Terça-feira, 7 de Julho de 2009

FESTLIP - Mar me quer (Grupo Tijac - Moçambique/Ilhas Reunião)

Bela montagem de texto de Mia Couto cativa o público

Por Ricardo Riso

Transpor para o teatro o universo literário extremamente particular e inovador de Mia Couto não é uma tarefa simplória, exige de quem resolve encarar tal desafio, um profundo mergulho nos vários aspectos intangíveis trabalhados em sua escrita, tais como: a memória, o sonho, o tempo, o animismo africano e a sua criativa maneira de subverter a língua portuguesa, criando um “português moçambicano”. E é dentro desta experiência com a oralidade que Mia desfila a sua genialidade ao inverter provérbios, modificar a sintaxe etc.

Fruto de uma parceria banhada pelo Índico, “Mar me quer” alia o diretor das Ilhas Reunião Mickael Fontaine, o músico Matchume e um afinado elenco de atores moçambicanos, para encenar a história de Zeca Perpétuo e Dona Luarmina. Os dois moram à beira do mar, solitários. Ela, desfolhando uma flor invisível e querendo esquecer o passado quer ouvir as histórias de Zeca, enquanto este evita falar do seu passado e tenta conquistá-la de diversas maneiras sem obter sucesso. A memória tenta ser esquecida, ambos não desejam revelar o outrora que coincide com a violenta guerra civil do país. Os segredos do nebuloso passado são revelados a partir do momento que surgem as inserções do pai e do avô de Zeca Perpétuo e de um narrador. Assim, começamos a compreender que a história de Zeca e Luarmina vão se entrelançando.

A pluralidade cultural moçambicana está presente no texto, identificada nas três gerações dos Perpétuos. Seu avô representa o negro, apegado ao chão e às tradições; o pai assimila-se e procura aproximar-se da cultura do branco invasor, condição que será cobrada pelos antepassados o deixando cego e com os olhos azulados se tornando um adivinho que passa a ser procurado pelos pescadores. Enquanto Zeca sofre o conflito de viver entre culturas opostas – a negra e a branca do colonizador –, pois foi criado por um padre e em meio a livros, mas que busca o mar e a rede de pesca com a mesma constância que se afasta dos livros. Já a senhora Luarmina é uma mestiça, a mescla de raças que formam a nação moçambicana.

Diante dos conflitos entre tradição e modernidade, além da presença da memória, dos sonhos esgarçados e de certo mistério comuns na prosa coutiana, a direção da peça encontrou soluções cênicas interessantes e criativas que enriqueceram a narrativa bela e pungente. Sábia e caprichada a presença da música de Matchume, aliando tambores e sons eletrônicos sem jamais sobrepor as vozes dos autores. A presença constante do vídeo a pontuar os esgarçamentos da memória da velha Luarmina, simbolizados por um corredor interminável e vazio, ou a visão do mar e os momentos de fuga de Zeca Perpétuo fechando-se naquilo que quer encobrir. Os momentos de tensão e de presença do avô de Zeca são encenados dentro de uma tela circular em que ora o jogo de luz demarcar o ator, ora são as suas mãos e o seu rosto de encontro à tela a demonstrar os conflitos que passam os personagens. A iluminação do cenário, com destaque para a forte cor azul, também capta com bastante sutileza as passagens e tensões vivenciadas.

A atuação do elenco é segura, sem maiores sobressaltos, o que valoriza e reverencia a força do texto de Mia Couto. Zeca Perpétuo e Dona Luarmina são representados sem exageros, discretos e simples, angustiados com seus conflitos internos, de encarar seus medos, rever seus erros, de liberar a palavra e revelar o que está dentro de si. Daí a opção de Luarmina em refugiar-se na escolha de seu futuro (bem-me-quer / mar-me-quer) desfolhando as pétalas de flores invisíveis, enquanto Zeca Perpétuo escuta os gritos insistentes das gaivotas. Já o narrador possui a sobriedade e a serenidade necessária para pontuar os acontecimentos.

“Mar me quer” encenado pelo Grupo Tijac (Moçambique/Ilhas Reunião) convence por saber traduzir os aspectos essenciais do texto de Mia Couto, gratifica pela leveza de como os assuntos são tratados, por respeitar o sonho e, principalmente, por nos fazer refletir, a partir das tensões de Zeca Perpétuo e Luarmina, a maneira como encaramos nossos conflitos internos, nossos medos, os segredos sombrios que nos atormentam, que tentamos ocultar e esquecer, por conseguinte, travam a nossa evolução. “Mar me quer” fascina e emociona pela bela montagem, pelo final surpreendente como o é em todos os textos de Mia Couto. “Mar me quer” é uma peça obrigatória, naturalmente.


Última apresentação: 11/07 – 19h – Sesc Ginástico
Ficha Técnica:
Texto: Mia Couto
Adaptação e Direção: Mickael Fontaine
Elenco: Branquinho Adelino, Graça Silva, Leonardo Nhavoto e Zango Candido Salomão
Duração: 01:00h
Música: Matchume
Técnico: Hassan Aboudakar

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

FESTLIP - Psycho (Cia. de Teatro Solaris - Cabo Verde)

Psycho – texto complexo desnuda as inquietações que afligem a mulher

por Ricardo Riso

Começou o segundo FESTLIP (http://www.talu.com.br/festlip/index_home.htm), evento que merece se firmar no calendário cultural carioca com a pertinente proposta de unir companhias dos países de língua portuguesa, logo, trata-se de uma ótima oportunidade para conhecer os trabalhos realizados por grupos teatrais africanos. Esta edição motiva os apreciadores das literaturas africanas de língua portuguesa por trazer três encenações inspiradas em textos de nomes fundamentais dessas literaturas: “Mar me quer” do moçambicano Mia Couto, “No inferno” do cabo-verdiano Arménio Vieira e “Sobreviver no Tarrafal” do angolano Antonio Jacinto.

No segundo dia do evento optei pela peça “Psycho” da Cia. de Teatro Solaris (Cabo Verde). A Solaris apresentou uma montagem ousada e criativa, com parcos recursos, carregada de experimentalismos diante de um texto complexo e intrigante proposto a discutir temas que angustiam o homem contemporâneo encurralado em um mundo opressor, insensível e devorador daquele que se atreve a questionar a ordem estabelecida.

A partir de três fobias – à sujeira, à multidão e ao sexo –, duas mulheres (as atrizes Lucilene Mota e Milanka Vera Cruz) desnudam suas inquietações em um texto verborrágico, tenso e intenso. Incômodo que se estende ao simples, “estranho” e funcional figurino, a remeter a alienígenas, demonstrando o desconforto do mundo ao qual vivem.

A inventividade do cenário também é um grande acerto da Companhia, percebe-se o belo aproveitamento das atrizes com os poucos elementos que o compõe e sem referência a um local específico, sendo que o uso incessante de uma escada e os malabarismos feitos ali pode causar um certo desconforto ao espectador que fica na iminência de um acidente com as atrizes. Uma boa analogia ao desassossego e ao tom nevrálgico que o texto incita. Além disso, a atuação das atrizes espalha-se pelo corpo do teatro a buscar interatividade com a plateia.

Do texto, inferimos a importância dada à condição da mulher cabo-verdiana. Seus anseios, medos, dúvidas e angústias são escancarados em uma sociedade repressora a ostentar um machismo exacerbado, que renega a mulher a um patamar inferior no meio em que vive, sendo forçada a se submeter aos caprichos do(s) homem(ns). Isso confere ao texto um caráter universal, pois trata de situações comuns às mulheres de todo o mundo. Tal inquietação e indignação à violência sofrida pela mulher é um tema recorrente nas artes de Cabo Verde, constatado na literatura do país em escritoras como Dina Salústio e Vera Duarte que denunciam essas moléstias em suas obras.

“Psycho” é um espetáculo consistente, denso e instiga o espectador a refletir sobre o que é imposto à mulher. Um belo trabalho da Companhia de Teatro Solaris e das atrizes Lucilene Mota e Milanka Vera Cruz, que se entregam com fervor a tanta exigência corporal em tão difícil texto.

A próxima e derradeira apresentação de “Psycho” será no dia 09/07, no Sesc Tijuca.

Para encerrar, um poema de Vera Duarte para celebrar o bom trabalho da Solaris.


Psycho – Cia. de Teatro Solaris
Ficha técnica
Texto / Concepção: Valódia Monteiro
Direção / Encenação: Herlandson Lima Duarte
Elenco: Lucilene Mota e Milanka Vera Cruz
Duração: 50 min
Cenografia: Herlandson Lima Duarte/ Nuno Costa
Figurino: Lucilene Costa / Milanka Vera Cruz
Iluminação: Edson Fortes


MOMENTO XII
(século vinte, um dia incerto de um tempo de mágoas)

Como diria o poeta, choro da dor de me saber mulher feita não para amar mas para ser amada. Choro porque sou e amo. E esterizam-me as forças. Uma melancolia sem princípio nem fim possui-me e quedo-me impotente.

Um súbito regato de águas claras inundara-me. Dei-me sorrindo. Mas as águas avolumaram-se e senti perder-se a minha alma.

Por isso choro. Por me saber mulher e não poder amar. Contudo amo. E na solidão meus soluços se sucedem em canção desesperada.

Sinto-me escravizada, tiranizada, violentada. E meu ser nascido livre se revolta. Na impotência se mata. Quem depois se acusará?

Por isso quero desvendar os universos proibidos e purificar-me. Penetrar nos bastidores da minha condição humana e lutar contra os preconceitos e a opressão que castram. Desprezar, com ódio acumulado, os fariseus da minha história e voar, na plenitude do meu ser nascido livre, de encontro às aspirações da alma.

(DUARTE, Vera. Amanhã Amadrugada. Lisboa: Vega, 1993. p. 40)

UMOJAH: WORKSHOPS - TIMBILA E PERCUSSÃO MOÇAMBICANA NA MARACATU BRASIL


Olá a todos, salve!

Estou divulgando os workshops que serão oferecidos pelo músico moçambicano Matchume Zango da Orquestra Timbila Muzimba, no Rio de Janeiro nos próximos dias 09/07 e 12/07.

Ele é o músico que recebeu a mim e ao UMOJAH em nossa visita à Moçambique, durante fevereiro e março desse ano, e foi grande sua ajuda nas pesquiass de campo sobre a música tradicional do povo Chope de moçambique, além de ser um grande amigo.

Também aproveito pra divulgar a peça "Mar Me Quer", na qual ele faz a música ao vivo, e que representa a delegação e Moçambique e Ilhas Reunião no Festlip (Festival de Teatro da Língua Portuguesa). O texto é de Mia Couto, o autor homenageado do festival, e vai ser apreentado nas duas datas (mas infos www.festlip.com):

05/07 - 20hs Sesc Tijuca

11/07 - 19hs Sesc Ginástico (Entrada Franca - chegar 30min antes para pegar a senha)

Warethwa!

André Sampaio

Workshops: Timbila e Percussão Moçambicana
Com Matchume Zango – Orquestra Timbila Muzimba

A Timbila,instrumento declarado patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO,é o nome genérico que se dá a um tipo de marimba da região de Zavala em Moçambique, tocado tradicionalmente pelo povo Chope.

Os Workshops visam proporcionar aos participantes de todas as idades um contato muito próximo com a cultura popular moçambicana, aproveitando a presença no Brasil do músico Matchume Zango, membro fundador da Orquestra Timbila Muzimba,compositor musical e fabricante de instrumentos tradicionais e modernos.

Local: Maracatu Brasil - Rua Ipiranga, 49 - Laranjeiras

Dia 09/07/09 Quinta-Feira às 20hs
Dia 12/07/09 Domingo às 16hs
Investimento : 1 Dia R$ 30,00 / 2 Dias R$ 50,00


Informações: (21) 2557-4754 / (21) 9444-4773 (André)
email: coletivo.umojah@gmail.com

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Imagens Abensonhadas (inspiradas em Estórias Abensonhadas, de Mia Couto), por Ricardo Riso

Procurei expressar meu encantamento com os trabalhos abaixo após a leitura dos contos de Estórias Abensonhadas, livro do moçambicano Mia Couto, e aqui compartilho com vocês.
A série Imagens Abensonhadas ainda está em construção, postarei outros trabalhos no futuro.

Ricardo Riso



"com o fato para celebrar a paz moçambicana" (conto "Chuva: a abensonhada") - série "Imagens Abensonhadas" - livre interpretação dos contos de "Estórias Abensonhadas", do escritor moçambicano Mia Couto) -Ricardo Riso - fotografia digital - 06/05/2009


Nãozinha de Jesus, Só se for lá no último canto (conto "O adeus da sombra") - série "Imagens Abensonhadas" - livre interpretação dos contos de "Estórias Abensonhadas", do escritor moçambicano Mia Couto) - Ricardo Riso - arte digital - 01/2007



Ver com o olhar dos amantes, para além dos vários firmamentos (ao casal Estrelinho e Infelizmina) - (conto "O cego Estrelinho", série "Imagens Abensonhadas" - livre interpretação dos contos de Estórias Abensonhadas, do escritor moçambicano Mia Couto) - aquarela - 40,2 x 30,3 cm - 30/04/2009



capa de "Percorrendo um caminho que dispensa toda bandeira" (conto "O poente da bandeira") - série "Imagens Abensonhadas" - livre interpretação dos contos de Estórias Abensonhadas, do escritor moçambicano Mia Couto) -Ricardo Riso - Aquarela, pastel oleoso, estopa e madeira - 39,7 x 23,6 cm - 05/05/2009



parte interna de "Percorrendo um caminho que dispensa toda bandeira" (conto "O poente da bandeira") - série "Imagens Abensonhadas" - livre interpretação dos contos de Estórias Abensonhadas, do escritor moçambicano Mia Couto) -Ricardo Riso - Aquarela, pastel oleoso, estopa e madeira - 39,7 x 23,6 cm - 05/05/2009



pintura interna de "Percorrendo um caminho que dispensa toda bandeira" (conto "O poente da bandeira") - série "Imagens Abensonhadas" - livre interpretação dos contos de Estórias Abensonhadas, do escritor moçambicano Mia Couto) -Ricardo Riso - Aquarela, pastel oleoso, estopa e madeira - 39,7 x 23,6 cm - 05/05/2009

AFRO CORPOREIDADE: Ritmo-Som-Movimento-Cultura Afro (blog)

AFRO CORPOREIDADE: Ritmo-Som-Movimento-Cultura Afro -
http://afrocorporeidade.blogspot.com

Este é o blog da amiga Denise Guerra que trata de temas relacionados à cultura corporal/corporeidade advindas das matrizes africanas, incluindo suas diásporas. Denise é graduada em Musicoterapia e em Educação Física, com especialização em Psicomotricidade, e em Cultura africana e afro-brasileira. É membro do corpo editorial da revista África e Africanidades – www.africaeafricanidades.com, e assina a coluna: Corpo: Som e Movimento.
Ricardo Riso

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Ondjaki na FLIP 2009



Fonte: e-mail enviado em 1 de julho de 2009, às 18:09, por Carolina Casarin, da Editora Língua Geral. Rua Jardim Botânico, 600/ 502 - Rio de Janeiro - RJ22461-000tel.: (21) 2279-6184 (21) 9398-8649
www.linguageral.com.br

Coleção Sankofa 3 e 4 - lançamento e mesa-redonda/Livraria Kitabu



Festlip – Festival de Teatro da Língua Portuguesa – 2009 (2 a 12/07/2009)


O Festlip – Festival de Teatro da Língua Portuguesa – 2009 (http://www.festlip.com/) acontecerá entre os dias 2 e 12 de julho na cidade do Rio de Janeiro. Na sua segunda edição homenageará o escritor moçambicano Mia Couto, que ministrará palestra no dia 3 de julho com o tema ‘Metamorfose da literatura para o teatro’. Além das companhias teatrais de Brasil, Angola, Portugal, Cabo Verde, Moçambique e Guiné-Bissau, o evento contará com Mostra Gourmet, oficinas teatrais, debates e dois dias de shows no bairro da Lapa. A programação é gratuita com distribuição de senhas, exceto a mostra gourmet, os teatros são o Sesc Ginástico, o Espaço Sesc/Copacabana e o Sesc/Tijuca.

Ricardo Riso

Programação por dia – Festlip – Festival de Teatro da Língua Portuguesa - 2009

Toda a programação – com exceção da Mostra Gourmet – tem entrada franca, com distribuição de senhas até 30 minutos antes do início da sessão. No teatro Sesc Ginástico, as senhas serão distribuídas 60 minutos antes do início da sessão.

De 2 a 31 de julho:

Mostra Gourmet – O sabor da Língua Portuguesa
Restaurante 00 Cozinha Contemporânea – Pratos especialmente criados pelo chef do restaurante, Ray Cardoso, inspirado na cultura e culinária dos países participantes do Festlip.

2 de julho (quinta-feira)

Abertura oficial do FESTLIP
19h - Teatro Sesc Ginástico
Grupo Tijac, de Moçambique, com o espetáculo “Mar me Quer”, baseado na obra de Mia Couto. Apresentação para convidados.
Entrega do Troféu Festlip - 2009 em homenagem ao premiado escritor moçambicano Mia Couto.

3 de julho (sexta-feira)
19h – Teatro Sesc Ginástico. Palestra com Mia Couto: ‘Metamorfose da literatura para o teatro’
20h – Teatro Sesc Tijuca. Peça: ‘Sobreviver no Tarrafal’, com o Grupo de Teatro Horizonte Nzinga Bandi (Angola- Luanda)
21h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Peça: ‘Uma solidão demasiado ruidosa’, com a Cia Teatral Artistas Unidos (Portugal - Lisboa)
21h30 – Espaço Sesc – Mezanino. Peça: ‘Complexo sistema de enfraquecimento da sensibilidade’, com Cia de Teatro Antro Exposto (Brasil- São Paulo)

4 de julho (sábado)
19h – Teatro Sesc Ginástico. Peça: ‘Lindos dias’, com a Cia. Teatral Primeiros Sintomas (Portugal - Lisboa)
20h – Teatro Sesc Tijuca. Peça: ‘Psycho’, com a Companhia de Teatro Solaris (Cabo Verde - Cidade de Mindelo)
21h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Peça: ‘Kimpa Vita - A Profetisa Ardente’, com o Grupo Elinga-Teatro (Angola - Luanda)
21h30 – Espaço Sesc – Mezanino. Peça: ‘O Homem ideal’, com o Grupo M'Bêu (Moçambique - Maputo)
22h – Estrela da Lapa. Festlipshow - Fidjus de Cabo Verde (Cabo Verde), Mario Lucio (Cabo Verde), Abel Duerê (Angola), Bongar – Coco da Xambá (Brasil) e DJ Falcão (Angola).

5 de julho (domingo)
19h – Teatro Sesc Ginástico. Peça: ‘Cortiços - Cia de Teatro Luna Lunera’ (Brasil – Belo Horizonte)
19h30 – Espaço Sesc – Teatro Arena. Peça: ‘No Inferno’, com o Grupo de Teatro do Centro Cultural Português de Mindelo (Cabo Verde – Cidade de Mindelo)
20h – Espaço Sesc – Mezanino. Peça: ‘Nó mama - Frutos da Mesma Arvore’, com o GTO
(Guiné Bissau - Bissau)
20h – Teatro Sesc Tijuca. Peça: ‘Mar me quer’, com o Grupo Teatral Tijac (Moçambique – Maputo com Ilha da Reunião)

6 de julho (segunda)
13h às 18h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Oficina teatral com diretor Miguel Seabra, do Teatro Meridional (Portugal)

7 de julho (terça)
13h às 18h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Oficina teatral com diretor Miguel Seabra, do Teatro Meridional – (Portugal)
20h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Mesa ‘Encenação do Teatro da Língua Portuguesa’, com os diretores participantes e mediação de Tania Brandão

8 de julho (quarta)
13h às 18h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Oficina teatral com diretor Miguel Seabra, do Teatro Meridional (Portugal)
19h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Vitrine do Teatro Carioca no Corredor Cultural da Lapa – Grupos convidados: Tá Na Rua, Teatro do Anônimo e Cia dos Atores.

9 de julho (quinta)
19h – Teatro Sesc Ginástico. Peça: ‘Cortiços, com a Cia de Teatro Luna Lunera (Brasil)
20h – Espaço Sesc – Mezanino. Peça: ‘Sobreviver no Tarrafal’, com o Grupo de Teatro Horizonte Nzinga Bamdi (Angola)
20h – Teatro Sesc Tijuca. Peça: ‘Psycho’, com a Companhia de Teatro Solaris (Cabo Verde)
21h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Peça: ‘No Inferno - Grupo de Teatro do Centro Cultural Português de Mindelo’ (Cabo Verde)

10 de julho (sexta)
19h – Teatro Sesc Ginástico. Peça: ‘Cortiços’, com a Cia de Teatro Luna Lunera (Brasil)
21h30 – Espaço Sesc – Mezanino. Peça: ‘O Homem ideal’, com o Grupo M'Bêu (Moçambique)
21h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Peça: ‘Uma solidão demasiado ruidosa’, com a Cia Teatral Artistas Unidos (Portugal)
20h – ‘Teatro Sesc Tijuca’. Peça: ‘Lindos dias’, com a Cia Teatral Primeiros Sintomas (Portugual)

11 de julho (sábado)
19h – Teatro Sesc Ginástico. Peça: ‘Mar me quer’, com o Grupo Teatral Tijac (Moçambique – Maputo com Ilha da Reunião)
21h30 – Espaço Sesc – Mezanino. Peça: ‘Complexo sistema de enfraquecimento da sensibilidade’, com a Cia de Teatro Antro Exposto (Brasil)
21h – Espaço Sesc – Teatro Arena. Peça: ‘No Inferno’, com o Grupo de Teatro do Centro Cultural Português de Mindelo (Cabo Verde)
20h – Teatro Sesc Tijuca. Peça: ‘O Homem ideal’, com o Grupo M'Bêu (Moçambique)

12 de julho (domingo)
19h – Teatro Sesc Ginástico. Peça: ‘Lindos dias’, com a Cia Teatral Primeiros Sintomas (Portugal)
20h – Espaço Sesc – Mezanino. Peça: ‘Nó mama - Frutos da mesma árvore’, com o CTO (Guiné-Bissau)
19h30 – Espaço Sesc - Teatro Arena. Peça: ‘Kimpa Vita - A profetisa ardente’, com o Grupo Elinga-Teatro (Angola)
20h – Teatro Sesc Tijuca. Peça: ‘Uma solidão demasiado ruidosa’, com a Cia Teatral Artistas Unidos (Portugal)
22h – Espaço Sesc – Mezanino: Cerimônia de encerramento - entrega do Prêmio Festlip 2009 de espetáculo revelação


Grupos teatrais participantes na programação do FESTLIP:

Portugal:
Companhia Teatral Primeiros Sintomas - Espetáculo: “Lindos Dias”, com texto de Miguel Castro Caldas e direção de Bruno Bravo.
Companhia Teatral Artistas Unidos - Espetáculo: “Uma Solidão Demasiado Ruidosa”, com texto de Bohimil Hrabal e Direção de Antônio Simão.

Moçambique:
Grupo M'BEU - Espetáculo: “O Homem Ideal”, com texto e direção de Evaristo Abreu.
Grupo Tijac - Espetáculo: “Mar Me Quer”, de Mia Couto com direção de Mickael Fontaine.

Angola:
Grupo Elinga Teatro - Espetáculo: “Kimpa Vita: A Profetiza Ardente”, com texto e direção de José Mena Abrantes.
Grupo Horizonte Nzinga Bandi - Espetáculo: “Sobreviver No Tarrafal”, com de texto Antônio Jacinto e direção de Adelino Caracol .

Guiné Bissau:
Grupo Teatro do Oprimido – Bissau GTO - Espetáculo: “Nó Mama – Frutos da Mesma Árvore”

Brasil:
Cia. Luna Lunera – Belo Horizonte - Espetáculo: “Cortiços”, concepção Cia. Luna Lunera e Tuca Pinheiro e direção de Tuca Pinheiro.
Cia. De Teatro Antroexposto – São Paulo - Espetáculo: “Complexo Sistema de Enfraquecimento as Sensibilidade”, com texto de direção de Ruy Filho

Cabo Verde:
Grupo de Teatro do Centro Cultural Português de Mindelo - Espetáculo: “No Inferno”, com texto e direção de João Branco
Companhia de Teatro Solaris - Espetáculo: “Psycho”, com texto de Valódia Monteiro e direção de Herlandson Lima Duarte

Eventos paralelos:

04 de julho (sábado)

FestlipShow

4 de julho (sábado)
22h – Estrela da Lapa
Festa musical com apresentações de músicos brasileiros e internacionais (todos os países participantes). Entrada franca. Fidjus de Cabo Verde – Cabo Verde; Mário Lucio – Cabo Verde; Abel Duerê – Angola; Bongar – Coco da Xambá – Brasil; DJ Falcão – Angola; E mais uma atração surpresa

6 a 8 de julho (segunda a quarta)
Oficina Teatral: Com o diretor português Miguel Seabra, do grupo teatral Meridional, direcionada aos atores participantes do Festlip e para estudantes de teatro como ouvintes, com entrada franca (distribuição de senhas).

7 de julho:
20h – Espaço Sesc Arena
Mesa de debates – ‘Encenação do Teatro da Língua Portuguesa’
A mesa será composta pelos diretores dos grupos teatrais participantes do Festlip, com mediação de Tania Brandão.

8 de julho:
19h – Espaço Sesc Arena
Vitrine Carioca do Teatro do Corredor Cultural da Lapa
Exposição do trabalho realizado por três grupos teatrais cariocas, Tá Na Rua, Cia. dos Atores e Teatro de Anônimo, através dos seus diretores: Amir Haddad, Enrique Diaz e João Carlos Artigos. Participação dos atores das companhias.

Informações para a imprensa:
Factoria Comunicação
Vanessa Cardoso (vanessa@factoriacomunicacao.com.br)
Pedro Neves (pedro@factoriacomunicacao.com.br)
Leila Grimming (leila@factoriacomunicacao.com.br)
(21) 2249.1598 / 2259.0409

Fonte: e-mail enviado pela idealizadora e produtora do FESTLIP, Tânia Pires, às 14h14 do dia 21/06/2009.

Sábado, 27 de Junho de 2009

José Luiz Tavares - Cidade do Mais Antigo Nome (Excertos)

CIDADE DO MAIS ANTIGO NOME (EXCERTOS)

13.

Não pediste o alimento ínvio
nos íngremes dias de infância,
nem o peso do pó regateaste
pelo lento entardecer dos anos,
embora setembro nas alturas
seja tanta luz a apascentar o verde.

Altas vozes te nomearam
impávido cordeiro do sacrifício,
mas sei que eras apenas essa criança
sobressaltada quando no horizonte
surdem velas corsárias e o céu se
despenha da rota algibeira de deus.

Por isso este abismo cavado
à flor da tua fala mansa, e as luzes
que trazes nos cabelos pulsando
como um anoitecido rebanho de estrelas.

Estes desgrenhados versos que te ofereço
agora são o viático da desforra
nos enrouquecidos pulmões da história:
tudo cabe na garganta do tempo
ou à ilharga desse sol pernalta
pastoreando as mudáveis coisas do mundo.



44.

Quanto vento arremessou a poeira
da tua solidão? Que preces se calaram
nas bocas escorchadas dos mortos?
E no entanto, donairosa envelhece a tarde
agora que os seus fulvos calcanhares
singram as várzeas derradeiras.

Demo-nos um novo começo na voz
áspera das ribeiras, nas madrugadas
de conjuras, nos tropeços destes versos
que não pedem meças às aves alquebradas
pelos langores doutros céus.

Antes do verbo já eras carne,
e corpo de rapina mercadejado no pelourinho
onde vinham bater, na voz dos negros arfando,
já não o sol das áfricas, lêveda lembrança da pátria
ancestral, mas a imorredoura noite da alma,
abismos animados pela fêvera voz do terror.

Sem a altivez dos cantadores de vozes felinas,
sou um pedinte desabrigado nos embolorados
pátios da história. E nada me pesa mais
que o olhar falcoeiro que te deitam
desde os rapaces gabinetes de fomento.



47.

Como lembrança que se insinua
na flora acesa do crepúsculo
com a alada gravidade
de um pueril deslumbramento
retrato do olvido
canção sem nome

eis-te à esquina triste do poema
branco fantasma tumultuando
a vigília nos empardecidos
pátios da história

de novo me dirás a áspera ternura
irmã da ira ou tão só a escura cinza
dos presságios trespasse dos delírios
urdidos sem paixão nem fúria

que esquecer que não seja
o que fica além do verso
oculto tremor celeste desalinho
inacessível às palavras incensárias
que um dia segredaram
com suspeitosa mansidão
um nevado país a insinuar-se
no rasto obstinado das cassiopeias
agora campo vedado
aos toldados vaticínios do futuro?



80.

«Então erguemos uma morada
junto à costa bonançosa,
sob um teto de altas nuvens»o
concluiu a voz,

«e à terra demos o nome de ribeira
grande, por mor das tumultuosas águas
que por ela descem caminho do mar.

E cumpriu-se então, aqui, nossa sina
obscura, tecida pelas inextricáveis linhas
com que se inventa uma pátria.»

E se agora te nomeio, ó senhora da melancolia,
com os rasos signos da poesia,
é porque nela vivo para a futura morte
de tantos dedos, tal essa magnificente mulher
voltejando nos soberanos pátios duma ilha
onde pulsa o calado fulgor do antigo amado rosto.


JOSÉ LUIZ TAVARES


Fonte: e-mail enviado pelo poeta às 13h54, dia 26 de junho de 2009.

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

José Eduardo Agualusa - Barroco Tropical (livro)


BARROCO TROPICAL
de José Eduardo Agualusa

Uma mulher cai do céu durante uma tempestade tropical. As únicas testemunhas do acontecimento são Bartolomeu Falcato, escritor e cineasta, e a sua amante, Kianda, cantora com uma carreira internacional de grande sucesso. Bartolomeu esforça-se por desvendar o mistério enquanto ao seu redor tudo parece ruir. Depressa compreende que ele será a próxima vítima. Um traficante de armas em busca do poder total, um curandeiro ambicioso, um antigo terrorista das Brigadas Vermelhas, um ex-sapador cego, que esconde a ausência de rosto atrás de uma máscara do Rato Mickey, um jovem pintor autista, um anjo negro (ou a sua sombra) e dezenas de outros personagens cruzam-se com Bartolomeu, entre um crepúsculo e o seguinte, nas ruas de uma cidade em convulsão: Luanda, 2020.

http://www.youtube.com/watch?v=Z7Q7bsov-I8

http://www.agualusa.info/


ISBN: 978-972-20-3822-5
Páginas: 344
Dimensões: 15,5 x 23,5 cm

Colecção: Autores de Língua Portuguesa

Ano de Edição: 2009
Encadernação: Brochado

Preço com IVA: 16.65 €
Preço sem IVA: 15.86 €

Fonte: http://www.dquixote.pt/novidades.html?page=1&q=