sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Mito e a Sopinha de Alfabeto: renovação nas artes de Cabo Verde

Por Ricardo Riso
Mito, pseudônimo de Fernando Elias Hamilton Barbosa, é um nome inquietante na cultura cabo-verdiana do pós-independência. Artista multifacetado, atua nas letras e nas artes plásticas com desenvoltura e fina ironia. Mito não se prende a gêneros ou estilos, transita por várias linguagens e meios para expor suas obras. A ousadia e a diversidade são algumas das suas características, e o diálogo com as vanguardas contemporâneas aparece com freqüência em seus trabalhos, algo pouco comum entre os artistas do arquipélago.

Com o objetivo de movimentar as artes em Cabo Verde, dominado pelo cantalutismo do país recém-independente e no ano do cinqüentenário da revista Claridade, publicação que marca a moderna poesia cabo-verdiana, em 1986, Mito, acompanhado de Arnaldo Silva, dos poetas Eurico Barros e Filinto Elísio, e do fotógrafo João Nelson, lança a revista Sopinha de Alfabeto.
http://www.tanboru.org/mito/sopinha/SP1capa.htm

A Sopinha de Alfabeto surge com a proposta de ampliar os temas artísticos no arquipélago, fazendo do humor e da ironia as suas principais bandeiras. Contudo, tal ousadia desejada por alguns, não seria bem digerida por outros. Em prefácio à reedição de Sopinha de Alfabeto, Lonha Heilmair afirma que:

Se o projecto da Sopinha de Alfabeto foi de molde a suscitar entusiasmos e mudar paradigmas, ele também provocou reacções menos benevolentes por parte de quem se sentia no dever de velar pela manutenção de algum rumo pretensamente sério da criação artística, porque relacionado, por definição, com um discurso oficial institucionalmente progressista. Assim, a Sopinha foi caracterizada como “sinal de decadência infantil”, não tendo a revista “importância nenhuma” (Manuel Delgado in: Michel Laban, Cabo Verde - Encontro com Escritores, tomo II, Porto 1992, p. 758 e 762, respectivamente).

Entretanto, ao visitarmos a publicação em formato eletrônico no site de Mito - http://www.tanboru.org/mito/sopinha/SP1capa.htm -, deparamo-nos com uma revista ousada, pretensiosa, híbrida. Não há como negar a proposta de renovação da Sopinha. Atrevida, sai do lugar-comum em meio às comemorações da Claridade, já na primeira página demonstra os caminhos que pretende seguir e a proposta plural e aglutinadora dos que querem mostrar suas obras:

Sopinha de Alfabeto surge com o objectivo de criar ou tentar criar um espaço livre de publicação e divulgação no domínio das Artes e Letras, não estando enfeudado a nada e a ninguém nem representará o compromisso com quaisquer padrões estético-formais e/ou mesmo temáticos.

Neste número publicamos apenas poemas, caricaturas, desenhos e fotografias mas as páginas deste projecto estão disponíveis para qualquer outro género literário, do ensaio às reportagens, da poesia à crítica literária e do desenho à fotografia.
http://www.tanboru.org/mito/sopinha/SP1Pag1.htm

Posteriormente, essa postura seria radicalizada e celebrada no início da década de 1990, com a antologia Mirabilis – de veias ao sol, organizada por José Luís Hopffer Almada, o grande marco da renovação literária cabo-verdiana.

Em agradáveis vinte e seis páginas, a Sopinha de Alfabeto apresenta variadas formas de linguagem. Mito comparece, dentre outras ilustrações e poemas, com o belo “Poemito Concreto”, além do desencanto com as conquistas sociais não alcançadas pelo país independente, o curto e agressivo poema cheio de assonância e aliteração “A revolta e sua inflação”:

A vida é cara meu caro
Cara de jarro
Carro de barro
Farejo o meu charro
Fumo o cigarro da farra
E escarro na cara do descarado
(MITO - 11 - 84)

http://www.tanboru.org/mito/sopinha/SP1Pag13.htm

O bom poeta Filinto Elísio apresenta poemas em estilos vários: o hai kai, figuras de linguagem como a assonância, a prosa poética estão entre as características formais de sua poesia. Com temáticas inovadoras no panorama literário do país. Utilizando-se da versificação livre futurista, sua matéria poética surge em cenas do cotidiano como no poema “Ao Mito”:

aquela do coveiro boa gente que a Deus pede mais morte
e o recurso de mais pão
aquela do artista travestido de absurdo
e subversivo mefisto das horas substantivas
aquela da mulher náufraga e sem rumo
que como as ondas do mar vem dar às nossas praias íntimas
aquela que nos abre a flor e nos fecunda a alma
aquela do cão vadio que ninguém dá a mínima
mas que o menino triste acompanha e quer adoptar
aquela da estrela cadente na qual "o da passiva"
viaja na ponta do charro
aquela da "luamito" da metalinguagem futurista
aquela da boca do lixo engolindo os nossos titãs
aquela do sol com vergonha de aquecer corações
aquela do coveiro boa gente e etc
aquela cena da vida para ser vivida...
http://www.tanboru.org/mito/sopinha/SP1Pag3.htm

Filinto Elísico também lança poemas muito bem elaborados, com no ótimo e metrificado “A poesia do reverso”

lusoáfricas berço terço
o terceto da nova poesia

onde passava a Passargada
passa agora o pássaro da paz

tão linda e ledice lírica
vero verso e vertigem

cantiga antiga do amigo
contigo ate canto o cantar

o trottoir da trova trolley
que troveja tartex e tempo

o silêncio silex do Simas
da sirene morna muda

lá onde a noite atinge
de esfinge o Conde finge

o poeMito faz lexema
no pão da poesia morena

à Cris à cruz à luz
o sufixo e o crucifixo

o lixo o Kitsch o bicho
dura lex pax lua

o perverso e o avesso
na poesia do reverso ...
http://www.tanboru.org/mito/sopinha/SP1Pag21.htm

O outro poeta que forma o corpo da Sopinha de Alfabeto, Eurico Barros, possui uma poesia intimista, existencialista, crítica do passado histórico como em “Acidente Danado”:

...e ficou a imagem cósmica
de Titicaca
Tibete

dos deuses que levaram

a outra vida
essa vaga possibilidade de ser feliz,
deixando-nos com o Deus

ocidente

danado.

... e ficou o sofrimento bíblico,
captando a telepoesia

dos espíritos

da antiga

Tibete
Titicaca
... e ficou a imagem religiosa do ÉDEN DESABITADO.
http://www.tanboru.org/mito/sopinha/SP1Pag23.htm

Barros experimenta grafismos e ilustrações para seus poemas. O poema “‘o’culto” demonstra a agonia dos tempos de distopia, chamando para a realidade a perplexidade causada pela desilusão com o país:

http://www.tanboru.org/mito/sopinha/SP1Pag11.htm

Para fechar a publicação, uma ilustração de Mito antecipa as reações que Sopinha de Alfabeto cometeria no meio cultural cabo-verdiano:



Neste texto, mencionei apenas o primeiro número da revista, mas está disponível no site o segundo número, este já com participação maior de artistas e outras propostas estéticas estão presentes. Ao digitalizar e disponibilizar a Sopinha de Alfabeto em seu site, Mito presta uma linda homenagem ao percurso recente da literatura de seu país. Para quem admira ou pesquisa a arte do arquipélago, encontra ali um excelente material para compreensão do desenvolvimento literário de Cabo Verde.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Dia da Consciência Negra


Hoje, 20 de novembro, é o Dia de Zumbi, o Dia da Consciência Negra.

Dia para pensarmos nossas relações raciais/sociais. Dia para visualizarmos os muros invisíveis e continuarmos na incessante luta para rompê-los.

Dia para celebrar a diferença, o outro, o excluído.

Dia da busca pela igualdade, pela democracia racial, pelas oportunidades eqüitativas na educação, no mercado de trabalho, na vida.

Uma busca de todos os dias...

Ricardo Riso

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Amaury Mendes Pereira: Trajetórias e perspectivas do Movimento Negro Brasileiro

clique na imagem para vê-la ampliada

Lêdo Ivo: Réquiem, o longo caminho entre dois nada


"A linha que separa a terra do mar fulgura como um raio."

Ao Lêdo Ivo, ao Gonçalo e à família com carinho e admiração
.


Entre as artes, uma distingue-se pelo seu poder insuperável de criar imagens: é a poesia, que reina soberana nos versos recheados de metáforas imprevisíveis feitas pelos poetas.

Feliz o poeta revelador da palavra que “traz a marca / das coisas escondidas para sempre”. Feliz por falar de “Réquiem”, o novo livro de poesia de Lêdo Ivo. Lançado pela Contra Capa em bem cuidada edição, com fotos das obras de Gonçalo Ivo, seu filho, e um desenho visceral de Gianguido Bonfantti. Sobre as dezoito imagens de Gonçalo criadas para este livro propõem um profundo diálogo com os poemas. A fragmentação das imagens pelas fotografias, a serenidade das pinturas sobre machucadas superfícies remetem às reminiscências versadas pelo poeta.

Densa é a travessia de “Réquiem”. São longos poemas com reflexões sobre a trajetória da vida e da proximidade da morte, em espera tranqüila. Árduo o trabalho do poeta que rememora o passado, busca imagens esgarçadas do outrora traduzidas em vocábulos que anunciam a condição do que foi perdido ou restou: “estilhaços”, “escombros”, “sobras”, “destroços”. “Tudo o que perdi, perdi para sempre”, vaticina o poeta.

Diante dos mares recriados das suas alagoas, o poeta repensa a sua caminhada em longos versos contrastando com o tempo exíguo:

“e agora, diante do oceano exato e visível, diante do
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx[grande mar prosódico
nada sei sobre a travessia.
Após tantas viagens, esta é a última fronteira
que me cabe transpor.”

Serenidade, sabedoria, paz, despedida... a palavra poética a conduzir a travessia na mente do leitor em belas imagens de um eu lírico profundamente intimista:

“Agora o silêncio do mundo lacra a minha alma.
O róseo raio da rósea alvorada
aponta para a noite escura.
De mim mesmo afastado pela morte,
essa concha que não guarda o barulho do mar,
é aqui que termina, na lama negra dos maceiós,
o meu longo caminho entre dois nadas.”

Sensível e comovente, “Réquiem” nos faz repensar a existência.

Ricardo Riso

Réquiem
Lêdo Ivo
Pinturas de Gonçalo Ivo
Desenho de Gianguido Bonfantti
Editora Contra Capa
64 páginas – 16,8 x 24,5 cm
2008

Imagem extraída de

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Sararau - encontros com a poesia e as literaturas africanas

Um ótimo site para divulgação das literaturas africanas de língua portuguesa é o Sararau - encontros com a poesia e as literaturas africanas, www.sararau.com.br . Administrado pela Profa. Claudia Fabiana, o site procura difundir as propostas da lei 11.645/08, e ser um espaço aberto para os amantes da poesia, da arte e da literatura.

Nas postagens recentes, encontramos suas impressões sobre a FLIPORTO, evento literário realizado no início deste mês em Porto das Galinhas. Há entrevista com Pepetela e resenhas das palestras de Tony Tcheka, Paulina Chiziane, Luís Carlos Patraquim e outros em uma escrita singela.

Vale a visita!

Abraços,
Ricardo Riso

domingo, 16 de novembro de 2008

José Luís Tavares - Lisbon Blues (livro lançado no Brasil)

A Escrituras Editora - http://www.escrituras.com.br/ -, dentro da Coleção Ponte Velha, edição apoiada pelo Ministério da Cultura de Portugal e pela Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas (DGLB), publica Lisbon Blues, de José Luiz Tavares, organizado por Floriano Martins e ilustrações de Fernando Pacheco.

Este livro reúne dois títulos de José Luiz Tavares e o posfácio apresenta ensaio de José Luís Hopffer C. Almada (Cabo Verde, 1960), poeta e editor, já com destacada presença no meio editorial de seu país.

No poeta José Luiz Tavares, como em poucos poetas contemporâneos de língua portuguesa, é flagrante a irrupção de novos paradigmas mediante o primacial recurso à reinvenção da linguagem.

O já relativamente longo percurso literário de Tavares tem o seu ponto de partida no Liceu Domingos Ramos da Praia, onde co-fundou e dirigiu a folha juvenil Aurora (de iniciação às lides literárias), no já longínquo ano de 1987. Então “aprendiz de poeta e de ficcionista”, embebido de insaciável curiosidade intelectual e em pleno processo de maturação criativa, Tavares foi freqüentador regular das tertúlias literárias que, por essa altura, pululavam entre os jovens revelados dos anos oitenta na cidade da Praia.

Apaixonado cultor de poesia, insaciável na busca do novo na linguagem e na perscrutação do insondável para além do real cotidiano, municiado com os conhecimentos da técnica do verso, da tradição poética e da poesia contemporânea lusógrafas, da teoria da literatura e da filosofia que a formação universitária e um trabalho cotidiano, persistente, as leituras, múltiplas e transpirantes, José Luiz Tavares propôs-se ser um partícipe ativo e fecundo na invenção de um dizer novo, não só na poesia caboverdiana, como também em toda a poesia de língua portuguesa.

Sobre o autor:
José Luiz Tavares nasceu em Cabo Verde, em 10 de junho de 1967, mas reside em Portugal, onde estudou Literatura e Filosofia e onde escreve poesia. Com o livro Paraíso Apagado por um Trovão conquistou o prestigiado Prêmio Mário António – poesia 2004, da Fundação Calouste Gulbenkian, juntamente com a poeta angolana Ana Tavares. Tendo como grande referência o brasileiro João Cabral de Melo Neto, um dos grandes poetas da Língua Portuguesa, José Luís Tavares confessa que trata a escrita com o rigor matemático, como uma arte cujo produto acabado depende de apetrechos técnicos. "Não se trata apenas de inspiração, sonho ou do estado de espírito, mas também de habilidades que se desenvolve com a prática", frisa o poeta comparando a arte da escrita com a arte de pintar ou de esculpir. "As palavras são meus instrumentos de trabalho para pintar ou esculpir o meu pensamento através de parâmetros técnicos, com recurso à teoria e à metodologia", sublinhou.

A Coleção Ponte Velha foi criada por Carlos Nejar (Brasil), poeta, ficcionista, crítico e membro da Academia Brasileira de Letras, e pelo poeta António Osório (Portugal).

Livro: Lisbon Blues
Autor: José Luiz Tavares
ISBN 10:
ISBN 13: 9788575313121
Gênero: Poesia/Literatura Caboverdiana
Edição: 1ª Edição
Páginas: 208
Formato: 14x21
Peso: 0,245
Preço: R$ 32,00

Cabo Verde – José Luís Tavares e Glaúcia Nogueira ganham concurso literário promovido pelo MEC

A obra “Os secretos acrobatas” de José Luís Tavares foi premiada na categoria Obra Africana – poesia e a jornalista brasileira residente em Cabo Verde, Glaúcia Nogueira, foi premiada na categoria Biografia com a versão infantil de “O Tempo de B. Léza – Documentos e Memórias", primeiro livro da autora, no II Concurso Literatura para Todos, promovido pelo Ministério da Educação (MEC). Esse concurso é voltado para estimular a produção literária destinada a jovens e adultos em processo de alfabetização.

O resultado ainda é provisório, o oficial sairá hoje. De qualquer maneira, meus parabéns para o poeta cabo-verdiano José Luís Tavares e para a jornalista Glaúcia Nogueira!

Para ver os outros premiados pelo MEC, acesse
http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/concliteratura.pdf

Para ler a matéria publicada no MEC a respeito do concurso, acesse
http://portal.mec.gov.br/secad/index.php?option=content&task=view&id=138&Itemid=278

Abraços,
Ricardo Riso

Siaka, an african musician

por Ricardo Riso

Dei sorte ao escolher o primeiro documentário da Mostra do Filme Etnográfico 2008. Siaka, an african musician, produção francesa de Hugo Zemp, apresenta o multiinstrumentista que dá título ao filme. Siaka toca o “grande” balafone senufo, o “pequeno”balafone maninka, a harpa kora, guitarra elétrica e outros instrumentos no grupo de Soungalo Coulibaly, artista já falecido, líder de um conjunto que tocava em festas tradicionais pelo país, tendo alcançado reconhecimento internacional enquanto esteve em atividade.

Siaka executando o balafone

Passado na Costa do Marfim, o documentário surpreende por mostrar o hibridismo cultural do país metonimizado na figura contagiante do músico Siaka. Apaixonado pela música das suas etnias (mãe Senufo e pai Mande – de Burkina Farso), Siaka transpõe para o seu som ritmos diversos procurando aglutiná-los e revela ótimas misturas. Assim, pega referências da música do Mali, país de sua esposa, ritmos da Costa do Marfim tocados pelo grupo de Soungalo e sons de sua aldeia, sem temer a inserção da guitarra elétrica entre os instrumentos tradicionais africanos.

Sua desenvoltura entre os ritmos e instrumentos é impressionante. Podemos vê-lo compondo, aprendendo novos ritmos, ensinando as crianças e tocando nas várias festas tradicionais da Costa do Marfim; seu respeito aos mais velhos que o ensinaram a tocar o balafone e a generosidade com Soungalo. Siaka é uma pessoa extremamente simples, que faz da música o seu prazer, a forma de sustentar a sua família, de manter a sua cultura sem medo da modernidade, ou seja, a música é sua forma de viver e de expressar-se.

Além de apresentar a figura encantadora de Siaka, o documentário mostra a influência árabe no país, as animadas festas de ritos de passagem organizadas pelas mulheres, a confecção dos instrumentos do grupo de Soungalo Coulibaly e o cotidiano do simpático músico.

Aos sons incríveis extraídos dos balafones e da harpa kora, principalmente, o tempo de duração do filme passa com rapidez e leveza. Recomendo-o para quem quer conhecer a diversidade sonora do continente africano. Para isso, basta ir ao Museu da República (Rio de Janeiro) e solicitá-lo em uma das "cabines de visionamento", até o dia 19/11. É gratis.

O texto a seguir foi extraído de

http://www.worldofworship.org/pdfs/2_films_on_African_music_by_Hugo_Zemp.pdf


Siaka, an African musician
79 minutes
Siaka Diabaté is a musician at Bouaké, the second largest town in the Côte d’Ivoire. Through his mother's family he is Senufo, but through his father's ancestry he considers himself a Mande griot. He is a multi-talented professional musician, and for the local festivals plays five instruments: the Senufo and Maninka balafons, the kora harp, the dundun drum and the electric guitar.
This film shows Siaka playing in the group led by Soungalo Coulibaly before his death in 2004, including the use of jembé drums, which we also see being made.
Using long continuous shots that give priority to the music and to what Siaka and Soungalo have to say, this documentary introduces the audience to a fascinating
world of urban music that incorporates traditional songs and dances by griots. Shot on site during various festivities, this film presents a living portrait of this lovable and highly skilled musician working in a traditional environment, adding another dimension to the pleasure of seeing and hearing him during his international tours.
Easy to use for teaching, with 7 chapters: Introduction; The large Senufo balafon; the little Maninka balafon; Workshop of jembe drums; The dundun drum; The kora
harp; The electric guitar.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

África?, diversidade de trabalhos marca a exposição

Por Ricardo Riso

Na sexta-feira terminará a boa e instigante exposição África?, com curadoria de Roberto Conduru, na Galeria Cândido Portinari da UERJ. Trata-se de uma ótima oportunidade para conhecer a recente produção de jovens artistas, com obras inspiradas na cultura afro-brasileira e suas matrizes africanas.

Essas propostas já nos legaram excelentes trabalhos como os de Hélio Oiticica, a constante e de altíssimo nível obra de Rubem Valentim, as belas esculturas orgânicas prontas para voar de Mestre Didi, além de Ronaldo Rêgo, Artur Bispo do Rosário, Abdias Nascimento e tantos outros que trilharam as incontáveis possibilidades de criação a partir das nossas raízes africanas e afro-brasileiras.

Conduru, com a competência característica, foi extremamente feliz ao abordar a multiplicidade temática e as várias linguagens apresentadas pelos artistas, o que demonstra a nossa complexa relação acerca da participação do que seria africano ou afro-brasileiro em nossa cultura. Daí, o pertinente título da exposição: África?, pois este questiona exatamente o conceito predominante do que representa o continente africano em nosso imaginário, sempre demonstrado com formulações simplórias e estereotipadas. É inevitável ao associarmos o título proposto pelo curador e não estendermos o pensamento à outra questão: Áfricas? O que seria uma apropriação mais ampla diante das várias manifestações africanas em nosso país e relidas por nós, alcançando novos prismas e diferenciando-se do outrora vindo da outra margem do Atlântico.

Logo, tal diversidade é natural em nossa cultura, conduzindo a uma fragmentação, a um hibridismo intenso que angustia quem pretende definir essas propostas sem considerar o constante diálogo e confronto entre as referências culturais, formadoras de nossa população. Um exemplo clássico poderia ser o nosso sincretismo religioso.

Ao olharmos para os trabalhos de África?, apreende-se como a hibridização cultural encaixa-se com as inquietações contemporâneas no campo das artes plásticas, sem abandonar a crítica social em relação à história do negro brasileiro. Quando se está à frente de trabalhos como os de Leila Dazinger, pode-se perceber esta linha de pensamento. Ao pintar sobre folhas de jornais, a artista denuncia a exclusão da situação desfavorável do negro, negada nos principais canais de comunicação.

Outra proposta interessante é a de Cristina Salgado e seus singelos rostos/máscaras indefinidos, imprecisos, inquietantes. Diante desses rostos feitos por Salgado, questiona-se qual é o rosto, ou melhor, quais são os rostos do(s) afro-descendente(s), escancarando o multiculturalismo brasileiro.

A instalação de Cristina Pape aproveita-se de algo muito comum em nossas vidas: as plantas de cura e as usadas na culinária. Um trabalho lírico, orgânico e irônico que mostra a forte presença dessas plantas e que esquecemos de sua origem africana.

Como não poderia deixar de ser, a presença da religiosidade encontra-se em Wuelyton Ferreira com entidades recriadas pelo artista, e a leveza apropriativa das missangas de Junior de Odê em uma instalação simbolizando os orixás. Assim como nas belas fotografias, carregadas em erotismo de Francisco Costa.

A exposição África? vale pela ausência de respostas. Vale pelas perguntas que faz ao visitante. Vale pelos trabalhos de alta qualidade, pela boa montagem. Vale por falar de uma parte da nossa cultura que tentam minimizar, mas que está aí, está por toda a parte, está em nós.


ÁFRICA?
Local: Galeria Cândido Portinari / UERJ
Rua São Francisco Xavier, 524 – Maracanã
Tel.: (21) 2587-7796 / 7182
Inauguração: 14 de outubro de 2008, a partir das 19h
Visitação: até 14 de novembro, de segunda a sexta, das 9h às 20h
ENTRADA FRANCA

UFRJ - Literaturas Africanas: conhecer para amar, dias 17 e 28/11





LITERATURAS AFRICANAS: CONHECER PARA AMAR

Dia 17 de novembro de 2008 (segunda-feira)

OLHARES SOBRE A POESIA E A FICÇÃO DE ANGOLA E MOÇAMBIQUE
9:00 - Abertura – Auditório G1
9:15 - Declamações de poemas africanos pelos alunos

9:30 às 11:00 – Mesa-redonda com os escritores Peptela e Ondjaki– Auditório G1



11:00 às 11:15 - Declamações de poemas africanos pelos alunos
11:15 às 13:00 – Mesas de Comunicações


Mesa 1: G1
POESIA E PINTURA EM AUTORES DE CABO VERDE E MOÇAMBIQUE

Coordenador: Diego Alves Moreira
1. Vinícius Antunes da Silva: Parábola caboverdiana: Almada e Figueira entre o Éden e o Hades
2. Giselly Pereira: O mar e a mulher em Cabo Verde através da poesia de Vera Duarte e da pintura de Hileno Barbosa
3. Viviane Mendes de Moraes: Memória, mito e erotismo em José Craveirinha e Malangatana Valente

Mesa 2: G2
A REINVENÇÃO DAS PALAVRAS NA FICÇÂO DE MIA COUTO E LUANDINO VIEIRA

Coordenadora: Roberta Guimarães Franco
1. Ramon Ramos: A terra de hoje e os rios de ontem
2. Fernanda Drummond: Luandino Vieira: umas veredas
3. Paulo José Filho: Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra: aspectos da oralidade que geram o real e o fantástico

Mesa 3: E1
POESIA MOÇAMBICANA

Coordenadora: Edna Nazaré Batista Tourão
1. Kim Albano de Barros e Élvio Cotrim : Rui Knopfli e uma poética da citação
2. Thaís Santos: A dinamicidade temporal mítica na poética de José Craveirinha: a cosmogonia de uma nova literatura

Mesa 4: E2
O RISO E A IRONIA EM TEXTOS ANGOLANOS E CABO-VERDIANOS

Coordenadora: Lucimar Francisco Ribeiro
1. Priscila da Silva Campos: Viriato da Cruz e o transcriar irônico da angolanidade
2. Nilzelaine Silva dos Anjos: Aspectos da crônica e da ironia na poesia de Viriato da Cruz
3. André Salviano: João Melo espelhando Machado de Assis

13:00 às 14:00 – almoço

14:00 às 15:45 - Mesa-Redonda sobre Ficção – Auditório G1

1. Otavio Meloni (coordenador): Traços poéticos, fronteiras da língua
2. Renata Flávia: A Literatura Angolana e seus espaços ficcionais
3. Roberta Franco: Luandino Vieira, Pepetela e Ondjaki: infância e violência em três momentos da literatura (e da história) de Angola
4. Robson Dutra: O terrorista de Berkeley, Califórnia, de Pepetela e a cartografia identitária de Angola

Dia 28 de novembro de 2008 (sexta-feira):

9:00 às 11 h - Projeção do filme O Testamento do Sr. Napumoceno –Auditório G1

UM POUCO DE ANGOLA E CABO VERDE
11:00 às 13:00 – João Melo (Literatura, Sociedade e História) , Brito Semedo (Cabo Verde: A Construção da Identidade Nacional) , Mito e Fátima Fernandes
Coordenação Dra. Laura Padilha – Auditório G1

13:00 às 13:15 - Declamações de poesia pelo grupo “Metaforia”
Coordenação: Dra. Teresa Salgado – Auditório G1

13:15 – Autógrafos do livro Filhos da Pátria, de João Melo


*E-mail enviado pela Profa. Carmen Lucia Tindó Secco, no 12 de novembro de 2008, às 03h32.