do negro enquanto sujeito, possuidor de uma história e culturas próprias que foram quase que dilaceradas pela ideologia racista do colonialismo, pregadora da superioridade do homem branco europeu, o que justificava a opressão e a consequente submissão do negro africano. Na sedimentação desse processo, paradigmático foi o contato com as obras dos escritores da Negritude, tais como Aimé Cesaire, Langston Hughes, Nicolas Guillén, e do pan-africanismo, pois assim os literatos de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe perceberam que o problema do racismo não se restringia à África, mas também aos negros da Diáspora. A afirmação da identidade negra reforça a organização para as lutas anticoloniais e toda uma mobilização para a conscientização das populações das colônias, sendo fundamental a participação ativa dos escritores dessa época. A proposta do minicurso QUE NEGRO É ESSE NAS LITERATURAS AFRICANAS DE LÍNGUA PORTUGUESA? é contribuir para a divulgação dessa poesia de cariz negritudinista e pan-africanista, revisitar e/ou conhecer as obras dos agentes desse período histórico de concretização da utopia, sua importância para compreender e estimular a reflexão da produção poética contemporânea, suas ressonâncias e rearticulações contradiscursivas em um contexto pós-colonial, no qual impõe a pertinência de tendências temáticas valorizadoras da poesia de autoria feminina revelando os tensionamentos de gênero, da revisão histórica de um passado de resistência negra ainda a ser descoberto, dos conflitos do uso da língua portuguesa, da luta pela pluralidade das manifestações culturais étnicas já hibridizadas, dos deslocamentos e negociações identitárias do escritor negro em África e na Diáspora. Esse repertório será analisado a partir de poemas de, dentre outros, Francisco José Tenreiro, Agostinho Neto, José Craveirinha, Noémia de Sousa, Mário Fonseca, Kaoberdiano Dambará, José Luis Hopffer Almada, João Tala, Akiz Neto, Eneida Nelly, Tânia Tomé, Odete Costa Semedo e Conceição Lima.
Promoção: PEt-Comunidades Populares e grupo de pesquisa RASURAS
Título: AFRO-RASURAS: QUE NEGRO É ESSE NAS LITERATURAS AFRICANAS DE LÍNGUA PORTUGUESA?
Prof. Ricardo Riso (Crítico Literário)
Kitabu Livraria Negra
risoatelie@gmail.com
O curso será realizado no Instituto de Letras da UFBA (Universidade Federal da Bahia) na sexta-feira, 31 de agosto, das 14:00 às 16:00 (A sala será indicada na Portaria do Instituto de Letras)
EMENTA: Durante o colonialismo português no continente africano foi essencial para construção da afirmação de identidade dos escritores africanos a conscientização e valorização do negro enquanto sujeito, possuidor de uma história e culturas próprias que foram quase que dilaceradas pela ideologia racista do colonialismo, pregadora da superioridade do homem branco europeu, o que justificava a opressão e a consequente submissão do negro africano. Na sedimentação desse processo, paradigmático foi o contato com as obras dos escritores da Negritude, tais como Aimé Cesaire, Langston Hughes, Nicolas Guillén, e do pan-africanismo, pois assim os literatos de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe perceberam que o problema do racismo não se restringia à África, mas também aos negros da Diáspora. A afirmação da identidade negra reforça a organização para as lutas anticoloniais e toda uma mobilização para a conscientização das populações das colônias, sendo fundamental a participação ativa dos escritores dessa época. A proposta do minicurso QUE NEGRO É ESSE NAS LITERATURAS AFRICANAS DE LÍNGUA PORTUGUESA? é contribuir para a divulgação dessa poesia de cariz negritudinista e pan-africanista, revisitar e/ou conhecer as obras dos agentes desse período histórico de concretização da utopia, sua importância para compreender e estimular a reflexão da produção poética contemporânea, suas ressonâncias e rearticulações contradiscursivas em um contexto pós-colonial, no qual impõe a pertinência de tendências temáticas valorizadoras da poesia de autoria feminina revelando os tensionamentos de gênero, da revisão histórica de um passado de resistência negra ainda a ser descoberto, dos conflitos do uso da língua portuguesa, da luta pela pluralidade das manifestações culturais étnicas já hibridizadas, dos deslocamentos e negociações identitárias do escritor negro em África e na Diáspora. Esse repertório será analisado a partir de poemas de, dentre outros, Francisco José Tenreiro, Agostinho Neto, José Craveirinha, Noémia de Sousa, Mário Fonseca, Kaoberdiano Dambará, José Luis Hopffer Almada, João Tala, Akiz Neto, Eneida Nelly, Tânia Tomé, Odete Costa Semedo e Conceição Lima.
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Expressões da Mulher Negra na Literatura, por Fernanda Felisberto
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
4º Debate: Literatura Negra e Ilustração: que risco é esse? (IPCN)
Os debates propostos no SEMINÁRIO DE ESCRITORES E ESCRITORAS PARA ELIMINAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO RACIAL estão crescendo a cada sessão, contagiante a participação ativa do público instigando discussões enriquecedoras sobre os rumos da literatura negra contemporânea.
A próxima sessão promete, pois o tema é um dos mais interessantes para a luta antirracista: LITERATURA NEGRA E ILUSTRAÇÃO: QUE RISCO É ESSE? A mesa será formada por nomes consagrados: Iléa Ferraz, Ykenga e Togo Ioruba. A mediação será feita pela Drª Azoilda Loretto da Trindade.
A próxima sessão promete, pois o tema é um dos mais interessantes para a luta antirracista: LITERATURA NEGRA E ILUSTRAÇÃO: QUE RISCO É ESSE? A mesa será formada por nomes consagrados: Iléa Ferraz, Ykenga e Togo Ioruba. A mediação será feita pela Drª Azoilda Loretto da Trindade.
Local? IPCN. Quando? 15 de agosto. Horário? 19h.
Até lá!
Até lá!
Ricardo Riso
O objetivo da 4ª sessão do seminário intitulada – LITERATURA NEGRA E ILUSTRAÇÃO: QUE RISCO É ESSE? - é de expor, discutir e avaliar o enfoque e adimensão crítica dos traços de ilustradores negros e negras quando ilustram texto de literatura afro-brasileira. O papel ideológico e pedagógico da ilustração, o comportamento do mercado de trabalho e o racismo expresso na imagem da personagem negra ilustrada nos livros didáticos, charges e quadrinhos.
Dia 15 de agosto de 2012 (quarta-feira)
Horário:19h00 às 22h00
Local: IPCN - Av.Mem de Sá 208, Cruz Vermelha.
Programação:
Literatura Negra e Ilustração: que risco é esse?
Expositores :
TOGO IORUBA - Cartunista e ilustrador
ILÉA FERRAZ - Atriz e ilustradora
YKENGA - Cartunista e Ilustrador
Mediadora:
Profª Drª AZOILDA LORETTO DA TRINDADE
A partir das 18:00h exposição e venda de livros de autores afro-brasileiros e africanos.
Realização: Instituto de Pesquisa das Culturas Negras
Coordenação: Lia Vieira, Éle Semog e Ricardo Riso
Parcerias: ESTIMATIVA, Kitabu Livraria Negra, Centro AfroCarioca de Cinema e Associação Cultural República do Samba
INSTITUTO DE PESQUISA DAS CULTURAS NEGRAS - IPCN
SEMINÁRIO DE ESCRITORES E ESCRITORAS PARA ELIMINAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO RACIAL
SEMINÁRIO DE ESCRITORES E ESCRITORAS PARA ELIMINAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO RACIAL
MAIO/2012 - ABRIL/2013
O objetivo da 4ª sessão do seminário intitulada – LITERATURA NEGRA E ILUSTRAÇÃO: QUE RISCO É ESSE? - é de expor, discutir e avaliar o enfoque e adimensão crítica dos traços de ilustradores negros e negras quando ilustram texto de literatura afro-brasileira. O papel ideológico e pedagógico da ilustração, o comportamento do mercado de trabalho e o racismo expresso na imagem da personagem negra ilustrada nos livros didáticos, charges e quadrinhos.
Dia 15 de agosto de 2012 (quarta-feira)
Horário:19h00 às 22h00
Local: IPCN - Av.Mem de Sá 208, Cruz Vermelha.
Programação:
Literatura Negra e Ilustração: que risco é esse?
Expositores :
TOGO IORUBA - Cartunista e ilustrador
ILÉA FERRAZ - Atriz e ilustradora
YKENGA - Cartunista e Ilustrador
Mediadora:
Profª Drª AZOILDA LORETTO DA TRINDADE
A partir das 18:00h exposição e venda de livros de autores afro-brasileiros e africanos.
Realização: Instituto de Pesquisa das Culturas Negras
Coordenação: Lia Vieira, Éle Semog e Ricardo Riso
Parcerias: ESTIMATIVA, Kitabu Livraria Negra, Centro AfroCarioca de Cinema e Associação Cultural República do Samba
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segunda-feira, 9 de julho de 2012
IPCN - 3º debate: "Literatura Étnica e Identidade Globalizada"
3º debate do Seminário de Escritores e Escritoras pela Eliminação da Discriminação Racial com o tema "Literatura Étnica e Identidade Globalizada". Os palestrantes serão Uelinton Farias Alves (escritor e jornalista), Dr. Renato Noguera (UFRRJ) e Drª Sonia Maria Santos (FAFIMA/Macaé), e a mediação de Ricardo Riso. Dia 11 de julho, 19h, no IPCN - Av. Mem de Sá, 208 - Lapa - Rio de Janeiro.
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sexta-feira, 22 de junho de 2012
Amosse Mucavele - Poesia Uma Realidade Supra Sensível
Uma reflexão poética de Amosse Mucavele (Moçambique), jovem do Movimento Kuphaluxa, para apreciação dos leitores do blog.
Abraços,
Ricardo Riso
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Poesia Uma Realidade Supra Sensível
A poesia é o sol da imaginação que ilumina o nosso mundo real; um sol que já há séculos vem queimando o iceberg dos sentimentos do poeta vs leitor.
Mas este aquecimento da poesia, diga-se, Global, sente-se no árduo trabalho de limar a matéria-prima que fabrica o poema, e esta está ao alcance de todos seres viventes, vividos e ente-viventes.
António Carlos Cortez diz o seguinte: “ Ao fabricar um poema há ainda uma sensação de que a escrita se autonomiza, não para se tornar nossa por separação do autor, mas para se tornar um corpo orgânico que vive por si só”.
Cabe a nós leitores “atentos” da nossa realidade, seja ela tangível ou intangível, aperfeiçoar a técnica do saber: “ ver o que está à frente dos nossos olhos” pois “exige uma luta constante”
George Orwell subscreve a ideia da “luta constante” sem tréguas com a realidade que nos circunda; uma vez que a produção poética tem como seu paraíso um mar de águas profundas, onde a sensibilidade das geografias imaginárias e a insensibilidade das geometrias reais fazem o cerco ao mar que encarcera o poeta. E é neste cárcere que o poeta sente-se livre como um pássaro no chão do seu vertiginoso voo, onde antes da partida o mesmo acaricia os 4 ventos das grades que o prendem.
Dentro das grades o poeta cria uma pluralidade de espaços, de convívios, de interrogações, e afectos que desaguam na singularidade da poesia detentora de um “Estatuto Topológico (um lugar onde e donde) ” (COELHO, 1972. pag 299.)
“Um lugar onde” “a linguagem poética se fala e se escreve”( BLANCHOT,97,pag 47); ”um lugar donde” a imaginação resplandece e espalha-se no reino da realidade.
Segundo Leyla Perrone Moisés, “A poesia não pretende mais a primazia entre os discursos; assume-se como linguagem à parte não comunicativa, hermética, passando a ter um valor em si mesma, torna-se núcleo irradiador de sentidos infinitos, desafiando o leitor a dar prosseguimento ao acto criativo.” (2000,pag 27 in A inutil Poesia de Mallarmé)
ILUSÃO
O espelho não reflecte os medos que encharcam o meu silêncio. Muito menos as alegrias que degolam o meu sorriso.
As Vezes
O espelho mente a dizer verdades na inocência das incertezas que se amotinam na vista alegre das minhas angústias.
A tocar flautas. Ao som do triste olhar da lupa
A atirar pedras. Para os olhos que se olham a procura da verdade das certezas pintadas a vermelho dos semáforos.
Paragem! Miragem?
As 4 rodas roncam (a morte, a angústia, o silêncio, a memória) na abstracta estrada da ilusão, onde
F l o r e s apodrecem no verão esburacado da objectiva da maquina fotográfica. Múltipla visão (ordem e caos, verdades e mentiras) de olhos bem abertos na fechadura da alma amedrontada pela doce aparição do labirinto.
As flores atravessam a primavera (que a muito clama por elas) com sapatos de neve (cuidado o Verão e eterno) chutam o silêncio que habita a escuridão. e lá lá e lá .
E lá do outro lado da margem, em pleno suar do inverno uma flor (esta) sem arvores nega de dar a voz as pedras.
Insiste. Persiste em aprender a ética da memória das flores que se escondem na estacão última do tempo (o sono) com amarguras de alegrias e angústias. Deitadas no prato hasteado nas lágrimas da bandeira do futuro.
E no presente? Vejo a minha face multiplicada por 2 no quadro dos olhos deste Deus da Carnificina chamado espelho.
Assim sendo este poema toma de forma subjectiva uma realidade tangível a poesia que se instala nos olhos do leitor faz nos crer que a mesma é feita de inutilidades que no decorrer da sua digressão nas mãos do leitor a tornam útil para humanidade.
É neste prisma que apraz me dizer o seguinte: escrever poesia é colher perigos no covil do leão, onde parte-se com o conhecimento de causa dos dois destinos predefinidos
1º Assumir esta “morte vil” viagem sem volta, internacionalizar as duvidas, e procurar o suicídio desta voz rizomatica no rugir do leão.
2º-procurar (sobre) na eternidade desta perigosa realidade, e afirmar a coragem de que é possível plantar sonhos nas garras do leão.
Há aqui indubitavelmente no poema acima lido uma paixão, uma sensibilidade supra sensível, com as coisas que a priori do ponto vista de um cidadão comum não tem nenhuma missão neste universo, e este poema vem mais uma vez mostrar, dar a conhecer os sentimentos do silêncio, as lágrimas das pedras, os sonhos das flores, os labirintos da memória e o tropel que a morte provoca.
Por exemplo: quando uma pedra estatela-se na poltrona da sua arca e um homem a pisa ou a chuta e em seguida o mesmo fica a contorcer-se de dores, com a pedra acontece o contrário ela fica alegre pois conseguiu mostrar ao homem a sua grandeza, a sua capacidade de o fazer chorar, e a sua forca aglutinadora, consequentemente fê-lo ouvir a sua voz e dentro dela diz - eu sou capaz.
Estas coisas sem vida, mas com vida, convidam e transportam todas as musas para o infindável teorema da poesia. Um espaço impar onde a inutilidade das coisas e a utilidade dos sonhos reais procuram o aconchego para as suas vozes; vozes de medo, vozes de solidão, vozes de alegria cavalgam em constante mutação para o silencio onde de forma (in)consciente tomam de assalto a folha em branco:
As abelhas fabricam o seu zumbido ao anoitecer dos dias
E ao clarear da noite vendem a dor na matriz do mel amargo que as nossas bocas chupam
O zumbido das abelhas é multiritmico como a marrabenta.
Doce como os desenhos afiados da navalha em linhas horizontais que a cada tracejado a vida calha e a morte não falha.
Mais uma vez assistimos um diálogo entre o zumbido da abelha e a malevolência da navalha e assim sendo surge a seguinte questão:
Como é que estas duas vozes que falam silêncios podem apagar a ternura da folha em branco?
Cesariny responde –“ pela saturação duma personalidade a disparar em todas as direcções, e não só nos textos”
Quando fala-se de todas as direcções refere-se a sensibilidade do poeta, a super realidade que vem de dentro (a transpiração) e a realidade que nos circunda (a inspiração).
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Japone Arijuane - dois poemas (Moçambique)
Novíssima lavra da poesia moçambicana nas letras de Japone Arijuane, um dos representantes do Movimento Kuphaluxa, em mais uma troca afro-rizomática. Boa leitura para os dois poemas que seguem abaixo.
Abraços,
Ricardo Riso
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É, OU NÃO É?
Discurso póstumo de um recém-forjado herói
Abraços,
Ricardo Riso
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É, OU NÃO É?
Força fere feridas na alma, nauseabundos excrementos na bunda da cidade fede excitante
Vagina em líquidos d’agua jejuada
desafectação vil inspira e respira ar condiciona-se!
Conjunturas só para a minoria avermelhada.
O vaivém dos Xapas antes cheios hoje enchidos: carnes vivas de bafo fúnebre há divisão dos perfumes, corpo sob corpo racismo sem problemas?
Leva frasco quando chegar abra o racismo, aliás, perfuma-se
Culatra opaca a tirar à vida bala ballet Marrabenta na dança da morte
TV sapataria vai escovando os mais sujos, vê! É o que não é, pensa pança cheia de fome.
Amanha nunca será novo dia,
Se continuas o mesmo: seiva da nação!
Antes flor que sempre murchou, regada de esperma, poder hipnotiza: cifrão: vai indo histérico não gera acções enquadra-se numa das gerações….
É, ou não é?
Responde, sempre é!
O que não é, você não vê, é, ou não é?
Muda plante tantas mudas, se urinol serve rega… reza dê a dízimos universais, mas nada muda, mas, vai! Muda! Talvez assim ninguém e nada muda-te.
Outro canal vê: ordem e progresso: sexo e violência: excremento tropical e a sua martirizada cultura? O ministério cuida! Cuida você de ti.
Sétima classe.
Sétima ignorância.
Isca no coração da modernidade: cidade peixe bem ao fundo do mar desértico, fedendo em fedelhos à fidelidade corrupta, aversão digna de indignidades soberanas fezes quantas vezes suportaremos as politicarias? Fôlego as acácias, folga as carícias à venda na avenida, matem a pobreza com a mesma fome, vem Machimbombo bomba na hora de ponta vermelha de sangue, rostos militares com fome na guerrilha dos transportamentos, pó cores de urnas dejectos falaciosos, já agora mudos sem olfacto, como ser alguém, num país de donos
(As marcas de uma guerra doem mais do que as turbulências em campos de batalha, [Holyba Wotene])
Profiro pela graça da força
das forcas dos sentidos
da garça louca furtiva de alegrias inócuas
pólvora perfume a fragrância estrondosa
quebra olfacto
e todos outros sem
tidos ou mal sido no meu ser!
Quase perco a vida, mas ganho a morte,
à única forma de ter indescritíveis sentidos
e sentir os em concomitante.
Pelo pássaro e o tambor:
guerra e pobreza
mortes e mortos
loucuras e maluco(ras).
Aqui vai, pelos dezasseis anos, minha gratidão
do gatilho e indicador aglutinados em prol de nada,
nada que se faziam as vidas:
sem culpas,
sem direitos,
sem pecados na fé do idealizado,
lixado em dementes opacas, hipnotizadas a culatra:
caninos,
lobos,
bestas ferra,
tudo menos nada:
nada ao povo,
nada sei hoje porque… porque?
Por actual medo doutrem que suja língua e limpa vossas botas de garras de guerras?
Ou por poderio absolutamente interino?
Vivam,
comam,
bebam,
tudo façam.
Nada é eternal, além da mudança!
Nada é imortal, além da matança!
Hoje aí,
amanhã aqui!
Virão e verão,
maçons que sois,
o inferno que vos espera,
o mal só gera o mal!
Falo pelas graças das forças das forcas dos sentidos…
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Lande Onawale - Kalunga: poemas do mar sem fim (resenha)
Mais uma contribuição para o blog fazendo circular nossos afro-rizomas. Abaixo, resenha de Valéria Lourenço, graduada em Letras (UFRRJ), para o livro Kalunga: poemas do mar sem fim, de Lande Onawale.
Ricardo Riso
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ONAWALE, Lande. Kalunga: poemas de um mar sem fim = Kalunga: poems of na infinite sea. Salvador: Edição do autor, 2011.
O Atlântico. Oceano personificado, mar, morte, kalunga. Não saberemos nunca precisar quantas foram as vidas tragadas por esse oceano a nos separar: Brasil e África. Nações-irmãs com sangue manchando nossa travessia. Mas do fundo das águas emergem as vozes, nos chegam as memórias de um povo-irmão. As vozes ecoam na poesia de Lande Onawale, como vimos no poema “Ancestral”:
“em mim falam vozes ancestrais,
que conversam mais
se calo,
ou a alma silencia (...)”
O baiano, que tem publicado diversos contos e poemas traz em Kalunga: poemas de um mar sem fim, um sujeito extremamente inquieto como nos versos de “Único”:
“...e este punhal
cravado
no lado
esquerdo
do meu peito
é o único que aceito
sem ele
nem sei
viver direito...”
A utilização do verbo cravar diversas vezes ao longo do livro traz o caráter e a necessidade de penetrar suas palavras profundamente em nossas almas, e isso é feito sem grandes esforços.
“A memória do mar me atravessa...
está cravada em mim (...)” (Kalunga)
“Cravamos um sol
bem no meio do outono!” (Z de maio)
“...e este punhal cravado no lado esquerdo (...)” (Ùnico)
Mas Lande não nos remete somente aos mares de Brasil, África e seus ancestres. Em “Fissura nuclear (Fukushima)” há o relato do acidente natural ocorrido no Japão em 2011:
“a fúria do núcleo da terra
seguiu-se a fúria do núcleo
de um milésimo grão de areia
(...)
- a ciência não tem um plano “b””
E a crítica social está presente em “Canarinhas da Vila”, poema que abre o livro, onde o poeta se pergunta o que sua poesia pode fazer contra toda a violência que vivenciamos dia-a-dia.
“o que pode minha poesia contra isso:
três jovens assassinadas lado a lado?”
A resposta ao autor vem de um texto de Laura Padilha intitulado “A palavra africana e as memórias antigas”:
O Atlântico. Oceano personificado, mar, morte, kalunga. Não saberemos nunca precisar quantas foram as vidas tragadas por esse oceano a nos separar: Brasil e África. Nações-irmãs com sangue manchando nossa travessia. Mas do fundo das águas emergem as vozes, nos chegam as memórias de um povo-irmão. As vozes ecoam na poesia de Lande Onawale, como vimos no poema “Ancestral”:
“em mim falam vozes ancestrais,
que conversam mais
se calo,
ou a alma silencia (...)”
O baiano, que tem publicado diversos contos e poemas traz em Kalunga: poemas de um mar sem fim, um sujeito extremamente inquieto como nos versos de “Único”:
“...e este punhal
cravado
no lado
esquerdo
do meu peito
é o único que aceito
sem ele
nem sei
viver direito...”
A utilização do verbo cravar diversas vezes ao longo do livro traz o caráter e a necessidade de penetrar suas palavras profundamente em nossas almas, e isso é feito sem grandes esforços.
“A memória do mar me atravessa...
está cravada em mim (...)” (Kalunga)
“Cravamos um sol
bem no meio do outono!” (Z de maio)
“...e este punhal cravado no lado esquerdo (...)” (Ùnico)
Mas Lande não nos remete somente aos mares de Brasil, África e seus ancestres. Em “Fissura nuclear (Fukushima)” há o relato do acidente natural ocorrido no Japão em 2011:
“a fúria do núcleo da terra
seguiu-se a fúria do núcleo
de um milésimo grão de areia
(...)
- a ciência não tem um plano “b””
E a crítica social está presente em “Canarinhas da Vila”, poema que abre o livro, onde o poeta se pergunta o que sua poesia pode fazer contra toda a violência que vivenciamos dia-a-dia.
“o que pode minha poesia contra isso:
três jovens assassinadas lado a lado?”
A resposta ao autor vem de um texto de Laura Padilha intitulado “A palavra africana e as memórias antigas”:
“Quem põe a palavra em circulação, ascende a um nível de poder maior e intervém no real, quase sempre com um impulso de modificá-lo, dada a força cosmogônica da palavra que faz circular.”
E Lande consegue nos trazer reflexões, intervir no cotidiano, chocar e sacudir-nos, somente com a força de suas palavras.
Kalunga: poemas de um mar sem fim, edição bilíngue, em português e inglês, tem, nos 21 poemas que o compõem, um grito de dor, uma necessidade de se fazer ouvir, poemas para serem declamados inflamando multidões. Essa poesia não pode ser lida em voz baixa ou ficar guardada na gaveta. Afinal, as vozes que a ilustram esperaram durante séculos para serem ouvidas e Lande faz essa tradução para nossa língua muito bem.
______
* cravada, cravamos e cravado: grifo nosso
Referência bibliográfica
PADILHA, Laura. “A palavra africana e as memórias antigas” in Educação, arte e literatura africana de língua portuguesa: contribuições para a discussão da questão racial na escola. Org. Maria Alice Rezende Gonçalves. Rio de Janeiro: Quartet: NEAB-UERJ, 2007.
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