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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Sodade di Kabu Verdi (poema-homenagem a Corsino Fortes)

Segue poema em homenagem a Corsino Fortes (Cabo Verde) de Avani Souza Silva, amiga e doutoranda em Estudos Cabo-Verdianos na USP, gentilmente enviado para publicação aqui no blog.

Sodade di Kabu Verdi

Eu choro uma tristeza de sodade
Pena de Xandinha
Lembrança de Nhá Candinha
O silêncio do Monte Cara
A tosse de Parafuso
A esperança desabrida de Cruz
A magreza de Zefa...
Eu choro o semear em pó
O enterro dos meninos
A cicatriz medonha de Leandro
O fogão de três pedras
A morte das brasas
Os estalos calados
Meu Deus, eu choro
Por essas pessoas que não conheço
Palavras que não ouvi
Pedras que nunca pisei
Nhô Chic’Ana virou molambo
Morreu de fome
Ó, meu São Vicente
Ó, meu São Tiago
Ó, meu Santo Antão
Ó meu São Nicolau
Meus santos todos
E mais Santa Luzia
Iemanjás daqueles mares todos
Salamandras do Vulcão
Elfos dos ventos alíseos
Façam alguma coisa!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

DIA DE CABO VERDE NA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

DIA DE CABO VERDE NA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
8 de maio de 2012
Local: Sala 14 do Centro de Estudos Africanos, Prédio de Filosofia e Ciências Sociais, Av. Prof. Luciano Gualberto, 315, São Paulo, SP
(in memoriam de Aguinaldo Rocha,
Cônsul Honorário de Cabo Verde em São Paulo)

Coordenação do evento: Profa. Doutora Simone Caputo Gomes
Comissão organizadora: Profas. Doutoras Érica Antunes Pereira, Rita Chaves e Tania Macêdo

ATIVIDADES


1) TARDE: INÍCIO ÀS 14:30h
à MESA DE HONRA: homenagem a Aguinaldo Rocha (por diversas autoridades)
à MESA DE CONFERÊNCIAS: Daniel Pereira (Historiador e Embaixador de Cabo Verde no Brasil: “Cabo Verde na História, um exemplo de superação e desenvolvimento”); Pedro Santos (Cônsul Geral de Cabo Verde no Rio de Janeiro: “Os desafios de Cabo Verde na atualidade e as relações com o Brasil”). Presidindo: Profa. Doutora Simone Caputo Gomes.

Demais autoridades convidadas: Representantes da USP, José Augusto do Rosário (Administrador do Consulado de Portugal em Santos, Presidente da Associação Caboverdeana do Brasil, Presidente do Grupo Cultural Cabo-verdiano), Lucialina [Lutcha] Maria Soares dos Reis (Secretária Geral da Associação Caboverdeana do Brasil, Folclorista e Diretora de Artes do Grupo  Cultural Cabo-verdiano).

2) NOITE: (RE)INÍCIO ÀS 19:30h
à MESA DE ESCRITORES CABO-VERDIANOS, COM LANÇAMENTO DE LIVROS, AUTÓGRAFOS DE OBRAS E TOCATINA.

Composição da Mesa: Corsino Fortes, Evel Rocha e Filinto Elísio. Coordenação das apresentações e debates: Profa. Doutora Simone Caputo Gomes.

APOIOS:

Por Cabo Verde: Governo de Cabo Verde (Gabinete do Primeiro-Ministro);Associação Cabo-verdiana de Escritores. Pela USP: Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas; Programa de Pós-Graduação de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa; Diretoria da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas; Pró-Reitoria de Pesquisa; Comissão de Cooperação Internacional; Centro de Estudos Africanos; CELP (Centro de Estudos de Literatura e Cultura de Língua Portuguesa); Grupo de Estudos Cabo-verdianos de Cultura e Literatura CNPq/USP

Fonte: E-mail gentilmente enviado por Filinto Elísio em 02 de maio de 2012

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

ANO DA LITERATURA E DA CULTURA DE CABO VERDE EM SÃO PAULO

É com o sentimento de satisfação que publico o texto abaixo enviado pela Profª Drª Simone Caputo Gomes, da Universidade de São Paulo. A seguir, temos uma série de atividades com agentes das artes cabo-verdianas na cidade de São Paulo no decorrer deste ano de 2011.
Que isso vire rotina entre os estudantes paulistanos e seja expandido para outras regiões do país.
Meus parabéns à Profª Drª Simone Caputo Gomes e a todo o seu Departamento de Estudos Cabo-verdianos!
Ricardo Riso


ANO DA LITERATURA E DA CULTURA DE CABO VERDE EM SÃO PAULO


A Faculdade de Letras da Universidade de São Paulo (USP) teve a honra de receber, este ano, grandes personalidades da literatura e da cultura de Cabo Verde em encontros que se estenderam das turmas de Graduação aos alunos de Pós-Graduação e professores da área.

Já nos visitara no dia 11 de abril o artista plástico e escritor Mito (Hamilton Elias), apresentando sua arte videofonêmica para um público interessado em literatura e artes visuais cabo-verdianas. Alunos e professores participaram também da inauguração de sua exposição “Tempo de Bichos: celebrando as 70 vidas do poeta Arménio Vieira, no Museu Afro-Brasil, no dia 15.

No dia 22 de agosto, a escritora Vera Duarte interagiu com cerca de 210 estudantes de Literatura Cabo-verdiana, em quatro turmas da Graduação, pela manhã e à noite, com a presença de vários professores e ainda pesquisadores pós-graduandos. Temas variados foram desenvolvidos, com alunos já preparados para recebê-la pela responsável pela disciplina, a Prof. Doutora Simone Caputo Gomes, discutindo-se a obra poética e ficcional, as áreas de atuação e a oficina de criação da escritora.


O sucesso dos encontros cabo-verdianos de literatura na USP continuou a anunciar a primavera em setembro, nos dias 19 e 20, com a presença dos escritores Corsino Fortes e Filinto Elísio. Os alunos de 4 turmas da Graduação em Letras, investigadores da Pós-Graduação e professores, agora num total de 230, dialogaram com as personalidades, que foram discorrendo sobre os rumos culturais e políticos de Cabo Verde, sua literatura e as obras poéticas respectivas.


O Cônsul Geral da República de Cabo Verde em São Paulo, Doutor Aguinaldo Rocha, como sempre, prestigiou todas as atividades, interagiu com o público e com os escritores.


E o encontro poético se estendeu à Casa das Rosas (Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura) no dia 20, presidido por Ilo Codognotto, com apresentação dos escritores pela Profa. Simone Caputo Gomes, abrindo os trabalhos.


Neste ano de 2011, as rosas, enfim, desabrocharam, grandes e lindas, no terreno adubado pela seiva da literatura cabo-verdiana. E continuam florindo.

Foi uma honra para os brasileiros poder receber a arte de Cabo Verde na terra da garoa!


E-mail gentilmente enviado pela Profª Drª Simone Caputo Gomes em 23 de setembro de 2011.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Poesia de Cabo Verde: Corsino Fortes e Filinto Elísio (USP)

POESIA DE CABO VERDE:
encontros na Universidade de São Paulo com

Corsino Fortes
e
Filinto Elísio

Data: dia 19 de Setembro
Pela manhã, na sala 201 de Letras, em dois horários alternativos: de 9 às 10h; e de 10:30 às 11:30 h.
À noite, na sala 261 de Letras, em dois horários alternativos: de 19:30 às 20:30h; e de 21 às 22 horas.

Apresentação dos poetas e coordenação da mesa pela Profa. Doutora Simone Caputo Gomes, de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa da Universidade de São Paulo.

Haverá livros à venda para os interessados.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Corsino Fortes - A cabeça calva de Deus (livro lançado no Brasil)


Livro: A cabeça calva de Deus
Autor: Corsino Fortes
ISBN 10: 8575313909
ISBN 13: 9788575313909
Gênero: Literatura Portuguesa Contemporânea/Poesia
Edição: 1ª edição
Páginas: 288
Formato: 14 X 21 cm
Peso: 325 g
Organização e prólogo: Floriano Martins
Coleção: Ponte Velha
Artista convidado: Fernando Gonçalves
Posfácio: Ana Mafalda Leite
A Escrituras Editora, dentro da Coleção Ponte Velha, edição apoiada pelo Ministério da Cultura de Portugal e pela Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas (DGLB/Portugal), publica A cabeça calva de Deus, de Corsino Fortes. A organização e prólogo da obra são de Floriano Martins e as ilustrações de Fernando Gonçalves.
A cabeça calva de Deus intitula uma trilogia poética iniciada com a publicação de Pão & Fonema (1974), seguida de Árvore & Tambor (1986) e agora concluída com o livro Pedras de Sol & Substâncias (2001), obra poética de Corsino Fortes que foi objeto de diversos estudos e que faz parte de várias antologias em língua inglesa, portuguesa, francesa, italiana, holandesa, entre outras.
Segundo Ana Mafalda Leite, no posfácio, “A cabeça calva de Deuscondensa o universo caboverdiano pela sua potência engendradora a partir das suas limitações geoclimáticas e telúricas. Abandonadas pelos deuses no meio do Atlântico, as dez ilhas caboverdianas, a caminho da África, Europa e América, com a nudez mineral da secura, incorporam nelas a força poética e rítmica com que a poesia fundamental de Corsino Fortes as canta em tom épico e sagrado”.
Sobre o autor:
Corsino António Fortes
 nasceu em 14 de fevereiro de 1933, em Mindelo, ilha de São Vicente, Cabo Verde. Licenciado em Direito (Lisboa, 1966), veio a exercer as funções de delegado do Ministério Público e juiz de direito, em Angola, até ser exonerado a seu pedido, em abril de 1975, do cargo de magistrado. Em 1974-1975, como militante ativo do P.A.I.G.C. exerceu as funções de representante do Partido em Angola, de diretor-geral dos Assuntos Judiciários da República da Guiné-Bissau e de emissário especial da República de Cabo Verde junto dos Governos da República Popular de Angola e da República Democrática de São Tomé e Príncipe. Entre 1975 e 1981, foi embaixador extraordinário e plenipotenciário da República de Cabo Verde junto da República Portuguesa, desempenhando idênticas funções junto dos Governos de Espanha, França, Itália, Noruega e Islândia. Em 1981, foi nomeado secretário de Estado-adjunto do primeiro-ministro e, em 1983, secretário de Estado da Comunicação Social. Entre 1986 e 1989, regressa à diplomacia como embaixador de Cabo Verde junto da República Popular de Angola. Entre 1989 e 1991, exerce as funções de ministro da Justiça pelo Governo de Cabo Verde. Hoje exerce as seguintes funções: Presidente da Fundação Amílcar Cabral, Presidente do Conselho de Administração da Inpar – Companhia Cabo-Verdiana de Seguros, Vice-presidente do Conselho de Administração da Caixa Econômica de Cabo Verde, e Sócio-fundador da Associação dos Escritores cabo-verdianos. Foi condecorado pelo Governo Português com a Grã-Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique e com a Grã-Cruz da Ordem de Mérito, pelo Governo Francês com o Grand officier de L’ordre nacional du Mérite: e pela Presidência da República de Cabo Verde com a Ordem do Vulcão.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Corsino Fortes

Não há fonte que não beba da fronte deste homem (Corsino Fortes – poeta de Cabo Verde)

I

Nas rugas deste homem
Circulam
xxxxxxxxxxestradas de todos os pés que emigram
Quebram-se
xxxxxxxxxxvivas! as ondas de todas pátrias
Anulam-se
xxxxxxxxxxde perfil! as chinas de todas muralhas

Na mão bíblica
No humor bíblico deste homem
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxcrepitam de joelhos
Desertos & catedrais
Onde
xxxxxxxxxxxdeus & demónio
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxjogam
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxnoite e dia
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxa sua última cartada
E do pó da ilha à mó de pedra
xxxxxxxxxxxNão há relâmpago
Que não morda a nudez deste homem
xxxxxxxxxxxnudez de liberta!
Que a dor germina
XxxxxxxxxxxE o espaço exulta
E pela ogiva
Xxxxxxxxxxxogiva do olho
XxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxNão há poente
Que não seja
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxUma oração de sapiência

Sobre a face deste homem
xxxxxxxxxxo povo ergueu a praça pública
E os tambores transportam
Xxxxxxxxxxxo rosto deste homem
Até à boca das ribeiras
E ao redor
xxxxxxxxxxos vulcões respeitam
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxo silêncio deste homem


I I

Não há chuva
Que não lamba o osso de tal homem
À porta da ilha
XxxxxxxxxxxDiz o sal de toda a saliva
O sol ondula oceanos no sangue deste homem

Oh cereal altivo! vertical & probo
Ainda ontem
xxxxxxxxxxantes do meio-dia
O vento punha velas na viola deste homem
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxHoje!
A viola
De tal dor é sumarenta
E projecta
xxxxxxxxxxsobre as almas
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxa seiva
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxDe uma árvore imensa
Oh oceanos! que ladram à boca das tabernas
Se o sangue deste homem
Xxxxxxxxxxxxxé tambor no coração da ilha
O coração deste homem
xxxxxxxxxxé corda no violão do mundo
E os joelhos
xxxxxxxxxxrodas que vão! hélices que sobem
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxcom ilhas no interior


I I I

Sombras sobre a colina Rosto sobre o povoado
Quando
xxxxxxxxxxpastor & gado jogam à cabra-cega
E chifres de sol
xxxxxxxxxxxxxxxprojectam
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxcidadelas no ocidente
O poente galopa a maré-alta
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxE ergue
"À taça da noite
Sobre as têmporas deste homem"
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxOh noite verde! oh noite violada
Que a noite não apague
A memória das cicatrizes
E cicatrizes de ontem
xxxxxxxxxxxxxxxxSejam
Sementes de hoje
Para sementeira E floresta de amanhã

Como Noé
As espécies conhecem
xxxxxxxxxxxxxxxxxxA sílaba E a substância deste homem
Não há milho
Que não ame o umbigo deste homem
Não há raiz
Que não rasgue a carne deste homem


xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxE na fome pública deste homem
Cresce
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxa ave no voo E a gema na casca
Cresce
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxo cabo d'enxada E a cintura da terra
Cresce
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxa porta do sol E o alfabeto da pedra verde
Não há fonte
Que não beba da fronte de tal homem
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxQue
A erecção deste homem é redonda
E tem o peso da terra grávida


extraído de "A Cabeça Calva de Deus", a obra poética de Corsino Fortes, editada por Publicações D. Quixote, 2001.
Em <
http://www.breadmatters.org/BM/CF/Cor_For.html > acessado em 17 de setembro de 2008, às 00h58.