Um espaço dedicado à literatura negro-brasileira, às literaturas africanas de língua portuguesa e demais literaturas negro-diaspóricas
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quarta-feira, 30 de novembro de 2011
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Curso de Especialização em Cultura Afro-brasileira e Indígena (FUNCEFET)
Cursos de Pós-Graduação/MBA
Curso de Especialização em Cultura Afro-brasileira e Indígena (FUNCEFET)
Objetivo:
O Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Cultura Afro Brasileira tem como objetivo aperfeiçoar, atualizar e especializar profissionais da área de Licenciaturas em Letras, Educação Artística, Pedagogia, História e Geografia para conteúdos a serem trabalhados e materiais didáticos produzidos, de acordo com os objetivos da Lei 11.645, a fim de propiciar aos professores estratégias e metodologias que os auxiliem a aplicá-la.
Programa:
I – IMAGINÁRIOS CULTURAIS E LITERATURA – 40h
1. Gênero, Etnia, Identidade e Diferença;
2. A revisão crítica do comparatismo, seu sentido e função na contemporaneidade;
3. Abordagem contrastiva de textos literários de língua portuguesa, de diferentes épocas, e contextos em diálogo;
4. Contribuição de recentes tendências teórico-críticas, especialmente as da desconstrução e as da “Nova História”;
II – ESTUDOS CULTURAIS E PÓS-COLONIAIS – 30h
1. Estudo da produção cultural e indagações sobre as relações de dependência, conflito e apropriação de padrões culturais entre comunidades étnicas, regionais, nacionais ou trans-nacionais;
2. Reflexão sobre os conceitos de nação, identidades e cultura;
3. Indagações sobre os cânones literários: construções alternativas e paradoxos do multiculturalismo e da globalização
III – O IMPERALISMO EUROPEU, PORTUGAL E A EXPLORAÇÃO DAS COSTAS AFRICANA E BRASILEIRA - 50h
1. Imperialismo e Orientalismo;
2. Abordagem comparada de estratégias expansionistas;
3. Reinos Africanos, Oralidade e Desterritorialização;
4. Nações indígenas e a utopia do paraíso ultrajado;
5. O exotismo;
IV – MATRIZ ÉTNICA E AFRO-DESCENDÊNCIA – 80h
1. O Continente Africano; A história da África edos africanos;
2. O contato entre o europeu e o africano e a chegada do negro ao Brasil; Escravidão no Brasil: formas e tipos diversos;
3. A luta dos negros no Brasil, uma história de resistências; Abolicionismo, a luta pela liberdade;
4. A cultura negra e a sua influência no Brasil e O negro na formação da sociedade nacional;
V – MATRIZ ÉTNICA INDÍGENA – 60h
1. A presença do homem no continente americano; O contato entre os europeus e os indígenas; Escambo escravidão nos primeiros anos de colonização;
2. Os índios do Brasil; A cultura indígena e a sua influência na formação da sociedade nacional e As contribuições dos povos indígenas ao Brasil e ao mundo.
3. Diversidade cultural, étnica, histórica, linguística e antropológica dos povos africanos e indígenas no Brasil;
4. Leis nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, 10.639, de 9 de janeiro de 2003 e 11.645, em vigor desde março de 2008;
VI – METODOLOGIAS NO ENSINO – 40h
1. Ensino e desenvolvimento das competências leitora e escritora;
2. Didática no ensino superior;
3. Elaboração de materiais didáticos;
4. O professor reflexivo.
VII - GÊNEROS E OUTRAS APLICAÇÕES – 30h
1. Minorias faladas: índio, negro, mulher, gay;
2. Cultura e instituições psicanalíticas;
3. Continentalismo, crioulismo, negritude.
VIII – METODOLOGIA DA PESQUISA – 30h
1. Introdução à pesquisa, Métodos de estudo: fichamento, resenha, organização do trabalho científico;
2. Trabalhos científicos: roteiro de pesquisa, projeto de pesquisa.
3. TCC (trabalho de conclusão de curso)
Coordenação Acadêmica:
Profª Norma Lima
Doutora em Literatura Comparada - UFF
Professora dos Ensinos Médio e Superior
Fundamentação Legal e Certificação:
MEC - Res.nº 1 de 8 de Junho de 2007
Serão concedidos certificados de Pós-Graduação Lato Sensu Especialização ou MBA pela Universidade Católica de Petrópolis, dos cursos ministrados em convênio com o Instituto de Pesquisa Educação e Tecnologia e acordo de cooperação Técnica com a FUNCEFET, aos alunos que obtiverem aproveitamento mínimo requerido (nota 7), freqüência mínima de 75% (setenta e cinco por cento) em todas as disciplinas e tiverem seu trabalho final de curso aprovado.
Local do Curso:
Rio de Janeiro - RJ
Rua Buenos Aires, nº 90 – 02º e 03º andar – Centro.
Carga Horária:
360 h/a
Duração do curso:
Aulas Quinzenais: 19 meses
Periodicidade e Horários:
Terça e quintas-feiras de 08:00h às 12:00h
Terça e quintas-feiras de 18:15h às 22:00h
Sábados de 08:30h às 17:30h
Melhores informações clicar aqui.
Curso de Especialização em Cultura Afro-brasileira e Indígena (FUNCEFET)
Objetivo:
O Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Cultura Afro Brasileira tem como objetivo aperfeiçoar, atualizar e especializar profissionais da área de Licenciaturas em Letras, Educação Artística, Pedagogia, História e Geografia para conteúdos a serem trabalhados e materiais didáticos produzidos, de acordo com os objetivos da Lei 11.645, a fim de propiciar aos professores estratégias e metodologias que os auxiliem a aplicá-la.
Programa:
I – IMAGINÁRIOS CULTURAIS E LITERATURA – 40h
1. Gênero, Etnia, Identidade e Diferença;
2. A revisão crítica do comparatismo, seu sentido e função na contemporaneidade;
3. Abordagem contrastiva de textos literários de língua portuguesa, de diferentes épocas, e contextos em diálogo;
4. Contribuição de recentes tendências teórico-críticas, especialmente as da desconstrução e as da “Nova História”;
II – ESTUDOS CULTURAIS E PÓS-COLONIAIS – 30h
1. Estudo da produção cultural e indagações sobre as relações de dependência, conflito e apropriação de padrões culturais entre comunidades étnicas, regionais, nacionais ou trans-nacionais;
2. Reflexão sobre os conceitos de nação, identidades e cultura;
3. Indagações sobre os cânones literários: construções alternativas e paradoxos do multiculturalismo e da globalização
III – O IMPERALISMO EUROPEU, PORTUGAL E A EXPLORAÇÃO DAS COSTAS AFRICANA E BRASILEIRA - 50h
1. Imperialismo e Orientalismo;
2. Abordagem comparada de estratégias expansionistas;
3. Reinos Africanos, Oralidade e Desterritorialização;
4. Nações indígenas e a utopia do paraíso ultrajado;
5. O exotismo;
IV – MATRIZ ÉTNICA E AFRO-DESCENDÊNCIA – 80h
1. O Continente Africano; A história da África edos africanos;
2. O contato entre o europeu e o africano e a chegada do negro ao Brasil; Escravidão no Brasil: formas e tipos diversos;
3. A luta dos negros no Brasil, uma história de resistências; Abolicionismo, a luta pela liberdade;
4. A cultura negra e a sua influência no Brasil e O negro na formação da sociedade nacional;
V – MATRIZ ÉTNICA INDÍGENA – 60h
1. A presença do homem no continente americano; O contato entre os europeus e os indígenas; Escambo escravidão nos primeiros anos de colonização;
2. Os índios do Brasil; A cultura indígena e a sua influência na formação da sociedade nacional e As contribuições dos povos indígenas ao Brasil e ao mundo.
3. Diversidade cultural, étnica, histórica, linguística e antropológica dos povos africanos e indígenas no Brasil;
4. Leis nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, 10.639, de 9 de janeiro de 2003 e 11.645, em vigor desde março de 2008;
VI – METODOLOGIAS NO ENSINO – 40h
1. Ensino e desenvolvimento das competências leitora e escritora;
2. Didática no ensino superior;
3. Elaboração de materiais didáticos;
4. O professor reflexivo.
VII - GÊNEROS E OUTRAS APLICAÇÕES – 30h
1. Minorias faladas: índio, negro, mulher, gay;
2. Cultura e instituições psicanalíticas;
3. Continentalismo, crioulismo, negritude.
VIII – METODOLOGIA DA PESQUISA – 30h
1. Introdução à pesquisa, Métodos de estudo: fichamento, resenha, organização do trabalho científico;
2. Trabalhos científicos: roteiro de pesquisa, projeto de pesquisa.
3. TCC (trabalho de conclusão de curso)
Coordenação Acadêmica:
Profª Norma Lima
Doutora em Literatura Comparada - UFF
Professora dos Ensinos Médio e Superior
Fundamentação Legal e Certificação:
MEC - Res.nº 1 de 8 de Junho de 2007
Serão concedidos certificados de Pós-Graduação Lato Sensu Especialização ou MBA pela Universidade Católica de Petrópolis, dos cursos ministrados em convênio com o Instituto de Pesquisa Educação e Tecnologia e acordo de cooperação Técnica com a FUNCEFET, aos alunos que obtiverem aproveitamento mínimo requerido (nota 7), freqüência mínima de 75% (setenta e cinco por cento) em todas as disciplinas e tiverem seu trabalho final de curso aprovado.
Local do Curso:
Rio de Janeiro - RJ
Rua Buenos Aires, nº 90 – 02º e 03º andar – Centro.
Carga Horária:
360 h/a
Duração do curso:
Aulas Quinzenais: 19 meses
Periodicidade e Horários:
Terça e quintas-feiras de 08:00h às 12:00h
Terça e quintas-feiras de 18:15h às 22:00h
Sábados de 08:30h às 17:30h
Melhores informações clicar aqui.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Curso TEIAS DA EXPRESSÃO, CHAMAS DA REFLEXÃO: Artes Plásticas e Gráficas Africanas e Negro-Brasileiras
Edições Toró e Coordenadoria de Bibliotecas da Secretaria Municipal de Cultura de SP - SMC convidam para o curso “TEIAS DA EXPRESSÃO, CHAMAS DA REFLEXÃO: Artes Plásticas e Gráficas Africanas e Negro-Brasileiras”
Cinco encontros aos sábados, de 07/05 a 04/06/2011, sempre das 14 hs às 17hs30 na Biblioteca Municipal Paulo Duarte (Centro Cultural Jabaquara): Rua Arsênio Tavolieri, 45.
Inscrições no sítio www.edicoestoro.net ou na Biblioteca Paulo Duarte até 03/05/2011.
Eis a programação do per-curso, com aulas teóricas, expositivas, oficinas, projeção de vídeos, fotografias e músicas, leituras dramáticas e mapas:
07/05: "Panos que Falam: Tecidos africanos, histórias e impressões coletivas”, com Luciane Ramos (Pesquisadora e Educadora da 'Casa das Áfricas', Professora da Facamp, Dançarina e Antropóloga)
14/05: "Corte, Encaixe e Colagem: Experimentações na arte afrobrasileira", com Marcelo D´Salete (Artista Plástico, Quadrinista, Ilustrador e Professor de Artes da Escola de Aplicação da USP)
21/05: "Conceitualismos e Afrodescendência: Questões da identidade nas linguagens plásticas", com Renata Felinto (Artista Plástica, Mestre em Artes pela Instituo de Artes da UNESP, Educadora do Instituto Sidarta)
28/05: "Tipograffite: Dos adinkras aos muros e páginas", com Mateus Subverso ( BBoy e Grafiteiro da Posse Suatitude, Engenheiro da Edições Toró, Atuante dos universos do Design Gráfico, Digital e Musical)
04/06: "Caminhos da Arte Contemporânea: Linhas expressivas do Benin", com Glaucea Helena (Artista Plástica, Educadora do Museu Afro Brasil e Professora de Artes da ETEC Parque da Juventude)
"TEIAS DA EXPRESSÃO, CHAMAS DA REFLEXÃO: Artes Plásticas e Gráficas Africanas e Negro-Brasileiras"
Pra desfrutar, questionar e escambear percepções da estética e da mocambagem de matriz afro, com suas intenções e eletricidades, carinhos e contextos.
Pra compreender alguns porquês das rodas de fortaleza e beber algumas outras surpresas.
Pra desenvolver pedagogingas com quem pesquisa, sua e pratica. Com quem vive a questão e traz fundamentos, reflexão e vontade de esparramar.
Pra, mesmo com novas dúvidas e suas coceiras, ganhar sustança. Não arriar nas humilhações e nos farelos de cada dia.
Pra não reproduzir facinho uns quebra-cabeças cheios de quebranto, tão brilhantes na vitrine, tão sorridentes noout-door e tão fuleiros na cartilha. Serão quebrantos perpétuos estes nas entrelinhas da (des)Educação?
Gratuito e na quebrada, sem dever pra qualidade de outros cursos nesse mesmo naipe, que cobram diamantes pra quem quiser chegar nas turmas que quando giram, geram quase sempre pelos bairros nobres (?)de São Paulo. (E pedregoso é ouvir que nós que inventamos as barreiras, quando o que queremos é esfarelá-las).
Gracias
PEDAGOGINGA - mais reflexão e menos marketing, mais fogueira e menos fogos de artifício
Allan da Rosa/ Edições Toró
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Articulação Pedagógica: Allan da Rosa
Concepção de Cartaz e Apostilas: Mateus Subverso
Realização: Edições Toró e Coordenadoria de Bibliotecas da Secretaria Municipal de Cultura de SP - SMC
Sábados de 07/05 a 04/06, sempre das 14hs às 17hs30 - Gratuito para 35 participantes com distribuição de certificados e apostilas ao final do curso
Na Biblioteca Paulo Duarte (Centro Cultural do Jabaquara): Rua Arsênio Tavolieri, 45 - Fone: 5011-7445
Inscrições no sítio www.edicoestoro.net ou na Biblioteca Paulo Duarte até 03/05/2011.
Fonte: e-mail enviado por Allan da Rosa no dia 20 de abril de 2011.
domingo, 25 de abril de 2010
Resistência e Anunciação: Arte e Política Preta - Curso Edições Toró e Capoeira Angola Irmãos Guerreiros
Edições Toró e Grupo de Capoeira Angola Irmãos Guerreiros convidam para o curso "Resistência e Anunciação: Arte e Política Preta”
Cinco encontros aos sábados, de 08/05 a 05/06, sempre das 14 às 18hs. Na Senzalinha (Sede do Grupo de Capoeira Angola Irmãos Guerreiros). Rua Arlindo Genaro de Freitas, 692 - Jd.Saporito – Taboão da Serra/SP
Inscrições até 01/05 no sítio www.edicoestoro.net. Junto ao cartaz de divulgação e com mais detalhes deste e dos outros cursos já cultivados.
As matrículas efetuadas estarão também ali, confirmadas e acessíveis no dia 05/05.
Eis os trilhos previstos para este per-curso, totalmente gratuito, com distribuição das apostilas e certificados ao final para os 32 participantes matriculados:
08/05 – “África do Oeste: Dilemas Contemporâneos no Cinema e na Dança”, com Serge Noukoue (Pesquisador em Áudio-visual, Assessor Áudio-visual do Consulado da França, Beninense) e Luciane Silva (Pesquisadora e Educadora da Casa das Áfricas, Dançarina e Professora da FACAMP)
15/05 – “Encontros na Encruzilhada: Buscas da Literatura e das Artes Plásticas no Miolo do Século XX” – com Mário Medeiros (Sociólogo e Pesquisador da Unicamp. Autor do livro ‘Os Escritores da Guerrilha Urbana’) e Marcelo D´Salete (Artista Plástico, Quadrinhista, Ilustrador e Educador do Museu AfroBrasil)
22/05 – “Quilombos: Histórias e Sentidos, Imaginário e Arqueologia”, com Patrícia Marinho (Arqueóloga, Música e Pesquisadora de Quilombos Brasileiros) e Allan da Rosa (Historiador, Estorinhador e Educador, Angoleiro do Grupo Irmãos Guerreiros)
29/05 – “Migrações e Trajetórias Femininas: Carolina de Jesus e Lélia Gonzalez”, com Flavia Rios (Professora e Estudante de Doutorado em Sociologia na Universidade de São Paulo) e Uvanderson Vítor, o Vandão (Sociólogo Negrão e Pesquisador das Desigualdades Sócio-raciais Brasileiras. Trabalha com Inserção de Jovens no Mercado de Trabalho, em Embu das Artes.)
05/06 – “Corpoesia: Orixalidade e Jazz em Performance na Literatura da Diáspora Africana", com Sílvia Lorenso (Cria do Movimento ‘Juventude Negra e Favelada’ em BH/MG; Mestre em Semiótica pela USP, Doutoranda em Literatura e Diáspora Africana na UTexas). E Avaliação Coletiva do Curso.
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"Resistência e Anunciação: Arte e Política Preta”Pra desfrutar, questionar e escambear percepções da estética e da mocambagem de matriz afro, com suas intenções e eletricidades, carinhos e contextos.
Pra compreender alguns porquês das rodas de fortaleza e beber algumas surpresas.
Pra desenvolver pedagogias com quem pesquisa, sua e pratica. Com quem vive a questão e traz fundamentos, reflexão e vontade de esparramar.
Pra, mesmo com novas dúvidas e suas coceiras, ganhar sustança. Não arriar nas humilhações e nos farelos de cada dia.
Pra não reproduzir facinho uns quebra-cabeças cheios de quebranto, tão brilhantes na vitrine, tão sorridentes no out-door e tão fuleiros na cartilha. São quebrantos perpétuos estes nas entrelinhas da educação?
Gratuito e na quebrada, sem dever pra qualidade de outros cursos nesse mesmo naipe, que cobram diamantes pra quem quiser chegar nas turmas que quando giram, geram quase sempre pelos bairros nobres (?) de São Paulo. (E pedregoso é ouvir que nós que inventamos as barreiras, quando o que queremos é esfarelá-las).
Com tanto maio no cangote, nosso maio então, 2010, seja mês de ebulição.
Pra se inscrever é só chegar até dia 01/05/2010 ali no sítio da Toró - www.edicoestoro.net - onde está o cartaz de chamamento e a ficha de inscrição. ***
CURSO: “RESISTÊNCIA E ANUNCIAÇÃO – ARTE E POLÍTICA PRETA”Articulação Pedagógica: Allan da Rosa
Concepção e Diagramação de Cartaz e Apostilas: Mateus Subverso
Realização: Grupo de Capoeira Angola Irmãos Guerreiros & Edições ToróDireção Geral: Mestre Marrom
Apoio: Nós por nós
Agradecimentos: Aos educadores que vêm na graça e na luta. E à comunidade que chega ou oferece atenção.
Fonte: Email gentilmente enviado por Allan Santos Rosa em 25 de abril de 2010.
Cinco encontros aos sábados, de 08/05 a 05/06, sempre das 14 às 18hs. Na Senzalinha (Sede do Grupo de Capoeira Angola Irmãos Guerreiros). Rua Arlindo Genaro de Freitas, 692 - Jd.Saporito – Taboão da Serra/SP
Inscrições até 01/05 no sítio www.edicoestoro.net. Junto ao cartaz de divulgação e com mais detalhes deste e dos outros cursos já cultivados.
As matrículas efetuadas estarão também ali, confirmadas e acessíveis no dia 05/05.
Eis os trilhos previstos para este per-curso, totalmente gratuito, com distribuição das apostilas e certificados ao final para os 32 participantes matriculados:
08/05 – “África do Oeste: Dilemas Contemporâneos no Cinema e na Dança”, com Serge Noukoue (Pesquisador em Áudio-visual, Assessor Áudio-visual do Consulado da França, Beninense) e Luciane Silva (Pesquisadora e Educadora da Casa das Áfricas, Dançarina e Professora da FACAMP)
15/05 – “Encontros na Encruzilhada: Buscas da Literatura e das Artes Plásticas no Miolo do Século XX” – com Mário Medeiros (Sociólogo e Pesquisador da Unicamp. Autor do livro ‘Os Escritores da Guerrilha Urbana’) e Marcelo D´Salete (Artista Plástico, Quadrinhista, Ilustrador e Educador do Museu AfroBrasil)
22/05 – “Quilombos: Histórias e Sentidos, Imaginário e Arqueologia”, com Patrícia Marinho (Arqueóloga, Música e Pesquisadora de Quilombos Brasileiros) e Allan da Rosa (Historiador, Estorinhador e Educador, Angoleiro do Grupo Irmãos Guerreiros)
29/05 – “Migrações e Trajetórias Femininas: Carolina de Jesus e Lélia Gonzalez”, com Flavia Rios (Professora e Estudante de Doutorado em Sociologia na Universidade de São Paulo) e Uvanderson Vítor, o Vandão (Sociólogo Negrão e Pesquisador das Desigualdades Sócio-raciais Brasileiras. Trabalha com Inserção de Jovens no Mercado de Trabalho, em Embu das Artes.)
05/06 – “Corpoesia: Orixalidade e Jazz em Performance na Literatura da Diáspora Africana", com Sílvia Lorenso (Cria do Movimento ‘Juventude Negra e Favelada’ em BH/MG; Mestre em Semiótica pela USP, Doutoranda em Literatura e Diáspora Africana na UTexas). E Avaliação Coletiva do Curso.
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"Resistência e Anunciação: Arte e Política Preta”Pra desfrutar, questionar e escambear percepções da estética e da mocambagem de matriz afro, com suas intenções e eletricidades, carinhos e contextos.
Pra compreender alguns porquês das rodas de fortaleza e beber algumas surpresas.
Pra desenvolver pedagogias com quem pesquisa, sua e pratica. Com quem vive a questão e traz fundamentos, reflexão e vontade de esparramar.
Pra, mesmo com novas dúvidas e suas coceiras, ganhar sustança. Não arriar nas humilhações e nos farelos de cada dia.
Pra não reproduzir facinho uns quebra-cabeças cheios de quebranto, tão brilhantes na vitrine, tão sorridentes no out-door e tão fuleiros na cartilha. São quebrantos perpétuos estes nas entrelinhas da educação?
Gratuito e na quebrada, sem dever pra qualidade de outros cursos nesse mesmo naipe, que cobram diamantes pra quem quiser chegar nas turmas que quando giram, geram quase sempre pelos bairros nobres (?) de São Paulo. (E pedregoso é ouvir que nós que inventamos as barreiras, quando o que queremos é esfarelá-las).
Com tanto maio no cangote, nosso maio então, 2010, seja mês de ebulição.
Pra se inscrever é só chegar até dia 01/05/2010 ali no sítio da Toró - www.edicoestoro.net - onde está o cartaz de chamamento e a ficha de inscrição. ***
CURSO: “RESISTÊNCIA E ANUNCIAÇÃO – ARTE E POLÍTICA PRETA”Articulação Pedagógica: Allan da Rosa
Concepção e Diagramação de Cartaz e Apostilas: Mateus Subverso
Realização: Grupo de Capoeira Angola Irmãos Guerreiros & Edições ToróDireção Geral: Mestre Marrom
Apoio: Nós por nós
Agradecimentos: Aos educadores que vêm na graça e na luta. E à comunidade que chega ou oferece atenção.
Fonte: Email gentilmente enviado por Allan Santos Rosa em 25 de abril de 2010.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Alcir Dias - Adrinkas e Africanidades (exposição)
A Galeria do CINE SANTA TERESA
APRESENTA
“ADINKRAS E AFRICANIDADES”
Exposição de Alcir Dias
Rua Paschoal Carlos Magno,136 - Lgo. dos Guimarães/Santa Teresa - Rio de Janeiro - RJ
De 30/04 a 28/05
SÍMBOLOS ADINKRAS
Considerado como um objeto de arte, o adinkra (adeus, em twi) constitui um código do conhecimento referente às crenças e à historia deste povo. A escrita de símbolos adinkra reflete um sistema de valores humanos universais: Família, integridade, tolerância, harmonia e determinação, entre outros. Existem centenas de símbolos e a maioria deles é de origem ancestral, sendo transmitidos de geração em geração. Muitos representam virtudes, sagas populares, provérbios ou eventos históricos. Os ganeses geralmente escolhem suas roupas para usar segundo o significado das cores e dos símbolos estampados nelas. A estampa e a cor expressam sentimentos de ocasiões específicas como festas de funerais, festivais tradicionais, ritos de iniciação como o da puberdade, casamentos, durbars etc. Alegria está relacionada a cores alegres e ao branco, enquanto que para funerais e luto predominam as cores como azul e vermelho escuro, marrom ou preto. Quando as pessoas vestem vermelho escuro ou marrom, isso significa que recém perderam um parente próximo. A cor preta ou azul escuro demonstra a dor prolongada pela perda de uma pessoa amada como os pais, filhos ou companheiro.
Fonte: e-mail gentilmente enviado pelo artista plástico Alcir Dias em 20 de abril de 2010.
APRESENTA
“ADINKRAS E AFRICANIDADES”
Exposição de Alcir Dias
Rua Paschoal Carlos Magno,136 - Lgo. dos Guimarães/Santa Teresa - Rio de Janeiro - RJ
De 30/04 a 28/05
SÍMBOLOS ADINKRAS
Considerado como um objeto de arte, o adinkra (adeus, em twi) constitui um código do conhecimento referente às crenças e à historia deste povo. A escrita de símbolos adinkra reflete um sistema de valores humanos universais: Família, integridade, tolerância, harmonia e determinação, entre outros. Existem centenas de símbolos e a maioria deles é de origem ancestral, sendo transmitidos de geração em geração. Muitos representam virtudes, sagas populares, provérbios ou eventos históricos. Os ganeses geralmente escolhem suas roupas para usar segundo o significado das cores e dos símbolos estampados nelas. A estampa e a cor expressam sentimentos de ocasiões específicas como festas de funerais, festivais tradicionais, ritos de iniciação como o da puberdade, casamentos, durbars etc. Alegria está relacionada a cores alegres e ao branco, enquanto que para funerais e luto predominam as cores como azul e vermelho escuro, marrom ou preto. Quando as pessoas vestem vermelho escuro ou marrom, isso significa que recém perderam um parente próximo. A cor preta ou azul escuro demonstra a dor prolongada pela perda de uma pessoa amada como os pais, filhos ou companheiro.
Fonte: e-mail gentilmente enviado pelo artista plástico Alcir Dias em 20 de abril de 2010.
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artes plásticas
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Mestre Didi - A influência da religião afro-brasileira na obra escultórica do... (livro)
O livro faz uma rica análise do papel imprescindível que a religiosidade afro-brasileira desempenhou na produção artística desenvolvida pelo Mestre Didi. As esculturas são confeccionadas com contas, búzios, couro e hastes palmeira, inspiradas em mitos, lendas e objetos de culto aos orixás. Suas obras fazem parte do acervo do Museu Picasso, em Paris, do MAM de Salvador e do Rio de Janeiro, Museu Afro-Brasileiro em São Paulo, entre vários outros museus estrangeiros. Mestre Didi é artista plástico e sacerdote do culto de matriz africana na Bahia.
Livro de Jaime Sodré
Fonte: blog da Kitabu - livraria negra - http://kitabulivraria.wordpress.com/
domingo, 15 de novembro de 2009
Alcir Dias, pintura afro-brasileira
Por Ricardo Riso
Apesar da imensa parcela da população brasileira ser representada por negros e mestiços, a representação destes na arte brasileira sempre foi marginalizada e estereotipada. Temas que valorizem a cultura afro-brasileira e a própria figura do(a) negro(a) nunca foram muito presentes entre nossos artistas, principalmente entre os de vanguarda, com algumas raríssimas exceções, entre as quais, destaco Hélio Oiticica. Pode ser que isso explique pelo fato de ser mínima a participação de artistas de descendência afro-brasileira entre os vanguardistas, logo, estes, oriundos de uma elite branca, que estranhamente insiste em afirmar que não há racismo no país, não trabalha temas inspirados em nossas raízes afro e africanas.
Talvez, por isso, seja comum encontrarmos tais temas em artistas que representam a parcela excluída da população brasileira. Artistas conscientes de seu papel social, étnicorracial, portanto, sensíveis à defesa da cultura de seus pares. O artista plástico carioca Alcir Dias pertence a esse grupo de artistas que procura revelar que a cultura brasileira possui uma diversidade rica e negra, mas renegada pelos principais meios de comunicação e no circuito artístico contemporâneo de galerias e museus, inclusive.
Fiel à pintura, Alcir Dias retrata a imagem do homem e da mulher negros. Detentor de um olhar acurado, delicado e harmonioso, somos conduzidos por suas telas a um belo universo que mostra a exuberância da cultura negra, dos seus costumes, cotidiano e religiosidade de raiz ancestral africana e como se formou o amálgama da cultura afro-brasileira. Passear o nosso olhar sobre as pinturas elaboradas por Dias é navegar pelo mundo negro, por aquilo que ele tem de pungente, bonito e sedutor.
Zé Maria
Contudo, Alcir Dias jamais abandona a denúncia social perpetrada ao negro que já havia sofrido pelos séculos de escravidão, mas, que, infelizmente, os flagelos prolongam-se devido à permanência das condições desfavoráveis impostas nos dias atuais. Obra como “Zé Maria” desmascara o que há de mais vergonhoso em nossa sociedade: o descaso, a invisibilidade e a insensibilidade do menor abandonado, negro, em sua maioria. O traço firme de Dias escancara a incompreensível mazela social ao qual as crianças negras são obrigadas a viver. O fundo da tela em tons ocre e azul, com motivos geométricos mas sem maiores detalhes faz uma analogia com o menor abandonado, com o vazio de sua existência. O olhar melancólico do menino retratado pela sensível mão de Dias, atinge-nos com a voracidade de quem tem fome, de quem é incapaz de entender o mundo em que vive, que rejeita a sua condição de criança, que nega a sua dignidade e não lhe dá esperança. Contemplar o olhar triste de “Zé Maria” é inferir o quanto somos hipócritas ao sustentarmos essa repugnante insensibilidade.
Outro aspecto tratado com relevância na trajetória pictórica de Dias é a representação de elementos da religiosidade afro-brasileira, tratada com exuberância, respeito e dignidade ao retratar os orixás e toda simbologia que os compõe. Expressar a religiosidade afro é importante para demarcar o quanto nossa cultura é plural e o quanto é necessário o respeito ao outro, principalmente quando esse outro é negro. Daí a pertinência desses temas serem retratados nesses tempos em que a intolerância religiosa expande perigosas garras ao manifestar seu ódio contra as manifestações espirituais afro-brasileiras.
Oxalá
Bom, a obra de Alcir Dias presta um belo serviço à sociedade ao valorizar com maestria a cultura afro-brasileira. Dar a visibilidade e a dignidade que a ela é renegada por um perverso racismo que não assume a sua posição, que procura manter a população afro-descendente longe de oportunidades justas de vida e que faz o possível para menosprezar e, até proibir, as manifestações em favor das raízes afro e africanas. Entretanto, as pinturas de Alcir Dias representam a alegria e a beleza da cultura negra, além de apresentar a resistência que sempre a caracterizou. Suas pinturas são o frescor necessário às nossas vistas e levam-nos a manifestar o sincero sentimento que sai de dentro de nós: o sorriso de ser negro.
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domingo, 21 de junho de 2009
"O Reino do outro mundo- Orixás” (espetáculo de dança)
2ª Temporada do "O Reino do outro mundo- Orixás”
Temporada de 11/06 à 09/08
Local: Casa Alto Lapa Santa ( na mata)
Rua Joaquim Murtinho- 654, Santa Teresa
5ª a domingo sempre as 20:00hs
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) - R$ 10,00 (meia-entrada)
Duração do espetáculo: 75 minutos
O Reino do outro mundo – Orixás (Ficha Técnica)
Coreografias – (por ordem alfabética)
Elvio Assunção - Luís Monteiro – Rubens Barbot – Rubens Rocha – Valéria Monã
Direção Geral – Gatto Larsen
Iluminação – César de Ramires
Percussão: Jô Ventura
Trilha Sonora – Marcelo Maldonado
Programação Gráfica – Maria Júlia Ferreira
Fotografias – Vantoen Pereira Jr e Mariam Starosta
Pesquisa e consultoria – Paulo Husek
Figurinos – Rubens Barbot – Paulo Husek – Gatto Larsen
Divulgação: (Colaboração) Naira Fernandes
Assessoría de Imprensa – Target Assessoria de Comunicação
Elenco - Componentes da companhia (por ordem alfabética)
Ana Paula Dias – Carlos Maia – Rubens Barbot – Sara Hana Wilson de Assis – Wilian Santiago
Bailarinos Convidados
Fernando do Valle - Hugo Luís Gonçalves - Márcia Paulino – Ulysses Oliveira
Xirê do Espetáculo
Exu - Ogum - Oxossi - Ossain - Omolu - Oxumaré - Oxum -Iansã -Yemanjá - Xangô - Oxaguiã - Oxalá
Informações: 21 2220-5458/9144-8624
e-mail: dancarb@ig.com.br
http://ciarubensbarbotteatrodedanca.blogspot.com/
Fonte: contribuição por e-mail da minha amiga Denise Guerra, no dia 20/06/2009
Temporada de 11/06 à 09/08
Local: Casa Alto Lapa Santa ( na mata)
Rua Joaquim Murtinho- 654, Santa Teresa
5ª a domingo sempre as 20:00hs
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) - R$ 10,00 (meia-entrada)
Duração do espetáculo: 75 minutos
O Reino do outro mundo – Orixás (Ficha Técnica)
Coreografias – (por ordem alfabética)
Elvio Assunção - Luís Monteiro – Rubens Barbot – Rubens Rocha – Valéria Monã
Direção Geral – Gatto Larsen
Iluminação – César de Ramires
Percussão: Jô Ventura
Trilha Sonora – Marcelo Maldonado
Programação Gráfica – Maria Júlia Ferreira
Fotografias – Vantoen Pereira Jr e Mariam Starosta
Pesquisa e consultoria – Paulo Husek
Figurinos – Rubens Barbot – Paulo Husek – Gatto Larsen
Divulgação: (Colaboração) Naira Fernandes
Assessoría de Imprensa – Target Assessoria de Comunicação
Elenco - Componentes da companhia (por ordem alfabética)
Ana Paula Dias – Carlos Maia – Rubens Barbot – Sara Hana Wilson de Assis – Wilian Santiago
Bailarinos Convidados
Fernando do Valle - Hugo Luís Gonçalves - Márcia Paulino – Ulysses Oliveira
Xirê do Espetáculo
Exu - Ogum - Oxossi - Ossain - Omolu - Oxumaré - Oxum -Iansã -Yemanjá - Xangô - Oxaguiã - Oxalá
Informações: 21 2220-5458/9144-8624
e-mail: dancarb@ig.com.br
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Fonte: contribuição por e-mail da minha amiga Denise Guerra, no dia 20/06/2009
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Moçambique e Brasil: um olhar sobre o outro?
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quinta-feira, 14 de maio de 2009
Mestre Didi - exposição no Museu Afro-Brasil
quarta-feira, 13 de maio de 2009, 10:07 Online
Fonte:
http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,a-arte-do-sagrado-por-um-sacerdote-contemporaneo,370146,0.htm
http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,a-arte-do-sagrado-por-um-sacerdote-contemporaneo,370146,0.htm
A arte do sagrado por um sacerdote contemporâneo
Aos 92 anos, Mestre Didi abre exposição individual com meia centena de esculturas no Museu Afro Brasil
Antonio Gonçalves Filho - O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - Ao lado de uma antiga escultura dos anos 1960, que não via há anos, o escultor baiano Deoscoredes Maximiliano dos Santos dá os últimos retoques na exposição individual Mestre Didi: O Escultor do Sagrado, que o Museu Afro Brasil abre hoje, à 19 h. Os dois personagens, Deoscoredes e Didi, são o mesmo diante da obra que hoje, pelo léxico contemporâneo, seria chamada de "instalação". Não é. Trata-se de uma representação religiosa do ciclo existencial em que uma figura carrega o mundo nas costas e uma montanha vira o território dos mortos, base em que estão assentados todos os ancestrais, guardados pelo orixá Onilé, a Terra-Mãe, princípio e representação coletiva dos Egungun, cultuados por Mestre Didi. Assim como Onilé escondeu-se sob a terra quando Olorun, o dono do céu, reuniu os orixás para dividir o poder sobre a criação, Mestre Didi pronuncia apenas o nome da divindade para logo em seguida dispensar o repórter e encaminhá-lo à mulher, Juana Elbein, ou Juanita, como chama carinhosamente a antropóloga argentina com quem é casado há 43 anos, sua porta-voz.
Mestre Didi é um artista religioso, sacerdote do culto aos ancestrais Egungun. Por ser interlocutor entre vivos e mortos, Mestre Didi não está autorizado a falar fora do recinto religioso. Então, limita-se a declinar os nomes das divindades para logo em seguida esconder-se, afastar-se discretamente, seguindo o exemplo de Onilé. Tudo para que suas palavras não sejam deturpadas. Afinal, os orixás a quem presta culto, de Obaluaiê a Ossain, passando por Exu, poderiam ficar zangados se alguma palavra errada saísse de sua boca.
No entanto, para gostar da mostra, não é preciso conhecer os cultos ancestrais afro-brasileiros ou o significado da meia centena de esculturas reunidas pelo curador da exposição e fundador do Museu Afro Brasil, o também escultor Emanoel Araújo. Embora não tenha a autonomia formal de uma escultura de Picasso, que se inspirou na arte africana mas não era religioso, a obra de Mestre Didi pode - mas não deve - ser apreciada como um mero exercício de composição estética. Juanita lembra que foi exatamente a "instalação" que ocupa o centro da exposição - a escultura de Onilé - a responsável pelo encontro com o futuro marido, em 1965. Pesquisadora de uma universidade americana, ela estava com os olhos cheios da arte pop de Warhol quando, estudiosa dos cultos aos mortos, viu e ficou impressionada com o primeiro xaxará (espécie de bastonete, emblema de obaluaiê) esculpido por Didi. Foi uma revelação que não exigiu conhecimento prévio dos códigos simbólicos em que os pássaros são representações de Ossain, o rei das matas, e as serpentes tomam o lugar de Oxumaré, entidade que participou da criação do mundo, enrolando-se na Terra e dando forma ao mundo.
Na exposição estão reunidas obras que prestam reverência aos ancestrais e respeitam as relações míticas sem desprezar o olhar dos vivos - e é conveniente lembrar que, para os primeiros habitantes do planeta, não havia distinção entre o mundo natural e sobrenatural. "Acho que Didi é contemporâneo, no sentido de realizar uma arte subjetiva por um viés afro-brasileiro", define Juanita, lembrando que ele não tem discípulos, como tiveram líderes da vanguarda artística histórica. Seria preciso, talvez, que esses se libertassem das ideologias que deformaram a civilização africana e se curvassem aos ensinamentos ancestrais para construir algo além de uma imitação da arte de mestre Didi, presente em museus internacionais e homenageado na 23ª Bienal Internacional de São Paulo com uma sala especial.
O legado dessa africanidade, reprimida pelo desprezo pós-colonial, começou a ser valorizado, segundo a mulher de mestre Didi, por iniciativas como a do Museu Afro-Brasil, erguido por Emanoel Araújo. "O Brasil não se conhece e, assim, o museu cumpre o papel de mostrar outros aspectos de uma cultura incapaz de incorporar a diversidade brasileira", diz, diante de uma obra em homenagem a Ossain.
Mestre Didi. Museu Afro Brasil. Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n.º, portão 3, Parque do Ibirapuera, 5579- 0593. 10 h/18 h (fecha 2.ª). Grátis. Até 10/7. Abertura hoje, 19 h, para convidados
ARTISTA DESPERTA DISCUSSÃO SOBRE LEGADO AFRICANO
VISIONÁRIO: Iniciado no culto dos orixás, Mestre Didi foi incumbido de reverenciar os ancestrais, preservando o panteão nagô. Fez mais que isso. Apontou um novo caminho para a arte contemporânea brasileira, seguido até agora por poucos artistas - entre eles Rubem Valentim (1922-1991) - e, se não fala sobre sua atividade, é mais por "pudor ontológico", para usar uma expressão do filósofo Muniz Sodré, do que por não ter o que dizer.
Seria bom ouvir dele as histórias que sua mulher Juanita conta sobre o uso de materiais como búzios, palha da costa, contas, cabaças e as nervuras de palmas de palmeiras em obras totêmicas, como a réplica da escultura Cetro da Ancestralidade, instalada logo à entrada da mostra. A obra original foi erguida em 2001 no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, e feita em bronze para resistir ao tempo.
De qualquer modo, quando o catálogo geral de Mestre Didi estiver pronto, o mundo da arte saberá a razão de ele ter dedicado esculturas em cimento e barro a exus e ter confeccionado representações de outras entidades em outros materiais. Juanita revela que seis livros sobre Mestre Didi estão prontos para ser publicados, dependendo apenas do apoio da nova lei de incentivo que o Ministério da Cultura deve brevemente anunciar. O inventário do acervo de Mestre Didi já levantou o histórico de mais de 400 esculturas, segundo a antropóloga. O artista é também autor de vários livros, entre eles um dicionário português-ioruba.
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quarta-feira, 12 de novembro de 2008
África?, diversidade de trabalhos marca a exposição
Por Ricardo RisoNa sexta-feira terminará a boa e instigante exposição África?, com curadoria de Roberto Conduru, na Galeria Cândido Portinari da UERJ. Trata-se de uma ótima oportunidade para conhecer a recente produção de jovens artistas, com obras inspiradas na cultura afro-brasileira e suas matrizes africanas.
Essas propostas já nos legaram excelentes trabalhos como os de Hélio Oiticica, a constante e de altíssimo nível obra de Rubem Valentim, as belas esculturas orgânicas prontas para voar de Mestre Didi, além de Ronaldo Rêgo, Artur Bispo do Rosário, Abdias Nascimento e tantos outros que trilharam as incontáveis possibilidades de criação a partir das nossas raízes africanas e afro-brasileiras.
Conduru, com a competência característica, foi extremamente feliz ao abordar a multiplicidade temática e as várias linguagens apresentadas pelos artistas, o que demonstra a nossa complexa relação acerca da participação do que seria africano ou afro-brasileiro em nossa cultura. Daí, o pertinente título da exposição: África?, pois este questiona exatamente o conceito predominante do que representa o continente africano em nosso imaginário, sempre demonstrado com formulações simplórias e estereotipadas. É inevitável ao associarmos o título proposto pelo curador e não estendermos o pensamento à outra questão: Áfricas? O que seria uma apropriação mais ampla diante das várias manifestações africanas em nosso país e relidas por nós, alcançando novos prismas e diferenciando-se do outrora vindo da outra margem do Atlântico.
Logo, tal diversidade é natural em nossa cultura, conduzindo a uma fragmentação, a um hibridismo intenso que angustia quem pretende definir essas propostas sem considerar o constante diálogo e confronto entre as referências culturais, formadoras de nossa população. Um exemplo clássico poderia ser o nosso sincretismo religioso.
Ao olharmos para os trabalhos de África?, apreende-se como a hibridização cultural encaixa-se com as inquietações contemporâneas no campo das artes plásticas, sem abandonar a crítica social em relação à história do negro brasileiro. Quando se está à frente de trabalhos como os de Leila Dazinger, pode-se perceber esta linha de pensamento. Ao pintar sobre folhas de jornais, a artista denuncia a exclusão da situação desfavorável do negro, negada nos principais canais de comunicação.
Outra proposta interessante é a de Cristina Salgado e seus singelos rostos/máscaras indefinidos, imprecisos, inquietantes. Diante desses rostos feitos por Salgado, questiona-se qual é o rosto, ou melhor, quais são os rostos do(s) afro-descendente(s), escancarando o multiculturalismo brasileiro.
A instalação de Cristina Pape aproveita-se de algo muito comum em nossas vidas: as plantas de cura e as usadas na culinária. Um trabalho lírico, orgânico e irônico que mostra a forte presença dessas plantas e que esquecemos de sua origem africana.
Como não poderia deixar de ser, a presença da religiosidade encontra-se em Wuelyton Ferreira com entidades recriadas pelo artista, e a leveza apropriativa das missangas de Junior de Odê em uma instalação simbolizando os orixás. Assim como nas belas fotografias, carregadas em erotismo de Francisco Costa.
A exposição África? vale pela ausência de respostas. Vale pelas perguntas que faz ao visitante. Vale pelos trabalhos de alta qualidade, pela boa montagem. Vale por falar de uma parte da nossa cultura que tentam minimizar, mas que está aí, está por toda a parte, está em nós.
ÁFRICA?
Local: Galeria Cândido Portinari / UERJ
Rua São Francisco Xavier, 524 – Maracanã
Tel.: (21) 2587-7796 / 7182
Inauguração: 14 de outubro de 2008, a partir das 19h
Visitação: até 14 de novembro, de segunda a sexta, das 9h às 20h
ENTRADA FRANCA
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Exposição “África?”/UERJ -curadoria Roberto Conduru
Exposição “África?”
14/10/2008
A partir do dia 16, o público poderá conferir a mostra África?, na Galeria Cândido Portinari, da UERJ. A exposição, promovida pelo Departamento Cultural da Sub-Reitoria de Extensão e Cultura (SR-3), reúne diferentes olhos a partir dos temas África e afro-brasilidade. A exposição irá abranger questões como a religião e a arte africanas. Um dos intuitos dessa mostra é abrir o leque de conexões e discussões sobre esse continente exuberante.
"É uma exposição mista ou da multiplicidade. Vamos ter desde esculturas, gravuras, colagem, instalações e também artistas que não estão diretamente enquadrados no circuito das artes. A África é uma grande questão. Ao mesmo tempo em que reconhecemos a sua invisibilidade, percebemos que ela perpassa em muitos aspectos a cultura brasileira e a gente não vê. Então vamos olhar. Uma coisa que me fascina é como a presença africana se manifesta na produção contemporânea de arte no Brasil de diversas maneiras, principalmente no carnaval e na religiosidade. O título da exposição é uma pergunta. Será que a gente não pode ver mais Áfricas do que aquelas que nos são oferecidas? Será que a gente não poderia colocar mais essa questão?", explica o doutor em História e curador da exposição Roberto Luís Torres Conduru, diretor do Instituto de Artes da UERJ.
A arte ocidental e muitos artistas contemporâneos foram intensamente influenciados pelas estéticas africanas. As referências vão das máscaras religiosas aos orixás e às ricas e coloridas padronagens dos tecidos e vestimentas. A mostra conta com obras dos artistas Carlos Feijó, Cristina Pape, Cristina Salgado, Jorge Rodrigues, Júnior de Odé, Leila Danziger, Lena Martins, Malu Fatorelli, Regina de Paula, Wuelyton Ferreiro e Francisco Moreira da Costa.
“África?” ficará em cartaz até o dia 14 de novembro, de segunda a sexta, das 9h às 20h.
ÁFRICA?
Local: Galeria Cândido Portinari / UERJ
Rua São Francisco Xavier, 524 – Maracanã
Tel.: (21) 2587-7796 / 7182
Inauguração: 14 de outubro de 2008, a partir das 19h
Visitação: até 14 de novembro, de segunda a sexta, das 9h às 20h
ENTRADA FRANCA
Marcio Albuquerque
Assessoria de Comunicação Social/DECULT/SR-3/UERJ
(21) 2587-7796 / 7182
(21) 9557-4965
comcult@uerj.
Fontes:
http://www.uerj.br/modulos/kernel/index.php?modulo=noticias&cod_noticia=2678
http://www.tijuca-rj.com.br/v02/noticias/africa-vira-tema-de-exposicao-na-uerj/
14/10/2008
A partir do dia 16, o público poderá conferir a mostra África?, na Galeria Cândido Portinari, da UERJ. A exposição, promovida pelo Departamento Cultural da Sub-Reitoria de Extensão e Cultura (SR-3), reúne diferentes olhos a partir dos temas África e afro-brasilidade. A exposição irá abranger questões como a religião e a arte africanas. Um dos intuitos dessa mostra é abrir o leque de conexões e discussões sobre esse continente exuberante.
"É uma exposição mista ou da multiplicidade. Vamos ter desde esculturas, gravuras, colagem, instalações e também artistas que não estão diretamente enquadrados no circuito das artes. A África é uma grande questão. Ao mesmo tempo em que reconhecemos a sua invisibilidade, percebemos que ela perpassa em muitos aspectos a cultura brasileira e a gente não vê. Então vamos olhar. Uma coisa que me fascina é como a presença africana se manifesta na produção contemporânea de arte no Brasil de diversas maneiras, principalmente no carnaval e na religiosidade. O título da exposição é uma pergunta. Será que a gente não pode ver mais Áfricas do que aquelas que nos são oferecidas? Será que a gente não poderia colocar mais essa questão?", explica o doutor em História e curador da exposição Roberto Luís Torres Conduru, diretor do Instituto de Artes da UERJ.
A arte ocidental e muitos artistas contemporâneos foram intensamente influenciados pelas estéticas africanas. As referências vão das máscaras religiosas aos orixás e às ricas e coloridas padronagens dos tecidos e vestimentas. A mostra conta com obras dos artistas Carlos Feijó, Cristina Pape, Cristina Salgado, Jorge Rodrigues, Júnior de Odé, Leila Danziger, Lena Martins, Malu Fatorelli, Regina de Paula, Wuelyton Ferreiro e Francisco Moreira da Costa.
“África?” ficará em cartaz até o dia 14 de novembro, de segunda a sexta, das 9h às 20h.
ÁFRICA?
Local: Galeria Cândido Portinari / UERJ
Rua São Francisco Xavier, 524 – Maracanã
Tel.: (21) 2587-7796 / 7182
Inauguração: 14 de outubro de 2008, a partir das 19h
Visitação: até 14 de novembro, de segunda a sexta, das 9h às 20h
ENTRADA FRANCA
Marcio Albuquerque
Assessoria de Comunicação Social/DECULT/SR-3/UERJ
(21) 2587-7796 / 7182
(21) 9557-4965
comcult@uerj.
Fontes:
http://www.uerj.br/modulos/kernel/index.php?modulo=noticias&cod_noticia=2678
http://www.tijuca-rj.com.br/v02/noticias/africa-vira-tema-de-exposicao-na-uerj/
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Breve panorama da arte brasileira no Paço Imperial e Centro Cultural Correios
Volpi, Contente, Ivens Machado, Edmílson Nunes, Victor Arruda, Auto-retratos do Brasil e Rubem Valentim: breve panorama da arte brasileira no Paço Imperial e Centro Cultural Correios
As exposições no Paço Imperial e Centro Cultural Correios, ambos no Rio de Janeiro, são uma oportunidade de termos uma amostragem dos caminhos percorridos pela arte brasileira no decorrer do século XX e início deste.
Comecemos pelo mais velho: Alfredo Volpi. A exposição consta com quase cinqüenta trabalhos da coleção Diógenes Paixão, que tem como característica a maioria das pinturas em pequeno formato – 24 x 33 cm –, mas que em nada diminui o lirismo e o encantamento proporcionado pelas telas de Volpi.
Estão lá as tradicionais bandeirinhas ilustradas nas fachadas, ogivas e marinhas. Impressiona-me como o artista recriou o tema no decorrer de sua longa trajetória, levando-se em conta que as pinturas da coleção de Paixão foram realizadas entre os anos de 1974 e 1984, época em que o colecionador adquiriu as obras, no auge da arte conceitual e na posterior retomada da pintura nos anos 80, com a Geração 80 carioca.
O que quero dizer é que Volpi manteve uma trajetória coerente, não se desprendendo do tema popular que elegeu como inspiração; suas bandeirinhas sempre estiveram presentes, mesmo quando flertou com a arte geométrica dos concretos e neoconcretos paulistas e cariocas nos anos 1950. Passou pela pop, minimal e todas as vanguardas surgidas na virada dos anos 1960/70. E Volpi não abandonou a pintura. Volpi não desprezou as suas populares bandeirinhas para embarcar nos discursos conceituais e/ou marxistas da época. Volpi permaneceu fiel às suas características. E foi nessa insistente pesquisa, fiel à têmpera também, que Alfredo Volpi construiu uma obra repleta de lirismo, suavidade e beleza, com uma diversificada paleta cromática, rara entre os pintores brasileiros, e tornou-se uma referência em nossa arte.
A mostra de Ivens Machado no primeiro andar do Paço, chamada “Acumulações”, choca-nos pela brutalidade dos materiais que formam suas esculturas. Esqueçam qualquer aparência naturalista ou expressionista caso dirijam-se a esta exposição. O caminho escultórico de Ivens Machado percorre outras trilhas que desconcentram olhares delicados em busca do belo.
Na contemplação incômoda de suas obras, não há como não recordar das imensas esculturas de Richard Serra que desafiam a gravidade e causam um estado permanente de desassossego no observador. Lembraremos, sobretudo, da arte povera italiana, em razão da união entre materiais industriais e o que consideramos resto, como pedras e carvão.
Em sua maioria, objetos do mundo industrializado são os materiais que formam suas obras. O artista usa cimento, madeiras, ferros, pedras, redes de aço, ou seja, materiais embrutecidos e de agressivo aspecto contidos em áreas demarcadas, pressionados, num estranho exercício de convivência, porém prevalecendo suas diferenças. Torna-se inevitável não pensar em choque, ou como muito bem expressa o crítico de arte Luiz Camilo Osório no catálogo da exposição:
“os materiais se juntam sem que se misturem; apostam no risco da convivência como se cada um deles fosse uma força contrária à adequação na unidade. Cada matéria mantém a sua personalidade, afirma sua diferença no contexto, na tensão e no abandono. As esculturas de Ivens na secura bruta dos materiais, recusam qualquer facilitação do apelo sensorial, tudo nelas é exterior e silencioso.”
É uma exposição que vale pela inquietação que tais obras nos apresentam: quietas, ásperas, rudes, monumentais. E confirmam o caminho singular traçado por Ivens Machado na escultura brasileira, tornando-o um importante artista em nossa arte.
Empolgo-me toda vez que sei de uma nova exposição de Carlos Contente. Recordo das primeiras impressões diante de suas carinhas carimbadas repetidas à exaustão por todos os lados no Parque Lage e nas ruas da Lapa. Lembro de discutir com a Ilana a semelhança com os hieróglifos urbanos do artista norte-americano Keith Haring, de intervir no espaço e tal.
Contente é um artista inquietante e faz da repetição de suas carinhas, que beira o infinito, uma de suas marcas registradas, além da fina ironia ao questionar os rumos e condutas adotados pela arte contemporânea, seus artistas, curadores, críticos e apreciadores.
Na exposição “Contente: autos-retratos também” deparamo-nos com um misto de intervenção/instalação carregado na sua cada vez melhor verve irônica. Paredes pichadas com suas “teorias” sobre arte, catálogo satirizando uma marca famosa e explicando sua origem, crítica à sociedade de consumo, caderninho de anotações, banco pichado... são tantas as referências em uma única sala... Ele cita explicitamente a “action painting”, movimento capitaneado por Jackson Pollock no pós-guerra, mas prefiro pensar nos grandes nomes dos anos 1980 do neo-expressionismo americano. Falo do já citado Keith Haring (inclusive com um caderninho do próprio) e seu amigo Jean-Michel Basquiat.
Uma sala toda ocupada com a arte inconformada, incômoda e inquietante de Contente. Uma exposição que mexe com o nosso senso diante de todo o escracho inteligente ilustrado. Para encerrar, um comentário do artista:
“E a partir do momento que comecei a pensar repetidamente no termo ‘arte agora’: mais tarde estaria associando à contemporaneidade.
Daí viria a desenvolver o termo ‘zoation painting’, ou ‘pintura de zoação’, em 2002. Uma referência à ‘action painting’, mas agregando novos elementos como a avacalhação e a alegria de viver.”
A mostra “Auto-retrato do Brasil” traz um imenso painel com cem auto-retratos de alguns dos principais nomes da arte contemporânea brasileira. Vale pela surpresa em identificar os artistas por seus traços e materiais característicos, como Beatriz Milhazes, Rubens Gerchman e Gianguido Bonfanti, ou pela surpreendente descoberta de que tal trabalho foi produzido por tal artista, como as telas de Daniel Senise e Antonio Manuel. É uma atividade lúdica e satisfatória diante da qualidade dos trabalhos apresentados. Além dos citados estão presentes Iole de Freitas, Luiz Zerbini, Antonio Tostes, Amílcar de Castro, Siron Franco, Carlos Vergara, Cabelo, Tomie Ohtake e tantos outros significativos nomes.
É gratificante quando entramos em uma sala e percebemos a força e constante renovação da pintura no decorrer de tantos séculos de atividade, em um mundo infestado por imagens que se renovam a cada instante. Esta alegria de ver ótima pintura é o que motiva e obriga a visita à exposição “Pinturas extemporâneas”, de Victor Arruda.
Contemporâneo da “Geração 80”, geração que afirmou pela milésima vez a vitalidade da pintura, Arruda apresenta telas em grande formato com grande riqueza temática e várias referências às vanguardas que movimentaram o século XX.
Na primeira sala vemos quatro telas em reduzida paleta de cores, com predomínio do preto, branco e cinza, além da impactante citação à pop art, à solidão humana, e ao surrealismo, prestando tributo ao célebre trabalho de René Magritte, “Golconda”, aquela das figuras humanas suspensas no espaço.
As obras seguintes apresentam-nos um expressionismo voraz, gestualidade visceral, intensas cores e erotismo, carregadas em ironia e referências a grandes artistas e movimentos artísticos, como Picasso e o cubismo, Tarsila do Amaral, Marc Chagall e o neo-expressionismo dos anos 1980. Uma exposição obrigatória.
Já a mostra “Céu”, de Edmílson Nunes, encanta pela delicadeza, lirismo e sensibilidade do artista em lidar com panos sensíveis (alguns espalhafatosos), pintura e texto. Trabalhos que teriam tudo para tender ao kitsch em mãos menos habilidosas, apesar de manter um diálogo escancarado com ele. Entretanto, Edmílson Nunes é um artista experimentado, navega por tal caminho há anos, e não cairia nas armadilhas que porventura poderiam aparecer na confecção de suas obras. São trabalhos que levam os olhos a alçar vôos na magia proporcionada por tão singelas que são.
Ah! Nunes comparece com um belo trabalho na fraca exposição “A imagem do som do samba”, também no Paço Imperial, baseado na música “Coisinha do pai”, de Jorge Aragão. O artista optou pela ironia cheia de erotismo e aproximação com o kitsch.
Enquanto isso, caminhando um pouquinho até o Centro Cultural Correios, encontramos uma retrospectiva de Rubem Valentim. Com mais de cem peças, a exposição além de passar por várias fases do artista, ainda propõe diálogos entre a obra de Valentim e trabalhos de artistas como Pierre Verger e Alfredo Volpi. É exposição de altíssima qualidade, de um artista que soube universalizar os elementos da religiosidade afro-brasileira em um inovador diálogo com o construtivismo. Rubem Valentim é um dos melhores do século XX. Referência obrigatória.
Bom, as dicas foram dadas. Rubem Valentim ficará no Centro Cultural Correios até o dia 10 de fevereiro e as mostras do Paço Imperial ficarão até 24 de fevereiro.
Abraço,
Riso
As exposições no Paço Imperial e Centro Cultural Correios, ambos no Rio de Janeiro, são uma oportunidade de termos uma amostragem dos caminhos percorridos pela arte brasileira no decorrer do século XX e início deste.
Comecemos pelo mais velho: Alfredo Volpi. A exposição consta com quase cinqüenta trabalhos da coleção Diógenes Paixão, que tem como característica a maioria das pinturas em pequeno formato – 24 x 33 cm –, mas que em nada diminui o lirismo e o encantamento proporcionado pelas telas de Volpi.
Estão lá as tradicionais bandeirinhas ilustradas nas fachadas, ogivas e marinhas. Impressiona-me como o artista recriou o tema no decorrer de sua longa trajetória, levando-se em conta que as pinturas da coleção de Paixão foram realizadas entre os anos de 1974 e 1984, época em que o colecionador adquiriu as obras, no auge da arte conceitual e na posterior retomada da pintura nos anos 80, com a Geração 80 carioca.
O que quero dizer é que Volpi manteve uma trajetória coerente, não se desprendendo do tema popular que elegeu como inspiração; suas bandeirinhas sempre estiveram presentes, mesmo quando flertou com a arte geométrica dos concretos e neoconcretos paulistas e cariocas nos anos 1950. Passou pela pop, minimal e todas as vanguardas surgidas na virada dos anos 1960/70. E Volpi não abandonou a pintura. Volpi não desprezou as suas populares bandeirinhas para embarcar nos discursos conceituais e/ou marxistas da época. Volpi permaneceu fiel às suas características. E foi nessa insistente pesquisa, fiel à têmpera também, que Alfredo Volpi construiu uma obra repleta de lirismo, suavidade e beleza, com uma diversificada paleta cromática, rara entre os pintores brasileiros, e tornou-se uma referência em nossa arte.
A mostra de Ivens Machado no primeiro andar do Paço, chamada “Acumulações”, choca-nos pela brutalidade dos materiais que formam suas esculturas. Esqueçam qualquer aparência naturalista ou expressionista caso dirijam-se a esta exposição. O caminho escultórico de Ivens Machado percorre outras trilhas que desconcentram olhares delicados em busca do belo.
Na contemplação incômoda de suas obras, não há como não recordar das imensas esculturas de Richard Serra que desafiam a gravidade e causam um estado permanente de desassossego no observador. Lembraremos, sobretudo, da arte povera italiana, em razão da união entre materiais industriais e o que consideramos resto, como pedras e carvão.
Em sua maioria, objetos do mundo industrializado são os materiais que formam suas obras. O artista usa cimento, madeiras, ferros, pedras, redes de aço, ou seja, materiais embrutecidos e de agressivo aspecto contidos em áreas demarcadas, pressionados, num estranho exercício de convivência, porém prevalecendo suas diferenças. Torna-se inevitável não pensar em choque, ou como muito bem expressa o crítico de arte Luiz Camilo Osório no catálogo da exposição:
“os materiais se juntam sem que se misturem; apostam no risco da convivência como se cada um deles fosse uma força contrária à adequação na unidade. Cada matéria mantém a sua personalidade, afirma sua diferença no contexto, na tensão e no abandono. As esculturas de Ivens na secura bruta dos materiais, recusam qualquer facilitação do apelo sensorial, tudo nelas é exterior e silencioso.”
É uma exposição que vale pela inquietação que tais obras nos apresentam: quietas, ásperas, rudes, monumentais. E confirmam o caminho singular traçado por Ivens Machado na escultura brasileira, tornando-o um importante artista em nossa arte.
Empolgo-me toda vez que sei de uma nova exposição de Carlos Contente. Recordo das primeiras impressões diante de suas carinhas carimbadas repetidas à exaustão por todos os lados no Parque Lage e nas ruas da Lapa. Lembro de discutir com a Ilana a semelhança com os hieróglifos urbanos do artista norte-americano Keith Haring, de intervir no espaço e tal.
Contente é um artista inquietante e faz da repetição de suas carinhas, que beira o infinito, uma de suas marcas registradas, além da fina ironia ao questionar os rumos e condutas adotados pela arte contemporânea, seus artistas, curadores, críticos e apreciadores.
Na exposição “Contente: autos-retratos também” deparamo-nos com um misto de intervenção/instalação carregado na sua cada vez melhor verve irônica. Paredes pichadas com suas “teorias” sobre arte, catálogo satirizando uma marca famosa e explicando sua origem, crítica à sociedade de consumo, caderninho de anotações, banco pichado... são tantas as referências em uma única sala... Ele cita explicitamente a “action painting”, movimento capitaneado por Jackson Pollock no pós-guerra, mas prefiro pensar nos grandes nomes dos anos 1980 do neo-expressionismo americano. Falo do já citado Keith Haring (inclusive com um caderninho do próprio) e seu amigo Jean-Michel Basquiat.
Uma sala toda ocupada com a arte inconformada, incômoda e inquietante de Contente. Uma exposição que mexe com o nosso senso diante de todo o escracho inteligente ilustrado. Para encerrar, um comentário do artista:
“E a partir do momento que comecei a pensar repetidamente no termo ‘arte agora’: mais tarde estaria associando à contemporaneidade.
Daí viria a desenvolver o termo ‘zoation painting’, ou ‘pintura de zoação’, em 2002. Uma referência à ‘action painting’, mas agregando novos elementos como a avacalhação e a alegria de viver.”
A mostra “Auto-retrato do Brasil” traz um imenso painel com cem auto-retratos de alguns dos principais nomes da arte contemporânea brasileira. Vale pela surpresa em identificar os artistas por seus traços e materiais característicos, como Beatriz Milhazes, Rubens Gerchman e Gianguido Bonfanti, ou pela surpreendente descoberta de que tal trabalho foi produzido por tal artista, como as telas de Daniel Senise e Antonio Manuel. É uma atividade lúdica e satisfatória diante da qualidade dos trabalhos apresentados. Além dos citados estão presentes Iole de Freitas, Luiz Zerbini, Antonio Tostes, Amílcar de Castro, Siron Franco, Carlos Vergara, Cabelo, Tomie Ohtake e tantos outros significativos nomes.
É gratificante quando entramos em uma sala e percebemos a força e constante renovação da pintura no decorrer de tantos séculos de atividade, em um mundo infestado por imagens que se renovam a cada instante. Esta alegria de ver ótima pintura é o que motiva e obriga a visita à exposição “Pinturas extemporâneas”, de Victor Arruda.
Contemporâneo da “Geração 80”, geração que afirmou pela milésima vez a vitalidade da pintura, Arruda apresenta telas em grande formato com grande riqueza temática e várias referências às vanguardas que movimentaram o século XX.
Na primeira sala vemos quatro telas em reduzida paleta de cores, com predomínio do preto, branco e cinza, além da impactante citação à pop art, à solidão humana, e ao surrealismo, prestando tributo ao célebre trabalho de René Magritte, “Golconda”, aquela das figuras humanas suspensas no espaço.
As obras seguintes apresentam-nos um expressionismo voraz, gestualidade visceral, intensas cores e erotismo, carregadas em ironia e referências a grandes artistas e movimentos artísticos, como Picasso e o cubismo, Tarsila do Amaral, Marc Chagall e o neo-expressionismo dos anos 1980. Uma exposição obrigatória.
Já a mostra “Céu”, de Edmílson Nunes, encanta pela delicadeza, lirismo e sensibilidade do artista em lidar com panos sensíveis (alguns espalhafatosos), pintura e texto. Trabalhos que teriam tudo para tender ao kitsch em mãos menos habilidosas, apesar de manter um diálogo escancarado com ele. Entretanto, Edmílson Nunes é um artista experimentado, navega por tal caminho há anos, e não cairia nas armadilhas que porventura poderiam aparecer na confecção de suas obras. São trabalhos que levam os olhos a alçar vôos na magia proporcionada por tão singelas que são.
Ah! Nunes comparece com um belo trabalho na fraca exposição “A imagem do som do samba”, também no Paço Imperial, baseado na música “Coisinha do pai”, de Jorge Aragão. O artista optou pela ironia cheia de erotismo e aproximação com o kitsch.
Enquanto isso, caminhando um pouquinho até o Centro Cultural Correios, encontramos uma retrospectiva de Rubem Valentim. Com mais de cem peças, a exposição além de passar por várias fases do artista, ainda propõe diálogos entre a obra de Valentim e trabalhos de artistas como Pierre Verger e Alfredo Volpi. É exposição de altíssima qualidade, de um artista que soube universalizar os elementos da religiosidade afro-brasileira em um inovador diálogo com o construtivismo. Rubem Valentim é um dos melhores do século XX. Referência obrigatória.
Bom, as dicas foram dadas. Rubem Valentim ficará no Centro Cultural Correios até o dia 10 de fevereiro e as mostras do Paço Imperial ficarão até 24 de fevereiro.
Abraço,
Riso
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