domingo, 15 de maio de 2011

PALESTRA E LANÇAMENTO DE "CABO VERDE: ANTOLOGIA DE POESIA CONTEMPORÂNEA"

DIA 19 de maio, às 19h, no Campus Millôr Fernandes - Universidade Estácio de Sá/Rio de Janeiro, ministrarei a palestra para os alunos do curso de Letras: A POESIA DE CABO VERDE. Na sequência haverá o lançamento de “Cabo Verde: antologia de poesia contemporânea”, de Ricardo Riso (Organizador).


Ano III, nº 13 – maio de 2011 – ISSN 1983-2354

CABO VERDE: ANTOLOGIA DE POESIA CONTEMPORÂNEA
António de Névada – Carlota de Barros – Danny Spínola – Dina Salústio – Filinto Elísio – José Luis Hopffer C. Almada – Margarida Fontes – Maria Helena Sato – Mario Lucio Sousa – Oswaldo Osório – Paula Vasconcelos – Vasco Martins – Vera Duarte


ILUSTRAÇÕES
Abraão Vicente e Mito Elias

ORGANIZAÇÃO
Ricardo Riso

Campus Millôr Fernandes - Universidade Estácio de Sá
Rua Dias da Cruz, 255/3º piso - Méier (Shopping Méier)

7 comentários:

Tchale Figueira disse...

Caro Ricardo:A poesia da Vera Duarte merece estar nesta antologia? Aliás, ha uma brincadeira entre o pessoal que rima assim: POESIA DA VERA É BERA!!!!

Mesmo assim respeito a sua escolha.

Abraço.

Ricardo Riso disse...

Meu amigo Tchale, a obra de Vera Duarte é uma das mais estudadas entre os pesquisadores brasileiros no que diz respeito à literatura cabo-verdiana. Por isso não poderia deixá-la de fora.
Além disso, penso que os bons momentos poéticos encontram-se em "Amanhã Amadrugada", mais precisamente nos cadernos poéticos e momentos, tanto que os poemas selecionados são quase todos deste livro. Nas publicações seguintes há uma queda acentuada e que se torna gritante no "Preces e súplicas...".
Abraços,
Ricardo Riso

Anônimo disse...

Concordo consigo, Ricardo. O melhor que encontro em Vera Duarte está no “Caderno II” de Amanhã Amadrugada (e lamento que a autora não tenha prosseguido ou retomado essa via). Mas talvez um dos méritos das antologias esteja precisamente nas discussões que podem gerar, e era isso que gostava que acontecesse aqui. Pegando no primeiro argumento que o Ricardo apresenta em defesa de Vera Duarte – a sua obra “é uma das mais estudadas entre os pesquisadores brasileiros” –, perguntar-lhe-ia: os poemas lidos pelos/as investigadores/as brasileiros/as são estes, em prosa, ou os outros, que concordamos em considerar inferiores? O que estou a tentar dizer é que, provavelmente, a relevância de Vera Duarte, aqui discutida como exemplo, tem menos que ver com a qualidade da sua poesia do que com os valores (éticos, sociais, políticos…) que nela muitos/as têm pretendido ler. Eu não discuto, ou melhor, não me oponho à existência de uma crítica regida por tais critérios, como é evidente; apenas me parece que eles devem ser assumidos. (Assim, muitos/as dirão que a presença desses valores também constitui “qualidade” poética…). Suponho, ainda por exemplo, que o facto de o Ricardo ter incluído seis nomes femininos na sua antologia pretende responder a essa condição histórica que dificultou, até há poucos anos, a afirmação das mulheres na literatura cabo-verdiana… Foi assim? Um abraço e parabéns pelo seu trabalho!(Rui Guilherme)

Ricardo Riso disse...

Olá, Rui! Tudo bem?
Antes de mais agradeço as suas reflexões, a força e o debate proposto.
A sua observação a respeito da obra de Vera Duarte é pertinente. Percebo, no caso brasileiro e inevitável concordar com o senhor, que o valor estético fica em segundo plano frente à atuação da poetisa na defesa dos valores éticos e sociais. Logo, atribui-se uma fortuna crítica de forma excessiva aos poemas posteriores àqueles em prosa, pelo menos no meu entendimento. Há por aqui certo apreço pelo “choralutismo” em defesa do gênero, assim como considero um tanto ultrapassada a visão de defesa intransigente dos desfavorecidos. Postura que seria válida se fosse reformulada e não o resgate apresentado por Duarte, e que ainda assim fica distante dos ótimos momentos do passado atingidos por Mário Fonseca e Ovídio Martins, apenas para citar alguns.
Por causa da realidade dos estudos brasileiros, concentrando a poesia de autoria feminina contemporânea em pouquíssimos nomes, decidi questionar o cânone e procurei priorizar a inclusão de outras vozes femininas na antologia. Carlota de Barros e Maria Helena Sato, já com obras consolidadas, e Margarida Fontes e Paula Vasconcelos ainda buscando os seus espaços, apresentam propostas temáticas e estéticas diferenciadas e torço para que estimulem a atenção dos pesquisadores brasileiros. Essa foi a minha proposta e espero ter prestado uma pequena contribuição para a ampliação dos nomes da literatura cabo-verdiana no Brasil.
Grandíssimo abraço,
Ricardo

PS: há uma outra antologia em vista para a revista on line “Laboratório de Poéticas”, mas que ainda aguardo o aceite. Essa é de menor fôlego, estão incluídos José Luis H. Almada, José Luiz Tavares, Mario Lucio Sousa e Filinto Elísio.

PS2: Na próxima edição da revista África e Africanidades será publicada “Moçambique Hoje: Antologia da Novíssima Poesia Moçambicana”, com a participação de Rogério Manjate, Alex Dau, Chagas Levene, Sangare Okapi, Manecas Cândido, Mbate Pedro, Tânia Tomé, Andes Chivangue, entre outros.

Anônimo disse...

Olá, Ricardo! Obrigado pelas suas explicações. A sua referência a Mário Fonseca e Ovídio Martins, neste contexto, parece-me muito importante, pelo que sugere sobre a possibilidade de articular esse “compromisso social” (que o nosso tempo económico, também aqui na Europa, teima em manter actual…) com a novidade elocutória que pedimos à poesia, não é? Quanto às “consolidadas” Carlota de Barros e Maria Helena Sato… Viu há dias, no Expresso das Ilhas, o texto do José Luis Hopffer sobre a primeira? Pode ser erro meu, mas pareceu-me que os assuntos escolhidos pelo apresentador são representativos do que pode ou não interessar num livro de poesia: e por estranho que possa parecer, às vezes os poemas não são mais importantes do que aquilo que os envolve (na língua, na biografia, no sistema literário…). E precisamente, o caso de Maria Helena Sato parece-me interessante também pelo que revela do sistema literário cabo-verdiano, hoje perfeitamente apto a apropriar-se daqueles a quem Manuel Ferreira chamava os “poetas das sete partidas”. Não acha o Ricardo que, por exemplo, um Euricles Rodrigues ou, com melhores resultados, o Mário Lúcio de Para nunca mais falarmos de amor prepararam as condições de recepção de Maria Helena Sato? (E não estou, voluntariamente, a questionar a qualidade dos seus poemas). Para terminar, gostava apenas de lhe deixar um texto de Pires Laranjeira que fala de Lay Lobo (p. 18-20) e de outras mulheres insulares ou insuladas. Mesmo se hoje minoritariamente, ainda vamos tendo em Portugal quem se dedique à “questionação do cânone”, como diz o Ricardo. Um abraço amigo! Rui Guilherme.

Anônimo disse...

Esqueci-me do enlace! https://woc.uc.pt/fluc/getFile.do?tipo=2&id=5284
Abraço, Rui.

Ricardo Riso disse...

Oi, Rui! Tudo bem?
Primeiro quero agradecer as duas indicações de texto. O do Pires Laranjeira farei a leitura mais tarde por ser de maior fôlego e perceber o que comenta sobre a Lay Lobo, que ainda não conheço. No texto sobre Carlota de Barros, José Luis foi bastante elucidativo (e até percebi certa comoção acerca da poética de Carlota, algo que ainda não havia sentido em textos críticos anteriores) e são importantes as considerações do Rui Guilherme que acompanham o que José Luis descreve como “sensibilidade primacialmente radicada na diáspora”.
No que diz respeito à Maria Helena Sato, sua poesia enquadra-se de forma perfeita na menção dos “poetas das sete partidas” de Manuel Ferreira, e concordo consigo ao recordar Euricles Rodrigues e ao Mario Lucio. Realmente concordo que o livro citado deste preparou o terreno para Cristais de Maria Helena Sato, por exemplo. Aliás, seria até um bom motivo para pensar um artigo de uma escrita sem os referenciais tradicionais do sistema literário de Cabo Verde. Mas como será a recepção da obra de Sato em Cabo Verde?
Porém, parece-me que o maior interesse da atual poesia cabo-verdiana é a grande diversidade de seus poetas, como frisa José Luis ao final do texto sobre Sonho sonhado, principalmente os da diáspora com suas escritas díspares e enriquecedoras, dentre os quais posso citar José Luiz Tavares e a navegação pela literatura em língua portuguesa e em outras escolas do mundo ocidental e o próprio José Luis Hopffer Almada, que na diáspora recria de forma incansável os seus poemas e pontuando a origem crioula sua e de seu país.
A respeito do “compromisso social”, o momento continua propício para sua inserção na poesia, tanto que vejo com enorme apreço o desenvolvimento do agora longo poema “Cidadeverdades” de José Luis Hopffer, mas a falta de apuro estético nos recentes poemas de Vera Duarte compromete a sua causa, ainda que justíssima.
Abraço fraterno,
Ricardo