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domingo, 13 de março de 2011

Quatro poetas de Cabo Verde (vozes femininas) na sèrieAlfa - art i literatura

A revista catalã sèrieAlfa - art i literatura em seu número 49 (março-2011) providenciou uma justa antologia de poesia feminina de Cabo Verde. Organizada por Paloma Serra Robles, esta versão de Quatre poetes de Cap Verd (Quatro poetas de Cabo Verde) reúne Eileen Almeida Barbosa, Vera Duarte, Margarida Filipa de Andrade António Fontes e Chissana Mosso Magalhães e juntam-se ao material reunido para Quatre poetes de Cap Verd (Quatro poetas de Cabo Verde), uma pequena antologia de poesia contemporânea realizada por José Luiz Tavares e Joan Navarro, este o responsável da tradução para o catalão. Constam na antologia os nomes de Mario Lucio Sousa, Arménio Vieira, Oswaldo Osório e Valentinous Velhinho.

Para acessar a antologia clique aqui.

Fico feliz por ter colaborado neste trabalho e ajudar a levar a literatura de Cabo Verde a outras paragens.

Ricardo Riso

terça-feira, 1 de março de 2011

Quatro poetas de Cabo Verde na revista sèrieAlfa

A revista catalã sèrieAlfa - art i literatura em seu número 49 (março-2011) apresenta a matéria Quatre  poetes de Cap Verd (Quatro poetas de Cabo Verde), uma pequena antologia de poesia contemporânea realizada por José Luiz Tavares e traduzidos para o catalão por Joan Navarro. Constam na antologia os nomes de Mario Lucio Sousa, Arménio Vieira, Oswaldo Osório e Valentinous Velhinho.

Para acessar a antologia clique aqui.

Fico feliz por ter colaborado neste trabalho e ajudar a levar a literatura de Cabo Verde a outras paragens.

Ricardo Riso




* Em comentário a este blog, José Luiz Tavares esclarece que "apenas três poetas foram selecionados por mim, e os poemas foram extraídos duma antologia de 10 poetas vivos(em 2008)de Cabo Verde por mim organizada e que demora em ver a luz dos escaparates.O Valentinous declinou o nosso convite, pelo que a sua inclusão é da responsabilidade do editor da série alfa." Agradeço a informação ao poeta! 

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Oswaldo Osório – Clar(a)idade Assombrada (resenha)

Oswaldo Osório – Clar(a)idade Assombrada
Por Ricardo Riso
Resenha publicada no semanário cabo-verdiano A Nação, nº 161, de 30 de setembro de 2010, p. 11

Lançado em 1987 pelo Instituto Caboverdiano do Livro, “Clar(a)idade Assombrada” foi o terceiro livro de poesia de Oswaldo Osório, posterior a “Caboverdeamadamente construção meu amor” (1975) e “Os loucos poemas de amor e outras estações inacabadas” (1977). Merece-se frisar a estreia literária deste vate poético na histórica “Seló – página dos novíssimos” (1962), ao lado dos consagrados Arménio Vieira e Mário Fonseca.

O livro encontra-se dividido em quatro cadernos – cla(a)idade assombrada, percurso, quotidiano e a quinta estação – e reafirma as opções que motivaram a poética de Osório ao longo do tempo, logo presentes o lirismo amoroso – “força de amor que a razão não desfaz/ que houve então entre o meu ser e o ter-te?” (p. 38), as reflexões existenciais e do tempo – “agora o tempo que resta é o que rareia/ das horas consumidas na poesia” (p. 26), o compromisso inabalável ao defender os desfavorecidos – “eu/ que não deixo a minha humanindade/ num balaio furado (...) e o meu poder nisto consiste” (p. 27), entre outros; por outro lado, trata-se de uma verve poética que se distancia do telurismo fácil e de exaltações nacionalistas que adocicam olhos acomodados.

Com a certeza de quem possui uma biografia coerente e de partícipe histórico na criação de seu país independente, “em disparada na imperturbável rota/ de quem quer ser e cumprir/ o que era já tempo” (p. 15), e com a sinceridade exposta em “signo poético” desprezando a hipocrisia da ordem estabelecida, “mas os diplomas e honrarias/ manuscritas impressas a ouro ou em fino pergaminho/ neles limpará o cu”, para ainda assim ter a sapiência para “compreender o teu tempo como nenhum/ e por isso loucamente o amar” (p. 12). Posição que torna inquestionável a celebração e o otimismo recheados de comovente lirismo de “bom dia cabo verde”, o belíssimo poema para o seu país, “lugar de suor pão e alegria” (p. 17).

Para este poeta necessário, “não há lugar para o desânimo/ no peito-pulso caboverdeano” (p. 19). Abnegado, sua poesia encontra estímulo nas adversidades e o uso sucessivo do pronome possessivo em primeira pessoa pontua a certeza de sua posição: “jardineiro aguerrido é o meu nome e é assim mesmo/ cavo a terra submetendo-a ao meu suor total/ e o meu desejo dela se assenhoreia no verde que vai nascer” (p. 18).

No caderno “quotidiano” encontram-se trinta poemas numerados em forma de três tercetos com quatro versos cada, nos quais diversas temáticas são apresentadas e demonstram as constantes inquietações do poeta, tais como a veemência para manifestar-se contra o reducionismo do patrulhamento ideológico e ao fazer ácidas críticas às políticas para perpetuar a ignorância do povo: “escrever para o Povo não é falar-lhe de milho/ nem afoitar-se a uma escrita linear (...) coisas simples para o povo, porque o povo/ se umas coisas compreende outras não, então!/ Mas isso é o resultado do nível de instrução/ e do aparelho educacional e cultural” (p. 59). Assim como indagações várias de ordem ontológica: “se consumasse de ontem para hoje/ a eventualidade possível de eu não amanhecer/ como poderia dar-me conta disso/ à hora em que acordo e me levanto// faço a barba, tomo banho, beijo a Tosca? (p. 46), e a dificuldade de se fazer poesia, pois “as palavras estão gastas e envelheceram (...) Com as palavras gastas como nomear o amanhã?” (p. 72)

O derradeiro caderno é dedicado à utopia que sempre acompanhou a trajetória de Osório. Com a poesia no poder e o “trevo de esperança” (p. 79) por um amanhã fraterno e solidário, o poeta aspira por uma “manhã límpida de encher pulmões/ surpreender-te-ás com esse rio de muitos afluentes/ a nascer da minha para a tua boca” (p. 78).

“Clar(a)idade Assombrada” confirma os compromissos poéticos e sociais de Oswaldo Osório, este poeta necessário que domina a “arte de tear o sonho” (p. 68) e, generoso, oferece aos seus leitores “novos ideais novos sonhos novos amores” (p. 27).

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Oswaldo Osório – A Sexagésima Sétima Curvatura, por Ricardo Riso


Oswaldo Osório – A Sexagésima Sétima Curvatura
Por Ricardo Riso
resenha publicada no jornal A Nação (Cabo Verde) nº 139, de 29/04/2010 a 05/05/2010, página 16.
Agradecimento especial ao amigo Tchalê Figueira pela gentileza ao enviar-me este livro, ao Prof. Manuel Brito-Semedo pela troca de impressões, ao Giordano Custódio - filho do poeta - pelas belas palavras, e principalmente ao sr. Oswaldo Osório a quem dedico esta resenha com respeito e profunda admiração.

Entre as artes, a poesia possui o poder insuperável de criar imagens através da escrita dos poetas que desbravam os “mistérios da Palavra” (p. 71). Felicita-nos ler versos de quem é compromissado com o seu ofício e canta: “sei o limite da dor e o ilimitado poder das monstruosidades inverossímeis/ que escapam aos homens e o poeta exorcisa” (p. 71), mesmo quando em tempos sombrios recorre aos irmãos do Atlântico Manuel Bandeira e Jorge Barbosa: “é adiada a Estrela da Manhã/ e um destino mais impenetrável se perfila” (p. 73). Felicita-nos a conclusão da travessia dos poemas de “A Sexagésima Sétima Curvatura” (Dada Editora, 2007), novo livro do consagrado poeta da ilha de São Vicente, Oswaldo Osório.

Nome histórico e fundamental às letras de Cabo Verde, este mindelense estreou e foi um dos fundadores da célebre e de curtíssima duração “Seló – Página dos Novíssimos”, solidificou sua veia poética em títulos como “Caboverdeamadamente construção meu amor”, “Clar(a)idade Assombrada” e “Os loucos poemas de amor e outras estações inacabadas”.

Neste “A Sexagésima Sétima Curvatura” o poeta logo revela a origem do título: “acompanhei a Terra 67 vezes ao redor do sol/ de cada vez com a duração de um ano”(p. 15); e consciente da finitude do tempo, sereno afirma que “a morte não é um pesadelo de que não se recorda/ é parte de outra realidade que começa/ mais além da que termina”(p. 69), por isso “tudo o que faço agora/ é sem pressa e devagar”(p. 56), e conforta-se em palavras, acertando-se com Cronos: “Todavia o meu aturdimento não é o medo da morte/ vem do quanto fica por viajar e conhecer”(p. 15).

Osório destaca-se pela coerência política em prol da inquestionável defesa dos desfavorecidos e revolta perante as injustiças do absurdo colonialismo ao qual foi submetido viver e, por isso, combater: “quando eu nidificava/ e amando eu sonhava/ o que na terra eu plantava/ voo futuro se chamava”(p. 53). Daí a legitimidade de versar que “por um sonho ideal/ desafiei o medo”(p. 43) para lembrar àqueles que se apropriam dos ideais de quem os possui por essência: “nunca alcançarão o tamanho do sonho que sonhámos/ mas amam tirar proveito dos seus frutos”(p. 91). Sonho de “quem olha o nascer do mundo”(p. 20) para um “homem novo” (caboverdeano) (p. 19) no qual são “abertas as portas do amanhã conquistado”(p. 21). De quem fez da utopia o sentido da vida: “construí minha vida/ com muita alegria/ e rebeldia (...)// no transcurso/ sonhos/ porque se tudo não é sonho/ não tem sentido a vida/ com alegria ou rebeldia”(p. 54).

Emocionantes os versos com o desejo incondicional do poeta em promover a comunhão entre os homens, “homens de um só tronco e de um só mundo”(p. 26), “filhos de gea a nossa mátria”(p. 27), para que “talvez um dia desconstruindo saberemos/ como o mundo e nós se construíram/ e de frente com o espelho que nos reflectia enganos/ despedaçados às nossas mãos/ a realidade apareça inteira ao nosso espírito remoçado”(p. 65).

O livro foi dividido em 3 partes com poemas que vão desde os anos 1980 e apenas 1 dos anos 1970: O Tempo e o Modo, O Tempo que Passa e O Tempo e a Curvatura da Idade, sendo que neste há generosos espaços cedidos pelo poeta para que o leitor transcreva os seus pensamentos.

Portanto, “A Sexagésima Sétima Curvatura”, em razão da deficiência visual do poeta, contou com a preciosa colaboração da família de Osório e de Manuel Brito-Semedo que também prefaciou a obra. Este livro reafirma o lugar de Oswaldo Osório entre os principais nomes da literatura de Cabo Verde, confirma o seu humanismo: “nunca me seduziu o ter/ mas apaixonou-me o ser// nunca nada consegui ter/ mas sendo consegui vencer”(p. 29); e ratifica o desejo de quem escreve “para fugir à ditadura do tempo e tentar marcar a minha época cultural com a marca da minha diferença entre os meus iguais”(p. 82). Com a inabalável qualidade de sua poesia, Oswaldo Osório vence Cronos e aguardamos o muito que ele ainda tem a nos oferecer.