Um espaço dedicado à literatura negro-brasileira, às literaturas africanas de língua portuguesa e demais literaturas negro-diaspóricas
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sexta-feira, 17 de maio de 2013
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Carlos Lopes: Desafios contemporâneos da África - O legado de Amílcar Cabral
Desafios contemporâneos da África
O legado de Amílcar Cabral
Lopes, Carlos
ISBN: 9788539302291
Assunto: História
Idioma: Português
Formato: 14 x 21
Páginas: 216
Edição: 1ª
Ano: 2012
Acabamento: Brochura
Peso: 270g
Sinopse
Este livro, constituído de um conjunto de artigos escritos pelos principais especialistas na obra de Amilcar Cabral, é um convite à reflexão sobre a complexa situação do continente africano. Mas por que voltar ao pensador e revolucionário morto em 1973? A resposta está na importância de sua obra, a qual abre caminhos para compreender a situação atual da África, que se livrou do colonialismo, mas mergulhou em infindáveis lutas armadas sem ideologia que não podem dar respostas a seus problemas políticos, sociais e econômicos. “É justamente esta a razão pela qual é tão oportuno que aqueles que admiram Cabral paguem a ele o tributo de se aprofundar na difícil trilha da compreensão dos fenômenos atuais”, escreve o guineense Carlos Lopes organizador deste livro.
Tal compreensão passa pela obra desse pensador, considerado um dos mais inovadores e criativos já nascidos na África e um herói da emancipação do continente – Cabral foi fundador e líder do movimento de independência na Guiné-Bissau e Cabo Verde e um ativo participante da luta armada contra o colonialismo português nos anos 1970.
Cada um dos artigos reunidos neste livro reflete um ângulo diferente da obra do pensador. A apresentação, escrita por Peter Karibe Mendy, enfoca a situação da Guiné-Bissau colônia, que levou Cabral e seus camaradas a ingressarem na luta armada pela libertação dos guineenses e também dos cabo-verdianos. AlexisWick, Lars Rudebecke Ibrahim Abdullahfalam de sua originalidade ao tratar conceitos complexos com simplicidade e pragmatismo. Georges Nzongola-Ntalaja, John Fobajonge Carlos Lopes concentram-se na relevância das formulações de Cabral para a compreensão de dilemas persistentes, como a construção do Estado, o pan-africanismo e as dimensões éticas. Já Abebe Zegeyeaborda as ideias do intelectual sobre cultura num texto sobre sua influência na literatura africana.
Esta obra é, enfim, uma grande fonte de informações sobre o pensamento e a personalidade de Amílcar Cabral, que contribuiu de modo expressivo e definitivo para o processo que culminaria na independência das colônias portuguesas na África e representa uma chave para a compreensão daquele continente nos dias atuais.
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Aimé Césaire - Discurso sobre o colonialismo
O atualíssimo ensaio de Aimé Césaire, DISCURSO SOBRE O COLONIALISMO, em edição brasileira da Letras Contemporâneas.
http://www.letrascontemporaneas.com.br/catalogo.php?cod_ar=7&cod_lv=73
DISCURSO SOBRE O COLONIALISMO
Autor: Aimé Césaire
Área: Direito | Filosofia | Política
ISBN: 9788576620570
Esperamos que a leitura deste livro possa contribuir para a construção de uma consciência coletiv de que, neste momento, é necessário prestar a mais ampla solidariedade ao povo haitiano, exigindo dos governos que enviem àquele país mais médicos, enfermeiros, professores, engenheiros e, nolugar de tropas de ocupação, alimentos, medicamentos, materiais de construção, roupas e todo o afeto de “um sonho intenso, um raio vívido de amor e de esperança”. (Cláudio Antonio Ribeiro)
Número de páginas: 85
Número de páginas: 85
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domingo, 1 de abril de 2012
Luiz Fernandes de Oliveira - História da África e dos Africanos na Escola
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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Breve História Colonial em África, pinturas de Tchalê Figueira no BUALA
O artigo de minha autoria Para não esquecer o passado – Breve História Colonial em África, pinturas de Tchalê Figueira foi publicado no portal Buala - cultura contemporânea africana, organizado por Marta Lança. Para acessar o artigo, clique aqui.
RESUMO: A sangrenta experiência colonial em África consolidada durante a Conferência de Berlim (1884-1885) é retratada de forma corrosiva nas pinturas da série “Breve História Colonial em África”, do artista plástico Tchalê Figueira, que objetiva não deixar que esse triste passado seja revisto de forma branda ou rasurado da História. Com isso, o artista procura desvelar terríveis personagens e demonstra a agonia dos povos africanos em um expressionismo voraz e de forte impacto. A análise aqui presente pretende mostrar como Tchalê Figueira realiza plasticamente em dez pinturas (anexadas ao final do texto) suas denúncias ao sistemático genocídio de negros africanos durante o colonialismo. O suporte teórico escora-se nos historiadores Joseph Ki-Zerbo, Carlos Moore, Albert Memmi, entre outros.
RESUMO: A sangrenta experiência colonial em África consolidada durante a Conferência de Berlim (1884-1885) é retratada de forma corrosiva nas pinturas da série “Breve História Colonial em África”, do artista plástico Tchalê Figueira, que objetiva não deixar que esse triste passado seja revisto de forma branda ou rasurado da História. Com isso, o artista procura desvelar terríveis personagens e demonstra a agonia dos povos africanos em um expressionismo voraz e de forte impacto. A análise aqui presente pretende mostrar como Tchalê Figueira realiza plasticamente em dez pinturas (anexadas ao final do texto) suas denúncias ao sistemático genocídio de negros africanos durante o colonialismo. O suporte teórico escora-se nos historiadores Joseph Ki-Zerbo, Carlos Moore, Albert Memmi, entre outros.
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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Tchalê Figueira - Breve História Colonial em África (artigo publicado em Portugal)
REVISTA TRIPLOV de Artes, Religiões e Ciências (Portugal)
Nova Série 2012 Número 23-24
ISSN 2182-147X
Para não esquecer o passado – Breve História Colonial em África, pinturas de Tchalê Figueira
Ricardo Riso
RESUMO: A sangrenta experiência colonial em África consolidada durante a Conferência de Berlim (1884-1885) é retratada de forma corrosiva nas pinturas da série “Breve História Colonial em África”, do artista plástico Tchalê Figueira, que objetiva não deixar que esse triste passado seja revisto de forma branda ou rasurado da História. Com isso, o artista procura desvelar terríveis personagens e demonstra a agonia dos povos africanos em um expressionismo voraz e de forte impacto. A análise aqui presente pretende mostrar como Tchalê Figueira realiza plasticamente em dez pinturas (anexadas ao final do texto) suas denúncias ao sistemático genocídio de negros africanos durante o colonialismo. O suporte teórico escora-se nos historiadores Joseph Ki-Zerbo, Carlos Moore, Albert Memmi, entre outros.
Artigo completo aqui.
Nova Série 2012 Número 23-24
ISSN 2182-147X
Para não esquecer o passado – Breve História Colonial em África, pinturas de Tchalê Figueira
Ricardo Riso
RESUMO: A sangrenta experiência colonial em África consolidada durante a Conferência de Berlim (1884-1885) é retratada de forma corrosiva nas pinturas da série “Breve História Colonial em África”, do artista plástico Tchalê Figueira, que objetiva não deixar que esse triste passado seja revisto de forma branda ou rasurado da História. Com isso, o artista procura desvelar terríveis personagens e demonstra a agonia dos povos africanos em um expressionismo voraz e de forte impacto. A análise aqui presente pretende mostrar como Tchalê Figueira realiza plasticamente em dez pinturas (anexadas ao final do texto) suas denúncias ao sistemático genocídio de negros africanos durante o colonialismo. O suporte teórico escora-se nos historiadores Joseph Ki-Zerbo, Carlos Moore, Albert Memmi, entre outros.
Artigo completo aqui.
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Tchalê Figueira
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Tchalê Figueira - Breve História Colonial em África
Para não esquecer o passado – Breve História Colonial em África, pinturas de Tchalê Figueira
Ricardo Riso
RESUMO: A sangrenta experiência colonial em África consolidada durante a Conferência de Berlim (1884-1885) é retratada de forma corrosiva nas pinturas da série “Breve História Colonial em África”, do artista plástico Tchalê Figueira, que objetiva não deixar que esse triste passado seja revisto de forma branda ou rasurado da História. Com isso, o artista procura desvelar terríveis personagens e demonstra a agonia dos povos africanos em um expressionismo voraz e de forte impacto. A análise aqui presente pretende mostrar como Tchalê Figueira realiza plasticamente suas denúncias ao sistemático genocídio de negros africanos durante o colonialismo. O suporte teórico escora-se nos historiadores Joseph Ki-Zerbo, Carlos Moore, Albert Memmi, entre outros.
Eis-me aqui África/ nas tuas entranhas/
de onde afinal/ nunca saí/
eis-me aqui África/ eis-me aqui/
aqui.
(Mário Fonseca)
Neste início de século XXI vivenciamos perigosos revisionismos históricos com o intuito de suavizar imensas tragédias da história da Humanidade, que encontram espaços generosos nos veículos de comunicação dominantes em uma procura incessante para silenciar as vozes de pesquisadores comprometidos com os estudos pós-coloniais, desveladores de visões que desmascaram os cínicos e hipócritas discursos hegemônicos.
Vários são os agentes nos países pós-coloniais nas diversas áreas do saber e das artes a lutarem contra a história oficial de suas nações. No continente africano essa situação é ainda mais grave, dentre vários motivos, em razão do recente processo de soberania desses países, principalmente as ex-colônias de língua portuguesa: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.
Atento ao tempo em que vive e às mazelas que uma perniciosa amnésia induzida em relação à representação do colonialismo em África, o artista plástico e também escritor Tchalê Figueira elaborou a recente série de pinturas intituladas “Breve História Colonial em África”, na qual procura resgatar terríveis passagens vivenciadas pelos africanos na virada do século XIX para o XX.
Atendendo sugestão de G. T. Didial, um dos heterônimos de João Manuel Varela, Carlos Alberto Silva Figueira passa a usar o nome Tchalê (nome pelo qual é conhecido pelos moradores de sua cidade) para designá-lo. Nasceu em 1953, no Mindelo, ilha de São Vicente, Cabo Verde. Aos 17 anos, em meio às guerras de libertação nas colônias africanas dominadas por Portugal, em um ato de rebeldia, Tchalê decide sair clandestinamente de Cabo Verde para não servir ao exército fascista português e assim lutar contra seus pares. Ruma a Roterdã, na Holanda, mas pouco tempo aí permanece. Viaja pelos mares da Europa à Ásia e às Américas. Em 1974, fixa-se na cidade da Basileia, Suíça, onde frequenta a escola de belas-artes e torna-se artista plástico. Retorna ao Mindelo somente em 1985 onde encontra-se até hoje. Atualmente é um dos mais prestigiados artistas plásticos de Cabo Verde com obra reconhecida por diversos países. Além disso, já possui uma considerável obra literária com os seguintes livros de poesia: “Todos os náufragos do mundo” (1992), “Onde os sentimentos se encontram” (1998) e “O azul e a luz” (2002); enquanto em prosa publicou “Ptolomeu e a sua viagem de circum-navegação” (2005), “Solitário” (2005) e “Contos da Basileia” (2011).
Acompanho com extremo interesse as obras plásticas e literárias de Tchalê Figueira através de seu blog “Arco da Velha” – tchale.blogspot.com – ou por redes sociais como o Facebook. Tchalê é um artista inquieto, indignado e revoltado com as injustiças de diversas ordens, principalmente as motivadas por políticos, e não deixa de expor suas opiniões com veemência. Essa vontade de manifestar-se a favor dos oprimidos acompanha suas pinturas, tornando-se uma característica costumeira. Estão lá representados os homens e mulheres marginalizados da cidade do Mindelo, na sua rua da Praia. Prostitutas, bêbados, traficantes, pescadores, pessoas ociosas do cotidiano e esquecidas pelo poder público, mas que ganham representatividade em suas telas. Uma pintura expressionista em suas formas distorcidas da figuração humana – geralmente em primeiro plano –, muitas vezes agressivas na denúncia social, em outras ocasiões apresentam-se irônicas, como também podem ser alegres nas celebrações festivas do cabo-verdiano. Suas cores obedecem a recusa de representação do real típica do fauvismo francês. Os fundos de suas telas costumam ser grandes manchas de cor, abstratizantes e de gestualidade agressiva como os melhores nomes do expressionismo abstrato, dentre tantos, Clifford Stills, são indefinidos e com a intenção de destacar a presença da figuração humana, pois é do homem que a obra deste mindelense se preocupa. Ou seja, Tchalê Figueira possui uma identidade plástica, ou como afirmou G. T. Didial: “há nestas obras uma linguagem própria e uma visão de mundo” (DIDIAL, 1999, p. 98). Traço característico e temáticas de forte contundência social são marcas as telas deste grande pintor.
Breve História Colonial em África
A partir de 1860 o continente africano sofre com os violentos ataques dos europeus, favorecidos por tecnologia bélica avançada à época, que Tchalê Figueira representa nas abomináveis figuras de Leopold II (Anexo I), rei da Bélgica, e incentivador das atrocidades cometidas no Congo, seguidas pelo desbravador e sanguinário Henry Stanley, representado na pintura “Henry Stanley, o monstro” (Anexo II) e “Stanley Cap” (Anexo III), para quem “os selvagens apenas respeitam a força, o poder, a audácia e a decisão” (SERRANO, WALDMAN, 2008, p.216), e pelo não menos abominável Guillaume Van Kerckhoven (Anexo IV) e do odioso Otto Von Bismarck na pintura “Clube alemão das colônias – Peitche und Zuken Brot” (Anexo V), um dos articuladores da Conferência de Berlim.
LEOPOLOD II DA BÉLGICA - O NOVO DONO DO REINO DO CONGO
HENRY STANLEY, O MONSTRO
STANLEY CAP
GUILLAUME VON KERKCHAVEN
CLUBE ALEMÃO DAS COLÔNIAS
Nas telas representativas desses repugnantes seres humanos, Tchalê recorre ao uso do texto para não deixar dúvidas sobre quem está representado. Para além da denúncia, salienta-se o caráter didático e necessário para que esses protagonistas do genocídio étnico não sejam rasurados da história africana. A representação da força e da soberania na figura ornada com suas patentes e designações reais de Leopold II (Anexo I), seu sorriso sádico em rosto típico de máscara africana, contrastam com o pavor dos africanos mortos e da presença predominante do vermelho a sangrar nosso olhar, a esquartejar nossa memória, e a partir daí, a retomada de consciência de um passado desesperador que a História não pode apagar. O pintor reflete em expressões hostis e sorrisos expondo carnívoros dentes as violentas ações desses monstros no período colonial. Aliás, de um modo geral, os sorrisos perversos com dentes escancarados são caracterizadores na obra plástica de Figueira dos líderes repressores da história da Humanidade em suas diversas facetas.
As expressões reveladas nas pinturas de Tchalê demonstram o ódio pelos africanos e o prazer que essas figuras tinham em cumprir as suas cruéis missões. Pinturas agressivas, todavia, jamais ultrapassariam os atos violentos motivados por seus personagens, que, infelizmente, foram reais. E trata-se de uma realidade para a qual não devemos esquecer. Homens que acompanharam o histórico de violência do tráfico negreiro e confirmaram a banalização de atos cruéis aos negros africanos. Cabe a lembrança de um artista ao qual a obra de Tchalê Figueira dialoga com frequência, e nessa série em especial, o inglês Francis Bacon, que também utilizava um expressionismo enfurecido para retratar a violência do cotidiano: “Quando trago a violência para pintura, dizia ele, não se trata da violência da guerra, mas, da violência da realidade por si mesma.” (SYLVESTER, 2007, p. 81).
Violência exacerbada na representação de sadismo e prazer no sorriso de Guillaume Van Kerckhoven (Anexo IV), com sua pose de satisfação em traje militar a exibir todas as suas medalhas ao cumprir a missão de exterminar negros, em contraponto às expressões aterrorizadas de incontáveis rostos de negros amontoados. Nesta pintura, Tchalê Figueira para demonstrar a imensa quantidade de africanos mortos utiliza um procedimento comum e consagrado na pintura do artista plástico moçambicano Malangatana Valente. Malangatana tinha como característica representar uma quantidade impressionante de pessoas espremidas em suas telas, comprimidos no espaço asfixiante da superfície pintada a revelar-nos a irracionalidade e desumanidade do colonialismo, e da desestabilização oriunda da repressão em cores contrastantes e impactantes. Para esta pintura de Tchalê resgato palavras de Mia Couto a respeito da pintura de Malangatana que encaixam com perfeição ao mostrado pelo mindelense:
Estes rostos repetidos até a exaustão do espaço, estas figuras retorcidas por infinita amargura são imagens deste mundo criado por nós e, afinal, contra nós. Monstros que julgávamos há muito extintos dentro de nós são ressuscitados no pincel de Malangatana.
Ressurge um temor que nos atemoriza porque é o nosso velho medo desadormecido. Ficamos assim à mercê destas visões, somos assaltados pela fragilidade da nossa representação visual do universo. (...)
No seu traço está nua e tangível a geografia do tempo africano. No jogo das cores está, sedutor e cruel, o feitiço, (...)
Estes bichos e homens, atirados para um espaço tornado exíguo pelo acumular de elementos gráficos, procuram em nós uma saída. A tensão criada na tela não permite que fiquem confinados a ela, obriga-nos a procurar uma ordem exterior ao quadro. Aqui reside afinal o gênio apurado deste ‘ingênuo’ invocador do caos, sábio perturbador das nossas certezas. (SECCO, 2003, pp. 224-225)
Como é possível conferir, as assustadoras imagens desses tristes representantes do colonialismo europeu não são mais horríveis do que as atitudes desumanas praticadas durante a conquista militar do continente africano. Figueira simplesmente transfere para suas pinturas as assombrosas ações do colonizador em África. A lembrança de Leopold II não é gratuita, pois promoveu um banho de sangue durante a ocupação do Congo em proporções maiores que o holocausto nazista, e está muito bem representado na pintura do cabo-verdiano. Escorro-me nas afirmações do historiador cubano Carlos Moore para lembrar que o Congo foi o “único caso de um país que fora incorporado à potência colonizadora como propriedade pessoal do chefe de Estado” (MOORE, 2009, p. 30). Ainda de acordo com o Moore, em 76 anos de colonização belga no Congo (1884-1960), estima-se que pereceram 25 milhões de pessoas. A violência desmedida – irracional define melhor – da colonização belga ultrapassa o absurdo, como podemos analisar na passagem abaixo incluída no livro de Moore e que se encontra no Wikipedia:
Para impingir as cotas de borracha, a Force Publique (Força Pública) foi instituida: de uso corrente, policiais, na sua maioria eram canibais do Lualaba. Armados com armas modernas e chicote. A “Força Pública” rotineiramente pegava e torturava reféns (na maioria mulheres), açoitavam, estupravam, incineravam aldeias e, acima de tudo, extirpavam mãos humanas como troféus mostrando que, quando as cotas não eram cumpridas, não estavam tendo vontade o suficiente de cumprir.
Um oficial branco de baixa patente descreveu uma incursão para punir uma aldeia que havia protestado. O oficial branco em comando: "Ordenaram-nos a cortar as cabeças dos homens e as pendurar nas cercas da aldeia, bem como seus membros sexuais, e pendurar as mulheres e crianças em forma de cruz". Após ver um íncola morto pela primeira vez, um missionário dinamarquês escreveu: "O soldado disse: 'Não leve muito a sério. Eles matam 'a nós' se não levarmos a borracha. O comissionário nos prometeu que se tivermos muitas mãos, ele encurtará nosso serviço'" Nas palavras de Peter Forbath:
“As cestas de mão cerradas, postas aos pés do chefe de posto europeus, tornaram-se o símbolo do Estado Livre do Congo. (...) A coleção de mãos se tornou um fim em si mesmo. Os soldados da “Força Pública” as traziam em vez da borracha; eles até mesmo iam colhê-las em lugar de borracha.(...) Elas tornaram-se um tipo de moeda. Elas são usadas para amenizar o déficit das cotas de borracha, substituir(...) o povo ao qual é exigido trabalhar para as gangues de trabalhos forçados; e os soldados da “Força Pública” tinham seus bônus pagos de acordo com quantas mãos eles coletavam. ”
Em teoria, cada mão direita provava um assassinato judicial. Na prática, soldados “trapaceavam”, simplesmente cortando a mão e deixando a vítima para viver ou morrer. Numerosos sobreviventes relataram que eles viveram além de um massacre fingindo de morto, não se movendo nem mesmo quando tinham suas mãos serradas. E esperavam os soldados partirem para então procurar socorro.
Estimativas do total das chacinas variam consideravelmente. O relatório famoso 1904 do diplomata britânico Roger Casement aponta para 3 milhões apenas nos 20 anos que o regime de Leopold durou; Forbath, no mínimo 5 milhões; Adam Hochschild 10 milhões; a Enciclopédia Britânica estima um declínio populacional de 20 ou 30 milhões para 8 milhões. (grifos do autor) (MOORE, 2009, p. 30-32)
A mutilação, a violência sexual e a matança indiscriminada de africanos foi uma prática comum em praticamente todo o continente africano. Milhões de negros foram mortos com sadismo e voracidade jamais vistas. Tchalê retrata a escravidão e o estupro feito com frequência nas mulheres negras, denunciando o caráter violento e forçado do início da miscigenação, principalmente nas colônias portuguesas, como mostram as pinturas “Violação I” (Anexo VI) e “Violação II” (Anexo VII). O detalhe para as expressões de horror e resignação dos oprimidos, assim como o vermelho dos corpos em analogia às batalhas desiguais travadas em solo africano que dizimaram um número incalculável de vítimas.
VIOLAÇÃO I
VIOLAÇÃO II
O historiador Joseph Ki-Zerbo é enfático ao afirmar o que os negros africanos vivenciaram a partir do tráfico negreiro e durante o período da colonização com o incontornável apoio da Igreja Católica:
Nenhuma coletividade humana foi mais inferiorizada do que os negros depois do século XV. Foram encomendados escravos negros aos milhões; utilizaram-se os negros como reprodutores de outros negros, em “coudelarias” constituídas para reproduzir novos negrinhos para o trabalho nas plantações. Quantas crianças africanas foram jogadas dos navios, ou abandonadas nos mercados escravos, longe das mães que eram levadas, porque era preciso muito tempo para alimentá-las até que fossem exploráveis? Os escravos eram comprados às toneladas. Amputava-se e esquartejava-se como carne bruta os rebeldes ditos “negros castanhos”. Durante esse tempo, na Europa, os teólogos debatiam doutamente a questão de saber se os negros tinham alma. Foi uma pergunta que não se fez a propósito de outros grupos humanos (KI-ZERBO, 2009, p. 24).
Como este texto procura desvelar as atrocidades aos povos do continente africano, salientamos que as colonizações realizadas pela Bélgica e Portugal foram marcadas pela violência extrema, em razão da
estrutura capitalista débil na comparação com países como a França e a Inglaterra, viram-se obrigados a recorrer a uma brutalidade maior, e não menor, no trato das populações dominadas. Isso porque, destituídos de capacidade de implantar sistemas dotados com maior composição orgânica de capital, tinham de recorrer, para competir com um mínimo de eficiência diante de nações capitalistas mais desenvolvidas, a todas as formas possíveis de coerção, inclusive as que se aproximavam da escravidão (SERRANO; WALDMAN, 2008, p.221).
Para além dos assassinatos em série cometidos sob a liderança de Henry Stanley, não devemos esquecer a criação das famigeradas legiões estrangeiras pela França e pela Espanha, ambas marcadas pela agressividade no trato das populações africanas e pela longa folha de serviços prestada ao domínio colonial (SERRANO, WALDMAN, 2008, p.216).
Carlos Moore chama atenção para a limpeza étnica ocorrida no continente africano durante a colonização. Moore afirma que “muitos continuam ignorando ou minimizando o fato de que a colonização da África foi um verdadeiro genocídio contra a raça negra” (MOORE, 2009, p. 29). Por isso, a importância desta série de intervenção realizada com furor expressionista e indignação por Tchalê Figueira.
A Conferência de Berlim (1884-1885) marca o auge da supremacia europeia no continente africano após diversos e sangrentos conflitos onde milhares de vidas foram ceifadas em nome da civilização, da fé e do progresso branco europeu. O desprezo aos africanos e a prepotência colonizadora foi de tal ordem que pode ser sentido na declaração do britânico Lord Salisbury a respeito da partilha realizada: “Traçamos linhas sobre mapas de regiões onde o homem branco nunca tinha pisado. Distribuímos montanhas, rios e lagos entre nós. Ficamos apenas atrapalhados por não sabermos onde ficavam estas montanhas, esses rios e esses lagos” (SERRANO; MUNANGA, 1995, p. 6. Apud: SERRANO, WALDMAN p.212).
A prepotência europeia é retratada na pintura “Com régua e esquadro dividiram o cake” (Anexo VIII), que de forma impactante representa a arbitrariedade do encontro dos países imperialistas assinalados nas cadeiras e do caos civilizador imposto aos africanos. A violência das figuras ilustradas na parte inferior da pintura pode representar a caótica situação e o desespero que se apoderou dos africanos desde o período do tráfico negreiro, alimentado por conflitos criados pelos invasores europeus entre as etnias africanas para assim enfraquecê-las e atingirem com maior rapidez os seus objetivos nefastos. Por outro lado, os colonizadores disputavam entre si as terras africanas. Nesse sentido, deve-se recordar o momento ruim de Portugal com economia fragilizada e pressionado pela Inglaterra, nação hegemônica da época, que
rifou o projeto português do mapa cor de rosa, pelo qual os territórios entre Angola e Moçambique, correspondendo aos atuais Zimbabwe, Malawi e Zâmbia, constavam como um domínio dos lusos. Portugal foi obrigado a recuar diante das pressões britânicas e da ameça de guerra entre os dois países (1890). (SERRANO; WALDMAN, 2008, p.210-211)
COM RÉGUA E ESQUADRO DIVIDIRAM O CAKE
O mapa do terror da ganância europeia foi dividido desconsiderando quaisquer opiniões de líderes africanos e assim demonstrado pela pintura voraz de Figueira em “Assim estava dividido o cake” (Anexo IX). As caveiras fantasmagóricas mostram o estado de espírito do continente africano. Novamente o caráter didático a mostrar a partilha realizada pelos colonizadores, revelando a maneira acintosa a qual o continente foi subjugado. Vale salientar o destaque à Etiópia, única nação que conseguiu manter sua soberania ao preço de muito sangue e de vidas de seus cidadãos.
ASSIM DIVIDIRAM O CAKE
Essa partilha do continente africano não foi bem digerida por Alemanha e Itália, nações atrasadas em seus processos de unificação, por conseguinte, ficaram com colônias menores. As grandes faixas de terra sob dominação portuguesa foram motivo de interesse dos alemães, por exemplo. Para retratar este temor de um eventual ataque alemão às colônias, verificamos a aflição do pré-claridoso Pedro Cardoso n’As Crónicas do AFRO, publicada no jornal A Voz de Cabo Verde de 8 de abril de 1912, e sua posição ambígua em relação ao colonizador luso em uma possível tomada das colônias portuguesas em África pelos alemães:
A armipotente Alemanha, fechando os olhos à conquista da Tripolitana pela sua amiga e aliada transalpina entendeu-se com a França sobre o Marrocos, com a Espanha sobre Fernando Pó, Guiné Espanhola e, quem sabe? sobre Portugal e agora quer entender-se com a Inglaterra...
Todos esses entendimentos visaram desde o seu início as possessões portuguesas. A esperta chancelaria leutónica tem procurado pela condescendência e satisfação às ambições das potências rivais assegurar que a premeditada rapinagem do Ultramar português se faça sem protesto (...)
Quem escreve estas linhas nasceu em África mas é português, não só pela bandeira como pelo sentimento e sangue.
(...) apesar de saber – pelo confronto – que a administração alemã oferece mais certas garantias de progresso às colónias no estado e circunstâncias portuguesas, não posso fazer calar o meu coração. Não posso conformar-me à horrorosa ideia de que serei obrigado a não falar, a não cultivar esta formosíssima língua toda feita de harmonia e doçura, em que balbuciei as minhas primeiras canções, destronada, substituída por aquela que escreve Goeth, é certo, mas sabendo a cerveja, desarmoniosa, gutural e arrepiante, como o cavo rugir do urso, ou como o horrendo gargalhar da estrige agoirenta.
Não! Antes mil vezes o pobre e lusitano do que rico e alemão. Não! (BRITO-SEMEDO; MORAIS, 2008, p. 132)
Com a colonização implantada no continente, valores ocidentais distantes dos africanos passam a ser implantados. Eles perdem completamente poderes político, econômico e militar. Seguem décadas de violência e racismo declarado, o homem branco europeu escora-se nas deploráveis teorias positivistas de supremacia racial e inferioridade do negro predominantes na derradeira metade do século XIX, subjugando os africanos ao que havia de mais tenebroso na espécie humana. Para Joseph Ki-Zerbo:
A colonização foi muito mais curta do que o tráfico negreiro, mas foi mais determinante. O colonialismo substituiu inteiramente o sistema africano. Fomos alienados, isto é, substituídos por outros, inclusive no nosso passado. Os colonizadores prepararam um assalto à nossa história. O ‘pacto colonial’ queria que os países africanos produzissem apenas produtos em bruto, matérias-primas a enviar para o Norte, para a indústria europeia. A própria África foi aprisionada, dividida, esquartejada, sendo-lhe imposto esse papel: fornecer matérias-primas. Esse pacto colonial dura até hoje. (KI-ZERBO, 2009, p. 25)
Para justificar a sua postura, o colonizador escora-se na arrogância e na prepotência, elevando os seus feitos e rebaixando tudo o que for relacionado ao colonizado, sendo este atingido moral e fisicamente, conforme diz Memmi:
Como pode a usurpação passar por legitimidade? Duas operações parecem possíveis: demonstrar os méritos eminentes do usurpador, tão eminentes que clamam por semelhante recompensa; ou insistir nos deméritos do usurpado, tão graves que não podem senão suscitar tal desgraça. E esses dois esforços são de fato inseparáveis. Sua inquietude, sua sede de justificação exigem do usurpador, ao mesmo tempo, que se eleve a si mesmo até as nuvens e que afunde o usurpado mais baixo que a terra. (MEMMI, 2007, p. 57)
Como sequência a esse pensamento, o ódio do colonizador age com extrema brutalidade, impõe suas certezas e frisa as diferenças que justificam a submissão do colonizado:
Utilizará para descrevê-lo as cores mais sombrias: agirá, se for preciso, para desvalorizá-lo, para anulá-lo. Mas não sairá jamais deste círculo: é preciso explicar a distância que a colonização estabelece entre ele e o colonizado; ora, a fim de justificar-se, é levado a aumentar mais ainda essa distância, a opor irremediavelmente as duas figuras, a sua tão gloriosa, a do colonizado tão desprezível. (MEMMI, 2007, p. 58)
Retomo Ki-Zerbo para demonstrar como era o ensino nas colônias, comum a todas elas, legando ao ostracismo a história e a cultura dos povos autóctones:
(...) a história africana era desconhecida. Fiz todos os meus estudos no âmbito francês, com manuais franceses. Não havia nada no programa que tratasse da África. Ainda pequenos, tínhamos de utilizar um livro de História francês que começa assim: “Nossos antepassados, os gauleses...” Repetimos maquinalmente o que queriam inculcar-nos. (KI-ZERBO, 2009, p. 14)
Esse colonizador, representante da civilização europeia, demonstrou a pior faceta do homem perante o seu semelhante durante o período da colonização e fez (e faz) do racismo a principal arma para massacrar os africanos. Esse mesmo “bárbaro civilizador” (Anexo X) que caçava, matava ou traficava animais (Anexo XI) da diversificada fauna africana e que permanece com a sua sanha usurpadora das riquezas minerais de todo o continente africano (Anexo XII) agora com a máscara do neoliberalismo, ou o neocolonialismo.
O BÁRBARO CIVILIZADOR
SEM TÍTULO 4
Entretanto, boa parte dos africanos jamais aceitou a dominação colonial, exceto as elites vassalas que mantinham a posição subalterna perante o colonizador branco. O racismo à população negra, tanto em África quanto na diáspora, estimulou o surgimento de dois movimentos de alcance mundial: a negritude e o pan-africanismo. Esses dois movimentos tiveram suas ressonâncias na política, na literatura, na história e em demais áreas do conhecimento. Seus líderes e simpatizantes foram agentes históricos em prol do fim do colonialismo em África, por conseguinte, da independência dos países africanos e contra a discriminação racial ao negro no restante do mundo. Esses dois movimentos estimularam líderes cativantes e a população de negros a reivindicar e lutar pela libertação dos países africanos, com maior ênfase a partir do fim da II Guerra Mundial e consequente enfraquecimento dos países europeus. As batalhas pela descolonização foram sangrentas, trazendo a morte para milhões de africanos. Somente de líderes pan-africanistas, Carlos Moore enumera 37 nomes assassinados “entre 1957, data da independência de Gana, e 1987, data do assassinato do último dirigente declaradamente pan-africanista, Thomas Sankara” (MOORE, p. 48). Mas o processo era irreversível, a História foi feita e a duras penas os países africanos conseguiram eliminar o famigerado colonialismo. Infelizmente, as novas nações dizimadas por séculos de opressão e usurpação ainda sofrem as consequências do atraso e estão hoje enfrentando as imposições da política neoliberal e das grandes empresas que praticamente dominam as economias dos países mais ricos do mundo.
Conclui-se que na crueldade retratada na série “Breve História Colonial em África”, o artista e ativista Tchalê Figueira crê na função social da arte como reveladora de vozes adormecidas, escancarando as feridas, sangrando as vísceras do passado colonial de injustiças que se perpetuam no presente, incomodando os olhares daqueles que desejam o esquecimento das atrocidades desse período. Por outro lado, pinceladas como facas a esquartejar as mentes obliteradas dos que não tiveram acesso ou foram obstruídos em sua instrução a esse triste passado colonial, ainda sangrento na crueldade dos dias contemporâneos em África. Pinturas a clamar liberdade e o direito à vida, suprimido de boa parte dos africanos. Pinturas de um humanista ao extremo, seguidor da “postulação irritada da fraternidade” de Aimé Cesaire e parafraseada pelo poeta cabo-verdiano Mário Fonseca. Pinturas que pretendem resgatar a história de sofrimento e dor dos africanos, assim como resgatar o necessário sentido solidário, político, denunciador e combativo do pan-africanismo. Tchalê segue uma tradição de obras de arte denunciatórias contra a Humanidade explicitada em Pablo Picasso com Guernica e as obras feitas durante a II Guerra Mundial, Francisco Goya e a série de gravuras Desastre da Guerra, e as pinturas de Malangatana Valente durante o período colonial em Moçambique e durante a guerra de desestabilização já com a nação independente. Tchalê Figueira integra um grupo de homens cada vez mais raros. Dos inconformados.
Encerro com um poema deste pintor-poeta Tchalê Figueira:
Do lado neutro da trincheira
Contempla a tua obra!...
Canta!... Glorifica teus mortos
Vê as suas frias camas
De poeira vermelha
Corpos radioactivos
Crianças deformadas,
Rostos empobrecidos em urânio
Cabeças rapadas
Hospital de angústias
Mercenários rugindo
Alfabeto de mortos
Artéria podre do paraíso
África encharcada de vírus
Coreografia abominável
Petróleo de sangue
Diamantes brilhantes
Em dedos de abutres.
BIBLIOGRAFIA:
BRITO-SEMEDO, Manuel; MORAIS, Joaquim. Pedro Cardoso – textos jornalísticos e literários: parte I. Praia: Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, 2008.
DIDIAL, G. T. Tchalê Figueira – pintor das grandes e pequenas vicissitudes cabo-verdianas. Anais – Associação de Estudos de Culturas Comparadas. Mindelo: Cabo Verde. v. 2. n. 3. dez/2000. pp. 97-99
FONSECA, Mário. Se a luz é para todos. Praia: Publicom, 1998.
KI-ZERBO, Joseph. Para quando África? – Entrevista com René Holenstein. Rio de Janeiro: Pallas, 2006.
MEMMI, Albert. Retrato do colonizado precedido do retrato do colonizador. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.
MOORE, Carlos. Da África mítica à África real: para uma cooperação realista entre a África e a diáspora. In: A África que incomoda – sobre a problematização do legado africano no quotidiano brasileiro. Belo Horizonte: Nandyala, 2009. p. 11-65.
RISO, Ricardo. Tchalê Figueira. Disponível em < http://ricardoriso.blogspot.com/2007/07/tchal-figueira.html > Acessado em 6 de dezembro de 2011.
SECCO, Carmen Lucia Tindó. Craveirinha e Malangatana: cumplicidade e correspondência entre as artes. In: A magia das letras africanas: ensaios escolhidos sobre as Literaturas de Angola, Moçambique e alguns outros diálogos. Rio de Janeiro: ABE Graph Editora. Rio de Janeiro, 2003.
SERRANO, Carlos; WALDMAN, Maurício. Memória D’África – a temática africana na sala de aula. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2008.
SYLVESTER, D. (2007). Entrevistas com Francis Bacon. São Paulo: Cosac Naif. In: BORGES, Sonia. Francis Bacon: destituição subjetiva e formalização da obra de arte. Psicanálise & Barroco em revista. v.8, n.2, pp. 38-48, dez.2010
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Curso de Ensino de Histórias e Culturas Africanas e Afro-Brasileira/IFRJ
Curso de Especialização Lato Sensu em Ensino de Histórias e Culturas Africanas e Afro-Brasileira
Escrito por Karla Leandro Rascke
Seg, 03 de Outubro de 2011 09:32
O IFRJ Campus São Gonçalo tem o prazer de informá-los(as) que estarão abertas a partir das 16h de hoje (03 de Outubro de 2011), as inscriçõesdo Edital n° 58/2011 para 2ª turma do Curso de Especialização Lato Sensu emEnsino de Histórias e Culturas Africanas e Afro-Brasileira. As inscrições serão feitas exclusivamente pela internet. O Curso de Especialização Lato Sensu em Ensino de Histórias e Culturas Africanas e Afro-brasileira tem como finalidade contribuir para a formação continuada dos professores e profissionais ligados à educação capazes de atuar no ensino e na pesquisa com vistas à implementação de uma política educacional que reconhece a diversidade étnico-racial do país, seguindo as determinações da Lei Federal 10.639/03 que torna obrigatório o ensino das histórias e culturas africanas e afro-brasileira em todos os níveis e modalidades da educação básica.
Pretende-se também contribuir na formação de profissionais autônomos e inovadores, capazes de projetar e realizar melhorias em seus campos de atuação, de propor novas metodologias e criar novas estratégias pedagógicas para a educação das relações étnico-raciais, no intuito de reduzir a distância existente entre as realidades da produção acadêmica contemporânea e do cotidiano da sala de aula.
CARACTERÍSTICAS DO CURSO
O Curso tem a duração prevista de um ano e seis meses, incluindo o tempo de elaboração da monografia, prorrogáveis, a critério do Colegiado do Curso, por mais seis meses.
A sua carga horária é de 390 horas e suas aulas serão ministradas às terças-feiras e às quintas-feiras, das 18h 30min às 22h 30min, e um sábado por mês, das 8 às 12 horas, no Campus São Gonçalo do IFRJ.
PÚBLICO-ALVO
Podem participar do processo seletivo os profissionais que tenham concluído um curso de graduação, preferencialmente nas áreas relacionadas à Educação. O início das aulas está previsto para 07 de fevereiro de 2012.
INSCRIÇÕES PELA INTERNET
Seção de Concursos e Processos Seletivos
Veja o Edital e siga as orientações do site para inscrição online
TAXA DE INSCRIÇÃO NO CONCURSO: R$ 70,00
VAGAS OFERECIDAS: 20 (VINTE)
O CURSO É GRATUITO, SEM COBRANÇA DE TAXA DE MATRÍCULA E MENSALIDADES
INFORMAÇŌES ADICIONAIS:
Email: spg.csg@ifrj.edu.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. / Tel (021) 2628-0099
Maiores Informações: www.ifrj.edu.br
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segunda-feira, 22 de agosto de 2011
História da África e do Negro no Brasil
E-mail gentilmente enviado pelo Prof. Marcelo da Costa Nicolau - Diretor do Centro de Estudos Afro-Asiáticos (CEAA) - Universidade Candido Mendes
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domingo, 21 de agosto de 2011
Palestra História da escravidão num porto africano: o caso de Benguela
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Um outro 16 de junho que não deve ser esquecido
por Ricardo Riso
16 de junho de 2010, Copa do Mundo de Futebol sendo realizada na África do Sul. Em meio ao evento, torna-se imperioso recordar o que aconteceu há exatos 34 anos. Naquela época, o país vivia sob o tenebroso e injustificável regime do apartheid promovido pela minoria branca conhecida como afrikander.
No dia 16 de junho de 1976 um grupo de estudantes negros organizou uma passeata em Soweto para protestar contra a imposição do ensino do idioma dos brancos, o afrikanns, junto à língua inglesa nas escolas somente frequentadas pelos negros. Como resultado, a repressão violenta e estúpida por parte das autoridades regidas pelo apartheid aos estudantes, que combatiam o mais cruel meio assimilacionista: a imposição da língua.
No fim, em torno de 500 pessoas foram assassinadas, sendo que, dentre os mortos, o jovem de 13 anos, Hector Pieterson acabou entrando para a História por causa de uma foto que o mostra agonizando nos braços de outra pessoa. Essa imagem correu o mundo e provocou a revolta dos negros sul-africanos em diversos pontos do país.
Isso só para relembrar o quanto foi difícil e tortuoso o caminho até o fim do apartheid em 1990. Se hoje ocorre o maior evento do mundo na África do Sul, não devemos esquecer o que a população negra deste país sofreu até chegar a este 16 de junho.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
África-Brasil - caminhos da língua portuguesa (livro)
Organização: Charlotte Galves, Helder Garmes e Fernando Rosa Ribeiro
Este volume reúne os textos das conferências e mesas-redondas convidadas no colóquio Caminhos da língua portuguesa: África–Brasil, realizado na UNICAMP de 6 a 9 de novembro de 2006, no âmbito das comemorações dos 40 anos da Universidade. Na ocasião, reuniram-se historiadores, lingüistas e teóricos da literatura para juntos multiplicarem os olhares e deslocarem os pontos de vista sobre as complexas relações estabelecidas na expansão da língua portuguesa e seu embate com as línguas africanas no processo de colonização da África e da América. Nas páginas que nasceram desse diálogo, mais do que interdisciplinaridade, se encontra forte transversalidade, um entremeado de vozes distintas, mas que se fazem ecos repetidamente umas às outras.
ISBN 978-85-268-0838-6
Páginas: 280
Edição: 1
Tam: 16x23 cm
Ano: 2009
Fonte: http://www.editora.unicamp.br/detalhe.asp?referencia=1298
Este volume reúne os textos das conferências e mesas-redondas convidadas no colóquio Caminhos da língua portuguesa: África–Brasil, realizado na UNICAMP de 6 a 9 de novembro de 2006, no âmbito das comemorações dos 40 anos da Universidade. Na ocasião, reuniram-se historiadores, lingüistas e teóricos da literatura para juntos multiplicarem os olhares e deslocarem os pontos de vista sobre as complexas relações estabelecidas na expansão da língua portuguesa e seu embate com as línguas africanas no processo de colonização da África e da América. Nas páginas que nasceram desse diálogo, mais do que interdisciplinaridade, se encontra forte transversalidade, um entremeado de vozes distintas, mas que se fazem ecos repetidamente umas às outras.
ISBN 978-85-268-0838-6
Páginas: 280
Edição: 1
Tam: 16x23 cm
Ano: 2009
Fonte: http://www.editora.unicamp.br/detalhe.asp?referencia=1298
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
África e Africanidades - dez conferências sobre História da África
fonte: e-mail gentilmente enviado pela organização do evento em 30 de agosto de 2009.
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terça-feira, 11 de agosto de 2009
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Palestra com Dr. Herbert Ekwe-Ekwe na UFRJ
"África: Estado, Genocídio e Literatura, que perspectivas futuras?", palestra do Dr. Herbert Ekwe-Ekwe
Dia 25 de junho, às 11h, Auditório G1- Fac. Letras-UFRJ (Ilha do Fundão)
Dr. Herbert Ekwe-Ekwe – Nigéria, especialista em Literatura Africana e Estudos sobre Genocídio e relações com o Estado africano moderno. Publicou vários textos sobre o genocídio em Biafra, Nigéria e sobre Chinua Achebe, bem como autores nigerianos contemporâneos. Seus últimos livros são: Literature in defense of History e Biafra Revisited
Duração – 45 min. fala + 45 min. tradução + 30min. debate
Fonte: e-mail gentilmente enviado pela Profa. Dra. Carmen Lucia Tindó Secco (UFRJ), em 05/06/2009
Dia 25 de junho, às 11h, Auditório G1- Fac. Letras-UFRJ (Ilha do Fundão)
Dr. Herbert Ekwe-Ekwe – Nigéria, especialista em Literatura Africana e Estudos sobre Genocídio e relações com o Estado africano moderno. Publicou vários textos sobre o genocídio em Biafra, Nigéria e sobre Chinua Achebe, bem como autores nigerianos contemporâneos. Seus últimos livros são: Literature in defense of History e Biafra Revisited
Duração – 45 min. fala + 45 min. tradução + 30min. debate
Fonte: e-mail gentilmente enviado pela Profa. Dra. Carmen Lucia Tindó Secco (UFRJ), em 05/06/2009
segunda-feira, 18 de maio de 2009
I Encontro de Estudos Africanos - História/UFF 25 a 28/05/2009
Programação do I Encontro de Estudos Africanos
Departamento de História - UFF.
Dia: 25 de Maio (Segunda-feira)
18:00h – Abertura do Encontro
Mariza Soares (Depto. de História - UFF)
18:30h – Conferência
Algumas considerações sobre a dimensão atlântica da história da África
Elisée Soumonni (Diretor do Institut Béninois d'études et de recherche sur la diaspora africaine – IBERDA)
Dia: 26 de Maio (Terça-feira)
13:30/15:30h – Mesa 1
Viajantes ingleses na África Ocidental
Alexsander Gebara (Depto. de História - UFF)
Entre Ruas e Musseques: Imprensa, crioulidade e expansão colonial em Luanda (1870-1930)
Andrea Marzano (Interseção Africana - PUC/Rio)
Desenvolvimento ou barbárie? Os sentidos de “civilização” entre os filhos da terra no sul de Moçambique (1908-1920)
Fernanda Thomaz (Doutoranda - PPGH/UFF)
Colonialismo, resistência, associativismo: um estudo comparativo entre o grêmio africano de Lourenço Marques e a liga angolana
Marcelo Santana (Mestrando - PPGHC/UFRJ)
16h/18h – Mesa 2
Feitiçaria e esfera pública: ressituando igrejas e cultura no pós-guerra angolano
Luena Nunes Pereira (PPGAS/UNICAMP)
Visão de natureza entre os tsongas a partir do discurso de Junot
Marcos Vinícios Santos Dias Coelho (Mestrando - PÓS-AFRO/UFBA)
O problema da terra: Estado e a redistribuição de direitos sobre terra no Waku Kungo/Angola
Garcia Neves Quitari(Mestrando - PPGSD/UFF)
Divisões, tensões e controvérsias em Angola – uma análise das questões étnicas e raciais
Tatiana Pinto (Graduada - História/UFF)
18:30h - Conferência
O papel social da universidade em África
Teresa Cruz e Silva (Professora da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) em Moçambique e pesquisadora do Centro de Estudos Africanos da mesma universidade)
Dia 27 de Maio (Quarta-feira)
13:30/15:30h – Mesa 3
O primeiro governo de Angola independente
Marcelo Bittencourt (Depto. de História - UFF)
A visita de Leopold Senghor ao Brasil
Maurício Parada(Depto. de História - PUC/Rio e UNIVERSO)
A nação portuguesa e os muçulmanos de Moçambique
Cristiane Nascimento(Mestranda - PUC/Rio)
Memória e História: um olhar sobre o 27 de maio de 1977
Inácio Marques(Graduado - UFF/História)
16h/18h – Mesa 4
O pensamento político social em Pepetela: reflexões sobre uma proposta de investigação
Sílvio de Almeida (Depto. de História UERJ e UFRJ)
Uanhenga Xitu: a experiência do testemunho na narrativa da experiência
Simone Ribeiro (Mestranda - PPGL/UFF)
Roças em São Tomé (São Tome e Príncipe)
Marina Berthet (PPGAS/USP)
Limites do ultramar português, possibilidades para Angola: o debate político em torno do problema colonial (1951-1975)
Carolina Peixoto (Mestre - PPGH/UFF)
18:30h - Conferência
Problemas atuais do desenvolvimento africano
José Gonçalves (Doutor em Ciências Sociais pela UFRRJ)
Dia 28 de Maio (Quinta-feira)
13:30/15:30h. – Mesa 5
Conexões transatlânticas dos retornados - século XIX
Mônica Lima (CAp/UFRJ)
O movimento de centralização de poder dos reinos de Tio, Cuba e Congo
Larissa Gabarra (Doutoranda – PUC/Rio)
São Tomé no Século XVI
Cecília Guimarães (Mestranda - UNIRIO)
Valongo: o mercado de escravos do Rio de Janeiro, 1758-1831
Cláudio Honorato (Mestre – PPGH/UFF)
16:00/18:00 – Mesa 6
Narrativas, memória e imaginação africana na era pós-colonial: ultrapassando o legado cognitivo do colonialismo europeu
Julio Tavares (Depto. de Antropologia - UFF)
Inspirações na literatura africana para a história da escravidão no Brasil
Ivana Stolze Lima (Fundação Casa de Rui Barbosa e PUC-Rio)
A literatura angolana e seus espaços ficcionais: representações da contemporaneidade
Renata Flavia da Silva (Depto. de Letras - UFF)
A crioulidade angolana na escrita de Mário António Fernandes de Oliveira: algumas considerações
Suzana Abrantes (Doutoranda - PPGAS/MN/UFRJ)
18:30h. - Sessão de Encerramento
Panorama dos Estudos africanos no Brasil
José Maria Nunes Pereira (Instituto de Humanidades / UCAM)
Laura Padilha (Programa de Pós-Graduação em Letras - UFF)
Departamento de História - UFF.
Dia: 25 de Maio (Segunda-feira)
18:00h – Abertura do Encontro
Mariza Soares (Depto. de História - UFF)
18:30h – Conferência
Algumas considerações sobre a dimensão atlântica da história da África
Elisée Soumonni (Diretor do Institut Béninois d'études et de recherche sur la diaspora africaine – IBERDA)
Dia: 26 de Maio (Terça-feira)
13:30/15:30h – Mesa 1
Viajantes ingleses na África Ocidental
Alexsander Gebara (Depto. de História - UFF)
Entre Ruas e Musseques: Imprensa, crioulidade e expansão colonial em Luanda (1870-1930)
Andrea Marzano (Interseção Africana - PUC/Rio)
Desenvolvimento ou barbárie? Os sentidos de “civilização” entre os filhos da terra no sul de Moçambique (1908-1920)
Fernanda Thomaz (Doutoranda - PPGH/UFF)
Colonialismo, resistência, associativismo: um estudo comparativo entre o grêmio africano de Lourenço Marques e a liga angolana
Marcelo Santana (Mestrando - PPGHC/UFRJ)
16h/18h – Mesa 2
Feitiçaria e esfera pública: ressituando igrejas e cultura no pós-guerra angolano
Luena Nunes Pereira (PPGAS/UNICAMP)
Visão de natureza entre os tsongas a partir do discurso de Junot
Marcos Vinícios Santos Dias Coelho (Mestrando - PÓS-AFRO/UFBA)
O problema da terra: Estado e a redistribuição de direitos sobre terra no Waku Kungo/Angola
Garcia Neves Quitari(Mestrando - PPGSD/UFF)
Divisões, tensões e controvérsias em Angola – uma análise das questões étnicas e raciais
Tatiana Pinto (Graduada - História/UFF)
18:30h - Conferência
O papel social da universidade em África
Teresa Cruz e Silva (Professora da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) em Moçambique e pesquisadora do Centro de Estudos Africanos da mesma universidade)
Dia 27 de Maio (Quarta-feira)
13:30/15:30h – Mesa 3
O primeiro governo de Angola independente
Marcelo Bittencourt (Depto. de História - UFF)
A visita de Leopold Senghor ao Brasil
Maurício Parada(Depto. de História - PUC/Rio e UNIVERSO)
A nação portuguesa e os muçulmanos de Moçambique
Cristiane Nascimento(Mestranda - PUC/Rio)
Memória e História: um olhar sobre o 27 de maio de 1977
Inácio Marques(Graduado - UFF/História)
16h/18h – Mesa 4
O pensamento político social em Pepetela: reflexões sobre uma proposta de investigação
Sílvio de Almeida (Depto. de História UERJ e UFRJ)
Uanhenga Xitu: a experiência do testemunho na narrativa da experiência
Simone Ribeiro (Mestranda - PPGL/UFF)
Roças em São Tomé (São Tome e Príncipe)
Marina Berthet (PPGAS/USP)
Limites do ultramar português, possibilidades para Angola: o debate político em torno do problema colonial (1951-1975)
Carolina Peixoto (Mestre - PPGH/UFF)
18:30h - Conferência
Problemas atuais do desenvolvimento africano
José Gonçalves (Doutor em Ciências Sociais pela UFRRJ)
Dia 28 de Maio (Quinta-feira)
13:30/15:30h. – Mesa 5
Conexões transatlânticas dos retornados - século XIX
Mônica Lima (CAp/UFRJ)
O movimento de centralização de poder dos reinos de Tio, Cuba e Congo
Larissa Gabarra (Doutoranda – PUC/Rio)
São Tomé no Século XVI
Cecília Guimarães (Mestranda - UNIRIO)
Valongo: o mercado de escravos do Rio de Janeiro, 1758-1831
Cláudio Honorato (Mestre – PPGH/UFF)
16:00/18:00 – Mesa 6
Narrativas, memória e imaginação africana na era pós-colonial: ultrapassando o legado cognitivo do colonialismo europeu
Julio Tavares (Depto. de Antropologia - UFF)
Inspirações na literatura africana para a história da escravidão no Brasil
Ivana Stolze Lima (Fundação Casa de Rui Barbosa e PUC-Rio)
A literatura angolana e seus espaços ficcionais: representações da contemporaneidade
Renata Flavia da Silva (Depto. de Letras - UFF)
A crioulidade angolana na escrita de Mário António Fernandes de Oliveira: algumas considerações
Suzana Abrantes (Doutoranda - PPGAS/MN/UFRJ)
18:30h. - Sessão de Encerramento
Panorama dos Estudos africanos no Brasil
José Maria Nunes Pereira (Instituto de Humanidades / UCAM)
Laura Padilha (Programa de Pós-Graduação em Letras - UFF)
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Angola é aqui – a nossa história africana
A Revista de História da Biblioteca Nacional, edição de dezembro/2008, apresenta como matéria de capa “Angola é aqui – a nossa história africana”, um dossiê das relações Angola-Brasil.
A seguir, a relação dos artigos publicados:
De onde vem nossa ginga – por Monica Lima
No vocabulário, na cultura e nos costumes, a identidade brasileira tem origem no outro lado do Atlântico
Custo Brasil – por Luiz Felipe de Alencastro
Desde as invasões holandesas estava evidente: a colônia americana só era viável com o braço escravo angolano. Crescemos à custa da miséria africana.
Angola é nossa! – por Roquinaldo Ferreira
Recém-independente, o Brasil tramou tomar de Portugal o controle da colônia africana. Brasileiros faziam fama e fortuna em Luanda e Benguela.
Idas e vindas – por Monica Lima
Ex-escravos queriam voltar à África para combater o tráfico. Enquanto isso, famílias de Cabinda educavam seus filhos no Rio para o comércio negreiro.
A raiz da liberdade – por Marcelo Bittencourt
Nos meios literário, intelectual e diplomático, a luta anticolonialista angolana contou com o apoio de muitos brasileiros.
Enfim, a paz. E agora? – por José Octávio Serra Van-Dúmen
Destroçada após três décadas de guerra civil, Angola tem que reinventar a democracia para promover a inclusão social. E o Brasil pode ajudar.
A seguir, a relação dos artigos publicados:
De onde vem nossa ginga – por Monica Lima
No vocabulário, na cultura e nos costumes, a identidade brasileira tem origem no outro lado do Atlântico
Custo Brasil – por Luiz Felipe de Alencastro
Desde as invasões holandesas estava evidente: a colônia americana só era viável com o braço escravo angolano. Crescemos à custa da miséria africana.
Angola é nossa! – por Roquinaldo Ferreira
Recém-independente, o Brasil tramou tomar de Portugal o controle da colônia africana. Brasileiros faziam fama e fortuna em Luanda e Benguela.
Idas e vindas – por Monica Lima
Ex-escravos queriam voltar à África para combater o tráfico. Enquanto isso, famílias de Cabinda educavam seus filhos no Rio para o comércio negreiro.
A raiz da liberdade – por Marcelo Bittencourt
Nos meios literário, intelectual e diplomático, a luta anticolonialista angolana contou com o apoio de muitos brasileiros.
Enfim, a paz. E agora? – por José Octávio Serra Van-Dúmen
Destroçada após três décadas de guerra civil, Angola tem que reinventar a democracia para promover a inclusão social. E o Brasil pode ajudar.
O endereço na internet da revista é http://www.revistadehistoria.com.br/
Abraços,
Ricardo Riso
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quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Manuel Rui - Obama e um acto de cultura universal
Ainda não tive tempo para escrever algo a respeito de um novo vento a soprar por aí. Não sei, sinto receio em criar expectativas. Talvez, por ingenuidade, não perco a vontade de sonhar... de viver e ver a História acontecer... pensei que vivenciaria aqui, na cidade do Rio de Janeiro, contudo, o carioca não quis ser fator determinante nos rumos da História. Mas ela chegou, veio de longe... creio que só o fato de estimular a esperança já nos faz algum bem.
Boa sorte, Obama!
O texto a seguir é do escritor angolano Manuel Rui, gentilmente enviado pela Profa. Carmen Lucia Tindó Secco*, no qual comenta a expectativa em torno de Obama. Considerei uma ótima leitura. Espero que gostem.
Abraços,
Ricardo Riso
OBAMA E UM ACTO DE CULTURA UNIVERSAL
Eu sempre me confundi na realidade com a utopia. Ou na insatisfação constante como forma quase de fingir felicidade na busca, na procura e imitação de coisas muito simples como o voar dos pássaros, o declinar do sol, o brilho das estrelas e o mistério das conchas que aconteciam com os meus pés à beira mar na areia. Sempre não me conseguindo encontrar com o paraíso do infinitamente bom e infinitamente belo para todos, quase desinfinitando a morte que é o único lugar infinito mas parte da vida, o infinitamente belo que até poderia ser um contraste com o infinitamente bom que sempre para mim ficaram sem ser, iguais à inexistência ou à infelicidade de não procurar mais nada, muito antes da nostalgia ou depois da saudade da morte.
Afinal viver é também não imaginar aquilo que pode acontecer enquanto estamos vivos. Só que eu nunca pensei que em vida, para além de tanta coisa que estava, ainda que muito longe, mas no horizonte por detrás da noite e da nuvem, pudesse ainda ter vivido sonhos, porque a minha geração viveu sonhos depois de os ter sonhado no passa-palavra de muitos silêncios. E também viveu a morte de muita alegria triste.
Mas agora era demais. Numa data e hora em que um grande amigo meu fazia anos. Quatro de Novembro. Eu a telefonar-lhe e ele quase ou mesmo esquecido do seu aniversário por causa de OBAMA.
Era algo que nos tocava e falámos ao telefone. Porque era uma coisa que estava impensada no nosso tempo. A utopia tinha ultrapassado a nossa imaginação. Já não era tanto uma eleição ou uma vitória. Fazia semanas que vivíamos a novidade. Principalmente porque OBAMA falara mais ou menos que se mudarmos a sala podemos mudar a casa; e se mudarmos a casa podemos mudar a rua; e se mudarmos a rua podemos mudar a cidade; e se mudarmos a cidade podemos mudar o estado; e se mudarmos o estado podemos mudar o país; e se mudarmos o país podemos mudar o mundo.
OBAMA, em gesto de sagrado, no discurso de Filadélfia, tirou o pé do tiro do reverendo Jeremiah Wright. Embora o reverendo tivesse razão mas era uma razão da memória e da injustiça. Uma razão sobre os que haviam sido negados como pessoas, deixando suor e sangue nas plantações de tabaco e açúcar. Uma razão que podia ser entendida como rancor.
Nesse discurso, OBAMA trouxe uma utopia ligando a jovem Ashley e um mais velho que estava ali por Ashley estar.
No dia e hora em que escrevo este texto ainda não sei se OBAMA ganhou. Mas não é tanto por isso que estou a escrever. É mais por causa do outro que nunca percebeu que eu existo e ele só pode ser também se deixar de estar assim para podermos ser todos.
OBAMA tem um significado do maior acto de cultura universal do início deste século. No século passado, quem tinha televisão ficou uma noite inteira à espera que um homem pisasse a lua.
Neste princípio de século, OBAMA conseguiu criar uma energia, um astral de muitas mãos inteiras pelo pensamento de pessoas de todas as partes do mundo, numa corrente parecida com uma constelação de paz sem fronteriras. E Isso é um acto de cultura que vai ficar.
Não importa que este Messias traga milagres. Importa é o milagre cultural de pôr uma boa parte do mundo inteiro a olhar para ele como um salvador e perder uma noite só a olhar para um televisor como se OBAMA fosse uma madrugada.
No século passado, foram à lua. Agora OBAMA parece que desceu da lua e chegou à terra.
No século passado foi Mandela.
Mas antes de Mandela, o reverendo Luter King já tinha orado que tinha um sonho. O reverendo foi assassinado por causa do sonho.
Mandela tornou realidade um bocado do sonho do reverendo. Por cima de tanta memória que sobrou para os blues.
OBAMA acrescenta mais um bocado de realidade ao sonho do reverendo.
Como Agostinho Neto deixou escrito:
E DO DRAMA INTENSO
DUMA VIDA IMENSA E ÚTIL
RESULTOU CERTEZA
AS MINHAS MÃOS COLOCARAM PEDRAS
NOS ALICERCES DO MUNDO
MEREÇO O MEU PEDAÇO DE PÃO.
manuel rui
* Fonte: recebido em 5 de novembro de 2008,20h30.
Boa sorte, Obama!
O texto a seguir é do escritor angolano Manuel Rui, gentilmente enviado pela Profa. Carmen Lucia Tindó Secco*, no qual comenta a expectativa em torno de Obama. Considerei uma ótima leitura. Espero que gostem.
Abraços,
Ricardo Riso
OBAMA E UM ACTO DE CULTURA UNIVERSAL
Eu sempre me confundi na realidade com a utopia. Ou na insatisfação constante como forma quase de fingir felicidade na busca, na procura e imitação de coisas muito simples como o voar dos pássaros, o declinar do sol, o brilho das estrelas e o mistério das conchas que aconteciam com os meus pés à beira mar na areia. Sempre não me conseguindo encontrar com o paraíso do infinitamente bom e infinitamente belo para todos, quase desinfinitando a morte que é o único lugar infinito mas parte da vida, o infinitamente belo que até poderia ser um contraste com o infinitamente bom que sempre para mim ficaram sem ser, iguais à inexistência ou à infelicidade de não procurar mais nada, muito antes da nostalgia ou depois da saudade da morte.
Afinal viver é também não imaginar aquilo que pode acontecer enquanto estamos vivos. Só que eu nunca pensei que em vida, para além de tanta coisa que estava, ainda que muito longe, mas no horizonte por detrás da noite e da nuvem, pudesse ainda ter vivido sonhos, porque a minha geração viveu sonhos depois de os ter sonhado no passa-palavra de muitos silêncios. E também viveu a morte de muita alegria triste.
Mas agora era demais. Numa data e hora em que um grande amigo meu fazia anos. Quatro de Novembro. Eu a telefonar-lhe e ele quase ou mesmo esquecido do seu aniversário por causa de OBAMA.
Era algo que nos tocava e falámos ao telefone. Porque era uma coisa que estava impensada no nosso tempo. A utopia tinha ultrapassado a nossa imaginação. Já não era tanto uma eleição ou uma vitória. Fazia semanas que vivíamos a novidade. Principalmente porque OBAMA falara mais ou menos que se mudarmos a sala podemos mudar a casa; e se mudarmos a casa podemos mudar a rua; e se mudarmos a rua podemos mudar a cidade; e se mudarmos a cidade podemos mudar o estado; e se mudarmos o estado podemos mudar o país; e se mudarmos o país podemos mudar o mundo.
OBAMA, em gesto de sagrado, no discurso de Filadélfia, tirou o pé do tiro do reverendo Jeremiah Wright. Embora o reverendo tivesse razão mas era uma razão da memória e da injustiça. Uma razão sobre os que haviam sido negados como pessoas, deixando suor e sangue nas plantações de tabaco e açúcar. Uma razão que podia ser entendida como rancor.
Nesse discurso, OBAMA trouxe uma utopia ligando a jovem Ashley e um mais velho que estava ali por Ashley estar.
No dia e hora em que escrevo este texto ainda não sei se OBAMA ganhou. Mas não é tanto por isso que estou a escrever. É mais por causa do outro que nunca percebeu que eu existo e ele só pode ser também se deixar de estar assim para podermos ser todos.
OBAMA tem um significado do maior acto de cultura universal do início deste século. No século passado, quem tinha televisão ficou uma noite inteira à espera que um homem pisasse a lua.
Neste princípio de século, OBAMA conseguiu criar uma energia, um astral de muitas mãos inteiras pelo pensamento de pessoas de todas as partes do mundo, numa corrente parecida com uma constelação de paz sem fronteriras. E Isso é um acto de cultura que vai ficar.
Não importa que este Messias traga milagres. Importa é o milagre cultural de pôr uma boa parte do mundo inteiro a olhar para ele como um salvador e perder uma noite só a olhar para um televisor como se OBAMA fosse uma madrugada.
No século passado, foram à lua. Agora OBAMA parece que desceu da lua e chegou à terra.
No século passado foi Mandela.
Mas antes de Mandela, o reverendo Luter King já tinha orado que tinha um sonho. O reverendo foi assassinado por causa do sonho.
Mandela tornou realidade um bocado do sonho do reverendo. Por cima de tanta memória que sobrou para os blues.
OBAMA acrescenta mais um bocado de realidade ao sonho do reverendo.
Como Agostinho Neto deixou escrito:
E DO DRAMA INTENSO
DUMA VIDA IMENSA E ÚTIL
RESULTOU CERTEZA
AS MINHAS MÃOS COLOCARAM PEDRAS
NOS ALICERCES DO MUNDO
MEREÇO O MEU PEDAÇO DE PÃO.
manuel rui
* Fonte: recebido em 5 de novembro de 2008,20h30.
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