
A todos os visitantes deste blog, um feliz 2009!!!
Abraços,
Ricardo Riso
Um espaço dedicado à literatura negro-brasileira, às literaturas africanas de língua portuguesa e demais literaturas negro-diaspóricas
Boa noite, resistência. Boa noite, brancos. Este é um espetáculo didático, panfletário e interativo. Portanto... Meu nome é Wensley de Jesus. Sou negro e estou fora! Faço questão de dizer isso. Não concordo com esse sistema estruturado por brancos há séculos para nos colocar em padrões que interessam a eles. Por isso, estou fora! Porque para mim, ser negro é isso, estar fora, cavando, buscando evoluir. (...)
(Fala da personagem Wensley, Cabaré da Raça)
Encerra-se neste final de semana a curta mostra do Bando de Teatro Olodum, no Teatro Villa-Lobos (RJ), com apresentações das peças Sonho de uma Noite de Verão – uma releitura de Shakespeare, e Áfricas, o contagiante e belo espetáculo infanto-juvenil.
As peças do BTO seguem as propostas do grupo musical: de reconstrução da história sob um olhar negro; da valorização de hábitos e costumes afro-brasileiro e africano; e das denúncias contundentes das mais variadas formas de discriminação racial em nossa sociedade. Sendo este, o foco da peça “Cabaré da Raça” que reivindica uma nova postura do cidadão negro ao procurar conscientizá-lo da opressão vivida por séculos de escravidão e dilaceramento de suas raízes.
Ao utilizar situações banais do cotidiano presentes na maneira como o negro é tratado, o BTO mostra a linguagem internalizada por nós como cruel, repressora e devastadora em relação ao negro, o que torna o espetáculo esclarecedor, inquietante e incômodo.
O riso da platéia, quando surge, e infelizmente perpassa todo o espetáculo, revela o costume inconsciente da discriminação, que, na peça, surpreende por ser ironizado por negros em acontecimentos que trafegam do menosprezo à exclusão. As expressões faciais fechadas, "marrentas", os olhares agressivos e a postura corporal determinada, ereta e insubmissa contradizem os risos. Exemplos notórios são as passagens em que as personagens esteriotipadas reforçam os clichês submetidos aos negros. Enquanto isso, o resto do elenco vira-se para o fundo do palco, reprimindo tais atitudes. Nessas ocaisões, não há espaço para gargalhadas. Entretanto, elas acontecem.
Por ser interativo, o grande acerto da montagem, percebemos o quanto as questões étnicos-raciais são pessimamente trabalhadas e encaradas pela platéia quando questionada pelo elenco. Uma clara metonímia da sociedade brasileira, pois o mito da democracia racial prevalece apesar das diversas manifestações de detrimento ao negro, encenadas durante o espetáculo.
Contudo, Cabaré da Raça, cumpre a sua função por ser um espetáculo panfletário, interativo e conscientizador. Feito por negros, para os negros e para toda a nossa sociedade, pois demonstra o quanto temos de hipocrisia nas nossas relações, apresenta a perversidade da língua que reforça os estereótipos perpetrados pela mídia dominante, e escancara a urgência do negro em valorizar a auto-estima e forçar a ocupação de espaços proibidos a ele durante séculos de repressão.
Por Ricardo Riso
Na recente viagem a São Paulo, eu tinha programado duas visitas além do Seminário CONTRAVENTO, PEDRA-A-PEDRA na USP: a primeira à 28ª Bienal de Artes, em seguida, ao Museu AfroBrasil, ambos no Parque do Ibirapuera.
Quando conheci o artista plástico cabo-verdiano Mito no primeiro dia do Seminário, logo fiz esse convite que foi aceito imediatamente. Estendi-o às profas. Norma Lima e Sonia Santos que também se mostraram animadas com o passeio.
Na sexta-feira, a Profa. Sonia Santos conseguiu fechar um pequeno grupo de cabo-verdianos: o poeta Filinto Elísio, a documentarista Margarida Fontes, Mito, o jornalista Alveno Figueiredo e Silva e o Prof. Moacyr Rodrigues, incentivando-os com a ida ao Museu AfroBrasil, que estava fora da programação do seminário. Além deles, a Profa. Norma e a Graça, graduanda da USP.
Da esquerda para a direita: Filinto Elísio, Margarida Fontes, Mito e Emanoel Araújo
Chegando à biblioteca, Profa. Dra. Norma Lima e Profa. Dra. Sonia Santos.
Após as apresentações, Filinto Elísio assumiu a função de porta-voz do grupo e destacou a importância em se estreitar os laços entre Cabo Verde e o Museu AfroBrasil. Já Emanoel Araújo expôs a vontade de concretizar essa aproximação e comentou sobre as dificuldades em manter um espaço dedicado à temática afro-descendente.
Emanoel Araújo e a nossa delegação
Encerrada a reunião, Araújo conduziu-nos pelo Museu passando preciosas informações acerca do acervo e levou-nos à ampla biblioteca. Para terminar nosso dia, brindou cada um de nós com o belo catálogo da Instituição.
Emanoel Araújo autografando o meu catálogo.
Foi uma tarde agradável que coroou o trabalho de bastidores da Profa. Sonia Santos para que os nossos companheiros cabo-verdianos fossem atendidos por Emanoel Araújo, sendo um passo inicial para que Cabo Verde e o Museu AfroBrasil estreitem as relações. Eu fiquei feliz por participar desse momento, por conhecer a grandiosidade do Museu e ter noção da necessidade de um espaço tão belo e tão bem cuidado, dedicado à cultura do negro brasileiro e, principalmente, um espaço para termos maior amplitude da formação identitária brasileira. O Museu AfroBrasil presta um excelente serviço por apresentar um olhar excluído pela história oficial.
Quando estiver em São Paulo, não deixe de visitar o Museu AfroBrasil e descubra o excepcional trabalho ali realizado, levando-o a conhecer a história do negro brasileiro, por conseqüência, a nossa história.
MUSEU AFROBRASIL
Rua Pedro Álvares Cabral, s/nº
Pavilhão Manoel da Nóbrega
Parque do Ibirapuera, portão 10
04094-050 - São Paulo, SP
Outros telefones: 5579-8542 / 5579-7716 / 5579-6399
http://www.museuafrobrasil.com.br
E-MAIL: agendamento@museuafrobrasil.com.br
O Museu funciona todos os dias, exceto às 2ªs feiras
Horário de atendimento: das 10h às 17h
A organizadora do seminário Profa. Dra. Simone Caputo Gomes (USP) na palestra de abertura
O primeiro dia começou com homenagens à Profa. Dra. Simone Caputo Gomes e à Ministra da Educação de Cabo Verde, Vera Duarte. A seguir, o historiador e embaixador de Cabo Verde no Brasil, Daniel António Pereira, ministrou palestra sobre a relação do arquipélago com o nordeste brasileiro. Logo depois, o Prof. Manuel Brito-Semedo (Universidade Jean Piaget de Cabo Verde) traçou uma concisa trajetória da construção da identidade nacional cabo-verdiana. Nesta mesa, os debatedores foram o Prof. Dr. Benjamin Abdala Jr. (USP), a Profa. Dra. Rita Chaves (USP) e o Prof. Sérgio Paulo Adolfo (UEL).
Ao centro, a lingüista Dulce Almada Duarte proferindo a palestra "Do pidgin de 500 ao crioulo cabo-verdiano"
À tarde, o antropólogo João Lopes Filho nos mostrou algumas manifestações culturais do arquipélago, com ênfase no sincretismo religioso. Entretanto, sua exposição acelerada prejudicou a compreensão de algumas passagens importantes. Depois, Moacyr Rodrigues ministrou palestra sobre a presença do terra-longismo na música e na literatura de Cabo Verde.
O antropólogo João Lopes Filho (Universidade de Cabo Verde), Prof. Moacyr Rodrigues, Profa. Dra. Sonia Santos (FAFIMA/Macaé), Profa. Vima Lia de R. Martin (USP) e Prof. Jorge Valentim (UFSCAR)
Para encerrar o dia, uma mesa composta pela competentíssima Profa. Dra. Maria Nazareth Soares Fonseca (PUC/MG), a Profa. Salete Cara (USP) e os conferencistas Tomé Varela da Silva (poeta e pesquisador) e José Maria Semedo (Universidade de Cabo Verde). Silva abordou diversos aspectos das tradições orais do arquipélago e Semedo apresentou o batuque do século XIX até os dias atuais, contaminado por instrumentos elétricos, participação masculina etc.
A Profa. Dra. Maria Nazareth Soares da Costa (PUC/MG), o pesquisador e poeta Tomé Varela da Silva, o Prof. José Maria Semedo (Universidade de Cabo Verde) e a Profa. Salete Cara (USP)
No calçadão do MAC/USP: Carmen Lucia Tindó Secco (UFRJ), Fátima Fernandes (Universidade de Cabo Verde), Maria Nazareth Soares Fonseca (PUC/MG), Norma Lima (UNESA) e Tânia Macedo (USP)
Segundo dia
O segundo dia começou com a bela comunicação de Vera Duarte sobre a presença das mulheres desde os primórdios da literatura cabo-verdiana e a relação de afetos entre as literaturas de Cabo Verde e Brasil. Sua fala, concisa e segura, foi um dos grandes momentos do Seminário.
Profa. Dra. Sonia Santos (FAFIMA/Macaé) e Ricardo Riso
Na mesa em que as mulheres reinaram, o momento mais belo e lírico de todo o Seminário deve-se à escritora Fátima Bettencourt após a leitura de uma crônica sinestesicamente linda sobre a cultura crioula, relacionando-a com cheiros e sabores do milho. Com voz suave, pausada e elegante, Bettencourt envolveu a todos em um profundo silêncio encerrando sua participação com a leitura do poema “Oração ao milho” de Cora Coralina, que aqui transcrevo:
Senhor, nada valho.
Sou a planta humilde dos quintais pequenos
e das lavouras pobres.
Meu grão, perdido por acaso,
nasce e cresce na terra descuidada.
Ponho folhas e haste, e se me ajudardes, Senhor,
mesmo planta de acaso, solitária,
dou espigas e devolvo em muitos grãos
o grão perdido inicial, salvo por milagre,
que a terra fecundou.
Sou a planta primária da lavoura.
Não me pertence a hierarquia tradicional do trigo
e de mim não se faz o pão alvo universal.
O Justo não me consasgrou Pão de Vida, nem
lugar me foi dado nos altares.
Sou apenas o alimento forte e substancial dos que
trabalham a terra, onde não vinga o trigo nobre.
Sou de origem obscura e de ascendência pobre,
alimento de rústicos e animais de jugo.
Quando os deuses da Hélade corriam pelos bosques,
coroados de rosas e de espigas,
quando os hebreus iam em longas caravanas
buscar na terra do Eito o trigo dos faraós,
quando Rute respigava cantando nas searas de Booz
e Jesus abençoava os trigais maduros,
eu era apenas o bró nativo das tabas ameríndias.
Fui o angu pesado e constante do escravo na
exaustão o eito.
Sou a broa grosseira e modesta do pequeno sitiante.
Sou a farinha econômica o proletário.
Sou a polenta do imigrante e
a miga dos que começam
a vida em terra estranha.
Alimento de porcos e do triste mu de carga.
O que me planta não levanta
comércio, nem avantaja dinheiro.
Sou apenas a fartura penosa e
despreocupada dos paióis.
Sou o cocho abastecido donde rumina o gado.
Sou o canto festivo dos galos na glória
do dia que amanhece.
Sou o cacarejo alegre das poedeiras
à volta dos seus ninhos.
Sou a pobreza vegetal agradecida a Vós, Senhor,
que me fizestes necessário e humilde.
Sou o milho.
(http://www.lilianreinhardt.prosaeverso.net/blog.php?idb=11665)
Prof. Emerson Soares (USP) e a escritora Fátima Bettencourt. Foto de Norma Lima.
Na parte da tarde, as ações concentraram-se no CINUSP com três documentários realizados pela jornalista Margarida Fontes. O primeiro mostrava aspectos históricos da Cidade da Praia; o segundo era uma bonita biografia sobre o claridoso Manuel Lopes; e o terceiro tratava sobre o crônico problema da água potável em Cabo Verde, apresentando alternativas para acentuar o drama do arquipélago.
Profa. Dra. Norma Lima, a documentarista Margarida Fontes e o artista plástico Mito em debate no CINUSP.
Após um rápido intervalo, tivemos uma séria de clips do meu amigo, o artista plástico Mito. Experimentar é uma boa definição para o ousado Mito, artista único no panorama cabo-verdiano. Seus vídeos inquietantes e não-lineares – alguns lembram os works in progress de Hélio Oiticica e Neville de Almeida (que será abordado por mim em um futuro texto) –, revelam as múltiplas facetas de sua obra que retrata temas típicos de Cabo Verde, porém, com tendências universais, e altamente antenados com as propostas contemporâneas dos principais centros de arte do mundo. Destaque absoluto para o clip em que uma batida de drum’bass faz o fundo para a voz da tradicional cantadeira de batuque Nácia Gomi, sendo as imagens de um estádio de futebol lotado, comemorando a vitória da seleção do país.
O artista plástico e poeta Mito, Ricardo Riso e o poeta Filinto Elísio na entrada do MAC/USP
Em seguida, o debate com a claridosa participação da Profa. Dra. Norma Lima (UNESA), que com segurança e seu olhar perspicaz abrilhantou as discussões com suas observações. Enquanto Mito revelou o seu inquietante processo criativo, que mescla diversos meios de linguagem e referências de estilos artísticos. Aproveito para agradecer a generosidade de Mito ao citar o texto que fiz para a Sopinha de Alfabeto durante a sua fala.
Profa. Dra. Norma Lima (UNESA)
Nesta mesa ainda tivemos intervenções calorosas e coerentes dos poetas Filinto Elísio e Mário Fonseca acerca de um olhar amplo da produção literária cabo-verdiana pós-Claridade, antecipando o que viria no debate do dia seguinte.
Terceiro dia
No último dia de debates, a Profa. Dra. Maria Teresa Salgado (UFRJ), a Profa. Dra. Rejane Vecchia (USP) e o Prof. Dr. Mário César Lugarinho (USP) formaram a mesa inicial com os conferencistas Profa. Fátima Fernandes (Universidade de Cabo Verde) e o poeta Filinto Elísio. A Profa. Fernandes comentou sobre a importância dos escritores João Vário (que ainda não conheço), Corsino Fortes e José Luís Tavares na literatura do arquipélago. Depois, o incisivo Filinto Elísio (o grande destaque do Seminário) falou sobre a poesia surgida a partir dos anos 1980 com forte presença existencialista, diferindo-a da tradição claridosa dominante no cenário literário do arquipélago. Elísio criticou a insistência das temáticas da Claridade, que engessam o desenvolvimento da literatura em Cabo Verde, contudo, reconhece o valor da poesia dos claridosos e frisou que sua contestação se refere “não a Cristo, mas aos cristãos”. Suas declarações deixaram os ânimos inflamados e poetas como Mário Fonseca e Corsino Fortes expuseram suas opiniões contrárias. Esta mesa foi o grande momento do Seminário.
O poeta Filinto Elísio com o tema "A literatura não claridosa de Cabo Verde: a deriva existencialista da nova poesia cabo-verdiana" e a Profa. Fátima Fernandes (Universidade de Cabo Verde)
Para finalizar a manhã, Corsino Fortes e Mário Fonseca foram mediados por Tania Macedo. Corsino, com sua fala pausada e serena, recitou alguns de seus belos poemas. Já Fonseca, com sua fala expressionista, foi severo com a fragilidade da nova produção literária cabo-verdiana, segundo ele de baixíssima qualidade.
Profa. Dra. Tania Macedo (USP), o poeta Mario Fonseca e o poeta Corsino Fortes
Para encerrar o ciclo de debates, a aguardada palestra de Kiki Lima, tendo à mesa a Profa. Dra. Simone Caputo Gomes, a Profa. Dra. Carmen Lucia Tindó Secco (UFRJ) e o jornalista e pesquisador da música cabo-verdiana Alveno Figueiredo e Silva. Este, apresentou as relações entre a música do arquipélago e a influência dos nossos cantores de rádio no período colonial, com belas fotos e boas canções selecionadas.
A organizadora do Seminário, Profa. Dra. Simone Caputo Gomes (USP), Profa. Dra. Carmen Lucia Tindó R. Secco (UFRJ) e o pintor-músico-poeta Kiki Lima
Já Kiki Lima teorizou sobre as suas idéias do que é fazer pintura, do que representar, como e por quê. Apresentou imagens que percorreram toda a sua obra e as fases pelas quais passou: a princípio com uma forte crítica social, lembrando os muralistas mexicanos, até chegar na fase impressionista, por congelar o tempo, e expressionista ensolarada, por seu gestual agressivo que concilia ritmo as suas pinceladas, a “pincelada rítmica” à qual citei em um artigo aqui no blog e que foi mencionada pela Profa. Dra. Carmen Lucia Tindó Secco. Kiki ainda apresentou suas composições ao violão e cantou suas músicas que emocionaram a todos, encerrando sua participação.
Riso e Mito na exposição de pinturas de Kiki Lima, anexo MAC/USP (foto oficial do Seminário)
Para finalizar o Seminário, no anexo do MAC/USP houve um desfile de moda cabo-verdiana tradicional e moderna, coordenado pela estilista Teodora Neves.
Desfile de Moda Cabo-Verdiana. Foto de Norma Lima.
A confirmação
Parece-me que foi para lá de positivo o CONTRAVENTO, PEDRA-A-PEDRA: I Seminário Internacional de Estudos Cabo-Verdianos. Ótimo em vários sentidos, pois revi professores de outras Instituições e conheci outros, fiz contatos com diversos escritores, comprei livros que jamais pensaria em tê-los e participei de palestras que contribuíram para a minha compreensão de diversos aspectos da cultura cabo-verdiana.
CONTRAVENTO, PEDRA-A-PEDRA serviu para consolidar e dar maior visibilidade aos estudos sobre Cabo Verde em nosso país, coroando todo o esforço da Profa. Dra. Simone Caputo Gomes ao longo de mais de três décadas.
Ricardo Riso e Norma Lima
Parabéns, Profa. Simone! Parabéns aos conferencistas e toda equipe que trabalhou para a realização deste evento!
CONTRAVENTO, PEDRA-A-PEDRA foi um momento histórico. Aguardo o próximo.
Ricardo Riso
Estive na capital paulistana nesta semana. Como em todas as vezes, o circuito de artes plásticas sempre me atraiu e não poderia ser diferente desta vez, pois a Bienal de Artes de São Paulo está aberta e a cidade não decepciona quando se trata de eventos artísticos.
Riso brincando no parquinho da Bienal de Artes de São Paulo
Por outro lado, o vazio citado corresponde ao momento que estamos vivendo. Sociedade sem sentido, vidas desperdiçadas e despedaçadas, sonhos esgarçados, memórias fraturadas, ausência de afetos, fim das utopias. Vazio de idéias, vazio de criatividade. Ou seja, a arte ali representada retrata a miséria em que vivemos. A miséria mental da contemporaneidade do neoliberalismo em estado terminal.
Entendiado com a Bienal. Realmente, o melhor da Bienal está no salão vazio.
A destacar, com profunda tristeza, o salão completamente vazio, por que é melhor do que as obras expostas em todo o prédio, e o escorrega, pois nele podemos sair rapidamente do prédio e do fajuto parquinho de diversões que se tornou a Bienal nesta edição.
O que resta na Bienal: brincar. Riso na chegada do escorrega. Foto de Norma Lima.
Bienal banal bienada. Adeus.