Mostrando postagens com marcador Discriminação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Discriminação. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

4º Debate: Literatura Negra e Ilustração: que risco é esse? (IPCN)

Os debates propostos no SEMINÁRIO DE ESCRITORES E ESCRITORAS PARA ELIMINAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO RACIAL estão crescendo a cada sessão, contagiante a participação ativa do público instigando discussões enriquecedoras sobre os rumos da literatura negra contemporânea.
A próxima sessão promete, pois o tema é um dos mais interessantes para a luta antirracista: LITERATURA NEGRA E ILUSTRAÇÃO: QUE RISCO É ESSE? A mesa será formada por nomes consagrados: Iléa Ferraz, Ykenga e Togo Ioruba. A mediação será feita pela Drª Azoilda Loretto da Trindade.
Local? IPCN. Quando? 15 de agosto. Horário? 19h.
Até lá!
Ricardo Riso

INSTITUTO DE PESQUISA DAS CULTURAS NEGRAS - IPCN
SEMINÁRIO DE ESCRITORES E ESCRITORAS PARA ELIMINAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO RACIAL 
MAIO/2012 - ABRIL/2013

O objetivo da 4ª sessão do seminário intitulada – LITERATURA NEGRA E ILUSTRAÇÃO: QUE RISCO É ESSE? - é de expor, discutir e avaliar o enfoque e adimensão crítica dos traços de ilustradores negros e negras quando ilustram texto de literatura afro-brasileira. O papel ideológico e pedagógico da ilustração, o comportamento do mercado de trabalho e o racismo expresso na imagem da personagem negra ilustrada nos livros didáticos, charges e quadrinhos.

Dia 15 de agosto de 2012 (quarta-feira)
Horário:19h00 às 22h00
Local: IPCN - Av.Mem de Sá 208, Cruz Vermelha.

Programação:
Literatura Negra e Ilustração: que risco é esse?

Expositores :
TOGO IORUBA - Cartunista e ilustrador
ILÉA FERRAZ - Atriz e ilustradora
YKENGA - Cartunista e Ilustrador

Mediadora:
Profª Drª AZOILDA LORETTO DA TRINDADE
A partir das 18:00h exposição e venda de livros de autores afro-brasileiros e africanos.
Realização: Instituto de Pesquisa das Culturas Negras
Coordenação: Lia Vieira, Éle Semog e Ricardo Riso

Parcerias: ESTIMATIVA, Kitabu Livraria Negra, Centro AfroCarioca de Cinema e Associação Cultural República do Samba

domingo, 1 de abril de 2012

Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva - Entre Brasil e África (livro)

Entre Brasil e África: construindo conhecimento e militância
Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva


ISBN: 9788571605510
Autor(es): Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva
Ilustrador(es):
Dimensões: 14 x 21 cm - NºPág.: 176

Sinopse
O que foi revelado em "Entre Brasil e África: construindo conhecimento e militância" pode ser visto como o convite à vida feito por uma intelectual comprometida com os princípios da fraternidade e da justiça social. E, ainda, como a demonstração de que na luta (tantas vezes dura) pelo bem-estar de todos a ternura e a inteligência são a maior força de qualquer natureza.
A professora Petronilha Beatriz Gonçalvez e Silva é doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Pós-Doutora em Teoria da Educação Pela University of South Africa, Pretoria, África do Sul. Indicada pelo Movimento Negro foi conselheira da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, mandato 2002-2006. É coordenadora do Grupo Gestor do Programa de Ações Afirmativas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

terça-feira, 16 de março de 2010

I Ciclo de Encontros da Revista África e Africanidades - Palestra Direitos Humanos, por Vanessa Santos do Canto


Prezados,
nossa revista realizará o seu I Ciclo de Encontros da Revista África e Africanidades, com palestras e minicursos abordando temáticas que se destacaram ao longo das nossas edições.
As atividades serão realizadas nos dias 05 e 12 de abril de 2010, no Largo de São Francisco de Paula, 34 - 5º andar - Centro - RJ, e as inscrições só poderão ser feitas no site da revista. Para efetuar sua inscrição, clique aqui.
Peço a todos ajuda na divulgação.
Abraços,
Ricardo Riso

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Blog A Bola Limpa (Negro no Futebol)

Prezado(a),

Este é o meu novo blog: A Bola Limpa - http://abolalimpa.blogspot.com/ -, dedicado à presença do negro no futebol brasileiro.
Faça sua visita quando puder.
Abraços,
Ricardo Riso


À procura da bola limpa

Bola limpa é aquela bola que o atacante com sua habilidade, astúcia e técnica ganha do seu adversário e a entrega em condições ideais de passe ou finalização ao seu companheiro, ou bola limpa é aquela bola que o zagueiro retira, de forma legal, do seu oponente e a recupera para o seu time, limpando a área e o perigo de gol.

A recente conquista do campeonato brasileiro pelo Flamengo, tendo Andrade como o primeiro técnico negro a ganhar este título, me fez recordar vários momentos em que o negro é inferiorizado e discriminado no futebol, o que poderia ser uma metonímia da sociedade brasileira. A soma dessas lembranças motivou a criação deste blog.

Sendo assim, proponho a discussão das relações étnico-raciais no futebol brasileiro, englobando as situações entre os jogadores, técnicos, dirigentes, torcidas e mídia, ou seja, questões pertinentes que raríssimas vezes são debatidas. Temas que são verdadeiras bolas divididas. Todavia, ao mencioná-las, espero contribuir para a reflexão acerca do racismo em nossa sociedade e quebrar os estereótipos impostos pela perversidade da linguagem estabelecida e sobre a figura do jogador negro, incluído no mundo do futebol como o artista da bola, porém excluído das posições de liderança e de “saber” que cercam este mundo.

E quem sabe um dia a diversidade étnico-racial brasileira seja respeitada não só no futebol, mas em toda a sociedade, e tenha a generosidade de um jogador que passa uma bola limpa ao seu companheiro.

Ricardo Riso

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Andrade – craque dentro das quatro linhas, craque como técnico-estrategista, orgulho afrodescendente

por Ricardo Riso

Um aspecto importante do jogo em que o Flamengo pode se tornar campeão brasileiro não vem sendo abordado pelos grandes meios de comunicação e que poderia motivar as complicadas relações étnicorraciais na sociedade brasileira: trata-se do técnico rubro-negro Andrade, que poderá se tornar o primeiro técnico negro a ser campeão do principal torneio nacional. E por uma feliz coincidência, o jogo decisivo será no Maracanã, cujo nome oficial é o do autor do histórico livro “O negro no futebol brasileiro” (1947), Mário Filho, irmão de Nelson Rodrigues. Filho, em seu trabalho pioneiro, aponta as discriminações sofridas pelo negro para ser aceito no meio do futebol.

O negro no futebol brasileiro só aparece com destaque como jogador. Foi assim desde que o ludopédio se instalou em nossas terras ao final do século XIX. De esporte de elite proibido aos negros, foi se popularizando entre as classes populares e, somente em 1923, que um clube abriu as portas para jogadores negros: o Vasco da Gama. Aos poucos, os afrodescendentes foram ocupando os espaços nos clubes e na seleção brasileira, mas o jogador tinha que seguir a máxima de que “não basta ser bom, é preciso ser o melhor” para ser aceito.

Talvez o período em que o racismo tenha sido escancarado no futebol tenha acontecido na derrota para o Uruguai, na final da Copa de 1950, no supracitado Maracanã. Naquela ocasião, o jogador Bigode e o goleiro Barbosa foram acusados como os responsáveis pela derrota brasileira por não conseguirem impedir o atacante Ghighia de marcar o gol da vitória. Esse acontecimento motivou a imprensa e parte da sociedade a exigir que negros e mestiços não fossem mais convocados para a seleção. Uma profunda bobagem, pois, passados oito anos, o Brasil seria campeão do mundo na Suécia com o mestiço e genial Garrincha e os negros Pelé (que se tornaria o Rei do Futebol) e Didi. Este, eleito o melhor jogador da competição.

Entretanto, a discriminação não poupou seus esforços. Barbosa sempre foi lembrado por sua falha e, em 1993, o ex-goleiro, já um senhor, talvez tenha sofrido a sua maior humilhação. Ele quis visitar os jogadores da seleção que estavam concentrados para um jogo das eliminatórias da Copa de 1994, mas foi proibido de entrar no hotel. Muitos goleiros negros sofreram com essa “maldição”, tanto que a seleção brasileira só voltou a ter um arqueiro afrodescendente com Dida na Copa de 2006.

Contudo, o racismo não se apresenta apenas dentro das quatro linhas. Só encontramos negros ocupando funções menores como roupeiros e massagistas, ainda assim imprescindíveis, nos clubes, mas jamais postos de liderança. Entre dirigentes e presidentes não vemos afrodescendentes trabalhando nesses cargos nos principais times do país. Essa reflexão pode ser ampliada à presença negra entre árbitros e jornalistas esportivos. Por coincidência, mínima também.

Por isso, o momento atual de Andrade como técnico e a expectativa do título brasileiro força-nos a pensar e a discutir as relações étnicorraciais dentro do futebol, principalmente por sermos a “pátria de chuteiras”. Por conseguinte, as práticas no futebol refletem a nossa sociedade.

Para ser técnico é preciso que o pretendente possua algumas características como liderança, conhecimento tático e capacidade intelectual. Nenhuma delas é associada ao jogador negro que se vale de sua força física para compensar a inteligência reduzida e do dom natural para minimizar suas falhas táticas no esquema do time. Isso já serve como justificativa para que o ex-jogador negro seja incapaz para exercer a função de técnico, pois lhe faltaria a sapiência que um estrategista deveria ter. Ou seja, depreendemos que na mentalidade do futebol brasileiro permanecem os discursos positivistas do final do século XIX.

Entretanto, parece que Jorge Luís Andrade da Silva, o Andrade, quer mudar a história e mostrar que o afrodescendente é capaz sim, desde que tenha oportunidade de trabalhar. De 2004 para cá, Andrade já assumiu o clube como interino em três ocasiões e sempre entregou o time em situação melhor que quando entrou. Foi menosprezado por Cuca que chegou a colocá-lo para compor barreira em treinamentos e ouviu do atual goleiro Bruno, seu comandado, após uma discussão durante um treino que “ele poderia ter ganho tudo como jogador, mas como técnico ele não era ninguém”. Claro que Bruno foi execrado pela torcida e pela imprensa esportiva, indignados com o seu desrespeito a um ex-craque rubro-negro.

Como vemos, o Tromba, como era conhecido por seus companheiros no tempo de jogador, enfrentou situações desconfortáveis mas jamais veio a público reclamar por qualquer injustiça dentro do Flamengo. Sua resposta veio com o retrospecto da passagem atual pelo comando da equipe, em 2009 realiza seu melhor trabalho.


Até agora sua postura como técnico desde que foi efetivado pela diretoria, tem se caracterizado pela serenidade, controle emocional e humildade ao segurar a euforia dos jogadores e exaltar o trabalho do grupo; conhecimento tático ao buscar alternativas ofensivas e romper com o passado “retranqueiro” que dominou o Flamengo desde a passagem do técnico Joel Santana em 2007; educação e inteligência no trato com a imprensa não exibindo a truculência e a arrogância dos principais técnicos do Brasil, os “professores doutores” do futebol.

Além disso, Andrade é parte da história do Flamengo, exatamente no seu momento mais glorioso. Ele era o cabeça-de-área do time campeão do mundo liderado por Zico, o que o faz ter o carinho e o respeito da torcida. Enquanto jogador rubro-negro conquistou quatro títulos estaduais, quatro nacionais, uma libertadores e um mundial. Passou pelo rival Vasco da Gama e ganhou mais um brasileiro. Se a memória não me trair, Andrade é o jogador com o maior número de títulos nacionais desde que a CBF criou o campeonato brasileiro: cinco.

Na minha infância e adolescência ia muito aos jogos daquele grande time do Flamengo. Recordo-me que Andrade, ao início das partidas, sempre procurava enfiar a bola entre as pernas de seus marcadores (a famosa “caneta”), inflamando a torcida a empurrar o time para o ataque. E foi assim, de caneta em caneta que Andrade conseguiu romper o preconceito, se firmou como técnico e poderá viver mais um momento histórico no futebol caso seus comandados conquistem o título. Além disso, se tornará mais um motivo de orgulho para a população afrodescendente brasileira.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Reflexões sobre a cultura Afro: história, consumo, identidade e tendências

ESPM-RJ debate sobre a cultura afro-brasileira - 12/11/2009

Rio de Janeiro, novembro de 2009. No próximo dia 26 de novembro, às 19h, a ESPM – RJ realiza um debate importante sobre a cultura africana no Brasil. O objetivo do encontro é refletir sobre a importância do resgate histórico, a preservação da identidade e a oferta de produtos e serviços voltados para a população afro-descendente dando início a uma pesquisa, qualitativa e quantitativa, em 2010.

Com o debate, a ESPM – RJ tem o intuito de analisar as ofertas do mercado, as estratégias de marketing criadas pelas empresas, percepção do consumidor, satisfação entre outros assuntos. Temos no Brasil, a cultura africana incorporada ao nosso dia-a-dia, mesclada a outras influênicas. O mercado por sua vez não tem atendido aos desejos de consumo.

Diante do início de crescimento da oferta para este público, o mercado passa a oferecer produtos diferenciados como cosméticos, maquiagens específicas, crescendo 26%, quando os convencionais tiveram uma expansão entre 6% e 11%. Já para setor de brinquedos, tiveram vendas acima das expectativas.

Além disso, eventos como a Copa do Mundo na África, a 3ª Edição do Festival Mundial das Artes Negras – Fesman, ambas agendadas para 2010, e o Dia da Consciência Negra, comemorado todo dia 20 de novembro são bons exemplos da importância de manifestações culturais que interferem sobretudo na educação brasileira e como a cultura é abordada nas escolas e universidades.

Com isso, além dos estudos de marketing, a ESPM – RJ pretende criar um banco de dados como referência para as empresas interessadas no mercado afro e contextualizar as pesquisas sobre as de oportunidades de oferta de produtos para este segmento.

Para este encontro foram convidados: Elisa Larkin Nascimento, doutora em psicologia pela Universidade de São Paulo e mestre em Direito e em Ciências Sociais pela Universidade de Nova York; Eliane Borges da Silva, chefe de Gabinete da Fundação Cultural Palmares/ Ministério da Cultura; João Bosco de Oliveira Borba, presidente da Associação Nacional dos Coletivos de Empresários e Empreendedores Afro-brasileiros; Ong’s 4E e Estimativa; Grupo de Cinema Afro-Carioca; Maurício Pestana, presidente do Conselho Editorial da revista Raça Brasil, membro do Conselho Executivo do Museu Afro Brasil e autor de diversas obras relacionadas à cultura afro; e representantes da empresa Niely: João Freitas, gerente de criação e Delane Azevedo, gerente da linha Permanente afro. O evento conta com o apoio da revista Raça, IPEAFRO, grupo de estudos Diasporando, Niely, Kiva cosméticos, editora Pallas e Livraria Kitabu.

Informações: Reflexões sobre a cultura Afro: história, consumo, identidade e tendências

Data: 26 de novembro de 2009, quinta-feira
Horário: 19h
Local: Rua do Rosário, 90 – Centro, Rio de Janeiro
Mais informações pelo telefone: (21) 2216-2002

Fonte: http://www.espm.br/ConhecaAESPM/AconteceNaESPM/Noticias/Pages/NoticiaExibir.aspx?noticiaId=1005

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Frantz Fanon - Pele Negra, Máscaras Brancas (livro)



A obra fala sobre a negação do racismo contra o negro na França e teve sua primeira edição, em português, em 1963. É um clássico do pensamento sobre a Diáspora Africana, do pensamento da descolonização, do pensamento psicológico, da teoria das ciências, da filosofia e da literatura caribenha O autor revela, ainda, como a ideologia que ignora a cor pode apoiar o racismo que nega – pensamento que causou grande turbulência nas décadas de 1960 e 1970. O livro aguça nosso senso crítico e é uma das mais importantes obras contemporâneas sobre o racismo e seus impactos.Fanon foi psiquiatra, escritor e ensaísta francês, nascido na Martinica. Ele é considerado o maior pensador do século XX relacionado a temas da descolonização e psicopatologia da colonização. Suas obras foram inspiradas nos movimentos de libertação anticoloniais por mais de quatro décadas.
Livro de Frantz FanonTradução de Renato da Silveira
Editora: EDUFBA

quarta-feira, 13 de maio de 2009

"Guerreando pra sorrir" - Zulu Araújo

13 de maio, Abolição da Escravatura e Dia Nacional de Denúncia contra o Racismo

"Guerreando pra sorrir"
A lição do meu avô, que casou com minha avó e pariu a minha mãe

Zulu Araújo
Presidente da Fundação Cultural Palmares

Abolição, palavra carregada de sentidos, dores, afetos e interpretações as mais diversas. Palavra que incendiou corações e mentes no século XIX e estimulou discussões apaixonadas sobre a vida, a liberdade e o futuro da humanidade. Símbolo que titulou movimentos libertários e tornou-se o principal combustível para a entrada do Brasil no século XX. Conteúdo concreto que povoou os sonhos de milhões de brasileiros ao longo de quase 400 anos. Mas, apesar de tudo isso, há uma forte inquietação quanto ao seu significado nos dias de hoje.

Vivemos momentos de perplexidade diante de tanta polêmica e reações indignadas por parte de setores da sociedade brasileira. Isso, por causa das políticas públicas, implementadas para a promoção da igualdade racial no Brasil, mais conhecidas como políticas de ações afirmativas. Por isso, vale perguntar: Para que conquistamos a Abolição? Que idéia ou sentido de liberdade gerada por este ato deve orientar nossas ações nos dias de hoje?

O poeta José Carlos Capinam, ícone do movimento tropicalista nos anos 1960, nos dá uma pista. Com versos poéticos e precisos, no poema/canção Abolição, ele nos ensina: "Acabar com a tristeza, com a pobreza e o apartheid, não fazer da humanidade, a metade da metade, parte branca, parte negra". Pois bem, é com esses versos na cabeça e um tanto de emoção, que gostaria de responder às indagações acima.

Abolição para que a sociedade brasileira conquiste a cidadania plena, o desenvolvimento econômico e social, para que todos seus filhos, independente da cor da pele, de sua origem social ou opção religiosa possam ser tratados com dignidade e igualdade, conforme a Constituição. Mas também para que, em seu nome e em nome de milhões de brasileiros e brasileiras, que empunharam essa bandeira com coragem e distinção, impeçamos que a desigualdade, o racismo e a discriminação, gerados por séculos, naturalizem-se em nosso cotidiano, como parte do nosso jeito mestiço de ser.

Abolição para sensibilizar e conscientizar os homens e mulheres que dirigem o país, em especial aqueles que nos representam na Justiça e no Parlamento, de que a promoção da igualdade racial não pode ser apenas o recheio mágico de discursos vazios sobre a beleza da mestiçagem, o encanto das mulatas etc. Ainda mais quando estudos e pesquisas apontam para a iniqüidade das relações raciais no Brasil, a exemplo do uso do critério da "boa aparência", que leva à exclusão milhões de brasileiros e dificulta a eles o acesso a determinados nichos do mercado de trabalho, como a publicidade, a moda e a televisão.

Abolição para impedir que o conservadorismo e o medo que latifundiários impingem ao campo, sempre que tratamos de regularização da terra, nos leve a ignorar a presença de milhões de remanescentes de quilombos, que, apesar de tanta dor e indiferença, continuam resistindo nos rincões do país, com a viva esperança de que a abolição os alcance de fato e assim possam ter acesso àquilo que lhes pertencem por justiça e direito.

Abolição para superarmos a abissal diferença entre a qualidade do ensino público e privado e a exclusão de um enorme contingente de jovens brasileiros do ensino superior. Afinal, o Brasil contemporâneo, aberto, criativo e plural não pode entregar à própria sorte parte da juventude brasileira a grupos de extermínio e a narcotraficantes. Reconhecer esse direito e possibilitar a reparação histórica por meio da ampliação do acesso desses jovens às universidades públicas é mais que um dever, é um compromisso com o futuro do país.

Portanto, a celebração desses 121 anos da abolição da escravatura no Brasil, só tem sentido se, de um lado, debelarmos a hipocrisia que grassa na sociedade quanto à questão racial (todos consideram que existe racismo no Brasil, mas ninguém se intitula enquanto agente de tal crime), e, de outro, dermos conteúdo real às aspirações de mais da metade da população brasileira. Ou seja, é preciso instaurar a abolição definitiva da discriminação, que ainda persiste no Brasil, por meio de ações concretas que levem à promoção da igualdade racial e social. E nada melhor que o poeta Capinam para nos inspirar: "Abolir essa careta, que esconde a Natureza e que me faz ser teu irmão. Abolindo a velha intriga e guerreando pra sorrir".

Fonte: Informe Especial do Portal Palmares, às 11h42 do dia 13/05/2009