Prezadas e Prezados,
Estarei como debatedor no dia 2 de junho, às 9h, na mesa LITERATURAS AFRICANAS E AFRO-BRASILEIRA: diálogos e desafios / Bate-papo com Autores(as)
Convidados(as): Vera Duarte (Cabo Verde) - Lia Vieira - Miriam Alves - Waldemar Euzébio - Jussara Santos - Conceição Evaristo - Kandjila (Angola) - Pedro Matos (Cabo Verde) - Aldrey Anunciação
Debatedor: Ricardo Riso (Crítico)
Coordenador: Abdelasy de Sousa (São Tomé e Príncipe; UFMG/Rádio UFMG)
Programação completa em www.nandyalalivros.com.br
Um espaço dedicado à literatura negro-brasileira, às literaturas africanas de língua portuguesa e demais literaturas negro-diaspóricas
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sexta-feira, 1 de junho de 2012
sexta-feira, 30 de março de 2012
Conceição Evaristo e Dina Salústio
Conceição Evaristo e Dina Salústio
Ricardo Riso
Resenha publicada no semanário cabo-verdiano A Nação, n. 237, p. E22, 15/03/2012
As ex-colônias portuguesas herdaram da metrópole o patriarcalismo e a consequente postura machista predominante na sociedade, na qual a mulher é vista com subalternidade e estigmatizada por preconceitos de diversas ordens. Na literatura, as questões de gêneros nem sempre foram contempladas de forma igual, por isso os textos produzidos por mulheres desvelam dicção própria, por trazer à tona problemáticas de um universo invisibilizado pela ordem estabelecida.
No Brasil, a escritora negra Conceição Evaristo desenvolveu o conceito de “escrevivência” em razão da impossibilidade das teorias literárias tradicionais abarcarem a diferença do discurso feminino, especialmente o da mulher negra, sofrido em uma sociedade que já exclui a mulher, mas que ainda é opressora e racista em relação às negras. Por isso a necessidade de uma Teoria da Diferença. O eu-enunciador da escrevivência assume as suas experiências de vida e de outras mulheres como corpo de sua escrita, reconfigurando a voz individual da autora como irradiadora de uma voz coletiva de mulheres negras, que raríssimas vezes foram protagonistas no texto em prosa brasileiro. Dessa maneira, as histórias dessas mulheres jamais encontraram espaço para revelar suas angústias e anseios, a maneira como lutam em um cotidiano adverso, já que o eu-enunciador, majoritariamente homem e branco, nunca se preocupou com os dilemas dessa mulher negra, relegada aos restritos espaços de subalternidade em que se torna coadjuvante e silenciada nas tramas.
Dentro desse processo de escrevivência, o ato do eu-enunciador contar histórias relatadas por mulheres é a parte central deste conceito. Nesta perspectiva, o recente livros de contos de Evaristo, “Insubmissas lágrimas de mulheres” (2011), assemelha-se aos contos de “Mornas eram as noites” (1994), de Dina Salústio, pois ambos os livros concentram-se suas histórias no ato de recontar passagens do cotidiano feminino, de mulheres simples que vivenciam a dureza diária. Como diz Evaristo, “gosto de contar e ouvir casos. Muito da minha escrita nasce das histórias ouvidas, das imagens assistidas no cotidiano e de minha condição de mulher e negra na sociedade brasileira”; enquanto Salústio afirma que “necessidade de publicar as inúmeras histórias de mulheres, histórias de vida que passam por mim (...) Não são ficção, é cá um encontro que é verdade, um momento só (...)”.
Nos contos de ambas as autoras demonstra-se a preocupação do ponto de vista feminino da narrativa, as mulheres são as protagonistas e têm liberdade para revelar as dificuldades, anseios, medos e conquistas. Temas comuns entrecruzam-se nos livros. O estupro de companheiras ou de filhas em “Aramildes Florença”, de Evaristo, e “Nasceu fêmea é mulher”, de Dina; a violência doméstica e a revolta das mulheres contra o machismo escancarado em “Foram as dores que o mataram”, de Dina, e “Shirley Paixão”, de Evaristo; o abandono à própria sorte do destino de “Liberdade Adiada” de Salústio e “Natalina Soledad” de Conceição, são alguns dos tristes exemplos de aproximação das realidades vivenciadas pelas mulheres nas sociedades brasileira e cabo-verdiana.
É com o desenvolvimento de uma escrita que revela as tensões étnico-raciais e de gênero estratificados em Cabo Verde e no Brasil que Dina Salústio e Conceição Evaristo procuram recriar essas histórias de mulheres anônimas, iguais na dor, no sofrimento, nas injustiças e no silêncio motivador da perpetuação das atitudes violentas dos homens. Seus textos literários o espaço para extravasar a urgência de mudanças, a impossibilidade da continuidade da opressão à mulher. Conceição e Salústio apresentam-nos um texto de empoderamento, que tanto serve para estimular as mulheres a não aceitarem as manifestações virulentas da formação machista masculina como também, e principalmente, para nós homens, para revermos diariamente nossas atitudes e repensarmos o quanto de opressores somos e o quanto devemos mudar. De forma imediata.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Conceição Evaristo - Insubmissas lágrimas de Mulheres (lançamento RJ)
Conceição Evaristo lança o livro “Insubmissas lágrimas de Mulheres”, Editora Nandyala, no Espaço Cultural CEDIM Heloneida Stuart, às 18h30. A obra da renomada escritora é uma coletânea de 13 contos que têm como protagonistas mulheres negras que colocam seus anseios, dores, temores, retirando-se do lugar do sofrimento, transformando-o em resistência.
LANÇAMENTO DO LIVRO “INSUBMISSAS LÁGRIMAS DE MULHERES” DE CONCEIÇÃO EVARISTO
DATA: QUINTA-FEIRA, 8/12, ÀS 18H30
LOCAL: ESPAÇO CULTURAL CEDIM HELONEIDA STUART
ENDEREÇO: RUA CAMERINO, Nº 51 – CENTRO – RIO DE JANEIRO – RJ
LANÇAMENTO DO LIVRO “INSUBMISSAS LÁGRIMAS DE MULHERES” DE CONCEIÇÃO EVARISTO
DATA: QUINTA-FEIRA, 8/12, ÀS 18H30
LOCAL: ESPAÇO CULTURAL CEDIM HELONEIDA STUART
ENDEREÇO: RUA CAMERINO, Nº 51 – CENTRO – RIO DE JANEIRO – RJ
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Conceição Evaristo e Amélia Dalomba em Belo Horizonte (MG)
A NANDYALA Editora convida você para coquetel de lançamentos
07/12, quarta-feira, 19h30
Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa - Praça da Liberdade – Belo Horizonte - MG
Insubmissas lágrimas de mulheres, contos
Conceição Evaristo (Brasil)
Uma mulher ao relento, romance
Amélia Dalomba (Angola)
CONCEIÇÃO EVARISTO
O LIVRO: Insubmissas lágrimas de mulheres, Editora Nandyala, Belo Horizonte, 2011.
A antologia Insubmissas lágrimas de mulheres é composta de 13 contos, cujas histórias têm como protagonistas mulheres negras. De dentro da cena, vozes-mulheres explicitam suas dores, anseios, temores, mas, antes de tudo revelam a imensa capacidade de se retirem do lugar do sofrimento e inventarem modos de resistência. Uma intima fusão entre as personagens, a voz ficcional de quem apresenta essas personagens e a autora, marca o processo criativo dos textos e afirma o projeto literário de Conceição Evaristo, o de traçar uma escrevivência.
A AUTORA: Conceição Evaristo é Mestre em Literatura Brasileirapela PUC Rio, e Doutora em Literatura Comparadapela Universidade Federal Fluminense. Estreou na literatura em 1990, na série Cadernos Negros, antologia editada anualmente pelo Quilombhoje, de São Paulo, grupo de escritores afro-brasileiros reunidos, desde 1978. Dentre várias antologias lançadas no Brasil, a autora participa do livro Contos Afros, organizado por Marcio Barbosa (Quilombhoje), patrocinado pela Prefeitura de Belo Horizonte; no livro Contos do mar sem fim, da Editora Pallas, Rio de Janeiro e na Antologia Questão de Pele, da Editora Língua Geral, Rio de Janeiro, e vem mantendo uma constante publicação de poemas e contos, em Cadernos Negros. A escritora participa também de publicações, em antologias, na Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos, África do Sul e em Angola.
É autora dos romances Ponciá Vicêncio e Becos da memória (Mazza Edições). O primeiro foi um dos livros indicados para o vestibular da UFMG, para o CEFET/MG e mais quatro faculdades de Minas Gerais em 2007, sendo ainda indicado como uma das obras do vestibular de 2008 e 2009 da Universidade Estadual de Londrina.
A obra Ponciá Vicêncio foi traduzida para o inglês, pela Host Publications, Texas, nos Estados Unidos, em 2007.
Em 2008, Conceição Evaristo lançou a antologia Poemas da Recordação e outros movimentos, (Nandyala Editora), obra que se classificou entre os 50 finalistas concorrentes ao Prêmio Portugal Telecom, no ano de 2009.
A produção de Conceição Evaristo é ampla, abarcando o campo da poesia, da prosa e do ensaio literário. Como escritora, ela tem sido convidada para participar de eventos acadêmicos e literários no Brasil e no exterior e tem marcado também presença nos movimentos sociais, notadamente, nos que se relacionam com a luta dos afro-descendentes.
OBRAS INDIVIDUAIS:
Ponciá Vicêncio (romance) Belo Horizonte, Mazza Edições, 2003/2005
Becos da memória (romance) Belo Horizonte, Mazza Edições, 2006.
Poemas da recordação e outros movimentos (antologia poética), Belo Horizonte, Nandyala, 2008.
Insubmissas lágrimas de mulheres (contos), Belo Horizonte, Nandyala Editora, 2011.
AMÉLIA DALOMBA
Sobre o livro: Uma mulher ao relento, Nandyala Editora, Belo Horizonte, 2011.
O romance Uma mulher ao relento trata da trajetória de vida da narradora que, em primeira pessoa, revela suas tristezas, alegrias, indignações e resistências à prática contemporânea do alembamento (cerimônia do dote oferecido à família da noiva, quando de oficializa o trato do casamento entre as famílias envolvidas) que não respeita a mulher como sujeito ou senhora de seu futuro, contrariamente às tradições bantoangolanas, de base matriarcal. Esta obra consolida a maturidade da produção literária de Amélia Dalomba, nas tensões cotidianas das relações de gênero.
Sobre a autora: AMÉLIA DA LOMBA , nasceu na Cidade de Cabinda, Angola. Tem artigos e poemas publicados em revistas e jornais e participações em CDs musicais angolanos, com letras e músicas. Ministra palestras sobre literatura e culturas de Angola, bem como sobre as relações de gênero em seu país.
Estudou Psicologia Geral e simultaneamente desenvolveu a sua atividade profissional na área do Jornalismo, nomeadamente o jornalismo radiofônico e de imprensa. É colaboradora do Jornal de Angola, tendo publicado alguns dos seus textos poéticos na sua página cultural. Frequentou diversos seminários de Jornalismo, Administração e Gestão de Empresas e Formação Política.
Integrando a geração de 80, denominada pelo crítico e poeta Luís Kandjimbo como a "Geração das Incertezas", ao lado de nomes como Ana Paula Tavares, Ana de Santana, Lisa Castel, entre outros, Amélia Dalomba é uma das novas vozes femininas do universo literário, cujo contributo se reveste da maior importância para o desenvolvimento da poesia angolana. Como a obra dos restantes poetas dessa geração, filha da geração da guerra colonial, a sua poiesis, assentando num projeto metalinguístico e literário de recuperação da língua, constituiu-se como um espaço de denúncia da realidade angustiante vivida na sua Angola pós-independência, sem cair no "panfletarismo ideológico" que, muitas vezes, compromete a qualidade estética.
Fruto da grande desilusão provocada pela situação de corrupção, de fome, de miséria e de total desrespeito pelos direitos humanos, que caracteriza Angola, a poesia desta autora projeta, então, um "sujeito poético" desconcertado e desiludido, que vai usar a melancolia, associada à resistência, como forma de se libertar da catástrofe social que o envolve.
É galardoada com a Ordem do Vulcão – Medalha de Mérito de 1º Grau da República de Cabo Verde.
A sua poesia está incluída em coletâneas e livros coletivos, nomeadamente:
– Antologia da Poesia Feminina dos Palop (1998), do crítico Espanhol Xosé Lois Garcia
– Antologia do Mar na poesia Africana de Língua Portuguesa do século XX, Angola (2000), de Carmen Lúcia Tindó- crítica Brasileira
– Antologia “O Amor tem Asas de Ouro” – UEA (2006)
– Antologia da Moderna Poesia Angolana de Botelho de Vasconcelos – UEA (2006)
– Cacimbo 2000 - editora Patrick Houdin-Allliance Francaise de Luanda
– Participação no Livro Meu Céu, Céu de todos, Céu de Cada Um, de Renan Medeiros - Editora Zian- (2006)
Obras individuais:
– Ânsia – Editora da UEA. (1995)
– Sacrossanto refúgio – Editora Edipress (1996)
– Espigas do Sahel – Editora kilomlombe (2004)
– Noites ditas à chuva – Editora da UEA (2005)
– Sinal de mãe nas estrelas– Zian Editora (2007)
– Aos teus pés quanto baloiça o vento – Zian Editora (2008)
– CD Verso Prece e Canto – Música Instrumental - Editora N’Gola Música (2008)
– NSINGA – o mar no signo do laço – Editora Mayamba (2011)
– Uma mulher ao relento – Editora Nandyala (2011)
INFORMAÇÕES: (31)3281-5894
NANDYALA Editora
Av. do Contorno, 6.000 - Loja 01 - Savassi
3110-060 - Belo Horizonte - MG
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terça-feira, 27 de setembro de 2011
Oralidade agora se escreve - Renascença Clube
Prezada(o)s Amiga(o)s
Renascença Clube através do seu Departamento Cultural e Artístico convida V.Sa., para uma Roda de Conversa Literária , sobre o tema: ORALIDADE AGORA SE ESCREVE - com os seguintes escritores:
Lia Vieira, Ele Semog, Conceição Evaristo, Helena Theodoro, Cidinha Silva, Lúcia Mattos, Sérgio Gramático, Veralinda Menezes e a Profa. Iris Amâncio da Editora Anadyala.
DIA 29 de setembro, a partir das 18h
Rua Barão de São Francisco, 54 - Andaraí - Rio de Janeiro - RJ
E-mail gentilmente enviado pela Profª Edylea Silvério em 26/09/2011.
sábado, 20 de novembro de 2010
Dia da Consciência Negra 2010 - Conceição Evaristo, Éle Semog, Cuti e Lande Onawale
Meu Rosário
Meu rosário é feito de contas negras e mágicas.
Nas contas de meu rosário eu canto Mamãe Oxum e falo
padres-nossos e ave-marias.
Do meu rosário eu ouço os longínquos batuques
do meu povo
e encontro na memória mal adormecida
as rezas dos meses de maio de minha infância.
As coroações da Senhora, em que as meninas negras,
apesar do desejo de coroar a Rainha,
tinham de se contentar em ficar ao pé do altar
lançando flores.
As contas do meu rosário fizeram calos
em minhas mãos,
pois são contas do trabalho na terra, nas fábricas,
nas casas, nas escolas, nas ruas, no mundo.
As contas do meu rosário são contas vivas.
(Alguém disse um dia que a vida é uma oração,
eu diria, porém, que há vidas-blasfemas).
Nas contas de meu rosário eu teço intumescidos
sonhos de esperanças.
Nas contas de meu rosário eu vejo rostos escondidos
por visíveis e invisíveis grades
e embalo a dor da luta perdida nas contas
de meu rosário.
Nas contas de meu rosário eu canto, eu grito, eu calo.
Do meu rosário eu sinto o borbulhar da fome
no estômago, no coração e nas cabeças vazias.
Quando debulho as contas do meu rosário,
eu falo de mim mesma um outro nome.
E sonho nas contas de meu rosário lugares, pessoas,
vidas que pouco a pouco descubro reais.
Vou e volto por entre as contas de meu rosário,
que são pedras marcando-me o corpo caminho.
E neste andar de contas-pedras,
o meu rosário se transmuta em tinta,
me guia o dedo,
me insinua a poesia.
E depois de macerar conta por conto do meu rosário,
me acho aqui eu mesma
e descubro que ainda me chamo Maria.
(EVARISTO, Conceição. Poemas da recordação e outros movimentos. Belo Horizonte: Nandyala, 2008. p. 16-17)
torpedo
irmão, quantos minutos por dia
a tua identidade negra toma sol
nesta prisão de segurança máxima?
e o racismo em lata
quantas vezes por dia é servida a ela
como hóstia?
irmão, tua identidade negra tem direito
na solitária
a alguma assistência médica?
ouvi rumores de que ela teve febre alta
na última semana
e espasmos
– uma quase overdose de brancura –
e fiquei preocupado.
irmão, diz à tua identidade negra
que eu lhe mando um celular
para comunicar seus gemidos
e seguem também
os melhores votos de pleno restabelecimento
e de muita paciência
para suportar tão prolongada pena
de reclusão.
diz ainda que continuamos lutando
contra os projetos de lei
que instauram a pena de morte racial
e que ela não tema
ser a primeira no corredor
da injeção letal.
irmão, sem querer te forçar a nada
quando puderes
permite à tua identidade negra
respirar, por entre as mínimas grades
dessa porta de aço
um pouco de ar fresco.
sei que a cela é monitorada
24 horas por dia.
contudo, diz a ela
que alguns exercícios devem ser feitos
para que não perca completamente
a ginga
depois de cada nova sessão de tortura.
irmão, espero que esta mensagem
alcance as tuas mãos.
o carcereiro que eu subornei para te levar o presente
me pareceu honesto
e com algumas sardas de solidariedade.
irmão, sei que é difícil sobreviver
neste silencioso inferno
por isso toma cuidado
com a técnica de se fingir de morto
porque muitos abusaram
e entraram em coma
fica esperto!
e não esquece o dia da rebelião
quando a ilusão deve ir pelos ares.
um grande abraço
deste teu irmão de presídio
assinado:
zumbi dos palmares
(CUTI. Negroesia - antologia poética. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2007. p. 92-94)
BLACK POWER
eles ficam se perguntando
como posso me fazer bonito
com tudo aquilo que acham feio
como posso regritar meu grito
depois de tanta opressão
eles não sabem como chego até você irmão
o que pensam que sabem de nós
é só o que pode ser escrito
o que pode ser falado
mas a nossa força é indescritível brother
emerge dos séculos
de luta por liberdade
para ser cúmplices olhares
ou apertos de mão
(ONAWALE, Lande. O Vento. Salvador: Ed. do Autor, 2003. p. 51)
A CHAVE DA COR BRASILEIRA
Todos os dias, a vida inteira
uma razão interior, harmoniosa,
que herdei de gente da minha gente,
e veio por séculos a fio da meada,
me conduz e anuncia,
sem ser oráculo ou magia,
que sou vida porque sou negro,
que sou pleno porque sou negro,
que sou feliz porque sou negro.
Em toda a minha volta,
na versão dos outros,
na exclusão, no sofrimento,
no preconceito esplêndido
nada de mim pode Ser
além do branco, o possível.
E todos os dias me espreitando,
esperando chegar alguma dor,
ou ruptura no fio da meada,
uma outra razão turva e pesada,
insinuosa e despudorada
oferece uma das chaves
que abre o mundo dos brancos...
É para eu entrar, mas sozinho
e lá poderei ser pitoresco e faceiro,
desde que deixe os meus no caminho
e tranque para sempre o negro
que também sou, fora de mim.
(SEMOG, Éle. Tudo que está solto. Rio de Janeiro: Letra Capital, 2010. p. 110-111)
Meu rosário é feito de contas negras e mágicas.
Nas contas de meu rosário eu canto Mamãe Oxum e falo
padres-nossos e ave-marias.
Do meu rosário eu ouço os longínquos batuques
do meu povo
e encontro na memória mal adormecida
as rezas dos meses de maio de minha infância.
As coroações da Senhora, em que as meninas negras,
apesar do desejo de coroar a Rainha,
tinham de se contentar em ficar ao pé do altar
lançando flores.
As contas do meu rosário fizeram calos
em minhas mãos,
pois são contas do trabalho na terra, nas fábricas,
nas casas, nas escolas, nas ruas, no mundo.
As contas do meu rosário são contas vivas.
(Alguém disse um dia que a vida é uma oração,
eu diria, porém, que há vidas-blasfemas).
Nas contas de meu rosário eu teço intumescidos
sonhos de esperanças.
Nas contas de meu rosário eu vejo rostos escondidos
por visíveis e invisíveis grades
e embalo a dor da luta perdida nas contas
de meu rosário.
Nas contas de meu rosário eu canto, eu grito, eu calo.
Do meu rosário eu sinto o borbulhar da fome
no estômago, no coração e nas cabeças vazias.
Quando debulho as contas do meu rosário,
eu falo de mim mesma um outro nome.
E sonho nas contas de meu rosário lugares, pessoas,
vidas que pouco a pouco descubro reais.
Vou e volto por entre as contas de meu rosário,
que são pedras marcando-me o corpo caminho.
E neste andar de contas-pedras,
o meu rosário se transmuta em tinta,
me guia o dedo,
me insinua a poesia.
E depois de macerar conta por conto do meu rosário,
me acho aqui eu mesma
e descubro que ainda me chamo Maria.
(EVARISTO, Conceição. Poemas da recordação e outros movimentos. Belo Horizonte: Nandyala, 2008. p. 16-17)
torpedo
irmão, quantos minutos por dia
a tua identidade negra toma sol
nesta prisão de segurança máxima?
e o racismo em lata
quantas vezes por dia é servida a ela
como hóstia?
irmão, tua identidade negra tem direito
na solitária
a alguma assistência médica?
ouvi rumores de que ela teve febre alta
na última semana
e espasmos
– uma quase overdose de brancura –
e fiquei preocupado.
irmão, diz à tua identidade negra
que eu lhe mando um celular
para comunicar seus gemidos
e seguem também
os melhores votos de pleno restabelecimento
e de muita paciência
para suportar tão prolongada pena
de reclusão.
diz ainda que continuamos lutando
contra os projetos de lei
que instauram a pena de morte racial
e que ela não tema
ser a primeira no corredor
da injeção letal.
irmão, sem querer te forçar a nada
quando puderes
permite à tua identidade negra
respirar, por entre as mínimas grades
dessa porta de aço
um pouco de ar fresco.
sei que a cela é monitorada
24 horas por dia.
contudo, diz a ela
que alguns exercícios devem ser feitos
para que não perca completamente
a ginga
depois de cada nova sessão de tortura.
irmão, espero que esta mensagem
alcance as tuas mãos.
o carcereiro que eu subornei para te levar o presente
me pareceu honesto
e com algumas sardas de solidariedade.
irmão, sei que é difícil sobreviver
neste silencioso inferno
por isso toma cuidado
com a técnica de se fingir de morto
porque muitos abusaram
e entraram em coma
fica esperto!
e não esquece o dia da rebelião
quando a ilusão deve ir pelos ares.
um grande abraço
deste teu irmão de presídio
assinado:
zumbi dos palmares
(CUTI. Negroesia - antologia poética. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2007. p. 92-94)
BLACK POWER
eles ficam se perguntando
como posso me fazer bonito
com tudo aquilo que acham feio
como posso regritar meu grito
depois de tanta opressão
eles não sabem como chego até você irmão
o que pensam que sabem de nós
é só o que pode ser escrito
o que pode ser falado
mas a nossa força é indescritível brother
emerge dos séculos
de luta por liberdade
para ser cúmplices olhares
ou apertos de mão
(ONAWALE, Lande. O Vento. Salvador: Ed. do Autor, 2003. p. 51)
A CHAVE DA COR BRASILEIRA
Todos os dias, a vida inteira
uma razão interior, harmoniosa,
que herdei de gente da minha gente,
e veio por séculos a fio da meada,
me conduz e anuncia,
sem ser oráculo ou magia,
que sou vida porque sou negro,
que sou pleno porque sou negro,
que sou feliz porque sou negro.
Em toda a minha volta,
na versão dos outros,
na exclusão, no sofrimento,
no preconceito esplêndido
nada de mim pode Ser
além do branco, o possível.
E todos os dias me espreitando,
esperando chegar alguma dor,
ou ruptura no fio da meada,
uma outra razão turva e pesada,
insinuosa e despudorada
oferece uma das chaves
que abre o mundo dos brancos...
É para eu entrar, mas sozinho
e lá poderei ser pitoresco e faceiro,
desde que deixe os meus no caminho
e tranque para sempre o negro
que também sou, fora de mim.
(SEMOG, Éle. Tudo que está solto. Rio de Janeiro: Letra Capital, 2010. p. 110-111)
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Conceição Evaristo – Poemas da recordação e outros movimentos (resenha)
Conceição Evaristo – Poemas da recordação e outros movimentos
Por Ricardo Riso
Hoje não é nenhum absurdo nem exagero afirma que Conceição Evaristo é a principal voz feminina da nossa literatura afro-brasileira. Por isso, devemos celebrar o lançamento de “Poemas de recordação e outros movimentos”, pela editora Nandyala, em 2008, antologia poética que reúne poemas do passado e inéditos dessa mineira de Belo Horizonte, nascida em 29 de novembro de 1946.
Desde os anos 1970 radicada no Rio de Janeiro, formada em Letras, Mestre em Literatura Brasileira pela PUC/RJ e Doutora em Literatura Comparada pela UFF/RJ, Evaristo teve sua estreia literária em 1990, na série Cadernos Negros, publicação anual editada pelo Grupo Quilombhoje com o intuito de lançar escritores afro-brasileiros, projeto iniciado em 1978. A partir daí, a poeta começou a ter seus textos, que navegam entre a poesia, o conto e o romance, em diversas antologias nacionais e estrangeiras. Individualmente, publicou os seguintes romances: “Ponciá Vicêncio” (2003 e já na segunda edição) e “Becos da Memória” (2006).
A obra de Conceição Evaristo conduz-nos a um profundo mergulho na memória que navega entre as recordações individual e coletiva, “a memória bravia lança o leme:/ Recordar é preciso”. Logo somos banhados pelas “águas-lembranças” de Evaristo que se posiciona como mulher negra e da comunidade negra em geral para transformar em poesia as suas “escrevivências”. Estas são motivadas pelas lembranças familiares, formadoras do binômio vida-poesia, destacando-se a convivência com a mãe, “mulher de pôr reparo nas coisas,/ e de assuntar a vida”, e que “me ensinou,/ insisto, foi ela,/ a fazer da palavra/ artifício/ arte e ofício/ do meu canto/ da minha fala”, o aprendizado oral pelos provérbios, “quando se anda descalço/ cada dedo olha a estrada”, e também do contato frutífero com a Tia Lia que “temperando os meus dias/ misturava o real e os sonhos/ inventando alquimias./ (...) Houve um tempo/ em que a velha/ me buscava/ e eu menina/ com os olhos/ que ela me emprestava,/ via por inteiro/ o coração da vida”.
O cruel desenvolvimento das adversidades pelas quais passam as mulheres negras através dos tempos, configurando a dor e as experiências de injustiças sociais, são demonstrados no poema “Vozes-Mulheres”, no qual o sujeito lírico retoma as dores sofridas pela bisavó no passado de violenta escravidão, como ecos na memória de “lamentos/ de uma infância perdida”. Relembra a submissão sofrida pela avó ainda escrava diante da “obediência/ aos brancos-donos de tudo”, recorda os ecos das dores de sua mãe “no fundo das cozinhas alheias/ debaixo de trouxas/ roupagens sujas dos brancos”. Até chegar no tempo presente, na sua voz que ainda “ecoa versos perplexos/ com rimas de sangue/ e/ fome”, para atingir a consciência madura de sua filha, voz que “recorre todas as nossas vozes” e que se quer livre: “Na voz de minha filha/ se fará ouvir a ressonância/ o eco da vida-liberdade”.
A condição feminina aparece com frequência em seus poemas. Em “Do fogo que em mim arde” a coisificação da mulher é combatida: “Sim, eu trago o fogo,/ o outro/ não aquele que te apraz”; conduzindo à metapoesia e à afirmação de um sujeito feminino pleno: “Sim, eu trago o fogo,/ o outro/ aquele que me faz,/ e que molda a dura pena/ de minha escrita./ É este o fogo/ o meu,/ o que me arde/ e cunha a minha face/ na letra-desenho/ do auto-retrato meu”. Portanto, verifica-se a rigidez de um sujeito lírico que possui a força de dar a vida, por fim, dar movimento ao mundo e que diz: “Eu fêmea-matriz/ Eu força-motriz/ Eu-mulher”.
Ao posicionar-se como negra e ao fazer literatura com cariz afro-brasileiro, torna-se inevitável apresentar temas que não integram o cânone e são excluídos por ele, tal como a denúncia do racismo presente em nossa sociedade que a ordem estabelecida insiste em negar e persiste com a mentira de que vivemos em uma democracia racial. Os poemas de Evaristo invocam este e outros assuntos referentes ao nosso cotidiano de cidadão negro e o poema “Meu Rosário” é um excelente exemplo por tratar da religiosidade híbrida brasileira – “Nas contas de meu rosário eu canto Mamãe Oxum e falo/ padres-nossos, ave-marias” –, a discriminação permanente que o negro é submetido em uma cerimônia cristã – “As coroações da Senhora, em que as meninas negras,/ apesar do desejo de coroar a Rainha,/ tinham de se contentar em ficar ao pé do altar/ lançando flores” –, escancara o subemprego dos nossos pares – “As contas do meu rosário fizeram calos/ nas minhas mãos/ pois são contas do trabalho na terra, nas fábricas,/ nas casas, nas escolas, nas ruas, no mundo”. Entretanto, permanecem os “sonhos de esperanças” e a transformação do verbo em poesia – “E neste andar de contas-pedras,/ o meu rosário se transmuta em tinta,/ me guia o dedo,/ me insinua a poesia”.
Intertextualizando com Carlos Drummond de Andrade, para nós negros há sempre incontáveis “pedras no meio do caminho”. Para suportar e superar “a áspera intempérie/ dos dias”, necessita-se assumir “a ousada esperança/ de quem marcha cordilheiras/ triturando todas as pedras/ da primeira à derradeira”, “moldando fortalezas-esperanças” para sobreviver diante de tantas desigualdades e perseguições ao nosso povo, principalmente aos jovens, vítimas constantes da violência policial e demonstrada com sutileza pelo sujeito lírico: “E pedimos/ que as balas perdidas/ percam o rumo/ e não façam do corpo nosso,/ os nossos filhos,/ o alvo”. Fatos recorrentes que revoltam, o incômodo por séculos de opressão não segura mais a língua metamorfoseando a conjungação dos verbos: “E não há mais/ quem morda a nossa língua/ o nosso verbo solto/ conjugou antes/ o tempo de todas as dores”. Sendo assim, o sujeito lírico atua como agente de mudança da História e propõe o seu grito de liberdade: “E o silêncio escapou/ ferindo a ordenança/ e hoje o anverso/ da mudez é a nudez/ do nosso gritante verso/ que se quer livre”.
Devemos frisar que o poeta afro-brasileiro é um partícipe ativo – e por sinal, incômodo – da presença negra na literatura brasileira, assim como possui plena consciência da necessidade de uma revisão crítica da História oficial que minimiza o passado de séculos de escravidão e a exclusão social que se perpetua para a maioria de nossos pares na contemporaneidade. Só resta ao sujeito lírico cumprir seu papel e assumir essa condição, ou seja, denunciar “o que os livros escondem,/ as palavras ditas libertam. E não há quem ponha/ um ponto final na história”.
Com isso, os poemas de Conceição Evaristo possuem o predomínio temático das diversas e urgentes questões afro-brasileiras e também da mulher, todavia, sua poesia navega com desenvoltura pela metapoética, demonstrando reverência ao verbo poético, transbordando lirismo e emocionando as retinas: “Quando eu morder/ a palavra,/ por favor/ não me apressem,/ quero mascar,/ rasgar entre os dentes,/ a pele, os ossos, o tutano/ do verbo,/ para assim versejar/ o âmago das coisas”.
E é assim “crivando buscas/ cavando sonhos/ aquilombando esperanças/ na escuridão da noite” e cosendo “a rede/ de nossa milenar resistência” que a poesia de Conceição Evaristo insiste na defesa inquestionável dos negros, persiste com as denúncias às condições discriminatórias sofridas por nós e amadurece em sua estrutura estético-formal. “Poemas da recordação e outros movimentos” mostram um verbo depurado de uma autêntica artífice da linguagem, marcando a sua posição destacada na construção de uma literatura afro-brasileira autônoma, para além de configurar a inclusão do nome de Conceição Evaristo entre o que vem sendo produzido de melhor qualidade na literatura brasileira contemporânea.
Literacia e a Semana da Consciência Negra
Prezados(as),
No Literacia compareço com duas resenhas de livros de escritores afrobrasileiros, Cuti e a antologia poética Negroesia, e Conceição Evaristo com o seu Poemas de Recordação e outros movimentos. A seguir, o informe da revista.
Abraços,
Ricardo Riso
Caros Amigos de Literacia,
O Dia da Consciência Negra é uma forma de lembrar o sofrimento dos negros ao longo da história, desde a
época da colonização do Brasil, tentando garantir seus direitos sociais.
O Dia da Consciência Negra também é marcado pela luta contra o preconceito racial, além de temas como mercado de trabalho, discriminação política, etnias,e homenagens aos negros que se destacaram na construção de nossa História.
Nesta Semana da Consciência Negra, publicamos artigos, ensaios, resenhas e teses, que julgamos merecem leitura atenta e reflexiva , tais como:
I.*Zumbi dos Palmares, o maior ícone da resistência negra ao escravismo no Brasil [Registros Históricos]
II.*A importância do Negro -Teodoro Sampaio-[Engenheiro , Geógrafo e Historiador Brasileiro]
III.*Diferentes na cor, iguais em OPORTUNIDADES?-por Sonia Regina Lourenço
IV.*Carolina Maria de Jesus-Favelada,Escritora, publicou seu primeiro livro Quarto de Despejo em 1960. [Obra que foi traduzida para 13 idiomas]
V.*Conceição Evaristo – Poemas da recordação e outros movimentos- por Ricardo Riso
VI.*Cuti – compromisso com a afirmação da consciência negra na poesia afro-brasileira- por Ricardo Riso
VII.*Negrice- por Lilian Maial
Ler em: http://literaciaracismoecrime.blogspot.com/
anadeabrãomerij
[Literacia]
No Literacia compareço com duas resenhas de livros de escritores afrobrasileiros, Cuti e a antologia poética Negroesia, e Conceição Evaristo com o seu Poemas de Recordação e outros movimentos. A seguir, o informe da revista.
Abraços,
Ricardo Riso
Caros Amigos de Literacia,
O Dia da Consciência Negra é uma forma de lembrar o sofrimento dos negros ao longo da história, desde a
época da colonização do Brasil, tentando garantir seus direitos sociais.
O Dia da Consciência Negra também é marcado pela luta contra o preconceito racial, além de temas como mercado de trabalho, discriminação política, etnias,e homenagens aos negros que se destacaram na construção de nossa História.
Nesta Semana da Consciência Negra, publicamos artigos, ensaios, resenhas e teses, que julgamos merecem leitura atenta e reflexiva , tais como:
I.*Zumbi dos Palmares, o maior ícone da resistência negra ao escravismo no Brasil [Registros Históricos]
II.*A importância do Negro -Teodoro Sampaio-[Engenheiro , Geógrafo e Historiador Brasileiro]
III.*Diferentes na cor, iguais em OPORTUNIDADES?-por Sonia Regina Lourenço
IV.*Carolina Maria de Jesus-Favelada,Escritora, publicou seu primeiro livro Quarto de Despejo em 1960. [Obra que foi traduzida para 13 idiomas]
V.*Conceição Evaristo – Poemas da recordação e outros movimentos- por Ricardo Riso
VI.*Cuti – compromisso com a afirmação da consciência negra na poesia afro-brasileira- por Ricardo Riso
VII.*Negrice- por Lilian Maial
Ler em: http://literaciaracismoecrime.blogspot.com/
anadeabrãomerij
[Literacia]
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Conceição Evaristo - Ponciá Vicêncio (excerto)
"Um dia o coronelzinho, que já sabia ler, ficou curioso para ver se negro aprendia os sinais, as letras de branco e começou a ensinar o pai de Ponciá. O menino respondeu logo ao ensinamento do distraído mestre. Em pouco tempo reconhecia todas as letras. Quando sinhô-moço se certificou de que o negro aprendia, parou a brincadeira. Negro aprendia sim! Mas o que negro ia fazer com o saber de branco? O pai de Ponciá Vicêncio, em matéria de livros e letras, nunca foi além daquele saber."
(EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2003)
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Conceição Evaristo - "Poemas da recordação e outros movimentos"
A Kitabu Livraria Negra e a Nandyala Livraria e Editora, convidam para o lançamento:
"Poemas da recordação e outros movimentos"
de Conceição Evaristo
(autora de Ponciá Vicêncio e Becos da Memória)
"Poemas da recordação e outros movimentos"
de Conceição Evaristo
(autora de Ponciá Vicêncio e Becos da Memória)
Data: 30/10/2008
Horário: 19:00
Local: Kitabu Livraria Negra
End: Rua Joaquim Silva, 17 - Lapa
E-mail enviado pela Kitabu - Livraria Negra em 26 de outubro, às 19h48.
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