terça-feira, 5 de agosto de 2008

Mimmo Paladino - Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro

Mimmo Paladino
Por mamrio

Ópera Gráfica
07 ago - 07 set 2008


http://www.mamrio.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=146&Itemid=36

A exposição apresenta em uma ampla montagem no segundo andar do museu 30 obras do importante artista contemporâneo italiano, produzidas sobre papel em grande formato, em várias técnicas de gravura (água-forte, serigrafia, litografia e xilografia), no período de 1992 a 2003.

Paladino nasceu em Paduli (Benevento, Itália) em 1948, e hoje vive entre Paduli, Bolonha e Milão. Junto com Sandro Chia, Francesco Clemente, Enzo Cucchi e Nicola de Maria, Paladino protagonizou o movimento conhecido como transavanguarda italiana na década de 1980. Os artistas do movimento, reunidos ao redor da figura do crítico Achille Bonito Oliva, propunham um retorno à pintura em resposta ao que consideravam o esgotamento definitivo dos planos inovadores da vanguarda. Esses artistas encarnaram a mais significativa volta à pintura expressionista, como reação ao minimalismo e à arte conceitual dos anos 1970 e ao materialismo da arte povera.

Mimmo Paladino tem obras em grandes coleções públicas, como o MoMA e o Guggenheim de Nova York, e a Tate Gallery, em Londres. No Rio, fez mostra individual no l em 1992. Paladino, pesquisador de todas as técnicas artísticas, a partir de 1979 já se dedicava também à gravação nas modalidades: água-forte, água-tinta, linoleografia, xilografia, serigrafia e litografia. Ele expôs na Bienal de Veneza em 1980 e sua arte afirma-se internacionalmente e em caráter definitivo graças a uma exposição itinerante de desenhos em vários museus da Europa Central – de Kunsthalle em Basel, ao Museu Folkwang em Essen e ao Stedelijk Museum em Amsterdã. No mesmo período, em Nova York, duas exposições individuais, nas galerias Annina Nosei e Marian Goodman tornam seu trabalho conhecido também nos Estados Unidos. Nos primeiros anos da década de 1980 dá início às obras de escultura. Em 1982 participa da Bienal de Sidney e da Documenta 7 de Kassel.

Em 1983, expõe na mostra sobre a Transavanguarda na Fundaciò Joan Mirò de Barcelona, na exposição New Art na Tate Gallery de Londres e, no ano seguinte, Det Italienska Transavangardet na Lunds Konsthall de Estocolmo. Ao mesmo tempo é consagrada ao artista italiano uma importante exposição individual no Harbour Museum de Newport, Los Angeles, seguida em 1984 por outra ainda em individual no Musée Saint-Pierre/Art Contemporain de Lyon. No mesmo ano, Paladino expõe no espaço do An International Survey of Recent Painting and Sculpture no MoMA em Nova York; é convidado pelo Hirshhorn Museum and Sculpture Garden de Washington, participando em seguida da mostra Contemporary Italian Masters no Chicago Council of Fine Arts. Em em 1988 ocupa uma sala individual na Bienal de Veneza.

A obra de Paladino, desde os primeiros desenhos dos anos 1970 até suas telas e montagens atuais, conjuga elementos das vanguardas com atmosferas meridionais carregadas de conotações mágicas e ancestrais, onde aparecem figuras que se referem à tradição popular.

A arte de Paladino apresenta enfoque histórico, religioso, sensualidade e uma utilização constante de mistura de linguagens. Mas é a absoluta liberdade de leitura de suas obras o que o artista mais preza e que gera, para ele, “uma ambigüidade constante” em seu trabalho.

Para o curador da mostra, a “modernidade de sua obra reside no mistério, no nunca declarar explicitamente os conteúdos nem o caráter expressivo em que se posiciona, no não revelar o terreno no qual finca suas raízes inspiradoras. Porém, paradoxalmente, seu permanecer contemporâneo reside justamente na aparente inatualidade da sua obra que se posiciona, com toda certeza, no campo da ambigüidade, ou seja, com as características mais significativas da expressividade poética do nosso tempo”.


Texto do catálogo


No texto do catálogo da mostra, Enzo Di Martino observa que a xilografia constitui para Paladino “a linguagem incisória que, na sua crueza e essencialidade, manifesta mais claramente o seu mundo imaginário”.

Ele afirma também que não se pode deixar de mencionar a relação de Paladino com o papel. “Trata-se de uma relação inteiramente particular, empática, poderíamos assim dizer, onde o artista continua subtraindo da matéria sempre novos estímulos e inesperados impulsos de imaginação, mesmo quando esta já foi empregada, como no caso de velhas gravuras”. A inspiração pode às vezes surgir da própria matéria, branca e trabalhada à mão – como ocorre, por exemplo, no caso das “Carte siciliane” de 1998 – à qual o artista deu formas inesperadas (uma cabeça, uma flor, uma mão), colando depois por cima as coloridas incisões impressas sobre papel “china”.

O grande formato surge como uma questão no estudo da obra gráfica de Paladino – por exemplo nos “Continenti” e nos “Scudi” de 1999. Esta pode ser uma simples exigência expressiva, mas também a de proclamar a necessidade de encerrar o “relato” de uma outra forma inenarrável, ou talvez incutir solenidade e mistério às figuras, à “representação”.

Obras monumentais como o tríptico “Sirene – Vespero – Poeta Occidentale” de 1986, assemelham-se na realidade a “campos de batalha” nos quais exercitou-se não somente “a ambição expressiva” de Paladino, mas também toda a sua capacidade de dominar a matéria e os meios técnico-alquímicos à disposição.

As grandes telas nas quais o artista “contamina” todas as linguagens da gravura, utilizando simultaneamente a serigrafia, a litografia e a ponta seca, a água-forte e a xilografia, a água-tinta e aplicação de abrasivo carborundum, permitem a convivência pacífica destes procedimentos. A orientação de todas as devidas qualidades expressivas em proveito de resultados técnicos e formais possivelmente não possui paralelo nas experiências similares praticadas pela pesquisa artística contemporânea.

Um comportamento que não supõe a hierarquia das linguagens, e que permitiu ao artista dominar e apoderar-se de todos os procedimentos, da incisão do cobre ao desenho na pedra, da impressão sobre a seda à erosão direta do ácido no zinco, da aplicação de materiais ao entalhe na madeira e no linóleo.

Mimmo Paladino empenha-se, sobretudo em sua pesquisa, em “representar ele próprio”, a inatual complexidade do seu imaginário. Porém, suas metáforas figurativas representam um mundo no qual nos espelhamos e que nos pertence, nos obrigam a encarar o nosso interior, nos forçam a ouvir o silêncio que está dentro de nós.

A linguagem de Paladino é, portanto finalmente universal, persistente e duradoura, que se manifesta com clamor no notável e reconhecível signo de uma poesia pessoal imaginativa.

Curadoria Enzo Di Martino
Realização Istituto Italiano di Cultura do Rio de Janeiro e Embaixada da Itália no Brasil
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Estarei lá!
Ricardo Riso

2 comentários:

Tinta Azul disse...

Cheguei ao seu blog por causa do Mimmo Paladino.
Curiosamente vi esta exposição no Rio de Janeiro no MAM. Gostei bastante assim como adorei o Rio de Janeiro.
:)

Ricardo Riso disse...

Os trabalhos para esta mostra foram impactantes, assim como são a arquitetura do MAM e a paisagem da Baía de Guanabara.
É sempre um prazer inenarrável quando há uma ótima exposição neste museu, porque não é apenas isto...
Obrigado pela visita!
Abraços!!!