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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Breve História Colonial em África, pinturas de Tchalê Figueira no BUALA

O artigo de minha autoria Para não esquecer o passado – Breve História Colonial em África, pinturas de Tchalê Figueira foi publicado no portal Buala - cultura contemporânea africana, organizado por Marta Lança. Para acessar o artigo, clique aqui.

RESUMO: A sangrenta experiência colonial em África consolidada durante a Conferência de Berlim (1884-1885) é retratada de forma corrosiva nas pinturas da série “Breve História Colonial em África”, do artista plástico Tchalê Figueira, que objetiva não deixar que esse triste passado seja revisto de forma branda ou rasurado da História. Com isso, o artista procura desvelar terríveis personagens e demonstra a agonia dos povos africanos em um expressionismo voraz e de forte impacto. A análise aqui presente pretende mostrar como Tchalê Figueira realiza plasticamente em dez pinturas (anexadas ao final do texto) suas denúncias ao sistemático genocídio de negros africanos durante o colonialismo. O suporte teórico escora-se nos historiadores Joseph Ki-Zerbo, Carlos Moore, Albert Memmi, entre outros.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Tchalê Figueira - Breve História Colonial em África (artigo publicado em Portugal)

REVISTA TRIPLOV de Artes, Religiões e Ciências (Portugal)

Nova Série 2012 Número 23-24
ISSN 2182-147X

Para não esquecer o passado – Breve História Colonial em África, pinturas de Tchalê Figueira
Ricardo Riso

RESUMO: A sangrenta experiência colonial em África consolidada durante a Conferência de Berlim (1884-1885) é retratada de forma corrosiva nas pinturas da série “Breve História Colonial em África”, do artista plástico Tchalê Figueira, que objetiva não deixar que esse triste passado seja revisto de forma branda ou rasurado da História. Com isso, o artista procura desvelar terríveis personagens e demonstra a agonia dos povos africanos em um expressionismo voraz e de forte impacto. A análise aqui presente pretende mostrar como Tchalê Figueira realiza plasticamente em dez pinturas (anexadas ao final do texto) suas denúncias ao sistemático genocídio de negros africanos durante o colonialismo. O suporte teórico escora-se nos historiadores Joseph Ki-Zerbo, Carlos Moore, Albert Memmi, entre outros.

Artigo completo aqui.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Tchalê Figueira - Breve História Colonial em África

Para não esquecer o passado – Breve História Colonial em África, pinturas de Tchalê Figueira
Ricardo Riso

RESUMO: A sangrenta experiência colonial em África consolidada durante a Conferência de Berlim (1884-1885) é retratada de forma corrosiva nas pinturas da série “Breve História Colonial em África”, do artista plástico Tchalê Figueira, que objetiva não deixar que esse triste passado seja revisto de forma branda ou rasurado da História. Com isso, o artista procura desvelar terríveis personagens e demonstra a agonia dos povos africanos em um expressionismo voraz e de forte impacto. A análise aqui presente pretende mostrar como Tchalê Figueira realiza plasticamente suas denúncias ao sistemático genocídio de negros africanos durante o colonialismo. O suporte teórico escora-se nos historiadores Joseph Ki-Zerbo, Carlos Moore, Albert Memmi, entre outros.

 
Eis-me aqui África/ nas tuas entranhas/
de onde afinal/ nunca saí/
eis-me aqui África/ eis-me aqui/
aqui.
(Mário Fonseca)

Neste início de século XXI vivenciamos perigosos revisionismos históricos com o intuito de suavizar imensas tragédias da história da Humanidade, que encontram espaços generosos nos veículos de comunicação dominantes em uma procura incessante para silenciar as vozes de pesquisadores comprometidos com os estudos pós-coloniais, desveladores de visões que desmascaram os cínicos e hipócritas discursos hegemônicos.

Vários são os agentes nos países pós-coloniais nas diversas áreas do saber e das artes a lutarem contra a história oficial de suas nações. No continente africano essa situação é ainda mais grave, dentre vários motivos, em razão do recente processo de soberania desses países, principalmente as ex-colônias de língua portuguesa: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

Atento ao tempo em que vive e às mazelas que uma perniciosa amnésia induzida em relação à representação do colonialismo em África, o artista plástico e também escritor Tchalê Figueira elaborou a recente série de pinturas intituladas “Breve História Colonial em África”, na qual procura resgatar terríveis passagens vivenciadas pelos africanos na virada do século XIX para o XX.

Atendendo sugestão de G. T. Didial, um dos heterônimos de João Manuel Varela, Carlos Alberto Silva Figueira passa a usar o nome Tchalê (nome pelo qual é conhecido pelos moradores de sua cidade) para designá-lo. Nasceu em 1953, no Mindelo, ilha de São Vicente, Cabo Verde. Aos 17 anos, em meio às guerras de libertação nas colônias africanas dominadas por Portugal, em um ato de rebeldia, Tchalê decide sair clandestinamente de Cabo Verde para não servir ao exército fascista português e assim lutar contra seus pares. Ruma a Roterdã, na Holanda, mas pouco tempo aí permanece. Viaja pelos mares da Europa à Ásia e às Américas. Em 1974, fixa-se na cidade da Basileia, Suíça, onde frequenta a escola de belas-artes e torna-se artista plástico. Retorna ao Mindelo somente em 1985 onde encontra-se até hoje. Atualmente é um dos mais prestigiados artistas plásticos de Cabo Verde com obra reconhecida por diversos países. Além disso, já possui uma considerável obra literária com os seguintes livros de poesia: “Todos os náufragos do mundo” (1992), “Onde os sentimentos se encontram” (1998) e “O azul e a luz” (2002); enquanto em prosa publicou “Ptolomeu e a sua viagem de circum-navegação” (2005), “Solitário” (2005) e “Contos da Basileia” (2011).

Acompanho com extremo interesse as obras plásticas e literárias de Tchalê Figueira através de seu blog “Arco da Velha” – tchale.blogspot.com – ou por redes sociais como o Facebook. Tchalê é um artista inquieto, indignado e revoltado com as injustiças de diversas ordens, principalmente as motivadas por políticos, e não deixa de expor suas opiniões com veemência. Essa vontade de manifestar-se a favor dos oprimidos acompanha suas pinturas, tornando-se uma característica costumeira. Estão lá representados os homens e mulheres marginalizados da cidade do Mindelo, na sua rua da Praia. Prostitutas, bêbados, traficantes, pescadores, pessoas ociosas do cotidiano e esquecidas pelo poder público, mas que ganham representatividade em suas telas. Uma pintura expressionista em suas formas distorcidas da figuração humana – geralmente em primeiro plano –, muitas vezes agressivas na denúncia social, em outras ocasiões apresentam-se irônicas, como também podem ser alegres nas celebrações festivas do cabo-verdiano. Suas cores obedecem a recusa de representação do real típica do fauvismo francês. Os fundos de suas telas costumam ser grandes manchas de cor, abstratizantes e de gestualidade agressiva como os melhores nomes do expressionismo abstrato, dentre tantos, Clifford Stills, são indefinidos e com a intenção de destacar a presença da figuração humana, pois é do homem que a obra deste mindelense se preocupa. Ou seja, Tchalê Figueira possui uma identidade plástica, ou como afirmou G. T. Didial: “há nestas obras uma linguagem própria e uma visão de mundo” (DIDIAL, 1999, p. 98). Traço característico e temáticas de forte contundência social são marcas as telas deste grande pintor.

Breve História Colonial em África

A partir de 1860 o continente africano sofre com os violentos ataques dos europeus, favorecidos por tecnologia bélica avançada à época, que Tchalê Figueira representa nas abomináveis figuras de Leopold II (Anexo I), rei da Bélgica, e incentivador das atrocidades cometidas no Congo, seguidas pelo desbravador e sanguinário Henry Stanley, representado na pintura “Henry Stanley, o monstro” (Anexo II) e “Stanley Cap” (Anexo III), para quem “os selvagens apenas respeitam a força, o poder, a audácia e a decisão” (SERRANO, WALDMAN, 2008, p.216), e pelo não menos abominável Guillaume Van Kerckhoven (Anexo IV) e do odioso Otto Von Bismarck na pintura “Clube alemão das colônias – Peitche und Zuken Brot” (Anexo V), um dos articuladores da Conferência de Berlim.
LEOPOLOD II DA BÉLGICA - O NOVO DONO DO REINO DO CONGO

HENRY STANLEY, O MONSTRO


STANLEY CAP
GUILLAUME VON KERKCHAVEN
CLUBE ALEMÃO DAS COLÔNIAS
Nas telas representativas desses repugnantes seres humanos, Tchalê recorre ao uso do texto para não deixar dúvidas sobre quem está representado. Para além da denúncia, salienta-se o caráter didático e necessário para que esses protagonistas do genocídio étnico não sejam rasurados da história africana. A representação da força e da soberania na figura ornada com suas patentes e designações reais de Leopold II (Anexo I), seu sorriso sádico em rosto típico de máscara africana, contrastam com o pavor dos africanos mortos e da presença predominante do vermelho a sangrar nosso olhar, a esquartejar nossa memória, e a partir daí, a retomada de consciência de um passado desesperador que a História não pode apagar. O pintor reflete em expressões hostis e sorrisos expondo carnívoros dentes as violentas ações desses monstros no período colonial. Aliás, de um modo geral, os sorrisos perversos com dentes escancarados são caracterizadores na obra plástica de Figueira dos líderes repressores da história da Humanidade em suas diversas facetas.

As expressões reveladas nas pinturas de Tchalê demonstram o ódio pelos africanos e o prazer que essas figuras tinham em cumprir as suas cruéis missões. Pinturas agressivas, todavia, jamais ultrapassariam os atos violentos motivados por seus personagens, que, infelizmente, foram reais. E trata-se de uma realidade para a qual não devemos esquecer. Homens que acompanharam o histórico de violência do tráfico negreiro e confirmaram a banalização de atos cruéis aos negros africanos. Cabe a lembrança de um artista ao qual a obra de Tchalê Figueira dialoga com frequência, e nessa série em especial, o inglês Francis Bacon, que também utilizava um expressionismo enfurecido para retratar a violência do cotidiano: “Quando trago a violência para pintura, dizia ele, não se trata da violência da guerra, mas, da violência da realidade por si mesma.” (SYLVESTER, 2007, p. 81).

Violência exacerbada na representação de sadismo e prazer no sorriso de Guillaume Van Kerckhoven (Anexo IV), com sua pose de satisfação em traje militar a exibir todas as suas medalhas ao cumprir a missão de exterminar negros, em contraponto às expressões aterrorizadas de incontáveis rostos de negros amontoados. Nesta pintura, Tchalê Figueira para demonstrar a imensa quantidade de africanos mortos utiliza um procedimento comum e consagrado na pintura do artista plástico moçambicano Malangatana Valente. Malangatana tinha como característica representar uma quantidade impressionante de pessoas espremidas em suas telas, comprimidos no espaço asfixiante da superfície pintada a revelar-nos a irracionalidade e desumanidade do colonialismo, e da desestabilização oriunda da repressão em cores contrastantes e impactantes. Para esta pintura de Tchalê resgato palavras de Mia Couto a respeito da pintura de Malangatana que encaixam com perfeição ao mostrado pelo mindelense:

Estes rostos repetidos até a exaustão do espaço, estas figuras retorcidas por infinita amargura são imagens deste mundo criado por nós e, afinal, contra nós. Monstros que julgávamos há muito extintos dentro de nós são ressuscitados no pincel de Malangatana.
Ressurge um temor que nos atemoriza porque é o nosso velho medo desadormecido. Ficamos assim à mercê destas visões, somos assaltados pela fragilidade da nossa representação visual do universo. (...)
No seu traço está nua e tangível a geografia do tempo africano. No jogo das cores está, sedutor e cruel, o feitiço, (...)
Estes bichos e homens, atirados para um espaço tornado exíguo pelo acumular de elementos gráficos, procuram em nós uma saída. A tensão criada na tela não permite que fiquem confinados a ela, obriga-nos a procurar uma ordem exterior ao quadro. Aqui reside afinal o gênio apurado deste ‘ingênuo’ invocador do caos, sábio perturbador das nossas certezas. (SECCO, 2003, pp. 224-225)

Como é possível conferir, as assustadoras imagens desses tristes representantes do colonialismo europeu não são mais horríveis do que as atitudes desumanas praticadas durante a conquista militar do continente africano. Figueira simplesmente transfere para suas pinturas as assombrosas ações do colonizador em África. A lembrança de Leopold II não é gratuita, pois promoveu um banho de sangue durante a ocupação do Congo em proporções maiores que o holocausto nazista, e está muito bem representado na pintura do cabo-verdiano. Escorro-me nas afirmações do historiador cubano Carlos Moore para lembrar que o Congo foi o “único caso de um país que fora incorporado à potência colonizadora como propriedade pessoal do chefe de Estado” (MOORE, 2009, p. 30). Ainda de acordo com o Moore, em 76 anos de colonização belga no Congo (1884-1960), estima-se que pereceram 25 milhões de pessoas. A violência desmedida – irracional define melhor – da colonização belga ultrapassa o absurdo, como podemos analisar na passagem abaixo incluída no livro de Moore e que se encontra no Wikipedia:

Para impingir as cotas de borracha, a Force Publique (Força Pública) foi instituida: de uso corrente, policiais, na sua maioria eram canibais do Lualaba. Armados com armas modernas e chicote. A “Força Pública” rotineiramente pegava e torturava reféns (na maioria mulheres), açoitavam, estupravam, incineravam aldeias e, acima de tudo, extirpavam mãos humanas como troféus mostrando que, quando as cotas não eram cumpridas, não estavam tendo vontade o suficiente de cumprir.
Um oficial branco de baixa patente descreveu uma incursão para punir uma aldeia que havia protestado. O oficial branco em comando: "Ordenaram-nos a cortar as cabeças dos homens e as pendurar nas cercas da aldeia, bem como seus membros sexuais, e pendurar as mulheres e crianças em forma de cruz". Após ver um íncola morto pela primeira vez, um missionário dinamarquês escreveu: "O soldado disse: 'Não leve muito a sério. Eles matam 'a nós' se não levarmos a borracha. O comissionário nos prometeu que se tivermos muitas mãos, ele encurtará nosso serviço'" Nas palavras de Peter Forbath:
“As cestas de mão cerradas, postas aos pés do chefe de posto europeus, tornaram-se o símbolo do Estado Livre do Congo. (...) A coleção de mãos se tornou um fim em si mesmo. Os soldados da “Força Pública” as traziam em vez da borracha; eles até mesmo iam colhê-las em lugar de borracha.(...) Elas tornaram-se um tipo de moeda. Elas são usadas para amenizar o déficit das cotas de borracha, substituir(...) o povo ao qual é exigido trabalhar para as gangues de trabalhos forçados; e os soldados da “Força Pública” tinham seus bônus pagos de acordo com quantas mãos eles coletavam. ”
Em teoria, cada mão direita provava um assassinato judicial. Na prática, soldados “trapaceavam”, simplesmente cortando a mão e deixando a vítima para viver ou morrer. Numerosos sobreviventes relataram que eles viveram além de um massacre fingindo de morto, não se movendo nem mesmo quando tinham suas mãos serradas. E esperavam os soldados partirem para então procurar socorro.
Estimativas do total das chacinas variam consideravelmente. O relatório famoso 1904 do diplomata britânico Roger Casement aponta para 3 milhões apenas nos 20 anos que o regime de Leopold durou; Forbath, no mínimo 5 milhões; Adam Hochschild 10 milhões; a Enciclopédia Britânica estima um declínio populacional de 20 ou 30 milhões para 8 milhões. (grifos do autor) (MOORE, 2009, p. 30-32)

A mutilação, a violência sexual e a matança indiscriminada de africanos foi uma prática comum em praticamente todo o continente africano. Milhões de negros foram mortos com sadismo e voracidade jamais vistas. Tchalê retrata a escravidão e o estupro feito com frequência nas mulheres negras, denunciando o caráter violento e forçado do início da miscigenação, principalmente nas colônias portuguesas, como mostram as pinturas “Violação I” (Anexo VI) e “Violação II” (Anexo VII). O detalhe para as expressões de horror e resignação dos oprimidos, assim como o vermelho dos corpos em analogia às batalhas desiguais travadas em solo africano que dizimaram um número incalculável de vítimas.
VIOLAÇÃO I

VIOLAÇÃO II
O historiador Joseph Ki-Zerbo é enfático ao afirmar o que os negros africanos vivenciaram a partir do tráfico negreiro e durante o período da colonização com o incontornável apoio da Igreja Católica:

Nenhuma coletividade humana foi mais inferiorizada do que os negros depois do século XV. Foram encomendados escravos negros aos milhões; utilizaram-se os negros como reprodutores de outros negros, em “coudelarias” constituídas para reproduzir novos negrinhos para o trabalho nas plantações. Quantas crianças africanas foram jogadas dos navios, ou abandonadas nos mercados escravos, longe das mães que eram levadas, porque era preciso muito tempo para alimentá-las até que fossem exploráveis? Os escravos eram comprados às toneladas. Amputava-se e esquartejava-se como carne bruta os rebeldes ditos “negros castanhos”. Durante esse tempo, na Europa, os teólogos debatiam doutamente a questão de saber se os negros tinham alma. Foi uma pergunta que não se fez a propósito de outros grupos humanos (KI-ZERBO, 2009, p. 24).

Como este texto procura desvelar as atrocidades aos povos do continente africano, salientamos que as colonizações realizadas pela Bélgica e Portugal foram marcadas pela violência extrema, em razão da

estrutura capitalista débil na comparação com países como a França e a Inglaterra, viram-se obrigados a recorrer a uma brutalidade maior, e não menor, no trato das populações dominadas. Isso porque, destituídos de capacidade de implantar sistemas dotados com maior composição orgânica de capital, tinham de recorrer, para competir com um mínimo de eficiência diante de nações capitalistas mais desenvolvidas, a todas as formas possíveis de coerção, inclusive as que se aproximavam da escravidão (SERRANO; WALDMAN, 2008, p.221).

Para além dos assassinatos em série cometidos sob a liderança de Henry Stanley, não devemos esquecer a criação das famigeradas legiões estrangeiras pela França e pela Espanha, ambas marcadas pela agressividade no trato das populações africanas e pela longa folha de serviços prestada ao domínio colonial (SERRANO, WALDMAN, 2008, p.216).

Carlos Moore chama atenção para a limpeza étnica ocorrida no continente africano durante a colonização. Moore afirma que “muitos continuam ignorando ou minimizando o fato de que a colonização da África foi um verdadeiro genocídio contra a raça negra” (MOORE, 2009, p. 29). Por isso, a importância desta série de intervenção realizada com furor expressionista e indignação por Tchalê Figueira.

A Conferência de Berlim (1884-1885) marca o auge da supremacia europeia no continente africano após diversos e sangrentos conflitos onde milhares de vidas foram ceifadas em nome da civilização, da fé e do progresso branco europeu. O desprezo aos africanos e a prepotência colonizadora foi de tal ordem que pode ser sentido na declaração do britânico Lord Salisbury a respeito da partilha realizada: “Traçamos linhas sobre mapas de regiões onde o homem branco nunca tinha pisado. Distribuímos montanhas, rios e lagos entre nós. Ficamos apenas atrapalhados por não sabermos onde ficavam estas montanhas, esses rios e esses lagos” (SERRANO; MUNANGA, 1995, p. 6. Apud: SERRANO, WALDMAN p.212).

A prepotência europeia é retratada na pintura “Com régua e esquadro dividiram o cake” (Anexo VIII), que de forma impactante representa a arbitrariedade do encontro dos países imperialistas assinalados nas cadeiras e do caos civilizador imposto aos africanos. A violência das figuras ilustradas na parte inferior da pintura pode representar a caótica situação e o desespero que se apoderou dos africanos desde o período do tráfico negreiro, alimentado por conflitos criados pelos invasores europeus entre as etnias africanas para assim enfraquecê-las e atingirem com maior rapidez os seus objetivos nefastos. Por outro lado, os colonizadores disputavam entre si as terras africanas. Nesse sentido, deve-se recordar o momento ruim de Portugal com economia fragilizada e pressionado pela Inglaterra, nação hegemônica da época, que

rifou o projeto português do mapa cor de rosa, pelo qual os territórios entre Angola e Moçambique, correspondendo aos atuais Zimbabwe, Malawi e Zâmbia, constavam como um domínio dos lusos. Portugal foi obrigado a recuar diante das pressões britânicas e da ameça de guerra entre os dois países (1890). (SERRANO; WALDMAN, 2008, p.210-211)
COM RÉGUA E ESQUADRO DIVIDIRAM O CAKE
O mapa do terror da ganância europeia foi dividido desconsiderando quaisquer opiniões de líderes africanos e assim demonstrado pela pintura voraz de Figueira em “Assim estava dividido o cake” (Anexo IX). As caveiras fantasmagóricas mostram o estado de espírito do continente africano. Novamente o caráter didático a mostrar a partilha realizada pelos colonizadores, revelando a maneira acintosa a qual o continente foi subjugado. Vale salientar o destaque à Etiópia, única nação que conseguiu manter sua soberania ao preço de muito sangue e de vidas de seus cidadãos.
ASSIM DIVIDIRAM O CAKE
Essa partilha do continente africano não foi bem digerida por Alemanha e Itália, nações atrasadas em seus processos de unificação, por conseguinte, ficaram com colônias menores. As grandes faixas de terra sob dominação portuguesa foram motivo de interesse dos alemães, por exemplo. Para retratar este temor de um eventual ataque alemão às colônias, verificamos a aflição do pré-claridoso Pedro Cardoso n’As Crónicas do AFRO, publicada no jornal A Voz de Cabo Verde de 8 de abril de 1912, e sua posição ambígua em relação ao colonizador luso em uma possível tomada das colônias portuguesas em África pelos alemães:

A armipotente Alemanha, fechando os olhos à conquista da Tripolitana pela sua amiga e aliada transalpina entendeu-se com a França sobre o Marrocos, com a Espanha sobre Fernando Pó, Guiné Espanhola e, quem sabe? sobre Portugal e agora quer entender-se com a Inglaterra...
Todos esses entendimentos visaram desde o seu início as possessões portuguesas. A esperta chancelaria leutónica tem procurado pela condescendência e satisfação às ambições das potências rivais assegurar que a premeditada rapinagem do Ultramar português se faça sem protesto (...)
Quem escreve estas linhas nasceu em África mas é português, não só pela bandeira como pelo sentimento e sangue.
(...) apesar de saber – pelo confronto – que a administração alemã oferece mais certas garantias de progresso às colónias no estado e circunstâncias portuguesas, não posso fazer calar o meu coração. Não posso conformar-me à horrorosa ideia de que serei obrigado a não falar, a não cultivar esta formosíssima língua toda feita de harmonia e doçura, em que balbuciei as minhas primeiras canções, destronada, substituída por aquela que escreve Goeth, é certo, mas sabendo a cerveja, desarmoniosa, gutural e arrepiante, como o cavo rugir do urso, ou como o horrendo gargalhar da estrige agoirenta.
Não! Antes mil vezes o pobre e lusitano do que rico e alemão. Não! (BRITO-SEMEDO; MORAIS, 2008, p. 132)

Com a colonização implantada no continente, valores ocidentais distantes dos africanos passam a ser implantados. Eles perdem completamente poderes político, econômico e militar. Seguem décadas de violência e racismo declarado, o homem branco europeu escora-se nas deploráveis teorias positivistas de supremacia racial e inferioridade do negro predominantes na derradeira metade do século XIX, subjugando os africanos ao que havia de mais tenebroso na espécie humana. Para Joseph Ki-Zerbo:

A colonização foi muito mais curta do que o tráfico negreiro, mas foi mais determinante. O colonialismo substituiu inteiramente o sistema africano. Fomos alienados, isto é, substituídos por outros, inclusive no nosso passado. Os colonizadores prepararam um assalto à nossa história. O ‘pacto colonial’ queria que os países africanos produzissem apenas produtos em bruto, matérias-primas a enviar para o Norte, para a indústria europeia. A própria África foi aprisionada, dividida, esquartejada, sendo-lhe imposto esse papel: fornecer matérias-primas. Esse pacto colonial dura até hoje. (KI-ZERBO, 2009, p. 25)

Para justificar a sua postura, o colonizador escora-se na arrogância e na prepotência, elevando os seus feitos e rebaixando tudo o que for relacionado ao colonizado, sendo este atingido moral e fisicamente, conforme diz Memmi:

Como pode a usurpação passar por legitimidade? Duas operações parecem possíveis: demonstrar os méritos eminentes do usurpador, tão eminentes que clamam por semelhante recompensa; ou insistir nos deméritos do usurpado, tão graves que não podem senão suscitar tal desgraça. E esses dois esforços são de fato inseparáveis. Sua inquietude, sua sede de justificação exigem do usurpador, ao mesmo tempo, que se eleve a si mesmo até as nuvens e que afunde o usurpado mais baixo que a terra. (MEMMI, 2007, p. 57)

Como sequência a esse pensamento, o ódio do colonizador age com extrema brutalidade, impõe suas certezas e frisa as diferenças que justificam a submissão do colonizado:

Utilizará para descrevê-lo as cores mais sombrias: agirá, se for preciso, para desvalorizá-lo, para anulá-lo. Mas não sairá jamais deste círculo: é preciso explicar a distância que a colonização estabelece entre ele e o colonizado; ora, a fim de justificar-se, é levado a aumentar mais ainda essa distância, a opor irremediavelmente as duas figuras, a sua tão gloriosa, a do colonizado tão desprezível. (MEMMI, 2007, p. 58)

Retomo Ki-Zerbo para demonstrar como era o ensino nas colônias, comum a todas elas, legando ao ostracismo a história e a cultura dos povos autóctones:

(...) a história africana era desconhecida. Fiz todos os meus estudos no âmbito francês, com manuais franceses. Não havia nada no programa que tratasse da África. Ainda pequenos, tínhamos de utilizar um livro de História francês que começa assim: “Nossos antepassados, os gauleses...” Repetimos maquinalmente o que queriam inculcar-nos. (KI-ZERBO, 2009, p. 14)

Esse colonizador, representante da civilização europeia, demonstrou a pior faceta do homem perante o seu semelhante durante o período da colonização e fez (e faz) do racismo a principal arma para massacrar os africanos. Esse mesmo “bárbaro civilizador” (Anexo X) que caçava, matava ou traficava animais (Anexo XI) da diversificada fauna africana e que permanece com a sua sanha usurpadora das riquezas minerais de todo o continente africano (Anexo XII) agora com a máscara do neoliberalismo, ou o neocolonialismo.
 O BÁRBARO CIVILIZADOR
SEM TÍTULO 4


 SEM TÍTULO
  
Entretanto, boa parte dos africanos jamais aceitou a dominação colonial, exceto as elites vassalas que mantinham a posição subalterna perante o colonizador branco. O racismo à população negra, tanto em África quanto na diáspora, estimulou o surgimento de dois movimentos de alcance mundial: a negritude e o pan-africanismo. Esses dois movimentos tiveram suas ressonâncias na política, na literatura, na história e em demais áreas do conhecimento. Seus líderes e simpatizantes foram agentes históricos em prol do fim do colonialismo em África, por conseguinte, da independência dos países africanos e contra a discriminação racial ao negro no restante do mundo. Esses dois movimentos estimularam líderes cativantes e a população de negros a reivindicar e lutar pela libertação dos países africanos, com maior ênfase a partir do fim da II Guerra Mundial e consequente enfraquecimento dos países europeus. As batalhas pela descolonização foram sangrentas, trazendo a morte para milhões de africanos. Somente de líderes pan-africanistas, Carlos Moore enumera 37 nomes assassinados “entre 1957, data da independência de Gana, e 1987, data do assassinato do último dirigente declaradamente pan-africanista, Thomas Sankara” (MOORE, p. 48). Mas o processo era irreversível, a História foi feita e a duras penas os países africanos conseguiram eliminar o famigerado colonialismo. Infelizmente, as novas nações dizimadas por séculos de opressão e usurpação ainda sofrem as consequências do atraso e estão hoje enfrentando as imposições da política neoliberal e das grandes empresas que praticamente dominam as economias dos países mais ricos do mundo.

Conclui-se que na crueldade retratada na série “Breve História Colonial em África”, o artista e ativista Tchalê Figueira crê na função social da arte como reveladora de vozes adormecidas, escancarando as feridas, sangrando as vísceras do passado colonial de injustiças que se perpetuam no presente, incomodando os olhares daqueles que desejam o esquecimento das atrocidades desse período. Por outro lado, pinceladas como facas a esquartejar as mentes obliteradas dos que não tiveram acesso ou foram obstruídos em sua instrução a esse triste passado colonial, ainda sangrento na crueldade dos dias contemporâneos em África. Pinturas a clamar liberdade e o direito à vida, suprimido de boa parte dos africanos. Pinturas de um humanista ao extremo, seguidor da “postulação irritada da fraternidade” de Aimé Cesaire e parafraseada pelo poeta cabo-verdiano Mário Fonseca. Pinturas que pretendem resgatar a história de sofrimento e dor dos africanos, assim como resgatar o necessário sentido solidário, político, denunciador e combativo do pan-africanismo. Tchalê segue uma tradição de obras de arte denunciatórias contra a Humanidade explicitada em Pablo Picasso com Guernica e as obras feitas durante a II Guerra Mundial, Francisco Goya e a série de gravuras Desastre da Guerra, e as pinturas de Malangatana Valente durante o período colonial em Moçambique e durante a guerra de desestabilização já com a nação independente. Tchalê Figueira integra um grupo de homens cada vez mais raros. Dos inconformados.

Encerro com um poema deste pintor-poeta Tchalê Figueira:

Do lado neutro da trincheira
Contempla a tua obra!...
Canta!... Glorifica teus mortos
Vê as suas frias camas
De poeira vermelha

Corpos radioactivos
Crianças deformadas,
Rostos empobrecidos em urânio
Cabeças rapadas
Hospital de angústias

Mercenários rugindo
Alfabeto de mortos
Artéria podre do paraíso
África encharcada de vírus
Coreografia abominável
Petróleo de sangue
Diamantes brilhantes
Em dedos de abutres.


BIBLIOGRAFIA:
BRITO-SEMEDO, Manuel; MORAIS, Joaquim. Pedro Cardoso – textos jornalísticos e literários: parte I. Praia: Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, 2008.

DIDIAL, G. T. Tchalê Figueira – pintor das grandes e pequenas vicissitudes cabo-verdianas. Anais – Associação de Estudos de Culturas Comparadas. Mindelo: Cabo Verde. v. 2. n. 3. dez/2000. pp. 97-99

FONSECA, Mário. Se a luz é para todos. Praia: Publicom, 1998.

KI-ZERBO, Joseph. Para quando África? – Entrevista com René Holenstein. Rio de Janeiro: Pallas, 2006.

MEMMI, Albert. Retrato do colonizado precedido do retrato do colonizador. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.

MOORE, Carlos. Da África mítica à África real: para uma cooperação realista entre a África e a diáspora. In: A África que incomoda – sobre a problematização do legado africano no quotidiano brasileiro. Belo Horizonte: Nandyala, 2009. p. 11-65.

RISO, Ricardo. Tchalê Figueira. Disponível em < http://ricardoriso.blogspot.com/2007/07/tchal-figueira.html > Acessado em 6 de dezembro de 2011.

SECCO, Carmen Lucia Tindó. Craveirinha e Malangatana: cumplicidade e correspondência entre as artes. In: A magia das letras africanas: ensaios escolhidos sobre as Literaturas de Angola, Moçambique e alguns outros diálogos. Rio de Janeiro: ABE Graph Editora. Rio de Janeiro, 2003.

SERRANO, Carlos; WALDMAN, Maurício. Memória D’África – a temática africana na sala de aula. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2008.

SYLVESTER, D. (2007). Entrevistas com Francis Bacon. São Paulo: Cosac Naif. In: BORGES, Sonia. Francis Bacon: destituição subjetiva e formalização da obra de arte. Psicanálise & Barroco em revista. v.8, n.2, pp. 38-48, dez.2010

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Mito Elias - Amor Sta La (exposição - Portugal)


Tudo que na vida fazemos é por uma questão de amor.

Os 8 quadros que esta exposição irá exibir, procuram almejar o amor e as suas infinitas vertentes.
Exposição de pintura de Mito Elias em dueto com Edite Melo na galeria da ordem dos médicos em Lisboa.
A exposição será inaugurada no dia 3 de Outubro pelas 19:00.
Estará patente até ao dia 17 de Outubro.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Mito Elias na USP e no Museu Afro-Brasil

Mito Elias no Museu Afro-Brasil e na USP sob a generosa pena da Profa. Dra. Fátima Fernandes em artigo publicado no semanário A Nação, n. 190, de 21/04/2011.


quarta-feira, 20 de abril de 2011

Curso TEIAS DA EXPRESSÃO, CHAMAS DA REFLEXÃO: Artes Plásticas e Gráficas Africanas e Negro-Brasileiras

Edições Toró e Coordenadoria de Bibliotecas da Secretaria Municipal de Cultura de SP - SMC convidam para o curso “TEIAS DA EXPRESSÃO, CHAMAS DA REFLEXÃO: Artes Plásticas e Gráficas Africanas e Negro-Brasileiras


Cinco encontros aos sábados, de 07/05 a 04/06/2011, sempre das 14 hs às 17hs30 na Biblioteca Municipal Paulo Duarte (Centro Cultural Jabaquara): Rua Arsênio Tavolieri, 45.

Inscrições no sítio www.edicoestoro.net ou na Biblioteca Paulo Duarte até 03/05/2011


Eis a programação do per-curso, com aulas teóricas, expositivas, oficinas, projeção de vídeos, fotografias e músicas, leituras dramáticas e mapas:


07/05: "Panos que Falam: Tecidos africanos, histórias e impressões coletivas”, com Luciane Ramos (Pesquisadora e Educadora da 'Casa das Áfricas', Professora da Facamp, Dançarina e Antropóloga)

14/05: "Corte, Encaixe e Colagem: Experimentações na arte afrobrasileira", com Marcelo D´Salete (Artista Plástico, Quadrinista, Ilustrador e Professor de Artes da Escola de Aplicação da USP)

21/05: "Conceitualismos e Afrodescendência: Questões da identidade nas linguagens plásticas", com Renata Felinto (Artista Plástica, Mestre em Artes pela Instituo de Artes da UNESP, Educadora do Instituto Sidarta)

28/05: "Tipograffite: Dos adinkras aos muros e páginas", com Mateus Subverso ( BBoy e Grafiteiro da Posse Suatitude, Engenheiro da Edições Toró, Atuante dos universos do Design Gráfico, Digital e Musical)

04/06: "Caminhos da Arte Contemporânea: Linhas expressivas do Benin", com Glaucea Helena (Artista Plástica, Educadora do Museu Afro Brasil e Professora de Artes da ETEC Parque da Juventude)



"TEIAS DA EXPRESSÃO, CHAMAS DA REFLEXÃO: Artes Plásticas e Gráficas Africanas e Negro-Brasileiras"


Pra desfrutar, questionar e escambear percepções da estética e da mocambagem de matriz afro, com suas intenções e eletricidades, carinhos e contextos.
Pra compreender alguns porquês das rodas de fortaleza e beber algumas outras surpresas.
Pra desenvolver pedagogingas com quem pesquisa, sua e pratica. Com quem vive a questão e traz fundamentos, reflexão e vontade de esparramar.
Pra, mesmo com novas dúvidas e suas coceiras, ganhar sustança. Não arriar nas humilhações e nos farelos de cada dia.
Pra não reproduzir facinho uns quebra-cabeças cheios de quebranto, tão brilhantes na vitrine, tão sorridentes noout-door e tão fuleiros na cartilha. Serão quebrantos perpétuos estes nas entrelinhas da (des)Educação?

Gratuito e na quebrada, sem dever pra qualidade de outros cursos nesse mesmo naipe, que cobram diamantes pra quem quiser chegar nas turmas que quando giram, geram quase sempre pelos bairros nobres (?)de São Paulo. (E pedregoso é ouvir que nós que inventamos as barreiras, quando o que queremos é esfarelá-las).

Gracias
PEDAGOGINGA - mais reflexão e menos marketing, mais fogueira e menos fogos de artifício
Allan da Rosa/ Edições Toró


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Articulação Pedagógica: Allan da Rosa
Concepção de Cartaz e Apostilas: Mateus Subverso
Realização: Edições Toró e Coordenadoria de Bibliotecas da Secretaria Municipal de Cultura de SP - SMC
Sábados de 07/05 a 04/06, sempre das 14hs às 17hs30 - Gratuito para 35 participantes com distribuição de certificados e apostilas ao final do curso

Na Biblioteca Paulo Duarte (Centro Cultural do Jabaquara): Rua Arsênio Tavolieri, 45 - Fone: 5011-7445
Inscrições no sítio www.edicoestoro.net ou na Biblioteca Paulo Duarte até 03/05/2011.


Fonte: e-mail enviado por Allan da Rosa no dia 20 de abril de 2011.

sábado, 9 de abril de 2011

Mito Elias em Elos da Lusofonia (Museu Afro-Brasil - São Paulo)



A exposição apresenta a arte dos países de língua portuguesa a partir da obra de artistas contemporâneos do Brasil, Portugal e Angola e a ligação com a arte ancestral africana, passando pela tradição dos bijagós, da Guiné-Bissau; dos quiocos de Angola; e dos macondes de Moçambique. Todos os países de língua portuguesa estão representados nesta mostra que apresenta cerca de 200 obras, entre fotografias, pinturas, esculturas (máscaras, cerâmica e madeira) e bidimensionais (pinturas, gravuras e colagens) de artistas que compõe a Arte Tradicional dos países de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. A Arte Contemporânea apresenta o trabalho de Agnaldo M. dos Santos (Brasil), António Olé (Angola),Fernando Lemos (Portugal/Brasil), Francisco Brennand (Brasil), José Tarcísio (Brasil), José de Guimarães (Portugal), Matias Ntundu (Moçambique), Maurino Araujo (Brasil), Mestre Didi(Brasil), Renato Spindel (Brasil) e Rubem Valentim (Brasil). Até 29 de maio.


domingo, 20 de março de 2011

MITO ELIAS apresenta PÉ NA BOTI – Testemunhos VideoFónicos

MITO ELIAS apresenta PÉ NA BOTI  Testemunhos VideoFónicos

Screening  de 10 curtas em tom de morabeza digital. 
Mais uma caminhada vídeo nómada junto da comunidade de Cabo Verde na Holanda. 
Este exercício pluri-media versa a estória de gentes Crioulas na sua diaspórica 11ª ilha.





Fonte: e-mail gentilmente enviado por Mito Elias.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Mito Elias - TEMPO DE BICHOS - PRIVATE Z(oo)M

TEMPO DE BICHOS - PRIVATE Z(oo)M

Celebrando as 70 vidas do poeta Arménio Vieira

29 de Janeiro 2011 - 18:30 - Livraria CE BUCHHOLZ - Rua Duque de Palmela, 4 - Lisboa

Mais uma performance do TRIO MAJINA
desta vez sobre os BICHOS na poesia de Conde de Silvenius.

Mito Elias - Poesia, vídeos e sonorizações.
Elmano Caleiro - Contrabaixo e Baixo eléctrico.
José Brazão - Percurssão.
José Cunha - MC & orador residente.

TEMPO DE BICHOS – Projecto MAJINA

O POETA
Que bichos são estes, senão nós mesmos. Sempre o homem, na sua condição mortal e precária, com as suas grandezas e misérias, no centro da obra de Arménio Vieira. Mesmo quando convoca os Bichos do seu animalário, ou sobretudo quando os convoca, para se tornarem no espelho de todas as nossas perplexidades, onde buscamos as impossíveis respostas para este improvável destino de bicho-gente que somos. Para o poeta de Mitografias, à força de querermos ser diferentes transformamo-nos em burros, sem que isso nos dê a dignidade que ser burro, jerico ou asno implica. De tão distraídos, e sonolentos, tornamo-nos “animais de capoeira”. Não galinhas, porque como nos lembra o poeta “as coisas

são o que são”. Fazem de nós galináceos adormecidos e anestesiados. Podemos também ser frustrados e vingativos tubarões, ou tigres sanguinários e sem nobreza. Há uma nobreza de bicho que em nós se transformou em mera animalidade, e que fomos perdendo como em HOMENS-CÃES (E VICE VERSA). Mas desenganem-se. Os homens não são bichos. São meros bichos e animais como os bichos e os animais nunca ousam ser. Sim, porque afinal “as coisas são o que são”, e “mais não digo”, diz o poeta, na forma irónica de quase tudo dizer no que diz não dizer. Irónico, mordaz, corrosivo, com um refinado sentido de humor, são estes alguns dos instrumentos de precisão com que Arménio Vieira nos sonda a alma e põe a nu o sentido da existência. Herdeiro de uma tradição literária maior, Homero, Dante, Shakespear, Camões, Melo Neto ou Sena, é toda uma tradição cultural e literária na qual ele se insere e se assume, “li-os todos” (Arménio dixit), que está no centro da sua obra e nela se prolonga sem angústias.

O PROJECTO
Que nome dar a este espaço de exaltação estética, em que somos convocados para a celebração da palavra, numa ritualização mágica e interactiva, que nos franqueia os domínios do sagrado pela porta profana do fascínio, do prazer e da fruição plásticas?

Domina nestas performances o aparato da sua encenação, e não estamos distantes dos rituais da sagração. Mas sem obediência a um qualquer cânone, que não seja o do improviso, da experimentação, da irrupção do novo. Não faltam também, como nos domínios do sagrado, as técnicas, os instrumentos, os objectos, e até a figura do celebrante, embora aqui estejam estiolados, implodidos na sua missão de ordenamento, regulação e controlo, que dão lugar a uma prática da desobediência, da iconoclastia, de inesperado e até de insólito. É uma atmosfera mais mágica que mística, um território mais estético que religioso mas onde não estão totalmente ausentes o espiritual e o sagrado. Os caminhos é que são outros, diversos, inusuais. Enquanto espaço de ritualização ele obedece a um processo de constante reinvenção, recriação. É a isto que chamamos PERFORMANCE POÉTICA, ou POÉTICA PERFORMATIVA, ou ainda ORAL ACTION (à maneira da Action Painting), território complexo e pluridisciplinar de hibridização pós-moderno, onde as linguagens se fundem num processo fecundo de crioulização e mestiçagem.

O AUTOR
Os trabalhos de Mito obrigam-nos constantemente a um olhar outro sobre a realidade. Um pouco à semelhança de uma certa poesia de Arménio Vieira, aqui celebrada, é um exercício de atenção contra a desatenção a que estamos sujeitos (ver poema ISTO É QUE FAZEM DE NÓS). A procura constante de processos de contaminação, de técnicas e de linguagens, sublinha o carácter experimental de um trajecto ímpar no panorama da arte caboverdiana.

José Cunha

http://www.youtube.com/watch?v=rEUDKQ5Rzqk

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

TCHALÉ FIGUEIRA ‘DO ARCO DA VELHA’ (exposição Lisboa/Portugal)

TCHALÉ FIGUEIRA‘DO ARCO DA VELHA’
26 Fevereiro > 09 Abril 2011
Qua > Sáb 14 h > 19 h

PINTURA INSTALAÇÃO POESIA DO ARCO DA VELHA

O imaginário é, sim, o que existe. O real, se me permitem, é algo puramente inconsequente, algo que não se traduz, algo impossível de concretizar. Conhecemos as geografias e os corpos em nosso redor através da imaginação que cultivamos. Quando a imaginação e o desejo são escassos, os amores e vontades dos outros tornam-se loucuras.

Invariavelmente, nós aqui, neste lugar, somos construídos segundo relações flexíveis entre a miséria e o desejo. O desejo consome e exige a urgência da materialização do faz-de-conta. No Carnaval, tal como no plano multi-dimensional da imaginação, a Rainha e o Rei colocados no cimo do andor desenhado pelo artista, que esta terra quer sempre ter como anónimo, são escravos dos nossos desejos de chegar mais além, de cada vez ser mais outro e o Outro. Esconde-se o feio que engloba gente. Gente que, apesar de ser parte de nós é, inexplicavelmente, considerada diferente.

A irreverência é naturalmente constitutiva da arte que faz perguntas, a arte que exibe o diferente enquanto nosso, a arte que se quer posicionar dentro do campo do político e por isso é Pecadora. O questionar obviamente não desmembra o autocratismo, mas revela desejos de mudança. No caso particular do pintor, revela principalmente a vontade de mudança para estados de sensibilidade e empatia no âmbito de um contexto abrangente em que o Homem, Deus e a Verdade foram declarados mortos no mundo real e que somente vivem no campo do exercício dos poderes. Apenas nos restam as vontades individuais de imaginar os desejos dos outros como nossos.

Desde a Rua da Praia, no Mindelo, num atelier com as portas abertas para o mar, Tchalé Figueira, sempre independente e certo das suas vontades e procuras, compreende o compromisso de ser “agente criativo”, aqui neste lugar insular. O articular de perguntas e desejos em prol de si próprio mas também em prol dos que o sistema define como o “Outro menor”, os que o sistema teimosamente “circum-navega” porque, em hora de eleições, um grogue ou uma T-shirt servem como suficiente sedução.

Tchalé explora a relação entre o acto e a crítica social. Tristan Tzara, Max Weber ou Jean Dubuffet sublinharam algumas directrizes que permitem compreender a posição do pintor: consciente, sensível e critico e, no entanto, determinado na perseguição do exercício da pergunta. Na obra de Tchalé Figueira, o político, a prostituta, o mendigo, o paupérrimo, o medo, a vergonha, a vaidade, a superficialidade, a tensão ou o desejo estão presentes, vivos e pulsantes. As telas gritam-nos perguntas acerca do nosso próprio papel.
Irineu Rocha

Tchalé Figueira nasceu em 1953 na ilha de S. Vicente, Cabo Verde. Pintor, músico e poeta, Tchalé é hoje em dia, indiscutivelmente, um dos ícones principais da Arte Contemporânea em Cabo Verde e seguramente o artista plástico caboverdiano com maior visibilidade internacional. ‘Do Arco da Velha’, é a sua primeira exposição individual na INFLUX CONTEMPORARY ART.

Irineu Rocha nasceu em Santo Antão, Cabo Verde. É licenciado em Belas Artes pela Willem de Kooning Academy, Roterdão e Mestrando em Belas Artes pela Central St. Martins School of Art and Design, Londres. Entre 2002 e 2009 exerceu varias funções em projectos de educação e de arte contemporânea no sector dos museus e galerias publicas em Londres, com especialização progressiva na área de gestão de projectos. Entre 2006 e 2008 foi assistente de curadoria para o New Visions of The Sea, programa internacional de arte contemporânea do National Maritime Museum de Londres. Desde 2009 é director do M_EIA, a primeira instituição de ensino superior dedicada às Artes Visuais e Design em Cabo Verde.


INFLUX CONTEMPORARY ART
Rua Fernando Vaz, 20 B1750-108 Lisboa
+ 351 91 850 1234

Abraão Vicente - Bú ê (exposição - Lisboa/Portugal)


Bú ê


Nota de imprensa
Assunto: Exposição de pintura de Abraão Vicente

A Galeria Bozart vem por este meio divulgar a abertura da exposição de artes plásticas do artista Abraão Vicente. “Bú ê”, como título é ao mesmo tempo uma alusão ao neologismo que significa “muito” e à uma tradução literal do crioulo para o Português do Tu és. É um questionamento.

A vernissage de abertura é no dia 18 de Dezembro às 18h da tarde na Galeria Bozart, em Lisboa. (Ver o convite em anexo)

A exposição inclui três painéis distintos (ver anexo) à base de técnica mista, pintura, desenhos e colagem:

1- “Living room with everybody looking at the same thing and thinking the same thing at the same time”




 2- “Hard things in a very simple way”


3- “Some people never go crazy or else movement of pieces eating one another”
Os painéis reflectem temas e considerações recorrentes no trabalho de Abraão Vicente, como sendo, um forte questionamento identitário, a cidade e o tempo, a constância e a repetição. A cidade que por sua vez não é constante mas um corpo em mutação. O tempo por consequência múltiplo e repetitivo. Nos signos, nos símbolos, nos suportes, nas histórias/estórias, na cidade como tela, suporte e como matéria-prima (ver série “Some people never go crazy or else movement of pieces eating one another”)No painel “Hard things in a very simple way” é evidente uma revisitação à própria história de arte, com a presença de figuras centrais de algumas das mais conhecidas fotografias de Man Ray. Por sua vez essas imagens só e apenas ganham sentido na composição do quadro quando lidas à luz das palavras de Samuel Beckett.

Em “Living room with everybody looking at the same thing and thinking the same thing at the same time”, ao par de um estudo de formas e composição pela apropriação de uma escultura em barro das mulheres de “Trás di monte”, também há uma referência muito evidente à fotografia de Helena Almeida através das manchas negras que acabam por ser “sombras” dos mais conhecidos ensaios da fotógrafa portuguesa.

Também evidente é a presença da literatura através dos próprios títulos das séries, que são tributos a nomes como Charles Bukowski, Jack Kerouac e ao artista Marcel Duchamp.

A exposição estará patente de 18 Dezembro 2010 até 19 de Fevereiro de 2011.

Receba as nossas melhores saudações.

GALERIA BOZART
Rua da escola Politécnica, 4 R/C, 1200-457, Lisboa – Portugal
Opening hours:
Tue-Fri 2 pm – 6 pm
Sat 10 am – 2 pm
 
Fonte: e-mail gentilmente enviado por Abraão Vicente em 14/12/2010.

Mito Elias e Ana Rita Pires - DE PAREIDOLIA - PAREDIS & NUMBRASOM


DE PAREIDOLIA - PAREDIS & NUMBRASOM

MITO ELIAS & ANA RITA PIRES

21 Janeiro / 19 Fevereiro 2011
Casa das Artes e da Cultura do Tejo - Vila Velha de Rodão

Mais 1 caminhada DE PAREIDOLIA desta vez exalando o subtítulo - PAREDIS & NUMBRASOM. Na verdade a aldeia da Serrasqueira no Concelho de Vila Velha de Rodão despertou em nós essa intensa aventura visual e sonora que foi ganhando outras formas e novos conteúdos na cidade da Praia, onde celebramos há 1 ano, a 1ª parte desta odisseia. Contamos rumar outras rotas pós PAREDIS & NUMBRASOM, pois PAREIDOLIA irá prosseguir sua veia itinerante buscando sempre outras maturações.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Malangatana Valente: 06/06/1936 - 05/01/2011

O meu apreço pelas literaturas africanas de língua portuguesa sempre acompanha a admiração pelos artistas plásticos desses países. É assim com os amigos cabo-verdianos Tchalé Figueira, Mito Elias e Abraão Vicente; com os angolanos Yonamine e Kiluanje Kia Henda, Antonio Ole, Van e Jorge Gumbe; de Moçambique, com Naguib Abdula e com Malangantana Ngwenia Valente. Sendo que este agora pinta seus all-over pollockianos de rostos retorcidos à exaustão em outras margens. Malangatana faleceu nesta madrugada, na cidade de Matosinhos, Portugal.

Portanto, aqui presto minha homenagem àquele que tanto me emocionou e emociona cada vez que folheio os livros que tenho sobre sua obra, do encantamento causado a cada apresentação que faço de sua arte, a este, como disse Mia Couto, “‘ingênuo’ invocador do caos, sábio perturbador das nossas certezas”, encerro, dizendo apenas meu muito obrigado e que descanse em paz.

A seguir o primeiro texto que fiz sobre a obra de Malangantana Valente, para ler a versão completa clique aqui.
Ricardo Riso

Estar-se no sítio como moçambicano, como africano, e fazer com que as pessoas conheçam mais um pouco Moçambique:
Malangatana Ngwenya Valente


Para o meu primeiro texto sobre Moçambique não poderia ter deixado de escolher o pintor da Matalana, Malagantana Ngwenya Valente. Nascido em 1936 numa região de etnia ronga, sendo que o apelido Ngwenya, significa jacaré, venha da África do Sul, de seu pai, que era de etnia zulu, Malangatana talvez seja hoje o maior pintor da história moçambicana.


A obra deste artista apresenta-nos e obriga-nos a mergulhar entre seres mitológicos assustadores e homens, ora híbridos, perdidos, comprimidos no espaço asfixiante da superfície pintada a revelar-nos a irracionalidade do colonialismo, a desumanidade das guerras colonial e da desestabilização em cores contrastantes e impactantes. Renascem figuras metamórficas, monstros que permeiam o imaginário do moçambicano, violentado com tantos anos de guerra. Mia Couto assinala:


“Estes rostos repetidos até a exaustão do espaço, estas figuras retorcidas por infinita amargura são imagens deste mundo criado por nós e, afinal, contra nós. Monstros que julgávamos há muito extintos dentro de nós são ressuscitados no pincel de Malangatana.


Ressurge um temor que nos atemoriza porque é o nosso velho medo desadormecido. Ficamos assim à mercê destas visões, somos assaltados pela fragilidade da nossa representação visual do universo. (...)


No seu traço está nua e tangível a geografia do tempo africano. No jogo das cores está, sedutor e cruel, o feitiço, (...)


Estes bichos e homens, atirados para um espaço tornado exíguo pelo acumular de elementos gráficos, procuram em nós uma saída. A tensão criada na tela não permite que fiquem confinados a ela, obriga-nos a procurar uma ordem exterior ao quadro. Aqui reside afinal o gênio apurado deste ‘ingênuo’ invocador do caos, sábio perturbador das nossas certezas.”

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Mito Elias - MAJINA - 30 anos 100 Lennon



http://www.youtube.com/watch?v=w-w8hIPpkpk


MITO ELIAS

apresenta

MAJINA - 30 anos 100 Lennon
Celebração Vídeo-Poética à paz e à memória de John Lennon

Mito Elias - Vídeos, Poemas, Sonorizações e Vozes

Convidados :
Elmano Caleiro - Contrabaixo, Percurssão e Voz.
José Brazão - Percurssão e Voz.
José Cunha - MC - Poeta Residente

7 de Dezembro - 21.00 H

Livraria CE Buchholz
Rua Duque de Palmela, 4 - Lisboa

domingo, 7 de novembro de 2010

Exposição de Pintura e Desenho de Tchalê Figueira

NOTA DE IMPRENSA


Exposição de Pintura e Desenho de Tchalê Figueira

Tchalê Figueira está de regresso à Praia para uma exposição promovida conjuntamente pelo Palácio da Cultura Ildo Lobo e pelo IC-Centro Cultural Português que, pela primeira vez, reúne pintura e desenho daquele que é um dos mais internacionais artistas cabo-verdianos.

Partindo do propósito criativo que Tchalê definiu como orientador para a exposição - “Entre a realidade e o onírico, a minha liberdade de intervir e inventar” – foram seleccionados dois acervos de obras que traduzem essa tentativa “de perceber e intervir sobre o tempo e o espaço, seja o destas ilhas, seja do Mundo”, bem como essa mitologia pessoal que o artista constrói, urdindo “bichos estranhos, homens e mulheres, habitantes do meu subconsciente”.

Assim, o Palácio da Cultutra Ildo Lobo acolherá 10 telas de grande dimensão que constituem a mais recente produção de Tchalê Figueira, que já este ano expôs em Zurique (Suíça), na Bollag Galleries, em Pontedera (Itália) e Ponte Sôr (Portugal), no âmbito do Festival Sete Sóis Sete Luas e nas Canárias (Espanha) no quadro do projecto “Horizontes Insulares”, bem como numa exposição colectiva sobre José Saramago, em Azinhaga (Portugal), tendo elaborado uma obra tendo por base o livro “As Minhas Pequenas Memórias”, da autoria do escritor recentemente desaparecido.

No IC-CCP serão pela primeira vez exibidos os desenhos produzidos por Tchalê Figueira para a ilustração de 4 obras. Para “Marianinha”, conto infanto-juvenil escrito por Giselle Silva, Tchalê criou os 11 desenhos que acompanham e recriam a história. A longa amizade com Brito Semedo suscitou a sua participação em “Na Esquina do Tempo – Crónicas de Diazá”, para o qual produziu 10 ilustrações, o mesmo número de trabalhos criados para a colectânea “Tchuba na Desert”. Finalmente, para “Contos de Basileia”, livro da sua autoria no prelo, Tchalê produziu mais 5 ilustrações. No total, estarão assim exibidos 36 desenhos “reinvenção de outras reinvenções”, como refere o artista.

A abertura da exposição de pintura decorrerá no Palácio da Cultura Ildo Lobo, no dia 9 de Novembro, às 19.00h e estará aberta ao público até dia 28. No dia 11, às 18.30h, terá lugar no auditório do IC-CCP a abertura da exposição de desenho, que ficará até dia 23.

Praia, 02/11/10
 
Fonte: Arco da Velha  - http://www.tchale.blogspot.com/