Mostrando postagens com marcador Movimento Kuphaluxa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Movimento Kuphaluxa. Mostrar todas as postagens

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Revolução literária moçambicana – o paradigma Movimento Kuphaluxa

Revolução literária moçambicana – o paradigma Movimento Kuphaluxa
Ricardo Riso
Texto publicado na revista moçambicana Literatas, n. 19, de 24 de fevereiro de 2012, p. 13

Quase o tempo de existência do Movimento Kuphaluxa foi o início do meu contato com alguns dos seus integrantes, dentre os quais destaco Mauro Brito e Amosse Mucavele, este já um parceiro de projetos literários.
Desde o seu início impressionou-me a determinação de seus componentes em tirar da inércia a cena literária moçambicana, ainda que diante das limitações do pequeno ambiente das letras no país, dos impedimentos que a nova geração sofre para adquirir seu espaço e obter o respeito das gerações anteriores, assim como o parco apoio financeiro e tecnológico para o desenvolvimento de seu projeto de maior ambição, a revista eletrônica “Literatas”.
Após dezoito edições, “Literatas” é hoje uma importante publicação de integração das literaturas em língua portuguesa. Um projeto ousado, a mostrar a coragem de um grupo de jovens apaixonados pela literatura e aptos a promover o fim do silenciamento comunicativo das nossas ilhas lusófonas espalhadas pelo globo terrestre. Uma manifestação literária que em sua curta duração já semeou e colheu melhores frutos do que as pífias políticas dos nossos governos e seus ministérios de cultura, o que me leva a confirmar a análise do ensaísta brasileiro Silviano Santiago acerca do “cosmopolitismo do pobre” e sua atuação como agente reprodutor de cultura e reivindicações:
No plano dos marginalizados, a crítica radical aos desmandos do estado nacional, tal como este está sendo reconstituído em tempos de globalização, não se dá mais na instância da política oficial do governo nem na instância da agenda econômica assumida pelo Banco Central, em acordo com a influência coercitiva dos órgãos financeiros internacionais. Ela se dá no plano do diálogo entre culturas afins que se desconheciam mutuamente até os dias de hoje. Seu modo subversivo é brando, embora seu caldo político seja espesso e pouco afeito às festividades induzidas pela máquina governamental (SANTIAGO, 2004, p. 61).

“Literatas” ainda apresenta-se incipiente em seu projeto gráfico e linha editorial, porém, condizente ao processo de formação literária e intelectual de seus idealizadores que procuram aprimorar a revista a cada edição. Minha única ressalva se dá para a ausência de representantes da literatura negro-brasileira, pois com a integração de seus partícipes em suas páginas, visto que esses escritores são invisibilizados por aquilo que se considera como literatura brasileira, a comunidade lusófona teria outra dimensão da pluralidade da produção literária do Brasil.
Para finalizar, minhas congratulações para este coletivo moçambicano que concretiza um novo paradigma para o intercâmbio das literaturas em língua portuguesa.
Longa vida à revista “Literatas” e ao Movimento Kuphaluxa!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Festival Literário de Maputo 2011

UMA INICIATIVA DO MOVIMENTO KUPHALUXA.
http://festivalliterariodemaputo.blogspot.com/

Maputo será palco de debates literários e palestras que juntarão Governo, escritores, docentes de literatura e de língua portuguesa, artistas musicais e jornalistas, numa iniciativa denominada “Semana Literária”, levada a cabo pelo Movimento Literário Kuphaluxa, na semana em que comemora o seu segundo aniversário de criação. A decorrer nos dias 09, 12 a 16 de Dezembro em curso, o evento visa igualmente marcar o início das acções rumo à realização daquela que será a primeira Festa Literária de Maputo, e acontece no Centro Cultural Brasil – Moçambique em Maputo, entre as 17 e 20 horas.


Durante seis dias, cerca de nove temas serão debatidos seis temas, proferidas duas palestras e uma conversa lírica, a terminar com um sarau cultural intitulado “A encarnação do verbo”, para marcar a festa dos dois anos do movimento. A “Semana Literária” vai começar debatendo as questões do Livro como património e base de construção sociocultural, no dia 09 de Dezembro (sexta-feira) as 18 horas, pelos ministérios da Educação e da Cultura, Celso Muianga da editora Ndjira e a Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), com a moderação do filósofo, escritor, crítico literário e docente universitário, António Cabrita.

Segunda-feira, dia 12 de Dezembro, as 17 horas, será a ver do tema “A organização dos escritores e o seu papel para a construção de um Moçambique Literário” a ser debatido pelo Secretário-geral da AEMO, Jorge de Oliveira e pelo escritor, Juvenal Bucuane. No mesmo dia, as 18 e 30, os jornalistas e linguistas, vão debater, as páginas culturais e a abordagem dos assuntos literários, num debate a contar com três painelistas, nomeadamente, Policáripio Mapengo, jornalista do grupo SOICO (O País e Stv), Nélio Nhamposse, escritor e revisor linguístico, Rogério Guambe, linguista e director da Rádio Cidade em Maputo.

O actual estágio da Literatura Moçambicana e o surgimento de novos autores estará em discussão num debate encabeçado pelo escritor e docente de literatura moçambicana na Universidade Eduardo Mandlane, Lucílio Manjate, AEMO e pela editora Ndjira, na terça-feira, dia 13 de Dezembro as 17 horas.

Já no dia seguinte, quarta-feira, 14 de Dezembro, a escritora Ana de Sousa Baptista na companhia do escritor, docente universitário e membro da comissão nacional do Instituto Internacional de Língua Portuguesa, Calane da Silva, vão reflectir sobre “as vantagens e desvantagens da ratificação do Acordo Ortográfico para a Literatura de língua portuguesa”, as 17 horas. As 18 e 30 do mesmo dia, os escritores Élio Martins Mudender e Alex Dau, vão orientar uma palestra sobre “o ser escritor, o que escrever e para quê escrever”.

Quinta-feira, 15 de Dezembro, será a vez das mulheres. As escritoras Emmy Xyx e Rinkel, vão debater o espaço que as mulheres ocupam na literatura moçambicana, com a moderação da ensaísta e docente universitária, Sara Jonas, seguindo do tema “Revistas Literárias – a nascente dos escritores moçambicanos”, orientado por Pedro Chissano, que versará sobre a revista Charrua, Aurélio Furdela versará sobre a revista Oásis e por último Eduardo Quive, vai falar sobre a revista Literatas.

A ENCARNAÇÃO DO VERBO

Sexta-feira, dia 16 de Dezembro, os ânimos da Semana Literária vão centrar-se, primeiro, numa Conversa Lírica intitulada “Ritmo, Arte e Poesia” com o rapper do agrupamento Xitiku ni Mbaula, Dinguizuay e pelo poeta, Sangare Okapi as 16 horas. Já ao anoitecer, será a vez do esperado sarau cultural “A Encarnação do Verbo” a ser abrilhantada por declamadores e leitores do Movimento Literário Kuphaluxa, entre representações teatrais, com a música a cargo do jovem músico Dudas Aled. Uma verdadeira noite de exaltação dos novatos e encerramento das actividades do ano 2011, em dias em que o Kuphaluxa regista os dois anos de existência.

A NOMEAÇÃO DE MEMBROS HONORÁRIOS

Marca a celebração dos dois anos do Kuphaluxa, a nomeação de membros honorários da agremiação, a figuras da literatura moçambicana e lusófona que contribuíram para o crescimento da mesma. Entre os honrados, já são conhecidos como nomeados os escritores Rubervam Du Nascimento de Piauí, Brasil, que neste ano, na sua visita a Moçambique pela primeira vez, realizou diversas actividades com o movimento e a destacar, a doação de 50 livros da sua autoria. Ainda do Brasil, as escritoras, Ana Rüsche, e Luana Antunes Costa, integram essa lista, acompanhados pela escritora Lurdes Breda de Portugal. Ana Rusche, também deslocou-se a Maputo pela primeira vez e durante quatro dias realizou várias actividades com o Movimento Literário Kuphaluxa, além de ter trazido na sua bagagem, vários livros para oferecer ao movimento, a escolas e à Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO). Será a primeira vez que o Kuphaluxa vai anunciar oficialmente a nomeação de membros honorários, numa altura que só o escritor Calane da Silva tinha esse título.